Até Parecem Idiotas
11 Ele na minha vida.
Notas iniciais
POV BELLA
Emmett correu jogar a coberta em cima de mim, que prontamente enrolei no meu corpo.
Céus! Será que alguém podia morrer de vergonha? Senão, eu certamente seria um caso a ser estudado!
- Pelo menos assim fica mais fácil tirar suas medidas. – Olhei para Alice sem acreditar.
A baixinha parecia se divertir com a situação.
Já seu outro irmão estava estático.
- Hmm Onde fica o banheiro, por favor? – Pediu com a voz esganiçada, segurando o casaco sobre o corpo de um modo estranho.
- Ali. – foi Emmett que apontou. Arqueei a sobrancelha por a informação parecer uma bronca.
Edward correu até lá, fazendo Alice cair na risada e a carranca de Emmett ficar mais pronunciada. Só eu parecia não estar entendendo nada naquele quarto.
- Bell’s, Alice e eu te esperamos lá embaixo. – anunciou puxando a irmã para fora e fechando a porta.
Demorei alguns segundos para processar o que tinha acabado de acontecer aqui.
Diferente de Emmett que era praticamente um filho adotado do meu pai, Alice e Edward nunca vinham à minha casa... Ah não ser... Não, nunca mesmo, se tirarmos às vezes em que Esme ou Carlisle vinham buscar o filho e traziam os dois juntos. A filha até entrava e ficava na sala sentada com os pais, mas o ruivo sempre esperou no carro.
Quando desci, usando mais roupas do que precisava. Não os encontrei na sala, e minha cabeça se perguntou se foi um sonho. Era possível que eu tivesse pirado de vez... Dei um tapa na minha testa. Eu não estava tão louca assim, não é?... Não é?
- Você não deveria estar comendo sem pedir para a Bella. É falta de educação. – escutei a vozinha delicada de Alice vindo da cozinha e fui até lá.
- Eu sou de casa. – Um Emmett que parecia estar se engasgando retrucou.
Ela estava sentada à mesa reprovando com o olhar o irmão que mexia na geladeira enquanto segurava uma tigela de pudim com uma porção razoável já na boca. Edward estava com eles, encostado na pia de braços cruzados observando o irmão mais velho acabar com a minha comida. Ainda parecia constrangido, acho que por estar aqui pela primeira vez.
- Você é um porco. – Alice disse com nojo para Emm que não estava nem ai para ela.
- Oi. – Os três se viraram para me ver.
Desviei o olhar dos olhos verdes penetrantes.
- Vai ir para a Antártica? – meu amigo zombou pela minha quantidade de roupas. Mas olhou para o irmão mais novo e pareceu mudar de ideia. – Assim esta ótimo. – Disse sério.
Edward pigarreou e encarou o chão.
- Então, ele sempre é folgado assim na sua casa? – Alice mudou de assunto, voltando a implicar com o Cullen mais velho.
- Sempre. – confessei sorrindo. – Você tem que ver quando Jacob também vem aqui, sempre tenho que ir ao mercado no dia seguinte.
Ela riu. – Esse Jacob, é o moreno musculoso do seu aniversário, não é?
- Ele mesmo.
- Bonitão. – ela cantarolou aprovando. Eu ri do seu jeito.
- Deixa o Jasper saber que anda falando essas coisas, Alice. – Edward a reprendeu, carrancudo.
- O que foi? Ele é bonito mesmo. – se defendeu. – E não é o Jasper que parece “incomodado”. – sorriu para o irmão que a fuzilou com os olhos.
Emmett riu. Olhei para ele indagando mais o grandão deu de ombros e voltou a comer.
- Faz tempo que não venho aqui. Desde que era criança. – a baixinha refletiu. – Edward, você já entrou aqui?
Ele negou com a cabeça.
- Oh. Então que tal nos mostrar a casa, Bella?
- Hmm... Desculpa Alice, mas a casa é isso aqui. Sabe, nenhuma mansão. – Sorri sem graça, mas ela não perdeu a pose.
- É uma casa adorável. – sorriu. – Sabe, gosto de casas pequenas, tem tanto calor humano. Queria morar em uma casa assim, assim ficaríamos todos juntos sempre, e não cada um em um canto.
- Está louca? A casa grande é justamente para não ter que te aturar o tempo todo.
Ela deu a língua para Emmett.
Eu ri do clima família unida. Viver apenas com Charlie podia ser solitário às vezes, e eu sempre quis ter um irmão... Quando era mais nova e morava com a víbora que me roubou do meu pai, rezava para ter alguém que pudesse estar do meu lado para passar por cada coisa ruim.
