Notas iniciais
Eu amei escrever esse capítulo e espero que possam me perdoar pelas eventualidades abaixo... Enfim, boa leitura!

Jenny via a faixa encardida de algodão dar a última volta em torno de sua mão após Anne Bonny ter limpado o corte feito pela espada Templária, a ruiva estava compenetrada e ainda carregava as roupas molhadas pela água salgada, tal qual a mais nova prostrada a sua frente.

— Não consigo ver motivos para os Templários levarem seu irmão para a Turquia. E quem é a garota que ele mencionou?

— Eu não sei e não consigo pensar em ninguém que pudesse ser.

A ruiva amarrou as pontas da faixa na palma ferida e com carinho olhou direto nos orbes da Kenway por instantes antes de falar outra vez.

— Irei noticiar Ah Tabai quanto o sucesso da nossa missão e também escreverei à Adewale, talvez ele saiba de alguma movimentação Templária na Turquia.

— Conseguiríamos questionar a irmandade de outros países? Talvez a Itália?

— Se Sexta-feira puder escrever em italiano, talvez possamos. A propósito, precisa conversar com ele e pedir desculpas. Certamente se sente traído por ter omitido todo o seu plano dele.

— Ele não me deixaria lutar...

— Eu também não. Mas um erro não justifica o outro, Jenny. Apenas peça desculpas, ele merece.

A Assassina abraçou Jenny e com toda a ternura e alivio agraciou os cabelos embolados da menina enquanto singelas lágrimas escorreram de seus olhos. Contudo, o singular momento maternal fora interrompido por um tripulante que abriu a porta ofegante e ás pressas.

— Bandeiras inglesas a vista!

Ambas se ergueram e encararam o homem que mais parecia ter corrido uma maratona até chega ali.

— Quantas? – Questionou a mais velha com a expressão totalmente transformada.

— Duas e vindas de Portugal.

— Distância?

— Se aproximando, estão a favor do vento.

— Deixe-os vir, estamos mesmo precisando de suprimentos.

— Mas senhora, são dois Man o’ War.

— O quê? Não havia barcos assim ancorados em Lisboa quando partimos.

Anne dirigiu-se a porta e empurrou o marujo para o lado enquanto sacava de sua cintura a luneta para averiguar a veracidade da informação recém-recebida. Não havia dúvidas, eram dois navios de guerra ingleses no rastro do Gralha.

— Velas auxiliares! Preparar morteiros e barris!

Jenny pegou a luneta de Bonny e repetiu o gesto enquanto as ordens para tripulação eram repetidas aos gritos em meio à movimentação apressada que se instalou no convés em segundos. Boquiaberta, ela devolveu o objeto e se virou para a Assassina.

— O que faremos?

— Não podemos dar combate contra dois navios de guerra ao mesmo tempo, precisamos usar o vento ao nosso favor e fugir.

De seguida, a Kenway viu sua mentora subir e tomar para si o timão, virando-o com velocidade para encher as velas de vento, mas a maré não estava ajudando e retardava a movimentação da fragata ao passo que os dois Man o’ War diminuíam a distância. Antes que Jenny se dera conta o primeiro tiro atingiu a água à bombordo.

Ela se adiantou e desceu pela escotilha já aberta, alcançando o nível do dormitório, mas sem se deter correu até cruzar a cozinha e chegar ao armazém, onde havia outra escotilha. Jenny aterrissou no nível bélico, local de repouso dos canhões, munições e barris. O caos total havia se apoderado de tripulação que gritavam em vista da eminente batalha. Homens corriam de um lado para o outro com pólvora, armas, balas de canhões, balas de morteiros e na popa estava os homens a girar os barris flamejantes. Um fedor de fumaça e suor impregnava o local já pouco arejado, a sensação claustrofóbica era quase esmagadora, mas entre empurrões e trombadas ela chegou até a popa.

A loira puxava a portinhola que abriria a caminho para o primeiro barril rolar rumo ao mar e ao seu sinal uma sequência de barris despencava sobre as águas agitadas. Já no terceiro barril, um estouro e tremor sacolejou toda a embarcação e um silêncio mórbido tomou o convés até a notícia ser confirmada.

— Fomos atingidos! – Gritou alguém próximo aos canhões.

