Até que o Apocalipse nos Separe
15 Pensamentos em caos
Notas iniciais
– Seria mais fácil se você quebrasse o vidro – Digo ironicamente enquanto vejo Kurt se jogando contra a máquina de refrigerantes para conseguir bebida de graça. Já ia dar 1h da manhã e estava muito frio. A rua, praticamente deserta.
Kurt ignora meu comentário e se joga mais uma vez, gemendo logo em seguida – É sério, cara – Joe fala em tom preocupado – Para com isso – Mas também é ignorado. Arqueio as sobrancelhas para Joe, indicando o quanto Kurt é idiota, e coloco as mãos nos bolsos do casaco. Meu Deus... que frio.
– Você sabe quanto eu gasto por ano com essas máquinas? Elas são infernais – Kurt finalmente fala, se jogando mais uma vez. E, consequentemente, gemendo também. Tiro as mãos dos bolsos e cruzo os meus braços, tentando, de alguma forma, amenizar o frio. Tenho certeza de que minhas bochechas estão mais vermelhas que o normal. Joe olha pra mim e logo vê minha situação.
– Cara, Lyanna está com frio, e eu tenho que deixá-la em casa – Sorrio discretamente com sua preocupação – Então, se não quiser ir sozinho pro apartamento e correr o risco de ser esfaqueado no meio do caminho, vamos logo! – Então Kurt se joga mais uma vez na máquina. Reviro os olhos com sua teimosia, e sinto-me prestes a socar sua cara, até que Joe finalmente puxa-o para o lado e tira algumas moedas do bolso. Deposita-as na máquina, escolhe qualquer refrigerante e joga-o com raiva para Kurt – Pronto, agora vamos! – Diz com raiva enquanto caminha em minha direção.
– Não podia ter pegado uma coca? – Kurt fala, já começando a caminhar. Joe para e o fuzila com os olhos – Calma... Estou brincando – Kurt ri em um gesto defensivo e logo começa a beber seu refrigerante, deixando-nos em paz.
Estendo a mão para Joe e logo entrelaçamos nossos dedos – Sua mão está muita fria – Ele diz, apertando-a com mais força. Afirmo com a cabeça e então passamos a caminhar em silêncio. Sempre me pergunto como Joe aguenta passar a maior parte do dia com Kurt. Ou pior, como ele consegue dormir sabendo que Kurt leva uma garota diferente quase todos as noites para o apartamento! Só em pensar que sempre há uma garota nua ao lado do quarto de Joe... Hum.
Em alguns minutos logo vejo minha casa. Depois de meses de sufoco, finalmente consegui comprá-la. Apesar de todos terem-na descrito como “bonitinha”, para mim ela é perfeita.
– Chegamos – Digo, deixando bem claro o meu alívio. Viro-me para Joe e sorrio, recebendo outro sorriso em troca. Logo sinto seus lábios nos meus e, logo menos, suas mãos em minhas costas. Então uma estranha ousadia surge em mim enquanto lhe dou um abraço de despedida – Quer entrar? – Sussurro em seu ouvido, fazendo nossos corações dispararem. Ele sabia as intenções dessa pergunta. Qualquer um sabia.
Ele se afasta um pouco, me encarando por alguns segundos, e logo olha pra Kurt – Tudo bem se continuar sozinho? – Pergunta.
– Por quê? Vai passar a noite aqui? – Pergunta com malícia, e é inevitável não rir com a cena.
– Até amanhã, Kurt – Digo enquanto caminho em direção a minha porta, procurando as chaves no bolso.
Ele ri – Até! Boa noite pra vocês – Continua com a malícia. Rimos mais uma vez e logo mostro o dedo do meio para ele. Olho para Joe e ele está fazendo o mesmo. Rio outra vez. O que uma pessoa não faz para disfarçar o nervosismo...
Finalmente encontro as chaves e abro a droga da porta – Pronto... – Sussurro, ligando as luzes logo em seguida. Joe já tinha vido aqui algumas vezes, mas nós nunca... tivemos a oportunidade de passar dos beijos. Sempre tem algo para atrapalhar – Quer beber algo? – Pergunto enquanto tiro o meu casaco.
Joe fecha a porta e também tira o dele – Não, obrigado – É perceptível nosso nervosismo.
Coloco as duas mãos no quadril e olho para o chão, pensando em algo para dizer – Hã... Quer assistir TV? – É a primeira coisa que vem em minha mente. Ele sorri e afirma com a cabeça.
Sorrio de volta e vou à sala, pego o controle remoto, ligo a TV, tiro os meus tênis e sento no sofá que fica em frente à televisão. Então Joe se senta do meu lado e passa o braço pelos meus ombros. Meu coração está batendo mais rápido que o normal e tenho certeza de que o seu também. Começo a passar os canais, na esperança de aparecer algo legal para assistir, mas nada aparece. A situação está começando a ficar meio desconfortável.
– Então... – Joe começa, meio nervoso – Como está o trabalho? – Rio mentalmente com a pergunta. Bom... Pelo menos ele está tentando.
