Notas iniciais
Depois de tanto enrolar, ai está o final =/
Eu o revi tantas vezes, e acho que tinha que rever mais milhares de vezes pq sempre me parece que tem algo para ser mudado. Então já peço desculpas por futuros erros...
Espero que gostem, de verdade, do final (:

Mais um dia da minha pacata vida nessa cidade estupida. Pelo menos eu podia contar no calendário um dia a menos para tudo acabar. Ainda teria mais um ano letivo inteiro para eu finalmente poder ir para a faculdade, mas era melhor que nada.

Fiz uma careta ao ver meu rosto esgotado no espelho do banheiro. Eu estava com olheiras profundas e minha pele estava mais branca que o normal. Também tinha tons avermelhados em volta dos meus olhos, mas eu jamais deixaria alguém saber que eu chorava a noite. Toda noite.

As escolhas de alguns dias atrás que antes parecia ser tão resoluta e heroica, agora se tornava patética a cada maldito dia que passava. Não havia um minuto se quer em que eu não estava travando uma luta comigo mesma e me amaldiçoando. Ou simplesmente me castigando com os pensamentos de que tudo poderia ter sido diferente.

Geralmente eu tentava me distrair com afazeres diários, a escola, e o Emm, mas a noite, antes de finalmente conseguir dormir – agora com meus problemas de insônia parecendo agravados. – eu não conseguia fugir, e minha mente pintava todo um presente e futuro românticos em que eu passaria o resto da minha vida ao seu lado... Então eu me via apegando-me a minha imaginação como um bote salva vidas e logo me amaldiçoava; as lembranças deixadas pelos meus sonhos quando estava acordada certamente me doeriam de manhã.

Já bastavam os que eu tinha quando finalmente conseguia dormir... E então, no meu mundinho particular da inconsciência eu era sua garota novamente...

Mas eu não tinha o que fazer. Edward Cullen jamais seria meu e pronto. Era um fato incontestável.

Escovei os dentes sem pressa alguma evitando ver meu reflexo outra vez.

Além de Edward outro problema me tirava o sono: A certeza que pairava em mim de que Emmett logo iria embora. Hoje seria nosso ultimo dia de aula juntos e meu peito se comprimia ainda mais. Parecia que eu mal conseguia respirar, e respirar doía.

Droga de vida!

Revirei os olhos para mim mesma; nos últimos dias eu me transformei em uma daquelas pessoas que só servem para reclamar de tudo.

...

Minha garganta fechou quando eu o vi, e sabia que essa seria a ultima vez naquela situação.

– Oi, gata! – Emm estava lá assim que pisei no estacionamento.

Sua atenção em cima de mim tinha sido redobrada. Agora ele ficava me esperando ali fora na hora da entrada, ao lado da porta da minha aula na hora do almoço – por mais que às vezes eu saísse rápido só para testar seu poder de locomoção. Mas mesmo assim magicamente ele já estava materializado ali. – Então íamos juntos pegar a comida e sentar-se à mesa. E ele sempre me acompanharia até minha sala depois do almoço, se eu não fugisse algumas vezes para o banheiro. No fim, ele também estava lá na hora da saída, preparado para intimidar qualquer engraçadinho que mencionasse o “incidente” daquele dia. E se eu deixasse, tenho certeza que ele me buscaria e me levaria em casa também.

– Oi. – Forcei um sorriso que tinha a intenção de parecer animado, mas pela sua cara não consegui grande coisa.

O que me preocupava, é que por toda sua atenção a mim, seu caso com Rosalie parecia cada vez mais distante de ser resolvido... Outra coisa para minha listinha de reclamação: eu me sentia um incômodo.

O estacionamento já estava quase deserto quando cheguei, por isso tivemos que caminhar rápido em direção ao prédio. E obviamente Emmett iria me acompanhar até minha sala.

– Uau. – ele suspirou. – Ultimo dia. Parece algo meio extracorpóreo, sabe.

Engolindo o choro que ameaçava vir desde que sai de casa, eu acenei com a cabeça sem conseguir falar.

– Universidade. – ponderou a palavra. – Parece algo grande...

– É. – fui monossilábica. Droga! Eu me sentia uma egoísta por não conseguir demostrar o quanto estava feliz por ele, porque eu realmente estava, feliz e orgulhosa, por sua bolsa de estudos em uma universidade tão prestigiada. – É algo grande. – emendei.

E assim que falei um estupido e humilhante soluço saiu de mim sem minha permissão. Emmett me olhou apavorado quando viu que eu estava preste a desmanchar em lágrimas.

