Notas iniciais
Bem, antes de me apedrejarem por eu ter demorado TANTO para postar este capítulo, reparem só no tamanho dele, pois é. Desculpe a demora pessoal, mas eu realmente queria trazer uma história de qualidade para vocês, então reescrevi, reli, revisei e reeditei quantas vezes fossem necessárias. Espero que apreciem e desculpe novamente. Sem mais delongas, boa leitura!

O completo vazio.

Talvez fosse aquilo o que ele mais temesse.

A escuridão era completamente dominante naquele local deplorável, este que mais se assemelhava a um verdadeiro confinamento obscuro, esculpido por seres maledicentes, feito para o mais perverso dos pecadores existente.

Um infinito corredor negrume, um manto negro que era rasgado repetidas vezes por relâmpagos que obliteravam as vistas mais frágeis, sendo os mesmos sempre acompanhados de feixes de luz, que se faziam presentes subitamente em sua extensão, tão logo, simplesmente desaparecendo, alguns constituídos por imagens sinistras, outros sendo apenas figuras confusas e distorcidas que com o passar do tempo adquiriam formas monstruosas.

Uma iluminação completamente escassa, sufocada pelo intenso breu e um silêncio perturbador.

Nenhum ser presente ali além de si.

Era um pesadelo... Tinha que ser.

O cheiro de sangue era completamente inebriante naquele ambiente incomum, fazendo a raposa quase tombar ao chão, praticamente embriagado pelo forte odor.

O globo amarelado que não era tapado pelo tapa-olho clássico, realizava um esforço considerável para conseguir visualizar algo em meio à obscuridade que envolvia o corpo que o alojava, exibindo um feixe de luz dourado pelo caminho que percorre-se.

Caminhava com certa dificuldade, não possuindo rumo algum, apenas projetando uma trilha imaginaria por onde passava, na esperança de encontrar uma possível saída daquelas trevas tortuosas.

Lembranças que ele sequer se recordava eram exibidas como um verdadeiro filme, em forma de flashes rápidos de maneira confusa e desconexa em sua mente, sugando-lhe até o último resquício de sanidade. Uma verdadeira tortura psicológica.

Sua respiração por vezes dava fortes lufadas de ar, completamente desregrada e descompassada, o oxigênio sem dúvida era bastante escasso naquele lugar.

O que estava acontecendo?

Talvez ele estivesse delirando.

Talvez aquele lugar fosse simplesmente uma projeção mental de seu subconsciente que desejava o fazer pagar até o fim dos tempos, pelos seus próprios crimes cometidos.

Talvez ele estivesse ficando louco, imaginando coisas aonde não existiam.

Talvez tivesse sido condenado a permanecer nos confins do atroz inferno, que na realidade era aquele local sinuoso, pela eternidade.

Não o sabia, sequer conseguia raciocinar perfeitamente, somado isso à dor de cabeça terrível que o abatia sentia-se completamente impotente.

Realmente odiava se sentir daquela maneira, não lhe trazia nenhuma recordação agradável tal empecilho lhe sufocando a alma já perturbada.

Sua vontade era gritar até que seus pulmões simplesmente explodissem, mas as forças lhe faltavam até para fazê-lo.

Já desesperançoso permanecia vagando lentamente pelo extenso lugar, quase beirando a inconsciência, apenas desejando que aquele pesadelo pudesse se encerrar o quanto antes.

Ao longe, repentinamente, pôde avistar um estranho vulto contornado por massivos tons de roxo, dedilhando alguma espécie de instrumento nas mãos, o qual a raposa não soube identificar o que era pela distância que se encontrava da sombra de tonalidade contrastante e diferenciada do resto do espaço, que o fazia se destacar do fundo exageradamente negro.

Identificou um estranho ruído no ar, ao apurar os ouvidos podendo perceber que se tratava de um assovio, vindo da mesma direção da estranha figura.

Mas... aquilo não era algo normal...ele conhecia o dono daquele sopro ruidoso.....já ouvira aquilo antes, porém... onde? Quando?

Massageou as próprias têmporas com força, na tentativa de forçar sua mente a buscar uma possível origem para o familiar som, talvez fosse algo que pudesse o tirar daquele lugar detestável.

Um som semelhante à estática cortou bruscamente sua audição sensível, censurando abruptamente o assovio melodioso, fazendo a raposa levar a mão e o gancho aos próprios ouvidos, os segurando com força, tentando abafar o torturante ruído, sem obter muito êxito no brusco ato.

Olhou novamente na direção daquele vulto, podendo perceber que agora este se encontrava mais próximo de si, caminhando vagarosamente.

— Vejo que alguém gosta de raposas, não? — ouviu o timbre rouco ecoar serenamente pelo sinuoso espaço, repetindo a frase um dia já dita.

Seu sangue gelou naquele momento, sua respiração trancou com força, uma quantidade massiva de adrenalina percorreu todo o seu corpo e suas pupilas se reduziram a uma linha tênue quase inexistente.

´´O q-q-que?.... Essa voz... essa frase... Não... Não... não, não, não, NÃO! ISSO NÃO É POSSÍVEL! ELE NÃO!´´

Sentiu um gosto amargo invadir sua boca de repente, provocando-lhe o tato de maneira ardilosa, um desconforto súbito surgindo no paladar, enquanto parte da sua própria estrutura interior iniciava um tremor interno impiedoso, contra a sua vontade.

Naquele momento, o ódio e o temor lhe dominavam com tal facilidade, que ele mais se assemelhava a uma verdadeira marionete, pendurado e amarrado por cordas que os tais sentimentos descomunais possuíam em mãos, estes esmagando de maneira completamente sem consideração todo o seu esforço anterior em tentar manter sua sanidade em um nível estável.

Suas pernas pareciam não mais suportarem o peso de seu próprio corpo, o mundo à sua volta, a seu ver, poderia ser facilmente confundido com um torturante carrossel de emoções, este que girava sem parar por períodos tão longos que pareciam mais uma verdadeira eternidade quando vivenciado por um alguém comum, que raramente oferece qualquer resistência, sendo facilmente dominável, sempre um acesso recorrente do hipnotismo e comumente mantido preso no sensual embalo da suposta miragem do brinquedo que deveria ser sinônimo de divertimento.

Quando se deu por si, já tinha ido ao chão, os joelhos feridos ralando na superfície nada macia e um fraco gemido escapando dos lábios cor de mel em resposta, os quais estavam levemente manchados pelo sangue que transbordava de uma ferida proeminente na testa da raposa, o líquido carmesim escorrendo pela face pálida, trilhando um caminho até a parte baixa do pescoço exposto.

Ouviu soar por último, certo som de passos vindo ao seu encontro, o pirata, sabendo de quem se tratava sequer levantou o olhar, não iria vislumbrar aquelas orbes sinistras novamente, lhe doeria no fundo da alma dirigir-se para aquele assassino uma vez mais que fosse.

O grande responsável e culpado por tamanha dor gerada em si e em sua família atual jamais seria digno de merecer o seu olhar novamente.

Jamais iria o perdoar, jamais.

Sentiu algo metálico e extremamente afiado despontar em seu queixo, percebendo rapidamente a vítima de tal toque que aquilo se tratava claramente de uma arma branca. Somente o contato cínico, porém ameaçador com a tal lâmina já provocando uma tênue linha de sangue entre as pequenas covinhas da raposa.

Aquilo tentava levantar seu rosto a força, porém o dono deste não permitia tal ato, se mantendo na mesma posição de antes, provocando consequentemente um murmúrio de desaprovação por parte do sociopata.

