Assassin's Creed High School

31 Capítulo 31- Górki- parte 2


Notas iniciais
Peço mil perdões pela demora!!!! Muitas coisas acontecendo! Muitas mesmo! Mas não vou prender vocês aqui, leiam e comentem! Se quiser, ouçam Iron do woodkid ^^

Eu e Connor vamos pela lateral do prédio atarracado. Nossos passos são quase que inaudíveis, mesmo com a neve nos atrapalhando.


Eu estou cobrindo a retaguarda. É difícil ver muito longe com essa nevasca, porém ainda consigo distinguir os guardas russos em suas roupas escuras. Estão patrulhando um outro prédio, o que Lucy e Des estão encarregados de limpar. Vamos fazer um pequeno favor aos irmãos da Federação Russa. Estão mantendo armas e informações perigosas demais aqui. Prometemos dar um jeito nisso enquanto estamos aqui.


–Livy, consegue entrar por aquela janela e abrir a porta para mim?- Connor sussurra.


Olho para a tal janela. É pequena. Talvez 50x45 centímetros. Sem nenhuma haste de ferro ou arame de proteção. Só vidro.


–Ok. Sem problemas. Só preciso de sua ajuda pra chegar lá em cima.


Ele assente e se abaixar para que eu suba em seus ombros. Seguro-me com firmeza quando ele se levanta e, finalmente, alcanço a janela. Pego uma adaga dentro do meu casaco e a uso para abrir a fechadura da janela. Dou uma olhada e, quando me asseguro de que está limpo, me espremo janela adentro.


Meu pé alcança um caixa de madeira e me agacho ali. Tenho que lidar com três guardas. Eles são russos, se sua reputação os precede, então não será tão fácil assim.


Um deles passa logo abaixo de mim. Aproveito para mata-lo. Ejeto minha lâmina oculta e salto sobre seu pescoço. O barulho do corpo caindo no chão alerta os outros guardas, que correm na minha direção. Permaneço agachada esperando eles chegarem bem perto. É quando levanto-me e encravo minha lâmina por debaixo do queixo de um deles, empurrando até não ter mais aço para enterrar, enquanto dou um soco na garganta do outro. Esse segundo consegue atirar de raspão na minha cintura, o que me faz soltar um xingamento alto. Eu o mato com um golpe por entre as costelas. Pego a chave da porta do corpo de um deles e abro a porta para Connor, que quase grita ao ver o sangue manchando minha casaca branca.

–Foi superficial. garanto. Vamos indo. Não temos tempo a perder.

Luna deixou para mim e Aveline a responsabilidade de assegurar a segurança enquanto Luna, Eva, Ezio, Altaïr, Connor e Desmond entram no Templo. Estou um tanto insegura quanto a isso. Não tenho experiência em combate quando estamos em desvantagem numérica. Mesmo que Lucy e Desmond estejam pegando armas para nos ajudar. Eu treinei para atirar facas e combate corpo-a-corpo, não para um projeto de guerra. Os russos só puderam nós ceder quatro Assassinos. Eles estão com muitos problemas aqui. Disseram que os Templários estão avançado demais. Eles se esforçaram para conseguir alguém e só o fizeram porque é sobre Aqueles que Vieram Antes. Isso é meio que prioridade.

De qualquer forma, não sei o farei com apenas dez pessoas.

–Foco, Olive. Connor sussurra.

–Desculpe.

Avanço três passos e agarro um soldado pelos ombros, enfiando minha lâmina em seu pescoço. Seu sangue sai em um jato, sujando a parede de vermelho. Deito seu corpo no chão com cuidado enquanto Connor passa correndo por mim e pega o outro soldado que tentava fugir.

Não olho para o rosto do homem que matei quando digo "descanse em paz". Não olho para o homem que Connor matou quando continuo meu caminho até o porão.

Eu fico na porta enquanto Connor desce para checar. Estou tremendo de frio e queria acabar com tudo isso de uma vez. Me forço a não apressar as coisas. É uma operação delicada. Nada pode dar errado. Não quero perder um dos meus melhores amigos.

