Astrology boy
7 Gêmeos
Antes de darmos início a esse capítulo, preciso avisar que, por ser uma história real, os nomes das pessoas que aqui aparecem foram trocados por nada mais, nada menos, que personagens da aclamada saga Harry Potter. Então vocês podem ler como se isso tudo fosse uma grande fanfic. Ou não, vocês que sabem, estou aqui apenas para relatar essa aventura interessante que vivi.
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— Eu estou exausto! – foi a primeira coisa que Harry falou assim que encontrou Mione e Ron, jogando a mochila ao lado do casal de amigos.
Era segunda-feira e ele havia combinado de se encontrar com os amigos no Subsolo, no CEGOE. O lugar não era exatamente embaixo do andar térreo, mas ninguém realmente ligava, e era lá que os estudantes se encontravam para conversar, jogar dominó e, principalmente, fumar maconha.
O trio de ouro tinha combinado ali para gazear a primeira aula da noite, visto que nenhum deles estava muito afim de assistir. E os garotos não podiam perder a oportunidade, já que raramente Hermione estava disposta a levar falta e perder assunto.
— Nunca achei que veria Harry tendo tantos encontros – Ron falou e Harry revirou os olhos.
— Fico feliz de estar lhe entretendo.
— Não só ele — Hermione falou, fechando cuidadosamente a seda cheia de ervas dentro. – Todo mundo na faculdade só fala do seu blog.
— É verdade – como se para dar ênfase no que falava, Ron concordou com a cabeça. – Hoje mesmo tinham uns meninos de Educação Física falando sobre como queria ter conhecido a Alícia.
— O melhor é que eles provavelmente conhecem – Harry riu, rezando para que nenhum dos amigos tivessem percebido que ele fugiu completamente de falar sobre o blog.
A verdade é que ele estava adorando toda a experiência de ficar com uma pessoa de cada signo e documentar sobre essa sua aventura, mas não podia (e nem conseguia) fingir que o blog estar cada dia mais popular estava o deixando preocupado.
Depois do post da noite anterior, ficou com medo das pessoas começassem a reconhecer os encontros que tiveram, mesmo que não colocasse exatamente muitos detalhes e que os chamasse por apelidos. Não queria que ninguém se sentisse ofendido pelo que estava escrevendo, mesmo que, para ele, não tivesse nada de mais.
Havia ainda o fato de que se descobrissem que era ele por trás daquele blog, sua vida na universidade seria um completo inferno. Entretanto, ainda assim, não iria, queria ou podia abandonar toda aquela ideia, estava realmente se divertindo e, o mais importante, aquilo valia a nota na sua cadeira favorita.
É, ele definitivamente não iria parar. Mas iria continuar evitando o assunto por um tempo, pelo menos até conseguir lidar numa boa com seus sentimentos.
— Vocês viram que quinta, pré-feriado, vai ter uma calourada? – Harry falou, aceitando o cigarro que Hermione lhe passava, já acesso. O moreno tragou algumas vezes e, soltando a fumaça, falou: – A gente vai, né?
Hermione fez uma careta que Harry conhecia bem. Aquela conversa já tinha acontecido e ela já havia explicado de forma detalhada todas as razões que a impediam de ir se divertir com os amigos, mas o moreno também sabia que conseguiria convencer a amiga.
Dito e feito, alguns minutos depois, com a risada solta e os olhos vermelhos, o trio falava animado como a noite de sexta seria unicamente para se divertirem e, internamente, Harry agradecia por ter um motivo para tirar uma noite de folga do projeto “astrology boy”.
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Harry estava terrivelmente atrasado. Havia saído atrasado do estágio, o coordenador simplesmente prendeu o garoto numa reunião que podia muito bem ser um áudio no Whatsapp (falando no aplicativo, Mione e Ron haviam deixado algumas mensagens que Harry teve o cuidado de não abrir) e agora o ônibus estava andando tão lento quanto uma tartaruga às vésperas de bater as botas.
Estava quase trinta minutos atrasado quando enfim encontrou o grupo de amigos. Mione estava sentada no colo de Ron, as bochechas coradas enquanto oferecia um cigarro para Luna que ria de alguma coisa que Lilá falava. Colin e Sea também riam, mas Harry ficou um pouco decepcionado ao ver que Ginny não estava ali.
— Não acredito que vocês começaram sem mim! – o moreno anunciou sua chegada, pegando o cigarro da mão da amiga antes que Luna sequer notasse e sentou no círculo.
— Harry! Eu bebi uma dose de pitú! – berrou Mione com certo orgulho, fazendo todos rirem mais e Ron negar com a cabeça (mas ele claramente também estava se divertindo muito com a namorada).
Pitú nada mais era do que uma das cachaças mais fortes que existem, na opinião de Harry, claro. Lembrava vagamente da última vez que havia tomado e nunca desejaria para a melhor amiga a dor de cabeça que sentiu no dia seguinte.
— Ela já vomitou? – Harry perguntou, já prevendo como a noite terminaria.
