Assinado, Remetente.

1 Destinatária, Katya.


Notas iniciais
Este texto, que agora se converte em uma "one-shot", foi feito como selo de aprovação ao ingresso da personagem Kitty Pryde em um RPG narrado, há alguns anos, sob o contexto da prisão do mutante Colossus durante o período pós-Vingadores vs. X-Men, dadas as ações criminosas das Cinco Fênix em relação ao mundo e à humanidade.

Da. Há muito não nos vemos, Katya. Dizer que não pensei em você cada instante desde nossa despedida seria o mesmo que mentir. Mas também seria lhe causar um senso de obrigação e nostalgia que eu sei que você não merece. É um fardo meu carregar nos ombros todas as responsabilidades por tudo que deu errado entre nós.

É engraçado, sabe? Vê-la assim. Nós crescemos juntos, passamos por tanto juntos... Mas ainda me é vívida à memória a lembrança de você, quando garota, gritando revoltada em oposição aos planos e à superproteção que o Professor — e todos nós – lhe dava. E agora... Aí está você. Diretora de sua própria escola. Líder da raça Mutante. Uma mulher feita, crescida, não mais uma garotinha, embora não tenha perdido aquele mesmo espírito meigo, doce e aventureiro pelo qual todos nós nos apaixonamos, há tantos anos.

Eu sempre soube que o futuro reservava coisas grandes para você, Katya. Não por acreditar em pré-destinação – você sabe que não acredito –, mas sim por conhecê-la tão bem, e saber que você não permitiria que nada ficasse em seu caminho e a atrapalhasse na construção do futuro que quisesse para si, qualquer que fosse ele.

Cometi muitos erros para os quais ainda busco redenção, e tenho muitos arrependimentos grafados pelos quais me lamentar até o fim dos meus dias, mas o maior deles foi não ter lutado mais por você, por nós. Eu entendo agora o que você quis dizer com “se doar menos aos outros”. Só gostaria de ter entendido isso antes. Agora... Já é tarde. Tarde demais.

Sei que esta carta jamais chegará às suas mãos, Katya, e acredito que seja melhor assim... Mas se chegasse, eu só queria que soubesse que eu me orgulho de cada momento em que estive com você, e me orgulho de cada gesto, de cada “Eu te amo” que já lhe disse e de todos os outros que me vieram à mente desde então. Porque você sempre vai ser minha pequena Katya. Eu só lamento não ser mais o seu colosso.

Com amor agora e para sempre,

Piotr.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!