Notas iniciais
Espero que gostem! ♥

Antes de darmos início a esse capítulo, preciso avisar que, por ser uma história real, os nomes das pessoas que aqui aparecem foram trocados por nada mais, nada menos, que personagens da aclamada saga Harry Potter. Então vocês podem ler como se isso tudo fosse uma grande fanfic. Ou não, vocês que sabem, estou aqui apenas para relatar essa aventura interessante que vivi.

☽♉☾

O domingo na casa dos Potter foi, assim como qualquer outro, movimentado e barulhento. Era tradição da família se reunirem para um almoço e passar o dia juntos, uma forma de deixar todos unidos apesar da agitação que era a vida.

No início, antes de James e Lily resolverem dar o próximo passo e casarem, as reuniões eram ainda mais constantes durante a semana, mesmo com a faculdade e o trabalho, elas aconteciam na república de James.

Foi lá que ele, Peter Pettigrew e Sirius Black se conheceram e viraram irmãos, inseparáveis. Mary chegou após começar a namorar Pettigrew. E então a família cresceu. Lily veio e trouxe com ela Dorcas e Marlene, que juravam não terem nada, mas que estão juntas há mais de 20 anos.

Logo todos foram virando donos de suas próprias casas, imersos em suas vidas cheias de obrigações e, por um tempo, as reuniões foram raras e com intervalos muito maiores de tempo. Então o pequeno Potter chegou e todos se deram conta de que precisavam se unir de novo, retornar a tradição mesmo que em apenas um dia por semana.

Desde sempre Harry gostou disso, de poder ver os tios, padrinhos e as pessoas que amava juntos, então o domingo sempre foi seu dia favorito. Foi neles que comemorou aniversários, se assumiu para a família, apresentou os amigos, experimentou bebida alcoólica e passou por tantos outros momentos. Ah, e claro, que contou que estava passando o rodo nos signos do zodíaco.

— Como é? — Sirius berrou, a surpresa e o humor espalhados pelo seu rosto.

— É para um trabalho da faculdade — Harry tentou se justificar, e, talvez, diminuir um pouco todo aquele espanto.

— Definitivamente não tinha isso na minha época — Marlene riu, parecendo amar tudo aquilo. — Six, porque a gente não teve essa ideia na nossa época mesmo?

Mas a pergunta morreu no ar quando Lily interrompeu.

— Deixa eu ver se eu entendi — a ruiva começou, olhando única e exclusivamente para Harry. — Você está ficando com uma pessoa de cada signo e documentando tudo em um blog?

Harry concordou com a cabeça, fazendo uma careta. Parando para pensar, enquanto todos ficavam em silêncio, o encarando, não era lá uma ideia tão genial assim, mas, sendo sincero, era extremamente divertida.

— Eu não sei como, mas eu carreguei o filho do James com o Sirius — Lily deu de ombro rindo. — E trate de me mandar esse seu blog, viu? Agora estou louca para ler.

Houve uma onda geral de concordância, onde todos pareciam muito animados e ansiosos para lerem o que quer que Harry estivesse escrevendo.

É, domingo realmente é um dia sagrado para Harry.

E foi por toda essa agitação que o garoto não se deu ao trabalho de olhar o blog. No dia seguinte, entre o estágio, seus projetos e as atividades para fazer, também não encontrou um momento para olhar os números ou comentários da sua página, mas não era algo que ele se importava muito.

Era apenas um blog idiota sobre astrologia, apostava que seus colegas nem sequer iam entrar nos links que o professor já havia compartilhado. E seu objetivo, acima de tudo, era um dez e não ser o assunto mais comentado da faculdade.

Estava tão distraído quando entrou na sala, muito tempo antes da aula de Sintaxe, que não percebeu que havia mais gente e mais barulho que o normal para aquele horário. Sentou no lugar de sempre, atrás de Colin, e tomou um susto quando o rosto de Lilá apareceu na sua frente, sorridente demais para quem iria passar a noite assistindo à aula que menos gostava.

— Você viu? Você tem que ter visto, ninguém entende mais de signos do que você… ai meu deus, — houve uma pausa onde Lilá olhou para Colin e de novo para Harry — é você??