—Raposinhas como você devem obedecer aos lobos, Alex – pronunciou-se lentamente e em tom baixo, como que brincando e ao mesmo tempo dando uma ordem para o ruivo abaixo de si – e no caso... o lobo sou eu – encerrou irónico, em seguida deixando escapar um pequeno riso em tom de puro escárnio.

A raposa sentiu um tentador desejo de vomitar naquele momento ao ouvir tais palavras, estas que lhe geraram um desconforto imenso e uma repugnância incomensurável. Como ele tinha coragem de dirigir-se daquela maneira a si depois do que fizera?

Rangeu os dentes com força e por alguns segundos rugiu de raiva para aquela figura psicopata.

—Vai pro inferno... – sussurrou fracamente, fazendo uso do resquício de forças que lhe restava.

Uma fraca risada se iniciou de repente, o que começou como uma tênue linha de voz entretida se transformou aos poucos em uma gargalhada completamente descontrolada, histérica e escrachada, que se propagava por todo aquele espaço infinito de maneira quase agonizante para a audição já maltratada da pobre raposa.

Foxy quis desferir um soco naquele doente mental de imediato por rir de si, mas passou a questionar seriamente até onde iria o nível de insanidade daquela criatura enlouquecida e excêntrica a sua frente e se ele realmente estava zombando de sua cara e não de algo que existia somente para ele, ou um motivo banal que para este soava engraçado, com certeza de uma maneira que fugia completamente ao comum.

Não pôde evitar arregalar o olhar dourado, assombrando-se cada vez mais com aquele ser que parecia não ter um limite para as próprias loucuras desnecessárias.

—Ora, ora parece que alguém precisa aprender a limitar o linguajar, não é mesmo? – interrompeu o momento para comentar sobre as palavras utilizadas pelo ruivo anteriormente, aproximando o rosto deste para ter uma boa visão do ódio presente na expressão fria e cálida, descendo a lâmina reluzente para uma das artérias do pescoço alvo ameaçadoramente.

O pirata ao ver a face psicótica chegando cada vez mais perto e aquele olhar trêmulo e sem direção concreta buscar por suas feições, de imediato sentiu um nojo extremo, tê-lo perto de si era agonizante.

Com algum esforço, conseguiu juntar finalmente uma quantidade considerável de saliva na boca, somente para em seguida cuspi-la diretamente na face do ser a sua frente.

Sentiu-se satisfeito em ofender a moral e o orgulho daquele cara, mas o prazer momentâneo não durou muito já que o púrpuro, desta vez se irritara verdadeiramente, passando a lhe fitar fixamente com uma tremedeira continua no olho esquerdo. O ruivo poderia jurar que faíscas eram expelidas das íris arroxeadas que agora assumiam um brilho assustadoramente enfurecido.

O viu secar a parte molhada pela saliva alheia com o pulso lentamente, sem desviar o olhar do menor, logo em seguida o puxando pelo queixo abruptamente e com certa violência, fazendo-o dirigir os olhos dourados somente para si.

—Vejo que eu mesmo terei de lhe ensinar bons modos, não é mesmo piratinha estúpido? – pronunciou em seu característico tom rouco, em seguida soltando uma leve risada nasalada. Era realmente sério que ele ainda encontrava algo para rir estando naquela situação? Refletiu a raposa durante poucos segundos antes de ser arremessado para alguns metros longe de onde se encontravam, como não havia nenhuma delicadeza presente no ato, suas costas colidiram violentamente com o chão e um alto som de ossos estralando ressonou em seus ouvidos.

Limitou-se a gemer de dor ao invés de deixar escapar o grito que ficara preso em sua garganta, duvidava que houvesse quebrado algo, mas a dor não deixava de ser menos dilacerante por conta disso, o chão gélido ainda não era nem um pouco confortável.

Levantou fracamente as íris, direcionando-as para o ponto de onde havia sido lançado, vendo um novo cenário se formando a sua frente. De repente, balões surgiram por todos os lados de maneira desordenada, um grande palco aparecera mais a frente, junto de varias mesas retangulares que se espalhavam por todo o local, adornadas por toalhas listradas de vermelho e branco, diversos pratos de comida – principalmente pizza — e chapéus de festa postos sobre os mantos gordurosos em sequência.

Ilustrações infantis e desenhos rabiscados de qualquer maneira com o foco nos personagens bem conhecidos pela raposa se penduravam pelas paredes maltratadas e chãos manchados com restos de alimentos, dando um ar um tanto mais meninil, apesar da desordem de pessoas que transitavam em todas as direções possíveis, não parecendo notar sua presença no mínimo chamativa.

Ela reconheceu de imediato o lugar.

Ele estava ali, naquele mesmo restaurante, naquele mesmo local.

Olhou para todas as direções possíveis, comprovando sua tese automaticamente, logo tratou de se levantar, demoradamente devido à dor que invidia seus músculos, mas com algum esforço conseguiu ao final pôr-se de pé.

Com o campo de visão finalmente estabelecido, algo no canto do lugar lhe chamou atenção.

Novembro de 1995, sexta-feira.

Soube a presente época graças a um calendário localizado em um quadro de informações a direta do salão, este que informava também as regras do lugar, horários de funcionamento, cardápios, atrações entre outros.

Aquela data não lhe era estranha, tinha impressão de que se tratava de algo importante, mas, o que poderia ser? Ele não se lembrava de nada desde o acidente que resultara tanto na sua morte quanto a de seus companheiros, com muito custo se recordava de seu próprio nome.

Teorizou que devesse ao menos tentar buscar a origem daquela sensação de desconforto, porém ao pensar bem sobre a questão, concluiu que era preferível não fazer esforço mental por hora para se relembrar de algo do tipo, a dor de cabeça que o deixava ligeiramente leigo já era o suficiente.

Esqueceu-se então dos códigos a pouco vistos e se concentrou em outros artigos destacados nos cartazes chamativos. Quatro nomes em especifico lhe chamaram atenção: Freddy, Chica.... e Bonnie. Eram as atrações principais segundo os títulos exagerados.

Também havia um espetáculo extra e muito aclamado pelo tópico em questão, se tratava do show: ´Famoso raposo Foxy! O pirata da perna de ferro!´ dizia o artigo.

Suspirou tristemente, pelo menos naquela época ele tinha algum reconhecimento.

Uma sensação incomoda lhe invadiu ao fazer a leitura das denominações sugestivas, sentia que algo não estava certo, que algo estivesse fora de seu lugar.

Aquilo não estava correto.... estava?

Buscou então com o olhar localizar as figuras mencionadas, porém suas íris douradas pousaram surpresas sobre outra cena muito mais agradável.

Havia duas crianças de mãos dadas próximas a uma das dezenas de mesas do lugar, ambas girando em círculos incontáveis vezes, as pequenas palmas sendo envolvidas com suas respectivas correspondentes do corpo alheio de maneira delicada e acolhedora apesar do presente aperto entre ambas para sustentarem o peso um do outro enquanto rodavam divertidamente.

As madeixas ruivas e arroxeadas voavam junto do vento produzido pelo movimento rápido dos corpos, dando um charme a mais para as feições infantis já encantadoras, no momento estando com os olhos fechados e uma risada alegre em puro contentamento soando pelos pequenos lábios pueris.

