Notas iniciais
Olá, florzinhas
Eu tento segurar o capítulo até o final de semana, mas nunca consigo kk
Espero que gostem (:

Acordei com o ronco alto de Emmett.

- Emm? – chamei. Ele resmungou e virou para o outro lado. – Emm, acorda! – Nem se mexeu dessa vez.

Desisti e fui até seu banheiro me arrumar.

Parei por alguns minutos olhando meu reflexo no espelho. Ali estava espelhado todo o meu dia anterior: Edward, Reneé, ajuda, sorveteria, conversa! ... Era estranho pensar que nas horas em que estive com ele. Nos momentos que tive dele!

Mesmo com a volta “dela”, eu conseguia perceber um brilho no meu olhar que sinceramente me assustava. Não era nada saudável deixar que alguém tivesse tanto poder assim sobre você.

- Achei que tinha se afogado na privada. – Emmett caçoou quando voltei ao quarto.

Mas meu humor estava tão bom que corri até seu colchão e cai sobre ele o abraçando e dando um beijo estalado em sua bochecha.

- Ai ai, o que Edzinho não faz com o humor de alguém. – e eu simplesmente ri. Sim, só ri. Sem soca-lo nem nada. O que fez Emmett gargalhar alto da minha cara de apaixonada.

- Vamos, estou com fome. – o chamei entusiasmada.

Emm revirou os olhos, e foi se arrumar ainda rindo.

Eram oito horas de um sábado, na casa só se ouviam os ruídos de pão sendo devorado, junto com os bolos, os sucos, as tortas, o queijo...

- Vocês vão acabar com tudo desse jeito. – Alice entrou na cozinha enrolada em um robe rosa, junto com Rosalie — Bom dia, Bella. – Ambas sorriram, mesmo Rosalie parecendo extremamente tímida.

- B’Dia – Ela me olhou espantada quando os farelos voaram da minha boca.

Senti minhas bochechas corarem fortemente.

- Essa é minha, Bell’s! – Emmett gargalhou, dando um soco no meu braço que fez o suco que eu tomava para engolir a farofa que tinha feito na minha boca voar na mesa.

Ótimo!

Olhei mortalmente para ele e o vi engolindo seco.

Mas foi para meu total assombro que invés de ver as duas garotas correrem de nojo, as vi dando risada.

Eu e Emmett nos encaramos. Por fim ele deu de ombro e voltou a comer... Sorrindo!

Eu sabia que Rosalie Hale achar graça em comida mastigada era como um orgulho para ele. Tipo, um “viu, Bellinha, falei que ela era mais que a líder de torcida arrasa quarteirão”.

Elas se sentaram a mesa com a gente e um silêncio incomodo se instaurou. Concentrei-me em apenas continuar mastigando. Coisa que eu sabia fazer muito bem.

De repente senti um chute na minha perna.

- Ai.

- Que foi? – Emm perguntou assustado.

- Nada... Nada. – Me apressei a negar quando vi os olhos arregalados da irmã dele para mim.

O silêncio voltou. Emmett parecia interessado demais em seu pedaço de bolo que nem arriscava olhar para cima, se não, teria visto os olhares e gestos nada singelos de Alice e Rosalie. A maioria apontava para...

Foi com comoção que entendi a discussão silenciosa das duas. Alice estava obrigando a amiga a falar com Emmett.

Bom, essa eu podia tentar ajudar, COM CERTEZA!

- Emm, vai treinar? Seu jogo é amanhã – comecei.

As duas pararam de se encarar quando ele levantou a cabeça para me responder, e passaram a NOS encarar. Mantive-me firme sem demonstrar vergonha, fingindo que não tinha visto os olhares genuinamente curiosos das garotas.

- Claro – me olhou meio estranho, como se eu já tivesse que saber a resposta... O que na verdade eu sabia mesmo. — Só vou terminar e já vamos. – voltou a olhar para baixo, como se a comida fosse muito interessante para ser admirada.

- Hmm. – continuei. – Acho que não vou poder ir. – tentei fingir desinteresse tendo certeza que as duas estavam ainda mais interessadas na nossa conversa.

-Por que não, Bell’s? Você tem que ir – Fez biquinho.

Eu geralmente tentava estar em todos seus treinos e jogos, dando o maior apoio que podia.