Um grupinho de garotas passou por nós dando risinhos e apontando para mim, o que chamou sua atenção. Emmett fechou a cara enquanto as encarava, e sem mais nenhum resquício de riso no rosto elas saíram rápido de perto de nós.

Na verdade, não é como se uma parte de mim não estivesse completamente agradecida por sua proteção exagerada. Porque eu estava totalmente aliviada por não ter que escutar piadinhas que sei que, no meu estado atual, me levariam as lágrimas na mesma hora.

Eu era uma fraca.

Mas pelo menos eu tinha certeza que pelo menos Emm realmente me conhecia e estava do meu lado.

– Viu, isso é um sorriso de verdade. – Ele aprovou quando me pegou o olhando.

Dei de ombros.

E de repente voltei a ficar totalmente nostálgica imaginando – novamente – como seria o próximo ano sem ele aqui.

– Ei, grandão – engatei meu braço no seu. – Eu já disse que amo você?

Ele riu. – Algumas milhares de vezes só essa semana. — Meu rosto ficou vermelho, e Emmett percebeu meu constrangido. – Também amo você, Bell’s. – Gracejou.

Paramos em frente à porta da minha primeira aula. Dei uma espiada lá dentro e vi o professor já na sua mesa.

Quando voltei a encarar meu amigo, ele me olhava preocupado.

– Que foi?

– Você sabe que será apenas um ano, não é?

Reprimi um muxoxo. – Eu sei.

E então o abracei forte. Ele me apertou em seus braços, e depositou um beijo na minha testa. Eu lutei para não chorar.

Soltei-me dele e entrei na sala antes que aquela ruga de preocupação em sua testa me impelisse a despejar todas minhas preocupações infundadas em cima dele. Emm já se preocupava o bastante comigo. Ele não precisava saber o quanto doía deixa-lo por tanto tempo pela primeira vez.

Sentei-me na mesma cadeira do canto e fiquei esperando a aula começar, que estava demorando mais do que o normal com o professor distribuindo as provas finais e conversando com os alunos que teriam que fazer trabalhos e outras avaliações para conseguirem passar.

Abri o caderno na ultima folha e, distraída, comecei a rabiscar.

Meus pensamentos logo vagaram para a sala em que eu sabia que Edward Cullen estava tendo aula. Podia visualiza-lo perfeitamente sentado em uma das carteiras velhas, parecendo perfeito demais para esse lugar. Meu rosto ficou quente enquanto eu me apegava a cada detalhe físico seu, e instintivamente levei a mão aos meus lábios quando pensei em sua boca. Um desejo quase doloroso quando pensava em seus beijos.

Dei um pulo me dando conta do que estava fazendo e acabei derrubando o caderno.

Envergonhada e torcendo para que ninguém tenha visto a minha provável cara de tarada, me abaixei para pega-lo com o rosto em chamas.

– Virgenzinha. – Uma voz feminina desdenhou atrás de mim.

Graças aos céus eu não consegui identificar quem foi. E várias risadinhas surgiram. Continue firme, fingindo não ter escutado. Mas sabia que o tom mais forte do meu rosto me denunciava.

– Ah, claro. E agora a culpa é dela de você dar para todo mundo!

Meus olhos se arregalaram e eu virei na cadeira tão depressa que fiquei tonta, mas a tempo de ver Ângela Webber terminar de falar.

A sala se transformou em um pandemônio. E mesmo sem querer, eu soube que tinha sido Lana Sanders, uma ruiva de nariz em pé, que tinha falado aquilo porque agora seu tom de pele estava quase da mesma cor que o cabelo, e ela estava paralisada com as palavras de Ângela e com as gozações que os outros faziam agora com ela.

– O que é isso? Silêncio! — O professor se pronunciou, tentando acalmar a turma. – Quietos! Todo mundo olhando para frente! Agora!

Antes de me virar, sorri timidamente para a morena de óculos, que retribuiu com um sorriso muito mais aberto.

Voltei a abrir o caderno, e então parei me xingando: Na minha distração eu havia escrito Edward Cullen praticamente na folha toda sem perceber.

Fechei o caderno e afundei na carteira, desolada pela minha constante automutilação.

Assim passaram duas aulas, e quando bateu o sinal para a terceira eu pensei seriamente em fugir. Mas infelizmente era covarde demais para isso também. Recolhi todo meu material e me virei para agradecer Ângela, só ai me dando conta que eu tinha enrolado tanto que já estava sozinha na sala com o Sr. Johnson.

Sai correndo para a próxima aula, agora com medo de me atrasar. E me dando conta que a animação que se via nos corredores da escola não parecia ser apenas pelo inicio das férias de verão. Mas me perguntei se eu realmente gostaria de saber o que também poderia deixar os alunos da Forks High School tão animados. Acho que não...

