Assassin's Creed: Legacy
2 - Os Opostos.
Notas iniciais
Faziam três dias desde o ocorrido na festa do Grão-Mestre francês. A viagem de volta à Rússia se atrapalhou um pouco com a morte do Cavaleiro;
Natasha não se culpava nem um pouco por não ter ido atrás do Assassino. Primeiro porque estava em desvantagem clara. Sem a roupa adequada, sem humor, sem espada. E outra, sequer conhecia o Grão-Mestre, não dava a mínima importância se ele estaria vivo ou não.
Por mais que seu pai e Misha lamentarem o ocorrido.
"Maldito seja Ezio Auditore", escutava muitas vezes e de muitas bocas diferentes.
Por mais que fossem de "times diferentes", Natasha se sentiu incomoda com todos fazendo de Ezio um demônio.
Aquilo tudo era um jogo. Seu pai e os Cavaleiros mataram alguns Irmãos do Assassino, nada mais justo do que ele também querer sangue Templário em suas espadas.
Ele não era nem um monstro por querer aquela coisa. Por querer vingança.
Todavia, Anya se manteve calada durante a maior parte do trajeto de carruagem, que levaria até o navio para Rússia. Pararam no meio do dia para descansar a si e aos animais. Enjoada do balançar a carruagem e das reclamações das miladies, ela saiu da carruagem em direção sua mala de roupas. Tirou de lá o modelo mais masculino que conseguiu, seu uniforme templário.
Adentrou mata à dentro, o mais longe que conseguiu dos guardas Templários e se despiu, sempre olhando para os lados e tomando cuidado para que não mostrasse de mais.
Colocou a calça negra de couro, a blusa — que era grande de mais para ela, vestindo-a como bata -, o cinto que lhe rodava duas vezes na cintura, braceletes feitos de bambu e couro e botas que lhe cobriam metade das pernas. Por fim, sua capa amada. Ganhara de seu pai ainda nova.
Enquanto ajeitava o cabelo para colocar o capuz por sobre a cabeça escutou um estalo de folhas secas sendo amassadas. Virou rapidamente a cabeça para o som e depois para seu pequeno arsenal trazido em mãos. Apertou o passo até ele, prendendo seu coldre de couro e enfiando lá sua espada e sua machete.
– Psiu! — Ela escutou uma voz chamá-la por trás.
Ezio estava ali, encostado na árvore.
– Assassino. — A moça falou com um sorriso nos lábios. Não falava isso para ofender, era claro.
– Templária — Ele gracejou, dando uma pequena reverência.
– Que faz aqui? — Arcou a sobrancelha — Creio que não esteja só por causa da pequena troca de roupas de alguns minutos atrás... Espero.
Ele sorriu malicioso.
– Claro que não, milady — A expressão pura mais fingida que já se vira — Onde está seu pai? — Perguntou rígido, desencostando da árvore.
– Ora, a resposta não é obvia, Assassino? Bem ali — Apontou para a direção dos guardas.
É claro que Ezio sozinho não conseguiria entrar ali, não sem chamar uma boa atenção e matar alguns cidadãos inocentes.
Ele franziu o cenho, parecia estar decepcionado com isso.
– Não vai conseguir, meu amigo — Natasha falou revirando os olhos, enquanto Ezio estava pensante.
– Mas é claro que vou. — falou depois de algum tempo — Ela vai com a gente. — Anunciou para trás de Natasha.
Ao mesmo tempo que falou a visão desta turvou enquanto ela caia apoiando-se com as mãos. Havia algo pinicando em seu pescoço. Sua mão foi lerda em direção ao desconforto, puxando dali um dardo de sono.
– ебем — Gemeu Natasha, já fraca de mais.
Sua visão escureceu, e ela teve sonhos estranhos.
Finalmente, depois de algumas horas, a garota ia acordando aos poucos. Sentindo o cheiro forte de perfume e um balançar que identificou como o de um cavalo, abriu os olhos.
Assimilando os pensamentos e o que tinha realmente ocorrido e o que foi sonho, percebeu que estava sobre um cavalo que era controlado por um Assassino. Ezio, mais especificamente, pela roupa.
Quando finalmente percebeu que era os braços de um Assassino que tinha em volta de si, Anya se debateu levemente, descobrindo que estava amarrada pelos punhos, com a boca vendada e a perna imobilizada.
– Eu disse que não demoraria à acordar. — Falou um homem com um sotaque russo. Ele trotava ao lado de Ezio.
– Deveria ter acordado antes... — Outro falou, mas Natasha não pode vê-lo por estar de costas para ele. Também tinha sotaque italiano, como o de Ezio, mas sua voz era calma, suave e com um toque de medo e insatisfação — Ou melhor, não deveríamos tê-la trazido... — Suspirou desconfortável.
