Assassin's Creed High School
27 Capítulo 27-Sentiram minha falta?
Notas iniciais
POV Olivia
Três meses longe de casa. Caramba, como senti falta desse lugar. Até da feira de domingo que cerca a rua que passo para ir do metrô para casa. Sempre odiei passar por aqui. Agora parece ótimo! Sério mesmo! Senti falta do cheiro de plástico misturado com frutas, temperos, chocolate, chá e papel. Senti falta da faladeira das pessoas e comerciantes. Desse abafado de corpos.
Deus, senti falta de Boston!
Arrasto minha mala pelo concreto da calçada enquanto caminho lentamente até minha casa.
Por que estou andando?
Bem, primeiro: não tenho dinheiro pra táxi.
Segundo: eu quero fazer uma surpresa para os meninos, então não posso pedir para me buscarem.
Ok, eu podia ter pedido para tia Ziio ou o tio Haytham me pegarem, mas eu não pensei nisso antes.
Qual é! Todo mundo tem um lapso de falta de massa cinzenta em atividade! Eu não sou burra. Eu só... fui lerda. Me processe. Einstein iria ficar horrorizado.
Ah, não! Não fale pra Einstein! Ele é meu herói! Eu não quero desapontá-lo!
Pelo amor de Deus, no quê que eu estou pensando?
Chego na minha casa e, com certo esforço, ergo a mala escada acima (não, esse lugar não tem elevador) até meu apartamento.
Hoje é sexta. Sexta os garotos se reúnem na casa do Malik e Altaïr pra jogar alguma coisa. Geralmente Battlefield. Eu sou tão ruim nesse tipo de jogo que se eu durar quinze segundos já é uma vitória pessoal.
Pego a minha chave e fico um tempo na frente da porta ouvindo. Ouço os gritos de frustação de Ezio, Altaïr xingando, Malik o chamando de Novice, Kadar rindo, Connor dizendo que vai ser o rei da sala de estar dessa vez e Desmond dizendo “sem chance!”. Rio baixinho. Essa é uma competição boba que os meninos fazem. O vencedor do titulo de “rei” tem almoço gratuito por uma semana.
Não, eu nunca ganhei.
Ah, eles não gostam de jogos puzzle, como raios eu poderia ganhar!?
Tento acalmar meu coração. Faz tanto tempo desde a última vez que os vi. Quero me jogar em cima deles e os sufocar com meus abraços.
E Connor!
Nem vou dizer o que quero fazer com Connor. Pode ter alguma criança lendo isso.
Coloco a chave na fechadura e a giro. Coloco a mão sobre a maçaneta e respiro fundo. Estou sorrindo. Estou realmente feliz por está em casa.
Abro a porta e entro.
–Sentiram minha falta?
O primeiro que me vê é Ezio.
–Olivia!!! –ele grita e sai correndo até mim. Ele derruba a mesa de centro, uma cadeira e alguns livros no caminho até mim. Ezio se joga sobre mim e me abraça com a força de um rinoceronte. Ele me derruba no chão. Fico com metade do corpo dentro da casa e metade fora. –Sì! Sì! Sentimos sua falta, Olivia!
Abraço o italiano e sinto lágrimas enchendo meus olhos.
–Eu também estava com saudades, Ezio. –o aperto com força.
Ele me ajuda a levantar do chão e me abraça novamente.
O próximo a me esmagar é Malik. E eu choro em seu ombro. O cheiro de pipoca está nas suas roupas, mas também sinto um leve aroma de livros velhos e do perfume de Altaïr.
–Meu Deus, você está ótima. –Malik diz. –Ah, Livy, que saudade de você!
–Obrigada, e também estava morrendo de saudades.
Depois Kadar. Eu o abraço com força e deixo que meu rosto se enterre no seu cabelo preto. Kadar se segura a minha blusa e eu na dele.
–Você cresceu, hein? –sussurro. Ele não responde. –Você parece ótimo, Kadar.
–Obrigado.
Desmond me dá um beijo na bochecha e me abraça. Ele fica um bom tempo me abraçando. Bem, não temos tanta intimidade, mas mesmo assim é bom revê-lo.
Então Altaïr. Ele tem esse cheiro de colônia cítrica que sempre me faz lembrar lugares calmos e seguros. E ele é tão alto e forte que realmente transmite certa segurança. E ele me faz pensar em Charlie. Meu irmão tem a mesma presença protetora. Altaïr me ergue no ar e me gira três vezes. Eu rio e o abraço com força.
–Você está mais pesada!
–Nossa, que ótima recepção, Altaïr!
–Não foi o que eu quis dizer! É que músculos são mais pesados do que... ah, você está linda.
–É assim que se recebe alguém.
Ele me coloca no chão. E assim que meus pés tocam no piso eu me jogo nos braços de Connor. Eu o beijo como se fosse a última coisa que eu fosse fazer nessa vida. Como senti falta dos lábios dele. Como senti falta da sua pele. Como senti falta de tudo que tem a ver com Connor. Eu deixo ele me segurar e envolvo sua cintura com minhas pernas.
