O dia estava claro e Sebastian e Douglas treinavam seu combate de espadas. Diego, ainda ferido, encontrava-se sentado observando-os treinar. Sebastian, sempre calmo, atacava com graciosidade enquanto Douglas golpeava com mais força. Chegara ao ponto em que Douglas e Sebastian irritaram-se um com o outro e começaram a lutar de verdade usando seus bastões. Douglas bateu forte contra o abdômen de Sebastian, e Sebastian lhe bateu no rosto e o chutou a perna, fazendo Douglas cambalear para trás, e então Sebastian correu na direção do homem curvado e lhe segurou pela nuca com ambas as mãos e lhe deu uma joelhada forte no rosto, quebrando seu nariz e o fazendo cair sentado para trás. Diego arregalou os olhos de espanto e tentou se levantar, mas esquecera de seu braço ferido e acabou usando-o como apoio e por consequência acabou sentindo uma dor imensa no braço e caiu no chão. Douglas se levantou enfurecido e limpou o sangue de seu nariz, pegou seu pequeno bastão que usava como espada e foi a passos largos até Sebastian. Sebastian rolou para trás e pegou seu bastão e se preparou. Ambos atacaram simultaneamente e com tanta força que ambos os bastões quebraram-se quando se chocaram. Depois Sebastian fez um movimento rápido, se curvou e empurrou Douglas, mas Douglas o segurou pelo sobretudo e girou, fazendo Sebastian rolar no chão para se reerguer. Douglas e Sebastian liberaram suas lâminas-ocultas e estavam prontos para matar um ao outro, mas então, Diego se levantou em um salto e ficou entre os dois Assassinos, impedindo seus ataques.

CHEGA! – Gritou.

Sebastian e Douglas abaixaram a guarda e deixaram suas lâminas retornarem aos braceletes, mas nem por um instante pararam de se encarar com desgosto. Diego os afastou e foi conversar com Sebastian.

– O que diabos estavam fazendo?! – Perguntou a Sebastian.

– Teu pai se considera um grande Assassino e melhor que eu, apenas provei a ele que estava errado – Começou Sebastian –, ele me desafiou, não diretamente, mas desafiou!

– Estás louco de voltar-se contra o Mestre da Ordem dos Assassinos?! – Perguntou Diego com muita ira.

– Mestre? – Sebastian forçou um risinho e depois deu um sorriso irônico – Douglas nada tem de Mestre!

– Ele é o Mestre e merece respeito!

– Agora me diga, se ele é o Mestre, onde está o conhecimento que ele devia ter? Onde estão as habilidades que ele devia possuir? O que ele tem de Mestre Assassino?!

– Sem ele, nós dois não passaríamos de idiotas! Tu serias um templário e eu um escravo e nada mais! – Vociferou Diego, com olhos parecendo chamas.

– Está enganado – Retrucou Sebastian – Achas mesmo que sem teu pai os Assassinos não existiriam aqui? O único motivo dos Assassinos ainda existirem no Brasil é devido á Edgar Montier! Sem Edgar nem mesmo teu pai seria algo além de um escravo aqui! Edgar sim era um Mestre, ele me treinou, ele me ensinou tudo sobre a Ordem, graças ao fato dele se passar por um guarda-costas meu, mas quando fiz quatorze anos ele arriscou sua vida pelo Credo! Quando descobriu que seu pai era um Assassino, Edgar o libertou e o auxiliou em sua fuga, e quando meu pai descobriu sua façanha ordenou que matassem Edgar. Edgar sabia que se morresse o Credo ainda existiria, por causa de seu pai e de minha causa, e sem ele Edgar seu pai não passaria de um escravo até hoje! Montier é o verdadeiro Mestre!

Diego ficou em silêncio por um tempo.

– Ele deu sua vida pela Ordem, e o seu pai nada faz além de se esconder em um alçapão aqui. Diga-me, quem é que deveria estar vivo e livre sendo o Mestre da Ordem? – Sebastian disse por fim – Depois de amanhã teremos que interrogar e assassinar um templário, esteja pronto.

– Mas...

Sebastian virou-se e andou a passos largos até sair do beco, ignorando Diego.

