Até você voltar

13 Entre Lençóis e Promessas


Eu levei ele para o meu quarto.

Ainda meio sem acreditar no que estava acontecendo.

Bernardo me olhava como se tivesse esperado por aquele momento há muito tempo. E talvez tivesse mesmo. Havia cuidado em cada toque dele, mas também havia desejo. Vontade. Intensidade.

Ele tirava minha roupa devagar, me olhando como se estivesse tentando me decorar.

Como se eu fosse um mistério que ele finalmente tinha permissão para desvendar.

E aquilo mexia comigo de um jeito perigoso.

Porque fazia muito tempo que eu não me sentia desejada daquela forma.

Muito tempo que eu não me sentia vista.

O beijo dele continuava quente, paciente e intenso ao mesmo tempo. As mãos percorriam meu corpo com calma, como se quisesse entender cada reação minha.

E meu corpo reagia inteiro.

Como choque.

Como fogo.

Cada vez que ele me tocava, parecia que alguma coisa despertava dentro de mim depois de meses adormecida.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não queria pensar no amanhã.

Não queria pensar no trabalho.

No medo.

No Derick.

Nas consequências.

Eu só queria viver aquele momento.

Viver ele.

Quando tudo finalmente desacelerou, Bernardo me puxou para perto e me abraçou forte contra o peito.

Fiquei ali ouvindo a respiração dele tentando voltar ao normal enquanto os dedos dele faziam carinho lentamente no meu braço.

O quarto estava silencioso.

Só o som da chuva fraca lá fora preenchia o espaço entre nós.

— Você não faz ideia do quanto eu esperei por isso. — ele falou baixo.

Levantei os olhos devagar.

— Como assim?

Bernardo sorriu de canto, ainda me abraçando.

— Tinha momentos no escritório que eu simplesmente viajava olhando pra você.

Acabei rindo sem graça.

— Bernardo…

— É sério. Às vezes você tava falando comigo e eu ficava preso olhando sua boca.

Meu rosto esquentou imediatamente.

Ele riu ao perceber.

— Sua boca é muito bonita, Beca. Você inteira é.

Desviei o olhar sorrindo.

— Você me deixa sem graça.

Bernardo aproximou o rosto do meu pescoço e respirou fundo lentamente, como se quisesse guardar meu cheiro.

Depois me beijou outra vez.

Devagar.

Com calma.

E então voltou por cima de mim, enchendo meu rosto de beijos enquanto eu ria baixo tentando empurrá-lo sem força.

— Você quer dormir aqui? — perguntei entre risos.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— No sofá?

Ri imediatamente.

— Hm… talvez aqui comigo na cama.

Tampei os olhos na mesma hora, morrendo de vergonha de ter falado aquilo em voz alta.

Bernardo segurou meu pulso delicadamente afastando minhas mãos do rosto.

— Eu quero. Você deixa?

Os olhos azuis presos nos meus acabavam comigo.

Respirei fundo antes de perguntar baixo:

— Promete que eu não vou me arrepender?

A expressão dele mudou na mesma hora.

Ficou séria.

Sincera.

Bernardo aproximou a testa da minha.

— Prometo, Beca.

Meu coração apertou de um jeito bom.

Passei os dedos pelo rosto dele devagar.

— Então fica aqui. Dorme comigo essa noite.

Ele sorriu daquele jeito pequeno que parecia desmontar qualquer defesa minha.

Levantei da cama tentando recuperar o fôlego emocional daquela noite.

— Vou tomar um banho.

Bernardo apoiou os braços na cama me observando caminhar até o banheiro.

— Vou pedir alguma coisa pra gente comer.

Olhei para trás rindo.

— Pode pedir porque eu tô morrendo de fome.

Ele começou a rir.

— Você que me deu uma canseira.

Balancei a cabeça incrédula entrando no banheiro.

— Cara de pau.

A água quente caía sobre meu corpo enquanto eu tentava processar tudo que tinha acontecido nas últimas horas.

Mas não tive muito tempo pra pensar.

Poucos minutos depois senti braços me envolvendo por trás.

Meu corpo inteiro arrepiou automaticamente.

Bernardo encostou o rosto no meu pescoço molhado e começou a distribuir beijos lentos pela minha pele.

— Você que me deu uma canseira. — murmurou perto do meu ouvido.

Fechei os olhos imediatamente sentindo o arrepio subir pela coluna.

— Aquilo que você falou era sério?

Virei um pouco o rosto tentando entender.

— O quê?

Ele sorriu de canto contra meu pescoço.

— Que tava em celibato total.

Comecei a rir.

— Por que você quer saber isso?

Bernardo levantou os olhos pra mim através do espelho embaçado.

— Porque fiquei curioso.

A mão dele deslizou devagar pela minha cintura.

— E com ciúmes também.

Meu coração acelerou outra vez.

Respirei fundo antes de responder:

— É verdade. Eu não me envolvo com ninguém desde que terminei com o Derick.

Os olhos dele escureceram levemente.

Bernardo me virou devagar em sua direção.

— Eu não gosto da ideia de imaginar outra pessoa tocando você.

A voz saiu baixa.

Intensa.

— Principalmente sua boca.

E então ele me beijou de novo.

Lento.

Quente.

Como se ainda estivesse tentando me sentir inteira.

O interfone tocou fazendo nós dois soltarmos uma risada baixa. Eu peguei a toalha correndo, enrolei no meu corpo e fui atender.

— Oi, Jeff.

— Boa noite, Dona Beca. Sua comida chegou.

Olhei para Bernardo sorrindo.

— O Bernardo vai descer pra pegar.

— Certo.

Desliguei o interfone.

E então parei por alguns segundos apenas olhando ele.

Calça baixa na cintura.

Sem camisa.

Cabelo molhado.

Bonito de um jeito quase irritante.

Bernardo percebeu meu olhar e sorriu de canto.

— O quê?

Balancei a cabeça rindo.

— Nossa comida chegou. Vai buscar enquanto eu arrumo aqui.

Ele fez continência brincando.

— Sim, senhora.

Bernardo saiu pela porta ainda secando o cabelo com a toalha.

E eu fiquei ali parada por alguns segundos tentando entender como minha vida tinha mudado tão rápido em tão pouco tempo.

Depois arrumei a mesa da sala, coloquei os copos, liguei a televisão e sentei no sofá mexendo distraidamente no celular enquanto esperava ele subir.

Deixei a porta apenas encostada.

E, pela primeira vez em muito tempo, aquele apartamento não parecia vazio.