— Ainda não – Ron frisou o “ainda”, o que fez todo mundo rir de novo, ainda mais por causa da grande careta que Hermione vez, provavelmente também prevendo o futuro.
Mione tinha um estômago bastante sensível, mas sua teimosia não a deixava ouvir ninguém que tentasse a alertar dos perigos de passar da conta, ainda mais quando era algo que ela realmente queria. Como naquela noite, pelo visto.
A conversa do grupo seguiu, todos leves e risonhos, então aos poucos nada parecia fazer mais sentido e tudo se tornava motivo de gargalhadas. Harry estava tentando entender um sonho louco que Luna descrevia quando reparou, pela primeira vez, que Ginny estava ali perto, conversando com um garoto negro estupidamente bonito.
Potter reconheceu o garoto com certa dificuldade, mas tinha certeza que era Dean, um garoto de Economia que vez ou outra pegava o mesmo ônibus que ele. Os dois não estavam muito distantes, mas com todo o barulho, não conseguia ouvir o que falavam. Não que precisasse, claramente estavam num claro flerte e essa constatação fez a barriga de Harry se contorcer.
O que alguns diriam que era ciúmes, mas claramente não poderia ser… certo? Harry era um homem livre de amarras e sem qualquer intenção de se envolver emocionalmente com alguém, na verdade sua prioridade era se envolver fisicamente com muitas pessoas (não muitas, 12 na verdade, mas quem está contando?).
Aparentemente, a irmã de Ron tinha sexto sentido, porque virou o rosto na direção de Harry segundos depois — ou era apenas porque Potter a encarou por tanto tempo com uma cara de idiota que ficou extremamente difícil de ignorar.
— Oi – ele balbuciou, envergonhado demais por ter sido pego no flagra (de novo!!!!).
— Boa noite, Harry Potter – cumprimentou Ginny, o nome do garoto dançando em sua língua. – Nem te vi chegar.
Harry teve que morder a língua para não falar a primeira coisa que veio a sua cabeça e, sem saber muito mais o que falar, respondeu com a coisa mais estúpida que conseguiu pensar:
— Ah, pois é, eu aparatei até aqui.
Ginny riu, mas Dean, que observava aquela interação estranha, trocou o peso de uma perna para outra, claramente incomodado.
— Por isso que não nos encontramos – continuou ela, sem perder o sorrisinho divertido –, usei pó de flu.
Foi a vez que Harry rir, animado demais com a brincadeira correspondida e, secretamente, por Ginny ter deixado de conversar com o outro garoto por sua causa. Naquela noite em especial, ela usava uma calça jeans folgada e que deixava à mostra parte da sua cintura, um cropped com a cara do Barney de How I Met Your Mother com a legenda “Legendary e Havaianas brancas”. Sua boca parecia mais vermelha que o costume, como se tivesse usado batom vermelho em algum momento, e o cabelo estava bagunçado por causa do vento, o que a deixa ainda mais bonita.
— Água – gemeu Mione ao lado de Harry, claramente sendo sugada pelo buraco negro do mal-estar enquanto fazia o melhor amigo parar de encarar Ginny, que, preciso falar, claramente estava retribuindo. — Por favor.
— Caramba – Harry riu, tentando fazer piada e fingir que não estava morrendo de vergonha –, foi mais rápido do que eu imaginei. Vou buscar para você, sua bêbada desnaturada.
— Alguém quer mais cerveja? – Ginny perguntou na mesma hora que Harry levantou e recebeu vários gritos e notas de dinheiro em resposta.
Os dois foram juntos até o balcão do Conterrâneo e, internamente, Harry estava dando pulinhos, já que claramente ela havia se oferecido para buscar mais bebida com a intenção de ficarem mais tempo juntos e SOZINHOS.
Mais uma vez, dentro de poucos dias, estava se sentindo como aquelas adolescente de filme teen quando são convidadas para o baile pelo crush. Isso deveria preocupá-lo?
— Então – ela começou quando os dois encostaram no balcão — de quais mais nerdices você gosta?
— Não sei se é nerdice – Harry colocou o dinheiro em cima do balcão e se virou para Ginny, percebendo que estavam bem próximos –, mas gosto bastante dessa série da sua camisa.
— Então com certeza tem bom gosto – ela sorriu, também se virando para o garoto e agora estavam a pouquíssimos centímetros de distância um do outro. Harry tentou se concentrar nos olhos da garota a sua frente, mas era muito difícil quando sua boca parecia ainda mais bonita vista de tão perto.
— Como está a faculdade? – perguntou e apesar do barulho ao redor, estavam tão próximos que podiam falar em um tom de voz quase que sussurrado.
— Puxada – Ginny sorriu e Harry com certeza sentiu seu coração parar de bater por alguns segundos –, mas estou amando, é tudo o que imaginei e muito mais.
— Ainda bem, sei o quanto as primeiras semanas podem ser difíceis, ainda mais se sentir sozinha, então se precisar de qualquer coisa…
— Olha que vou cobrar isso – Harry podia jurar que estavam cada vez mais perto –, ainda mais por adorar uma boa companhia.