- Você não tem que tirar as medidas da Bellinha?
- Ah, é verdade. – ela concordou empolgada. – Eu trouxe a fita e a pasta com os tecidos. – remexia em uma grande bolsa que estava na cadeira ao lado. – Vamos?
Suspirei resignada. — Não sei se é uma boa ideia...
- Porque não? – Edward perguntou interessado.
- Bella não quer ir comigo.
Estreitei os olhos para meu amigo. Aquele “comigo” não pareceu uma critica, mas sim uma palavra cheia de significados ocultos.
Emm desviou o olhar de novo para o pudim, mas a expressão de Edward se iluminou.
O que esses dois estavam aprontando?
- De qualquer jeito você deveria fazer um vestido. Só por precaução.
- Eu não sei...
- Por favor? – Finalmente entendi o que Emmett queria dizer quando falava que ninguém resistia aos olhos de gatinho pedinte de Alice.
- Tudo bem. – sussurrei rendida.
- Isso. – Ela ficou de pé para bater palmas. – Vamos lá. – segurou minha mão e me puxou para fora da cozinha.
- Fiquem a vontade. — Pedi para Emmett e Edward... Mais para Edward já que Emmett estava praticamente em casa.
Escutei-o falando para o irmão:
- Vem cara, vamos assistir TV.
--x—
- O que você acha dessa? – ela me mostrou outra cor, que na prática me parecia idêntica a anterior.
- Gostei. – sorri.
- Bella, assim não dá. – resmungou. – Você gostou de todas!
- São todas bonitas. – me defendi.
Estávamos a um tempo considerável fazendo isso. Pelo menos já havia pegado minhas medidas – em que a única coisa demorada foi me despir de todas aquelas camisetas e blusas de frio.
- Quer saber, eu mesma vou escolher. – Olhou a sua volta analisando os pedaços de pano no chão. Pegou um azul e colou por cima do meu pescoço. – É esse! – Seus olhos brilharam. – Azul é definitivamente sua cor.
- Obrigada? – Não sabia se tinha sido bem um elogio, mas ela pelo menos sorriu.
- Agora preciso ir para casa desenhar um modelo. Minha cabeça esta fervendo de ideias. – Estava tão animada que senti medo.
Escutei a viatura estacionando na entrada de carros e nós duas descemos.
Edward estava sentado no sofá enquanto Emmett estava jogado no outro babando com o controle da TV na mão.
As chaves giraram e meu pai entrou. Ele parou na soleira com a sobrancelha levantada. Se não fosse por eu ali no meio e Emmett dormindo no sofá ele teria passado a chave de novo na porta e saído procurar a casa certa.
- Oi, pai. – cumprimentei com um sorriso amarelo.
- Oi, Bell’s. – entrou ainda meio incerto. Tirou a arma e colocou na gaveta do criado mudo ao lado da porta ainda olhando as duas visitas.
- Oi, senhor. Eu sou Alice. A gente já se conheceu, mas eu era pequena, e faz tempo que não nos vemos, por isso estou me apresentando. – Meu pobre pai franziu o cenho para a chuva de informações e a velocidade em que a Cullen empolgada falava.
- Oi, Alice. – sorriu. – Como você cresceu!
Ela riu. – Acho que não cresci tanto assim, senhor.
- Pode me chamar de Charlie. — O sorriso do chefe foi surgindo atrás do bigode. Percebi na hora que ela já estava o conquistando.
Virou-se para o ruivo.
- Edward eu vi recentemente. – Recordei da “visita” de Renée e de quando ele me salvou com um sorriso discreto. – Como vai, rapaz? – se aproximou para estender a mão ao ruivo que a pegou prontamente.
- Estou bem. E o senhor?
- Pode me chamar de Charlie também. – pediu.
Agradeci por meu pai parecer disposto a esquecer de todas as vezes que cheguei em casa chorando e a culpa ser de Edward.
O ruivo assentiu sorrindo.
Emmett resmungou acordando, olhou em volta meio perdido antes de se situar. – Hey, Charlie. – cumprimentou alegremente meu pai enquanto sentava-se.
- Que bom que já esta aqui, Emm. Convidei seu pai e a turma de La Push para uma noite da pizza e do esporte.
- Legal! – Emmett comemorou. – Ei, Bell’s, me traz um travesseiro então que vou ficar dormindo até todos chegarem.
- Deixa de ser folgado. – Ri dando um tapinha no seu braço.
