Athenas
1 Dançamos com umas Empousai
Notas iniciais
A gritaria havia se espalhado pelos corredores de meu colégio, e eu sem nada entender, fui olhar pela janela do quarto andar onde ficava minha sala de aula para tentar entender o porquê do tumulto tão grande, foi então que vi.
Estava com roupas rasgadas das líderes de torcida do meu colégio e foi pelo uniforme diferente que percebi que era Annelle a líder da torcida do colégio. Fiquei meio assustada. Como ela havia se transformado naquele monstro? Ela era terrível, antes uma bela moça, extremamente sedutora e popular e agora uma mulher com cabelo flamejante, pele branca, olhos vermelhos, presas, e uma perna protética de bronze e a outra de burro. O pior é que existiam mais três daquelas criaturas vagando pelo pátio.
–Rov, vem comigo agora!- James, um menino de cabelo castanho, olhos da mesma cor e que sempre tinha um sorriso fácil, agora estava muito sério. Conhecia-o muito bem e algo havia de muito errado com ele, afinal ele era meu amigo de longa data. O garoto começou a puxar meu braço para o circuito de corredores que acabavam numa saída lateral da escola.
–O que está acontecendo aqui? O que são elas? O que querem?- Minha cabeça começava a explodir de tantas perguntas, algumas, claro eu já tinha respostas, era uma amante de mitologia e sempre estudei sobre ela, mas nunca de fato acreditei.
– Elas são Empousai Rov, monstros que sentiram seu cheiro e vieram matá-la, é para isso que servem os monstros, matar jovens semideuses- James me respondeu com muita naturalidade como se o fato de eu conhecer esse mundo me ajudaria a aceitar o que eu era. Para minha sorte ele estava coberto de razão.
– Jura?! James... Não é possível! Só existe nos livros! Nossa!- James nem deu bola para meu falatório, já havia começado a tentar arrombar a porta lateral, mas sem sucesso. Então pegou minha mão e tentou correr para a outra porta lateral que também estava fechada, então correu para a da frente.
James me puxou junto, mas fiquei atônita com o que vi. O corpo de Felix, um ex-namorado meu, estava totalmente mutilado e jogado num canto, pela aparência posso afirmar que seu sangue fora drenado e totalmente sugado de seu corpo, nesses segundos de hesitação para olhar o corpo de Felix apareceu uma Empousai pela porta de acesso a entrada e me encarou. Vi fúria em seu olhar além de seu riso meio sádico, pois sabia que havia encurralado sua vítima. Ela era a caçadora e eu a presa, totalmente indefesa.
Ouvi cascos batendo atrás de mim e fui puxada para trás de um corpo bode, não me espantei, pois sabia que deveria esperar que James fosse meu sátiro, mas não pensei que seria um sátiro suicida colocando-se no meio entre mim e a Empousai.
–Corra Rov, é sua única chance, vá até o colégio Forgs News e procure por Elliot e peça que o leve até o acampamento Meio Sangue, diga que foi James quem pediu. Faça isso, caso eu não saia daqui- Ele me disse num tom ríspido, que eu sabia que era uma ordem expressa e que ele esperava que eu fosse atendê-lo sem demoras, mas não foi isso que fiz.
–James, sempre tão lindo! Por que não vem e me dá um beijo?- A Empousai o provocava, mas na sua forma natural não era muito fácil cair em seus encantos.
–Nunca! –James bradou. Sacou uma espada curta e outra mais longa e me entregou a longa- Tome, essa é Gladio uma espada de dois gumes perfeita para...
PUF! A Empousai havia jogado umas cadeiras em nós e tivemos que nos arrastar pelo chão para nos protegermos da Empousai, ela havia ficado impaciente com nosso papo.
– Perfuração- James continuou- É uma arma que perfura a maioria das armaduras, cuide bem dela. É de bronze celestial e forjado por ciclopes nas forjas de Poseidon, é o que há de melhor.
Contemplei aquela bela espada e fiquei maravilhada com sua magnitude, também reparei num símbolo que eu conhecia muito bem “N’Dah” o símbolo egípcio de proteção. Isso era coisa de James por saber que eu carregava esse símbolo comigo, certamente isso não seria muito bem visto entre os gregos.
De repente James me pegou despreparada e caiu para a luta. Brandia sua espada menor com agilidade anormal para um sátiro (em minha opinião) e se mostrava muito bravo, coisa que eu jamais pensaria daquele James brincalhão e sorridente que ele sempre era, parecia um leão protegendo sua cria e a cria no caso era eu. Foi então que vieram todas as outras com um líquido escarlate escorrendo pelas roupas rasgadas. Eu nunca havia estado em uma luta antes, mas segui as ordens de minha espada. Ela era feita para perfuração, então teríamos umas Empousai perfuradas para o lanche da manhã.
Deve ser um dom natural, mas sempre fui hiperativa e isso me ajudou naquela luta com as Empousai, algo negro corria de suas feridas e parecia ser sangue de monstro. Cortei a mão de uma, perfurei os olhos de outra enquanto James já havia liquidado com duas e acabava com a terceira, foi então que uma delas me arranhou feio desde o ombro até o cotovelo, senti uma dor infernal e a Gladio caiu de minha mão que não conseguiu sustentar seu peso. Comecei a retroceder para escola e já havia muitos alunos olhando a luta, eu não sabia ao certo o que eles viam porque a névoa oculta a visão da realidade. De repente a última Empousai que estivera muito perto de mim caiu sobre meus pés e atrás dela surgiu James, magnificamente heroico portando Gladio e sua espada.
–Tome, e nunca mais desgrude dessa espada moça- James me entregou a Gladio e começou a me ajudar a levantar- Vamos nessa, não há o que esperar por aqui, a não ser mais desse ai.
Corremos entre as ruas quentes da Califórnia enquanto ele me dava ambrosia, mas apenas um pedaço, pois se eu comece demais da comida dos deuses, eu poderia morrer e isso eu não desejava depois de lutar com Empousai líderes de torcida.
–Boa luta Rov, não sabia que você tinha esse poder de combate. Pode ser que seja filha de Ares.
O garoto bode começou a diminuir o ritmo de caminhada até o colégio Forgs News para encontrar Elliot, seu colega sátiro.
– Se bem que você tem um jeitão de ser filha de Athena, mas tem crises de raiva dignas de Ares... Sei não, vai que você é uma deusa menor?- Ele riu da ideia e eu também. Nunca deixariam uma deusa menor assim a mercê de monstros, deixaram?
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