Foxy sentiu um sentimento extremamente reconfortante lhe invadir com aquela visão, suas mãos começaram a estremecer sem motivo aparente, flashes rápidos do rosto do pequeno garoto de cabelos roxos – um tanto incomuns — daquele mesmo momento sendo repassados em sua mente de maneira repentina, como se o pirata assumisse o lugar do companheiro de madeixas de fogo do arroxeado.

Ao analisar melhor, conseguira avistar uma tiara de orelhas de raposa vermelhas na cabeça do garoto mais largado e ainda uma do mesmo gênero, porém de coelho púrpuras na cabeça do outro menino. Admirou-se com tal detalhe, tamanha coincidência que lhe veio à mente naquele momento.

´´Será que...?´´

Não houve tempo para completar seu pensamento, já que um dos garotos se desiquilibrara de repente, o parceiro ruivo em tentativa de lhe segurar acabou levando a si mesmo junto na queda em direção ao chão de ladrilhos pretos e brancos, ao tombarem no piso desconfortavelmente frio um caindo por cima do outro, encaixando-se ambos perfeitamente.

O menor levantou o rosto de cima do peito do de íris douradas, aonde sua face havia sido depositada, a seguir exibindo uma expressão levemente dolorida e um fraco gemido de dor escapando de sua boca em consequência do choque com o corpo alheio, o companheiro fazendo movimentos semelhantes em seguida.

Devido à proximidade dos rostos, os olhares se cruzaram quase que no mesmo instante, o ouro reluzente em contraste com os rubis brilhantes em puro deleite criavam um hipnotismo impossível de se desvencilhar e um magnetismo inexplicável, fazendo as faces corarem constrangidas e a aproximação extra ser inevitável. Sentiam-se atraídos de certa maneira e ambos sabiam disso, não havia o que negar, mas talvez não soubessem da gravidade de sua relação graças à idade privilegiada que lhes privavam de terem certos conceitos formados.

Em um ato impensado o pequeno ruivo depositara um selinho demorado naqueles tentadores lábios cor de mel, desenhando a seguir um semblante surpreso no rosto do outro que lhe doou o olhar admirado com sua ação.

Ao se separarem, depois de alguns segundos repentinamente começaram a rir, envergonhados e ao mesmo tempo felizes com o resultado a que chegara a brincadeira favorita deles.

—Hum...me desculpe por cair em cima de você Alex...eu sou um desastrado – coçou a nunca com um dos braços, um tanto constrangido pelo acidente anterior provocado por si, uma leve risada ainda soando junto de seu sorriso.

—Não, tudo bem Brian, eu que não devia ter te puxado e me levado junto, desculpe também – respondeu ao comentário do arroxeado, se sentindo igualmente culpado pela queda de ambos.

Enquanto os dois conversavam e riam estando ainda na mesma posição, esperando que alguém lhes chama-se atenção, mil coisas passavam pela mente de Foxy, o olhar perdido na dupla de amigos de longa data, recordações preciosas e lembranças nostálgicas lhe voltando em forma de flashes em grande quantidade, não restava dúvida...

´´Alex... ´´

´´Brian... ´´

´´Somos nós não...?´´

A emoção que lhe transpassou a expressão fora comovente, um sorriso de felicidade surgiu em destaque em suas feições, um turbilhão de sentimentos brigavam dentro de si para assumir o controle naquele momento, a gratidão, o contentamento, a saudade, e... o amor.

Começou a rir gostosamente de si próprio pelo raciocínio, fora sempre tão claro, tão nítido quanto o brilho presente no olhar daqueles dois quando se encontravam, tão lógico que agora duvidava seriamente do seu sentido de percepção por não ter notado antes, tão puro quando o selinho que ambos trocaram quando pequenos.

Tão... natural.

Por que ele não se lembrara antes? Como pudera esquecer-se de algo de tamanha relevância?

Sentiu uma lágrima cortar sua face livremente, como se esta acariciasse sua corada expressão em um ato de acalento suave, permitindo a pobre raposa extravasar ao menos uma pequena fração dos sentimentos que lhe preenchiam carinhosamente, sentia-se como se pudesse explodir a qualquer momento.

A quantidade de água salgada que transcorreu por seu rosto mesmo que fosse incomensurável, ainda não seria capaz de lhe satisfazer o intimo necessitado, era como se a lamentação de outrora fosse substituída nem que pouquissimamente por uma sensação de prazer e satisfação sentimental, sentia-se grato a Bonnie por lhe proporcionar aquelas lembranças tão memoráveis, que ele um dia fora capaz de esquecer-se, e que agora se amaldiçoava profundamente por isso.

Ambos tomando sorvete na praça no final de semana, ambos discutindo sobre qual super-herói ficcional era o mais poderoso, ambos assistindo um filme de terror escondidos por se acharem grandes o suficiente para tal, mas ao final terminando abraçados com medo em cima do sofá achando estarem protegidos pelo cobertor do ruivo, ambos brincando em todas as atrações do parque de diversões, mas lamentando por não poderem ir à maior montanha-russa do lugar pela restrição de idade, ambos jogando bola nos campinhos de gramado verde de seus bairros quando conseguiam fugir escondidos de casa apenas para se encontrarem, ambos rindo da superioridade com a qual Frederick agia por vezes, e depois recebendo sermões do mesmo porque sempre faziam coisas erradas e depois ficavam de castigo, fazendo piadas que só eles entendiam junto de Amy, fazendo castelos de cartas junto do tímido Lance, jogando conversa fora sentados na calçada em frente a casa de Brian enquanto contavam quantos fuscas passavam por sua rua.

Ambos dividindo o primeiro beijo, aquela com certeza era a lembrança mais nítida agora, Foxy podia não se recordar de tudo, mas só o que já recuperara lhe confortava imensamente.

Sentia-se feliz por recordar o nome dos amigos, finalmente entendera a sensação de incomodo que o atingiu ao fazer a leitura das suas atuais denominações.

Levou os dois pulsos ao próprio rosto, secando com as mangas do extenso casaco as lágrimas que ainda teimavam em escorrer por sua face. Duvidava que sua figura fosse visível para as outras pessoas presentes no local, mas de nada custava-lhe enxugar as pérolas lacrimosas.

Continuou a observar a adorável cena, ansiando para ver o desenrolar de fatos atingir o seu ápice, para poder gravar em sua memória novamente aquele momento nostálgico e mágico de seu curto período de vida.

—Acho melhor levantarmos não? – indagou calmamente o menor, ainda estando um tanto constrangido pelo momento anterior.

— Sim, também acho – respondeu calmamente, ainda observando as feições cálidas do garoto acima de si com um brilho extra no olhar.

Apoiou os braços nos dois lados do corpo do maior, com certa vagareza logo conseguindo se colocar de pé, porém ao ver a preguiça claramente estampada na face do ruivo suspirando por um momento, em desaprovação as ações deste e em seguida desistindo de esperar-lhe a boa vontade aparecer e estendendo a mão para o mesmo, oferecendo ajuda para este se levantar.

—Vamos? – perguntou sem muita cerimônia.

Permitiu um sorriso mínimo brotar-lhe nos lábios, não tinha a menor necessidade de o arroxeado fazer aquilo, porém mesmo assim ele o fazia.

Às vezes lhe era incompreensível à maneira com a qual o menor agia, sempre lhe protegendo e amparando frequentemente mesmo que não houvesse extrema indispensabilidade, porém, não poderia contestar esse fato com tanta ênfase quanto queria já que de qualquer maneira também o fazia, às vezes de maneira próxima a involuntariedade. Era algo natural, inconsciente, um hábito e costume ditos como mantras na relação entre ambos.

Mesmo que não percebessem, eram emocionalmente dependentes um do outro.

