Atmosphere

8 The night still young — Part. 1


Notas iniciais
oi, oI, OI EU VOLTEI! Hehehe, tudo bem com vocês? Eu tô bembembem. E animada tbm aihiausdh Enfim, essa festa vai ser separada em dois caps, senão ficaria bem grandinho e não queria isso. Boa leitchura!

I never worry, life is a journey
I just wanna enjoy the ride
What is the hurry? It's pretty early
It's ok, we'll take our time

The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we

— The Night Still Young, Nicki Minaj

Wick e Clarke passaram o resto do dia vendo filmes antigos de terror, apenas para rir dos péssimos efeitos especiais. A médica também o deixou ciente da verdade, apesar do rapaz já saber de tudo. Apesar disso, ela não se permitiu chorar novamente. Seu pai não gostaria de vê-la se lamentando e desperdiçando sua vida por causa de sua morte.

— Ok, esse é, definitivamente, o filme com os piores efeitos especiais do mundo. — Wick declarou, em uma risada, enquanto a TV exibia "A Madrugada dos Mortos Vivos" — Obrigado tecnologia, por nos trazer filmes melhores.

— Amém. — Clarke sorriu — Ei, vou pegar mais pipoca. Pausa essa droga aí.

O engenheiro apertou o botão da TV, e o filme parou de ser transmitido. Griffin, com o celular no bolso e o pote de pipocas nas mãos, entrou na cozinha e ligou o microondas, colocando o pacote da comida para estourar. Enquanto isso, ela observava a noite através da janela, a Lua estava alta e brilhante, e algumas poucas estrelas podiam ser vistas, escondidas atrás das nuvens. Clarke se perguntava como Savannah poderia ter um ar tão tranquilo e hippster como aquele. Talvez fossem as casas, as lojas, as pessoas, ou a própria cidade em si. No fim das contas, aquele lugar era mesmo seu lar. Seus amigos estavam ali, e aquele era o refúgio do seu pai. Ela pertencia a Savannah.

Sua atenção se voltou ao celular, que apitou notificando-a que uma mensagem havia chegado. A foto de Octavia fazendo careta com as palavras "festa agora, sem falta, te vejo em duas horas" fizeram Clarke abrir um sorriso e rolar os olhos. Ela queria entender como a Blake conseguia conciliar as festas com o trabalho. A professora era organizada, mesmo que seu quarto parecesse com o porão de um navio pirata. Ela mordiscou a unha do indicador, ainda com um pequeno sorriso no rosto, enquanto agilmente digitava "posso levar um amigo?" como resposta. Por sua vez, a mensagem de Octavia quase a fez engasgar no meio da cozinha.

"Que amigo? 'Tá traindo meu irmão, Clarkey Turkey?"

A loira segurou um rolar de olhos e apenas lhe mandou um palavrão, dizendo que levaria o amigo de uma forma ou outra. Ignorou a mensagem seguinte da Blake e correu de volta a sala, onde Wick assistia algum vídeo de gatinhos em seu celular, com o filme horrível ainda pausado no home theater. Griffin deu uma risada alta, assustando o primo, que deixou o telefone cair no sofá, formando uma passageira expressão de irritação em seu rosto.

— Você é tão engraçada quanto os caras do centro de stand up de Denver, Clarke.

— Ei, velhote, que tal parar de ser tão rabugento, — ela brincou, acertando um tapinha amigável em sua testa — e vir comigo em uma festa? Posso te apresentar a alguns amigos.

Kyle meneou a cabeça, cerrando os olhos e fazendo um leve biquinho, que fez a loira rir. No fim das contas, ele aceitou, o rapaz era tão festeiro quanto a própria Octavia. A Griffin indicou o quarto de hóspedes e lhe disse que poderia pegar algumas roupas de Jake que haviam ficado naquele armário. Ela correu para seu quarto e trancou a porta, despindo-se veloz e jogando as roupas em cima do vaso sanitário da sua suíte e entrou debaixo do box. Esfregou os cabelos loiros e ensaboou-se, sentindo o suor do corpo escapar de seus poros, viajando pelas gotas de água em direção ao chão. Pensou qual seria o motivo para Octavia estar festejando. Pelo o que Raven lhe dissera, a Blake não precisava de um motivo para as festas, ela apenas as fazia. Desde que tudo estivesse no lugar e nada desaparecesse da casa, o irmão mais velho da garota não se importava com as festanças.