- Eu quero ir, você sabe disso. – e não estava mentindo. O jogo era amanhã! Mas ele ia me agradecer depois... – Mas tenho que ir para casa, resolver “aquele” problema. – ele pareceu entender minha frase sugestiva, mas não teve a reação que eu esperava, claro:

- Nada disso! Vou ligar para o Charlie, e se ela ainda estiver lá, você fica aqui comigo! – sua voz firme me fez vacilar, mas essa podia ser a única chance de conseguir um tempo para ele e Rosalie.

- Mas Emm, eu preciso resolver isso, entende...

- Quem é “ela”? – Alice, que deveria estar me ajudando, parecia que ia cair da cadeira de tanta curiosidade.

- Ninguém. – Emmett desconversou, visivelmente preocupado comigo.

Alice pareceu não se dar por vencida, mas foi só analisar melhor meu rosto que se calou.

Tentei voltar ao plano original.

- Eu preciso fazer isso... Sozinha. – olhei em seus olhos. – Confia em mim, eu vou ficar bem.

- Eu confio, Bell’s. – Suspirou resignado. – Mas não quero te deixar abandonada na toca do lobo.

- Meu pai vai estar lá. – apressei em dizer quando senti que estava vencendo.

Mesmo contrariado ele acenou a cabeça concordando. – Mas eu vou com você! – Droga!

Duplamente droga! Só eu sabia o quanto queria que ele estivesse lá comigo para enfrentar a bruxa, e era tão difícil negar isso a mim mesmo – meu herói, desde sempre, ali, querendo me proteger do maior monstro que eu enfrentei, e eu pedindo para ir sozinha.

Mas se tinha alguém que merecia uma boa dose de altruísmo da minha parte, esse alguém era ele!

- Emm... – chamei temerosa. – Acho que eu devia mesmo fazer isso sozinha...

- Por quê? – o modo como ele pronunciou as duas silabas me fez entender que eu poderia estar em uma encrenca a qualquer momento.

Tentei pensar rápido.

- Bom, acho que Charlie vai ficar mais a vontade se a conversa for entre nos três. – Mentira. – E não quero que você atire Renée pela janela... Ela ainda é minha mãe. – Verdade.

- Sua mãe? – duas vozes se assombraram ao nosso lado.

Olhamos as meninas que nos encaravam confusas.

- Uau. Acho que nunca vi você falando dela. O que é estranho. Ela é sua mãe... – A voz de Alice foi morrendo quando ela percebeu que havia algum motivo para Renée ser pouco lembrada.

No fim ela me lançou um olhar constrangido que eu retribui com um sorriso tentando deixa-la confortável novamente.

Emmett chamou a minha atenção.

- Bell’s, tem certeza que não quer que eu vá? Mas certeza mesmo? Absoluta e total?

- Tenho. – sorri. – Você precisa treinar. – agora era minha sacada. – Por que não chama Alice e Rosalie para irem com você? – sugeri e chutei sua perna por baixo da mesa.

Primeiro ele me olhou confuso e depois alarmado.

- Hã?.. AH! ... Claro. Claro. – Se virou, vermelho. – Você quer ir... Quero dizer, vocês querem ir comigo? – A loira foi pega de surpresa e olhou para Alice esperando que ela respondesse, e esta estava ME olhando com um grande sorriso nos lábios.

Mandou-me uma piscada e se voltou a amiga e ao irmão.

- Vamos sim. Não é Rose?

- Claro, claro que vamos. — a pressa de Rosalie em confirmar a deixou envergonhada, mas arrancou um sorriso imenso do grandão.

- Bom dia.

Senti meu estomago gelar. Para logo depois todas as borboletas saírem e começarem a dar uma festa dentro dele.

Edward Cullen entrou na cozinha. O rosto levemente inchado, os cabelos mais revoltosos, os olhos ainda sonolentos... E ele estava incrivelmente mais bonito hoje.

Eu não sabia em que direção olhava, então respondi em um murmúrio seu bom dia e fingi me distrair com minhas unhas parcialmente roídas.

O ruivo arrancou um tom mais vermelho da minha pele quando puxou a cadeira do meu lado para se sentar.

Não vou negar que acordei morrendo de medo da sua reação. Que hoje ele fosse voltar a me ignorar totalmente, ou pior, a demonstrar a completa aversão que deixava escapar as vezes.