Com o cair da noite, Diego demora a entrar no esconderijo e fica refletindo sobre o que sentira durante o combate de Sebastian e Douglas... Diego se lembrava de ter sentido que o templário que pretendiam matar seria o inicio de um caminho grandioso, mas Diego não conseguia imaginar o que era. Manoel Enriques, Diego repetia este nome em sua cabeça, por longos minutos apenas repetiu esta nome na cabeça. Refletiu também sobre o que Sebastian disse; Douglas salvou Diego e lhe treinou, mas parece que nada mais fez pela Ordem do que isto. Edgar... Diego tinha curiosidade em saber mais sobre o homem, e pretendia perguntar a Sebastian assim que este viesse a seu encontro; Diego sabia que Sebastian viria, afinal, deveriam planejar a morte de Manoel. Diego admirava Sebastian pelo seu jeito calculista e sua forma de tratar tudo com superficialidade, e nunca comprometendo a Ordem, mesmo no meio de templários traiçoeiros. Sua habilidade também era invejável, e por mais que amasse seu pai, Diego acreditava que talvez Sebastian devesse ser o Mestre da Ordem.

Na mansão Ducaste, Sebastian andava em círculos em seu quarto, extremamente pensativo. Estava armando o plano perfeito para o assassinato de Manoel. Agora Sebastian não usava seu sobretudo escuro, apenas sua camisa social branca levemente suja e suada, de mangas dobradas até os cotovelos, uma calça escura e sapatos pretos e elegantes. Logo Sebastian se dá conta de que haverá dois franco-atiradores vigiando Manoel por medidas de segurança. Caso um franco-atirador fosse morto e sua arma fosse usada, seria um plano excelente para não ser notado e Diego também não ser notado, e além do mais, ninguém saberia que a Ordem dos Assassinos esta ativa. Haveria também muitos guardas próximos de Manoel, impedindo um assassinato com lâmina-oculta ou qualquer arma, então a melhor opção seria disfarçar-se de franco-atirador. O plano estava agora formado e Sebastian fora no dia seguinte contar a Diego.

No dia seguinte.

– Diego! – Sebastian chamou de cima de uma das casas abandonadas.

Diego olhou para cima e pôs a mão sobre as sobrancelhas, para fazer sombra nos olhos devido ao sol forte, e logo olhou em volta. Quando viu Sebastian, Diego fez um gesto para que ele descesse. Sebastian como sempre demonstrou suas incríveis habilidades de escalada, descendo com velocidade e suavidade. Quando chegou ao chão, foi a passos largos até Diego.

– Nosso plano esta formado, e amanhã iremos assassinar Manoel! – exclamou Sebastian.

Diego manteve-se sério por um momento, mas logo deu um pequeno sorriso.

– Qual é o plano? – perguntou.

– Por medidas de segurança, haverá franco-atiradores vigiando Manoel. Tu irás até algum destes franco-atiradores e irá mata-lo e tomar sua arma, então dar um tiro certeiro em Manoel.

– Por que tu não fazes isto?

– Não posso arriscar de maneira alguma ser pego.

Diego fitou Sebastian com um olhar duvidoso, mas depois deu um leve e amigável tapa em seu ombro.

– Tudo bem, vamos fazer isto! – disse Diego.

Sebastian assentiu e sorriu.

– Como está teu braço? Melhoraste? – perguntou Sebastian olhando de relance para o braço no qual Diego havia recebido um tiro.

– Creio que já esta melhor, pelo menos o suficiente para a escalada – respondeu Diego.

– Isso é bom – Sebastian tocou o braço de Diego –, precisará dele para escalar e mirar amanhã – Sebastian logo depois sorriu.

Os dois sentaram-se por um momento. Sebastian tirou o grande sobretudo marrom que usava, pois seu sobretudo preto estava sujo e teve de substitui-lo, e sentia muito calor e remangou as mangas de sua camisa social branca. Diego estava usando uma camiseta de mangas cavadas e bordô, um tanto quanto velha e um pouco suja, e uma calça curta e cinzenta, que era cortada em cima dos joelhos para não fazer tanto calor, e seu braço estava ainda enfaixado. Ambos sentaram-se um ao lado do outro, encostados em alguns caixotes velhos de madeira que ficavam perto do alçapão.

– Sebastian... – Diego começou – creio que ontem tivemos um desentendimento e...

Antes de terminar a frase Sebastian olhou para ele.

– Não tem problema.