Assim que meu pai subiu para tomar banho, Alice começou a tagarelar para o irmão.
- Emmett, preciso que você me leve em casa agora. Minha cabeça vai explodir de tanta ideia. – colocou as mãos ao lado da cabeça dramaticamente.
- Tenho mesmo?
- Tudo bem, pode ficar aqui, é só me dar a chave do seu jipe...
- NEM PENSAR! – Gritou ficando de pé. – Ninguém além de mim toca no meu carrinho!
Emmett e seu amor pelo carro. Revirei os olhos.
No fim me fez ir junto até a mansão Cullen.
Quando estávamos entrando no carro, Alice correu na nossa frente e entrou no banco do passageiro, me deixando para sentar atrás com Edward.
Esse se adiantou e abriu a porta do carro para mim.
- Obrigada. – agradeci lisonjeada.
Lisonjeada demais, na verdade.
Ele sorriu torto sem dizer nada e foi para o outro lado.
--x--
- E hoje querida, vai finalmente jantar conosco?
- Desculpe Esme. – lamentei. – mas hoje é a noite da pizza e do esporte.
- Oh, é verdade. Carlisle me avisou, eu só esqueci. Bom, então fica para a próxima, não é? – deu um sorriso gentil ao qual retribui. – Emmett, vai tomar banho para ir, querido.
- Mas mãe, eu já tomei...
- Agora!
Ele resmungou mais um pouco, mas foi só mais um olhar de alerta da Dona Esme e Emm já estava subindo as escadas correndo.
- Vocês querem ir? – perguntei por educação já sabendo que iriam recusar.
- Obrigada querida, mas vamos ficar em casa mesmo. – Esme sorriu respondendo pelos filhos também.
- É claro. – concordei.
Acho que ela e Alice não tinham passado a gostar de esportes em tão poucas noites, não é. E nesse momento a baixinha estava trancada no quarto, com certeza com um monte de papel de desenho em volta.
- Eu posso ir com vocês?
Virei-me tão rápido para o dono da voz que acabei ficando tonta e tive que me segurar na bancada para não cair.
- Você quer ir? – Esme também parecia descrente.
- Quero. – respondeu incerto pela nossa reação.
O rosto da matriarca Cullen se iluminou. – É claro. Ele pode ir, não é Bella?
- Po-Pode. – gaguejei. Cheguei a uma parte da vida que esperava alguém sair de trás do armário gritando surpresa com uma câmera na mão.
Edward ainda estava inseguro, mas sorriu para mim...
... Ok, as coisas não estão normais! FATO!
--x—
Carlisle passou a viagem inteira de volta olhando Edward pelo retrovisor. Com certeza Esme e eu não éramos as únicas pessoas descrentes. Já seu irmão, achou muito natural ele querer participar dessa vez.
- Jakezito! – Emm gritou. Tínhamos acabado de chegar a minha casa bem na hora em que Billy e Jacob também chegavam.
Jake riu do amigo. – Cara, você é gay! – bateu no ombro dele e depois no de Carlisle, que foi ajudar Billy com a cadeira de rodas.
A hora em que ia batendo no braço de também Edward, se reteve constrangido. – Ah, desculpa, cara. – coçou a cabeça olhando para mim rapidamente. — E ai, como vai?
- Bem. – Foi à única coisa que o Cullen disse. Encarava Jacob de um modo estranho.
- Jacob, Edward. Edward, Jacob. – Emmett fez as apresentações. – Mas vocês já se conhecem, né, então podemos parar de blábláblá e ir logo comer.
- Ele sempre pensa em comida. – O moreno revirou os olhos para mim. Passou o braço pelos meus ombros e seguiu comigo para dentro de casa. – E você, Bell’s, como vai? – eu vi que deu mais uma olhada de cenho franzido na direção do Cullen ruivo.
- Ótima. – sorri sincera.
Estava sentindo uma felicidade repentina explicada pelo simples fato de Edward estar ali. Tinha a impressão, mesmo que boba, que ele estava entrando na minha vida.
E eu estava sorrindo sem motivo algum.
A noite passou mais rápido que eu gostaria. Divertida como sempre, e a aquisição a mais se tornou uma grande surpresa: quem diria que Edward Cullen podia ser tão divertido? Ele riu, comentava e brincava com todos – Apesar de parecer ter sentido uma antipatia discreta por meu amigo de La Push.
Não demorou a meu pai passar a olhar para ele sem aquela desconfiança que só meus olhos treinados em anos de convivência poderiam perceber. E Carlisle estava muito contente por ter seus dois garotos com ele.
