At The Ballet
8 Quase um primeiro beijo...
Notas iniciais
A cada dia que passava, Santana e Brittany se tornavam mais próximas e amigas. A vida pessoal de Brittany ainda era uma incógnita para Santana, que adorava ouvir suas histórias mesmo as mais estranhas e impossíveis. A amizade começou a se fortalecer rapidamente depois de um acontecimento, onde Brittany defendeu Santana no vestiário à caminho da aula de Ballet.
“ – Ei, você. Garota nova. É verdade que você conheceu ‘Sapatilha de Ballet’? – perguntou uma menina morena que fazia aula com as duas.
-Sim, a conheci em torno de um mês... – disse Santana indiferente, mas se controlando para não gritar e dizer as emoções que sentiu por estar perto de uma das melhores dançarinas de Ballet.
-Só acredito vendo! Você tem provas? Ninguém aqui acredita em você... – disse uma outra menina que estava ao lado da primeira, esta era loira.
-Eu acredito! E a Sant é muito madura para ter que aturar um bando de invejosas! – disse Brittany abrindo a porta da cabine com uma força anormal e indo em direção de Santana.- Vamos, Sant.”
Isso não apenas fortaleceu a amizade das duas, como ajudou elas a compreender que poderiam confiar uma na outra e que uma estava ali sempre que a outra precisasse. Quase três meses depois de se conhecerem, Brittany já havia ido na casa de Santana, mas apenas para tomar chá. Seu pai não havia a deixado dormir na casa de Santana, nem se ela implorasse, como disse que tinha feito. E para Santana, sua vida e sua casa ainda eram algo desconhecido.
Santana adorava as sextas-feiras. Era nas sextas que teria três aulas de Ballet, sendo a primeira no seu horário. Aquele dia, que era uma sexta-feira, amanhecera diferente. Um Sol resolvera aparecer, cessando a chuva que não parava desde o dia anterior. Isto parecia ter alegrado todos dentro da residência dos Kutterin. Quando Santana desceu para o desjejum, encontrou suas irmãs e seus pais rindo sentados à mesa.
-Bom dia! – disse Santana sorrindo se sentando ao lado de Elizabeth.
-Bom dia! – disseram em único som.
Santana pôs um pouco do líquido transparente e quente na xícara à sua frente. Deu um gole e olhou por cima da mesa.
-Santana, hoje jantaremos fora. – disse Joanne, depois de tomar um gole de seu chá e depositar a xícara na mesa.
-Tudo bem. Aonde vamos? – perguntou Santana.
-Um amigo de seu pai, do banco. Nos convidou, especialmente para um jantar. – disse Joanne.
-Tudo bem. – disse Santana tomando mais um gole de seu chá.
Entrou na cozinha uma mulher com respiração meio ofegante. Trazia, junto ao corpo, uma maleta de couro e uma capa de viagem. Era Felícia, que agora era responsável de levar e trazer Santana da Academia.
-Já iremos, Felícia? – perguntou Santana se levantando.
-Se a senhorita terminara de comer, acho que poderíamos partir. – disse Felícia.
Santana se levantou da cadeira, beijou a bochecha de sua mãe, ganhou um beijo na testa de seu pai e sorriu para suas irmãs, que disputavam para ver quem ficava mais tempo sem fechar os olhos.
Felícia havia deixado Santana na frente da academia, como de costume, e ido em direção de retorno. Santana entrou na academia e começou a olhar para as meninas que corriam pelos corredores à procura de uma certa loira com olhos azuis e profundos. Achou Brittany sentada, e espremida, numa das escadas em espiral. Seus olhos azuis estavam brilhantes e ela tinha as duas mãos cobrindo seu pé. Santana correu até ela, o movimento daquela escada parecia diminuir.
-Bom dia, Britt... – disse Santana sorrindo ficando de joelhos no degrau à frente de Brittany, que continuou calada. – O que aconteceu? Você está bem?
Brittany negou com a cabeça.
-Me conte o que aconteceu, Britt. – disse Santana, que se sentou ao lado de Brittany para tentar fazer a mesma falar.
-Uma menina pisou no meu pé e acho que foi de propósito. – disse Brittany com dificuldade.
Santana olhou para a cena com uma certa interrogação. “Por que alguém machucaria a Britt, ela não faz mal nem à uma mosca.” Pensou Santana.
-Você sabe quem fez isso? – perguntou Santana indicando o pé coberto pelas mãos finas de Brittany.
Brittany negou novamente.
-Tudo bem, deixe me ver. – disse Santana. Brittany olhou-a de esguelha e retirou as mãos. O pé estava meio avermelhado e com uma pequena marca de sola de sapato. – Ok, você quer ver a senhora Palender?
-Não, está melhorando. Mas você me ajudaria ir até o estúdio? – perguntou Brittany.