Parei na porta e inspirei o ar algumas vezes antes de entrar – e não por ter praticamente corrido até aqui e tropeçado umas duas vezes, mas sim por quem eu sabia que estaria nessa aula.

E lá estava ele, como sempre, sentado no lugar que eu sabia que estaria. Olhando para baixo parecendo completamente distraído no que lia, se não fosse seus punhos cerrados que o entregava. Meu coração acelerou como sempre; doloroso por não tê-lo, mas feliz por poder vê-lo.

Tentando não chamar a atenção fui ao meu lugar repensando novamente na burrada que estava fazendo.

No dia após nossa conversa ele se sentou ao meu lado e sorriu me cumprimentando. Eu abaixei a cabeça sem respondê-lo e tentando não deixa-lo ver o quanto me custava ignora-lo. O quanto eu queria me atirar em Edward sem me importar com que as pessoas pensariam. Mas eu não podia, Edward tinha uma reputação a zelar, tinha amigos que não me suportavam, e uma escola inteira que iria fofocar sobre nós dois sem se cansar, ou até mesmo tentarem nos separar incansavelmente. Minha vida já era difícil demais sem isso. Mas principalmente a dele era perfeita sem mim.

Ele tentou mais alguns comentários durante a aula, mas eu herculeamente consegui permanecer muda... No dia seguinte ele tentou a mesma coisa, e no próximo, e no próximo, e no próximo... Até que ele foi parando e agora ele nem tentava mais. Apesar de curiosamente continuar a sentar comigo todo dia, assim como passava a hora do almoço comigo e com Emm e seus amigos, sempre sentando-se na cadeira ao meu lado. Mesmo comigo fingindo não vê-lo. Mesmo eu sendo fraca o suficiente para precisar correr para o banheiro para ninguém me ver chorando.

Eu senti seu olhar em mim e pude escutar seu suspiro quando me sentei. Me perguntava se já o tinha começado a o chatear, se ele já se arrependia do que vivemos juntos, mas então em lembrava que ele ainda sentava-se aqui, que sempre foi meu lugar, mesmo com outros lugares vazios e pessoas dispostas a fazerem companhia a ele sem nem pestanejar.

Thomas Anders, um menino que se sentava do outro lado da sala chamou minha atenção enquanto caminhava até nossa mesa:

– Bom jogo hoje, cara! Arrebenta com eles. – e estendeu o punho.

Edward, sorrindo, bateu no punho dele. – Valeu.

E então o outro se afastou.

– Droga! – praguejei.

O ruivo me olhou surpreso, e imediatamente eu fiquei vermelha. Olhei para frente, fingindo que não era eu a louca que falava sozinha ali.

Por dentro eu me sentia completamente estupida e uma maldita, horrível e detestável amiga. Eu tinha me voltado tanto para meus problemas e minha auto piedade que havia esquecido completamente que a final do campeonato era no ultimo dia de aula: ou seja, HOJE! Só agora me dava conta que os cartazes que vi pregado por toda a escola eram um bom indício do que ia acontecer à noite.

Emmett devia estar uma pilha de nervos, e eu nem ao menos o ajudei. Esfreguei o rosto com força, com raiva de mim mesma.

Senti mãos gentis puxando as minhas, e olhei sobressaltada para ele.

– Cuidado para não se machucar – a voz doce me alertou parecendo genuinamente preocupado. – Você esta bem?

– Não. – Respondi sem pensar. Estava hipnotizada com sua presença para raciocinar em tentar não ser sincera. A pele da minha mão ainda formigava onde ele havia tocado.

Ele pareceu surpreso por minha resposta. Suas sobrancelhas se arquearam.

– Não? O que aconteceu? – Sua voz estava mais baixa e doce, e me perguntei se ele estava com medo de me assustar e eu fugir correndo.

– Eu esqueci que o jogo seria hoje... – minha voz foi morrendo na mesma velocidade que meus olhos iam se arregalando quando eu percebi que essa era a primeira vez que conversávamos desde aquele dia, por mais presente que Edward se fizesse.

– O jogo...? – Ele perguntou, extremamente ansioso. Indaguei-me o por quê.

Isso não era uma boa ideia. Conversar com Edward. Eu podia ver meus sonhos sendo povoados com muita mais intensidade e isso me assustava. — Não é nada. – desconversei já voltada para frente.

Mas ele estava inquieto. – Você vai ao jogo, não é? – indagou, mesmo com o minha aparente falta de vontade de conversar.