— Do que você está falando? — talvez ter sido pego de surpresa tenha sido melhor que estar preparado, ou jamais teria conseguido fazer uma expressão de confusão melhor do que aquela.

— Dos blogs, do Lupin.

— Ah — Harry rezou muito para sua expressão de confusão ainda estar convincente.

— E então, é você? — Lilá insistiu mais uma vez, mas antes que Harry pudesse sequer pensar em responder, Colin fez careta.

— Duvido, você já viu Harry conseguir conquistar alguém ao ponto dela querer beijá-lo e não sair correndo?

— Do jeito que você fala, eu pareço um completo babaca — Harry fez careta, mas estava agradecendo ao amigo por pensamento.

Claro que Harry já havia ficado com pessoas, mas, no geral, ele era quem tomava conta dos celulares e impedia os amigos de irem para casa de estranhos com caráter duvidoso. Ele, normalmente, era o pai do rolê.

O que ele gostava bastante, vale ressaltar, mas isso não chamava a atenção de possíveis pretendentes, além de que seu papo sobre signos, destino e o caralho a quatro não costumava ser a coisa mais atrativa do mundo. Mesmo que ele tivesse outros assuntos sobre o que conversar.

Então a soma de todos esses fatos o fez ter a fama de quem não pega ninguém

— Ainda não tive tempo de olhar nenhum blog — Harry comentou enquanto tirava o caderno da mochila, tentando agir normalmente para não voltar as suspeitas de Lilá. — Mas fiquei interessado sobre esse de astrologia.

— E a ideia é genial — Lilá suspirou animadamente, mal se contendo em sua própria cadeira. — A pessoa, um menino, está passando o rodo nos signos do zodíaco.

Harry pensou consigo mesmo que deveria ganhar um prêmio, pois mesmo sem um espelho ali, ele sabia que fez sua melhor e mais verdadeira cara de surpresa. Talvez devesse desistir da licenciatura e ir para a interpretação.

— Eu definitivamente irei acompanhar e morrer de inveja — ele suspirou e teve que se segurar para não rir da sua encenação -, queria eu ter tido essa ideia.

Um grupo de garotas sentadas perto do trio ouviu sobre o que estavam falando e, contagiadas pela nuvem de empolgação e curiosidade que o blog trouxe, chegaram até mesmo a comentar sobre as aventuras do tal “astrology boy”, mas a professora de Sintaxe chegou antes que Harry fosse obrigado a participar e, mais uma vez, ele agradeceu silenciosamente.

Porém, ele passou toda a aula distraído, o que, sinceramente, não era muito incomum, visto que ele realmente odiava a disciplina, mas dessa vez Harry não conseguia parar de pensar que em tão poucos dias, seu blog havia alcançado pessoas não só que pagavam a mesma disciplina, mas também pessoas de fora.

Ele estava quase abrindo o próprio celular e logando no seu perfil anônimo para ver os números, de tanta curiosidade, mas não faria isso. Não enquanto estivesse cercado de pessoas extremamente empenhadas em descobrir quem era o passador de rodo oficial.

Harry precisava confessar que agora estava com um leve medo da repercussão que aquela sua aventura teria, não que ser conhecido no curso (ou pior, em toda a faculdade) como o astrology boy fosse ser realmente um problema (felizmente homens não tinha que se preocupar com isso), mas não era algo que ele fosse querer lidar.

Entretanto, precisava admitir que uma parte sua estava explodindo de orgulho, as pessoas estavam lendo e gostando do que estava escrevendo. Não que ele sonhasse em ser um escritor algum dia, mas saber que algo que você fez agradou tanto os outros dava uma sensação gostosa na barriga.

Foi com o sentimento de orgulho e a curiosidade explodindo dentro de si que Harry pescou o celular de dentro do bolso assim que sentou em uma cadeira vazia do ônibus, enquanto voltava para casa, e olhou seus dados de acesso do blog. O garoto agradeceu por estar sentado ou então cairia ali mesmo, sem acreditar no que estava vendo.

Os números haviam saltado de meros 83 acessos para 1293!

