Notas iniciais
Olá, pessoal! Queria apenas dizer que esse episódio vai ser meio transitório... E o próximo tem vários pontos que estão para acrescentar no enredo. Mas a seguir do próximo, tudo começa a mudar em alguma coisa... Boa leitura!

Catarina acordou num solavanco quando o Sol já avançava o céu. Ela ainda estava com Santana sobre seu colo e a luz acesa. Ela arrumou o corpo de Santana sobre a cama e a cobriu com o cobertor branco. Desligou a luz e saiu do quarto. Ela foi caminhando, ainda sonolenta, até o quarto reservado para ela. Ela fechou os olhos por um momento enquanto caminhava e seu corpo deu de encontro com algo macio, mas que a fez cair.
–Senhorita! Me desculpe! Eu não estava enxergando. -disse Emily checando Catarina. -Me perdoe. Malditas toalhas.
–Está tudo bem, Emily. -disse Catarina baixinho. -Eu que peço desculpas, eu não deveria andar com os olhos fechados.
–A senhorita está bem? -perguntou Emily, ela buscava as toalhas no chão. -Eu posso lhe fazer um chá?
–Eu aceito o chá. Obrigada. -disse Catarina recolhendo algumas toalhas. -Mas me deixe ajudar e por favor, não negue. Eu acordei cedo e não pretendo voltar a dormir.
Emily riu meio envergonhada e caminhou em direção ao banheiro do segundo andar. Catarina olhava para todos os cômodos da casa.
–Eu não conheço boa parte dessa casa. -disse Catarina. -Quando mamãe a comprou, eu a vinha visitar. Você deve se lembrar.
–Eu me lembro. -disse Emily tirando as toalhas e substituindo-as por toalhas brancas de algodão.
–A cozinha era o máximo que eu conhecia. -disse Catarina entregando uma das toalhas para Emily.
–A senhora mudou muito, senhorita. -disse Emily sorrindo gentilmente. -E a senhorita sabe que se fosse uma mudança ruim, você saberia.
–É, eu sei. -disse Catarina seguindo Emily. -Eu gosto de vê-la feliz. Eu provavelmente nunca a vi rir como ontem.
–Eu concordo. -disse Emily. Ela abriu de leve a porta de Diane para repor as toalhas no banheiro do quarto. Ela olhou para cama onde Lalita estava abraçada com Diane e rapidamente fechou a porta. -Eu esqueci que já tinha trocado as toalhas desse banheiro. O que você acha de eu preparar um café da manhã com ovos?
–Claro! -disse Catarina sorrindo. -Eu posso te ajudar? Eu quero aprender a cozinhar.
–Aprender a cozinhar? -perguntou Emily sorrindo.
–Meu namorado é horrível cozinhando.
–Homens não nasceram para cozinhar. -disse Emily levando Catarina diretamente para a cozinha. -Se não aqueles que de fato nasceram para cozinhar.
–Eu me recuso a ouvir algo assim, Emily. -disse Catarina lavando as mãos. Emily riu.
Emily ensinava algumas dicas importantes e fáceis que ajudariam Catarina. Enquanto ela batia uma porção de massa com as mãos ela pensava em Diane e se ela teria que preparar dezenas de martinis ou dois pratos de jantares.

Howard havia acordado cedo. Pela pequena quantidade de bebida que havia ingerido apenas para ficar sóbrio quando conversasse com Brittany, ele sentiu que deveria ter bebido um vinhedo inteiro. Ele se encontrava na parte externa da casa, pensando no que teria que fazer quando e antes de deixar Londres. Oliver desceu a escada, ainda vestindo pijamas e descalço.
–Você está bem, Howard? -perguntou Oliver na porta da casa. -Você parece ruim.
–Você que deveria estar. -disse Howard rindo. -Pela quantidade de bebida que bebeu.
–Você se esqueceu do que os soldados faziam para se aquecer? -perguntou Oliver. -Nosso café da manhã era conhaque.
–É, pai. Eu sei disso. -disse Howard.
–Você quer fumar? -perguntou Oliver. -Eu comprei alguns charutos na vinda para cá.
–É, eu aceito um. -disse Howard entrando em casa depois de seu pai.
Oliver pegou um objeto parecido com uma tesoura que cortava a ponta do charuto. Ele cortou a ponta de um e acendeu. Entregou para Howard e guardou a "tesoura" em cima de um balcão. Ele buscou por seu cachimbo e colocou o fumo, ninguém falava.
–Você contou para ela ontem? -perguntou Oliver se recostando no sofá e tragando a fumaça.
–Contei e ela parecia mais normal com a situação do que eu esperava.
–Acredite, Howard, ela está apenas tentando se sentir normal. -disse Oliver olhando para o filho. -Quando eu participei das batalhas, você, Julieta e Bell tiveram sorte que eu voltasse inteiro. Não posso dizer de outras famílias.
–Eu já a deixei antes. -comentou Howard. -Ela ainda era jovem, quase nascida. Mas eu não poderia fazer isso com ela novamente.
