Notas iniciais
Boa leitura!

2 de Abril de 1764 — Londres

Se o que Haytham não esperava era encontrar algo a respeito dos Assassinos tão rápido, ele teve de rever suas expectativas fortemente enquanto vasculhava por toda Londres atrás de alguma pista. Claro, muito embora a Irmandade Inglesa de Assassinos aparentava estar aos frangalhos desde a perda de seu Mentor, o que o Templario extraíra há alguns minutos de um informante jovem demais para seu gosto não passara do fato obvio de que eles agora vinham reconstruindo-se nas sombras. Para infortúnio do Grão-Mestre, isso foi tudo que o rapaz disse antes de engasgar em seu próprio sangue.

Nenhuma localização. Nenhum nome. Nem mesmo números. Os resultados continuavam os mesmos. Ótimo, resmungou Haytham. Sua busca ainda estava limitada a área de uma cidade inteira. Ao menos, Haytham podia consolar-se com o fato de que nem tudo fora tão em vão assim.

Se havia uma quebra de código a ser valorizada pelos Assassinos, era o clássico “haja fora de vista”. E isso o templário podia afirmar do Assassino bandeiroso o qual mais parecia um elefante caminhando em uma sala repleta de vasos. Ao sair do Great Queen, Haytham não pode deixar de notar um sujeito encapuzado a conversar com uma moça em frente a um estabelecimento vizinho. O Assassino mal notara a presença de Haytham a observa-lo, enquanto o sujeito pôs-se a caminhar novamente pelas ruas vazias de Londres. Ainda era manha alta, e praticamente nenhuma viva alma era avistada pelas redondezas.

Agora, do topo de um prédio, Haytham jazia silencioso como um gato, sondando a rua abaixo de si. O edificio o qual o Assassino adentrou sozinho, olhando de lado a outro, como se certificando-se que não era seguido, era, sem duvida, o mesmo o qual servia de base para a Irmandade. Ao entrar, o Kenway analisou as paredes rachadas e a mobília empoeirada a indiciar o tempo de desuso daquele lugar. Haviam livros jogados, cômodos vazios e a insígnia pertencente a Ordem a adornar os corredores da base. Com seus sentidos aflorados e com uma lamina ejetada, Haytham caminhou pelas sombras cuidadosamente, atravessando os cômodos vazios e lotados de ratos.

Ao alcançar um enorme cômodo, o que parecia ser um salão de reuniões, ele encontrou o Assassino, sentado na enorme mesa a preencher o salão. Ele bateu palmas teatralmente, esboçando um sorriso.

— Ora, ora, o que temos aqui? A que devo a honra, Grão mestre Haytham Kenway? – debochou David, baixando o capuz.

— Hmm. Esse lugar está mesmo caindo aos pedaços. Muito me admira que ainda existam alguns de vocês, aqui em Londres. Mas ainda não entendo o que veio fazer aqui, dada a – ele olhou ao redor – hospitalidade do local. Não acredito que tive de seguir-te por minutos para encontrar nada mais que esta pocilga vazia.

David negou com a cabeça. — Acho que a pergunta, Templário, é por que eu te deixei me seguir por todo esse tempo. Não chegas a nem mesmo questionar como eu praticamente me fingi de desavisado e o trouxe até aqui?

Haytham franziu o cenho.

— Oh, então sabias que eu o seguia o tempo todo? Devo te parabenizar, rapaz. Não são muitos os Assassinos que possuem tal nível de atenção. Agora, poderia fazer a gentileza de contar quais seus planos? Por que sinceramente, sinto que andam tão perdidos e sem rumo quanto sempre foram desde o inicio...

— Fale mais algo, e eu corto-lhe os dentes!

— Oh, não – ergueu as mãos em rendição, abrindo um sorriso – Não vim aqui exclusivamente para sujar minhas mãos. Apenas quero informações, só isso. Vejo que ainda é jovem e inexperiente. Não o culpo se foi tão manipulado por uma Ordem que prega tola e cegamente a desordem e—

— Chega, Kenway – David pôs-se de pé, semblante irritado – Se espera que eu o conte algo, após partir os Assassinos ao meio não só aqui, como também nas Colônias, rir do nosso Credo e para piorar, ter assassinado meu... – ele interrompeu-se – Esqueça. Se acha que depois do que fez, voltará vivo para casa, então engana-se.

— Eu não fiz esse caminho todo em vão, rapaz – murmurou Haytham, desembainhando sua espada — Eu terei minhas respostas, com ou sem você.

— Digo o mesmo, Templário – retrucou David, entrando em guarda – Você trouxe a queda a esta Ordem. É muito justo que conheça seu fim pelas mãos de um de nós.

O primeiro golpe veio de David, saltando com sua lamina oculta ejetada. Metal chocou-se contra metal, tilintando pelos corredores da base Assassina. O assassino era habilidoso, percebeu Haytham, mas ainda assim estava longe de ser um problema para o Templário, que permanecia apenas bloqueando os cortes contínuos de David. Se o Assassino tinha força, ela era logo compensada em impaciência. Assim, todos os golpes se tornavam previsíveis aos olhos de Haytham, que mantinha esforços apenas em apara-los, salvando seu fôlego.