Antes que qualquer coisa pudesse ser dita, ou feita, o garçom apareceu para atender os dois e, a contragosto, se separaram. Esperaram seus pedidos e voltaram para os amigos em silêncio, Harry estava constrangido demais para puxar qualquer assunto e Ginny parecia já ter superado o pequeno momento que tiveram.
Encontraram Hermione de joelhos, vomitando no meio-fio. Harry entregou as garrafas de água para Rony, que agradeceu rapidamente, voltando a segurar o cabelo da namorada com uma expressão preocupada.
Harry se forçou a ficar ali, tentando não atrapalhar o amigo, mas sem querer encarar Ginny ao seu lado, estupidamente envergonhado. E nem sabia direito por qual motivo.
— Acho que vou levar a Mione para casa – anunciou Ron, percebendo que provavelmente não teria uma melhora na situação.
— Eu vou com vocês — Harry anunciou, rápido e levemente desesperado demais para parecer altruísta. A verdade é que aquela festa havia acabado para ele.
— Você acabou de chegar – disse Ginny, como quem diz o óbvio.
— É, mas era para a gente ter uma noite divertida do trio – Harry tentou pensar rápido –, acho que nada mais justo que os três voltem juntos.
O garoto evitou olhar para a ruiva ao seu lado e de novo se comparou às adolescentes dos filmes teen, mas dessa vez não parecia tão legal.
— Você vai com a gente? – Rony se virou para Ginny. – Mamãe disse que era para voltarmos juntos, mas posso enrolar ela se quiser ficar mais.
— Ahn… não precisa, acho que vou também – Ginny deu de ombros. – Eu queria ficar, mas não quero irritar a dona Weasley.
Harry foi no banco de trás do carro da família Weasley, com Hermione praticamente desmaiada no colo, enquanto os irmãos iam conversando no banco da frente. Potter estava se sentindo ridículo, era óbvio que não era um exímio paquerador, mas a reação que havia tido era, no mínimo, estúpida, tosca e até mesmo infantil.
O garoto passou o percurso inteiro se repreendendo, só voltou a prestar atenção ao seu redor quando Ron estacionou em frente ao prédio de Mione e saiu do carro. Ele abriu a porta do banco traseiro, puxou carinhosamente a namorada, que gemeu e se deixou levar, e avisou aos os outros dois:
— Me esperem aqui! Não quero que as meninas reclamem amanhã que estávamos fazendo barulho.
Os dois concordaram com a cabeça e observaram Ron desaparecer com Hermione pela portaria. Quando enfim sobraram só os dois e o palpável silêncio, Ginny saiu do carro de supetão e sentou no meio-fio.
— Você vai acabar pegando alguma doença com esse pé descalço na sarjeta – Harry falou depois de abrir a porta e encarar a ruiva por alguns segundos.
— Caralho! – exclamou Ginny, o deboche quase escorrendo pelo canto da sua boca. – Mãe! Por que você não disse que ia sair comigo hoje?
— Aproveitando a semelhança, o que você está fazendo sentada aí?
— Precisava de um pouco de ar fresco para aliviar as dores da minha pobre alma atormentada – brincou ela e Harry revirou os olhos, pensando o quanto aquela garota poderia ser dramática, quase como uma sagitariana…
Então algo o atingiu em cheio, um detalhe que estava o rodeando a dias, mas que havia esquecido completamente quando se tratava de Ginny: o signo. Ela não tinha essa informação em nenhuma rede social (claro, ela mal tinha rede social) e seus únicos contatos eram encontros esporádicos e esquisitos, sem qualquer abertura para que o assunto surgisse de forma natural.
— Mas e aí, Ginny — Harry se arrumou no banco, entrando em uma missão. – Me conte mais sobre você.
— Sou um livro aberto — respondeu ela, dando de ombros, parecendo levemente intrigada com a súbita mudança de postura da sua companhia.
— Qual é a sua cor favorita?
— Depende do meu humor.
— Comida favorita?
— Aquela feita com amor.
— Banda?
— Cheiro de Amor.
Os dois estavam segurando o riso ao longo do diálogo, mas, assim que Ginny pronunciou suas últimas palavras, caíram na risada.
— Livro aberto é o caralho! — Harry não conseguia parar de rir.
— Não, calma, juro que respondo sério agora – ela cruzou os dedos e beijou os dois lados. – Palavra de escoteira.
— Hum… livro favorito?
— Acho que a saga de Percy Jackson.
— Animais de estimação?
— Um coelho e quatro gatos.
— Aniversário?
— Vinte e três de fevereiro – Ginny, que até então sorria, pareceu murchar um pouco depois daquela pergunta, mas a conversa foi interrompida pela volta de Ron, o rosto suado como se tivesse feito um grande esforço.
— Ela não queria mesmo ir para a cama – falou, abrindo a porta do carro.