–Isso é o que seu coração diz. -disse Oliver. -Seu dever manda você ir ensinar aqueles moleques para que sirvam seu país como devem.
–Você acha que é o que eu devo fazer? -perguntou Howard.
–Eu não posso dizer o que você deve fazer. -disse Oliver soltando a fumaça. -Você cresceu o bastante para decidir sozinho. Você decide o que vai fazer.
–Eu não tenho escolha.
–A guerra destrói famílias, mas mais do que isso, ela destrói pessoas. -disse Oliver olhando de cima para seu filho. -Não deixe que ela te destrua, mesmo que seja inevitável.
–Às vezes eu queria que Else estivesse aqui para cuidar dela. -disse Howard.
–Mas você não a amava. -conclui Oliver.
–Não, mas ela amava Brittany. -disse Howard. -E ela saberia o que fazer.
–Bom, você está namorando uma ótima mulher. Que sabe exatamente como cuidar da sua filha. -disse Oliver sorrindo. -Por favor, Howard, ela preparou aquele jantar apenas para vermos Brittany fazer o que ela faz de melhor.
–Eu não posso deixar que ela se envolva... -disse Howard.
–Por que? -perguntou Oliver confuso. -Você vai mentir para ela? Os Grant's não mentem!
–Porque eu a amo, pai. E eu não posso deixar que ela se envolva.
–Você não entende. -disse Oliver e puxou o filho mais para frente. -Você vai magoa-la de verdade se não deixar que ela se envolva. Ela é uma uma mulher muito inteligente, não como se ela não soubesse que você estivesse indo para a guerra.
–Sei que ela é inteligente, pai. Assim como o senhor falou, ela também acredita numa guerra. Mesmo que eu diga para mim mesmo que se trata apenas de um treinamento, eu pareço estar mentindo.
–Como eu disse. Mulher inteligente. -disse Oliver se encostando no sofá. -Faça o que tiver que fazer, mas nunca deixe de ser honesto com a mulher que ama.
–Você não a conhece, pai. -disse Howard rindo do pai. -Ela não é igual as outras.
–Elas nunca são. -disse Oliver rindo.
–Não, pai. Catarina é única.

–Brittany, querida. Você está acordada? -perguntou Belle na porta do quarto de Brittany.
–Eu acordei faz alguns minutos. -disse Brittany com o rosto enterrado no travesseiro.
Ela havia dormido depois de chorar, de tão cansada ela adormeceu sem perceber.
–Seu pai mandou que lhe acordasse hoje. -comentou Belle se sentando ao lado de Brittany e acariciando seus cabelos enquanto sua cabeça ainda estava enterrada nos travesseiros. -Acho que ele queria que você não o visse tão cedo.
Brittany se virou e olhou para sua avó. -É, eu sei o que ele falou para você e eu sinto não estar melhor para ter uma boa conversa com você, bonequinha. Minha cabeça vai explodir.
–Tudo bem, vovó. -disse Brittany se sentando e coçando os olhos. -Eu tenho aulas de ballet hoje.
–Aquela menina vai? -perguntou Belle com um sorriso pequeno, o máximo que sua dor permitia.
–Eu não sei. -disse Brittany baixinho e sentiu sua garganta afundar e os seus olhos encherem de água.
–Minha querida. -disse Belle abraçando Brittany. -Você ainda tem tanto para saber...
Brittany ficou pronta e desceu as escadas. Ela respirou fundo antes de sorrir para seu avô que lia o jornal.
–Olá, bonequinha! -disse Oliver sorrindo para ela. -Acho que seu pai está na cozinha.
–Você pode dizer para ele que eu já estou indo direto para a academia? -pediu Brittany gentilmente. Oliver a olhou por um momento e assentiu com a cabeça. Ela beijou o topo da cabeça de seu avô e saiu de casa.
–Alguém veio entregar alguma coisa, pai? -perguntou Howard saindo da cozinha. -Porque eu ainda tenho umas cartas para enviar.
–Não, não. A Brittany acabou de ir para o ballet. -disse Oliver. Howard o olhou, a preocupação lhe corroendo a alma.

Lalita se levantou ainda de manhã. Ela passou os minutos acordada olhando para Diane. "Anos se passaram e a beleza apenas a amadureceu." Ela correu a mão pelo corpo de Diane e começou a afagar seus cabelos. Diane acordou ainda virada para a janela, mas sentiu as mãos de Lalita em seus cabelos. Ela sorriu ao toque antes de se voltar para o mundo real. Ela se virou olhando para Lalita, ignorando qualquer coisa que não fossem seus olhos.
–Foi errado. -ela começou.
–Não, não foi. -sussurrou Lalita.
–O que você considera errado, Lalita? -perguntou Diane. -Porque eu não entendo mais o que eu considero errado.
–"Errado". Chamar algo de errado é um bom exemplo. -disse Lalita. -O que um povo clama errado e outro povo clama certo é um dos principais motivos das desavenças. Diferenças políticas. Diferenças raciais e sociais. Nos tratar diferentes também é errado.