Ao notar que David já havia começado a arfar por baixo do manto, Haytham esperou pelo momento certo. Com sua lamina oculta esquerda, o Templário aparou a espada do Assassino e com a outra mão, o agarrou pelo colarinho.

Ao ser arremessado para longe, tudo que David pode sentir foi o baque da mesa a se quebrar contra suas costas. O gosto de ferro atingiu seus lábios, e o Assassino olhou em volta, estendendo a mão até sua espada. Antes que pudesse se levantar, porem, Haytham chutou-a para longe e agachou-se, levando sua lamina gélida ao pescoço de David.

— Já perdi a paciência... O que vocês planejam? – ameaçou o templário, cerrando os dentes – Por que me trazer até aqui? O que vocês ganham com isso?

O Assassino mal segurou uma risada.

— Acha mesmo que vou trair meus companheiros, Templário? É um tolo se pensas assim. Eu já fiz minha parte. Eles contavam comigo para ao menos, faze-lo perder seu tempo atrás de mim. Quer eu conseguisse mata-lo ou não, o que me traria muito prazer, sem duvidas, o plano ainda segue em andamento.

David sentiu uma picada gelada no pescoço, e uma gota de sangue desceu lentamente.

— Não me faça mais perder meu tempo, rapaz. Conte-me o que planejam e talvez eu poupe sua vida.

— Eu sou só uma isca, não é obvio? Enquanto conversamos, teus colegas templários terão uma visitinha. Por que acha que o atraí até a base Assassina mais distante do Great Queen’s, hah? “Dois coelhos, uma cajadada”, meu velho.

Ao ouvir aquilo, Haytham guardou a lamina novamente, pondo-se de pé, enquanto o Assassino o encarava com um sorriso vitorioso.

— Sinceramente, não sei o que fiz de tão pessoal para criar tanto ódio por mim — disse o Kenway, friamente sondando-o — Mas muito bem, como havia dito, o pouparei hoje. Sinto que nosso tempo acabou.

Antes que se levantasse, porém, tudo que David viu fora Haytham sacar seu revolver. O templário virou-se lentamente e disparou uma única vez, estourando o joelho do Assassino, e manchando o chão empoeirado de uma coloração avermelhada.

— Eu disse que o pouparia, mas saiba que não serei tão bondoso com teus colegas, rapaz. Não posso me certificar que continuem agindo em Londres. Entenda isso — ele apontou para o local do tiro — como uma lembrança para que não tentem causar problemas outra vez, me ouviste?

— Ouvi... – murmurou David, os olhos levemente lacrimejados – Eu ouvi seu desgraçado... E-Eu... Eu me lembrarei disso, Templário! Você me ouviu!!? Eu ainda faço você pagar por isso, Kenway! Isso é uma promessa! – vociferou, apontado o dedo em riste para Haytham.

Em meio aos gemidos de dor do Assassino, ignorando o rapaz, Haytham deu meia volta e correu até as ruas. Suas mãos alcançaram as frestas de uma parede, pondo-se a escalar a construção. Ao alcançar o topo, o templário pulou como um gato de prédio em prédio enquanto tomava o caminho de volta ao hotel.

Ele apenas esperava que não fosse tarde demais.

II

Minutos antes...

Pique esconde não era nem de perto tão divertido quanto seria fora de um hotel apertado – ou ao minimo, quanto os duelos com espadas, mesmo que de madeira, que Kara gostava de propor – isso Remy sabia. Na verdade, não estava nem na mais remota possibilidade em seus pensamentos que fosse passar a viagem até a tão majestosa Londres trancado num quarto de hotel. E pelo que parece, segundo Mary Ivanov, assim seria por algum tempo. Por sorte, quando tartava-se de procurar alguém, Remy descobriu não ser tão difícil assim quando o fazia. Ao menos não com seus sentidos, que em para um garoto de 11 anos de idade, era aglo a ser taxado por muitos como fora do normal.

E tais afirmações, Remy tinha certeza, tinham suas verdades. Embora nunca tivesse parado para pensar na forma como ele via tudo a seu redor quando esforça seus sentidos ao maximo – o que, certa vez, Shay disse entendê-lo como ele se sentia – era um dom muito incomum para uma mera criança. Claro que aquilo tornava tais passatempos infantis chatos e previsiveis com o tempo, mas ainda assim, era sempre bom tirar o sorriso convencido do rosto de garotas como Kara Ivanov, ele pensou.

Ele sorriu quando a achou debaixo da cama.

— Achei você...

— Isso não é justo – ela bufou, pondo-se de pé – Como tu sempre fazes isso?

— Não faço ideia. É como... Se o mundo mudasse aos meus olhos, entende? Tudo parece diferente, como se alguma coisa me guiasse quando procuro algo ou alguém, e tem essas vozes que parecem sussurros em meus ouvidos... É difícil explicar. Talvez algum dia o sr. Cormac me conte do que se trata. Ele sempre foi tão vago quando conversavamos. Até mesmo o Mestre Kenway evita tocar no assunto, tudo que sei é que ele chama isso de Visão.