–Não é aqui. Connor fala.

–Então vamos esperar pelo contato. Depois nós lutamos nosso caminho de volta. Suspiro cansada.

–Você foi ótima agora.

–Obrigada. Você também.

–E vai se sair bem caso precise nos defender dos soldados russos.

–Espero que não precise. Mas darei o meu melhor.

–Eu sei que vai.- Ele ajeita meu gorro.

Ouço o rádio e o tiro do bolso.

–Ei, é o Altaïr. O templo está na minha posição. Dormitórios A.

–Connor e Olivia copiaram. Estamos indo. digo.

–Vamos. -Connor me pega pela mão e subimos tudo novamente.

A neve ainda cai do lado de fora. Sinto o sangue congelar em minhas bochechas.

O dormitório A é do outro lado do complexo. Vamos ter de tomar cuidado. Não sei se é melhor evitar os soldados ou se deveríamos mata-los no caminho para termos menos inimigos para enfrentar se algo der errado no Templo.

Mas me preocupo com os corpos. Pode alertar alguém e fazer com que chamam reforços. O que seria péssimo. Nós não podemos esconder todos os corpos. Nem temos lugar o suficiente para tantos cadáveres.

E no que eu estou pensando?! Essas pessoas têm famílias! Esposas, filhos, pais, irmãos. Não posso pensar em mata-los só porque parece conveniente para mim no momento.

Eu deveria parar de pensar e fazer meu trabalho como Assassina. Questões éticas não serão de utilidade nenhuma para mim agora.

Malik sempre disse que devemos lutar pela liberdade das pessoas. Manter o Artefato longe dos Templários é lutar para promover a liberdade e é isso que eu farei.

Nada é verdade. Não existe realidade, apenas uma ilusão que eu posso manipular ao meu favor.

Tudo é permitido. Não existe moral, não existe lei, eu farei o que puder pelo meu Credo.

–Ok, estão todos aqui. -Luna diz baixinho.- Ela não parece muito bem. Vamos entrar de uma vez. Livy, é com você. ela pisca para mim pouco antes de correr para dentro dos dormitórios, sendo seguida de perto por Altaïr, Desmond, Connor, Eva e Ezio.

–Ok, vamos fazer isso. -digo.- Lucy, você fica no telhado, tente ver o mais longe o possível. Aveline, pegue uma arma e fique nos fundos do primeiro andar, perto da escada, você vai com ela, Becca. Ivan, por favor, se dividam e fiquem metade com Lucy e metade na entrada que dá acesso ao porão. Eu ficarei aqui na porta com Malik e Shaun.

–Pode deixar.- eles assentem.

Pego a M 17 que Becca me oferece e dou um Conceal 320-Z para ela. Entrego uma Cheroco para Malik e vejo Aveline pegar uma micro. Os russos carregam imensas VSV-300 e me sinto transportada para um GTA.

–Acha que vai funcionar?- pergunto quando estamos sozinhos.

–Podemos aguentar tempo o suficiente, eu acho.- Shaun diz nervoso. Ele é um rato de biblioteca. Essa missão está longe da sua zona de conforto.

–Já estivemos em pior situação.- Malik faz careta.

–Tudo bem, Malik?

–Sim. Os russos foram durões lá dentro. Enfiaram uma faca no meu ombro esquerdo. Atiraram em Altaïr. Quase não escapamos. Luna e Eva chegaram na hora certa.

–Deixe-me ver esse machucado!

O frio anestesiou. Deixe como está.

–Pelo menos parou de sangrar?

–Sim. Eva fez alguma coisa estranha e parou de sangrar. Estou bem. Ficaria melhor se isso acabasse logo.

Assenti e fiquei em silêncio olhando para a neve.

Eu estava prestes a cair no sono quando Lucy saltou de cima do telhado e pousou na minha frente. Cai para trás no susto.