Ele não sabia se era real ou até mesmo como se sentir em relação aquilo, então mandou um print da tela no grupo que tinha com Mione e Ron, guardou o celular de volta no bolso e suspirou. Talvez ignorar fosse uma boa solução.

☽♉☾

Eram sete horas da manhã de uma sexta-feira e Harry estava suado, estressado e completamente espremido entre uma mulher desagradável e a catraca do ônibus, enquanto esperava ter algum tipo de espaço na parte de trás para poder passar. Com os fones de ouvido, ele resmungou irritado quando sua música foi interrompida por causa de uma ligação e resmungou de novo quando não conseguiu pegar o celular a tempo.

Odiava com todas as suas forças acordar cedo, principalmente em uma sexta-feira, mas a Região Metropolitana de Recife, e seu transporte caindo aos pedaços, fazia tudo ficar ainda pior. E foi com a energia de quem poderia facilmente estrangular alguém que ele atendeu a ligação quando o telefone voltou a tocar.

— Como você está, sedutor? — quis saber Hermione e, antes de responder, Harry resmungou de novo.

— Tentando me controlar para não bater em ninguém — respondeu, sorrindo debochado para a mulher ao seu lado, que fez uma careta com o comentário dele.

— Guarde isso para quando estiver entre quatro paredes — Ron gritou no fundo, e o comentário quase fez Harry rir.

— Vou me lembrar disso quando estiver com o seu primo de novo — ele falou de voltar e pode ouvir Ron fazendo barulho de vômito. Isso fez Harry rir.

— As crianças já acabaram? — Mione perguntou, mas Harry sabia que ela estava se segurando para não rir também. — Harry, to te ligando para avisar que você vai almoçar lá em casa amanhã.

— Vou?

— Sim, ninguém mandou me convencer a entrar nessa sua loucura de ficar com uma pessoa de cada signo — ela falou séria e Harry estava sorrindo como se fosse sua melhor manhã. — Então eu e as meninas vamos fazer um jantar e convidar alguns amigos, e, dentre eles, tem uma taurina.

— Quem diria que você, Hermione, a Cética, saberia o signo de outras pessoas.

Houve um momento de silêncio que Harry poderia apostar um braço que Hermione estava questionando todas as decisões que a levaram até aquele momento.

— Esteja aqui às onze. Não me envergonhe!

E antes que o garoto tivesse qualquer chance de responder, ela havia desligado.

Harry poderia falar o que fosse de Hermione, mas nunca que ela não era a melhor amiga de todas. Ela havia sido contra aquela ideia maluca desde o começo e xingado Harry de todas as ofensas que conhecia ou podia criar quando o amigo anunciou que, sem falar nada, havia criado o blog e o mandado para o professor.

Ela ainda resistiu um pouco, mas, no fim, havia se deixado levar (“apenas porque agora é um trabalho para a faculdade”) e desde então estava ajudando o melhor amigo, enquanto Ron preferia, sabiamente, observar tudo de uma distância segura. Ele daria seus pitacos, mas, quando desse errado (e, segundo Hermione, daria) ele preferia não ter seu nome atrelado a esse tipo de polêmica.

— Como irei me tornar um influencer de sucesso se minha imagem estiver vinculada com toda essa polêmica? — o ruivo disse enquanto se segurava ao máximo para não rir.

— Você sabe que para ser um influencer precisa ter redes sociais, certo? — Harry perguntou logo após acertar um peteleco na orelha do amigo.

Mais um fato completamente intrigante sobre a família Weasley que Harry gostava de usar para filtrar as pessoas legais das chatas, todos os membros da família eram exilados tecnológicos. Seus perfis em quaisquer redes sociais eram privados e não tinham mais de cinco postagens, isso quando eles tinham uma conta.

Harry não conseguia entender ou aceitar que em pleno século XXI uma família inteira não fosse completamente viciada em telefone e internet. Antes de conhecer Ron, ele mal conseguia acreditar existir sequer uma pessoa assim, quem diria nove.