–Eu não sei mais o que pensar. -declarou Diane. -Eu sofri tantas mudanças. 'Não seja isso. Não seja aquilo. Pare de falar. Pare de comer. Não crie suas filhas desse jeito. Você pode ser o que quiser, Diane! Mas é claro, case com um homem branco e tenha filhos, gere uma família e seja rica! Cuide da casa, da família, do sexo, da sua sanidade mental e nunca seja mais inteligente que o seu marido. Não arrote, não solte pum, não à mesa pelo menos. Não engorde ou seu marido terá razões para te trair. Seja mais dura com as suas filhas! Odeie os espanhóis! Os americanos! Os franceses! Não, os franceses não. Você é casada com um. Sua filha é uma vadia, Diane! Você sabia disso? Faça alguma coisa! Fale! Mas nunca mais alto que seu marido! Se ele te bater, você finge que nunca aconteceu e não grite. Você não pode dormir com mulheres! Isso não é coisa para mulher de família. Você não pode ser um homem, maneire seus gestos. Você tem que ser mais delicada com as suas filhas! Quem você pensa que é, Diane?' -Diane começou a chorar. -EU NÃO SEI! QUEM EU SOU?
Lalita abraçou Diane com força e esperou até ela se acalmar. Diane estava soluçando quando sentiu os braços de Lalita deixarem seu corpo. -Eu sei quem você é. -Lalita foi até a sua bolsa e pegou o espelho que Diane havia lhe dado. -Mas não sou eu quem vai dizer quem você é, mas eu posso te ajudar a descobrir.
Lalita abraçou o corpo de Diane e colocou o espelho de frente para elas. Diane viu o seu reflexo e um pedaço do de Lalita. Ela começou a chorar novamente. -Diane, você sabe o que eu vejo quando eu a olho? Não num objeto... Mas como pessoa. Eu vejo uma mãe maravilhosa. Uma avó perfeita! Uma enfermeira extraordinária que sabe cuidar muito bem das minhas dores de cabeças. Eu vejo uma ótima amiga. Uma viajante. Um ser misterioso e ao mesmo tempo tão aberto. Eu a vejo como nunca vi ninguém em todo a minha vida, Diane. Eu não a vejo apenas como Diane, a mulher que me fez atravessar a porta de um bordel. Eu também a vejo como Diane, a mulher que me deu uma, duas, três, incontáveis segundas chances. Eu a vejo como Diane, a mulher que eu beijei. Eu a vejo como Diane, a mulher por qual estou apaixonada.
–Você me conhece, mas não conhece meus segredos. -disse Diane a olhando.
–Eu não me importo, eu também tenho segredos. -disse Lalita.
–Você... você... -tentou Diane.
–Você não sabe o que falar. -disse Lalita. -Porque não tem o que falar.
–É errado.
–PARE DE FALAR QUE É ERRADO. -disse Lalita alto. -Eu não acredito nisso! Somos duas mulheres "velhas"! Ninguém liga para o que fazemos! Somos amigas! E eu estou dizendo que estou apaixonada por você.
–Você está me pedindo para mudar? -perguntou Diane.
–Não, Diane. -disse Lalita sorrindo. -Estou dizendo que podemos te achar enquanto nos procuramos nesse misto de confusão.
–Então, você está pedindo para tenhamos uma relação mais séria do que amizade?
–Nós já temos essa relação, se você não percebeu. -disse Lalita indicando seus corpos.
–Eu não digo que é um não, mas é um talvez. -disse Diane sorrindo. -Você foi a primeira que me pediu para "ser" e não "mudar".
–O que é isso quer dizer?
–Que eu acho que posso estar apaixonada por você, também. -disse Diane olhando nos olhos de Lalita.
–Era tudo que eu precisava ouvir. -disse Lalita sorrindo. Pressionou seus lábios nos de Diane.
–Céus! Somos duas mulheres velhas! -disse Diane deitando sobre o peito de Lalita.
–Somos. -concordou Lalita.
–Quem diria? -disse Diane. -Eu tive que esperar muitos anos para conhecer alguém tão fabuloso.
–Você me conheceu muito antes. -disse Lalita rindo.
–Bem, eu tive que esperar muito para conhecer você de verdade. -disse Diane olhando para cima. -Você sabia? Quando me viu entrando naquele quarto?
–Que eu estaria na sua cama anos depois? É claro que não! -disse Lalita rindo. -Eu mal olhei para seu rosto, eu não conseguia e eu não poderia. Tudo que eu queria era sair daquele quarto, mas você fez um ótimo trabalho fazendo isso.
Diane riu.
–E você acredita que almas gêmeas nascem em gêneros errados? Você acha que algumas de nós deveria ser homem? -perguntou Diane.
–Eu acho que não. -disse Lalita. -Almas gêmeas são os que elas são. Almas que não vêem cor, raça ou gênero. Elas apenas vêem a outra alma.
–Então você acha que quando duas almas gêmeas se encontram...
–Sim, elas não estão erradas.
–Não, não é isso. -disse Diane sorrindo. -Mas deixa, eu ainda tenho muito que pensar.
–É um desafio, não é? -disse Lalita abraçando o corpo de Diane. -Ter que se achar no meio de tudo que você já foi.
