Ainda estou frágil por causa de tudo que aconteceu mas eu sei que vou me recuperar porque preciso ser forte para eles. Adrian e Rosalie precisam de mim e agora não posso abandoná-los.

Depois que papai morreu naquele atentado terrorista as coisas nunca mais foram as mesmas, apesar de tudo ter ocorrido há alguns meses atrás parece que ainda está acontecendo. O telefone não para de tocar e em seguida a notícia que abalou a todos é informada. Papai morreu.

Antes, quando ele era vivo, tudo era mais fácil. Ser feliz era tão fácil quanto respirar, era uma coisa natural. Agora, tudo que nos restou foi as lembranças daquela época boa...

Atualmente, mamãe, vive para o trabalho e quando ela não está resolvendo nada relacionado à ele, ela se tranca no quarto e fica lá por horas até que o trabalho a chame de volta. Não reconheço mais meu irmão, antes ele era um jovem feliz, animado e muito criativo, agora, ele vive na noite e só aparece em casa para dormir. Quando o vejo acho que é um estranho. Ele mais parece um zumbi que meu irmão. Rosalie foi a que conviveu menos com papai mas assim como todos nós ela o amava. Depois de sua morte ela nunca mais foi a mesma, para falar a verdade ninguém nunca mais foi o mesmo, ela agora vive uma vida superficial e cheia de futilidade, quem diria que alguém que sonha em ser esposa de um ricaço já desejou ser uma juíza de respeito ?

Hoje, exatos 7 meses da morte de papai, é o primeiro dia de aula após as férias do meio de ano, não sei muito bem o que me aguarda porque assim como meus irmãos, eu era outra pessoa. Agora não ligo pra como anda minha vida e estou indo pra escola porque dizem que tenho que seguir em frente mas não é isso que queria.

Há 7 meses atrás eu fazia parte dos 6 que são os alunos mais populares do colégio mas depois do que aconteceu me distancie de todos e os telefonemas, as mensagens e os e-mails foram sumindo aos poucos até que hoje não restou mais nenhum. Não os culpo por isso mas acredito que se fosse ao contrário eu não teria desistido de um amigo. Será que éramos amigos? Até o Jesse desistiu de mim e agora ele tem sua vida ao lado da sua namorada Sarah. Apesar do Jesse e eu namorarmos nosso relacionamento não teve um fim, embora, esteja claro para todos que nós terminamos. Eu não tenho raiva e tampouco guardo mágoas dele mas acho que seria mais honrado se ele tivesse terminado comigo até mesmo por mensagem, mas, eu quero o bem dele, se a Sarah, com H no final, o faz feliz então está ótimo.

Enquanto saio de casa me despeso da minha mãe com um beijo e um longo abraço. Faz tempo que não demonstro o meu amor por ela mas acho que o medo de voltar a viver me fez querer colo e segurança. Antigamente era papai que me leva para escola e agora, não sei bem como vai ser. Adrian tem uma moto mas é bem difícil encontrá-lo acordado as 8hrs da manhã e Rosalie ainda é uma criança. Por isso decidi ir andando, apesar de ser um longa caminhada, vai me fazer bem respirar ar puro, levando em conta que nos últimos meses só fiquei trancada dentro de casa.

Primeiro dia e já vou chegar atrasada — pensei.

– Oi!

–Ãn.. Quem é você? — Perguntei um tanto nervosa.

– Meu nome é Victor e moro em frente a sua casa.

– O que aconteceu com o Walter?

– Ele se mudou faz uns 4 meses.

– Ahh,,,

– Você não vai me dizer seu nome ? — Ele perguntou.

– Me chamo Annabela.

–Oi, Ann. Tá indo pra escola?

– Sim.

–Acho que somos do mesmo colégio. Meu primeiro dia de aula, fiquei com ódio do meu pai por ele ter decidido se mudar no meio do ano e me afastado dos meus amigos mas como sou menor de idade ainda tive que acompanhá-lo.