Chegou, no início da amizade, até mesmo a tentar convencer Ron a criar alguma, mas o amigo tinha sido taxativo ao falar que não. O que, por algum tempo, Harry achou estranho, ele não entendia toda aquela resistência, mas no fim percebeu que o amigo havia apenas tido uma criação diferente, sem toda essa tecnologia, por vir de uma família humilde que os pais preferiam que todas as crianças não tivessem acesso ao celular do que só uma ou outra ter.

Agora que estavam todos adultos, eles sentiam apenas que não precisavam daquilo, mesmo que alguns ainda assim tivessem. Como Ginny (sim, Harry procurou depois da outra noite), mas o perfil dela era dedicado única e exclusivamente para postar coisas sobre seus quatro gatos. Harry havia seguido, olhado todas as publicações e se divertido de verdade em cada uma delas.

☽♉☾

No sábado, Harry chegou pontualmente (na verdade, ele estava adiantado três minutos) no apartamento que Hermione dividia com outras três amigas. Susie era a mais legal de todas, se querem saber a opinião de Harry, a garota sempre fazia ótimos bolos e era gentil com qualquer pessoa que cruzasse seu caminho. Katie era a mais velha e quase nunca estava em casa, estava sempre treinando ou participando de campeonatos de futebol. E por último havia a Pansy, que Harry particularmente não gostava muito, já que a menina tinha a tendência a ser meigamente indiscreta e grossa, se é que faz algum sentido.

Então foi uma surpresa quando nenhuma das anfitriãs abriu a porta para ele, mas sim a ruiva que vinha ocupando um espaço desnecessário em sua cabeça.

— Harry Potter — cumprimentou ela, fazendo uma mesura segurando a barra de um vestido que ela não usava, e o nome do rapaz derreteu na boca da garota como um algodão-doce. — Estava me perguntando quando você chegaria.

— Ah. Oi — Harry respondeu, um pouco desnorteado tanto pela surpresa dela estar ali como por ela estar ainda mais bonita do que ele se lembrava.

Um silêncio pairou no ar por alguns segundos, onde nenhum dois sabia muito bem como agir depois da resposta completamente idiota de Harry, mas, por sorte, Ron apareceu para resgatar os dois daquela atmosfera contaminada pelo constrangimento.

— Harry, ei! — ele falou, completamente animado, e foi abraçar o amigo que retribuiu ainda meio aéreo. — Susie está fazendo fricassê de frango!

— Yay! — Harry falou e logo depois se questionou, por pensamento, claro, de onde raios aquilo tinha vindo.

Ron meio que o arrastou para dentro do apartamento e, consequentemente, Ginny se viu obrigada a companhá-los até o sofá, onde os três se sentaram e, de novo mergulhados no silêncio, observaram o lugar ao redor.

— Ron, quem chegou? — Hermione gritou, mas Harry não tinha certeza de onde.

— O Harry — ele gritou de volta, se levantando rápido, então se virou para a irmã e o melhor amigo e, antes de começar a andar da direção da voz da namorada, anunciou: — Eu já volto, vou ver o que ela precisa.

Harry e Ginny concordaram com a cabeça e observaram Ron desaparecer pelo corredor, já falando com a namorada. Quando se viu sozinho com a ruiva, Harry fez o que achou mais inteligente: voltou a olhar, em completo silêncio, o apartamento como se nunca tivesse entrado lá.

— Você está muito bonito hoje — Ginny falou, chamando a atenção do garoto, e Harry a olhou.

Nessa manhã, a ruiva estava com os cabelos soltos, pequenas ondulações se formavam nas pontas e, na luz do sol, ele parecia mais claro. E, além disso, vestia uma camiseta branca com o logo do The Killers, em que Osama Bin Laden, George W. Bush, Adolf Hitler e Charles Manson formavam uma banda.

— Então isso quer dizer que antes eu não estava? — ele falou antes que pudesse conter sua boca e, para disfarçar a sua falta de filtro fez o que sempre faz, riu.

Para a sorte de Harry, ela também riu -talvez por uma mistura de educação e pena- e respondeu:

— Na outra noite esqueci de comentar enquanto você me secava com os olhos.