Jenny deixou os homens darem prosseguimento aos seus serviços e apoderou-se de duas pistolas em meio a espadas e outras armas para refazer o mesmo percurso que levara ela até ali de maneira inversa. O som dos tiros era a única coisa que seus ouvidos captavam enquanto uma bala de canhão transpassava o mastro principal, arrebentando madeiras e cordas pelo caminho. Lascas caiam sobre o convés em igual volume de água a cada tiro que se afundava no oceano. O sacolejar da fragata exigia atenção com cada passada, visto que a fumaça apoderava-se cada vez mais da atmosfera, tornando-a sufocante a cada inspiração.

Levemente abaixada e com os braços sob a cabeça, ela tentava garantir um mínimo de proteção enquanto seus pés quase tropeçavam nos degraus que levavam ao nível no timoneiro. Ali ela encontrou Bonny no comando da fragata, e mais atrás Sexta-feira com Sr. Owel atiravam nos barris jogados ao mar a fim de retardar o avanço inglês. Contudo, foi com espanto que a Kenway contemplou os navios de guerra tão próximos.

— Jenny! Prepare os morteiros, iremos revidar! – Ordenou a ruiva que se esforçava para desviar de ondas que quebravam mais a frente.

Alguns homens subiam balas para os canhões laterais e também munição para o morteiro. A loira afundava o esfregão por dentro do cano do disparo, limpando e secando o mesmo para só então alocar o primeiro tiro. Um tripulante despejou a bala ali dentro, enquanto com o bastão flamejante Jenny buscava a chama que ardia ali próximo em um recipiente metálico e de fácil acesso. A Kenway acendeu o pavio e ajustou o ângulo alguns instantes antes do disparo. Ela e seus companheiros seguiram o percurso da bala até o navio que vinha pela direita.

O alvo foi atingido, mas em nada atrasou os ingleses que vinham a poucas milhas atrás. Os tripulantes corriam para preparar o segundo tiro enquanto a loira mexia mais uma pouco no morteiro para endireitar o rumo do próximo disparo.

— Concentrem-se em apenas um navio, temos que afundá-lo! – Bravejou a ruiva que dava tudo de si no timão.

Outro disparo e mais uma acerto de Jenny no navio que vinha à direita. Quando a fumaça se dissipou a loira pôde ver rostos exaltados no convés inimigo e já era claro que eles se preparavam para um combate direto. Iriam abordar.

— Não querem nos afundar, querem tomar o Gralha! – Ela gritou para se fazer ouvir em meio a toda zona barulhenta típica de batalhas navais.

— Preparar espadas e pistolas!

A Kenway aproximou-se de Bonny enquanto a fragata era mais uma vez sacolejada por outra bala de canhão.

— Não temos homens para abordar dois navios de guerra, se eles emparelharem a nós irão nos massacrar. — Com um tom mais baixo, ela quase cochichava ao ouvido da ruiva que lhe a olhou por instantes antes de lhe responder.

— Eu sei disso.

— Então porque ordenou os homens para se prepararem? – Seus olhos estavam inquietos e seu coração bombeava sangue de maneira veloz reagindo a toda àquela adrenalina.

— Porque logo nossa munição irá acabar e o mar está revolto demais hoje para fugir com tranquilidade, temos que conseguir capturar um dos navios dele para sobrevivermos. – Bonny forçava o timão para a rota de encontro entre a fragata e o navio de guerra.

— Mas e o Gralha? O que será dele?

— O Gralha está velho e cheio de remendos, ainda que fugíssemos nele hoje, duvido muito que sobreviva à próxima tempestade que nos alcançar.

— Não pode estar falando sério. Esse é o navio do meu pai! A única coisa dele que ainda resta nesse mundo. Essa fragata foi a primeira conquista dele e foi nela que ele e Adewale fugiram juntos e lutaram. Você e ele viveram aqui, lutaram e cantaram juntos aqui. Não pode abandonar o Gralha assim.

— Capitã! Eles estão emparelhando! – Gritou Owel para chamar a atenção das duas para o navio de guerra que vinha a bombordo.

— Preparar ganchos e espadas! – Ordenou Bonny aos homens antes de ser dirigir à Jenny com o tom baixo. – Não há o que discutir aqui, ou sacrificamos o Gralha pelas nossas vidas ou ele afundará sem um bom proposito. Seu pai faria a mesma escolha.

