Notas iniciais
Desculpem se demorei. Aproveitem!

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Depois que Kadar retorna com as compras nós contamos a ele o que aconteceu. Malik se impressiona ao ouvir o irmão dizer:


–Vá. Descubra logo o que ele quer. Assim ele te deixa em paz. Deixa a Olive em paz. Não é o que nós queremos?

–É sim, mas ele...

–Altaïr não é assim. Sabe disso. Conhecemos ele desde criança, você só não gosta dele. Resolva logo isso. Cansei de vê-lo se esgueirar no nosso quarto e ficar lá quase meia hora.

–O-o quê? –Malik gagueja e cora bruscamente. –Por que não disse nada antes? Vê, Olive? Ele é maluco.

–Isso é meio...

–Assustador? –Malik diz.

–Fofo. É como se ele estivesse cuidando de vocês. –Sorrio. –Se quiser posso ir com você, Malik.

–Protegendo? Você viu como ele me atacou agora.

–Ele está sempre olhando por você, Malik. Sabe que eu sou a última pessoa a apoiar Altaïr, Ezio, Connor ou Desmond. Mas você devia ir. Ele não vai poder te atacar com tantas pessoas. Ele trabalha com Desmond, Ezio e Connor, não faria isso.

Ele observa a mancha vermelha em seu pulso. Malik assente.

–Vista-se. Vamos resolver logo isso. Antes que o bar deles fique muito lotado. – empurro Malik para o quarto.

–Você vem, Kadar? –pergunto.

–Tenho dever de casa para fazer. E se eu for, Malik perde a coragem.

–Como assim?

–Ele não gosta que eu o veja irritado ou brigando. – ele sorri. –Podem ir. Liguem-me caso algo aconteça.

–Ah, eu tenho certeza de que algo vai acontecer. Acho que vou filmar e colocar no youtube.

Kadar ri e vai para a cozinha guardar as compras em seus devidos lugares.

Malik sai do quarto, vestindo um casaco preto com um desenho estranho em turquesa –foi o próprio Malik quem desenhou o símbolo, não sei o que quer dizer e ele faz um certo mistério sobre isso–, uma calça jeans também preta e All Star cinza.

–Vamos? –incito.

Ele assente um tanto hesitante.

Saímos da casa e seguimos para a estação de metrô. Ficamos em silencio até que eu pergunto:

–Por que nunca nos disse que conhecia Altaïr desde criança? Tipo, eu não ligo de não ter dito para Shaun ou Becca, mas nem pra mim, Malik?

–Não, não, não, não! Eu não queria te chatear por não ter contado. É só que eu ... nem sei por que raios nunca disse. Parecia inapropriado. Nós não gostamos deles e eles não gostam de nós. Dizer que já fui amigo de infância de uma deles parecia simplesmente errado. Não sei, Olive.

–Não é errado. Não esconda as coisas seu árabe misterioso. Aposto que ele era diferente quando criança. Você também era. Pessoas mudam, Malik. O passado não diz tanto sobre nós quanto as pessoas pensam que diz.

–É o passado que nós faz, Olive.

–Não. Nós mesmos nos fazemos. Decidimos se deixaremos que outras pessoas ou situações difíceis nos influenciem e nos mudem. Sempre há uma escolha. Não é o passado de alguém que a fez, seja bom ou mal. Foram escolhas.

–Você está bem, Olive? Está tremendo.

–O que? –cruzo os braços debaixo do peito. –Estou bem. Seu casaco é melhor do que o meu sabia? –o que é meia verdade. –Mas não se preocupe, vai esquentar assim que entrarmos no trem.

–Calor o humano. –ele assente. –Detesto quando é conseguido desse jeito.

–Fala como se eu gostasse.

O trem chega e como eu havia previsto, está quente dentro dele. Como eu não faço ideia de como chegar ao bar onde Altaïr trabalha é Malik quem dá as instruções. É meio estranho ser guiada por um estrangeiro na cidade que eu cresci, mas a vida é assim.

Ao chegarmos fico procurando pelo bar, mas não encontro. Tem dezenas de lojas de roupas, brinquedos, livrarias e até pet shops, mas não um bar ou boate.

–Onde é? –pergunto.

–Ali.

–No Starbucks? Eles deveriam trabalhar em uma boate, não? –digo confusa.

–Desmond é bartender, os outros trabalham aqui. Não me pergunte. Os caras não batem bem da cabeça. –ele dá de ombros. –Fique perto de mim. Você é meu escudo humano.

–Quanta coragem, Malik. Você me deixa orgulhosa. –ironia ligada.

–Você é tão cruel, Olive...

–A vida é cruel. Eu sou um doce de pessoa. –entro no Starbucks. Malik atrás de mim.

–Doce que dá diabetes...

–Depois eu sou cruel.

–Só sou vingativo. É diferente.

Como sempre, Altaïr me lança seu melhor olhar de ódio e desprezo. Sinto-me mais incomodada ao finalmente distinguir aquela outra parte de seu olhar, a que eu não conseguia identificar: ciúmes. Ele sente ciúmes de mim. O que raios ele pensa que há entre mim e Malik? Ok, eu admito que vivo com Malik mais do que com meus país. Mas eu fico com Kadar também. E com Becca e Shaun.

É. Deve ser como meu irmão diz, ciúme é real na maior parte das vezes, sempre é um erro e nunca é a solução pra nada. Faltou dizer que é a irracional.

–Vou esperar aqui. Quero um cappuccino com bastante creme, se não se importa. –digo, sentando-me perto da saída e longe de Altaïr que está no caixa.

–Ok. Me deseje boa sorte.

–Boa sorte. Força, Malik.

