Notas iniciais
Olá!! Esta é minha primeira história original postada. Espero que gostem. A história será dividida em duas partes. O primeiro capítulo é narrado em primeira pessoa. O segundo capítulo é narrado em terceira pessoa. Foi escrita para o Amigo Secreto do Nyah! de 2018. Dicas sobre minha amiga secreta: marcou dois temas na enquete, um deles era originais e o outro sobre lobisomens ou vampiros.

Eu o amo tanto, tanto que chega a doer. Eu sinto tanto a sua falta, a distância é tão difícil, cheguei à conclusão que a saudade é a pior parte do amor.

Mas não há nada que eu possa fazer, prefiro assim. Eu aqui, bem distante dele, não quero que ele sofra. Não quero que ele me veja assim, não quero que suas últimas memórias minhas sejam dolorosas. Quero que ele lembre de mim como eu era até três meses atrás.

Quero que ele lembre de meu longo cabelo pintado de vermelho, assim como minhas sobrancelhas. Quero que lembre do meu sorriso mais radiante, do nosso primeiro beijo, da nossa primeira noite.

Quero que lembre de como minha pele era macia e como se arrepiava quando roçava na dele. Quero que ele lembre somente dos momentos bons, quero que ele mantenha as boas lembranças, pois em breve é só o que ele terá de mim.

O proibi de me visitar há 26 dias, quando meu caso começou a piorar, foram e estão sendo os piores dias da minha vida.

Queria que ele estivesse aqui para segurar minha mão nos momentos dolorosos, mas seria muito egoísmo da minha parte pedir que ele ficasse aqui, vendo meu sofrimento e não pudesse fazer nada para diminui-lo. Sei que ele sofreria muito e não quero isso.

Minha mãe vem me ver todos os dias, fica horas comigo, e sempre traz notícias dele. Diz que ele está arrasado e pede que eu volte atrás e o deixe me ver. Quando minha mãe diz isso, meus olhos sempre enchem de lágrimas, algumas delas são teimosas e escorrem pelo rosto. Mas sigo firme em minha decisão, que minha mãe abertamente reprova.

Depois de muita insistência por parte da mamãe, pedindo para que eu deixasse ele vir até o hospital para me ver, fizemos um combinado. Eu disse à mamãe que vou escrever uma carta para ele e pedi a ela que o avisasse. Assim que eu terminar de escrever ela pode entregar a ele, então depois que ele ler, pode vir me ver.

Pedi a minha mãe que também dissesse a ele que o amo muito, que ele está em meu coração e mente o tempo todo. Mas ainda não é o momento de vê-lo, apenas o verei depois que ele ler a carta.

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Comecei a escrever a carta para ele, precisei parar por diversas vezes, pois meus olhos estavam tão marejados que mal conseguia enxergar o papel em minha frente. Não foi nada fácil para mim a decisão de escrever essa carta, mas acho que era a atitude mais justa possível com ele.

Terminei de escrever a carta dois dias depois que passei o combinado para mamãe. Assim que ela veio me ver naquela tarde, entreguei em suas mãos o envelope e pedi que entregasse a ele. Mas deixei claro que ela só deveria entregar na manhã seguinte, dia 25 de dezembro, na manhã de Natal. Minha mãe aceitou prontamente.

Então pedi que ela voltasse para casa, que passasse o Natal com minhas irmãs menores e com meu pai. Mamãe começou a chorar e disse que queria ficar no hospital essa noite, passar o Natal comigo.

Argumentei que não seria justo com minhas irmãs, elas tinham o direito de ter um Natal feliz, minha doença não justificava a perda dessa data tão importante para elas. Minha mãe chorava copiosamente, enquanto falava que não iria me deixar. Que estaria ali para mim, para sempre.

Deixei bem claro para ela que não estava me deixando, que era um pedido meu para ela. Que nós teríamos outros Natais para passarmos juntas. Pedi de todo meu coração que mamãe fosse para casa e preparasse um Natal mágico para as meninas. E que ficaria muito feliz recebendo as fotos da ceia e delas arrumando “armadilhas” para pegar o Papai Noel.

Minha mãe sorriu ao lembrar de como as meninas são travessas, fazia muito tempo que eu não a via sorrir assim. Depois de muita insistência e uma longa ligação para o meu pai, consegui convence-la a ir para casa comemorar o Natal com o restante de minha família.

Antes dela sair lembrei que deveria entregar a carta para meu amado somente na manhã seguinte e depois poderia vir com ele até o hospital. Ela confirmou e meio a contragosto foi para casa.

Pedi que minha mãe fosse para casa pois eu tinha certeza que essa seria minha última noite viva. Não queria que ela me visse morrer, nenhuma mãe deve ver um filho perecer, é uma dor eterna.

Pedi também que ela entregasse a carta que escrevi para ele somente na manhã seguinte, era uma maneira de deixar ela longe do hospital até a próxima manhã.

Amo minha família, amo meu namorado, por isso quero afastá-los daqui. Sei que essa será minha última noite. Como sei disso? Não sei explicar, somente sei.

Chamei uma enfermeira e fiz o pedido. Deixei claro para ela que se algo acontecesse comigo durante a noite minha família não deveria ser avisada. Somente na manhã seguinte notícias minhas poderiam ser passadas e se possível que não ligassem para informar nada, somente passassem as notícias a meu respeito quando uma familiar viesse pela manhã.

Como sou maior de idade, meu pedido foi passado para a equipe médica e foi aceito. Mas a enfermeira perguntou o porquê dessas instruções. Eu disse à ela que só queria que minha família tivesse um Natal feliz e alegre, como há muito tempo não tinham.

Notas finais
Dividi a história em dois capítulos para não ficar confusa. Espero que tenham gostado dessa primeira parte.