Diego ficou contente por Sebastian ter dito aquilo, mas sua curiosidade ainda era grande.

– Sebastian, gostaria de saber mais sobre o tal Edgar que mencionaste ontem.

– Edgar... – Sebastian falou em tom meio pesado, como se lembranças ruins viessem a sua mente, e na verdade era exatamente isto que aconteceu – Edgar era sem duvidas um grande assassino, ele e minha mãe eram grandes amigos e Edgar até mesmo já teve um romance com ela quando eram jovens, mas nunca se amaram de verdade. Eram muito amigos, mas minha mãe acabara sendo levada pelos encantos de meu pai, que era templário. Na época ele não era tão poderoso e nem se dedicava de corpo e alma á causa dos templários, como faz hoje em dia. Minha mãe acreditava que conseguiria fazer dele um Assassino, mas era impossível. Edgar sempre pediu a ela que matasse meu pai de uma vez, para que ela não corresse o risco de ser considerada uma traidora. Pouco tempo depois minha mãe engravidou de mim, e ela se recusou mais ainda a matar meu pai. Isso provocou a fúria de Edgar. Anos mais tarde ele infiltrou-se como guarda de meu pai, nessa época eu tinha sete anos, e foi nessa época que meu pai descobriu que minha mãe era uma Assassina, e não hesitou em acabar com ela. Edgar, apesar de algumas dificuldades devido a se passar por um guarda, cuidou de mim desde então, e me treinou nas artes Assassinas e me contou tudo sobre o credo. Treinou-me até meus quatorze anos, época em que seu pai foi comprado pelo meu pai como escravo. Eu me lembro do rosto de seu pai. Não mudara tanto desde aquela época até agora. Mas Edgar pretendia liberta-los, todos os escravos e fugir com eles para algum lugar que fosse seguro e assim os treinaria, mas não obteve sucesso. O primeiro que libertou foi seu pai, pois ele descobriu que seu pai era Assassino, mas quando o libertou um guarda os avistou e acionou o alarme. Mais e mais guardas chegaram, Edgar fugiu logo atrás de seu pai, mas recebeu um tiro e foi ao chão, ferido. Quando meu pai chegou, ordenou que o matassem, mas quem o fez foi Oscar Joseph Stark, um dos mais habilidosos templários que já vi. Edgar era muito bom, até mesmo ferido, mas Oscar o humilhou e depois o matou. Eu vi tudo de longe, e desde então meu ódio por Oscar nasceu, e meu desprezo por meu pai só aumentou. Este foi Edgar, e graças a ele, estamos aqui hoje.

Diego estremeceu ao ouvir tudo. Ficou em silêncio por alguns momentos, e não encontrou palavras para dizer.

– Mas, continuando, que tal um treinamento de escaladas? – prosseguiu Sebastian.

Diego ficou em silêncio novamente, por dentro estava boquiaberto, pois acabara de passar por uma história tensa e para Sebastian deve ter sido pior ainda, devido ao fato das lembranças, mas Sebastian nem parecera se abalar. Diego gaguejou um pouco, mas depois resolveu apenas assentir.

Sebastian ensinou a Diego diversas técnicas de escalada para escalar mais rápido, e Diego diversas vezes tentara seguir as técnicas. No começo Diego não conseguira, mas era rápido em aprender. Depois de duas horas de tentativas após tentativas, a única coisa que atrapalhava e deixava a escalada de Diego mais lenta era seu braço ferido. Logo pararam e descansaram. O calor os fez suar muito, deixando seus rostos um tanto quanto “brilhantes”. Sebastian ficou descansando encostado nas caixas perto do alçapão, mas Diego tentara subir mais uma vez. A casa velha e abandonada tinha dois andares, e uma pequena varanda cerca de um metro abaixo do topo da casa. Quando Diego chegou ao topo, seu braço doeu um pouco e ele escorregou, e Diego caiu e bateu-se na varanda e depois foi ao chão. Sebastian começou a dar gargalhadas, depois se levantou e foi até Diego ver se ele necessitava ajuda. Diego riu um pouco, mas sentia um pouco de dor, isso era inevitável. Sebastian ergueu Diego e ambos sentaram-se novamente encostados nos caixotes, apenas esperando o dia seguinte.