Harry se ajeitou novamente no banco de trás, e Ginny ocupou de volta seu lugar de copiloto, mas agora a cabeça de Harry girava.
Vinte e três de fevereiro.
Ginny era pisciana.
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Claro que o fato de Ginny ser pisciana não influenciou em nada o que Harry pensava sobre ela… Quer dizer, obviamente ele não começou a imaginar o apartamento dos dois em Olinda, o casamento na praia apenas para amigos íntimos e familiares, nem a organizar um cronograma de quem levaria as crianças para o inglês nas segundas e quartas.
Porque Harry não era uma pessoa ansiosa que criava expectativas inalcançáveis e acabava sempre quebrando a cara e sofrendo toda a dor que só o fim de um relacionamento imaginário poderia causar.
Harry Potter? Nunca!
Porém, nem teve muito tempo para surtar sobre o seu futuro com a pisciana perfeita, porque, aparentemente, estava muito cansado. Acabou desmaiando na cama, de roupa e tudo, assim que chegou. Acordou algumas horas depois com o celular vibrando freneticamente, lotado de mensagens de Mione.
Como eu cheguei em casa?
Por que ainda estou com a roupa de ontem?
Você está bem? Está vivo?
Me responde, Potter!!
Harry ainda estava no estágio de quando acaba de acordar e não sabe exatamente em que século está, mas conseguiu formar uma frase coerente e até mesmo ficou orgulhoso por isso.
O Ron que te levou e nos deu uma carona.
O que mais poderia ser??
Ah, e a Ginny é pisciana.
Hermione respondeu em alguns segundos.
Uau, seu jeito de introduzir assuntos importantes é incrível, Potter.
Estou genuinamente impressionada!
Já pensou em trabalhar na área?
Harry revirou os olhos para o próprio celular e decidiu que a amiga merecia ficar um pouco no vácuo enquanto ele ia até o banheiro escovar os dentes. Quando pegou o celular de novo, havia mais mensagens da amiga.
E aí?
Vai para seu experimento agora que encontrou sua pisciana perfeita?
Potter?
Espero que não tenha me deixado no vácuo!!
Eu vou te matar!!!
Harry riu, se divertindo com a raiva da amiga. Até pensou em ir comer alguma coisa antes de responder, mas achou que seria um pouco demais e começou a digitar.
Minha pisciana perfeita?
Ela é só uma pessoa com quem converso em roles.
E é sua cunhada, irmã do meu melhor amigo!
Ah, por favor!
Você ficou com o primo do Ron por causa de um signo.
E outra, sou sua melhor amiga desde que tenho memórias.
Ela completou aquela sua piada idiota ontem, sei que ganhou muito mais de um milhão de pontos só nessa!!
Além do mais, você acha que sou idiota? Ou você é muito discreto?
Dá pra ver o jeito que você olha pra ela, todo idiota.
Harry fez careta, sem realmente saber o que responder. Sabia que olhava completamente estupefato para Ginny, afinal, quem não olharia? Mas não achava que era algo tão descarado, será que mais alguém havia percebido? Principalmente, esperava que não tivesse ficado TÃO claro pra ela.
Mas repensando na noite de ontem e no pequeno momento que tiveram, era uma burrice achar que ela não havia notado. Não depois da reação do garoto.
Vou continuar com o experimento.
Mas por quê?
Quer dizer, sei que tem a cadeira do professor lá.
Mas não acho que ele vá tirar pontos se você alterar um pouquinho o assunto.
Ainda pode ser sobre signo, só adaptar.
Não sei e também não vou correr o risco.
E outra coisa, esse experimento não é mais sobre a cadeira ou sobre provar um ponto para você.
Realmente estou me divertindo e quero continuar.
E nem conheço a Ginny direito, vai que no fim ela nem gosta das mesmas coisas que eu? Ou odeia livros?
Não posso me relacionar com quem odeia livros.
Como assim gostar das mesmas coisas?
Achei que só o signo bastasse.
E você talvez não esteja com um pouco de medo não?
Harry demorou um pouco para responder, levemente confuso com o que a amiga estava dizendo.
Não entendi.
De finalmente dar certo com alguém.
Você ama dizer que nunca pega ninguém, que é o pai do rolê.
Depois da Cho, você sempre foge de aprofundar as coisas.
Ok, de onde a Cho apareceu?
Olha, Mione, às vezes as pessoas só querem aproveitar a vida um pouco e não estão em busca de um par perfeito.
Quer dizer, eu brinco sobre encontrar a pessoa e etc, mas estou bem sozinho.
Mas não ficaria melhor com a Ginny?
Não sei.
E talvez eu fique, mas primeiro preciso conhecer ela.
E talvez não fique.
Tudo bem, nem sempre temos o que você e Ron têm.
A barrinha do nome de Hermione mudou algumas vezes entre digitando e parando, mas no fim, depois de alguns minutos, Harry soube que a melhor amiga havia entendido, afinal Mione era muito boa em entender seus recados.
Tudo bem.