Santana confirmou com a cabeça. Se levantou e tentou puxar Brittany, mas seu pé foi em falso e o pé pisado de Brittany não aguentou dois corpos, as duas acabaram caindo de modo que Santana ficasse sobre Brittany.
Os rostos delas estavam muito próximos e a respiração descompassada de uma segui a da outra. Sob o peito, Santana sentia o coração de Brittany acelerar. Os narizes tocando um no outro, lábios bem próximos. Entraram numa bolha só delas. E teria ocorrido um beijo se não fosse pelo um grupo de garotas pequenas subir correndo e deixando-as acordadas.
-Me desculpe, Britt. Devia ter olhado se estava pisando no degrau certo. Me desculpe. – disse Santana tirando o peso de seu corpo de cima de Brittany, se levantando e ajudando Brittany a se levantar.
-Não, tudo bem. Acontece. – disse Brittany depois de um tempo, quando começaram a subir pela escada em espiral.
O diálogo entre as duas não cessou, mas pareceu mais estranho. Haviam quase se beijado e isso era uma situação que as deixava confusas. E pela primeira vez, desde que entrara na academia, Santana queria que a aula de Ballet passasse rápido, assim como todas as outras aulas. Santana estava confusa, estava com a cabeça doendo pela confusão interna e pelo tombo externo. Na hora da saída, Santana ficara vermelha ao dar seu abraço de costume em Brittany. Felícia fora até a academia e esperava por Santana perto dos pais das outras alunas.
-Até segunda-feira, Britt. – disse Santana depois do abraço.
-Até segunda-feira, Sant. – disse Brittany, que também corara. – Meu pai está lá. Até logo, Sant.
Ao caminho de casa, Santana se lembrou do jantar na casa do amigo de seu pai e um enjoo invadiu seu corpo. Tudo que queria era ficar na sua cama e ficar pensando sobre o ocorrido daquele dia. Quando chegou, suas irmãs estavam no banho, sua mãe já estava pronta e esperava pela mesma e seu pai estava na copa.
-Mamãe. Não me sinto muito bem, será que eu poderia me deitar um pouco? – perguntou Santana.
-Espere. Venhas até aqui... – disse Joanne, que verificou a temperatura de Santana. – Tudo bem, poderás deitar, mas daqui a pouco vou até seu quarto para tomares banho.
Santana subiu até seu quarto quieta. Deitou em sua cama e ficou fitando o teto. Não demorou mais que alguns segundos, as imagens de seu corpo encostando no de Brittany e seus lábios tão próximos, suas respirações se tornando apenas uma, invadiram sua mente. Santana, então, se deitou de lado e fechou os olhos. Não queria que as imagens fossem embora, queria apenas pensar sobre o assunto. “Por que havia gostado?” ou “Por que ela havia parecido gostar?” eram as perguntas mais frequentes que rondavam sua cabeça. Alguns minutos depois, Joanne bate na porta do quarto de Santana e entra. Joanne anda até a filha e se senta num espaço vazio da cama.
-Acho melhor você ficar em casa... – disse Joanne medindo a temperatura de Santana novamente. – Vou avisar seu pai.
-Ele não irá ficar aborrecido? – perguntou Santana abrindo seus olhos.
-Quem? Seu pai? Não, o amigo é o Charles. – disse Joanne rolando os olhos e soltando um riso.
Charles era um homem velho e barrigudo que adorava receber pessoas em sua casa. Sempre que a família Kutterin aparecia por lá, ele mimava as filhas do casal com doces. Mas era um homem muito carente, pois perdera a esposa cedo e não havia se casado desde então. A esposa de Charles morrera antes de deixar um herdeiro. A família Kutterin visitava-o umas seis vezes por ano.
-O senhor Charles? Mande minhas lembranças. Minha cabeça está doendo, prefiro ficar aqui deitada... Por hoje. – disse Santana que tinha um carinho pelo homem, era como um avô extra.
-Tudo bem, agora descanse e tente melhorar. Felícia trará uma xícara de chá e pedirei para Catarina vir ver se está tudo bem com você de vez em quando. – disse Joanne se levantando e beijando a testa de Santana e indo em direção da porta. – Durma um pouco, até mais tardar.
-Até mais tardar. – sussurrou Santana, que começou a se deixar levar pelo sono e logo adormeceu.
Soube apenas que suas irmãs e pais chegaram, porque Rachel fora até seu quarto, deixara alguns doces no criado mudo ao lado de sua cama e quando foi sair bateu em algo metálico que fizera a acordar mais rápido do que de costume. Ela olhou para janela, a Lua já alcançara seu ponto mais alto e fitava-a como algo desconhecido.
Ela andou até a janela e parou com a mão agarrada na cortina. E pensou no que teria acontecido se aquelas meninas não tivessem a acordado, fechou a cortina e se deitou novamente. Imagens de uma continuação, como um final alternativo, invadiram sua mente, só que nessa continuação ela conseguia tocar nos belos lábios finos e rosados de Brittany.
Notas finais
Beijinhos
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