Se Harry tivesse um tom de pele apenas um pouco mais claro, ele tinha certeza de que estaria completamente vermelho naquele momento, fazendo ainda mais papel de idiota. E, como se a sorte estivesse finalmente virando ao seu favor, Mione e Ron apareceram na frente dele antes mesmo que pudesse falar mais alguma coisa que se arrependeria no momento seguinte.

Hermione cumprimentou o melhor amigo e logo os quatro estavam envolvidos em um assunto após o outro, estiveram tão concentrados em sua conversa que nem repararam nas pessoas chegando e como, gradualmente, o apartamento foi ficando levemente lotado.

Eles só interromperam a conversa quando Luna apareceu ao lado de Ginny e a puxou para um abraço apertado, só então Harry olhou ao redor e reparou em algumas pessoas.

— Aquela é quem te falei — Mione falou baixo, se apoiando no amigo, e apontou para uma menina perto da porta da cozinha, conversando com Katie. — O nome dela é Alicia, joga com a Katie.

Alicia tinha cabelos pretos e estava usando um vestido florido que ressaltava seu corpo definido, provavelmente devido ao esporte que fazia. Ela estava segurando uma lata de cerveja e ria alto de alguma coisa que a amiga estava falando.

A conversa entre Harry e os amigos voltou, mas agora o moreno estava distraído, olhando na direção de Alicia que, em algum momento, também começou a olhar de volta, então logo os dois estavam trocando olhares, num flerte silencioso e lento.

— Acho que ela gostou de você — Hermine falou, empurrando o amigo de leve e Harry riu, envergonhado de ter sido pego no flagra -, vai lá se apresentar, garanhão.

Harry encarou a amiga, em dúvida sobre o que ela falou, mas acabou seguindo seu conselho. Katie foi a primeira a notá-lo se aproximando e, antes mesmo que ele pudesse chegar perto, se afastou da amiga.

— Oi — ele sorriu para ela da forma mais encantadora que podia. — Eu sou o Harry, prazer.

— Alicia, mas prefiro Ali — ela também sorriu para ele.

Mas antes que qualquer assunto pudesse surgir, Susie e Pansy saíram da cozinha segurando as panelas com a comida e anunciando que as pessoas podiam se servir.

— Acho que vou pegar um pouco enquanto ainda tem — Alicia anunciou sorrindo para Harry e, sem esperar uma resposta, foi atrás das garotas.

Harry suspirou, pegando uma cerveja no cooler ali perto, e voltou para o sofá, onde sentou ao lado de Ginny que também estava sozinha.

— Cade a Luna?

— Lilá mandou mensagem — Ginny deu de ombros. — Também não conhece ninguém?

— Não — Harry lançou um olhar na direção de Alicia, que agora comia enquanto conversava animadamente com um loiro bonito, e tomou um gole da sua cerveja.

— Você quer ir comigo até a varanda?

Harry franziu a testa, em dúvida. Alicia poderia estar flertando com outro cara, o que fazia as chances de Harry cair para quase zero, mas se ela não estivesse e o visse saindo com Ginny, podia supor que eles eram um casal e desistir daquele pequeno e inicial flerte.

— Vamos lá, vai deixar a jogadora com ciúmes — confidenciou Ginny, e Harry arregalou os olhos, se virando completamente na direção dela. — Está um pouco óbvio, Harry, você não é muito discreto.

— Beleza, vamos para a varanda — Harry se levantou de supetão, caminhando para longe de mais uma vergonha que passou na frente da ruiva, que o seguiu, rindo.

A varanda era até grande, considerando que era um apartamento de quatro universitárias, mas ainda assim os dois acabaram não conseguindo entrar de fato no cômodo, então ficaram encostados na porta de vidro que dividia os ambientes.

— Então, de onde você conhece o Ron? — Ginny puxou assunto e Harry riu com a lembrança.

— Basicamente da quadra do DEFIS, foi o famoso caso de amor a primeira vista, mas aí ele conheceu a Mione.

Ginny o acompanhou na risada, passando a mão livre no rosto.

— Sempre ouvi falar do famoso Harry Potter, “o cara mais idiota que você vai conhecer na vida” — ela falou e tomou um pouco da sua cerveja -, mas a gente nunca se encontrou.