Espero que dê tudo certo no fim.
E eu te amo, ok?
Também te amo.
Harry jogou o telefone na cama e foi direto para o chuveiro, precisava urgentemente não pensar sobre como estava claro para todo mundo que ele estava muito encantado por Ginny e armar como encontrar o próximo signo, afinal, falou sério: não iria parar uma coisa legal por causa de alguém que mal conhecia.
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— … mas é verdade, não é? Por mais que os taurinos sejam extremamente quentes na cama, é o ciúmes que acaba com tudo! – Harry ouviu Lilá falar para Colin, que negava com veemência, balançando a cabeça.
— Não é verdade! Eu sou taurino, e…
— Não foi você que jogou o celular do seu ex-namorado na privada porque pensou que ele tinha baixado o Grindr? – Luna perguntou parecendo genuinamente confusa.
— É, a Luna tem um belo ponto aqui – Lilá debochou, rindo um pouco.
Harry havia acabado de chegar na faculdade, mas especificamente no CEGOE, e não sabia dizer se sentia orgulhoso ou um pouco assustado ao perceber que a nova obsessão dos amigos era o “astrology boy” – aliás, não só deles, e sim de todos os alunos, que pareciam bastante interessados naquelas peripécias amorosas, comentando sobre as próprias experiências e distribuindo palpites sobre quem poderia ser a mente por trás do blog.
— Não é necessariamente verdade – Harry sentou ao lado deles, já abrindo o notebook em cima da mesa e se intrometendo na conversa. – Meu tio Peter é ariano e nem de perto é tão agitado quanto o Sea.
— Você está lendo o maldito blog? – Luna ergueu a cabeça, desencostando do ombro de Lilá.
— O que mais posso fazer? Tenho um fraco por coisas relacionadas a signos, ainda mais quando quem escreve é bom — Harry respondeu, tentando a todo custo não rir do marketing pessoal indireto.
— E se for um ela? E se uma mulher dessa sala estiver usando um pseudônimo masculino? Afinal, o próprio Astrology boy admitiu que podia estar mentindo – sugeriu Colin, inclinando-se para a frente.
A conversa continuou, todos parecendo ter muito o que falar sobre o assunto enquanto Harry tentava a todo custo esconder muito bem o seu segredo. Mas tirando todo o teatro, o dia passou relativamente rápido naquela segunda-feira.
Na terça-feira, Harry largou cedo do estágio e, com o intuito de estudar para a prova de sintaxe, marcou de encontrar os amigos na Biblioteca Setorial depois de almoçar no RU. Escolheram uma mesa reservada e ficaram lendo os textos obrigatórios, trocando ideias, anotações e muitas reclamações.
Harry estava no meio de uma argumentação convincente sobre como a professora deles precisava de algum tipo de ajuda psicológica por dar tanto material para ler em um espaço de tempo tão curto quando reparou um par de olhos castanhos o observando. Potter desviou a atenção das risadas escandalosas de Lilá e encontrou Ginny sozinha a algumas mesas de distância, lendo um livro intitulado Tratado de Anatomia Veterinária.
Não teve de cumprimentá-la, porém, já que ela abaixou a cabeça para continuar lendo. Um pouco desconcertado pela demonstração clara de indiferença, quase não sentiu o celular vibrar, mas o barulho que fez em contato com a mesa despertou o garoto.
Você está me seguindo agora, Harry Potter?
A mensagem brilhava na tela, proveniente de um número desconhecido, mas na foto uma garota ruiva sorria abraçada a um gato. Harry não conseguiu segurar a risada, negando com a cabeça.
— Pessoal, o Harry está rindo e olhando para o celular! – Colin apontou, e logo Harry levantou a cabeça, agradecendo pelo tom de pele não permitir que ficasse vermelho de vergonha. – Você anda muito esquisito, Harry… Por um acaso você está transando com alguém?
— Não estou transando com ninguém! – sibilou entre os dentes, rezando a todos os Deuses existentes para que Ginny não tivesse escutado.
O motivo? Harry nunca saberia dizer. Ou era isso que gostava de acreditar piamente.
Os amigos quiseram continuar naquele assunto, mas o garoto resolveu ignorar todos os comentários idiotas e olhou novamente para o lado, mas Ginny parecia bastante entretida com o livro.
Eu poderia dizer o mesmo, Ginny.
Primeiro descobre o número do meu celular, agora isso.
Devo ficar com medo?
Antes de tentar voltar a se concentrar nos estudos, salvou o número de garota como “Ginny Peixes”. Como sua atenção já não estava completamente no que deveria, não pode deixar de notar que a ruiva riu ao receber as mensagens. Instantes depois, o celular de Harry vibrou mais uma vez.
Medo pode ser um bom sentimento.
Olha só a minha camiseta de psicopata!
Quando Harry ergueu o rosto mais uma vez, o livro de Ginny estava em cima da mesa e ela puxava a própria camiseta branca para baixo, revelando uma estampa que dizia “eu amo gatinhos fofinhos”, com o mesmo gato que estava na sua foto de perfil embaixo.