Boa parte de sua curta e apreciável vida, o garoto arroxeado definia como sendo os diversos momentos que tivera com o ruivo, a incomensurável solidariedade e a presença reconfortante e constante do amigo de longa data sendo como um porto seguro, um refúgio para escapar das suas preocupações e problemas infantis e onde especialmente expressava abertamente o seu drama meninil. Um ombro companheiro para se afundar em lágrimas nos momentos difíceis era uma definição fracionária do tamanho da recíproca dependência e carência que girava em torno de ambos. O mesmo tanto valia para o de íris douradas.

Não era uma relação abusiva, era algo puro, único, totalmente inexplicável, uma conexão belíssima que se vê somente uma vez na vida. Não se tratava de um simplório e inverdadeiro romance de amantes derivado de um filme clichê que explora somente o ponto de vista agradável aos olhos e que não aborda as brigas ou os conflitos, pois estes são na verdade inexistentes em verdadeiras paixões.

Não, aquilo era real em todos os sentidos, havia sim os momentos em que se desentediam, que brigavam, discutiam, discordavam, saiam até mesmo no tapa, sobressaiam-se e deixavam às emoções rancorosas a flor da pele, magoando o amigo tão querido, mas no segundo seguinte já estavam se desculpando quantas vezes fossem possíveis e se abraçando independente das ações ou palavras ditas ou feitas anteriormente, era algo que sobrevivia ao tempo, que ultrapassava as fronteiras da compreensão mundana e primitiva do ser humano com relação ao amor.

Algo que eles nunca perceberam, mas estava sempre presente ali.

Aceitou a oferecida mão amiga e com o apoio auxiliar rapidamente se pôs de pé, porém um efeito estranho surtira do exemplo ambíguo de tato com a pele alheia, uma última troca de olhares tremeluzentes sendo feita e um leve rubor fluindo pelas bochechas pálidas e bronzeadas ao sentirem o calor que emanava de suas mãos unidas, apreciando ambos durante alguns segundos o aperto gentil e a sensação incrível de segurança que era gerada a partir daquele toque.

Separaram as palmas lentamente, como que receosos em quebrar o contato delicado, um silêncio desconfortavelmente constrangedor pairando no ar após a cena incomum. Olharam-se novamente e de repente desataram a rir, percebendo o quão abobados estavam sendo ultimamente, era apenas mais um pequeno toque corporal, certo? Não tinha porque ficarem daquela maneira.

Uma música diferente começou a soar ao fundo, as atenções foram atraídas para um ponto mais alto do local, o palco.

As franjas de tecidos avermelhados foram abertas, revelando as figuras que se escondiam por detrás destas, os distintos olhares infantis e pueris se iluminando com a visão de seus ídolos favoritos tão próximos deles.

—Vamos Brian, o show a sério vai começar agora! – chamou o ruivo em tom de euforia, alertando o amigo sobre o presente evento, os pequeninos caninos proeminentes que possuía sendo expostos de leve ao sorrir enérgico, uma dose de adrenalina percorrendo seu diminuto corpo pela ansiedade em que se encontrava, mal podia esperar para visualizar pessoalmente os tão falados mascotes da Freddy´s Fazbear Pizzaria.

Logo em seguida tomou o pulso do mais novo com uma das mãos e praticamente o arrastou junto de si, se não se apressassem poderiam perder lugar mais afrente do palco.

Correram afoitos, praticamente tropeçando nos próprio pés desajeitadamente, mas por sorte ao final caindo ambos ajoelhados precisamente onde o de íris douradas desejava se sentar.

Uma expressão de raiva transpassou o rosto do menor que olhou indignado para a pequena criança fantasiada de raposa pirata, que havia lhe puxado daquela maneira tão brusca, este ao perceber a feição que se formara na face do arroxeado deixando escapar uma leve risada abafada, que fez com que o amigo inflasse as bochechas, ainda mais encolerizado com a reação do companheiro, a ação apenas provocando mais risadas no de íris douradas. Brian podia não perceber, mas aquilo na visão de Alex só o tornava mais fofo.

A cena transcorreu-se desta maneira tranquilamente até ambos sentirem dois braços finos, porém fortes apertando seus pescoços sem delicadeza alguma, privando-os do ar e em seguida uma voz feminina soando ao meio deles:

—Onde vocês estavam seus idiotas? – indagou a garota aparentando calma, mas o olhar praticamente soltando faíscas enfurecidas contra os dois moleques impudores que ousavam lhe deixar esperando pelos mesmos quase uma hora sem ter nem uma noção de onde estariam – eu andei junto com o Frederick por todo quanto é canto e não achei vocês seus imprestáveis... – encerrou ainda com uma tranquilidade apenas aparente, no fundo desejava os esganar se pudesse.

´´Chica?´´ indagou-se o ruivo mais afastado ao reconhecer as feições da menina.

— M-mas o que?... Amy? E-estávamos perto da m-eesa... que semp-pre nos s-sentamos lemb-bra? – respondeu o ruivo arrastado e com uma dificuldade extrema de respirar, uma coloração arroxeada já tomando conta de seu rosto, devido à urgente necessidade de seus pulmões receberem oxigênio, o desespero dominando-lhe lentamente.

—Ah?! Vocês estavam lá o tempo todo?! Eu não achei que fossem ficar em um lugar tão óbvio, droga! Vocês sempre se escondem muito bem de nós! – respondeu impacientando-se a loira, enfurecida por não ter pensado naquela hipótese antes, parecia-lhe tão evidente agora.

Ao olhar novamente para os dois garotos julgou que estava mantendo aquele aperto em volta da traqueia de ambos a tempo o suficiente, então rapidamente os soltou de seus braços, os companheiros tossindo e puxando o ar de maneira aflita ao serem desvencilhados dos membros da garota, gerando uma cena até mesmo cômica e um riso por parte de certo telespectador pirata ao fundo, que assistia a tudo divertido com as ações dos pequenos.

—Não... não precisava exagerar – destacou o ruivo vagarosamente, ainda recuperando o fôlego enquanto dedilhava uma das mãos em seu pescoço agora um tanto dolorido.

—Verdade- concordou Brian, efetuando reações semelhantes.

—Vocês mereceram – acusou a loira, achando estar certa em lhes punir.

—Eu sei que nós dois somos uma dupla imbatível no esconde-esconde – sorriu cínico após o comentário nem um pouco egocêntrico – mas, garanto que dessa vez você nos encontraria facilmente se não estivesse tão ocupada seguindo Lance e Frederick para todos os lados, não? – indagou o ruivo em tom de escárnio para a garota trajada de roupas infantis com padrões em amarelo e laranja dos anos 80.

´´Cruel´´ pensou o arroxeado.

—Se é Frederick quem toma conta de Lance, então quem toma conta dele mesmo? Eu logicamente! E é claro que eu estou seguindo eles! Até porque não quero me perder aqui, se vocês ainda não perceberam tem mais pessoas aqui dentro que o normal, está muito cheio, eu tentei procurar vocês nos seus ´´esconderijos perfeitos´´ mas é claro que vocês não iam dar as caras tão cedo! – respondeu apropriadamente a garota às acusações do ruivo, fazendo movimentos exagerados e gesticulando nervosamente em excessos de drama, modificando o tom de voz em dados momentos para soar mais sarcástica e realizando um movimento de ´´aspas´´ com as mãos ao pronunciar o apelido que a dupla dava aos seus cômodos preferidos de se esconderem, para estes totalmente infalíveis se tratando da brincadeira mencionada anteriormente pela pequena criança possuidora de um tapa-olho médico sobre o globo ocular esquerdo em consequência de uma cirurgia de risco realizada após seu nascimento.