Mas foi em pleno jubilo que constatei, pelo seu lugar a mesa e pelo seu tom de felicidade, que eu estava errada.

- Então, o que estavam falando?

- Rose e eu vamos acompanhar Emm no seu treino. – Alice bateu palminhas, animada.

- Vocês vão? – levantou uma sobrancelha. – E Bella? – mesmo sem ver eu podia sentir seus olhos em mim. Me controlei para não imitar as palminhas de Alice quando ele se dirigiu a mim tão naturalmente.

- Bella? – Olhei e havia três pessoas sorrindo maliciosas que não deixaram o fato passar em branco também.

Ele riu dando de ombros.

- A Bellinha precisa ir em casa resolver algumas coisas. – Emm respondeu, ainda impugnado.

Edward pareceu entender do que se tratava. E quase cai para trás quando ele me olhou parecendo estar genuinamente preocupado.

- E você, não vai treinar, senhor quarterback? – Rosalie perguntou.

- Ah, de tarde... Sou mais do tipo que acha que precisa descansar em datas assim. – respondeu rindo.

A conversa seguiu. Mesmo com alguns membros parecendo, surpreendentemente, tímidos demais, o que era o caso do Emm... E eu me controlava para não apertar suas bochechas, mas também estava me controlando para não suspirar a cada demonstração de bom humor de Edward.

Esme e Carlisle desceram quando já tínhamos acabado o café, mas estávamos preguiçosos demais para sair da mesa. Ambos me olhavam preocupados o tempo todo.

- Mãe, pode fazer aquela sua torta de limão? – Edwad perguntou minutos depois.

- É claro, querido. Vontade de comer?

- Na verdade não. – riu. – Não vou recusar um pedaço, é claro, mas quem esta com vontade é Jazz, e como ele vem aqui a tarde para a gente treinar...

- Jasper vem aqui? – Alice estava vidrada na cadeira.

- Sim, ele vem. – o sorriso do ruivo pareceu bem sugestivo.

Lembrei-me de Emmett comentar de que sua irmã gostava do amigo.

- Faço com o maior prazer. Faz tempo que devo essa torta a ele. –Esme sorriu calorosa e já levantou pegando ingredientes.

Alice parecia que estava tendo uma luta interna. Eu a olhava curiosa, mas Emmett pareceu entender.

- Acho que Alie não vai querer sair de casa agora... Então somos só nós dois Rosalie. – Sorriu para ela que pareceu derreter na cadeira.

Uau. Ponto para o grandão!

Assim que Rosalie abaixou a cabeça envergonhada, depois de soltar risadinhas nervosas, ele tirou o sorriso do rosto e me olhou apreensivo em busca de aprovação. Levantei os dois polegares discretamente e ele voltou a sorrir convencido.

- Bella. – Carlisle me chamou. – Eu liguei para Billy vir ver sua camionete, querida. Ele vem à tarde.

Agradeci Carlisle, sempre entre o feliz e a tímida pela atenção que eles me davam.

Mas não sabia como ia embora agora.

- Eu levo você. –Emm ofereceu prontamente.

Pelo canto de olho vi Edward parecer decepcionado com algo.

- Não preci...

- É só levar. – me cortou. – Mesmo que eu não esteja nada de acordo com isso, mocinha. – murmurou só para eu escutar.

Esme pediu para eu ajuda-la fazendo o recheio da torta e prontamente fui... Achei que ela tivesse querendo atrasar minha volta para casa. E apesar de preocupada com meu pai, eu mesma queria enrolar.

Fui até a geladeira pegar um copo de leite da receita, e quando voltei consegui tropeçar no meu próprio pé, e todo o leite voou para minha camiseta branca, deixando-a pegajosa e transparente.

Esme correu me ajudar com um pano.

Olhei para a mesa, e Emm era o único que gargalhava de mim. Alice parecia sofrer pela minha peça de roupa, Rosalie apenas olhava ligeiramente preocupada, Carlisle mandava Emmett ficar quieto – mas era Emmett!... E Edward... Edward por algum motivo que só Deus sabe me olhava sorrindo de orelha a orelha, e não parecia ser de gozação...

Eu teria ficado o admirando se minha curiosidade não fosse quase mórbida.

- Isso não vai adiantar – Alice levantou e tirou o pano de minha mão. – Vamos ver se achamos algo meu para você.

