At The Ballet

4 Antonieta, Vitória e Coppélia


Notas iniciais
Espero que gostem, me diverti escrevendo esse capítulo e desculpem a demora!

Nuvens acinzentadas escureciam cada vez a cidade de Londres, deixando qualquer um que passasse por ali com vontade de voltar para casa e se esconder debaixo das cobertas quentes e macias. O inverno já avançava e com ele o frio, gelado e pesado, e a neve branca, macia, linda, porém fria. O dia estava igual, aos olhos dos ocupados, diferente dos olhos de duas moças que estavam mais que felizes por estarem finalmente indo até o Teatro Real de Londres. Era um dia, em que Santana teria sua primeira visão profissional, e Catarina seu reencontro com a velha amiga, da qual trocava cartas.

- Santana, tia Catarina! O carro está esperando na frente de casa. – avisou Rachel, quando adentrou a sala-de-estar. Onde as duas moças estavam revisando seus pertences e suas entradas.

Santana trajava um vestido azul marinho, recém costurado, presente de sua mãe, que queria a filha tão bem arrumada para um ocasião tão especial. Seus sapatos eram pretos, e esses não eram novos, mas não demonstravam tanto o uso. Seu cabelo estava solto e fazia ondulações. Não estava de brincos, mas no pescoço repousava o colar que ganhará de seus pais quando fizera quinze anos de idade.

Catarina usava um vestido verde aguado, deixando suas panturrilhas à mostra. Seus sapatos pretos, deixava-na mais encantadora. Seus cabelos presos afrouxadamente, faziam com que seu sorriso ficasse à mostra, sem nenhum fio cobrindo-o.

-Santo Deus! Já é tão tarde assim¿ Devemos ir indo... Quando voltarmos, agradecerei seu pai pelo carro... Vamos, querida!- disse Catarina se levantando e parando na enorme entrada da sala.

Santana a seguiu, sorrindo, e foram em direção da porta de entrada, onde Joanne, Rachel e Felícia esperavam-nas. Elizabeth ainda estava adoecida e a cada dia parecia piorar e George estava no banco, tratando de seus investimentos.

Felícia entregou o xale verde-grama para Catarina e entregou à Santana, seu casaco de viagem.

Joanne abraçou Catarina e sussurrava coisas em seu ouvido. Rachel puxou Santana para um abraço e sussurrou para que apenas a irmã a escutasse.

-“Quando voltares, me contarás sobre tudo que viste. Se lembre da música.”

Santana sorriu e confirmou com a cabeça, logo após foi sufocada pelo abraço de sua mãe.

-Vejo vocês quando voltarem. Se divirtam!- disse Joanne apertando mais o abraço, antes de afrouxá-lo.

-Tudo bem. Vamos, querida!- disse Catarina saindo pela porta.

-Até mais tardar.- disse Santana seguindo sua tia.

O motorista fez um reverência, abriu a porta do carro, esperou as duas moças se acomodarem no carro longo e preto, fechou a porta e seguiu para seu lugar.

-Estamos indo até o Teatro Real de Londres, certo¿- perguntou o motorista, com o tom de confirmação.

-Afirmo que sim.- disse Catarina sorrindo.

A cada curva, o estômago de Santana dava um pulo e seu coração parecia bater mais rápido ao passar por ruas que nunca visitara. Seu coração pareceu parar, quando o motorista parara o carro e avisara que haviam chego e de fato era visível.

O Teatro Real de Londres, era muito mais que um teatro. Era uma parte da alma da Arte, as melhores apresentações, exposições, aconteciam naquele teatro. Sua arquitetura era fina e delicada, duas estátuas se encontravam na frente da porta colossal. Era gigantesco, e era ainda maior por dentro. 400 lugares, bem destribuidos, faziam fileiras infinitas dentro do teatro. As cadeiras bem confortáveis davam uma visão panorâmica do palco, que quando as duas moças ocuparam seus lugares, estava tampado por cortinas vermelhas de veludo.

-Poderíamos sentar aqui e quando acabar a peça, poderíamos ir até Antonieta. O que achas¿- perguntou Catarina indicando duas cadeiras vazias ao lado de um senhor barrigudo que sorriu gentilmente à as duas moças.

-Claro.- foi tudo que Santana conseguiu dizer, ainda encantada pelas pequenas aglomerações que se formavam nas portas.

Um homem foi até o centro do palco e citava, com sua voz grave e penetrante, as regras do teatro. Quando se calou, deu um sorriso e segui em direção da esquerda. As cortinas pareciam seguir seus passos e logo estavam totalmente abertas. No fundo do palco vazio, um pano de uma paisagem rural. A orquestra, que se encontrava na frente do palco, começou a tocar melodias calmas, que era trocada por uma vibração do violino quando uma bailarina entrava. No total, eram doze bailarinas. Usavam saias longas vermelhas até os joelhos por cima das blusas brancas folgadas. Na última vibração do violino, apareceu uma décima terceira bailarina. Que usava a mesma saia vermelha, mas sua blusa era preta com detalhes vermelhos.

- Reconheces a peça¿- perguntou Catarina sorrindo.

-Coppélia. Nunca me esqueceria dos detalhes do qual mamãe me contou.- sussurrou Santana.