– Ela está bem. — Falou Ezio tranquilo. — Tudo vai acabar rápido, tenhamos todos calma.
Ao falar isso a menina, descrente, fitou-o com uma sobrancelha arcada. Ele revidou o olhar por um milésimo de segundo com um sorriso malicioso em sua face.
Anya sentiu que o homem não lhe faria nenhum mal, se sentiu idiota por estar pensando assim, mas realmente sentiu uma espécie de segurança. Uma segurança...
"Só está pensando assim porque ele é bonito". Obrigou-se a parar de pensar besteiras. "Um Assassino. Te sequestrou e vai matar seu pai... Ele é seu inimigo".
Não tendo muito o que fazer, fechou os olhos e dormiu novamente. Quando acordou, já era noite. Ezio a chacoalhou com delicadeza e a tirou de cima do cavalo, sempre com a mão sobre a espada. Um aviso constante de que aconteceria se ela fizesse algo errado.
O russo rapidamente fez uma pequena fogueira enquanto Ezio amarrava Anya pela mão esquerda em uma raiz grossa de árvore.
Ela evitou olhá-lo, se limitava a fazer cara de descontente e fitar a floresta escura.
– Acho que ela está desconfortável. — O italiano falou, parecendo um pouco irritado com aquilo.
– Ela é Templária, Leonardo, não deveríamos ligar para isso. — O russo fez pouco caso enquanto esquentava as mãos na fogueira.
Natasha fitou-o, com um olhar desafiador. Ainda não podia falar nada, o pano que cobria sua boca estava mais apertado do que se lembrava.
Passou a mão livre para afrouxar o nó. Sem sucesso.
Leonardo, de cenho franzido, passou para o lado da menina ajudando-a a tirar o tecido. Anya fitou seus olhos verdes preocupados sem entender o porque de ele tê-la ajudado.
– Leonardo! — Ezio gritou em tom irritado, levantando-se exaltado.
Ele estava nervoso, mas não com o Leonardo, e sim pelo Leonardo.
– Ela não vai me machucar — falou o louro enquanto revirava os olhos — Qual seu nome?
Natasha o fitou desconfiadamente, pensando um pouco falou:
– Tasha.
Por que diabos ela falou o apelido? Era íntima do homem?
Leo apenas sorriu bondoso. Sentando-se ao lado da menina, pegando seu caderno de anotações e rabiscando-o com letras e desenhos.
– Ele não está fazendo amizade com a Templária... Ou está? — O russo perguntou perturbado.
– Espero que não. — Ezio falou calmo, concentrado em esfolar algum bicho que Natasha preferiu não reconhecer. — Dentro de dois meses ela vai voltar pra casa dela. — E agora, apontando a faca para a moça — E vai convencer o marido a não seguir o exemplo do pai.
Anya franziu o cenho enquanto traduzia tudo em sua cabeça, fazia um bom tempo que não usava o inglês. E para piorar, o sotaque italiano do homem não ajudava em nada.
– Quem vai me obrigar? — Perguntou de sobrancelhas arcadas em um tom desafiador.
Auditore sorriu em uma espécie de aprovação ao comportamento voraz da moça. O russo apenas fitava-a com uma cara descrente.
– Vejamos... Io. — Ele sorriu confiante.
Nat demorou alguns segundos para se lembrar de que "io" era italiano, assim compreendendo a frase.
– Se vai me matar, porque não me mata logo? Poupe à mim de mentiras, e à ti de preocupações.
Ezio parou um momento para pensar, talvez para traduzir a frase também.
– Porque eu não preciso te matar.
– Acha que pode fazer eu mudar algum conceito meu? — franziu o cenho.
– Não sei, todavia você é Templária.. Os Templários, ou sua grande maioria, são manipuláveis se moldados ao medo.
Agora ele parecia ameaçador. Porém Natasha não se intimidou.
– Sou filha de um, não sou uma. Nada que você faça contra mim irá atingir os Cavaleiros. — Revirou os olhos, como se Ezio fosse retardado por não enxergar isto — Eles sequer gostam de mim.
– Exatamente, é filha de um. — Ele juntou as sobrancelhas surpreso. — Não gostam de você?
– Metade por machismo e a outra por eu ser melhor que eles em tudo mesmo. — Arcou uma sobrancelha com um leve sorriso vitorioso.
Ezio mediu-a com os olhos, pareceu ficar triste quando seu sorriso virou uma tentativa de sorriso e então uma máscara de dor. Como se lembrasse algo que lhe machucava.
Natasha tentou não se importar com isso, mas um de seus fracos era ser curiosa. Perguntaria se eles ficassem à sós algum dia.
Deitou no chão fechando os olhos enquanto o russo balbuciava o quanto ela era dorminhoca. Ignorando-o, pegou no sono. Novamente tendo sonhos estranhos.
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