Ela aproveitou minha distração e me puxou para seu quarto.

Por fim achamos uma blusa rosa que ficava bastante folgada nela. Depois de eu muito agradecer pela ajuda inesperada – coisa que eu andava tendo muito recentemente — descemos. Emmett e Rosalie já estavam do lado da porta para irmos.

Despedi-me de Esme e Carlisle que também estavam na sala, sem sinal de Edward, e já estava saindo quando me lembrei do meu, sempre esquecido, celular no quarto do Emm. Subi rápido para pegar.

- Bella? – assim que sai do quarto do meu amigo ouvi a voz de veludo.

Virei rápido o vendo encostado na porta de seu quarto, sorrindo presunçoso.

- Sim? – perguntei em expectativa.

- Foi muito bom ver que usa a correntinha. – E com um sorriso doce entrou para seu quarto.

E eu fiquei ali, completamente pasma, olhando a porta fechada.

Escutei a voz de Emmett gritando meu nome e obriguei minhas pernas a funcionarem.

- Porque esta vermelha como um pimentão? – Ele perguntou quando cheguei perto.

- Depois. – sussurrei apenas, ainda incrédula demais, apertando a corrente sobre a blusa de Alice.

Apertei o passo para entrar no banco de trás do carro e deixar Rosalie ir de carona.

Fiquei a viagem inteira em silêncio escutando a conversa animada dos dois, e ignorando os olhares especulativos que o grandão me lançava pelo retrovisor.

O carro parou em frente a casa, me despedi ainda distraída, e saltei para fora, indo até em casa dando passos cuidadosos para não me esborrachar no chão. Ouvi a porta sendo aberta, e logo depois senti mãos fortes na minha cintura. Dei um pulo olhando para trás para constatar que era Emmett. O olhei confusa, mas ele não me olhava.

- O que você faz aqui ainda? – O rugido do meu amigo me assustou. Acompanhei seu olhar e estanquei quando a vi na porta.

Emm me puxou para trás dele.

- Como o que eu faço aqui, essa é minha casa, garoto! – Renée respondeu ultrajada.

- Abaixa o tom! – Charlie ralhou, aparecendo atrás dela. – Essa casa não é sua. Emmett tem mais direitos aqui que você.

Renée bufou ultrajada.

De repente Rosalie também estava ali do meu lado, observando a situação com o cenho franzido.

Pedi aos céus que ela não fosse mesmo apenas mais uma como todas as outras do grupo de animadoras de torcida, e isso significasse apenas uma ótima fofoca na segunda feira.

- Vamos entrar, Isabella. – Deu alguns passos em minha direção, mas Emm deu um passo para trás, me obrigando a fazer o mesmo, então ela parou, ainda mais irritada. – Eu quero falar com a minha filha!

Eu soltei uma risadinha debochada.

Olhei para a loira e ela ainda mantinha a mesma expressão, sem saber para quem olhar.

- Emm. – toquei seu braço. – Você precisa ir, Rosalie esta aqui para ir com você. – Esperava que ele entendesse que eu não queria que ela presenciasse fosse o que fosse acontecer.

- Não, Bella! Eu vou ficar! – Ele nem me olhou, ainda encarava Renée.

- Mas você precisa ir... – tentei novamente.

- Emmett, pode deixar, garoto. – Charlie o tranquilizou. – Não vou deixar que ninguém – frisou bem a palavra. — magoe a Bella.

Meu amigo relaxou um pouco os músculos do braço, se dando por vencido. Virou-se para mim:

- Eu vou. Mas espero que seu celular fique ligado, ou eu venho aqui ver o que aconteceu. E qualquer coisa, me liga. – Deu um beijo na minha testa e se afastou para o carro. Rosalie o seguiu ainda bastante confusa com a situação.

Emmett me deu uma ultima olhada significativa antes de entrar no carro.

Suspirei fundo. E marchei até a porta ignorando Renée ao passar e só parando para dar um beijo no meu pai. O que a irritou muito.

- E na sua mãe? – Foi a gota d’agua para mim.

- Mãe?! – Gritei exasperada. – Você não sabe o que é ser mãe!

- Isabella, me respeite! Eu não tolero que você fale assim comigo.

Respirei fundo. Não havia conversa com ela, eu sabia. Virei-me para meu pai, resignada.