Harry teve que se segurar para não gargalhar, mas logo os dois perderam o contato visual, porque um grupo se aproximou dela (Harry não deixou de notar que Dean estava entre as pessoas), a cumprimentaram como amigos muito próximos (incluindo o Dean e seu abraço apertado). Os três meninos e as duas meninas se sentaram à mesa que antes estava ocupada apenas por Ginny e eles começaram a conversar.
— …a qual tem a função de organizar a estrutura das unidades linguísticas que se combinarão em sentenças. – Colin enfim atraiu a atenção de Harry, que desviou os olhos da mesa ao lado.
O Potter percebeu que Lilá estava o encarando de uma maneira esquisita e optou por focar em Colin, primeiro porque ele era o melhor dos três naquela cadeira, segundo porque não queria ter que lidar com mais uma pessoa questionando seu interesse por Ginny.
Minutos depois, quando enfim sentiu que era seguro voltar a se aventurar na arte do flerte de biblioteca, Ginny e seu grupinho já tinham desaparecidos. Um pouco frustrado por não ter recebido nem um “tchau, otário” pelo Whatsapp, continuou estudando até o começo da noite, quando finalmente ele e seus amigos sentiram que seus cérebros estavam derretendo e foram para a aula.
Acabou não conseguindo se concentrar no que o professor de Literatura falava, distraído enquanto olhava o Instagram de Dean. Passeou por cada foto que o garoto havia postado, resmungando para si mesmo sobre as legendas ou detalhes, e até mesmo aquelas que havia sido marcado.
Ainda estava xeretando as redes sociais de Dean enquanto ocupava uma das cadeiras altas do ônibus que o levaria para casa. Estava muito ocupado se questionando o motivo de alguém ter nascido com tanta beleza quando um rapaz mais velho sentou na cadeira vazia ao seu lado, ele era corpulento e estava próximo demais. Incomodado com aquela presença tão perto, Harry desviou os olhos do celular para encará-lo com uma expressão brava.
— Harry? Não está lembrado de mim?
O rosto dele havia mudado bastante, mas, ao ouvir aquela voz divertida e familiar, Harry automaticamente foi transportado para quando entrou na faculdade, mais especificamente sua primeira calourada. O homem sentado ao seu lado havia sido seu veterano, aquele que havia sido seu primeiro crush na faculdade.
Ele acabou se formando seis meses depois de Harry entrar na faculdade e, com o tempo, os dois perderam completamente o contato.
— Oliver? Oliver Wood?
— O próprio! – ele assentiu, exibindo o mesmo sorriso brincalhão de anos atrás e Harry sorriu de volta. – Desculpa te abordar desse jeito, percebi que você ficou alarmado, mas eu estava sentado ali te observando e tentando lembrar de onde te conhecia… e aí uma memória de você chapado cantando aquela música do RBD na minha festa de aniversário me veio à cabeça. Caramba, parece que você cresceu!
Harry ficou dividido, sem saber se se sentia satisfeito por Oliver Wood, um dos caras mais lindos que já havia conhecido na vida, estava lhe observando no ônibus ou sentia vergonha pela memória ridícula que ele tinha.
Oliver também tinha claramente crescido, estava com mais cara de adulto do que antes; havia raspado o cabelo claro, deixado a barba crescer e estava mais lindo do que nunca, com a pele bronzeada e o corpo impecável dentro de uma roupa casual que deixava em evidência os locais certos.
— Ainda bem que a gente cresce, não é mesmo? – Harry respondeu, propositalmente mordendo o lábio inferior enquanto o encarava.
Oliver concordou com a cabeça e, enquanto tagarelava sobre a época que passaram juntos, Harry se deu conta de algo: Wood tinha comemorado o aniversário no meio de maio, e ele se lembrava daquilo porque haviam dado uma festa surpresa para ele na casa dos Potter.
Aquela informação tinha um significado muito importante.
— …e depois Colin caiu de bunda no chão, você lembra?
— Sim! – Harry respondeu talvez entusiasmado demais, percebendo que estavam perto de onde teria que descer e sabendo que teria pouco tempo para laçá-lo. – Escuta, Ollie, você quer sair qualquer dia desses? Podemos relembrar os velhos tempos, você pode me humilhar mais um pouquinho com lembranças sórdidas, podemos fumar um e tomar uma cerveja… Que tal?
— Claro! Anota meu número.
Harry anotou o celular dele e avisou que desceria na próxima parada. Oliver lhe deu um beijo no rosto, impregnando a vida de Harry com um perfume deliciosamente sensual, como tudo nele, e o moreno se afastou. Porém, antes de descer, ainda pode ouvi-lo dizer:
— A maturidade te fez bem, Harry.
— Com certeza pode dizer o mesmo de você, Oliver.