–Pode se dizer que sim, mas eu acho que pela terceira vez, eu sinto que estou no lugar que deveria estar.
–Terceira? -perguntou Lalita curiosa.
–Sim, a primeira foi com as minhas filhas. A segunda com as minhas netas. E a terceira com você.
–Diane?
–Sim? -perguntou Diane olhando para cima.
–Essa é a primeira vez que sinto que estou onde deveria estar.
Diane percorreu o caminho que faltava e beijou os lábios de Lalita. A barriga de Lalita soltou um barulho enorme o que fez Diane rir.
–E acho que o segundo lugar que vai me fazer sentir onde deveria estar é na cozinha comendo o café da manhã que Emily preparou. -disse Lalita.
–Você sabia que esse barulho que a sua barriga faz quando você está de jejum e precisa de comida é apenas o seu estômago produzindo ainda mais ácido e pepsina, que é a enzima digestiva, que estimulam as contrações musculares que mexem o líquido e o ar fazendo esse barulho estranho.
–Você pode tentar o quanto quiser, você não consegue ser nojenta para me tirar a fome. -disse Lalita rindo e beijando os lábios de Diane. -Eu já vi um homem fechar outro com uma agulha enorme, quando ainda cuidava de colunas de óbitos no jornal.
–Você está feliz com o jornal, hã? -perguntou Diane sorrindo. -Você se vê fazendo outra coisa? Eu acredito que não. Você nasceu para ser jornalista e se não acredita em mim, olhe para aquele prêmio que você tem na sua sala.
–Eu já disse. Eu não estaria em outro lugar.

Quando Santana acordou, ela respirou fundo e contou até três. Então, abriu os olhos. Ela sabia onde havia dormido e sabia que a noite passada não fora um pesadelo, mas ela aprendeu com Brittany a se agarrar a última esperança. Ela desceu até a cozinha depois de alguns minutos e encontrou Emily mexendo massa com as mãos enquanto Catarina estava de pé lendo um livro de receita enquanto batia clara de ovos.
–Bom dia, raio de Sol! -disse Emily sorrindo. -Você quer tomar café?
–Bom dia, Emily. -disse Santana tentando parecer alegre. -Eu aceito seu café, obrigada.
–Bom dia, Sant. -disse Catarina levantando os olhos do livro para Santana.
–Você está cozinhando? -perguntou Santana sorrindo.
–Você me conhece. -disse Catarina rindo e olhando para as mãos ágeis de Emily. -Você está melhor?
Santana apenas deu um sorriso cansado para Catarina que caminhou até ela e a tomou nos braços. -Querida...
–Eu vou fazer seu café da manhã preferido, raio de Sol! -disse Emily olhando para as duas. -Você não parece bem.
Catarina apertou Santana em seus braços antes de solta-la.
–Prometi para sua mãe que te levaria para casa hoje. -disse Catarina. -Você quer ir para a aula de ballet?
Santana negou com a cabeça e se sentou no canto da mesa olhando para o jardim de sua avó.
–Bom dia, meninas! -disse Diane sorrindo. Emily a olhou com o canto do olho antes de sorrir para ela própria. Lalita apareceu alguns segundos depois.
–Bom dia! -disse Lalita se sentando na mesa ao lado de Santana. -Você está bem?
Santana não fazia ideia do que responder quando as pessoas a perguntavam isso. "Você está bem?" Ela sentia que não deveria contar como se sentia porque tinha medo que se expusesse demais, mas ela não podia fingir que estava tudo bem. Então, ela apenas sorria, mas não necessitava de grandes esforços e era a melhor resposta.
–Não, não está. -disse Diane se sentando de frente para Lalita. -O que aconteceu, Santana?
–Mamãe. -chamou Catarina. -Ela não...
–Ela pode falar, Catarina. -disse Diane olhando para a filha. -O que aconteceu?
–Nada, vovó. -respondeu Santana. Ela sentiu a mão tremular um pouco, ela estava sentindo uma pressão horrível. -Eu acho que apenas acordei enjoada.
–Santana. Eu criei duas meninas. E eu bem dizer, vi você e suas irmãs crescerem. -disse Diane. -Eu sei quando uma menina está chateada e não quer falar sobre isso. Mas você está chateada e não sabe como falar sobre isso.
–Você é boa. -disse Catarina mordiscando um bolinho.
–Eu sei. -disse Diane. -Mas você precisa saber: quando você precisar de alguém para conversar, sempre converse com aquele que confie. Sempre!
Emily preparou o café com a ajuda de Catarina e o clima amenizou quando Lalita começou a contar algumas histórias fazendo com que as três se esquecessem um pouco de seus problemas. Catarina ainda estava preocupada sobre como Howard havia se saído com Brittany e o futuro que se aproximava. Diane ainda lutava para saber o que faria fora das paredes de sua casa. E Santana que ainda tentava entender o que havia acontecido na noite anterior. Lhe assustava a consequência de contar, é verdade. Mas a possibilidade de perder Brittany era o que mais a assustava. Ela não podia por medo ou por segurança?

