Notas iniciais
Estou péssima para nomes hoje ok? Como prometido, o capítulo dessa semana. Um capítulo bem pequeno é verdade, mas eu realmente fiquei cansada depois do 62. A respeito do cap de hoje, só posso pedir para que prestem bastante atenção no diálogo de Pierre e Jenny. Sem mais, espero que gostem. Ah propósito, enfim com o Word funcionando no pc.

Evitando chamar atenção desnecessária, Jenny optou pelas sombras e pela escuridão ao fazer seu caminho de volta à casa de Delphine. Passando por vielas e trechos pouco convidativos da pequena cidade. Os Assassinos, homens e mulheres com pouco treinamento nem ao menos a perceberam e graças a isso ela alcançou seu destino em segurança e sem contratempos. As luzes do casebre estavam apagadas e seus passos eram silenciosos sobre o chão de tábuas de madeira. Com cautela ela abriu a porta de seu quarto e para seu espanto encontrou um par de olhos brilhantes em meio à escuridão, sua visão já acostumada às trevas foi capaz de distinguir Bellec sentado em sua cama.

— O que está fazendo acordado à essa hora?

— Você demorou.

— Eu não podia usar o caminho tradicional. – A loira largou manto e pele no chão e pegou a lamparina pendurada ao lado da entrada.

— Então? Como foi?

A Kenway fez uma faísca e ascendeu uma pequena chama, iluminando assim todo o recinto e principalmente a expressão ansiosa do rapaz. – Como foi com a sua mãe?

Pierre deu de ombros e desviou os olhos para a parede. – Ela não entende.... Não me entende.

— Estou mais propensa a acreditar que és tu que não a entende.

— Só quero ajudar ela. Lhe dar uma recompensa e descanso devido depois de tantos anos de sacrifício.

— E tu não vê que és tudo o que ela ainda tem e ela faria qualquer coisa por ti e para ti.

— Já sou quase um homem... – Jenny riu e interrompeu o raciocínio do jovem, fazendo-o se aborrecer e se levantar. – Eu irei provar para as duas que sou capaz de cuidar de mim mesmo.

Abruptamente ela cessou seu divertimento e o encarou mais séria do que ele podia se lembrar. A loira se aproximou e olhou no fundo dos olhos dele. – Acho que és tu que deve confiar nela, afinal estão vivos até hoje graças a ela não é mesmo? Agora vá dormir, pois eu farei o mesmo.

Ela adentrou mais ainda no recinto ao passo que Pierre levantou-se e a deixou sem nenhuma resposta. Depois que ele fechou a porta, a loira desabou na cama para se despir das roupas sujas e desfrutar enfim de um descanso de verdade. Ela inspirou profundamente antes de relaxar completamente suas costas sobre um lençol limpo.

Todas as noites a Kenway era visitada por alguém em seus sonhos, ela gostava quando era seu pai, sua mãe e mesmo Bonny. Porém, desde que partiu de Nova York suas noites eram povoados por sonhos com Liam ou pesadelos com Haythan. Naquela noite ela matava seu irmão, mas as vezes era ele quem a matava. Não importava o resultado de seu encontro com seu irmão, ela sempre acordava ofegante no meio da noite. Seu sono demorava a retornar e Jenny temia estar enlouquecendo um pouco mais a cada dia.

Antes do raiar do dia, a Kenway deixou o casebre e embrenhou-se nas matas. Para sua satisfação, as pequenas armadilhas que ela havia feito dias atrás estavam escondidas exatamente onde as deixou. Desta forma, seu único trabalho era escolher os melhores pontos para armá-las. Feito isto, a Assassina aproveitou o tempo para se refrescar em um raso rio pelas proximidades.

Seus pés estavam submersos na água cristalinas, suas calças estavam dobradas até os joelhos e no tronco apenas uma faixa escondia seus seios enquanto os cabelos escorriam por sobre os ombros. Quando seu corpo relaxava e sua mente não se mantinha ocupada com Haythan, um forte arrependimento lhe assolava a alma. No fundo ela não queria estar ali e não queria ter deixado Liam. Um suspiro escapou por entre seus lábios rachados enquanto ela acariciava o anel em sua mão esquerda.

