At The Ballet
1 O começo
Notas iniciais
Londres, Inglaterra 1932.
O dia contava com alguns raios de Sol. Era o último dia de Outono, mas já apresentava sinais do Inverno, como o frio cortante e as poucas pessoas que andavam agasalhadas.
Santana estava sentada na escada de sua casa esperando suas irmãs menores e seus pais para irem até a casa de sua tia Catarina, irmã de sua mãe.
Ela, Santana, possuía uma pele morena palidecida, seus olhos que transpareciam suas vontades e desejos, quando estava feliz ou triste, eram seus olhos que a denunciáva quando mentia, seus cabelos bem penteados e negros estávam soltos, suas pernas bem torneadas, suas mãos tão delicadas que pareciam ser pétolas de rosa e por fim, seus lábios macios e levemente inchados.
Santana trajava um casaco azul marinho e uma saia da mesma cor. Usava, ainda, meias brancas que iam até o joelho nos seus sapatos também brancos e para terminar, um boina azul marinho.
Santana, Rachel e Elizabeth eram filhas de Joanne e George Kutterin. Joanne era dona de casa e dividia seu tempo entre cuidar de suas filhas e arrumar sua casa. George era banqueiro, um dos mais importantes da época. Tiveram as três meninas dois anos após seu casamento, Santana tinha quinze anos, Rachel tinha treze anos e Elizabeth tinha nove anos.
Santana estava sentada na escada de sua casa, estava olhando as pessoas que ainda andavam na rua,pois a maioria começava a se esconder por causa do frio ou olhava quando passava um carro.
Santana adorava visitar sua tia Catarina, que adorava receber a família Kutterin. Catarina era professora, mas não dava aulas. Havia parado havia alguns meses antes da visita. Catarina, ainda, era uma pessoa muito simpática e estava sempre alegre, sempre sorrindo.
A porta da casa de Santana se abre, sai de lá uma Joanne com uma expressão preocupada na face.
-Achei você. Ainda bem que está aqui. Falei para o seu pai que o carro ainda não havia chegado. Você não quer entrar? Sabes que o carro demora...- disse Joanne ainda na porta.
-Não estou aqui pelo carro, mamãe. Posso ficar e avisar quando ele chegar, se não precisar de minha ajuda em nada...- disse Santana levantando sua cabeça.
-Não, está tudo bem. Suas irmãs estão no quarto pondo a roupa e seu pai está na sala se aquecendo junto a lareira, você deveria acompanhá-lo.- Sugeriu Joanne.
-Não. Eu estou bem e a Senhora está maravilhosa!- disse Santana sorrindo para Joanne.
-Ah, muito obrigada.- disse Joanne.
Joanne vestia um vestido que ia até o sua panturrilha. O vestido era rosa envelhecido e possuia cristais bordados na região do seio. Joanne também usava luvas de renda e sapatos rosa claro, os cabelos bem presos num coque e no pescoço caindo suavimente, seu colar de pérolas que havia ganho de George no aniversário de casamento. Joanne era uma mulher graciosa e gentil e assim como Santana, Joanne possuía olhos negros que transmitiam tudo que sentia.
-Tudo bem, então. Mas se quiser entrar para se aquecer...- disse Joanne antes de fechar a porta.
Santana voltou seu campo de visão para as poucas pessoas na rua e os carros que passavam. Parou prontamente de olhar para qualquer outra coisa viva, que senão ela.
E ela parecia perceber sua presença, mesmo que do outro lado da rua e cercada de amigas vestindo os mesmos trajes.
Ela era linda, tinha uma pele clara como neve, possuía os olhos mais curiosos e diferentes que Santana já havia visto. Eram azuis, profundos igual ao oceano. Possuía um corpo esbelto e belos cabelos loiros, que estavam presos do lado direito, fazendo vários cachos caírem sobre seus ombros.
Santana não sabía se estava ficando louca ou se estava sonhando, só queria gravar bem a imagem da menina em sua mente. Pensou em levantar, correr até ela e dizer um “OI”, mas só de pensar em chegar perto da menina lhe dava calafrios, o que diria? Não conseguia formular frases que não possuísse a palavras “perfeita” ou ”linda”. A menina parou na calçada e parecia contemplar os olhos negros de Santana. Pareceu acordar apenas depois de uma de suas amigas a chamar. Santana não conseguiu ouvir o nome da menina, mas viu que ficara vermelha ao voltar a andar com suas amigas.
Santana nem ao menos tentou se levantar, ela havia ido embora. Era como se um vazio entrasse nela, mas como poderia sentir falta de uma pessoa que nem ao menos teve contato físico ou verbal?
Ela agora fitava o lugar em que a menina havia ficado contemplando seus olhos. Parou apenas quando a calçada fora subistituída por um carro preto e longo.