–Eles estão vindo! Muitos deles!

–Volte lá pra cima e atire nos desgraçados!- Shaun fala.

–Vocês, voltem para dentro, eu fico aqui na borda.

Me encosto na ombreira da porta e preparo meu M17.

Eu espero. Observo os soldados se aproximarem. Assim que o primeiro pisa na minha linha de tiro eu abro fogo. O coice do fuzil machuca meu ombro, mas me mantenho firme. Respiro normalmente e olho para o local onde mirei.

Vejo o corpo cair sem a cabeça.

Os outros entendem meu tiro como uma ordem e começam a eliminar alvos. Homens caem como robôs sendo desativados. A neve brilha com o sangue.

Passo os olhos para outro homem e atiro.

Inspiro, expiro e aperto o gatilho. Sangue se espalha em jatos

Uma bala acerta a parede ao meu lado e um pedaço de concreto acerta meu malar (N/A: osso da bochecha. Não vou por só malar, muita gente não vai entender).

–Olivia, você está bem?- Shaun pergunta.

–Sim, não foi nada. Se concentrem em se manter vivos.

Os soldados estão começando a chegar muito perto. O pop-pop-pop dos tiros já me deixou surda há alguns segundos. Sinto o sangue na minha bochecha e também descendo pela minha perna. Minha cabeça está meio vazia. Só estou me focando em mirar, atirar e recarregar.

O corpo de Shyren, um dos Assassinos russos, cai no chão há poucos metros de mim. Ele está vivo. Corro para salva-lo.

É quando me acertam no ante braço direito.

Caio no chão gritando de dor.

Minha cabeça gira. Os olhos não conseguem focar em nada. Meus ouvidos zunem. Meus pulmões ardem tentando buscar ar para alimentar meus gritos.

Me agarram pelos ombros e eu posso jurar que um tigre está mastigando meu corpo. Vejo o rosto de Lucy sobre o meu e consigo suportar a dor por alguns segundos.

–Shyren! Salve Shyren também!- grito.

–É tarde- leio seus lábios.

Lucy me deixa perto de Shaun e volta para a porta. O britânico abre meus casacos e analisa meu ferimento. Ele tira uma faquinha do bolso e, antes que eu possa impedi-lo, enfia a lâmina em meu braço para tirar a bala.

Me contorço e grito. Meus olhos se enchem de lágrimas e meu estômago embrulha. A lâmina se remexendo sob minha pele é como um castigo diabólico. A dor mais excruciante de já senti.

Quando ele tira o pedaço de metal, não ganho tempo para acalmar a queimação da garganta. Shaun costura o buraco com rapidez e experiência.

Durante os pontos eu não grito, mas meus gemidos são bem audíveis.

–Fique aqui! Malik e Becca vão te proteger.

–Não seja idiota! Eu estou bem aqui dentro! Vão acabar com aqueles bastardos lá fora. Precisamos de mais tempo!

Mas mesmo assim, Malik fica ao meu lado.

–E os garotos no Templo?

–Precisam de alguns minutos, acho.- ele diz.- Vamos sair daqui, Livy. Vamos sim.

A falta de sangue me fez perder os sentidos por alguns minutos. Quando sou chacoalhada, abro os olhos e vejo Connor se assomando sobre mim.

–Vamos sair daqui.- ele me ajuda a levantar.

–Deixe ela comigo.- Malik fala.- Não deixarei que toquem nela. Posso te prometer isso. Você abre o caminho.

Meu namorado assente.

–Ei, eu te amo ok?-ele diz segurando meu rosto.

–Eu também te amo, Connor.- sorrio.

Vejo Eva passar na frente e tirar algo de dentro de uma caixa. Todos os tiros param quando ela ergue o prisma prateado.

–Não temos muito tempo. Vamos embora daqui.- Luna diz arfante.

–Você está bem?-pergunto.

zOlha quem fala.- Luna pega uma adaga e sai do dormitório.