Entrei na cozinha para vasculhar o freezer atrás de refrigerante. Esticava-me nas pontas do dedo tentando tatear o fundo e pensando no quanto Alice devia sofrer.
- Eu ajudo você. – Assustei-me com a voz perto demais para a minha sanidade.
Prendi a respiração. Não pelo susto que tomei, mas para não ofegar com as mãos poderosas que seguraram minha cintura me colocando de lado gentilmente.
- Aqui esta. – Entregou quatro latinhas.
- Obrigada. – sussurrei.
Ficamos em silêncio sem saber o que dizer, e eu estava sem reação para me afastar.
- Esta se divertindo? – foi à primeira coisa que me veio a mente.
Ele sorriu torto. – Muito. Obrigado por me deixar participar.
- Não precisa agradecer. – sorri tímida para ele.
O silêncio voltou a se instalar.
- Jacob...
- O que tem ele? – indaguei interessada quando ele se calou.
- Ele é legal, não é?
- É. Um grande amigo.
- Amigo?
- É. Por quê?
- Nada. – sorriu. – Agora quando alguém me fala que é só amigo eu tento acreditar.
Franzi o cenho sem entender, mas antes que pudesse questionar Charlie me chamou pedindo as bebidas.
Já passava da meia noite quando eles foram embora.
Na hora da despedida, depois de Emm me tirar do chão com um abraço, seu irmão me surpreendeu com um beijo no rosto que demorou mais do que a etiqueta pede e um “boa noite” sussurrado no ouvido que me fez arrepiar.
Apoie-me na parede meio derretendo e sorrindo como tonta enquanto os via indo embora. Quando finalmente fechei a porta, meu pai estava atrás de mim me olhando de braços cruzados e sobrancelha arqueada.
Despedi-me dele e corri para o meu quarto com as bochechas pegando fogo.
Foi uma noite e tanto. SEM DÚVIDAS!
Não conseguia dormir. Talvez porque tinha dormido à tarde; Provavelmente porque minha cabeça maquinava em pensamentos que me faziam suspirar.
POV EDWARD
- Edward? – Meu pai me chamou da porta do meu quarto.
- Sim.
- Foi legal você ter ido hoje.
- Foi muito legal ter ido. – respondi sincero.
Ele sorriu para mim.
- Boa noite, filho. – e saiu fechando a porta.
Abri a gaveta e peguei o caderninho escondido embaixo de alguns livros. O folhei de novo parando na seção “Do que a Bella gosta”. Sorri presunçoso lendo os itens que meu irmão tinha colocado, muitos deles eu já sabia como resultado de observa-la por anos. Enquanto outros me faziam sorrir apenas por serem tão adoráveis:
14. Meias compridas e coloridas, de preferencia que tenham rostos de bichinhos. Cara, ela tem uma meia de girafa que é o xodó dela.
Eu podia visualiza-la com essas meias, como podia. Tinha certeza que mesmo sendo infantis a Swan ainda conseguia ficar gostosa com elas.
17. Gosta de cantar enquanto arruma a casa – e é desafinada pra caramba.
18. Gosta que eu a ajude a arruma a casa. E eu adoro ajuda-la, porque...
19. ... Ela não gosta, mas entra aqui também porque eu gosto e estou com preguiça de procurar o lugar certo para escrever. Enfim: Bell’s cai muito quando limpa a casa. É hilário de ver. Praticamente eu tenho que ligar antes no hospital para saber se eles têm o sangue dela estocado caso precise.
Rindo das asneiras de Emmett, eu confesso que senti uma pontada de ciúmes por ele sempre estar com ela e eu não. Continue a folhear, sempre parando para reler o que praticamente já estava decorado.
Mas no final meu irmão havia deixado um mistério. Uma carta colada a ultima pagina. Fez-me prometer que eu não abriria até o dia da sua formatura, e como Emm foi bacana o suficiente para me ajudar fazendo todo esse livro sobre Isabella acho que é justo obedece-lo, mesmo morrendo de vontade de ler.
Sem contar, que poucas vezes vi meu irmão falar tão sério.
Voltei algumas paginas e fiz minha própria anotação no “O que a Bella não gosta”:
71. De Edward Cullen... Ainda.
Notas finais
Obrigada por todos os lindos e infladores de ego comentários do capítulo passado. VOCÊS SÃO DEMAIS! obrigada, gente *-*
E então, o que acharam do capítulo?
Beijooos!
Fale com o autor