Quando chegou a noite, Sebastian fora para a mansão Ducaste e Diego fora descansar no esconderijo.

Com o amanhecer, Sebastian e Diego encontraram-se em cima de uma das casas abandonadas, a mesma da qual Diego caiu no dia anterior. Ambos estavam lá desde as sete da manhã, e Manoel iria começar a vender os escravos às oito horas, pois alguns grandes compradores de escravos acordavam-se cedo. Depois de esperarem até às oito horas da manhã, Sebastian e Diego foram até o local de trabalho aonde Manoel se encontrava vendendo alguns escravos. Havia sete escravos, a maioria com bom porte físico, apenas um deles era magro demais e fraco. Todos estavam atados por uma espessa corda que os machucava bastante, e havia cerca de dezessete homens, todos bem vestidos e cheirando bem, muito elegantes e provavelmente ricos. Diego e Sebastian olharam de longe para o local onde os homens se reuniam e buscaram pelos franco-atiradores. Um dos franco-atiradores encontrava-se em cima de uma casa, aonde o chão era estrategicamente feito para franco-atiradores. Logo Sebastian se aproximou pelo chão, enquanto Diego foi pelos arredores, sem se aproximar demais e sempre buscando o franco-atirador que havia localizado. Quando Sebastian desceu, Diego levou um tempo para reagir, e fitou o franco-atirador e se concentrou. Sentiu algo estranho, como se pudesse se afastar muito do local e ainda assim saber exatamente onde o franco-atirador estava, podendo olhar até do outro lado da cidade. Então Diego desceu e foi através de becos e telhados até o local do franco-atirador. Este aqui é forte! Creio que vale bastante dinheiro! Diego ouviu Manoel gritar, apontando para um alto e forte escravo. Diego novamente correu mais e mais, até então chegar a casa onde o franco-atirador posicionava-se e escalou a casa, mas hesitou de subir no telhado e ficou segurando-se nas bordas da casa, tentando garantir que o franco-atirador não o estava olhando, e não estava. Diego subiu sorrateiramente, andou agachado e silencioso até as costas do guarda e... Tinque. O guarda deu um gemido de dor quando sentiu a lâmina-oculta penetrar nas suas costas, e depois foi ao chão. Diego o segurou por debaixo dos braços e o deitou suavemente, depois pegou seu rifle e se posicionou. Apontou a arma, e mesmo sendo forte, Diego começou a tremer. Não poderia errar, de jeito nenhum, ou comprometeria a missão. Seu dedo foi ao gatilho, e quando estava prestes a aperta-lo seu braço ferido doeu e o rifle foi movido bruscamente, fazendo Diego errar o alvo. O som fez os homens olharem para todos os lados, e alguns até correram e gritaram, mas Manoel tentava disfarçar seu nervosismo e tentava dizer que era apenas algum inimigo neutralizado e que não tinham nada a temer. Diego ajoelhou-se de dor e pôs o rifle no chão e tocou o braço, mas dentro de si sentiu uma ira consigo mesmo, sentiu que não podia falhar, e então a dor foi ignorada e sua determinação tomou conta. Recarregou rapidamente o rifle e mirou novamente, torcendo para que o outro franco-atirador não o visse, mirando com calma, tentou parar de tremer, e conseguiu. Manoel tentava acalmar os compradores, mas de repente, sangue jorrou de seu tórax quando a bala o perfurou e ele caiu de joelhos, e logo depois, morreu e caiu no chão. Diego apenas saltou para outra casa e correu para seu esconderijo como nunca correra, e á medida que acelerava sua corrida, menos ele ouvia os gritos desesperados e apavorados os compradores. Ao chegar ao esconderijo, ficou esperando Sebastian.

Sebastian levara um tempo para chegar, mas chegou com um sorriso no rosto.

– Conseguimos! – exclamou.

– Sim conseguimos! – Diego respondeu.

Ambos sorriram e deram um amigável soco no ombro do outro, como forma de vitória.

– Meu braço infelizmente me prejudicou – disse Diego, tocando o braço ferido.

– Mas nós mesmo assim conseguimos, irmão! – exclamou Sebastian novamente.

Morte aos templários! – Diego disse erguendo o braço direito.

Morte aos templários! – Sebastian gritou de volta, erguendo seu braço direito.

Morte aos templários!

Notas finais
Comentem! :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.