Brittany entrou pela porta da academia e todas as bailarinas olharam para ela, dezenas de olhos analisando Brittany que olhava para elas. E elas pareciam impassíveis, não acreditadas. Brittany seguiu até o vestiário onde encontrou Margareth, Snow e Julie sentadas uma distante da outra enquanto massageavam os pés ou arrumavam suas bolsas.
–Oi, Brittany. -disse Julie sorrindo. -Você está bem?
–Eu tive uma recepção estranha, vocês sabem por que? -perguntou Brittany desconversando.
–Britt, amiga! -disse Margareth. -Você é um pouco bobinha, hã?
–Como? -perguntou Brittany cansada.
–Elas ficaram assim porque você saiu da peça ontem! No dia da estreia! -disse Margareth sorriu forçadamente. -Elas estão assim com razão! O que deu em você, Britt?
–Eu não sou uma atriz. -disse Brittany simplesmente se despindo na frente delas. -Eu sou uma bailarina.
–As pessoas atuam no ballet. -comentou Snow.
–Eu sei que elas atuam, Snow. -disse Brittany. -Mas eu consigo sentir qualquer coisa quando estou dançando. Eu apenas não nasci para ser atriz.
–Existe uma diferença. -disse Margareth. -Como a Santana. Eu fui ver a peça dela com os meus pais. Ela é uma ótima atriz, eu tenho que concordar, mas eu não acho que ela seja uma boa bailarina. Recital de Outono? Pura sorte.
Brittany sentiu sua garganta afundar novamente e seus punhos se fecharem.
–Eu acho que a Santana é uma boa bailarina. -disse Snow ajeitando a saia para parar em seu quadril. -O que você acha, Britt? Vocês são amigas tão próximas.
–Ela é... uma bela bailarina. Uma das melhores. -disse Brittany procurando suas roupas, a garganta se fechando e o peito subindo e descendo. -Eu acho que a Margareth tem ciúme porque ela está aqui desde sempre e nunca conseguiu entrar no Recital de Outono. Não enche, Margareth. Você não sabe nada.
–Eu sei tudo, Brittany. -disse Margareth chegando perto de Brittany, os rostos bem próximos. -E eu não perderia uma chance como aquela, mas você fez. E sabe por que? Porque você é estúpida e patética!
–Cala a boca! -gritou Julie e pela primeira vez ela gritou. -Margareth, sai daqui! Você realmente não sabe de nada! E o motivo de você nunca ter estado num Recital é culpa dos seus pés! Você parece ter dois pés esquerdos! E você é horrível dançando mais ninguém pode lhe dizer isso na sua cara porque você choraria na primeira palavra. Você é patética porque acha que todos sofrem com os seus comentários que, sinceramente, são repetitivos. Patética! Saia do vestiário e eu não falo sobre o infeliz incidente na sala da senhora Palender, entendeu?
Margareth buscou sua bolsa e deixou o vestiário. Brittany olhou abobada para Julie. -Você... Obrigada. Eu nunca fui muito boa com defesas.
–Está tudo bem. -disse Julie rindo. -Acho que o império Margareth acaba de ruir.
Brittany riu e Snow se levantou preparada.
–Britt, hoje é segunda. -disse Snow indicando o macacão que Brittany havia terminado de colocar. -A primeira aula é Ballet. Você não se acostumou com os novos horários?
–É, eu sempre me esqueço. -disse Brittany se despindo novamente. -Obrigada, Snow.
–Tudo bem. -disse Snow saindo.
Brittany se lembrou que toda a segunda feira, segundo seu horário antigo, mímica era antes de Ballet. Horário tão antigo que Santana nem havia entrado na Academia ainda. Quando o horário mudou e Santana entrou na Academia, ela ainda achava que toda segunda feira era mímica. Mas não era. Quando Santana e ela começaram a namorar, Santana sempre fazia questão de lembrar e tirar o macacão com as próprias mãos. Mas Santana não estava lá para apressa-la ou beija-la e Brittany estava com o macacão nos pés.
–Você vai ficar bem, Brittany? -perguntou Julie com a bolsa no ombro. -Eu preciso falar com a senhorita Smith, mas eu posso esperar.
–Eu estou bem. -mentiu Brittany com sorriso. -Eu apenas coloquei a roupa errada. Não é o fim do mundo. "Mas era."
Julie deixou o vestiário e Brittany respirou fundo. Ela tirou o macacão dos pés e se sentou no banco. Ficou olhando para o macacão em seu colo e decidiu o que faria naquele dia. Ela colocou a roupa certa e quando saiu do vestiário, deu de encontro com a senhora Palender, diretora da Academia.
–Brittany! -chamou Eleonor. -Você está atrasada!
–Eu sei. -disse Brittany parando de subir os degraus. -Eu ia subir agora, eu tive um problema...
–Você pode me encontrar no meu escritório? -perguntou Eleonor para Brittany. -Agora. Vá apenas avisar a senhorita Smith que eu estou te liberando dessa aula.