Por mais curiosa que estivesse por sua reação, não me permiti olha-lo. – Vou. – sussurrei ainda abalada por estarmos conversando. Eu era uma patética de uma garotinha!

Escutei seu suspiro aliviado. E precisei de uma força heroica para não dar ao menos uma espiada nele.

O resto da aula se seguiu sem mais nenhuma troca de palavras entre nós dois.

Apesar de eu senti-lo muito mais aliviado e relaxado do que nos outros dias. Minha testa se enrugou quando captei um sorriso brincando nos seus lábios. Ele parecia... Algo me atingiu como uma bola de canhão.

Eu ofeguei sentindo uma dor quase física.

O sinal bateu e diferente da outra aula eu fui a primeira a sair para fora da sala, quase voando quando passei por um Emm que só teve a chance de vir gritando atrás de mim quando eu não parei. Eu queria ir para o banheiro, mas o fluxo de alunos estava tão grande que acabei mudando de direção e quando vi estava embaixo de uma grande arvore com Emm me abraçando.

É claro que eu não tinha razão nenhuma em nesse estado, nem ao menos um simples motivo para me sentir desse jeito. Eu deveria estar feliz, era isso que eu queria, não era? Não, não era! Droga, não era! Nunca foi!

Eu não tinha certeza de nada, mas para mim algo parecia claro...

Edward Cullen estava me esquecendo.

...

19h30min

Eu parecia uma morta.

Charlie me lançava olhares que conseguiam ser ainda mais alarmados do que os que ele me lançava por esses dias. Meus olhos vermelhos, minhas olheiras profundas, a nova frequência que eu passava trancada dentro do quarto, e meu tom depressivo me denunciavam para ele. Mas eu fingia não ver para não precisar conversar sobre o que me incomodava.

Suspeitava que fosse por um pedido dele que agora nossos amigos de La Push aparecerem mais vezes em casa. Mesmo Esme e Carlisle sempre me levavam um prato novo à base de chocolate – que eu julgava ser um pedido do Emm e toda sua inteligência em mulheres. É claro que eu nunca mais fui à mansão, e assim até Alice e Rosalie foram algumas vezes em casa, e eu descobri que nos dávamos melhor do que julguei ser possível.

A viatura, mesmo com a sirene desligada, fazia as pessoas que se amontoavam em volta do campo da escola abrir caminho. Pelo menos, eu consegui me distrair com a cara de reprovação do chefe vendo tantos jovens do ensino médio com garrafas de bebidas alcoólicas e alguns até com maços de cigarro nas mãos.

– Lembre-se, você só esta aqui para assistir o jogo. – alertei.

– Sei. – ele respondeu, olhando carrancudo para um menino com uma garrafa de cerveja, e que logo desapareceu da nossa vista com medo do meu pai. – Isso vai contra minha natureza. – resmungou. – Onde estão os pais desses moleques?

Billy estacionou sua velha camionete do nosso lado — Ele e Jake não perderiam a grande final de Emm — Caminhamos juntos até as arquibancadas, procurando Carlisle e Esme, que já roía todas as unhas de nervosismo e estava enrolada em uma bandeira do time da escola. Assim que me aproximei ela me passou uma, segundo ela, para dar sorte, e depois me avaliou com a testa franzida, mas preferiu não falar nada apesar de apertar minha mão por alguns segundo em um gesto que transmitia conforto.

Eu a entendia. Estava suando frio de tanto nervosismo. Era hoje! Eu tinha fé em que meu amigo... E Edward... Iam sair campeões. Emm iria realizar seu sonho e iria chegar a universidade como um campeão.

O alvoroço era tão grande, que imaginei se as arquibancadas aguentariam tanta agitação. Charlie, Billy, Jake e Carlisle quase gritavam para conseguirem conversar. Fitinhas da cor da escola e da cor do time de Seattle voavam para todo o lado, enquanto um desfile de camisas e bandeiras tomava todos os lugares que eu conhecia enxergar. O som ensurdecedor de cornetas vinha de todas as direções, e quase fiquei surda quando um grupo passou atrás de nós atrás de lugares tocando cada um uma.

Alice e Rosalie vinham até nós sorrindo e cochichando, ambas completamente empolgadas. A Cullen mal disfarçava seus pulinhos.

– Oi, Bella. – As duas me olharam com aquele tom de preocupação que as pessoas tinham assumido comigo recentemente.

– Oi. – respondi fazendo o possível para soar o mais animada possível.

Olharam-me desconfiadas, mas Alice logo recuperou o tom de voz. – Finalmente você chegou, já estávamos preocupadas. Emmett já ia te ligar, como você nunca chegava. Mas ai chegou, e agora esta aqui, e vamos passar um pouco de maquiagem porque suas olheiras estão horríveis, e já esta chegando a hora... – Ela falava em um folego só, parando apenas quando Rosalie lhe acertou uma cotovelada.