Jenny lhe deu as costas e desceu direto para o convés enquanto retirava as duas pistolas das costas. Agarrando-se de uma corda da rede vertical que ajudava a manter as velas, ela pendurou-se ali e procurou pelo convés inimigo barris de pólvora. Tiros começavam a ser disparados de ambos os lados, mas ela manteve a concentração, a mira e a paciência até a maré lhe ajudar. Com o ritmo do sacolejar padronizado ela esperou o momento certo e atirou. A explosão levou para a morte quatros tripulantes ingleses e abria com louvor a contagem de abates naquela abordagem.

Os homens do Gralha comemoraram entre gritos e assobios, alguns disseram coisas como: “Essa é a filha do capitão” ou “Ela é a filha do demônio dos mares”. A Kenway não reprimiu o sorriso ao ouvir as comparações, mas não havia tempo para se perder com seu ego particular. Ela correu por entre os homens, buscando um bom local de mira para acertar o segundo barril, mas os ganchos ingleses se precipitaram e logo a fragata estava sendo puxada por dezenas de braços.

Os mais ousados pularam no Man o’ War auxiliados por cordas e impulsionados pela adrenalina da batalha e ao olhar para o timão, Jenny o viu vazio, pois Anne descia para convés com espada e pistola em punho. Com temor, ela seguiu para a antiga posição da ruiva e lá constatou que o outro navio guerra cessou o avanço contra a fragata, ficando apenas a observar o embate que se iniciava. O som de aço chocando-se contra aço a trouxe de volta para a batalha e ao olhar para trás vira seu convés ser tornar um campo de batalha. Encabeçando a luta estava Sr. Owel que tentava se defender de dois marinheiros ingleses, mas logo seu flanco fora cortado e ele perdeu equilíbrio, tendo o peito perfurado logo a seguir. O último homem da vindoura tripulação original de Edward Kenway perecia para dois jovens ingleses.

Jenny saltou para o convés e correu enfurecida contra os dois marinheiros, com o ombro ela derrubou um no chão e alcançou a espada brilhante do rapaz. Com o punho esquerdo ergueu a lâmina e defendeu-se do golpe do homem que ainda estava de pé. Tal qual um felino, ela se levantou e com a mão livre puxou o jovem pela roupa para lhe ceder uma bela cabeçada. Sem piedade ela lhe cortou a barriga e perfurou o rapaz que ainda estava caído.

Sangue respingava por todos os lados, assim como os gritos de incentivo de ambos os lados da batalha, mas uma análise breve fora o suficiente para que ela percebesse que seus homens estavam fadados a derrota. A tripulação do Man o’ War tinha o dobro de homens, estes que tiveram um mínimo de treinamento com espadas e pistolas e com equipamentos mais novos e melhores. Sem pensar duas vezes, ela avançou com os pulmões gritantes e desferiu cortes em todos os ingleses que estavam pelo caminho, não há código de conduta ou honra quando a morte respira tão perto de si.

Avançando e defendendo seus homens ela brandia sua espada roubada e golpeava com a mão livre quando tinha oportunidade e após salvar um dos seus, seus olhos captaram a cabeleira ruiva de Anne Bonny a movimentar-se perto do timão do Man o’ War. O capitão inglês estocava e avançava sem dificuldade contra a Assassina que se defendia e cedia espaço, mas quando ele a encurralou contra o parapeito e ela não teve habilidade para se proteger, o homem lhe transpassou o peito e com um chute ele a jogou direito no convés.

A loira deixou para trás sua tripulação e ignorando todos ao seu redor saltou da fragata para o navio de guerra. Desviou-se e empurrou homens sem nem se ver seus rostos, até que chegou ao corpo da pirata que ainda arfava com dificuldade. Havia sangue escorrendo pela sua boca e pela sua mortal feriada, além disso, ferimentos salpicavam sua roupa de vermelho nos braços, pernas e ombros.

— Não fale nada, iremos cuidar de você. Vai ficar tudo bem.

Jenny repousou suas mãos sobre o ferimento logo abaixo dos seios dela, tentando de maneira vã estancar o sangramento enquanto suas lágrimas transbordaram para fora de olhos.

— Esqueça... Jenny, você precisa ir. Fuja... Essa luta... – A ruiva tossiu e respingos de sangue caíram sobre a face bronzeada da mais nova. – Está perdida.

— Não. Não vou deixar você aqui. Venha e se segure em mim. – A loira ergueu um dos braços da Assassina, mas antes que pudesse jogá-lo por sobre o ombro a mais velha a interrompeu.

— Tome o navio. São templários... – Ela desprendeu sua Hidden Blade do pulso direito e estendeu para Jenny. – Pegue... É sua agora.