- Ou ela vai embora, ou eu vou. – tentei parecer calma. Não queria magoa-lo. Charlie era tão vitima quanto eu.

- Como é? É essa educação que você anda dando para ela, Charlie? Deixa essa menina falar assim com você?

- Cala a boca. – a veia da sua testa pulsava. Ele fazia uma força sobre-humana para se controlar. – Aqui é sua casa, filha. Não é você que vai sair.

- O que quer dizer com isso? Esta me expulsando da minha casa?

- Essa não é sua casa, deixou de ser quando você fugiu levando minha filha junto.

- Você não queria que eu ficasse aqui nessa vida medíocre? – Perguntou sarcástica.

- Então por que voltou? – não me controlei.

- Porque vocês são a minha família. – respondeu debochada.

Não é possível que alguém seja tão cínica assim.

- Não somos não! – gritei.

- Você é minha filha!

Agora ambas gritávamos.

- Filha? Você mesma já disse que nunca me quis! Tirou-me do meu pai para me maltratar, me humilhar. – Era engraçado como há muito tempo já não havia mais lágrimas em mim para gastar com ela.

- Eu deixei que passasse a noite aqui, mas já esta na hora de ir embora. – meu pai interveio. – Volte para seu marido.

As palavras de Charlie a deixaram embraçada de repente.

- Ele te deixou, não é? Por isso voltou, porque Phil a largou. – Percebi.

- Não fale o que não sabe, sua tontinha. – Ela veio para cima de mim alterada, mas Charlie entrou na frente.

- Não se atreva... – começou, mas eu mesma o interrompi.

- Acha que pode voltar aqui depois de todas as traições, depois de todos os machucados e achar que tem algum direito? – perguntei irônica, pasma com a sua cara de pau.

- Bella. – ele me reprovou.

Renée estava roxa.

- Já disse para você calar a boca. – seus olhos me fuzilavam.

- Ah, vocês não tinham mais a escrava aqui para fazer as coisas e colocar comida em casa com a pensão do meu pai, não é? — Apesar dos olhares reprovadores de Charlie, eu não ia parar, era muita coisa presa por anos. – O que aquele imundo fez quando não tinha mais a criança aqui para espancar quando ficava nervoso? Ele começou a fazer o mesmo com a mãe dela? E depois te trocou? Por uma mais nova ou por uma mais rica, talvez. – Eu sabia que tinha passado dos limites, mas não me importei. Renée não me importava mais.

Seus olhos se arregalaram e eu sabia que tinha tocado na ferida. Eu estava certa.

- VOCÊ FOI UM ERRO, ISABELLA! – Ela gritou. Não era a primeira vez que eu escutava aquelas palavras tão duras, mas já não doía tanto.

Meu pai agarrou seu braço e começou a empurra-la para fora de casa, completamente transtornado. Com medo de que ele pudesse fazer algo que se arrependesse depois eu os segui.

- Nunca mais se atreva a falar assim com a MINHA filha. Entendeu? – Os braços de Renée começavam a ficar vermelhos enquanto ela se chacoalhava para sair de seu aperto.

- Você também foi um erro, Charlie. Vocês dois. VOCÊS DOIS! – ela começou a gritar desesperada, cuspindo na cara de meu pai.

Corri até eles. Puxei o seu braço para que a soltasse. O que surtiu efeito, ele a soltou, entrou correndo para dentro de casa, nos deixando sozinha em um silêncio de pura raiva, e quando voltou estava com uma mala que atirou nos pés dela.

- Some das nossas vidas. – Foi a única coisa que disse antes de me puxar para dentro de casa e trancar a porta.

Ficamos em pé na sala, tentando escutar qualquer barulho lá fora.

Depois de alguns minutos, eu me atirei em seu colo o abraçando apertado. Mesmo não sendo muito adepto a demonstrações de afeto, Charlie retribuiu e não me soltou por longos segundos.

- Você esta bem?

- Sim, pai. Não se preocupe. E o senhor?

Ele balançou a cabeça, mas eu sabia que ele ainda estava alterado.

Por fim subi ao meu quarto, reprimindo a vontade de ligar para Emmett. Eu sei que estava quebrando a promessa que fiz a ele, mas não iria interromper seu “encontro”.