Antes mesmo de Alex conseguir prosseguir discutindo sobre aquele tema supérfluo, um timbre robótico cortou sua voz infantil repentinamente, timbre este que apesar de ser incrivelmente grave, tentava soar ao máximo possível amigável e obtido sucesso nisso, atraia automaticamente os olhares infantes presentes no local para si, as dezenas de crianças reconhecendo o interlocutor da voz mecânica.

—Olá crianças! Vocês estão prontas para o Freddy? – indagou o animatrônico entusiasmado, seu tom repercutindo por todo o salão graças ao microfone em suas mãos.

Os três amigos dirigiram-se para a figura engravatada e superficialmente alegre rapidamente, esquecendo-se todos do assunto antes tratado e se concentrando no humanoide com orelhas de urso a sua frente, a garota abrindo certo espaço entre os dois meninos e se sentando ansiosa entre estes de joelhos, doando as íris púrpuras e reluzentes à banda acima daquele palco.

Foxy sentiu sua espinha gelar em um espasmo súbito, olhou para as futuras formas de seus companheiros, certamente incomodado, não havia vida alguma em nenhum deles, isso qualquer um distinguia facilmente, porém para si que estava acostumado com o inolvidável fulgor reluzente existente atualmente e somente no único lugar o qual era visível o luzeiro de suas almas machucadas –os olhos — em consequência do ódio de outra pessoa, aquela visão lhe soava intensamente angustiante, chegando a lhe provocar sensações de aversão arrepiantes.

Observou a algazarra de pequenos seres que se estabelecera por todo o salão com um ar de preocupação, como poderiam admirar e apreciar a presença daquela máquina sem vida com tanta espontaneidade?

Ele realmente um dia gostou destes como os outros quando ainda possuía seu corpo carnal?

De repente avistou duas crianças cortando caminho dentre as outras em um ato que demonstrara uma esperteza que se sobressaia a do resto por parte do garoto que ditava os passos. Caminhavam ambos por um canto mais afastado do centro do salão, precisamente por onde ninguém arriscava se direcionar, pois apesar de ser mais livre também era a travessia de um lado para o outro mais longa, não que o lugar fosse muito grande, mas, também nenhuma das mentes imaturas se dava ao trabalho de raciocinar antes de se jogar alvoroçado o mais rápido possível próximo do palco quando se iniciava uma apresentação.

Vislumbrou curioso a figura diminuta e curvada de olhar tímido e acanhado que havia sentada sobre os acolhedores ombros do garoto moreno de feições sérias, este que apesar de emitir uma aura de sisudez, esboçava uma expressão de leve contentamento, possivelmente pelo presente show das atrações do local.

As íris azuladas e desanimadas do pequeno loiro gracioso lembravam-lhe vagamente o mar em um dia de calmaria, as águas cristalinas colidindo contra a costa rochosa enquanto a brisa marítima provoca-lhe sensações de deleite por todo o corpo.

Já fora a praia alguma vez na vida? Indagou-se distraidamente, vagando em pensamentos desconexos com relação às possíveis experiências que tivera em seu corpo infantil.

Observou intrigado a dupla que aparentava possuir laços de sangue pela grande semelhança em termos de características físicas que havia entre eles, estes se aproximando do trio de amigos anteriormente mencionados com certa tranquilidade, não aparentando pressa em nenhum momento, contrastando ineditamente com todos os outros presentes no local, e isso incluía Amy, Alex e Brian.

—Perdemos alguma coisa? – indagou superficialmente alegre o moreno ao estarem suficientemente perto dos outros companheiros inseparáveis.

Assim que a voz conhecida atingira seus ouvidos a pequena loira rapidamente se virou na direção a qual soara o timbre neutro.

—Uh?...Frederick? ! – mais afirmou do que indagou a única garota do grupo – Eh?...você.. .conseguiu trazer Lance? Como o convenceu? – perguntou impressionada a garota ao perceber a presença de certa criatura silenciosa sobre os ombros de sua própria cópia mais velha, as madeixas do pequeno ser sendo de uma coloração semelhante a sua, porém um tanto mais esverdeadas.

— Uh? Ah...então aquele deve ser Freddy... e o outro.... — cessou a frase com certo pesar antes de completá-la, o pirata não ousando tocar no nome daquele a quem o urso moreno sempre dedicara mais carinho e atenção.

Brian e Alex apenas observavam o pequeno dialogo que se iniciara entre o moreno e a única menina da turma em silêncio, apreciando ambos a canção que soava pelos instrumentos, vocais ou não dos animatrônicos acima deles.

— Eu apenas conversei com ele, tudo bem que ele nunca gostou muito daqui, mas isso não é motivo para ele ficar todo o tempo escondido em algum canto diferente – respondeu calmamente, dando ênfase ao fato de o seu pequeno semelhante ser tão introvertido quando se tratava de socialização em público – especialmente nessa data – comentou distraidamente, um leve curvar de lábios surgindo em seu rosto cálido.

—Hum...entendi, bom...enquanto você o ajudava, eu finalmente achei essas pestes! – apontou com uma das mãos para os dois garotos desinteressados no assunto que discursava, em seguida suspirando – acredita que estavam o tempo todo perto da mesa onde nos sentamos? – explicou ao amigo, se perguntando seriamente porque tinha de ter complicado tanto uma questão tão absurdamente simples, ela só precisava ter passado pelo salão e os veria facilmente – eu quem fui boba em não procurar eles por lá – encerrou com uma expressão já um tanto mais radiante, não gostava de porta-se como alguém estressada e carrancuda, porém às vezes o fazia sem perceber e isso lhe prejudicava o intimo, nem que levemente.

—Típico... — conclui o garoto com suavidade, enquanto retirava seu diminuto irmão de seus ombros, o colocando próximo a seus pés com cuidado, ouvindo resmungos a seguir por parte deste por ter sido removido de sua posição de descanso – bem, já que estamos todos reunidos vamos apenas nos divertir, não? Afinal, acredito que foi para isso que viemos – esclareceu tento a certeza da resposta que receberia, o semblante que raras vezes se libertava da seriedade costumeira abrindo espaço para um sorriso passivo e calmo, em intenção de doar alguma dose de tranquilidade para o seu pequenino, porém tão inquieto parente que o envolvia com seus braços esguios.

Agradar-lhe-ia tanto vê-lo feliz naquele dia, sentia-se culpado pelo loiro não expressar nenhum ânimo justamente naquela data, daria qualquer coisa naquele momento para lhe transmitir a sua própria segurança.

—Uh...- deixou escapar um leve murmúrio involuntário pelos lábios ao perceber o aparente contentamento do moreno, ele realmente havia feito um comentário otimista? Ao apreender que aquilo era uma novidade estupendamente satisfatória um sorriso de pura amabilidade infantil se esboçou fracamente em seu rosto feminino – claro! Tem razão Frederick! – concordou apressadamente com o garoto, a seguir se sentando no mesmo local o qual o fizera anteriormente, porém desta vez ligeiramente mais distante da dupla de madeixas arroxeadas e ruivas, para assim dar mais espaço para os recém-chegados, em seguida batendo a palma da mão direita a seu próprio lado superficialmente, como que chamando os irmãos para se juntarem a si.