Todavia, seu momento sublime encerrou-se ao ouvir o quebrar de galhos e o bater das asas dos pássaros por entre as árvores. Jenny prendeu sua Hidden Blade no pulso e vestiu a camisa encardida às pressas, esperando quem quer que estivesse ali. Para seu alívio era Bellec. Seus olhos se fecharam e sua respiração se tranquilizou.

— Minha mãe disse que não a viu sair.

— Saí antes do amanhecer.

— Por que não me chamou? – Ele se aproximou dela e sentou-se ao seu lado.

— Não queria interromper seu descanso depois de noites dormindo ao relento.

— O mesmo vale para você. – Jenny não lhe respondeu e um tanto quanto desconfortável, ele pegou uma pedrinha e a quicou sobre as águas fluviais. – Então você irá partir? – Novamente a Assassina não lhe respondeu com palavras, mas assentiu brevemente. – Gostaria que não fosse.

Desta vez ela lhe encarou e com a sobrancelha arqueada lhe questionou de imediato. – Por que?

— Fazia algum tempo desde que eu e minha mãe comemos bem antes de você aparecer... – Um sorriso pequeno, mas sincero aflorou no rosto cansado da Kenway.

— Há pessoas importantes que preciso proteger do meu irmão.

— Liam? – Ele jogou mais uma pedrinha e a fez quicar sobre as águas. – Sabe, ele não parece muito preocupado com você. Quero dizer, ele a permitiu partir no fim das contas.

— Eu não posso culpá-lo.... Não sou alguém simples de lidar.

— Não consigo entender.

— Não me surpreende, eu também não entenderia no seu lugar.

— Pode voltar depois que encontrar seu irmão. Pode me ensinar a escalar e lutar.

— Nada de lutas.

— Certo. Só escalar então.

Silêncio. Pierre parecia satisfeito pela primeira vez em ver Jenny calada, acreditando na velha crença de que quem cala consente, mas não era essa a verdade daquele momento.

— Não posso lhe prometer isso. Meu irmão não é um homem qualquer.

— Então não pode ir de encontro a ele despreparada. Fique aqui e treine, ao menos até o inverno passar. Será terrível viajar por estradas cobertas de neve e pouca caça disponível.

— Mas o outono nem ao menos chegou.

— Por isso precisa ficar forte antes do inverno chegar. Meu pai costumava dizer que preparo era crucial para vencer as batalhas.

— E como ele podia saber disso?

— Ele era soldado quando viveu na França. Foi um dos motivos dele partir. Fugir da guerra.

Os dois permaneceram juntos pelo restante do dia, verificando as armadilhas, despelando coelhos e cortando carne em pedaços pequenos para esconder dos Assassinos da cidade. Quando voltavam para casa ela mudou o assunto dos ensinamentos de caça daquele dia.

— Preciso de um favor. Preciso que pegue uma carta para mim no porto, dentro de dez dias.

Pierre lhe anuiu e assim ambos continuaram o percurso de volta para casa em pleno silêncio.

Na data marcada, ele foi vender as folhas de sua mãe, um pouco de alface e repolho. O repolho sempre vendia bem, mas o mesmo não ocorria com as alfaces. Morris fingiu comprar uma dessas folhas enquanto entregava a carta ao rapaz. Bellec ficou no porto um pouco mais de tempo, conforme havia sido orientado, porém ele mal conseguiu conter os passos quando retornou para casa e entregou a carta para Jenny. Ela a abriu de imediato e a leu.

A Assassina, deixou o papel de lado sobre a mesa e Pierre mordeu o lábio com tamanha curiosidade que lhe afligia.

— E então? Onde está o seu irmão?

— Eles não falaram de Haythan, absolutamente nada dele.

— Qual o plano agora?

Ela o encarou seriamente antes de lhe responder. — Levar essa pele para Morris e esperar pela próxima carta.

Notas finais
Eu peguei alguns jogos de AC para refazer algumas quest que serão cruciais para o fim dessa fic. E me bateu um desânimo forte... Mas irei seguir com o plano apesar dos pesares. Espero lhes dar um final digno. Semana que vem tem um capítulo BOMBA! CASOS DE FAMÍLIA TOTAL! Até lá povo lindo ;) Beijos!