— Ninguém mandou ser uma eremita — Harry provocou e Ginny levantou uma sobrancelha -, sempre que falavam, você estava estudando.

— Alguém da família tinha que dar orgulho para mamãe — ela deu de ombros e os dois voltaram a rir.

A conversa teria durado muito mais, provavelmente até os dois estarem cansados de falar besteira, mas, naquele exato momento, Harry viu Alicia andar na direção de onde ele estava e Ginny desencostou da parede, dando uma última olhada curiosa ao moreno, negou com a cabeça e anunciou para ninguém em particular que iria ao banheiro.

— Então, Harry, o que você faz de faculdade? — Alicia falou, ocupando o lugar que a ruiva estava alguns segundos atrás.

— Letras — Harry respondeu vagamente, observando Ginny desaparecer no corredor.

☽♉☾

Conforme o esperado, o dia havia sido incrível. Alicia se mostrou uma mulher interessante e extremamente relaxada, mas era um pouco difícil conversar com ela, já que boa parte dos caras e das garotas pareciam querer o mesmo: ela.

Ginny não voltou a puxar papo com Harry e passou o restante do almoço conversando com Ron e Hermione, mas Harry podia juntar que a viu observando com o canto dos olhos enquanto a taurina anotava o telefone do moreno, logo antes de se despedirem.

Durante o restante da tarde, aproveitou para ficar um pouco com os pais, então deixou o celular de lado e os três assistiram a um filme juntos, com direito a pizza e muita pipoca.

Quando Harry pegou o celular, já perto da hora de ir dormir, havia uma mensagem de Alicia.


Oi, Harry. É a Alicia. Tudo bem?

Sem conseguir conter o sorriso, Harry se jogou na cama pensando que provavelmente era isso que as adolescentes dos filmes dos anos 80 sentiam quando eram convidadas para o baile pelo cara mais gato e popular da escola.

Oi, Alicia, tudo bom, e com você?
Qual é a boa?

Era oficial, Harry Potter não havia nascido para o mundo da paquera ou para o convívio humano.


Nada de mais. Eu estava pensando…
Você quer fazer algo amanhã à noite?

Ela respondeu depois de quase vinte minutos, mas que, para um Harry ansioso, pareceram uma longa eternidade. Ele tentou fazer a mesma coisa que a taurina, mas em menos de cinco minutos seus dedos estavam digitando uma resposta e apertando no botão de enviar.

Pode ser!
Mas não pode ser muito tarde.
Tenho trabalho logo cedo.


Eu estava pensando em ir a um rodízio.
De pizza.
É em um restaurante novo de um amigo.
Você curte?

A barriga de Harry roncou só de pensar na quantidade de pizza que iria comer, e ele digitou enquanto concordava com a cabeça.


Amo!


Beleza.
Eu te pego umas 19h.
Qual é o seu endereço?

Trocaram mais algumas mensagens antes de Harry ir dormir e mais algumas na manhã seguinte, mas o moreno acabou se distraindo com o almoço em família e quando foi pegar o celular, já no fim da tarde, não havia nenhuma mensagem da taurina.

Por um momento, ele chegou a achar esquisito, mas imaginou que Alicia também havia ficado ocupada durante a tarde. Foi só quando o horário que marcaram foi se aproximando que Harry começou a realmente ficar com um pé atrás, achando que ela não apareceria, o deixando plantado no maior bolo do ano.

Entretanto, quando o relógio indicou um minuto para às sete horas, a campainha de casa tocou, indicando que Alicia havia chegado.

Ela dirigia um Fiat Argo cinza que estava estacionado perfeitamente. Harry entrou no banco de passageiros e Alicia o cumprimentou com um beijo carinhoso e lento no cantinho da boca. O cabelo dela tinha um cheiro doce gostoso e carro também cheirava bem, a lavanda.

— Boa noite, Harry.

— Boa noite, Ali — Harry respondeu, afivelando o cinto de segurança. — O restaurante é longe daqui?

— Não, só alguns minutos.