Frederick ao reconhecer o gesto rapidamente fez o que lhe era pedido, levando o seu semelhante desanimado junto consigo, o colando em seu colo cuidadosamente, afagando carinhosamente a seguir os cabelos loiros da criatura estranhamente sonolenta apesar da movimentação absurda e extremamente incomum do lugar, o mais velho voltando sua atenção para o palco depois de dirigir um último olhar agradecido a Amy.

Brian e Alex não indagaram nada aos dois irmãos sobre o local desconhecido ao qual se encontravam anteriormente, ouviram o suficiente através da conversa de certa loira e certo moreno, então resolveram apenas se manterem silenciosos enquanto assistiam ao show entusiasmados.

Bonnie, qual s-será n-no-nossa próxima música? – indagou a voz animatrônica dominante do grupo ao companheiro de banda, sua caixa vocal falhando durante a pronúncia de certas palavras por conta dos reparos e manutenções em seu sistema serem extremamente raros, deixando-o a deriva de problemas em diversos locais de seu endoesqueleto.

Uhum... já sei Fr-reddy! Que tal ´´meu amigo robô´´?- respondeu com outra pergunta o androide de forma humana com orelhas de coelho roxas após ponderar um pouco, sugerindo simultaneamente a seguinte canção a ser tocada no dia, sua voz tendo uma leve ruptura pelo mesmo motivo que a do urso falhara anteriormente.

Grande ideia-a Bonnie! – concordou prontamente, exibindo habilmente a exultação artificial a qual era programado a encenar.

O diálogo robótico rápido se encerrou em seguida, uma pequena repercussão se iniciando entre a guitarra bem afinada do coelho e da bateria que naqueles tempos Chica possuía, esta sendo removida mais tarde pela falta de reparos que a fizeram obrigatoriamente ceder aos maus-tratos dos longos anos de uso.

A voz do engravatado soou através do microfone, fazendo seu timbre rouco repercutir por todo o salão, enquanto o número incomum de crianças começavam a dançar e cantar desafinadamente juntas de Freddy por todos os cantos, ao mesmo tempo praticando as brincadeiras mais variadas e clássicas possíveis, quando não estavam ingerindo um lanche qualquer do cardápio limitado do estabelecimento.

—Você quer ser meu amigo robô...? – cantarolou distraidamente Alex, enquanto seus olhos mantinham-se cerrados e uma de suas pequeninas mãos batia contra o chão no mesmo ritmo da canção alegre.

—Poderemos girar e dançar quando quisermos... – continuou em estado semelhante o garoto arroxeado, acompanhando o amigo na citação da doce música.

—E nunca vamos nos cansar... – prosseguiu o ruivo, contente em ser capaz de seduzir o de íris rubis as suas propostas indiretas, era tão reconfortante poder ouvir a voz suave e gentil do companheiro soando como em uma cantiga aos seus ouvidos.

—Basta me dar a sua mão... – a garota loira entrara no coro repentinamente, mexendo a cabeça levemente para cima e para baixo no ritmo da bateria célere.

—Que eu irei lhe mostrar um mundo novo – um tanto mais harmonizado, entonou juntamente com o timbre do animatrônico vocalista a voz solene do moreno ao lado de Amy, este se encontrando com as íris azuladas semicerradas, perdido em seu próprio mundo interior.

—Onde não existem problemas...! – aumentando o volume do cantarolar de acordo com as limitações da melodia, o ruivo prosseguia entusiasmado.

—Ou maldades... – completou tentando soar mais afinado o de madeixas púrpuras, pensando sobre o que o compositor da canção estaria mentalizando quando a escreveu.

— Apenas a felicidade! – ao menos seus dois anos de aula de canto serviram de alguma coisa, refletiu entretido, em seguida deixando escapar um leve sorriso pelo pensamento furtivo – confie em mim e feche seus olhos metálicos, esqueça as dificuldades e viaje comigo, eu lhe protegerei como um bom amigo robô... – tomou um pedaço maior do trecho da cantiga para si propositalmente, enquanto mimava o irmão aconchegado em seus braços, procurando animá-lo um pouco, dedilhando os dedos carinhosamente em sua face semiadormecida, ao menos havia o tranquilizado, nem que minimamente com seu tom infantil sutilmente delicado.

—Seremos melhores amigos pra sempre! Viveremos juntos, cada um com seu próprio corpo robótico para dançarmos todos os estilos! – levantou-se a garota eufórica, um sorriso animado estampado abertamente com direito a visão de seus dentes em sua face de feições esculpidas em formas e detalhes delicados, dignos de uma menina criada nos atributos da plena infância clássica, tal qual era – comeremos o que quisermos todas as manhãs! Me diga: o que será melhor? Escalar torres de salgados ou mergulhar em piscinas de doces e balas? – sua voz feminina soou exultante, consequência gerada a partir da alegria que emanava de suas ações e gestos, a garota se aproximando dos dois companheiros a sua frente e os tomando com os braços pelo pescoço novamente, porém desta vez se tratando simplesmente de um singelo abraço de amigos, sem a expressão ambígua de fúria disfarçada por detrás do ato, enquanto a loira cantarolava entusiasmada a canção viciante.

Brian ficara um tanto surpreso com a ação repentina, mas não deixara de esboçar um riso suave pela euforia extrema que se apossava da amiga. Ela era sempre tão divertida, quando não estava irritada claro.

Alex tivera reação semelhante, esquecendo-se imediatamente da discussão anterior e cedendo um sorriso a sua face preenchida por adoráveis sardas, complemento belíssimo da alteração do gene que o tornara ruivo.

E assim o coro desafinado de timbres infantis e ainda mal desenvolvidos entonou sincronizado pelo espaço, sem quaisquer limitações de volume.

—Vamos brincar todos os dias! Girarmos em círculos loucamente pelos cantos de qualquer lugar que quisermos! Viveremos em um castelo onde todo dia é festa...! Serei seu companheiro em todos os momentos meu querido amigo robô! – o trio ditou em tom de melodia exultante a letra derivada de clichês imaturos direcionados ao mesmo público, despertando a segurança para a expressão do canto a aqueles que se intimidavam aos fundos do salão.

Ah, a mocidade juvenil, lhe dava gosto ver os ânimos entusiasmantes que enalteciam aquele estabelecimento com tal infindável júbilo. Era como se a mais pura fantasia reinasse ali, encantando e hipnotizando até os de idade mais madura e avançada possível, dominando e trazendo à tona a personalidade inocente e infantil, escondida secretamente nos íntimos sofredores de adultos apáticos e desesperançosos, despertando emoções prazerosamente reconfortantes e nostálgicas. As vozes dóceis e infantes por mais desafinadas que fossem, conseguiam agradar aos ouvidos mais exigentes, pois carregavam virtuosidades puras, inocentes e límpidas, livres de pecados que eram já posses penduráveis das criaturas maculadas há tempos.

Os curvares de lábios adornavam imensamente o ambiente, dando um ar simplesmente sublime e pueril ao recinto de personalidades retratadas como angelicais pelo credo predominante da nação.

Sim, excepcionalmente agradável ao interior da alma necessitada.

Suspirou sentindo uma intensa e estranha paz lhe dominar a corpulência oscilante, como aquilo lhe doava sensações tão incrivelmente serenas não o sabia, porém agradecia aos céus por ter o direito a apreciá-las daquela maneira tão nobilitante.

A raposa por logicamente já ter decorado a letra daquela canção a anos, limitava-se a melodiar superficialmente as palavras incorporadas de maneira melódica, como num mantra, numa prece decorada incessantemente, um livro relido diversos vezes...