Pisquei atordoada. A única coisa que consegui entender foi a parte da maquiagem. Quer dizer, acho que entendi. Maquiagem? Em um jogo de futebol? Sendo eu só uma torcedora?

– Filha, respira! – Carlisle pediu, tão perdido quanto eu.

– Desculpa. – Ela deu um sorrisinho sem graça.

Antes que ela pudesse colocar em prática a parte da maquiagem – ainda sem noção alguma para mim – me levantei:

– Vou ir ver o Emm...

– NÃO!

As duas líderes gritaram me assustando. Pulei tão alto que levei o cachorro-quente do Jacob junto. Ele me lançou um olhar censurador, mas deu de ombros e pegou a comida do chão mesmo assim.

Com a minha cara de nojo me virei para Alice e Rosalie. – Por que não?

– Porquê... Hmmm... Porquê – elas olhavam de um lado para o outro como se procurassem um motivo.

Arqueei a sobrancelha, já temendo o que essas duas estavam aprontando.

– Meninas, o que esta acontecendo? – Esme perguntou.

– Mãe... É que...

Antes que ela pudesse terminar de dizer foi interrompida por um alvoroço ainda maior que já estava.

Um jogador andava em direção ao meio do campo, ele estava de cabeça baixa, mas mesmo a distância eu podia ver o quanto seus ombros estavam tensos. E imediatamente eu me senti igual a ele – observei Edward caminhando até lá, sozinho, e não pude mais tirar os olhos dele, admirando-o até parar e se virar para a parte da arquibancada que eu estava.

Eu não vi como, mas de repente Emmett estava ao seu lado o entregando o que me pareceu um papel, enquanto alguns outros rapazes do time se colocavam atrás dele distribuindo tapinhas nas suas costas.

Jasper colocou um microfone a sua frente. Meu corpo se retesou esperando o que estava por vir.

Surpreendentemente tudo ficou no mais absoluto silêncio. Todos ansiosos para ver o que o quarterback do time de Forks iria fazer.

Suas mãos tremiam quando ele abriu o papel e começou a ler.

– Isabella Swan. – Meu corpo se retesou. O ar dos meus pulmões parecia ter ido embora, e Jacob precisou me segurar para eu não cair. – Há muitas coisas que quero falar para você...

Ele parou suspirando, e abaixou a cabeça de novo. Demorou algum tempo – que me pareceu horas. – para ele olhar para frente outra vez, e ainda nervoso, amassou o papel e jogou no chão. Então seus olhos varreram aquela parte da arquibancada até me encontrarem.

– Mas nenhuma esta nesse papel. – suspirou. E quando voltou a falar, parecia muito mais confiante e determinado. – Sei que esta vermelha agora, e acredite, também estou envergonhado. – riu, constrangido. – Mas de todas as formas que pensei, essa foi a única que consegui achar boa o bastante para fazê-la entender tudo que preciso que você entenda... Para que todos entendam. – respirou fundo. – Você precisa saber o quão absurda é, a quão boba e patética é por achar por um só minuto que não me merece. Você realmente acha que é pouco para mim? Por Deus, Bella, você é a coisa mais perfeita do meu mundo.

Eu solucei, sentindo as lágrimas escorrerem sem tentar detê-las.

– E eu não descobri isso semana passada ou no ano passado. Eu descobri que a quão perfeita era há muitos anos atrás, precisamente há sete anos no seu primeiro dia de aula na cidade. Eu era só um garotinho tolo que não sabia o que fazer por de repente sentir um soco no estomago sempre que a garota nova estava perto. Desculpe-me por ter sido tão babaca. Eu sei, ano após ano, eu fui o maior dos covardes com você. Tão imaturo a ponto de demonstrar desprezo quando na verdade lamba o chão que você pisava... Bella, Eu preciso dizer que conheço você. Porque não teve uma chance que eu desperdicei para te observar. Sei que é forte, mas às vezes chora sem ninguém ver. Sei que gosta de música calma porque elas refletem o que você gostaria que sua vida fosse. Ama escutar piano porque essa é a única parte boa que se lembra da sua mãe, e então passa a odiar o som quando se recorda de tudo. Você sente mais fome que qualquer garota normal de 17 anos, e não tem nenhuma vergonha de demonstrar isso. E eu adoro isso em você. Faz caretas de felicidade quando toma sorvete. E lê livros que ninguém mais lê, a não ser que seja obrigado pela escola. Você não gosta de sair e nem de estar em multidões, mas consegue manter uma conversa com qualquer pessoa de qualquer idade. Liga tanto para aparência quanto qualquer pessoa inteligente e ajuizada deveria ligar. As noites em que seu pai reúne os amigos em casa a faz sentir como se tivesse uma família completa, e então você se dá conta que não precisa da Renée. Morde os lábios quando esta nervosa, e seu rosto cora mais do que devia, e isso é simplesmente adorável, e eu sei que esta assim agora. – instintivamente soltei meu lábio inferior, sorrindo deslumbrada. — Seu melhor amigo é o meu irmão, e por anos eu invejei ele por poder estar ao seu lado enquanto eu apenas podia sonhar com isso.