A cada ato, a peça se tornava mais envolvente. Retirando suspiros, exclamações e até lágrimas das pessoas que encheram o Teatro Real de Londres. E no final, mal conseguindo respirar Santana se levantou e bateu palmas, agradecendo a apresentação.

Santana e Catarina aguardaram as pequenas multidões deixarem o teatro. As mulheres com lenços em mãos, comentando e os homens balançavam a cabeça em concordância. Passaram pela orquestra, que se arrumava, pelo palco, agora tampado pela cortina de veludo, até chegar no corredor escuro onde se encontravam os camarins. Catarina, que ia guiando, parou na última porta. Bateu de leve e ouviram um sonoro: “Enté”.

-Antonieta¿- perguntou Catarina abrindo a porta de madeira branca.

-Você veio! Estou tão feliz, que estejas aqui! E quem é está¿ — perguntou Antonieta, ainda trajando o figurino da peça.

-Está é minha sobrinha, Santana.- disse Catarina sorrindo.

-Muito prazer em conhecê-la, Santana.- disse Antonieta sorrindo.

-O prazer é meu, senhora Antonieta.- disse Santana.

-Catarina, Santana, esses são Vitória Líria, minha amiga e bailarina e esse é Pierre D’La Fonteine, um amigo e fotógrafo do jornal de Paris. – Antonieta apresentou-os, estavam sentados num sofá de dois lugares no canto do camarim.

Vitória não estava com roupa da peça, e sim, com um vestido roxo de alcinhas e Pierre trajava um terno marrom.

-Muito prazer.- disse Catarina sorrindo.

-Muito prazer, senhor Pierre e senhora Vitória, se me permite, sou admiradora de seu trabalho.- disse Santana sorrindo.

-Obrigada, querida. Prazer em conhecê-las.- disse Vitória.

-Então, gostaram da peça¿- perguntou Antonieta se sentando na cadeira defronte ao espelho e retirando as presilhas de metal que prendiam seus cabelos negros e lisos.

-Sim, foi maravilhosa e sua atuação divina.- disse Catarina.- Antonieta Scamender fazendo Coppélia, quem afirmaria algo assim¿

-Até pareces que queiras me enganar. Sabes o quanto amo Coppélia.- disse Antonieta.

-Sei que sim.- disse Catarina.

Catarina e Antonieta começaram a conversar, relembrando situações, deixando os outros três num silêncio absoluto, entre si.

-Santana, o que pensas fazer quando começares a trabalhar¿- perguntou Vitória.

-Sou apaixonada por dança. Não sou bajuladora, mas uma parte veio da senhora, “sapatilhas de ballet.”- disse Santana.

Vitória soltou uma gargalhada e agradeceu.

-Venha até aqui!- disse Vitória chamando-a.

Santana foi ao seu encontro, meio receosa e totalmente curiosa.

-Suas panturrilhas estão ótimas! Com aulas, treinos e muita dedicação, você conseguirá o que sonhas.- disse Vitória sorrindo.

-Obri-obrigada!- agradeceu Santana sorrindo.

Quando a noite começava a se transformar em madrugada, duas moças entraram pela porta da frente da casa da família Kutterin. Estavam cessando suas risadas, para entrarem no local onde todos descansavam.

-Catarina! Santana!- disse Joanne saindo da sala-da-estar, visivelmente cansada mas sua excitação e curiosidade venciam o cansaço.- Que bom que chegaram! Como hei de ter sido¿

-Muito bonito, mamãe. Como falaste, nos mínimos detalhes. Conheci Vitória Líria, mamãe!- disse Santana entusiasmada, queria poder contar tudo que vira, tudo que sentira sem deixar passar um detalhe sequer.

-Nossa, há de ser simpática, espero¿- perguntou Joanne sorrindo.

-Com certeza, simpaticíssima.- disse Santana.

-E como está Antonieta¿- perguntou Joanne para Catarina.

-Está bem. Ela pensa que quando aposentar suas sapatilhas, deixe Paris e venha morar em Londres. Acho, mais provável, que ela volte para a Áustria.- disse Catarina.

-Mamãe, posso lhe fazer uma pergunta¿- perguntou Santana, esquecendo do horário, do medo que senti, do cansaço que se espalhava por seu corpo.

-Claro!- disse Joanne passando a mão no rosto, estava muito cansada.

-Se eu pedisse para me colocar numa escola de Ballet, o que você responderia¿- perguntou Santana rapidamente.

-Que poderíamos pensar no assunto. Seu pai deixaria com certeza e sei o quanto queres aprender, mas e a escola¿- disse Joanne dando leves suspiros.- Você não pretende ter um plano, caso a dança não funcione¿

-Na verdade não, mamãe. Eu sei o que quero e sei que consigo. – disse Santana.

-Sei que consegues, querida. Mas e sua escola¿- perguntou Joanne.

-Se ela quiser, posso dar aulas à ela. Enquanto estiver em casa e nos fins de semana. Aliás, estou aqui por causa das três.- disse Catarina.- Joanne, você conhece o talento que ela possuí. Ela tem seu sangue!

-Bom, se Catarina está disposta a dar-lhe aulas e você aparenta quer muito isso...Posso pensar, conversar com seu pai e teremos uma conclusão, mas só amanhã! Vamos dormir, já ultrapassa dá meia noite!

Notas finais
Espero que estejam gostando da história, mostrem suas opiniões.
Beijos