Brittany subiu até o estúdio cinco e avisou rapidamente que Eleonor a havia dispensado daquela aula. Ela caminhou até o corredor afastado, olhou para a placa dourada e pensou que fazia um bom tempo que não entrava naquela sala. Ela levou o punho à porta e bateu.
–Entre. -disse Eleonor. Brittany entrou e sentiu o cheiro de pinho. -Pode se sentar, Brittany.
–Me desculpe se eu demorei hoje, senhora Palender. -começou Brittany.
–Brittany, eu não imagino o quão bagunçada sua vida deve estar agora. -disse Eleonor gentilmente. -Eu estive ontem no teatro para vê-la. Você não estava lá.
–Me desculpe sobre isso. -disse Brittany.
–Você não precisa se desculpar, Brittany. Eu conheço você desde que tinha seis anos quando se inscreveu para as aulas de ballet. Eu já a vi apresentar diversos teatros musicais e você é boa, mas você conquista todos com o ballet.
–É o que eu amo fazer, o ballet. -disse Brittany um pouco corada.
–Eu sei que é. -disse Eleonor. -Você é a minha melhor bailarina, em décadas. Francamente, quando eu não a vi naquele palco eu me senti um pouco aliviada.
Brittany sorriu.
–Eu sinto que você quer seguir com o ballet como carreira. -Brittany assentiu com a cabeça. -E eu sinto não poder lhe mandar para a Escola Real russa, mas Royal Ballet ficará extremamente feliz em aceita-la quando terminar suas aulas.
Brittany a olhou rapidamente e abriu a boca um pouco.
–Eu não entendi, senhora. -sussurrou Brittany.
–Você tem uma vaga na Royal Ballet, aqui em Londres, quando você terminar suas classes. -disse Eleonor sorrindo. -Você seria aceita na escola russa, mas com as consequências da revolução russa, eu fiquei com medo por você. Minha mãe é russa e voltou no momento da revolução, ela me deixou aqui onde eu poderia ser quem quisesse. Céus, tomei sopas com os pobres durante um mês, antes de conhecer meu marido, é claro.
–A senhora quer dizer que quando eu terminar minhas aulas, eu vou para a Royal Ballet?
–Não foi o que disse? Sinto que falei mais de uma vez. -disse Eleonor rindo.
–É apenas difícil de acreditar.
–Eu sei, mas comece a acreditar. -disse Eleonor. -Porque é real.
–Senhora Palender, posso te pedir uma coisa? -perguntou Brittany sorrindo.
–Qualquer coisa.

Catarina chegou na mansão dos Kutterin perto das três horas. Joanne apareceu na soleira e sorriu aliviada quando as duas entraram pela porta.
–Vocês finalmente chegaram. -disse Joanne esmagando o corpo de Santana. -Senti que vocês haviam viajado para longe.
–Ainda estávamos na mesma cidade, mamãe. -disse Santana.
–Eu sei. -disse Joanne antes de agradecer Catarina.
–Mamãe, eu tenho que ir encontrar com a...
–Com a figurinista da peça. -interrompeu Catarina sorrindo. -Santana emagreceu muito, faz com que o vestido fique caindo. É uma tragédia!
Santana olhou estranho para Catarina.
–Querida! Que perigo! -disse Joanne. -Você tem que ir. Eu vou levar você.
–Não! Deixa que eu levo, Joanne. -disse Catarina sorrindo. -Meu carro está aqui na frente mesmo, eu vou apenas esperar que ela se troque.
–Tudo bem. -disse Joanne. Santana subiu para trocar de roupa. -Se você passar na casa do Howard, a deixe aqui entes.
–Isso é ridículo, Joanne. -disse Catarina. -O que eu falei sobre o pássaro?
–Não me importa. A traga aqui. -disse Joanne.
–O que aconteceu? Você amava que as duas fossem amigas e agora quer separa-las? A época de pestes acabou, Joanne. Nenhuma delas sofre de doenças contagiosas.
–Eu quero que minha filha esteja em casa. Vou ser presa por querer isso?
–Prove que é apenas isso, Joanne. -disse Catarina sentando-se no sofá. -Apenas prove que tudo que você se importa é com a sua filha e você irá perceber o desastre que você está cometendo.
–Eu sei o que é melhor para ela.
–Ela sabe o que é melhor para ela.
–ELA TEM QUINZE... dezesseis... dezessete anos.
–Ela cresceu, não? -disse Catarina. -Você está apenas com dificuldade de aceitar.
–Eu não acho que o problema seja eu. -disse Joanne sendo puxada por Catarina.
–O problema é que ninguém acha. -disse Catarina abraçando a irmã. -A deixe livre um pouco.
–Eu nem a prendi e você quer que eu a livre? -perguntou Joanne rindo.
–É bom que ela ache que você não queria prende-la, ou ela pode ficar bem sensível.
–Desde quando você se tornou a filha-mãe e eu a filha-nova?
–Desde quando eu me tornei a filha-mãe?
–Catarina. -disse Joanne a olhando. -Me desculpa. Eu não sei se eu te ofendi, mas eu me conheço bêbada e talvez tenha falado demais.
–A bebida atinge uma parte do cérebro que fala apenas a verdade. -disse George entrando na sala. -Eu li numa coluna.