Eu queria ir até ele, correr até lá, mas não conseguia. Tinha a impressão que minhas pernas viraram gelatina.

– Eu não consigo. – Protestei, tão frustrada comigo mesma.

– Nem ouse. – Rosalie me segurou por um braço enquanto Alice agarrou o outro, com certeza entendendo minha reação de um jeito errado. – Nós estamos aqui para te levar até ele... Você querendo ou não!

– Quando você esta com a minha mãe, eu sei que a olha admirando e desejando que ela fosse a sua mãe... Mas confesso que fico feliz que ela não seja. – as pessoas riram a nossa volta enquanto eu mesma não tirava o sorriso do rosto. — Sinto muito, mas você não pode mudar quem é sua mãe; ou tudo de mal que já falaram para você. Mas pode mudar isso aqui. – apertou sua mão contra seu peito, e instintivamente me vi fazendo o mesmo, deixando mais lágrimas caírem quando toquei a chave que não tinha tido coragem de tirar. – Pode aceitar que coisas boas acontecem... E convenha, eu sou uma ótima coisa boa. – sorriu convencido.

Eu acabei rindo. Droga, ele era mesmo!

Edward voltou a ficar sério. — Eu não me importo com o que algumas pessoas falem. Eu quero que falem. Que vejam o quanto sou feliz ao seu lado. A única coisa que me importo, Isabella, é você. E sem você... Sem você eu não sou verdadeiramente eu, entende? Passei anos esperando que ficássemos juntos, e quando finalmente aconteceu, eu entendi que a felicidade de verdade que os apaixonados falam por ai existe sim, mas só existe do seu lado. Eu sou completamente apaixonado por você.

Não precisei esperar Alice, Rosalie ou quem é que fosse. Eu precisava dele. Era apenas isso que eu sabia.

Antes que pudesse pensar e mudar de ideia eu corria nas arquibancadas, sem me preocupar se podia cair ou não. Minha única preocupação era chegar ao final das escadas e ao meio do campo. E então, finalmente eu poderia chegar aos seus braços.

Uma luz forte me acompanhava e eu tomei uma vaga consciência do grito de incentivo das pessoas. Mas não importava. Nada mais importava!

Parecia que nunca chegava, mas quando consegui ver seu rosto iluminado eu tinha mais certeza que foi um grande e estupido erro que cometi dias atrás. Forcei minhas pernas a correrem mais ainda, e sem diminuir a velocidade me joguei em seus braços. Edward precisou usar toda sua agilidade de jogador para não ir ao chão comigo.

Falei a primeira coisa que me veio a cabeça e que não era um “eu o amo”.

– Como sabia de tudo aquilo?

– Eu sabia. – Deu de ombros como se fosse pouca coisa. Mas não era. Ele estava certo em tudo! Meus medos, que agora pareciam infundados, e que me impediam de viver, que cresceram em mim não pela falta de uma mãe, mas por ter uma que não me amava. A opinião das pessoas que sempre me julgaram e me fizeram acreditar que eu nunca seria feliz. Ele estava certo, simplesmente.

– Me dê uma única razão, Edward, uma única razão para o “nós” dar certo. – pedi desesperada para que ele tivesse uma resposta.

Edward me olhou tão profundamente, os olhos tão intensos e sinceros, que senti que ele poderia ver minha alma naquele momento, além de ofegar pela sua intensidade.

– Tem algo que preciso dizer a você há muito tempo.

– O que?

– Eu a amo!

Não havia mais nada para ser dito. Não havia nem mesmo uma resposta que eu pudesse dar. Nenhuma palavra era maior que o beijo que se seguiu. Eu entendi ali, envolvida pelos seus braços, tentando ficar o mais perto o suficiente dele enquanto era inebriada pelo seu gosto, e sob uma chuva de aplausos e assovios que estar com Edward era certo. Era natural. Era divino. Jamais conseguiria descrever minha felicidade. Lembro-me do meu coração acelerado e das borboletas se chacoalhando no meu estomago por terem sido finalmente liberadas.

