Notas iniciais
Olá! Fiquei feliz com esse capítulo, espero que também fiquem :3 Desculpem-me se encontrarem algum erro ortográfico. Boa leitura!

Eu já estava com a bunda dormente quando decidi levantar daquela cama dura, naquele quarto escuro, naquele fim de mundo! Todas as lágrimas que deveriam ter caído já caíram. Durante todo o tempo infeliz que permaneci naquela escuridão, pra deixar claro eu só levantei da cama quando já estava escurecendo outra vez, eu não pensei em outra coisa além de Daryl.

Como é possível alguém ser tão incrível e tão idiota ao mesmo tempo? Eu não sabia se ficava mais chocada e decepcionada com o que ele falou ou com o que eu falei. Eu tinha total consciência de que havia pegado pesado em algumas coisinhas... Mas ele também pegou! E eu não teria sido tão idiota se ele também não tivesse sido.

E o pior de tudo ainda não foi isso! Fiquei praticamente uma eternidade aqui, sem sede, sem fome, nem mesmo senti vontade de ir ao banheiro. E ninguém na prisão, ninguém mesmo, teve a humildade de vir aqui perguntar se eu estava bem, se eu queria alguma coisa ou se eu estava me sentindo a pessoa mais solitária do mundo... Acho que ninguém nem sentiu minha falta.

Um verdadeiro exemplo de amor grupal.

Esfreguei brevemente as mãos no rosto e fui em direção ao mísero espelho da parede. Ótimo, os olhos estão menos inchados. Já estou há um bom tempo com vontade de sair desse ovo, mas temi que alguém questionasse meus malditos olhos vermelhos. E agora que aparento estar menos desolada, finalmente posso sair e esticar as pernas. Não que eu tivesse vergonha de alguém me ver ou perguntar, até porque eu sei que boa parte do grupo escutou minha discussãozinha com Daryl e tal, mas eu não me sinto necessariamente à vontade para conversar sobre isso, mesmo que eu precise urgentemente de alguém pra desabafar.

– Ok... – Digo em voz alta, ainda frente a frente com o projeto de espelho – Para de enrolação... – Sussurro. Fecho os olhos e ainda fico um bom tempo imóvel, pensando se devo realmente descer, e se descer, o que devo realmente fazer. Uma completa desordem mental.

Dou um último e longo suspiro – Ele é um idiota. Você reagiu do mesmo modo que reagiram com você – Tento me tranquilizar com as famosas palavras-de-autoajuda-para-quem-não-sabe-falar-o-certo-na-hora-certa. Típico de Lyanna Stark.

Reviro os olhos, com as pálpebras ainda fechadas, e saio da cela me achando a maior idiota do mundo por continuar falando sozinha. Passo por todas as celas, com o nariz lá em cima, sem ousar olhar para o lado. Por mim, eu estava apenas tentando evitar a famosa troca de olhares com pessoas curiosas. Mas a verdade mesmo é que eu estava morrendo de medo, nem sei se esse é o termo correto, de Daryl ser uma dessas pessoas.

Agora, falar com ele era o que eu mais queria e o que eu menos queria.

Desci as escadas ainda sem olhar para os lados. Os degraus foram minha única vista até chegar ao térreo e eu só criei coragem suficiente para levantar o olhar quando dei meu último passo para longe da escada. Quando finalmente olhei para frente e para os lados não vi nada de mais, tudo parecia normal, e eu fiquei me perguntando se o pessoal teria mesmo escutado minha discussão com Daryl.

Decidi que tais pensamentos não eram importantes e deixei isso de lado. Caminhei normalmente até me deparar com Maggie. Que ótimo, ironizo.

– Oi, tudo bem? – Ela falou com um breve sorriso enquanto terminava de descarregar uma arma.

– Eu que pergunto... – Digo com um meio sorriso amarelo, olhando para a arma que ela estava segurando. Meu espanto completamente camuflado, óbvio. Será que uma horda de zumbis invadiu a prisão?

– Ah! – Ela levantou a arma de fogo – Não, não é o que está pensando. Está tudo bem sim, eu só estava dando uma conferida. Essa belezinha não estava funcionando pela manhã.