Alicia tinha um papo tranquilo e dirigia de maneira correta e focada, e os dois foram ouvindo alguma música que, para Harry, parecia muito com as que tocavam em elevador. Quando chegaram ao restaurante, ela entregou as chaves ao manobrista e entrelaçou seu braço com os de Harry, para os dois entrarem juntos no restaurante.

O lugar era pequeno e aconchegante e eles foram recebidos pelo próprio dono, que os levou a uma mesa charmosa, embaixo de uma árvore cheia de pisca-pisca na parte aberta do restaurante. Alicia pediu dois rodízios e eles esperaram, conversando sobre o curso de Publicidade que a mulher fazia e como havia sido a experiência dela em fazer um intercâmbio para Londres.

— E você, Harry? — perguntou ela assim que os refrigerantes foram servidos. — Me conte algo que eu não sei.

— Você sabia que as pessoas pensavam que o primeiro osso de dinossauro encontrado pertencia a um elefante gigante? — Harry respondeu, e os dois ficaram em silêncio por alguns segundos antes de rirem.

As pizzas começaram a chegar e Harry acabou descobrindo um lado diferente de Alicia, um que não tinha nada a ver com a tranquilidade de antes — a sede por comida. O moreno comia relativamente bem, mas Alicia simplesmente pegava fatias atrás de fatias, não importava o sabor e se seu prato ainda tinha outras tantas. Ela conversava, ria e comia e ria e conversava.

— 2001, jura por Deus? — Harry perguntou no meio da missão de descobrirem o máximo possível um do outro, tomando um gole do seu refrigerante para empurrar a pizza de frango com catupiry para baixo.

— Juro por Deus — ela riu.

— Eu sou dois anos mais velho do que você? — Harry estava surpreso; Alicia não parecia tão nova, tanto fisicamente quanto mentalmente. Provavelmente era toda aquela autonomia e ar de independência que ela carregava, além da sua conversa ser super madura.

— Como que pode um trem desse, né? — ela brincou e os dois riram.

— Trem? Você é mineira?

— Mais ou menos — ela deu de ombros -, meus pais são, mas se mudaram para cá quando se casaram, mas como sempre viajo para aqueles lados, tenho um pouco das gírias.

Alicia já havia dado um prejuízo enorme para o restaurante, mas mesmo assim os dois pediram sobremesa; minutos depois, o garçom chegou com dois pratos da tradicional cartola, mas com chocolate derretido por cima.

— Uau! — comentou o homem que os serviu a noite inteira, pousando os pratos na mesa. — Para onde vai toda essa comida de vocês?

— Tive que passar o dia sem comer para conseguir comer tanto — Harry respondeu e os três riram antes do garçom se afastar.

Quando Harry voltou sua atenção para Alicia, ela havia perdido um pouco da expressão tranquila, cortando a sobremesa com o garfo e a faca sem olhar para o moreno e com uma força desnecessária, quase como se estivesse com ciúmes, o que Harry achou muitíssimo estranho, já que aquele era literalmente o primeiro encontro dos dois e ele só havia trocado pouquíssimas palavras com o outro homem, mas escolheu que não iria se estressar com isso. Não quando tiveram uma noite tão divertida.

Ao final da noite, estavam terminando seus copos de refrigerante enquanto discutiam divertidamente sobre qual série ser a melhor: Friends ou How I Met Your Mother.

— Tem uma formiga na minha taça — Harry falou sem realmente achar grande coisa, bêbado de tão cheio.

— Oh não — Alicia falou um pouco mais alto, indo para o lado de Harry e chamando um pouco de atenção das mesas ao redor ao se inclinar na direção da taça. — Vou vestir minha capa de super-heroína e te salvar, querido!

Harry riu, enquanto se curvava para frente, apontando com o dedo.

— Ela está ali, está vendo, heroína?

— Não estou vendo absolutamente nada! — dizia ela, girando a taça de um lado para o outro.

— Como não, você tem problema de vista? — Harry perguntou, chegando ainda mais perto da taça, a ponto de encostar seu rosto ao dela.

Alicia virou-se para o lado e Harry também, só então percebendo a proximidade que estavam. Sorriram um para o outro e, sem dizer uma palavra, se beijaram.