Sacudiu a cabeça, livrando seus pensamentos de qualquer outra distração — como um certo moreno de um belo sorriso — e terminou seu banho, enrolando-se numa toalha e saindo da suíte, caminhando com pressa na direção do seu armário. De repente, lhe veio a ideia rebelde de testar a si mesma. Todos a conheciam como a garota certinha, educada e sensível da família perfeita. Agora, Clarke queria mostrar o seu lado mais livre, solto, seu lado mais sombrio. Ela pegou uma calça jeans e, com uma tesoura, começou a cortar os joelhos da vestimenta e alguns outros pontos que achou interessante. Também transformou a roupa comprida em uma bermuda pouco acima dos tornozelos. Depois, pegou uma blusa violeta-escura, que deixava dois dedos de sua barriga a mostra. Escolheu um par de coturnos que havia ganhado de aniversário, e uma jaqueta de couro antiga de seu pai. Vestiu suas roupas íntimas com rapidez e logo colocou o novo modelito em seu corpo, admirando a si mesma com um sorriso em seu rosto. Definitivamente, ela parecia outra pessoa. Clarke então passou um lápis de olho simples e um batom vivo em seus lábios, deixando o resto do rosto livre de maquiagem. Penteou os cabelos, os deixando soltos e um tanto ondulados, com brilho e certo volume. Encarou-se mais uma vez no espelho e resolveu deixar a jaqueta de lado; ainda pertencia a Jake e uma festa como aquela não era um motivo digno de usá-la.

Pronta, ela encaixou o celular no bolso de trás da calça e saiu de seu quarto. Wick estava no pé da escada, usando uma simples camisa azul marinho e calças jeans, além de tênis camurça nos pés e uma corrente prata no pescoço. Ele assobiou para a prima, brincando, enquanto a mesma rolava os olhos e descia os degraus. Mais uma mensagem chegara no telefone da loira, Octavia lhe mandara se apressar. Sem responder, os primos Griffin abriram a porta e caminharam na direção da festa.

— Como são essas festas da sua amiga?

— Ah, Wick, pode ficar tranquilo, não usamos nenhuma droga além do álcool.— Clarke o acalmou — Geralmente são alguns amigos do trabalho da O, alguns da Raven e só.

"Vamos torcer pra não ter nenhum acidente igual da última vez", ela desejou conforme tocava a campainha. Diferentemente da outra festa, quem abrira a porta fora Lincoln, que recebera a loira com um abraço apertado e um sorriso perolado. Avisou que Octavia lhe esperava no andar de cima, e que estava "louca e desesperadamente necessitando da sua ajuda". Clarke riu e pediu ao moreno que cuidasse de seu primo enquanto ela rapidamente subia as escadas da casa e entrava no cômodo pertencente a Blake. Como sempre, o lugar estava uma bagunça, com roupas espalhadas, cama desarrumada e um armário ainda aberto. Octavia se arrumava em frente ao espelho, examinando seu próprio reflexo na superfície de vidro do objeto. Ela abriu um enorme sorriso ao ver a Griffin vestida de forma tão ousada e a mandou entrar, enquanto a mesma trancava a porta. A morena usava um vestido preto rendado, com cordões de argolas e um brinco de penas em sua orelha direita. Um salto simples e um brilho labial completavam o modelo. Seus cabelos estavam lisos e soltos, naturais como sempre eram.

— O, você sabe melhor do que ninguém que eu sou a última pessoa que você deve recorrer se precisa de ajuda com festas. — Clarke observou, sentando-se na parte organizada da cama.

— Doutora Griffin, eu preciso de sua ajuda pra outra coisa. — Blake brincou, arrumando o brinco em sua orelha — Você sabe que Monty e Jas são responsáveis pelas nossas bebidas especiais, mas os dois nem se sequer se olham! Não posso deixar isso acontecer. Clarkey, por favor, fale com eles. Faz isso por mim, vai. Por favooor!

A médica sorriu e rolou os olhos, enquanto se erguia do móvel e dizia um "só dessa vez, Blake" para a lutadora dentro do quarto. Atravessando o corredor, ainda no alto da escada, a garota varreu a sala da casa com os olhos azuis atrás do asiático, antes de ir atrás dele. Ela sabia bem o motivo daquela "briga" dos dois, e teria de dar um fim naquilo, pelo bem da festa de Octavia. Deu um breve sorriso ao ver Wick e Lincoln conversando despreocupadamente nos sofás, como se já fossem amigos de longa data.

Descendo as escadas com rapidez, Clarke mal reparou na pessoa que vinha na sua direção, trombando com a mesma e a jogando no chão. Estava prestes a soltar mil e um xingamentos quando erguera os olhos até o rosto do rapaz, e um tímido e sorrateiro sorriso aparecer em seu rosto. Miller era um dos poucos amigos de Raven que Clarke realmente gostava como companhia. Ele era engraçado e bem legal, sempre muito respeitoso e atencioso. O moreno a ajudou a se levantar e deu um aceno de desculpas, voltando a subir as escadas. Dando de ombros, a Griffin voltou ao seu objetivo inicial: encontrar Jasper e Monty e acabar com a briga boba.

