Atlanta

30 Capítulo Vinte e Nove


O grupo de Jack havia conseguido passar uns quatro dias na pequena casa do lago em Juliette. A cada noite eles revezavam as pessoas que vigiariam o local ao redor. E todos os dias ia um grupo em busca de algum mercadinho abandonado, para ver se encontravam suprimentos e estocar. Judy que ficava tomando conta de Penny, enquanto Phillip ia ajudar os homens no trabalho braçal, ou acompanhar as mulheres mais fortes para ir buscar alimentos. Levi tentava retomar suas teorias sobre o caos, com ou sem Grace que nem sempre podia ajudá-lo. E os outros faziam diversos tipos de coisas.

Naquela noite, parecia tudo tranquilo como nos outros dias. Quem estava vigiando ao redor eram Logan e Grace. O homem havia cochilado encostado na cadeira que havia colocado em cima do trailer. A jovem cientista não conseguiu nem isso aquela noite, estava inquieta. E dentro da casa, sem que ninguém houvesse percebido, Amy saiu para tentar buscar alguma coisa. Foi até um pouco mais longe do que costumava ir. Levando uma mochila com apenas uma garrafa de água e segurava uma lanterna em suas mãos. Não estava sozinha, havia levado consigo Owen e Caleb. Mas os três não sabiam o que estaria por vir naquela estranha calmaria em Juliette.

**

Grace continuava a observar. Sentiu um vento frio vindo na sua direção. Mas não era só frio, parecia indicar mau presságio. De repente, barulhos estranhos começaram a surgir, um pouco ao longe. A cientista saberia muito bem o que fazer sem deixar que, o que quer que estivesse chegando, escutasse seu pedido de ajuda. Abaixou-se e pegou o walkie-talkie, fazendo contato com Carla dentro da casa.

―Alô... Câmbio... ―entre as palavras que Grace falava no aparelho, ás vezes chiava por alguma interferência.

―Câmbio... Carla Reeves-Urie na escuta... Pode falar, Grace... ―a mulher acordou um pouco assustada.

―Carla, verifique se estão todos aí. ―dizia a cientista.

―Tudo bem, aguarde... ―disse a loira levantando-se para verificar o lugar. Viu que os colchões estavam todos ocupados... menos três. Carla logo deu falta de Amy, Owen e Caleb.

―Carla? ―indagou Grace.

―Estão todos aqui. Exceto Amy, Caleb e Owen. ―ela segurava o walkie-talkie observando os lugares vazios.

―Aonde será que estão eles... ―Grace pensou consigo mesma. ―Ok, faça o seguinte. Acorde todos aí, sem pânico. Não deixem que façam barulho.

―Grace, o que está acontecendo? ―Carla perguntou sem saber.

―Eu não sei... algo muito estranho. Mas faça o que eu pedi, e rápido. Câmbio desligo. ― a mulher falou logo levantando-se para observar novamente.

O vento parecia ficar um pouco mais frio. Até Logan que cochilava, acordou assustado com esse estranho clima. Os dois se entreolharam sabendo o que um queria dizer para o outro. E juntamente com o barulho, começaram os gemidos cadavéricos.

―Está pensando o mesmo que eu? ―disse Logan.

―Sim. Estão vindo. ―uma expressão de medo tomou conta de Grace, ela logo viu Carla sair com o restante do grupo para entrar nos carros.

Os dois desceram de cima do trailer e ajudaram os outros a se posicionarem dentro do carro. Todos verificaram se os carros possuíam gasolina, mas parecia que os tanques estavam vazios. O desespero tomou conta de quase todos. Mas Carla, Jack, Grace e Logan iriam proteger os arredores.

―Peguem suas armas... ―sussurrou Carla preparando-se para lutar.

**

Owen percebeu que haviam zumbis pela área e logo agarrou Amy pela cintura para protegê-la. Caleb também se abaixou. Mesmo abaixada, a garota tinha uma percepção incrível. Observou todo seu redor, enquanto Owen cuidava de sua segurança. A jovem avistou dois carros fortes a pouco mais de 3 metros de distância de onde eles estavam.

―Owen... ―ela sussurrou. O homem olhou-a. ―Olhe ali... acha que conseguimos?

Ele viu os dois veículos.

―Eu não sei, Amy. Parece uma boa ideia, mas é arriscado. ― ele falou analisando a possibilidade.

―Mas pode ser nossa salvação. ―ela sussurrava. ―Os carros que temos na casa do lago estão quase sem combustível.

―E se eles estiverem sem combustível também?

―Não vão estar. ―ela estava com os olhos fixos na meta de conseguir pegar os dois veículos.

Caleb estava do outro lado, imóvel, e esperava algum comando de Amy que parecia ser bem mais esperta do que ele.

―Eu vou arriscar... ―ela sussurrou pra si mesma. E olhando fixamente pros objetivos, saiu correndo com a faca em mãos, para susto de Owen.

―Amy! Não!... ―Owen tentou alertá-la. Percebeu que teria que correr atrás dela para impedir, salvar ou ajudá-la.

“Ela dirige um, e eu o outro.” Pensou o homem. A jovem se deparou com dois mortos vindos da mesma direção e esfaqueou um, empurrando o primeiro pra cima do segundo e após ver os dois caindo, perfurou a cabeça do segundo através do ouvido. Levantou-se e recompôs, olhando que Owen também lutava indo na direção dela.

―Caleb! Vem! ―gritou Amy para o amigo que não se movia de tanto medo. Mas ao ver a coragem da amiga, se inspirou e correu até ela. Sabendo que iriam pegar os veículos para ajudar os que estavam na casa do lago.

Amy chegou até um dos carros e abriu a porta esperando Caleb se aproximar. Owen atingiu mais um zumbi, fazendo-o cambalear antes de cair. Correu em direção ao outro carro forte e entrou, dando partida e verificando o combustível. Demoraria muito até acabar, deram sorte. O de Amy estava cheio também. Ambos esperavam Caleb, que percebeu três errantes vindos de direções diferentes. “Oh, meu Deus”. Pensou a jovem sem poder salvar o amigo. Owen observava a cena e saiu para tentar salvá-lo, mas antes que pudesse chegar até lá, mais de dez errantes saíram de lá. Owen recuou e voltou para o carro forte, Amy viu que o rapaz não poderia fazer nada para salvar Caleb. O rapaz gritava, mas nada mais poderia ser feito. Amy deixou cair umas lágrimas, mas respirou fundo sendo forte e deu partida no veículo, sendo acompanhada por Owen.

Notas finais
Parece que o sossego não durou muito né? Mas pelo que parece eles estão mais próximos de Savannah.