–Que tipo de jornal você e o Howard leem? -perguntou Catarina rindo.
–Eu estou pronta. -avisou Santana descendo a escada. George abraçou a filha e se sentou ao lado de Joanne no lugar de Catarina.
–Você está linda. -disse George.
–Obrigada, papai. -Santana sorriu e foi até a sua mãe e a abraçou. -Obrigada.
As duas sairiam em poucos minutos e deixaram os dois sentados no sofá.
–Eu não acredito que ela já tem dezessete anos. -disse George.
–Você tinha ideia? -perguntou Joanne se aconchegando nos braços de George. -De que os filhos crescem tão rápido?
–Não. -confirmou George. Ele beijou o topo da cabeça de Joanne.
–Eu quero um bebê. -disse Joanne olhando para ele.
–Joanne.
–Eu quero os meus bebês. -continuou Joanne o que fez George soltar o ar que prendia. Joanne riu. -Eu não posso mais ter filhos.
–Não pode?
–Claro que não. -disse Joanne. -Minhas fases já passaram. Eu posso fazer sexo sem engravidar. Não é seguro, mas é uma boa porcentagem.
–Pode? -perguntou George beijando o pescoço de Joanne.
–Posso. -respondeu ela. Alguns gemidos baixos de Joanne ecoavam pela casa.
–Lá em cima. -disseram juntos antes de correrem escada acima.

Catarina estacionou o carro em frente ao parque central. "Me encontre no nosso lugar do parque amanhã, amiga." Santana estava com a mão na porta fazia mais de um minuto.
–Você está nervosa. -disse Catarina.
–Eu acho que vou morrer antes de chegar lá. -disse Santana fechando os olhos.
–Santana, vá. Agora. Você vai morrer se não vê-la. -disse Catarina sorrindo. -E vocês precisam conversar. A conversa é o que vai ajudar vocês. Sempre.
–Obrigada, tia Catarina. -disse Santana antes de sair do carro e entrar no parque. Ela caminhou o caminho de pedra inteiro e virou para entrar na parte fechada. Ainda estava bem claro, mas ninguém passava por ali, nem mesmo os adolescentes que namoravam escondidos. Santana caminhou até o final e desceu um pouco, mas ficou surpresa com o que via. Ninguém estava ali, Brittany não estava ali. Ela começou a respirar profundamente.
–Brittany! -chamou Santana. Ainda ninguém. Ela caminhou até o lugar "delas" e não quis se sentar no chão. Ela se encostou numa árvore e viu um papel branco colado na árvore. "Eu não acredito..." Ela sabia que o bilhete era de Brittany, ela olhou para seu nome em nanquim "Sant" e não tardou a abrir.
"Sant,
eu sei que você deve estar com um olhar vago para essa árvore se perguntando onde eu estou. Eu quero e preciso muito falar com você, mas eu descobri que esse lugar não é o melhor lugar para isso. Venha até a academia quando o horário das aulas tiverem acabado e entre pela porta de trás.
Britt"
Santana correu até Catarina que tirou o sorriso do rosto quando viu Santana sozinha.
–O que aconteceu, Sant? -perguntou Catarina.
–Ela quer me encontrar na Academia. -disse Santana.

Santana entrou pela porta dos fundos e andou pela academia. As luzes do corredor estavam acesas até a quarta escada espiral. Santana subiu pela escada e apenas a luz do estúdio sete estava ligada. Ela foi até a porta e viu Brittany dançando com os olhos fechados. Parecia irreal a ter tão perto depois de tão longe, e não apenas fisicamente, mas afastadas de modo geral. Ela entrelaçou seus dedos e ficou em pé por alguns segundos. Brittany estava dançando um lírico com um pano comprido. Santana entrou no estúdio e agarrou a outra ponta do pano e começou a imitar os passos de Brittany. Ela sentiu a outra ponta rígida e abriu os olhos. Ela olhou para Santana e continuou a dançar. Enrolando os pés no pano, puxando o pano, rodando com o pano no quadril. Santana começou a puxar o pano que estava enrolado no quadril de Brittany até que seus corpos estivessem colados. Santana colocou o cabelo de Brittany atrás de sua orelha, ela precisava tocar em Brittany. Brittany beijou Santana gentilmente, apenas o toque dos lábios.
–Vamos conversar? -perguntou Santana. Brittany assentiu com a cabeça. -O que estamos fazendo no estúdio a esse horário? Ou melhor, como?
–Eu pedi para a senhora Palender para eu treinar, mas eu na verdade queria falar com você aqui. Sem ninguém por perto. -disse Brittany se desenrolando do pano. -Eu não sei por onde começar.
Santana a olhou e ela parecia tão cansada. -Eu posso começar?
–Para falar a verdade, eu preciso começar. -disse Brittany. Ela se sentou no chão e Santana se sentou ao seu lado. -Ontem, meu pai queria conversar comigo. Hoje eu nem consegui olhar na cara dele. Eu ainda não fui para casa. Céus ele deve estar mal. Eu estou mal.