Green estava num canto escuro da sala, encarando com tédio seu celular enquanto escorava-se na parede entre a TV e a estante de livros. Estava quieto na sua, mas os olhos puxados deixavam claro que não estava nenhum pouquinho satisfeito ou feliz de estar ali. Jasper, por outro lado, sorria como um tonto para a tela de seu telefone, sentado no balcão da cozinha. Clarke respirou fundo e rolou os olhos novamente, decidindo abordar Jordan, que parecia menos irritado e mais fácil de convencer.

— Ei, Jasper. — ela sorriu, se sentando ao seu lado.

— Clarke, oi! Soube que você conseguiu o emprego no Ark. Parabéns!

— Obrigada, Jas. Hum, posso te dar um conselho via historinha clichê?

Ele assentiu com a cabeça, apesar do cenho franzido. Do outro lado da sala, Monty os observava com desdém e certa raiva, ainda estava muito chateado com o rapaz pelo o que fizera com ele no hospital.

— Então, lá em Denver, eu tinha um quedinha num cara chamado Will. Ele era super legal e trabalhava num supermercado perto da minha casa. Eu só ia naquele Walmart pra poder vê-lo. Mas fiquei tão obsecada com o rapaz que mal passei a ver e dar atenção aos meus amigos. E quando eu quebrei a cara com ele, bom… — Clarke sorriu — Somente Wells estava lá pra me consolar.

— Ahn, onde você quer chegar com tudo isso? — Jasper perguntou, em uma risada nervosa.

— Quero que você não abandone seus amigos por causa de terceiros.

— Mas eu não abandonei ninguém.

— Olhe, só pense bem no que eu falei, ok?

E lhe deu um breve sorriso antes de sair em direção ao outro lado da sala. Clarke era muito boa com conselhos, mas era muito ruim em seguir seus próprios pensamentos. Enquanto se dirigia até Monty, vislumbrara Bellamy sentado no sofá, conversando descontraído com Wick e Lincoln, e não reprimiu um sorriso ao ver seus olhos negros encarando os seus. Sempre que seus olhos encontravam os dele, era como um interruptor: vê-lo sempre lhe causava ações diferentes. E aquilo, mesmo que lentamente, começava a agradá-la. Haviam quase três anos desde que Clarke se sentira daquela forma, e havia se esquecido de como as vezes poderia ser muito bom ter aquela sensação. Com um breve balançar de cabeça, ela voltou seu foco no problema de Monty e Jasper. O asiático estava passando o dedo devagar pela tela do celular, parecendo distraído e desconfortável, como se fosse sua primeira vez numa das festas de Octavia.

— Não quero lição de moral, Clarke. Obrigado. — o garoto declarou, sem olhá-la nos olhos.

— Monty, eu não quero forçar você a voltar a se falar com Jasper, ok? Se não quer fazer isso por sua amizade, faça pela Octavia. Poxa, ela dá duro nessas festas, e você sabe melhor que eu que suas doses especiais são a cereja do bolo. — ela explicou, fazendo uma cara de cachorro sem dono — Por favor, Monty, faça isso por mim e pela O?

Com um sorriso derrotado, ele suspirou e murmurou um "'tá bem", fazendo a loira abrir um sorriso radiante e o segurar num abraço apertado. A médica assistiu o rapaz atravessar a sala e se sentar no lado do amigo, ainda constrangido. Vitoriosa, Clarke subiu as escadas novamente e entrou no quarto da Blake com a expressão animada. Raven estava ali, com uma camiseta verde e uma calça jeans, além do rabo de cavalo e das botas inseparáveis. A dona da casa virou para Griffin.

— De nada.

— Conseguiu? — Clarke balançou positivamente a cabeça — Eu te amo, sabia?

— Sabia sim. E então, vamos?

As três desceram as escadas, e agora a casa já estava cheia. Octavia e Raven desapareceram em meio aos convidados, e Clarke apenas se sentou na cozinha, onde os dois amigos já estavam bêbados e nem ao menos pareciam irritados um com o outro. Naquela noite, a loira decidiu permanecer sóbria. Iria rejeitar uma ressaca desta vez. Pôde ver várias pessoas conhecidas espalhadas pela sala: Miller, Monroe, Lincoln e suas primas Lexa e Anya, até mesmo John Murphy estava ali, sentado no sofá aos beijos com uma morena qualquer. Ela não vira Bellamy em lugar algum, mas decidiu focar sua atenção em qualquer outro ponto da casa. Ela suspirou, dando um minúsculo sorriso.

A noite ainda era uma criança.

Notas finais
e aí??? será que a festa promete?? não sei viu aisuhiahsihusd digam o que acharam! Até o próximo! £ Küsse da Magic Mirror £