Lembro-me de segura-lo firme e não querer soltá-lo mais, mesmo quando o jogo ia começar. Lembro-me de ficar ao lado das lideres, sendo vigiada por Alice e Rosalie, e ver vagamente Tânia e sua corja com cara de tacho enquanto tinha que engolir aquela cena.

Vi Edward fazendo pontos, e Emmett levando o time adversário ao chão. Eu gritei, torci, e pulei. Observei Jasper correndo como se fosse inalcançável. E todo o time jogando como se tivessem nascidos para aquilo.

Meu coração parou quando Edward pegou aquela bola, e só voltou a bater quando ela já estava no chão. Eu me recordo vagamente de um apito, de urros por todo o campo. E então eu estava em seus braços outra vez. Sendo levantada do chão enquanto ele esmagava meus lábios. Eu não pensei em protestar, mas mesmo que quisesse não teria tempo, quando ele me colocou em seus ombros e me levantou como se EU fosse o seu troféu.

Alice era esmagada por Jasper, sem se importar com seu cabelo que estava em farrapos nesse momento. Eu ria como uma criancinha enquanto Edward corria comigo pelo campo, cumprimentando os companheiros e os torcedores. Olhei curiosa vendo Emm se aproximar de Rosalie como um touro e a pega-la nos braços.

– Só falta a gente, loira!

E então a beijou com tanta intensidade que eu achei que iria engoli-la, mas a líder retribuía com o mesmo entusiasmo. Eu soltei uma sonora gargalhada, feliz demais por eles. Feliz por tudo!

– Esse é um bom começo. – Edward, que também observava, gritou para mim.

Eu balancei a cabeça discordando.

– Não. Esse é o MELHOR começo.

...

DIAS DEPOIS

POV EDWARD

Eu observava pela janela meu irmão e minha namorada se abraçarem mais uma vez enquanto ele guardava as suas coisas no carro. Sorri. Era bom saber que Bella sempre teria quem a amasse caso algo acontecesse comigo, ainda mais sendo alguém que eu confiava e amava.

Acomodei-me a poltrona do meu quarto enquanto abria a carta que tinha na ultima pagina do diário que ele tinha me dado para conquistar sua melhor amiga.

Para Edward,

Ei, cara. Bom, provavelmente esse é meu ultimo dia na cidade – É bom que seja ou você esta ferrado por ler a carta antes. – Apesar de ter CERTEZA que vou amar a universidade e curtir muito, você sabe que será difícil deixar vocês aqui: a comida da dona Esme, os conselhos do papai, a loucura da Alice, e o meu irmão e melhor amigo, você.

Mas tem mais alguém que vai me doer muito deixar aqui... Bella.

É só um ano que ela vai ficar longe – porque eu SEI que ela virá estudar aqui ano que vem – mas deixa-la sozinha, longe de mim por um ano... É gay, eu sei, mas dói, cara.

Bell’s sempre foi minha melhor amiga, a melhor pessoa que conheço que não é da minha família... Ah, cala a boca, ela é da minha família... Que não é do meu sangue. Pronto, ficou melhor. — Eu sempre cuidei dela como minha menininha, porque é o que sempre foi, e vou continuar cuidando não importa onde eu esteja, mas Bell’s precisa de alguém do lado dela fisicamente para poder protegê-la da mãe psicopata, das pessoas imbecis dessa cidade e dela mesma.

Varias vezes me perguntei como Bella consegue continuar sorrindo e tentando não se importar com todos aqueles abutres imprestáveis. A verdade é que muitas vezes EU desejei que as coisas fossem diferentes para ela, principalmente com a Renée... Mas já faz tempo que entendi que nada irá mudar com relação àquela mulher, e então meu trabalho foi tentar não fazer com que ela não sentisse falta, ou pelo menos não sentir tanto, da mãe absurda que tem. Não sentir as dores de um mundo que parece só querer coloca-la para baixo, insulta-la e magoa-la. E sabe por que eu fiz isso? Porque não existe ninguém nesse mundo que mereça mais a felicidade do que ela, Edward.

E se uma parte da felicidade dela esta em você, eu desejo que vocês sejam felizes e que esse livro tenha o ajudado a conquista-la. Bella vai me matar se souber que eu contei isso, mas a verdade é que ela sempre foi apaixonada por você, há tanto tempo que parece até maluquice, meu irmão...

Eu a amo, Edward. E confio em você para cuidar dela enquanto eu estiver longe. Por favor, meu irmão.

