Até dizer eu te amo
2 Que sentimento é esse?
Notas iniciais
Decide ir embora. Não aguentei ficar ali com aqueles dois me olhando. Não suportaria vê-los. Pelo menos não agora. Antes que eles saíssem do caminho eu me retirei e fui em direção ao fim do corredor. Fazia tanto tempo que eu não andava por estes corredores que mal me lembro de sua essência.
Primeiro dia de aula e tudo deu errado. É incrível como uma coisinha se transformou em algo catastrófico. Menos de uma hora no colégio e já foi o suficiente para eu não querer retornar nunca mais para lá. Diferente da ida ao colégio decide ir de ônibus invés de ir andando porque quanto mais tempo sozinha mais pensamentos desagradáveis me consomem. Cheguei em casa meia hora depois e como era previsto não tinha ninguém em casa.
Caminhei em direção ao meu quarto, troquei de roupa e fiquei um bom tempo deitada na cama admirando a pintura que nele foi feito. Quando eu tinha 13 anos meu pai e eu decidimos decorar o teto e deixá-lo parecido com a galáxia. Toda vez que olho para ele me sinto mais próxima de papai e fico mais feliz por tê-lo junto de mim.
O telefone tocou. Desci as escadas apressadamente. É engraçado porque fazia muito tempo que não ficava alegra e hoje de fato não é um dia pare alegria já que vi meu namorado agarrado com outra.
– Alô. — Disse ao pegar o telefone.
– Heey! Sabia que te procurei por toda escola? — Falou a Mel.
– Ah! Me desculpe. Eu não aguentei ficar assistindo o Jesse enfiando a língua naquela boca nojenta da Sarah.
– Mas, fora isso, você está legal?
– Sinceramente?
– É claro!
– Pode até parecer mentira mas hoje eu estou feliz.
– Se está feliz porque não ficou na escola? Não acredito que você me deixou com esses zumbis.
– Mel, deixa de ser dramática, tá?
– Qual é o motivo dessa felicidade toda?
– Eu não sei mas estou feliz. Espero ficar assim por um longo e indeterminável tempo.
– Anna, quem é o ruivo que está te abraçando no corredor? — Perguntou Mel um pouco nervosamente.
Mel é uma excelente amiga mas gosta de saber de tudo que se passa com suas amigas, a conheço desde o jardim de infância mas nos últimos três anos, por minha culpa, nós nos afastamos. Porém, ela foi a única pessoa que permaneceu ao meu lado e nunca desistiu de mim — mesmo com toda dificuldade — depois da morte de papai, por isso, sinto-me na obrigação de contar a ela, ainda mais porque eu quero contar a ela tudo.
– O nome dele é Victor. E não pense nenhuma bobagem, okay? Ele só estava me consolando porque no caminho para a escola lhe contei tudo que aconteceu, daí ele não me soltou. Para dizer a verdade acho que eu que não quis lhe soltar.
– Nunca pensaria bobagens.
– Até parece que eu acredito nisso.
– E aí, ele é um ruivo gatinho igual ao Jesse? — disse ela- Desculpa amiga, eu falei sem pensar. Me desculpa, por favor.
– Está tudo bem.
– Mas, como saiu sem querer pode respondendo.
– Ele é alto. Simpático. Carinhoso. Atencioso. Engraçado. Ruivo e com lindas sardas. Magro. Tem olhos verdes. São lindos. E seus olhar me dá esperança.
– Ele é perfeito para você, amiga!
– Eu sei. Bom, eu achava que já tinha esquecido o Jesse, mas, hoje, depois de vê-lo aos beijos com aquelazinha, eu me senti como se meu coração estivesse sendo despedaçado de novo.
– Ah amiga.. Liga para o Jess não. Ele não te merece. Mas, eu notei que ele hoje estava diferente..
– Diferente? Como? — Perguntei esperançosa.
– Todos os dias ele não desgruda daquela sem sal da Sarah, entretanto, hoje ele não ficou com ela nenhum minuto depois que as aulas começaram. Nem no almoço e também, não foram embora juntos, como sempre fazem.
– Será que ele ficou com ciúmes do Victor? Ele não tem motivos para ficar assim porque eu não o conheço direito e ele só estava sendo educado.
– Educado, amiga? Você só está querendo se enganar e tentando não mais ser feliz. Educado seria ele dizer: Bom dia! Mas ele foi um perfeito cavalheiro com você.
– Mel, já me decidi. Quero minha vida de volta e isso inclui o Jesse nela. Para ele ficar dessa maneira é por quê ele ainda sente alguma coisa por mim e saber disso me deixa muito feliz. — Falei atropelando as palavras que saíam como um jorro de águas de minha boca. — Eu confesso que quando o vi senti um misto de felicidade, raiva, amor, compreensão e de fiquei um pouco desapontada, mas, agora, eu sei que ele me ama. Obrigada, Mel. Sem você eu jamais saberia disso.
– Ann, não se apressa. Pode ter sido apenas uma lembrança dos tempos que vocês estavam juntos mas que já vai passar...
–Ele me ama. Eu vou fazer o possível e o impossível pelo amor.
– Mas, minha querida e amada Annabela, eu espero que você não tenha esquecido que ele agora tá namorando com a Sarah e que ela, assim como você, não desistirá tão facilmente.
– Estou preparada para o que vier. E você, sendo minha melhor amiga, deve me ajudar mesmo não me apoiando. E sim, eu sei que parece loucura, também sei que nos últimos meses eu fui uma péssima amiga e quase me fundi com a mobília do meu quarto. E eu sei que pra você está tudo bem e que eu tive um motivo pra agir de tal forma, mas, decidi mudar porque meu pai não iria querer me ver assim. — respirei fundo e disse mais. — Ele sempre me disse que eu tinha uma ótima amiga e um excelente namorado. E a amiga eu ainda tenho, falta-me apenas o namorado pra minha vida voltar a ser perfeita como antes. — Disse sem acreditar muito no que estava dizendo.
– Você queria era me fazer chorar, né Ann ?! Que coisa. Você sabe muito bem que eu sou chorona. Mas, desculpa ser chata e realista mas já sendo, você sabe que tendo sua vida de volta seu pai não irá voltar, né?
Silêncio.
Mais silêncio.
–Ann. Você ainda está aí e eu sei? Dá pra ouvir sua respiração.
– É, eu sei. Bom, até amanhã, Mel. Tchau.
Me despedi dela secamente. Foi um erro, mas, que naquele momento eu precisava cometer.
Fui para o meu quarto e decidi que ficaria por lá até o amanhecer e que só sairia para ir ao colégio. E assim foi.
No dia seguinte acordei um pouco animada e com um objetivo em mente: Reconquistar o Jesse.
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