Atormentados pelo mal
3 Capítulo 3
Kate saiu de seu aposento, pois um barulho estranho a incomodava. Mas na verdade, no quarto de frente ao seu, o estranho garoto loiro pichava algum desenho na porta automática. Ela observou para tentar descobrir o que ele pichava de aerossol preto.
–Só podia ser! — riu ela.
–Ah, oi! Gostou da caveira que desenhei?
–Claro. Bom aviso de perigo! — Os dois sorriram.
–É o que parece? Nós somos vizinhos?
–Acho que sim.
Ao dizer isso os olhos dele se encontraram com os dela. Ela quis saber:
–Posso saber seu nome?
Agora o olhar dele mudou, sua expressão parecia tensa com a pergunta.
–Desculpa.- Ela disse.- Eu falei alguma coisa errada?
–Não...me chamo Jake.- Ele pôs a mão no nariz desajeitadamente. — Eu... vou até a biblioteca.
–Posso ir também?
–Não...Quer dizer, melhor não. Vou procurar uma coisa.
–Tudo bem, então.
Kate se sentiu um pouco magoada, mas entendeu que ele não a queria por perto, entrou em seu quarto, pressentindo um clima diferente, alguma coisa diferente.
De longe, alguém observara o que acabou de acontecer. Uma menina ruiva de olhos verdes cheios de rímel, tratou de correr até a biblioteca e fingir que estava lendo um livro, esperando para que Jake entrasse. Mas não, ele não havia dito a verdade, foi até o parque com os alvos. Talvez tenha ido refletir um pouco, foi o que constatou a ruiva olhando-o pela janela.
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Era hora do almoço, Kate não estava com fome, então foi andar pela escola a fim de encontrar um cantinho só dela, se encontrou num corredor escuro, ouvindo passos apressados vindos em sua direção, até que alguém se esbarrou em Kate, era uma mulher alta de óculos escuros, e logo pôde perceber a semelhança entre as duas, até mesmo pelas roupas de preto. Não se encararam, pelo contrário, sorriram uma para a outra. A garota baixou os óculos.
–Você é Lauren Kate, certo?
–Sou. Como sabe?
–Todos nessa escola sabem. Você vem de uma linhagem muito antiga.
–Espera...o que você está dizendo? Não compreendo.
–Ha claro que não, esqueça. Meu nome é Gromora Asuma. Espero encontrar com você mais vezes, será que...podemos ser amigas?
–Claro.
–Legal, a gente se vê! — Disse ela seguindo em frente com passos apressados.
Kate se recuperou da conversa e olhou para o corredor escuro, não quis entrar de primeiro, mas então..
Já estava no meio dele, e ela viu que aquele corredor dava em três portas. Se aproximou da terceira, que abriu automaticamente. Entrou nela, e viu uma sala escura e grande, cheia de prateleiras com armas, todos os tipos possíveis, acabou por escutar novos passos vindos para aquela direção, se escondeu atrás de uma mesa, e uma sombra parou em frente à porta. Uma voz masculina disse:
–Quem está ai?
Ele andou até o meio da sala, e Kate conseguiu sair de lá sem fazer barulho. Correu até uma turma de alunos de outras salas e se misturou à eles, a senhorita Atakoshia estava reunindo todos. Nesse momento, um homem de óculos, grande, forte, aparentava ter uns 40 anos, sussurrou algo à professora. Ela fez cara de espanto e pediu para que os alunos se calassem.
–Silêncio todos! Recebi a informação de que algum aluno invadiu uma das salas de armamento. Até descobrirmos quem foi, todos os alunos terão treinamento rigoroso todos os dias, começando por amanhã.
Alguns berros, vaias, e palavrões foram ouvidos pelos alunos, Kate se sentiu culpada no fundo, mas sua expressão não se mostrava preocupada. Apenas ignorou a situação, foi até a biblioteca, pegou algumas folhas em branco e lápis, começou a desenhar um anjo.
–Desenhando enquanto os outros estão treinando no lago?
Kate dobrou rapidamente seu desenho, se virou para ver quem havia dito aquilo, era um garoto ruivo de olhos cinza claros. Ele sorriu pra ela.
–Não devia espionar o que os outros estão fazendo. — Disse ela.
–Tá bom, calma. Só quis ajudar. — Desculpou-se abanando as mãos.
Kate já estava se levantando, quando o garoto se apresentou:
–Me chame de Psicopata, ou psicótico se preferir.
–Quê?
–É que todo mundo me chama assim, mas meu nome é Draker Wolves.
–Aham, tenho que ir. — Ela estava saindo quando Draker segurou seu braço.
–Eu gostaria de saber que tipo de monstro é você, Kate.
–E se eu não for um? — Replicou ela.
–Eu sei que é. Seus olhos mostram isso.
Ela ficou sem saber o que dizer, mas saiu isso:
–Você está enganado.
–Como pode discordar? Todos sabem da sua linhagem, só não sabem o que você virou. Eu vou descobrir mais cedo, ou mais tarde. — Ele saiu pela porta, deixando a garota confusa.
Ignorando completamente o acontecido, Kate olhou pela janela e avistou seus colegas no gramado, eles estavam mostrando suas verdadeiras formas, e ela queria muito estar lá. Mas não conseguia se mover, apenas via os outros se transformarem no que são. Notou que Jake não estava lá, aliás ela não o vira desde que conversaram pela manhã. " Qual a verdadeira forma de Jake?" Pensava ela.
A demonstração da aparência dos alunos já havia acabado, e voltaram todos para o prédio. Kate voltou ao seu quarto, sem empolgação para fazer nada, deitou em sua cama e ficou lá até anoitecer. Agora pôde pensar que o baile seria em dois dias, e ninguém a convidou para ir. Kate não era feia, era linda, mas talvez o problema não fosse tanto a beleza natural, e sim, seu jeito estranho vestir, como se fosse um homem. Decidiu fazer uma pequena mudança temporária, talvez, isso seria pela manhã, já que estava cansada. Adormeceu.
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