Eu fechei a carta depois de rele-la mais duas vezes. Sorrindo, fui até a janela de novo. Observando aqueles dois atrapalhados com a mala. Eu não podia ama-los mais do que já amava, devia ser impossível.

Bella estava tão linda naquele jeans e naquela camiseta branca, que mesmo larga, eu podia ver todo o desenho perfeito do seu corpo.

Eu prometo, Emmett. – sussurrei.

1 ANO DEPOIS

– você vai ficar aqui! – Ele bateu o pé fazendo biquinho.

– Mas eu não posso pagar isso aqui, Edward, é muito caro. – repeti novamente.

– Mas fica do meu lado e do Emm, vamos ser vizinhos de porta... Imagina só eu poder ficar a hora que quiser com minha namorada gostosa. – Sorriu malicioso e depois apertou minha bunda.

– Meus olhos. Meus olhos! – Emm gritou, zoando com nossas caras.

– Cala a boca! – ri.

Estávamos escolhendo o apartamento que eu ia morar. Edward e Emmett se esforçavam para que eu ficasse no apartamento em frente ao deles, mas era tão acima do que meu pai podia pagar...

– Nós podemos... – Emm começou e logo o cortei.

– Nem ouse! – sibilei. – Não vou deixar que paguem nada para mim!

Ficamos mais algum tempo olhando o espaço vazio em volta. Aquele lugar era tão perfeito. Suspirei tentando me conformar.

– Mas e se você dividisse com alguém? – Meu namorado deu um pulo, fazendo eu e meu amigo pularmos juntos com ele. – Alice também esta procurando apartamento, não é? – Seu rosto estava iluminado.

Os olhos do Emmett também brilharam. Para ele seria perfeito: a amiga e a namorada por perto, e ainda tirar a irmã do apartamento que Rosalie e Jasper dividiam. Ele detestava a ideia ver a caçula morando com o namorado, mesmo que o dito cujo fosse seu grande amigo e eles morassem no apartamento de baixo.

A baixinha bateu o pé para não morar com os irmãos, alegando que no poderia fazer nada. Já no meu caso, Charlie quase teve um infarto quando sugeri morar com Edward, então nem me atrevi a tocar mais no assunto.

– Sim. – eu respondi. Já animada com a possibilidade de ficar aqui e ainda dividir um apartamento com uma amiga que eu gostava tanto.

...

Caminhávamos pelo enorme campus, tentando achar nossas salas de aula.

Uma ruiva passou por nós, sorrindo para ele. – Oi. – Piscou atrevida, enquanto exibia os peitos, não sei se para mostrar os seios ou o uniforme de animadora de torcida. – Ela é sua namorada? – foi direta e carregada de veneno quando reparou em nossas mãos unidas.

– Sim, essa é minha namorada. Ela é linda, não é? – beijou meu rosto.

Minhas bochechas ficaram vermelhas.

– Seu idiota. – Mas eu não pude deixar de rir, me inclinando para frente para poder beija-lo.

– Nós somos idiotas, amor.

E seguimos juntos, para o futuro que pela primeira vez me parecia radiante.

Notas finais
Então, é isso, acabou =//
Me tragam lenços, por favor!!!
Gente, eu nunca terminei uma fic kk não sabia que essa era a sensação, então me desculpem mesmo se tiver algo errado no capítulo - foi por culpa da emoção kk - e me avisem se encontrarem algo que precisa ser mudado!
Agora, vamos aos agradecimentos:
Primeiro, quero agradecer de coração a Tammy Oliveira - desculpe não ter conseguido postar até domingo como disse que faria, flor =/ - a Isa Andry - que me fez ficar curiosíssima quando não aparecia sua recomedação - e a Nora Swan - que me emocionou com sua recomendação quando eu estava escrevendo o finalzinho daqui! Foram três recomendações absolutamente linda, que me fizeram rir e chorar. E me deixaram com um gosto de que alguma coisa eu consegui fazer aqui. Sério, meninas, vocês não tem ideia do quanto foi importante ler o que escreveram. OBRIGADA DE CORAÇÃO!
Segundo, obrigada a Dé, uma amiga que acabei fazendo por aqui por causa da fic e que em ajudou muito lendo alguns capítulos antes. - Dé, não deixei você ler esse pq queria que fosse uma surpresa para você também, gata. TE adoro!
E por ultimo, mas não menos importante, UM OBRIGADA IMENSO, para todas vocês, que acompanharam, comentaram, e me permitiram contar essa história! Obrigada mesmo!
Bom, como isso daqui já esta parecendo noite de Oscar, eu já vou me despedindo kk
Beeeeeeeeeeeeeeeijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!