– E pra que você iria usá-la...? – Pergunto ainda com o tom de dúvida.

Ela sorri e aponta pra mim, fazendo breves gestos, como se estivesse dizendo “Você é esperta!”. Sorrio também, mesmo que aquela não fosse a maior das vontades.

– Pra ronda, claro. Não estamos com nenhum problema – Ela disse enquanto se levantava, já guardando a arma no bolso – Quando estivermos com um, com certeza você saberá. Não se preocupe. – E dá uns passos em minha direção, apertando brevemente meus ombros logo em seguida. Acho o ato amigável, como há muito não presenciava, e espero ela sair.

Mas ela não sai.

Continua ali, olhando pra mim, segurando meus ombros, com aquele típico olhar terno e um sorriso afetuoso, como se estivesse aguardando algo.

Aperto um pouco os olhos para a moça – Algum problema?

Ela suspira, deixando um pouco da ternura desparecer – Lyanna, nós não somos seus inimigos. Talvez você esteja se sentindo só agora, talvez você esteja até chateada, isso é perceptível apenas com seu olhar – Certo, ela sabe da minha briguinha com Daryl – Mas se for pra ficar mesmo avulsa a sentimentos, se for pra ficar mesmo com raiva, certifique-se antes se seus motivos são plausíveis. Porque, querida, não há nada pior que odiar alguém que não merece o seu ódio.

Ok. Agora ela tinha mexido de verdade com meus sentimentos. Senti algo revirar na barriga.

– Olha... Não sei que impressão você pegou de mim, mas eu não odeio vocês. – Digo seriamente para ela – Pelo contrário, serei eternamente grata. Acontece que há algo aqui – faço um gesto apontando pra nós duas – que impede minha adaptação a vocês. Às vezes sinto que não pertenço a este lugar. Principalmente agora que... – Fecho os olhos, tentando esconder minha dor ao voltar com a lembrança do que aconteceu pela manhã.

Há um silêncio desconfortável por um momento, e, como se lesse meus pensamentos, a única coisa que sinto em seguida é um abraço reconfortante de Maggie. Meus olhos se abriram e logo se encheram d’água com seu ato súbito e ao mesmo tempo almejado.

Não reagi de outra forma. Assim que a ficha caiu, envolvi lentamente meus braços em seu corpo. Por mais que eu não acreditasse, eu estava ali, abraçada à Maggie, chorando em seu ombro. As lágrimas só aumentaram quando ela falou outra vez.

– Talvez você realmente acredite que não pertence a este lugar, Lyanna. Eu só quero que você acredite também que nós, todos nós – e no momento eu soube que ela estava se referindo a Daryl – estamos fazendo o possível pra você se adaptar. E isso porque queremos que você viva aqui. – Ela se afastou um pouco e passou a me encarar – Porque ele quer que você viva aqui.

Eu estava pasma com suas palavras. Não sabia o que realmente estava sentindo. Apenas a encarei com a maior cara de boba, com a boca entreaberta e olhos marejados, e eu tinha certeza de que ela sabia que eu estava confusa.

– Pense nisso. – Ela continuou, com a resposta perfeita, e me deu um último abraço – Você não está sozinha. – E sorriu ternamente pra mim. Retribui o sorriso, sorriso de verdade, que até as maçãs do rosto levantaram, fazendo mais lágrimas caírem.

Ela se retirou e eu fiquei ali, no meio do nada, ainda sorrindo e pensando no que fazer.

***

– Você viu o Daryl? – Perguntei a Carl enquanto me aproximava em passos rápidos.

– Talvez... – Ele me encarou maliciosamente – Por quê?

Ri de sua cara – Depois eu te conto. Agora me diz, viu ou não?

Ele sorriu, ajeitou brevemente o seu chapéu e apontou para o final da prisão, indicando que Daryl estava por ali. Agradeci com um breve gesto e voltei a acelerar os passos, deixando pra trás os pensamentos curiosos de Carl. Ele vai saber mais cedo ou mais tarde mesmo.

À medida que vou me aproximando consigo escutar claramente a voz dele. Tento não criar tantas expectativas, mediante o que aconteceu da última vez em que fui procura-lo, e suspiro de alívio ao vê-lo conversando com Michonne. Ok, Lyanna, é agora, cria coragem, não vacila.

