Astros & ET's
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Notas iniciais
Árian acordou às 7:00 da manhã com o barulho irritante de seu despertador, as férias se aproximavam e seu ânimo para ir à escola era inexistente. Quase esmurrou o botão do despertador para desligá-lo, levantou-se e caminhou até o banheiro de seu quarto. Pressentia algo estranho sobre aquele dia, não conseguia explicar o que era, talvez estivesse apenas com medo da vingança do time de futebol da escola, o qual tentou pregar uma peça em Árian, mas um dos jogadores acabou ferido após erroneamente estimular sua fúria.
Esta era apenas uma de muitas provas que Árian não era exatamente um garoto querido pela escola, ou pela cidade inteira. Após tomar um longo banho, deixou seus cabelos escuros bagunçados como o usual e se vestiu. Quando desceu as escadas para a sala de estar, sua família toda estava sentada no sofá, sua mãe e seu pai encaravam a TV de um modo preocupante. Árian estranhou aquela cena.
— O que foi?
— Parece que encontraram destroços de algo desconhecido aqui na cidade, a área toda está isolada agora, está nos jornais de todo o mundo querido. — Respondeu Martha, sua mãe.
— Aqui em Healdsburg? Caralho! Quem diria, uma nave alienígena.
— Olha a boca – exclama Robert, seu pai – não se sabe ainda o que é exatamente, mas parece que estamos trancados nesta cidade, foram colocadas cercas elétricas e membros da SWAT por todos os limites daqui, ninguém entra ou sai.
Árian consegue perceber a preocupação nos olhos de seus pais, mas não entendia o motivo, provavelmente aquilo acabaria em no máximo 3 ou 4 dias e, com certeza, os destroços seriam apenas partes queimadas de bugigangas inventadas por crianças desocupadas. Ele vai à cozinha e pega uma fruta, pega seu celular, olha sua caixa de mensagem e vê a mesma rotineira mensagem:
“Não vou entrar, a gente já tá atrasado, vem logo tô aqui de fora.”
Árian ia sempre a pé para a escola com seu melhor amigo Áquila. Foi até a porta com a fruta na mão e gritou para seus pais que já estava partindo, e ali estava Áquila, sentado nas escadas de madeira da casa.
— Escolhe um número de um à cinco. — Disse Áquila sem cumprimentar.
— Quatro. — Respondeu seu amigo já acostumado com aquele tipo de coisa.
— Então hoje a gente passa pela casa da Riley.
— Você tá tão afim assim dessa garota?
— Claro que não, foram só alguns beijos no carro do pai dela.
— Se eu escolhesse outro número também seria o caminho da casa dela né?
— Provavelmente. — Os dois começaram caminhar em direção à escola.— Leu o jornal dessa manhã?
— Quem lê jornal?
— Eu leio, e para sua informação, nossa cidade está em todos os jornais do país, ou do mundo.
— É, eu fiquei sabendo dos ET's através dessa tecnologia nova chamada TV.
— ET's? Então você acha que é isso?
— Claro que não idiota. — Disse Árian soltando uma risada.
— Mas é claro! Como não pensei nisso antes, faz todo sentido, cara, tem alienígenas em Healdsburg. — Áquila fica entusiasmado de repente, dando passos mais largos com os cadarços desamarrados.
— Sua mãe ainda não mandou você cortar esse cabelo? — Árian gostava de fazer piadas a respeito do cabelo comprido de seu amigo, que batia um pouco acima do queixo.
— Relaxa, nem está do tamanho bom ainda. — Quando estavam perto de uma casa verde com grandes janelas, Áquila ajeitou seu cabelo, conferiu o hálito e arrumou a mochila nas costas. — Lá vamos nós.
— O cadarço. — Alertou.
— É estilo cara.
— Você mesmo disse que estamos atrasados, quais as chances de Riley ainda estar em casa?
Áquila para de repente e se mostra confuso, pelo visto não havia pensado neste detalhe. Durante o resto do caminho, Árian não conseguia parar de rir. Já a alguns quarteirões da escola, os dois começaram a discutir sobre a briga com o time de futebol do colégio, e Árian se surpreendeu ao descobrir que seu amigo também havia tido uma estranha sensação sobre este dia, mas ambos não tinham certeza do que era. Estavam quase em frente a escola, quando os dois pararam de repente.
— Socorro!!! — Grita uma voz do terreno baldio ao lado dos garotos.
— Você ouviu? — Pergunta Áquila.
— Cara, é melhor a gente correr, a escola já vai fechar.
— Não, alguém está pedindo socorro, a gente tem que ajudar!
— Que droga Áquila, provavelmente é só um garoto preso em um galho!
— Você tá com medo?
— Claro que não, eu só… que droga! Vamos logo, se for alguma armadilha dos idiotas do futebol eu te mato. — Os dois entraram no terreno e foram cada vez mais fundo.
A grama era alta e algumas plantas pregavam na barra da calça de ambos. Quanto mais distantes da calçada, mais apreensivos ficavam. Árian deixava Áquila sempre à frente. Ouviram outro grito, desta vez o som parecia mais próximo.
Os dois conseguiram reconhecer o corpo de outro garoto deitado na grama, suas roupas sujas de lama em todas as partes e algumas feridas pelo rosto, estava agoniando e se contorcendo no chão. Áquila correu para ajudá-lo.
— O que aconteceu? – Perguntou ao garoto deitado.
— Por favor… a-água.
Após alguns minutos ajudando o menino a se sentar perto de uma árvore e lhe entregar sua garrafinha d'água, Áquila perguntou seu nome.
— Sage – respondeu com o máximo que conseguia executar de um sorriso.
— Prazer, eu sou Áquila, e aquele cara assustador que não me ajudou nem um segundo se chama Árian. – Sage tentou rir da piada, mas começou a tossir.
— Quem fez isso com você? – Perguntou Árian, pela primeira vez se dirigindo ao garoto maltratado, suas mãos estavam fechadas de raiva, queria encontrar quem tivesse feito aquilo e retribuir o favor, mesmo que não tivesse nenhuma ligação com aquilo.
— Vocês não acreditariam. – Respondeu Sage.
— Tenta.
— Certo – com dores por todo o corpo, tentou se levantar com a ajuda de Áquila – eu estava a caminho de casa há alguns dias, quando vi uma luz muito forte – seus olhos ficaram vidrados por um instante – não fazia ideia de onde estava vindo aquela droga de luz, mas a única coisa que me lembro é de acordar em um tipo de sala toda branca com uns caras assustadores, o rosto de um deles foi a última coisa que vi antes de acordar aqui. Cara, eu tô com medo pra caralho!
Após o relato de Sage, os outros dois se entreolharam. Os olhos de Áquila estavam maiores que o normal, e as mãos de Árian não estavam mais rígidas, não tinha forças, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, não podia. Todos os sinais apontavam para apenas um fato, os destroços de algo desconhecido encontrados naquele lugar, o uso de cercas elétricas e membros da SWAT por todos os limites da cidade e agora um garoto que dizia ter sido sequestrado por uma luz. Não conseguia acreditar que alienígenas estavam neste exato momento em Healdsburg.
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