Viu-os levantarem e começarem a realizar movimentos corpóreos de acordo com o ritmo viciante da música, dando passos desajeitados, desconexos e improvisados apressadamente, porém graciosamente divertidos para estes.

De repente Alex tomara as mãos de Brian para si, puxando o garoto e o levanto junto de seu tronco na intensa agitação do salão e eles iniciaram uma cômica e desengonçada valsa icônica executada com passos aleatórios, ambos girando e rodopiando movimentos incógnitos por todo o espaço disponível, fazendo certa loira levar uma das mãos a própria boca em tentativa de abafar a própria risada doce que soara através de seu timbre fino.

´´Eles são tão fofos juntos´´ pensou entretida.

Repentinamente uma ideia lhe veio à mente, fazendo a garota automaticamente doar o olhar de soslaio para certo loiro.

A troca de olhares confirmou o convite.

Enquanto isso Brian já sentia a coloração avermelhada subir por suas bochechas ao ser guiado gentilmente pelo ruivo, a sensação de pudor o fazendo quase não conseguir acompanhar o parceiro devido à insegurança e embaraçamento que o atingira em consequência deste. Estavam a dançar como verdadeiro casal por certo?

Lembrava-se vagamente de certa manhã de domingo onde após acordar, sem ser percebido, observara sua mãe varrendo o chão da casa desanimadamente enquanto assistia a um show de tango na televisão, interessando-se pelo bailar sincronizado que a dupla dançarina realizava o garoto se manteve assistindo-os secretamente junto de sua mãe durante alguns minutos, até o momento que os movimentos incorporados se encerraram majestosamente e sua atenção esvaiu-se para qualquer outro objeto de distração.

Recordava-se perfeitamente das poses e posições da mulher, esta assumindo o seu papel feminino de maneira perspicaz, deixando óbvia a representação de seu gênero na dança que combinava os sexos opostos, equilibrando-os sutilmente.

Mas este não era o ponto que o perturbava e sim o fato de que naquele momento era ele quem incorporava estes movimentos que eram próprios do gênero a que não pertencia, tornando-o quem tomava os passos e atitudes femininos, como: segurar no ombro do parceiro ao invés da cintura deste, ser o mais flexível e quem era levantado ao ar, esvoaçando o vestido que não existia.

Pensar nisso somente o fazia envergonha-se mais a cada segundo.

—Alex! O que está fazendo? – indagou incrédulo, porém não irritadiço, estava apenas desnorteado com a situação presente.

—Ué? Não é óbvio? Dançando com você! – respondeu um tanto irónico, se perguntando por que o companheiro o questionara sobre aquilo a aquela altura, enquanto permanecia o guiando sem hesitação alguma.

Cerrou os olhos fortemente, tamanho o constrangimento que o dominara, a timidez sendo suficiente para que tivesse dificuldade em encarar os rostos alheios que os rodeavam curiosos, os fluídos escarlates sendo predominantes em sua região facial.

Como Alex conseguia prosseguir com aquela dança sem sequer pensar na insinuação romancista que o ato poderia gerar?

—Alex! – chamou a atenção do ruivo com convicção, fazendo-o olhar profundamente em suas íris rubras, um tanto surpreso com o tom usado por si – eu não sou uma mulher! – ditou com firmeza, fazendo clara a questão que o incomodava no momento, Alex não percebia que estava o tratando como um integrante do sexo oposto?

—Uh? – murmurou em dúvida o ruivo ao descer o corpo do parceiro, deixando-o apoiado por seus braços, praticamente deitado rente ao seu tronco um tanto mais robusto que o deste, fazendo automaticamente o seu próprio torso inclinar junto do arroxeado – uma mulher? O que quer dizer Brian? – indagou confuso, encarando fixamente a face ainda corada do garoto, os rostos estando a poucos centímetros de distância, permitindo as respirações compassadas se misturarem tenuemente.

— Não está vendo? Eu estou sendo a garota aqui! – exclamou inconformado, esperando que o de íris douradas entendesse o seu ponto de vista.

—Ah! Você diz a dança? – indagou divertido, finalmente percebendo o que o outro tentava deixar explícito, em consequência disto acabando por rir pelo desconcerto do amigo – e o que isso importa? Eu não te vejo como garota! Eu te vejo como um garoto, assim como eu! Você não precisa se importar com que as outras pessoas vão dizer só por causa da sua posição! – justificou sereno, dando uma lição de moral para o amigo sem sequer perceber, o dialogo se desdobrando enquanto a dupla mantinha a mesma pose descrita anteriormente.

De repente, o olhar do menor se iluminou pura e inexplicavelmente com a resposta recebida, tremeluzindo irregularmente enquanto as íris douradas e escarlates se cruzavam sem conseguirem se desvencilhar uma da outra um só momento, o contato visual sendo o grande foco do momento, este que apesar de não expressar uma só palavra, ainda permitia deixar bastante clara as sensações presentes na ação não verbal.

Como ele sabia ler-lhe os sentimentos tão perfeitamente?

´´Então, éramos íntimos a esse ponto?´´ indagou-se mentalmente, um pequeno riso sendo pronunciado por seu timbre amável em seguida.

—Hey pessoal! Esta foi apenas nossa primeira música! Hehe, agora que já estamos animados é hora de cantarmos o parabéns para o aniversariante do dia! – a voz animatrônica do vocalista anunciou após o término da recente canção, seu timbre robótico sobrepondo-se a euforia geral, quebrando em consequência disto o transe em que se encontravam a dupla de amigos ruivo e arroxeado, que curiosamente se mantinha na mesma posição lasciva, tamanha concentração no olhar alheio que se acometera sobre eles.

—Ah, poxa... justo agora que te peguei pra dançar Lance...- lamentou em tom baixo Amy, enquanto se encontrava de mãos dadas com o loiro, que equivalia a dois terços da sua altura, este esboçando um leve semblante de decepção pela frustação que acabavam de sofrer – Mas, tudo bem! Vamos, agora é hora do parabéns! – seu tom melancólico rapidamente se modificou para um de entusiasmo, a menina puxando o pequeno ser de olhar cerúleo junto consigo para mais perto da mesa onde havia localizado o bolo não muito extravagante em comemoração a festa, os diversos petiscos e as multicoloridas bebidas.

—Ah... acho melhor irmos não? – indagou o menor depois de ter retornado novamente a realidade, percebendo que ele e Alex se encontravam na mesma posição já há tempo excessivo.

—Uh?...Oh...sim, sim! Vamos! Eu quero o primeiro pedaço daquele bolo de qualquer jeito! – ao processar a pergunta do amigo logo desfez a pose corporalmente sugestiva, colocando o garoto arroxeado rapidamente de pé, porém ainda sem separar uma de suas mãos envolta quase completamente por ataduras surradas, da palma aquecida do amigo.

—Acha mesmo que Lance te daria o primeiro pedaço? Ele tem um irmão sabia? – retrucou irônico, jogando-lhe um olhar desafiador de certa forma.

´´O aniversário... é de Lance?´´ sem aparente justificativa as pupilas do pirata se dilataram. Parecia ter se recobrado de algo.

—Eu sou o melhor amigo dele! É claro que ele vai fazer isso – devolveu com tom de escárnio, achando-se o integrante mais importante da turma a que pertenciam, sendo assim o que merecia mais privilégios, mas de uma maneira ou de outra sabia que não iria ter direito a inaugural fatia recheada de chantilly.

—É mentira, porque eu vou ser o primeiro! – exclamou convicto enquanto corria na direção da mesa principal, deixando para trás um confuso Alex olhando em sua direção descrente.