Os dois trocaram mais um olhar rápido e cheio de segundas intenções antes de Harry descer na calçada, sem saber dizer se o mundo estava conspirando ao seu favor ou se ele tinha a maior sorte do mundo, mas, um pouco mais de uma semana depois do encontro com a taurina, Harry havia encontrado um cara do signo de Gêmeos.
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Ainda naquela noite, os dois combinaram de se encontrar no fim da tarde de sábado, na orla de Olinda. Harry tentou não ficar muito ansioso, mas a semana demorou uma eternidade para passar, além disso teve que arrumar uma desculpa para Lilá, que havia marcado com o grupinho para que saíssem.
Harry estava se sentindo quase como a Hannah Montana, só que sem os bilhões de dólares na conta, uma voz incrível e todo aquele twerking, mas com certeza sabia a dificuldade de viver entre dois mundos.
De um lado ter que conviver com os amigos tremendo que eles descobrissem sua segunda vida e do outro, pretendentes encantadores que não paravam de mandar mensagens perguntando sobre um segundo encontro enquanto ia encontrar com um terceiro. Ufa!
E, claro, ainda havia Ginny que havia sumido depois do encontro casual na Setorial.
Oliver estava parado perto do letreiro com o nome da cidade, observando as pessoas ao redor. Usava uma calça jeans e uma camiseta azul com decote em V, não muito diferente do homem que havia encontrado no ônibus. Assim que ele viu Harry, abriu um grande e charmoso sorriso.
— E aí, Harry, tudo bom?
— Tudo! – ele lhe deu um beijo no rosto, cheirando ao mesmo perfume sensual do ônibus. – E você?
— Melhor agora.
Harry teve que se segurar para não rir daquela breguice, mas conseguiu.
— E para onde nós vamos? – quis saber, um pouco também para mudar de assunto e não correr o risco.
— Bom, eu… não sei… — Oliver coçou a nuca. – Temos muitas opções! Eu estava pensando em dar uma volta pela orla e decidir. O que você acha?
Harry concordou e conforme os dois caminhavam, Oliver contava suas histórias malucas pós faculdade, fazendo Potter rir e ficar impressionado por ser tão jovem e ocupar um cargo relativamente alto na secretaria de Educação, Esporte e Lazer na prefeitura de Recife. Harry nem viu o tempo passar, fascinado pelo papo e por toda aquela beleza dele, tão lindo que teve que se segurar muitas vezes para não agarrá-lo ali mesmo.
Quando enfim cansaram de andar, porém, o príncipe encantado resolveu se transformar em um poço sem fundo de indecisão.
— Podíamos ir até o Caldeirão! – dizia, coçando o queixo. – Mas hoje deve estar muito cheio… talvez o Bode do Nô?
— Pode ser — Harry respondia a cada vez, sendo cortado logo em seguida por alguma característica negativa do lugar em questão.
— Lá no Bode do Nô é tudo muito caro… Que tal o OISHI?
— Tudo bem, podemos ir.
— Mas o OISHI não tem nada além de comida oriental, não sei se to muito afim…
Aquilo durou cerca de meia hora, tempo durante o qual Harry pensou muitas vezes em se jogar em alto mar; Oliver estava listando os prós e contras de irem até o Estrela quando Potter desistiu de esperar por uma decisão e o interrompeu.
— Já sei, vamos até a Gameleira, assim a gente pode ficar nas mesas da orla, beber e comer — E parar de perder tempo, Harry pensou, pegando-o pela mão e já seguindo em direção ao restaurante.
— Mas nós nem sabemos se vai chover ou não! – Oliver ainda tentou, deixando ser levado.
— Qualquer coisa nós vamos para a parte de dentro, só quero sentar e tomar uma cerveja.
Sentaram na primeira mesa que encontraram livre, aproveitando um garçom que estava por ali para pedir um petisco e um balde de cervejas.
— E a Hermione? – Oliver retomou a conversa assim que voltaram a ficar sozinhos, sem brechas para silêncios constrangedores. – Como ela está?
— Bem! Terminando o curso, segue firme e forte com o Ron e continua uma nerd incurável. E você? Me conte um pouco mais sobre sua vida fora dos muros da Rural.
— Ah, bom, realmente não consigo parar quieto em lugar nenhum – contou enquanto abria uma cerveja para ele e outra para Harry; até o seu jeito de abrir as garrafas era sexy. – Depois da faculdade, trabalhei em uma loja de CD’s, depois passei um ano trabalhando em alto-mar, num cruzeiro internacional. Também trabalhei em restaurantes, bares e então passei em um concurso da prefeitura.
— Uau! – Harry exclamou, dando um gole na sua cerveja antes de continuar. – Isso significa que você é… velho.
Nós rimos, e Oliver pareceu hesitante, mas assentiu mesmo que não parecesse concordar.
— Continuo sendo cinco anos mais velho do que você – ele se aproximou mais da mesa, um sorriso sacana tomando-lhe os lábios. – Tenho anos de experiências.