-Com licença, senhorita Kutterin.- disse o motorista da família Kutterin fazendo uma reverência.- Devo afirmar que o carro chegou.
-Ah sim, senhor. Chamarei-os. Esperas aqui.- disse Santana antes de entrar em sua casa.
A casa estava escura, apenas a sala de estar estava iluminada e pelas vozes era o único cômodo da casa ocupado.
A sala de estar era grande, possuía um tapete vermelho que tampava a maior parte do chão da sala, um lustre de cristais no meio, sofás de couro e uma mesa com cor de ouro estavam juntos defronte a lareira que estava acesa. Havia janelas enormes com cortinas de seda branca e em uma das paredes se encontrava um mini-bar com várias bebidas e copos de cristais. George estava sentado na sua poltrona, tomando uma dose de Uísque sem se importar com a mudança de músicas no rádio novo de madeira macissa que Rachel teimava em mudar. Rachel estava em pé ao lado do rádio. Joanne e Elizabeth estavam sentadas no sofá de dois lugares comentado sobre uma possível viagem que faríam depois das festas.
George Kutterin era um homem bonito, ombros largos, alto. Possuía uma pele clara e seu corpo era estrutural. Não era gordo, como a maioria dos homens da sua idade. Tinha cabelos negros e olhos negros, mas bastante compreensíveis. Na face continha uma cara irredutível, uma cara de mal, mas era apenas sua face. George era um homem que prezava a família e todos os seus valores, gostava de ver todos de sua pequena família felizes.
Rachel Kutterin era uma menina extravagante que adorava as melodias que saiam do rádio. Era, sem dúvida, apaixonada por música. Por muitas vezes se deixava levar pela música e quando percebia já estava dançando no meio da sala. Rachel tinha pele morena mas era pálida, seus cabelos eram negros iguais aos olhos que como os do pai, eram bastante compreensíveis. Rachel possuía membros delicados, lábios finos e sedosos e como a mãe, era uma menina gentil.
Elizabeth Kutterin era a mais nova das irmãs Kutterin e era a mais sincera também. Sua mãe dizia que era a idade e que com o tempo ela aprenderia a “representar”. Elizabeth tinha cabelos cheios e negros, que sua mãe cortava até os ombros como gostava. Ela tinha lábios finos e delicados. Suas mãos e pernas eram brilhantemente ageis e possuía uma adoração por viagens.
George trajava seu terno preto com camisa branca e uma calça de algodão preta, uma gravata vermelha vinho e no bolço trazia seu insubistituível, relógio de bolço. Rachel vestia um vestido cinza que ultrapassavam os joelhos e meias brancas que iam até o joelho em seus sapatos, também brancos. Seus cabelos estavam presos por uma faixa. Elizabeth usava um vestido negro com gola branca, de algodão, que iam até seus joelhos. Elizabeth também trajava as mesmas meias e sapatos que suas irmãs. Seus cabelos estavam soltos, presos apenas por duas presilhas metálicas.
-Devo avisar, que o carro acabou de chegar e que já está pronto para partir.- disse Santana, assim que entrou na sala.
-Então, é melhor irmos. Sabem como a tia Catarina adora nossas visitas.- disse Elizabeth levantando do sofá.
-Vamos. Vamos ou chegaremos atrasados...- disse George se levantando.
-Felícia!- chamou Joanne pela empregada.
-Sim, senhora.- disse Felícia fazendo uma reverência ao entrar na sala.
-Já estamos indo. Não deveremos chegar antes das oito horas.- disse Joanne checando os cabelos de suas filhas.- Retirasse os casacos que pedi?
-Sim, senhora.- afirmou Felícia.- Estão no final do corredor, perto da porta.
-Obrigada, Felícia.- disse Joanne.- Vamos, Rachel, Santana, Elizabeth. Estão prontas?
-Sim, senhora.- confirmou Rachel.
-Ótimo. Vamos George.- chamou Joanne.
As três irmãs seguiram na frente, pegaram seus casacos de viagem e foram em direção do carro preto e longo. George , Joanne e Elizabeth foram em um banco e Santana e Rachel dividiam um outro banco. A viagem foi em silêncio, apenas as vezes haviam troca de murmúrios de George e Joanne.
O carro virou mais uma esquina, seguiu por uma rua grande e aberta. E parou nessa rua, na frente de uma casa marrom, com uma pequena escada que agora era branca, devido a neve. O motorista abriu a porta do carro, esperou todos sairem e fez uma reverência.
-Não devemos ir embora antes das oito horas.- disse George.
-Sim, senhor.- disse o motorista.
A família Kutterin se dirigiu a porta de madeira da casa. Joanne levantou sua mão que estava coberta pela renda branca e bateu na porta.
Em questão de segundos uma mulher apareceu na porta. Mas ela usava uma máscara em vez de mostrar suas verdadeiras emoções.
Notas finais
Beijos
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