Peguei o Ipod que tinha ganhado dele em um natal e coloquei a seleção de rock pesado, que eu sempre escutava quando precisava preencher minha mente, e resolvi limpar a casa. Eu precisava me manter ocupada com algo.

Charlie estava trancado em seu quarto e passou toda a manhã lá.

Quando terminei fui fazer o almoço.

Estava colocando os pratos a mesa quando ele chegou. Olhou-me procurando algum vestígio de algo que pudesse ser preocupante, suspirou aliviado quando pareceu não encontrar nada.

Comemos no silêncio costumeiro.

- Bella. Eu estava falando com Billy no telefone agora a pouco... – ele começou constrangido, mas eu o cortei, sabia o que ele ia dizer.

- Pode ir pescar pai. Eu estou bem.

Pescaria era uma terapia para Charlie. E eu agradecia muito por isso. Era bem melhor ter um pai pescador que um pai bêbado ou coisa pior.

- Não queria te deixar sozinha.

- Eu ligo para o Emmett. – menti.

Ele acenou confirmando.

Lavei louça e subi para o meu quarto terminar alguns trabalhos da escola, que estavam bem adiantados, mas eu não tinha mais nada para fazer.

Meu pai passou no meu quarto avisar que já estava indo, e perguntar de novo se ele preferia que ele ficasse ou até mesmo se eu queria ir junto. Ficar com Jacob não seria má ideia, mas possivelmente ele ia querer ir pescar também.

Quando ouvi a viatura saindo me joguei na cama, puxei a coberta sobre a cabeça, e exausta da discussão de mais cedo acabei adormecendo.

Sonhei com Edward Cullen novamente.

O mesmo sonho de sempre: a magnifica campina, que me encantava profundamente, mas então eu o via andando em minha direção e perdia o folego. Ele sorria torto e me abraçava me levantando e girando no ar, antes de me beijar profundamente me fazendo esquecer de respirar. Então surgia uma linda criança, as vezes era uma menina e as vezes era um menino, correndo em nossa direção. Edward a pegava no colo e eu rindo ia beijar a bochecha redonda. Sempre assombrada em como ela era a mistura perfeita de nós dois.

O celular tocava alto embaixo do meu travesseiro. Gemi, não queria ser despertada do sonho, então o peguei contrariada. Atendi ainda de olhos fechados.

- Oi. – a voz saiu rouca pelo sono. Pigarreei.

- Oi. – a voz tímida do outro lado me fez abrir os olhos surpresa. – Te acordei? Desculpa.

- Não, quer dizer, sim. Mas tudo bem, eu já ia acordar. –idiota!

Escutei sua risada melodiosa.

- Fico feliz. – Pigarreou. – Eu liguei para saber se você... Sabe... Estava bem? – a pergunta saiu meio enrolada.

- Hã? – exclamei em surpresa. – Sério? – não conseguia raciocinar direito.

- É... Não queria incomodar. – ele se tornou alerta.

- Não incomoda! – aumentei o tom de voz, sem querer. E agradeci por ele não poder ver a cor que eu fiquei. Pelo menos ele riu do outro lado.

- É bom saber disso... Então, como esta?

- Estou bem... – respondi meio incerta.

- Você resolveu...? – deixou morrer a pergunta.

- Sim, resolvi. – respondi.

- Emmett acabou de chegar, acho que você vai querer falar com ele. – seu tom de voz mudou de repente, deixando de ser tão dócil.

- Ah, claro.

- Vou passar para ele. Até amanhã, Bella.

- Até amanhã... ah, Edward? – chamei tímida.

- Sim?

- Obrigada. – agradeci, ainda surpresa.

- De nada. – podia sentir o sorriso em sua voz

Ele me desejou boa noite e passou a Emmett.

É claro que ouvi uma bronca por não ter ligado para ele, mas consegui o distrair um pouco quando perguntei sobre o seu dia. O “encontro” havia sido ótimo.

Rosalie era muito mais do que ele imaginava.

Fiquei tão feliz, que passei duas horas ouvindo toda a conversa melosa com um sorriso no rosto.

Ele se ofereceu para vir dormir aqui, mas recusei, afinal ele precisava descansar para o grande jogo de amanhã.

Notas finais
Tudo bem com vocês?
E ai, gostaram do capítulo? Estão gostando da história? Sugestões? kk
Obrigada a todas os comentários, eles são lindos e únicos *-*
Beeeeeijos!