Oliver tinha tanto mel nas palavras que foi quase impossível para Harry não se desmanchar ali mesmo. Mas o mais novo apenas sorriu, prestes a declarar todo o penhasco que havia sentido tantos anos antes, entretanto foi salvo pelo gongo, o garçom tinha acabado de voltar com os petiscos que tinham pedido.
Passaram um bom tempo ali, conversando, rindo e bebendo. Em determinado momento começaram a ficar zonzos e felizes, praticamente dopados de endorfina e álcool, as vozes soando cada vez mais cantadas. Sem nenhuma explicação, um mistério da natureza, suas cadeiras também acabaram ficando ainda mais próximas do que antes.
E o Harry do passado estava cada vez mais orgulhoso do Harry do presente. Oliver sabia exatamente como fazer sua companhia rir e o outro quase não percebia o tempo passar.
— Como o mundo dá voltas, não é mesmo? – perguntou Oliver, envolvendo discretamente os ombros de Harry. – Nunca mais achei que fosse te ver de novo.
— Eu também não – Harry olhou para cima, já que mesmo sentados Oliver era mais alto.
— O que é engraçado, ficamos tão próximos quando você entrou na Rural.
— Infelizmente a vida acabou afastando a gente – Harry fez questão de sussurrar a continuação olhando para a boca de Oliver –, podíamos ter sido ainda mais próximos.
Conversaram por mais algum tempo, tão entretidos um no outro que só notaram que a orla estava ficando cada vez mais vazia quando um grupo de jovens sentaram ali perto, falando e rindo alto, claramente bêbados. Decidiram que era hora de ir embora, dividiram a conta e começaram a procurar um carro de aplicativo para cada um.
Harry levantou da cadeira sentindo como se pudesse flutuar e aceitou de bom grado o braço de Oliver, em parte porque estava tonto e em partes porque queria saber como era sentir a pele de Oliver contra a sua.
— Eu estava pensando – Oliver se curvou na direção de Harry, falando bem perto do seu ouvido, quando os dois se acomodaram ali pertinho. – Você por acaso chegou a sentir alguma atração por mim quando nos conhecemos?
Automaticamente, todos os pensamentos cheios de segundas intenções que teve com Oliver durante aquele período voltaram à cabeça de Harry.
— Não, estava tão focado em desfrutar da vida acadêmica que nem conseguia pensar em garotos…
— E agora? – Oliver se aproximou mais. – Ainda está muito focado na vida acadêmica?
— Acho que agora estou mais interessado em me envolver com homens…
Assim que o flerte saiu da boca de Harry, ele pode ouvir nitidamente todos seus amigos gritando um “AI MEU DEUS!” ao mesmo tempo, mas não se importava, beijaria aquele homem naquela noite ou não se chamaria mais Harry Potter.
Oliver sorriu, as covinhas iluminando o seu rosto, e no instante seguinte estavam se beijando.
O beijo geminiano era… inteligente. Era quase como se ele pudesse prever todos os movimentos de Harry! Oliver conseguiu sincronizar suas bocas de uma maneira muito estratégica, enquanto o puxava, pela cintura, para mais perto com precisão e carinho. Não chegava a ser o beijo de alma da taurina, ou o beijo corporal do ariano, mas era igualmente prazeroso, de uma maneira quase lógica.
Passaram muitos minutos sem se afastar, só o fazendo quando o celular de Oliver sinalizou ter encontrado seu carro e que ele estava a poucos minutos de distância, então ele olhou em volta e gritou:
— Ei, pessoal, olhem só a beldade que eu estou beijando!
Harry escondeu o rosto com as mãos, rindo e agradecendo por não ter tantas pessoas na rua naquela hora, enquanto todo mundo, principalmente o grupo de jovens bêbados, aplaudia e gritava, entrando na brincadeira. Logo, o geminiano envolveu o corpo quase inteiro de Harry em um abraço e Potter encostou a cabeça em seu peito.
— Você bebeu demais.
— Sorte líquida, Harry, sorte líquida.
Felix Felicis, Harry pensou, mas guardou o pensamento – misteriosamente, mas nem tanto, o rosto de um ser humano ruivo, nerd e dono das melhores camisetas lhe veio à mente, e ele sorriu.
— Meu carro tá chegando – Oliver os separou, encarando os olhos verdes de Harry com intensidade. – Eu moro sozinho. Você quer passar lá em casa?
Harry mordeu o lábio inferior, lembrando de tudo o que sabia sobre geminianos e as suas mudanças bruscas de opinião.
— Não sei. Você quer que eu vá?
— Eu… — tendo que tomar uma decisão, ainda mais de forma brusca, Oliver congelou, e o barulho de uma buzina anunciou a chegado do transporte que o levaria. – Eu não sei… Você gostaria? Eu, bem…
— Boa noite, Oliver Wood – Harry lhe deu um último beijo na boca e o empurrou em direção ao carro, que buzinou de novo.
Ele ainda lhe deu um selinho carinhoso antes de ir embora, e Harry ficou congelado no lugar, riscando mentalmente o signo de Gêmeos da sua lista enquanto sorria de forma boba.
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