A Kenway segurou a lâmina enquanto via os olhos de Assassina se fecharem. Era o fim e não havia mais nada a ser feito. Bonny estava certa, a batalha estava perdida e tudo o que lhe restava era fugir com aquele Man o’ War. Mas para isso o capitão inglês precisava morrer. Jenny prendeu a Hidden Blade em seu pulso esquerdo e sustentou a espada na mão direita. Seu ferimento reclamou pulsando e sangrando mesmo através dos curativos, mas a jovem simplesmente ignorou toda dor.

Ela subiu os degraus sem pressa e o destino fez sua parte ao manter longe marinheiros e balas, parecia tão cedento de sangue quanto a própria. Ou talvez ela apenas estivesse a seguir seu caminho, seu derradeiro caminho. O capitão ainda tinha seu chapéu e gritava ordens a seus subordinados. Em sua mão esquerda o anel templário brilhou.

— Acabem com eles! A Assassina está morta!

Sua voz era jovial, mas Jenny não tinha interesse em conhecê-lo, pois logo avançou com a espada em riste. Contudo, o capitão era um bom espadachim e certamente tinha boa audição, ao passo que se virou e se defendeu do golpe traiçoeiro que o acometeria pela retaguarda. E com a face tão próxima a de seu adversário, a Kenway percebeu então que aquele rosto era conhecido. O espanto lhe fez se afastar enquanto seus orbes mantinham-se fixos naquele sorriso que ela conhecia.

— Ora, ora, ora... Se não é a filha do Pirata Assassino, Jennifer Scott Kenway. Como tem passado depois de fugir da casa de Ana?

— Como você me achou?

— Deveras, não achei. Nosso encontro aqui não passa de mera casualidade. Mas agora que estamos aqui, não estou surpreso em saber que esteve envolvida com o assassinato de Paul.

— Você também estava envolvido? Invadiu a minha casa?

— Eu? Obviamente não. Sou um Bourbon e não um lacaio qualquer como Paul. Esse tipo de trabalho não está destinado a mim. – Philip sorria com perfeita elegância de um nobre enquanto encarava a estupefata jovem a sua frente. – Como você pode ver eu ascendi dentro da marinha inglesa e tenho meu próprio Man o’ War e acredito que ficarás feliz em saber que Ana está bem, em nossa casa, cuidando de nossos filhos como toda mulher deveria fazer.

— Casou-se com ela?

— Achas que fui àquele jantar para espionar a órfã de um pirata morto? Minhas intenções com Ana sempre foram sinceras e minhas negociações com o pai dela foram muito claras e diretas. Ao contrário de você que fugiu e a abandonou sem maiores explicações. Depois de anos vivendo como irmãs simplesmente se achou boa demais para aquela família.

— Ela sofreu?

— Sim. Insistiu para que procurássemos por você, mas quando eu a levei até o porto e contei que a velha fragata Kenway havia partido, ela tirou as próprias conclusões. Em poucos meses nos casamos e fomos abençoados em nossas núpcias. Acredito que ficará feliz em saber que sua amiga foi muito forte ao parir um casal de gêmeos.

— Fico triste em saber que essa talvez seja a maior glória que ela terá na vida. Parir crianças... Ela é inteligente, merecia mais.

— Tenho certeza que suas visões quanto a esse assunto são completamente diferentes das dela.

— Seja como for, não faz diferença agora. Esse assunto é somente entre mim e você. E você tem duas opções: renda-se ou morra. – Jenny ergueu a lâmina de sua espada frente ao corpo, mas sua fúria já havia minguado e o cansaço começava a se apoderar de si.

Philip riu e retirou seu chapéu, parecia totalmente distante de toda carnificina que se estendia ao seu redor. – Não sei se és corajosa demais ou burra demais. Veja você mesma ao seu redor, sua tripulação medíocre perece perante a marinha inglesa e você desafia um espadachim sem nem ao menos saber segurar corretamente uma espada.

— Acabemos logo com isso então.

Jenny avançou com ambas as mãos segurando a espada a fim de intensificar a força do golpe, visto que Philip tinha razão, ela não sabia lutar com espada contra um espadachim de verdade. Uma coisa era matar alvos despercebidos ou piratas ainda menos capacitados, outra era duelar contra um nobre que é mestre na esgrima desde sua infância. Como esperado, ele aparou com facilidade o golpe frontal dela, afastando a lâmina e aproveitando-se para cortar a coxa esquerda dela ao retornar sua própria arma de baixo para cima para manter a guarda alta.