—Ei, ei! Não me deixe pra trás seu sem consideração! – bradou, ao mesmo tempo apressando o passo para alcançar o de íris rubras, julgando-o injusto por tomar à dianteira.

Cada movimento deles parecia-lhe motivo para sentir-se contente, sorrir ou simplesmente rir amavelmente.

Riu gostosamente da reação do ruivo, logo em seguida chegando próximo de Amy, que já se encontrava junto de Frederick em frente ao espaço dos doces, o pequeno loiro do grupo já estando no colo de sua contente mãe, que o mimava com os braços ternamente enquanto este esboçava um leve sorriso de contentamento.

Diversos grupos de crianças estavam dispersos em desarmonia pelo salão, prontos para iniciar o coro da clássica música a qualquer momento, uns mais agitados do que outros, ansiosos para degustarem dos elementos açucarados das mesas medianamente decoradas.

Ao alcançar o arroxeado, logo tocou em um de seus ombros, chamando sua atenção de repente.

—Sério que você me deixou pra trás? – indagou incrédulo, o olhar dourado minimamente cerrado.

—Sério – respondeu simples, uma onda de sensações fogosas lhe fluindo pelo corpo em consequência dos ímpetos de risada que lhe provocavam a expressão um tanto carrancuda do amigo, enquanto colocava a língua pra fora num ato bobo, divertido com a brincadeira.

Quando estava pronto para descontar um soco brandamente forte no ombro do outro, puramente por vingança, a garota ao lado clamou impaciente.

—Já deu vocês aí! Freddy está chegando! – alertou entusiasmada, vislumbrando os passos metálicos um tanto lentos do robô humanoide.

—Uh? – murmuraram em uníssono ruivo e arroxeado.

Desviaram os rostos para a direção a qual todos doavam o olhar, vendo logo que o vocalista com orelhas de urso já se aproximava deles com um semblante alegre expresso na face pálida.

As orelhas do raposo ao fundo moveram-se rapidamente, detectando a direção da onde haviam sido emitidos os passos que possuíam um impacto diferente contra o chão, consequentemente despertando certa curiosidade no ruivo, porém, este sequer conseguindo visualizar o ser que buscava pela grande quantidade de pessoas que tampavam sua visão.

Vamos lá pessoal! Comigo! Parabéns pra você! Nessa data querida! – iniciou comprazido, esperando ser acompanhado pela legião de seres infantes de todas as idades.

Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Parabéns pra você! Nessa data querida!

Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

O público composto principalmente de vozes desafinadas cantava em coro, todos ou grande maioria ainda exibindo uma faceta entretida ao acompanharem uns aos outros na cantiga jubilosa. A presença não visível, sem opções também fazendo o mesmo, completamente divertido.

Pique é pique é pique

É pique é pique!

Ra- ti-bum Lance! Lance! Lance! Lance!

Inclinara-se somente o suficiente para alcançar as cinco diminutas velas, em seguida soprando-as gentilmente e cessando as chamas insignificantes rapidamente, aplausos entusiasmados repercutindo pelo salão ao término do ato.

Acompanhara o aglomerado de pessoas na canção calorosa somente o suficiente para não fazer desfeita com seu irmão mais novo — o qual apesar de não esboçar completamente um curvar de lábios, ainda permitia com que sua felicidade e satisfação fossem facilmente reconhecíveis — pois sua atenção havia se desviado para outro fator motivo de muito mais estranheza no momento.

O moreno analisou discretamente com as íris anis curiosas, a imagem do vocalista robótico extremamente sorridente.

Em um ímpeto inexplicável suas pálpebras semicerraram-se e seu cenho franziu debilmente, certa desconfiança e pressentimento negativo preencheram lhe o âmago sem dó, diligente como era Frederick tentou em seguida visualizar melhor a figura do humanoide parte urso ao longe.

Súbita, uma dúvida veio-lhe a mente.

Desde quando Freddy passara a ter cores tão desbotadas em suas roupas? Na verdade, quando seu cabelo se tornara loiro e suas feições ainda mais pálidas e desgastadas? Como não percebera antes a mudança de tom na famosa gravata borboleta e a pequena cartola envolta por simples fita, estereótipos que todos possuíam como referência para o reconhecimento do personagem?

Algo estava errado.

Silenciou-se para obter maior concentração, porém nenhuma explicação lógica que incluísse o fato de ser passível fisicamente de reprodução tal rapidez de mudança nas colorações do vestuário do agora loiro animatrônico lhe ocorria à cabeça, restou-lhe apenas segui-lo com o olhar arrebatado e temeroso de certa forma, sem saber o porquê daquele sentimento totalmente inconveniente ao momento estar rondando-lhe e ser previsto de maneira incessante por seus instintos infalíveis.

Por que diabos ninguém reparava naquele nem um pouco discreto detalhe?

Lance remexeu-se inquieto, percebendo a mirada longa do seu próprio semelhante para com certo robô trajado de customizado paletó, resolveu observar mais atento, ignorando momentaneamente os pedidos de outras crianças para serem as primeiras a experimentarem o aparentemente delicioso bolo de aniversário.

O garoto pudera finalmente perceber a mudança drástica.

Uma expressão receosa e perplexa assolou sua face alva, sua mente infantil se confundia e se metia a frangalhos tentando entender a situação, enquanto a criatura certamente desconhecida se aproximava de si com o típico sorriso largamente aberto e amigável que deveria pertencer a Freddy, pelo menos ao verdadeiro Freddy. Fingiu não reparar na modificação e se limitou a vislumbrá-lo acanhado.

Olá belo garotinho! Hehe... está gostando da festa? Aliás, feliz aniversário! –exclamou esbanjando felicidade, a figura passando a ser um tanto sinistra sob o olhar fantasioso e imaginativo do pequeno, a tal contraparte quase perfeita do urso moreno dirigindo-se para a criança aniversariante ameaçadoramente próximo, o fazendo recolher-se mais ao colo de sua própria mãe, possuidora de semblante afável, que o embalava calmamente procurando confortá-lo da melhor maneira possível.

Não era só pelas cores, não era apenas pelo tom de voz, não era somente pelas roupas ou o microfone notavelmente mais antigo do que o que deveria lhe pertencer, quanto muito menos pela personalidade transtornada e o comportamento diferenciado.

O que lhe causava verdadeiros arrepios e lhe provocava arroubos e vertigens súbitos simplesmente inconcebíveis, eram aquelas duas joias arroxeadas conturbadas fixas em si, escondidas secretamente sob os globos oculares do misterioso animatrônico dourado.

Notas finais
Se for de seu agrado deixe um comentário, me apreciaria muito lê-lo. Eu também gostaria que vocês dissessem se este tipo de escrita que eu utilizo está bom ou está muito maçante para vocês, porque eu estou muito insegura com ele agora ;-; fico me perguntando se eu exagero muito. Sério eu realmente gostaria que vocês comentassem ;-; me sinto um tanto desanimada em postar nesse site. Obrigada a todos que leram até aqui e desculpe novamente. Críticas, sugestões, ataques contra mim e tudo o mais nos comentários. Não tenho um prazo de quando o próximo sairá, mas eu espero que não demore tanto quanto esse. Sorry povão ;-; Um aviso: será tenso hehehe. Ah, pra quem não entendeu em que ordem cronológica se passa esse capítulo, isso será esclarecido no próximo, ok? Dúvidas nos comentários. Até o próximo capítulo monas e monos! Bye~