O beijo da taurina era lento e sensual, e ela segurou a nuca de Harry com carinho, puxando alguns fios de cabelo, o que fez o garoto se arrepiar da cabeça aos pés. Ao contrário de Sea, que beijava como se o mundo fosse acabar em pouco tempo, Alicia não tinha pressa, muito menos insegurança. Era um dos melhores beijos que Harry já havia tido, ele sentiu como se não existisse nada além dos dois e aquele momento. E quando se separaram, ele já queria mais.

— Ah — murmurou ela, olhando para taça mais uma vez. — Agora estou vendo a formiga.

— Acho que você só estava precisando do meu beijo para melhorar, super-heroína.

Os dois riram e voltaram a se beijar, parando apenas quando o garçom voltou para a mesa com a conta e uma careta de poucos amigos, talvez por estarem dando um show de romance no restaurante.

— Vamos sair daqui? — perguntou Alicia, colocando um cartão platium na carteira de couro da conta sem nem se importar com os protestos de Harry de que queria pagar sua parte.

Ele não gostou de ter o seu pedido ignorado, mas se queria fazer toda aquela aventura astrológica, teria que se adaptar a personalidade de cada signo e taurines haviam uma cabeça teimosa quando o assunto era agradar o parceiro, não importava o gênero.

— Vamos — Harry concordou, porque era só o que podia fazer depois de ter provado aquele beijo.

Após receber o comprovante, os dois saíram abraçados do restaurante e se beijaram demoradamente enquanto esperavam o carro dela. Quando entraram no veículo, Alicia dirigiu até a casa de Harry, mas nenhum dos dois fez menção a se despedir.

— Acho que podemos ficar um pouco mais por aqui — Ali comentou.

— Nunca pensei que eu seria o tipo de pessoa que se rende a uns amassos dentro do carro, no meio da rua — Harry respondeu, mas se inclinou na direção de Alicia, a beijando.

Os dois passearam as mãos pelo corpo um do outro enquanto se beijavam, mas não ultrapassaram nenhum tipo de limite. Harry não sabia bem o motivo de ainda não tê-la chamado para entrar, seus pais com certeza não ligariam, mas dizia a si mesmo que era para ser justo com os outros signos.

Apesar de que aqueles beijos quase o fazia querer desistir daquela porcaria de experimento.

— Preciso acordar cedo amanhã — Harry murmurou em um dos poucos momentos em que conseguiu separar suas bocas e se manter lúcido.

— Não quer acordar cedo do meu lado? — Alicia perguntou e Harry riu, se afastando um pouco mais, o que fez seu único neurônio começar a se mover novamente, mesmo que preguiçosamente.

— Uma proposta tentadora — ele deu mais um selinho na garota, pois não era de ferro, e voltou a se afastar -, mas ainda tenho que terminar um trabalho para a faculdade.

O que era uma verdade. Todo aquele projeto não havia sido criado para ele se apaixonar, estava bem sendo solteiro, tudo aquilo, na realidade, era apenas para provar que estava certo e, de quebra, tirar um 10 na sua cadeira favorita, talvez até ser notado pelo seu professor favorito. Não de um jeito sexual, pelo amor.

— Tudo bem — Alicia o beijou de leve, o cheiro do seu cabelo invadindo o espaço pessoal de Harry, mas ele não achava ruim -, mas depois não diga que não ofereci.

— Obrigado pelo jantar — Harry sorriu, verdadeiramente feliz por aquela noite.

— Obrigada pela companhia — Alicia retribuiu o sorriso — e boa sorte com o trabalho.

Harry soltou o cinto de segurança e a beijou uma última vez antes de abrir a porta do carro.

— Boa noite, Ali!

— Boa noite!

Harry caminhou lentamente até o portão de casa, ouvindo o carro de Alicia se afastar. Quando fechou o portão atrás de si só conseguia pensar em duas coisas: no que escreveria em seu próximo post e quem seria ê surtude de gêmeos.

☽♉☾

Notas finais
Não esqueçam de comentar e deixar uma autora feliz ♥