— Não sei do que estás falando, Remy- ela segurou uma risada — Falas como se fosse um dom ou algo do tipo. Uma audição muito boa ou uma ótima intuição, talvez? Até seria compreensível ser tão bom nessas coisas. Mas falando assim, vozes? Que eu saiba, tais coisas não o tornam nada a não ser um louco.

Remy sentiu-se corar, constrangido com a descrença da garota. Como ela podia ser tão cetica com o que ele falava? Não era o comportamento tipico de melhores amigos, muito embora as alegações sobre tal "habilidade" fosse mesmo dificil de descer garganta abaixo, mesmo aos olhos dele.

O forte cheiro de café preenchia a sala onde Nikolai encontrava-se. O velho foleava alguns livros, perdido em leitura. Ao seu lado, Mary conversava animadamente com Anna, agora já pouco menor do que o irmão. Os olhos esverdeados da garota fitaram Remy de modo debochado.

— Ora, mas onde estavam? Não me digam que estavam escondidos ... — ela pausou brevemente — aos beijos?

Outra vez, o garoto sentiu corar-se com a insinuação da irmã. Sem duvidas, quando crescesse, Anna tornaria-se uma bela fofoqueira, murmurou Remy. Não era a toa que ela passava tanto tempo com a srta. Ivanov. Decerto, ela seria dificil de lidar quando mais velha.

Mary riu baixinho. — Ora, deixe teu irmão, querida. Sabes bem como é nessa idade que surgem os primeiros namoricos de infancia.

— Err... Mamãe — Kara desconversou — A proposito, como vai Dmitri? Alguma noticia dele? Ele... Tens mandado alguma carta?

Nikolai deixou os livros e lançou um olhar sugestivo a esposa, que logo entendeu. Claro que eles não revelariam ainda o que verdadeiramente o filho fazia em todos esses anos. O que fazia, na verdade, toda a sua familia. E se muito embora homens como Haytham Kenway e o proprio Nikolai foram introduzidos a tal vida tão precocemente, o mesmo não deveria acontecer a Kara. Isso ele não desejava nem um pouco a sua tão querida filha.

— Não, meu bem — Nikolai continuou — Você sabe como é... Teu irmão tens sempre de pôr os negocios em primeiro lugar, como o seu velho pai aqui... Dmitri é muito ocupado em suas viagens. Mas quem sabe quando o Mestre Kenway voltar, perguntemos a ele, não? Haytham e ele eram colegas bem proximos.

— É, talvez — Kara retrucou, entristecida.

— Enquanto isso, querida, por que nós não...

O som do bater na porta mal deixou Mary terminar. Ela correu para abri-la prontamente, ajeitando o cabelo e desamassando o vestido.

— Pois na—

E Mary nunca pode terminar de falar. Tudo que puderam ouvir foi um clique metálico vindo de fora do quarto enquanto o corpo pesado de Mary esparramava-se no chão, as gotas de sangue voando de seu pescoço e respingando pela sala. Em alguns segundos, ela pareceu tremer enquanto a vida esvaia de seus olhos, e a moça colocou as mãos na própria nuca inutilmente, tentando impedir a perda de sangue.

Um homem trajando um grosso casaco coberto por um capuz , acompanhado de outros dois, adentrou com passos pesados, olhando Mary ainda a debater-se no chão. Ele fitou em seu pescoço um pendante brandindo a característica cruz de malta templaria. Pigarreando, ele calmamente olhou todos ali enquanto todos pareciam atemorizados. Ele tirou a cartola e cruzou os braços para trás.

— Bem – o Assassino começou – Meu nome é Charles Frye. Eu e meus caros companheiros atrás de mim temos assuntos a tratar com o senhor Haytham Kenway. Sinto em dizer que vocês irão nos ajudar, ou acabarão exatamente como a pobre senhorita a meus pés. Apenas peço sinceramente que não tentem gritar, pedir ajuda enquanto deixamos o hotel ou façam algo problemático demais para nós, porque caso contrário, não poderei prometer a segurança de nenhum de vocês, estamos entendidos? — ele ejetou a lâmina oculta, ameaçando-os. — Entendido, sr. Ivanov?

O silencio tomou a sala, e Nikolai foi o primeiro a assentir, enquanto os outros dividiram sua atenção entre o corpo jogado de Mary e a figura sorridente de Charles. Embora tentasse esconder , seus punhos cerraram em fúria. Com os olhos marejados, deixou cair algumas lágrimas ao abraçar a esposa ensanguentada . Resignado, o velho concordou com a cabeça, deixando o Assassino satisfeito.

— Ótimo. – Charles suspirou – Vamos, então?

Notas finais
Eita que esse Haytham adora atirar na perna dos outros, não? O cara deve ter uns fetiches pesados... E parece que os Assassinos tomaram a dianteira... O que será que vai acontecer agora? Prevejo cheiro de treta, e muita treta. É bem capaz que depois dessa, o Remy queira dar o golpe final se o Haytham alcançar esses caras. XD Calculo que o próximo capitulo será o fim dessa historia e o caminho para o verdadeiro treinamento do Remy! Haytham que aguarde o próximo pupilo XD !