– A droga de sempre – Respondo, fazendo-o rir. Ah... Como amo seu sorriso. Continuamos rindo por um momento, mas logo o maldito silêncio voltou. Joe suspirou devido o momento e logo criei coragem – Ah, foda-se – Desliguei a TV e rapidamente fui pra cima dele, beijando-o calorosamente. Ele levou um susto de início, mas logo entrou no clima e, antes que eu percebesse, já estava tão selvagem quanto eu.
Levantei os braços para ele tirar minha camiseta e logo em seguida tirei as suas. Nunca foi tão bom beijar alguém.
– Joe... – Sussurrei seu nome enquanto gemia de prazer ao senti-lo beijar o meu pescoço e apertar os meus seios. Suas mãos foram atraídas pelo fecho do meu sutiã e logo o vi com a boca em meus peitos. Ele voltou a atenção para minha boca e então começou uma série de beijos pelo meu rosto e pescoço enquanto apertava com firmeza a minha bunda.
Empurrei-o de leve e em seguida sai de cima dele, ajoelhando-me entre suas pernas. Tirei seus tênis, suas meias e logo fui para sua calça. Desabotoei-a rapidamente e a puxei, revelando o quanto ele estava excitado. E quando eu estava prestes a puxar sua cueca, a campainha toca. Inacreditável!
Olho impacientemente para Joe – É só ignorar – Ele fala, puxando-me para cima dele outra vez e dando-me um caloroso beijo logo em seguida. Até que a campainha toca de novo. E de novo, e de novo, e de novo...
– Pessoal – Kurt grita por trás da porta – Vocês ficaram com a chave do apartamento – Reviro os olhos, totalmente tomada pela raiva, e logo Joe também. Saio de cima dele e sento-me ao seu lado, cruzando os braços logo em seguida. Simplesmente inacreditável! – Está frio aqui fora! – Kurt grita, tocando mais uma vez a campainha.
– Já vai! – Grito com raiva, fazendo até Joe se assustar. Ele vê que estou prestes a explodir e logo se levanta, vai ao seu casaco, pega o que ele quer, abre a porta e joga a droga da chave para Kurt.
– Mas vocês já começaram a transar? – Kurt fala, e antes que pudesse terminar, Joe fecha a porta em sua cara. Não, graças a você, seu idiota! – Eu saí não faz nem 5 minutos!
– Vá embora! – Grito de novo, com mais raiva que da primeira vez. Ah, que droga! Que vergonha! Tanto pelo momento quanto por Joe estar conhecendo um lado meu que ele nunca tinha visto antes!
Só acredito que a peste foi realmente embora quando todo o barulho vira silêncio. Só em pensar que os gemidos de prazer foram trocados por gritos de raivas em pouquíssimos segundos... É, definitivamente, inacreditável!
– Ly... – Joe fala, baixinho, enquanto senta ao meu lado outra vez – Não fica assim – Então beija delicadamente o meu pescoço. Só esse simples beijinho foi o necessário para fazer minha raiva ir embora junto com o desgraçado do Kurt!
– Já é a quarta vez – Penso em todos os imprevistos que apareçam enquanto tentávamos nos amar em paz – A quarta!
Ele dá um sorriso, tristonho – Eu sei... – Fala enquanto coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. Ele adora fazer isso – Mas ele já foi... – Era tão bom sentir sua respiração em meu pescoço – Podemos continuar, se você quiser – O tom de sua voz passou de sensível para malicioso, e era impossível não se excitar com aquilo.
Quando menos esperávamos, já estávamos deitados no sofá, beijando-nos loucamente outra vez. Ele tirou minhas últimas peças de roupa e eu decidi esquecer por completo os meus problemas, pelo menos agora!
– Ly... – Joe sussurrou enquanto beijava o meu maxilar. Ele parou os beijos por um momento, e passou a me encarar – Eu te amo – Ai, meu Deus! Meu coração batia tão forte que pensei que ele iria quebrar a qualquer momento. É a primeira vez que ele fala isso, e... é algo novo para mim.
Sustentei o olhar por alguns segundos e as palavras simplesmente saíram – Eu também te amo – Ele sorriu meio aliviado, meio apaixonado, meio alguma coisa, e isso, obviamente, me fez sorrir também. Desviei o olhar para sua boca e antes que eu percebesse já estávamos nos beijando outra vez, e dando passagem para uma longa noite de amor. Sem interrupções.
Simplesmente acordo. Tudo parecia tão... autêntico. É como se minha vida com Joe fosse a mais pura realidade, e a minha com Daryl não passasse de um sonho. Então lembro que ainda estou em seu quarto. Olho para o lado e o vejo ali, dormindo, sonhando...
É melhor ir, penso enquanto sento-me sobre a cama. Procuro minhas roupas, visto-as, e quando vejo que não falta mais nada, dou-lhe um beijo na bochecha. Volto para o meu quarto, deito em minha cama e fecho os olhos, tentando, pelo menos, dormir e voltar a sonhar com Joe. Tentando voltar à minha verdadeira realidade.
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