— Você sabia que um corte profundo na coxa te leva à morte em pouco tempo? Existe uma importante artéria nessa região que se for ferida sangra como um boi abatido. – Ele mantinha o sorriso e o nariz elevado como todo nobre ao demonstrar sua superioridade.

A Kenway o ignorou e avançou em direção a seu flanco, porém como em uma dança ele se virou e novamente a rebateu. Sua perna ferida não conseguia mais manter o equilíbrio perfeitamente e sua mão sangrenta ficava mais fraca a cada instante.

— Eu gostaria de leva-la viva até Londres e também à julgamento. Birch adoraria saber que a outra Kenway fora encontrada.

Ela ergueu a face e esqueceu a dor ao ouvir aquele nome. – Você o conhece? Conhece Reginald Birch?

— Não pessoalmente, devo dizer. Mas ele é conhecido dentro de nossa Ordem, afinal ele é o Grão Mestre agora.

A jovem deixou sua espada cair, sua respiração era ofegante e em sua cabeça o quebra-cabeça começava a se montar. – Ele planejou a morte do meu pai para conquistar ele título... Ele arquitetou tudo...

— Garota esperta. – Philip se aproximou dela despreocupado, apostando que estava desarmada e rendida enfim.

— Ele levou o meu irmão... – Jenny se virou para encará-lo frente a frente e ergueu a voz. – Para onde ele levou o meu irmão?

— Quem sabe... Assim como você, ele não está em Londres. Você e ele deveriam ter sido levados pelos templários para evitar que mortes como a de Paul ocorresse. Ninguém quer outro Ezio Auditore procurando vingança por causa da família morta.

— Ele matou o meu irmão?

— Poderás perguntar a ele se se render e tornar-se minha prisioneira. Não há mais por quem lutar, Jennifer.

Jenny olhou ao seu redor e os poucos tripulantes ainda vivos de sua embarcação estavam rendidos, inclusive Sexta-feira. Eram oito os sobreviventes do Gralha, mas no convés do navio inglês ou da fragata havia marinheiros caídos também. Alguns mortos outros apenas gravemente feridos. Os tubarões certamente já rodeavam o local, atraídos pelo cheiro de sangue. Sem escolhas ela abaixou a cabeça e estendeu as mãos para frente.

— Eu me rendo.

Bourbon riu e dirigiu a voz para seus subordinados. — Tragam-me as algemas...

Um descuido de seus olhos e um click findou sua ordem. A garota havia propositalmente deixado as mãos ao alcance dele, a pouquíssimos centímetros de seu corpo desprotegido. Ela deu um passo à frente e o segurou pela veste para aproximar os lábios de sua orelha e cochichar.

— Você se esqueceu de que sou a filha de uma pirata e não jogo de maneira limpa e dentro das regras. Sou tão suja e tão Assassina quanto o meu pai.

Ela o soltou e recolheu a lâmina do cirúrgico golpe dado no exato ponto onde ele perfurou Anne Bonny. Sua mão largou a espada ao chão para agarrar o sangue que borbulhava pela ferida ainda quente e suas palavras finais tornaram-se balbucios indecifráveis.

Notas finais
Vamos lá... A ideia de matar Anne Bonny não estava nos planos originais dessa história, mas eu precisava dar uma Hidden Blade pra Jenny... Mas essa batalha poderia ser sido evitada se o plano dela tivesse sido mais Stealth e eles não tivessem sido perseguidos por Lisboa até o porto. Então sim, foi uma consequência direta. Confesso que gosto mais de escrever batalhas navais do que de pessoas. Esse combate entre ela e o Philip estava nos meus planos desde o princípio, mas não seria tão cedo. Pobre Ana, tão nova e já está viúva mãe de dois filhos. Como Jenny irá lidar com essa culpa a partir de agora? Repararam de como a Jenny está bem ferrada? Pois é, agora ela precisa tomar o controle do Man o' War e de alguma maneira conseguir navegar para fugir em meio a essa maré de ressaca. Será que ela vai conseguir com outro Man o' War atrás? Sr. Owel e Bonny que faziam essa tarefa antes e navegar em mar revolto não me parece ser nada simples. Espero do fundo do meu coração que não estejam me odiando pela morte da Bonny. Prepararem-se para mais emoções forte no próximo capítulo. Até o próximo capítulo...