Eva vai atrás dela e eu as sigo. Malik tenta dar um apoio, mas minhas pernas estão ótimas, então peço para que ele fique com Altaïr.

–Você conseguiu um bom tempo para nós. -Ezio diz com um sorriso no rosto.- Uma verdadeira Assassina!

–Obrigada, Ezio.

–Agora nós vamos sair daqui e voltar para casa.

Assinto e olho em volta. Os soldados estão caídos no chão. Alguns mortos, outros inconscientes.

–Não precisa olhar para eles. Nós realmente precisamos nos apressar.

–Como podemos fazer tudo isso desaparecer? Eles são pessoas. Não podem simplesmente sumir.

Ouço um tiro e começamos a correr como uns loucos. Um dos russos está carregando Eva (que ficou muito cansada depois de usar o Artefato) e não demora muito para ficar para trás.

–Coloque ela no chão. Eu te ajudo!

Ele tira a mulher de cima de suas costas e a ajuda a firmar-se sobre os pés. Pego seu braço e o coloco sobre meus ombros. O Assassino faz o mesmo. Sincronizamos nossos passos como que em uma corrida de três pernas e conseguimos chegar perto dos outros, mas não alcança-los.

Meus pulmões estão congelando com esse ar frio. A neve atrapalha cada passo que dou. Me sinto correndo sobre areia movediça. Eu oficialmente odeio lutar na neve. Não vamos ter apoio aqui atrás! Nem podem nos ouvir sob o som das submetralhadoras e não somos capazes de ir mais rápido do que isso.

Um tiro passa de raspão pelo meu rosto e perco o equilíbrio, levando nós três para o chão frio.

–Vamos, camarada! Levanta!

Me coloco sobre os joelhos e agarro o braço de Eva.

É quando saltam sobre minha cabeça. Olho para trás e vejo a casaca azul escura de Luna e sua peruca castanha caindo pela lateral de sua cabeça.

–Vai ficar olhando ou vai correr dessa porra de lugar?!-ela grita.

Salto sobre os pés e acompanho o assassino. Estamos há dez metros do grupo e uns cinquenta metros de Luna.

Eu olho para trás para checar se a Lunática está bem e a vejo praticamente caída no chão sangrando.

Largo Eva e corro todo o caminho de volta.

–Luna, Luna!-grito ao alcançar seu corpo.

Ela está morta. Luna está morta.

Sacudo seu corpo. Vejo os buracos de bala em seus ombros, peito, abdome, coxas e braços. Cada ferimento é como uma facada nas minhas costas. Começo a chorar e a gritar. A dor no meu ante braço, na minha cintura e no rosto se intensificam e meu coração parece que vai explodir para fora das minhas costela. Eu queria leva-la para Edward. Vovô Ed...

–Sua maluca! Não era para ser assim!- abraço seu corpo frio.

–Livy! -é a voz de Ezio.- Ah não... Luna! Luna! ele se abaixa ao nosso lado. Mio Dio... Non è morta, giusto?

–Eu sinto tanto! Ela deveria voltar com a gente.

Ele tenta me desgrudar da garota, mas só consegue me ferir. Não soltarei Luna. Ed confiou em mim. E eu comecei a gostar dela. Missão aproxima as pessoas. Luna acreditou em mim e eu acreditei nela. Quando as pessoas se entendem, elas precisam ficar vivas para poder aproveitar isso e não morrer por causa da outra.

Não morrer por minha causa.

Minha culpa.

–Eu sei que é frio, mas vamos sair daqui.- Connor pega a arma e começa a atirar.

Ezio pega Luna no colo e eu corro atrás dele.

Deixamos Górki para trás quando entramos na van com três Assassinos russos, onze americanos e dois corpos.

Não dizemos uma palavra. Só choramos nossos mortos enquanto a neve cai lá fora e nossos corações perdem sua força.

Notas finais
Comentem por favor, realmente me dá mais vontade de continuar a escrever, ok? That's All Folks!