–Ei, ei, tem crianças aqui! –Ezio fala.
Eu solto Connor e me afasto dele.
–Ok, desculpe. –ele diz sem graça.
–Ei, eu realmente senti falta de vocês. –sorrio.
–Bem, acho que você precisa descansar.
–Ah, não, Malik! Eu quero ficar com vocês! Mesmo que seja pra fazer algum trabalho ou qualquer coisa. Não quero perder tempo dormindo. –protesto.
–E o que você quer fazer? –pergunta Ezio já mexendo na minha mala.
–Eu trouxe umas lembrancinhas, Ezio. Aquele bolso ali. –aponto para o primeiro bolso interno. –A gente podia sair juntos pra comer alguma coisa. Eu adoro o restaurante de comida tailandesa descendo a rua. A gente podia ir lá.
O celular de Altaïr toca.
–Ah, não... –ele resmunga. –Eu não vou atender.
–Quem é?
–Shaun. Ele deve querer que a gente faça uma missão.
–Ah, você devia atender. –digo. –O nosso Credo é importante. Posso ir junto?
–Oh, verdade, você é uma Assassina agora. –Kadar sorri.
–Treinada com honras. –me curvo levemente. –mas ainda não sou uma Assassina. Não oficialmente. Ainda não fiz a cerimônia. –o celular para de tocar e, após alguns segundos, a música volta. –Você deveria atender, Altaïr.
–Tá, eu atendo... –ele murmura e então pega o celular. –O que foi?
Esperamos a ligação. Aproveito esse tempo para pegar algumas roupas na minhas mala para me trocar. Foi até bom Ezio ser tão bisbilhoteiro, isso me economizou alguns segundos.
Pego uma blusa preta, uma bermuda jeans e uma jaqueta. Vou usar meus tênis mesmo.
Vou para o meu quarto e tento não me perder nas lembranças que o aposento me traz e me concentrar somente em tirar minha roupa e colocar a outra.
Volto para a sala o mais rápido que posso e encontro os garotos me esperando.
–Bem, o que vamos fazer hoje? –pergunto.
–Aparentemente, acharam outro Pedaço do Éden. Temos que ir atrás. Ver se é verdade. –Malik responde. –Bem, não precisam de todos nós para essa missão de campo. E temos que descobrir o código de Eva.
–Código? –sorrio. –Eu posso ajudar com isso!
–Bem, vamos nos separar. –Malik diz. –Connor, Ezio, Altaïr e Desmond vocês cuidam do Templo. Eu, Kadar, Livy e os outros cuidamos do Código.
–E quem vai ajudar a gente? –Ezio pergunta.
–Vocês vão cuidar disso sozinhos. Todo mundo sabe que nossos equipamentos param de funcionar quando entramos no Templo. –Kadar fala.
–Eu não sabia. –ergo a mão. –Mas enfim, vamos indo. Ainda quero sair com vocês.
–Certo. Nós vamos.
Pegamos o metrô e em vinte minutos estamos no Hotel. A primeira pessoa que vejo é Ziio. Ela me abraça como se não houvesse amanhã. Ela está molhada por alguma razão, mas não me importo nem um pouco. Eu senti falta dela.
–Que bom que deu tudo certo, meu anjo.
–Obrigada, Ziio.
–Senhora kenway, eu... –ouço uma voz feminina e me afasto de Ziio para ver quem é. É uma garota linda de pele bronzeada como a de Altaïr, olhos negros, cabelo escuro com ondas invejáveis. Ela está numa cadeira de rodas. –Oh, olá. Sou Addalih. Pode me chamar de Addah. –ela estende a mão para mim.
–Olivia. –aperto sua mão. –É um prazer.
–Ouvi dizer que você pode nos ajudar a entender o enigma de Eva. Muito obrigada por vir.
–Eu que agradeço. –sorrio.
–Podem ir se quiserem, garotas. –Ziio diz. –Eu já as alcanço.
–Ah, antes disso, senhora Kenway, alguém precisa ir atrás de Luna, ela sumiu de novo.
–Deus, essa garota. –Ziio suspira. –Certo, vou acha-la.
–Pode deixar que eu vou, tia Ziio. –me proponho. –Vocês parecem bem ocupados.
–EI, Livy, eu... –Connor não parece gostar da ideia. Eu entendo. Ainda sinto raiva de Luna pelo jeito que ela nos manipulou e me fez brigar com Connor. E sim, eu quero me acertar com ela. Ainda não estou perfeitamente bem dos ferimentos que consegui na minha primeira missão em Atlantic City. Quebrei duas costelas e a escápula. Mas eu vou fazer isso. –Eu não sei se vai conseguir acha-la.
–Pode deixar. Eu consigo. –digo dando-lhe um beijo rápido e já vou saindo do Hotel.
–Ah, Olivia, acho que seria bom começar no Starbucks da nona avenida. Se ela não estiver lá, vai estar em alguma das lojas lá perto. –Addah diz.
–Obrigada. –sorrio. –Voltou logo. Façam o trabalho de vocês, garotos.
Saio do hotel e corro para fora.
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