–O que aconteceu, Britt? -perguntou Santana agarrando sua mão como mania, quando percebeu não a soltou. -Me contar vai te fazer melhor?
Brittany assentiu com a cabeça. -Meu pai foi chamado novamente. Ele vai treinar alguns soldados na França por seis meses. Depois, ele vem para casa. Ele acha que vai ser chamado, mas droga, eu tenho certeza. -Seus olhos começaram a lacrimejar. Santana a abraçou e a deitou em seu colo enquanto alisava seus cabelos loiros.
–Você lembra quando eu falei para você se preocupar apenas quando seu pai dissesse que precisasse? -perguntou Santana e Brittany assentiu. -Ele ainda não disse que precisa. Você precisa ser mais forte do que já é, e eu vou estar lá para ser forte com você.
–Vai? -perguntou Brittany.
–Se você quiser... E mesmo se não quiser.
–É tudo que eu quero. -disse Brittany puxando o rosto de Santana para perto do seu. -Me perdoa por ontem?
–Britt...
–É sério, Santana. Eu fui injusta e horrível com você. Ignorei seus sentimentos e medos, uma namorada não deveria fazer isso com sua namorada. -disse Brittany rapidamente. Santana sorriu.
–Você me chamou de namorada.
–É o que você é. -disse Brittany sorrindo. -Me desculpe ter te chamado de "amiga". Foi bem imaturo.
–Talvez. -disse Santana. -Mas me fez pensar. Eu ainda acho que eu não estou pronta para anúncios.
–E eu vou concordar com você. Eu também não estou pronta. Eu tenho medo.
–Britt! É bom saber que quando eu estiver pronta, vamos apoiar uma a outra. -disse Santana. -Aquela discussão foi ridícula, não foi?
–A mais ridícula já vista em milênios. -disse Brittany rindo. -Eu precisava te abraçar ontem.
Santana se deitou ao lado de Brittany e a abraçou. -Como agora. Mas eu realmente precisava. Ainda preciso.
–Eu acho que nunca mais vou te soltar. -sussurrou Santana.
–Você sabe que não podemos dormir aqui, certo? -perguntou Brittany rindo. -Esqueci de te contar um coisa! Dentre todas reviravoltas emocionais, aconteceu algo muito inusitado.
–O que? -perguntou Santana.
–A senhora Paleder solicitou uma bolsa para mim na Royal Ballet. -disse Brittany sorrindo.
Santana arregalou os olhos e sorriu. -Brittany! Isso é maravilhoso! Melhor que maravilhoso! Deve existir uma palavra, mas eu não consigo pensar direito! Céus, Britt! Parabéns! Você merece!
–Obrigada. -disse Brittany sorrindo. -E você?
–Eu não entrei em nenhuma faculdade nesse meio tempo. -disse Santana sorrindo. -Céus, estou tão orgulhosa de você.
–É tão estranho, hã? Ter uma situação que te deixa muito triste e coisas absurdas acontecendo na sua vida. Você nem consegue sentir direito. -comentou Brittany. Ela apertou a bunda de Santana por cima do vestido.
–A tia Catarina não vai me dar aula. -disse Santana sorrindo pela proximidade. -Quero dizer, ela vai pensar na proposta, mas ela tem que aceitar. Isso que aconteceu comigo. E estar com você, é claro. Sempre o ponto alto do meu dia.
–Sinto pela Catarina, mas você deve estar certa sobre o que ela deve fazer. -disse Brittany se levantando. -Meu pai pediu que eu fosse para a França com ele.
–O que? -perguntou Santana se levantando rapidamente. -Não! Não... Como? Não!
–Calma, se ele conseguir a confirmação, eu vou pedir para que Catarina vá com ele. disse Brittany abraçando Santana. -E eu... Bem, eu preciso de um tempo com a minha namorada.
Santana sorriu. -Eu quase enlouqueci com um dia sem te ver, imagina seis meses. Nunca brinque com isso, Britt.
–Não vou. -Brittany puxou ainda mais o corpo de Santana contra o seu e prendeu a ponta do tecido no quadril de Santana. -Isso estava muito bom, quer continuar?
–Achei que o pano servisse como uma metáfora de que precisávamos conversar.
–Não, eu na verdade estava treinando. Eu ia até te esperar com um vestido normal. -disse Brittany apontando para um vestido pendurado. -Mas eu fiquei feliz quando você chegou. Eu podia sentir seu coração da porta.
–Você sabia que eu estava ali?
–Eu queria saber o que você ia fazer. Se você ia esperar eu abrir os olhos, se ia avisar que estava ali. -disse Brittany puxando o pano e por consequência, Santana. -Mas a ideia de se juntar a mim foi inusitada. E quente. Você tinha que ver quando suas pernas iam para o alto...
Santana beijou Brittany, mas com a boca já aberta clamando por contato. As línguas tão envolvidas e compassadas que parecia um poema não-verbal.
"Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis."
–Carlos Drummond de Andrade

Notas finais
Foi isso! Queria agradecer pelos comentários e continuem! Me deixa muito feliz!! Espero que tenham gostado. Comentem! E até logo! Beijos