Continuei quieta. Como pode ele falar isso do pai dele? Pelo menos ele ainda tem um..

– Você não gosta muito de conversar não, né ? — Ele perguntou um tanto curioso.

– Como foi que você adivinhou? — Disse ironicamente.

Não Annabela. Você não pode tratá-lo assim. Ele não tem culpa de nada e só está sendo simpático.

– Quero dizer... Não é um bom dia para conversas. É meu primeiro dia de aula também e estou nervoso. — Disse sem fazer rodeios.

– Pensei que você fosse daqui. — risos- É bom não ser o único novato nesse fim de mundo.

– O quê ? — Tentei falar calmamente mas não foi isso que saiu na minha voz — Eu sempre fui desse fim de mundo, okay? E além disso, eu disse que é meu primeiro dia de aula assim como é o de qualquer outra pessoa.

– Mas, se você já é daqui porque o medo? — Ele perguntou.

– Meu pai morreu faz 7 meses e eu não souber e ainda não sei lhe dar bem com isso. Tudo na minha vida mudou. Perdi meus amigos. Perdi o Jesse. Perdi minha vida social. Perdi meu pai. — disse com a voz trêmula.- Me sinto uma completa estranha no local onde nasci. Não o que fazer. Não sei como vai ser daqui pra frente e não tenho ninguém. — Disse em meio as lágrimas. — Acho que se fosse você eu não ficaria falando comigo..

Ele me interrompeu e me abraçou. Acho que era isso que eu precisava por foi nos braços daquele ruivo de olhos verdes profundos que me senti segura pela primeira vezes em 7 meses. Ficamos ali parados e abraçados por um bom tempo que pra mim não foi o suficiente. Quando o abraço estava terminando eu quis soltá-lo mas tive que fazer e invés dele me soltar caminhou comigo debaixo de um de seus braços.

O diretor Quirino já havia fechado os portões. Foi nosso primeiro dia e já estávamos à caminho da direção. Me senti culpada por ele mas ele estava tranquilo e ainda estava comigo em seu braço.

Depois de um longo tempo o diretor falou:

– Como é seu primeiro dia de aula — ele disse olhando para o ruivo — e diante dos fatos — ele disse olhando agora para mim — vocês estão liberados. Mas, não se acostumei porque não compreensivo outra vez.

O diretor Quirino apesar de velhinho era durão mas também era muito amável.

O ruivo não me largou um segundo sequer. Como nossos horários eram diferentes nos separamos mas ele foi comigo até minha sala e quando estava chegando lá o Jesse estava aos beijos com a Sarah em frente a porta.

– Com licença. — Pediu Victor.

Victor pigarreou.

– Com licença. — Pediu ele novamente.

– Jesse. — Chamei- Com licença.- Pedi com a voz trêmula.

Na hora que falei seu nome ele parou. Será que ela acreditava que eu não sabia o que ele tava fazendo comigo?

Ele se virou, ficou me olhando debaixo pra cima, demorou-se um pouco no braço do ruivo em volta de mim. Era assim que ele costumava ficar.

– Prazer. Meu nome é Victor. Essa é Annabela.

– Eu sei quem ela é.

– Que bom. Será agora você pode dar licença? Porque acho que vocês dois não vão entrar tão cedo e Ann quer assistir a aula.

– Como é que é ? — Perguntou o Jesse raivosamente.

– Será agora você pode dar licença? Porque acho que vocês dois não vão entrar tão cedo e Ann quer assistir a aula.

– Não acredito que você deixa ele te chamar assim. — Falou Jesse raivosamente.

– Hãn ?! Acho que perdi alguma coisa. — Falou Victor.

Apesar dele ser uma boa pessoa eu já estou me irritando com sua falta de atenção.

– Esse é o Jesse. Meu namorado.

– Seu o quê? Você tá maluca? Agora ele é meu. — Disse a Sarah com H.

– Quero dizer meu ex-namorado.