Meu amigo se aproxima de Altaïr e pirragueia alto demais. Eles conversam por alguns poucos segundos. Malik tira a carteira do bolso. Eles não estavam conversando, Malik só fez a porcaria do pedido. Como eles deveriam se resolver desse jeito?

Altaïr olha para mim por cima do ombro de Malik. Quase vejo as chamas em seus olhos dourados. Não desvio o olhar, não me encolho e não deixo que ele me assuste. Não fiz nada de errado. Não cometi nenhum crime. Cansei de deixá-lo me intimidar só com seus olhares.

Malik puxa o rosto do outro, fazendo-o parar de olhar para mim. Meu amigo murmura algo e sai de perto de Altaïr, vindo até mim. Ele se senta ao meu lado.

–Ele vai trazer nossos pedidos em breve. Disse que poderemos conversar assim que Ezio chegar para o seu turno.

–Ok, então. Já está um pouco escuro e acho que você não me deixaria ir embora sozinha. Eu te espero.

–Desculpe, Livy. Eu sempre te causo problemas e te arrasto comigo...

–Ei, tudo bem. Diga-me qual seria a graça da minha vida sem você para causar problemas? – seguro sua mão entre as minhas. –E amigos são pra isso, não acha? Você vai conseguir fazer isso e eu estarei aqui dando apoio moral. E se precisamos correr, eu abro a porta.

Ele sorri para mim e respira fundo.

Em pouco tempo Connor vem até nós e entrega dois cupcakes de chocolate e dois cappuccinos. Um com muito creme e outro sem lactose (Malik é intolerante à lactose. O pobrezinho fica todo inchado).

–Obrigada. – digo tímida.

–De nada. –sua voz não é tão grave quanto eu imaginava. É o tipo de voz que eu gostaria que lesse histórias para mim na hora de dormir.

Mordo meu cupcake e tento relaxar, mesmo tendo a impressão de que Altaïr está me fuzilando com o olhar.

Ezio chega e Malik fica tenso. Não por causa do moreno, mas porque agora ele e Altaïr irão conversar.

–Está atrasado de novo. – Connor reclama.

–Eu sei disso. Teve um acidente na 27 com a 4° avenida. O que queria que eu fizesse? –Ezio passa reto, pula por cima do balcão e vai para a área dos funcionários. Altaïr faz sinal para que Malik o siga.

–Eu estarei logo aqui. Não precisa ficar nervoso.

–Certo. Vou tentar. Obrigado, Olive.

Malik e Altaïr entram na mesma sala que Ezio. Connor fica sozinho até que o italiano volte, vestindo seu avental verde.

Enquanto espero pelo meu moreno (isso nem soou estranho, bobagem), um cliente chega.

–Ezio!!! –Ele grita assustando-me.

Este pula a bancada novamente, abre os braços e o recebe da mesma forma:

–Yusuf!

Eles trocam um aperto de mão e riem.

–O de sempre, mio caro? – Ezio pergunta.

–Sim, por favor.

Levanto-me para pegar um lenço de papel, já que não tem mais nenhum na mesa e eu derrubei meu cappuccino no casaco.

–Desculpe por isso. Eles são amigos há muito tempo e são dois malucos. –Connor diz.

–Tudo bem. Estou acostumada com malucos. –sorrio enquanto tento limpar a mancha.

–Seu nome é Olívia, certo?

–Aham. E você é o famoso Connor Kenway. É um prazer.

–Você provavelmente deve ser primeira garota a não surtar porque falei com você.

–Bem, desculpe se feri seu ego.

–Não mesmo. É só bom conhecer mais pessoas como você.

Paro de estrear a mancha e franzo o cenho. Ele acabou de me elogiar?

–Não quer limpar isso no banheiro?

–Não precisa. Obrigada. Limpo em casa mesmo.

–Vai ficar difícil de sair.

–Omo, por que se sujar faz bem. –dessa vez é Connor quem fica confuso. –Pelo menos é o que o amigo do meu irmão sempre diz quando isso acontece. OMO é uma marca de sabão em pó no país dele. Algumas vezes eu acabo por repetir. –explico. –Quer dizer que não importa. Pode se resolvido depois.

–Connor, onde está o chantili?

–Tenho que ir. Bom falar com você, Olívia.

Toco com os dedos médios na testa e me curvo, como geralmente faço quando estou um pouco nervosa. Faço graças quando quero conseguir o controle dá situação.

Termino meu lanchinho e brinco com a trança em meu cabelo enquanto espero por Altaïr e Malik.

Os dois saem da sala em meia hora. No meio tempo eu quase dormi duas vezes, mas sempre despertava ao ouvir outro cliente entrando ou quando Ezio e Connor conversavam/brigavam.

Quando Malik sai, Altaïr me lança um olhar vitorioso, eu só ergo as sobrancelhas e dou de ombros. Meu amigo me pega pelo ombro e nós dois saímos do estabelecimento.

–Como foi? –quero saber.

–Ele me deixa confuso, Olive...

Malik levanta a gola do casaco, o que me deixa curiosa. Abaixo-a e vejo um roxo em seu pescoço. O árabe cora bruscamente.

–Isso é o que eu acho que é?

Ele não responde.

–Ei, não tenho nenhum problema com essas coisas. Sabe disso. Só me diga uma coisa, quer brincar com ele também?

Ele me encara assustado, olha bem nos meus olhos, por fim assentindo. Sorrio maliciosa.

–Altaïr, nós queremos jogar um jogo.

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Notas finais
Imagens e ideias de maliks-butt.tumblr.com caso saibam um pouco de ingles, entrem no tumblr dele. É muito bom! ideia dos assassinos trabalhando em um Satrbucks é totalmente dele. Comente e ajudem essa autora a continuar! E me avisem se ainda houverem erros!