Aproximo-me o suficiente – Daryl? – Chamo-o, fazendo-o se virar, surpreso – Podemos conversar por um minuto? – Tento não deixar à mostra o meu nervosismo – Por favor... – Deixo o por favor sair como se fosse uma súplica. Droga...

Ele me encara por alguns segundos, como se não estivesse acreditando que eu estava ali. Por favor, eu tenho a mente aberta quando quero.

– É... – Ele começa, virando-se para Michonne.

Michonne levanta as mãos como se estivesse se rendendo e sorri – Já entendi. Depois conversamos. – E saiu, fazendo a atenção de Daryl voltar para mim.

Ele ficou meio sem jeito inicialmente e logo perguntou – O que você quer? – Sua voz não expressou ignorância, raiva ou qualquer outro tipo de sentimento negativo. Era algo indescritível, que eu sabia que significava “Que tipo de relacionamento você quer comigo, afinal?”.

Fixei meus olhos nos seus e não pensei direito; puxei bruscamente seu rosto e logo colei nossos lábios. Senti, imediatamente, toda a energia do meu corpo retornar, e eu não queria fazer outra coisa no mundo além de beijar Daryl Dixon.

Até que ele me empurrou, deixando-me completamente na vontade – O que está fazendo? – Ele pergunta surpreso e amavelmente, ainda olhando para os meus lábios, como se estivesse com tanta vontade quanto eu. Porém com um orgulho maior ainda – Você não pode simplesmente me beijar depois de tudo aquilo!

– Daryl, perdão! Eu sei que falei bobagem. Aliás, falei mais do que devia e com certeza magoei você. Mas acontece que você também me magoou! Isso é óbvio. Só que eu não quero isso pra nós. – Enfatizei – Eu quero isso! – E o puxei novamente, beijando-o tão inesperadamente quanto da primeira vez. A diferença foi que dessa vez ele não me empurrou. Na verdade, ele me agarrou com tanta força que só me largou quando empurrei seu peito à procura de ar. Ainda sem fôlego, apoiei seu rosto em minhas duas mãos e lhe dei um último e longo selinho. – Eu quero isso todos os dias. – Disse logo após, fazendo-o olhar bem no fundo dos meus olhos, certificando-me de que ele nunca mais veria olhos tão sinceros.

E finalmente ele sorriu.

Eu juro. Nunca fiquei tão feliz em ver um sorriso.

***

Daryl me jogou em uma das centenas salas espalhadas pela prisão e fechou rapidamente a porta, beijando-me furiosamente logo em seguida. Eu já estava em cima de uma das mesas e com nossas partes íntimas coladas quando notei uma de suas mãos procurando os meus seios. Não demorou muito e eu também já estava com a mão dentro de sua calça, e nós dois, obviamente, já deitados na mesa.

– Daryl... – Chamei-o, praticamente sem fôlego.

– Hum... – Ele gemeu enquanto abocanhava um dos meus seios.

– Prometa-me uma coisa – A frase saiu em forma de gemido, o que era inevitável.

– Qualquer coisa... – Ele falou enquanto ia deslizando a língua pela minha barriga até chegar à minha calça. Logo menos escuto meu zíper abrindo.

– Prometa que nunca mais vai desconfiar de mim – Talvez um pouco imprevisível para o momento, mas profundamente sincero.

Ele não parou seus movimentos, mas retardou um pouco, e passou a me encarar enquanto tirava a minha calça vagarosamente – Eu prometo... – Ele diz, tirando-a por completo. Sorrio.

Então sinto seus beijos em meu joelho esquerdo, sendo desviados lentamente para uma virilha e logo em seguida para a outra. Até que ele para entre as minhas pernas e passa a me encarar novamente – Prometa que vai se esforçar pra esquecer o Joe! – Apoio-me nos cotovelos. Essa me pegou de surpresa.

Sorrio sem jeito para ele e afirmo com a cabeça – Eu prometo. – Digo singelamente enquanto o puxo para mais um de nossos beijos. Óbvio que eu prometo.

Isso já estava prometido antes mesmo de ele pedir.

Notas finais
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