Assassins
25 Nanda Parbat || 2017
Notas iniciais
Nanda Parbat
Fevereiro de 2017
― Felicity, pode vir aqui um minuto? ― Fingi não ouvir o chamado de Curtis, e continuei a quebrar a cara de todos meus oponentes. Literalmente. ― Isso é urgente, por favor. ― Lhe lancei meu melhor olhar de raiva por me tirar do meu momento, mesmo que ouvisse um ou dois suspiros de alívio daqueles que treinavam comigo.
― O que é? ― questionei rude.
― Nossa, precisa falar comigo assim? Assim me magoa! ― ele tentou gracejar.
― Me tirou dali para falar de seus sentimentos? Passo. ― Quando lhe dei as costas, Curtis segurou firme meu braço, escapando por pouco de receber o contra-golpe, onde eu o jogaria por cima do meu ombro e torceria seu pulso. ― Al Sah-Him ligou para você no meu telefone. Ele vai ligar de novo em alguns minutos daí melhor irmos para algum lugar mais isolado, ou...
― Não, não vou atender ligação alguma de Oliver ― neguei prontamente. ― Então se era só isso...
― Mas ele disse que precisa... ― Apenas saí andando para longe dali.
― Eu não dou a mínima para o que ele precisa e não quero mesmo falar com o fodão Al Sah-Him ― falei entredentes, depois de voltar para ficar perto o bastante para que ele escutasse. ― Ele devia ter pego a indireta quando eu mesma não o atendi.
― Mas, Felicity...
― Curtis, só me deixa em paz para socar alguma coisa ou alguém. E se não quer que seja você, sai da minha frente!
Eu confesso que estava particularmente violenta nesse último mês. É o que acontece quando o assassinato do seu noivo vira em filme de terror em looping cada vez que se fecha os olhos, ou os gritos dele são a trilha sonora de todos os minutos do dia.
Amo você, haviam sido suas últimas palavras. Mesmo com tudo aquilo acontecendo, ele se preocupou que eu soubesse que ele me amava. Eu sentia culpa, toneladas dela, mas um sentimento estava acima de todos: raiva.
Eu conhecia as cinco fases do luto, já tinha perdido muito na vida.
A primeira, negação. Meu cérebro se negou a acreditar que tudo aquilo havia acontecido até estar de volta em meu quarto em Nanda Parbat, com Curtis e Sara em minha cama me perguntando como eu estava e Nyssa encostada em uma parede próxima, me encarando com uma supreendente e inédita feição de piedade. Ela havia perdido Laurel e quase perdido Sara naquela vez em Bankok. Meus amigos se preocupavam, mas ela entendia. E agora eu também, daí a raiva. Talvez um dia eu chegasse na barganha, depressão, aceitação, mas não agora, não enquanto eu não conseguisse minha vingança.
Eu havia me tornado uma máquina de lutas, como nunca antes. Chutar, esmurrar, cortar, bater era a única coisa que me mantinha afastada dos pesadelos, e eu precisava me manter longe deles, ou perderia minha sanidade em mais alguns dias. Desde então eu vinha gastanto cada mísero segundo do meu dia em exercícios que me levassem à exaustão.
Ra’s havia me deixado em paz. Na cabeça dele, matar Ray na minha frente havia sido uma mensagem clara o bastante, enquanto Talia até tentou ser um pé no saco nos primeiros dias, mas como foi tão prontamente ignorada, também procurou outros para atormentar.
E mesmo que ninguém tenha dito com palavras, eu estava de castigo, confinada à aquela ilha por tempo indeterminado até que eu voltasse a ser a boa e comportada assassina que era, e deixasse toda essa coisa de amor para trás. Por isso eu não chorava, não brigava, ou sequer questionava qualquer maldita decisão. Só queria que me deixassem em paz e, eventualmente, todos acabaram deixando, menos Oliver.
Esse me ligava todo santo dia, mesmo que nesse mês eu não tivesse atendido uma vez sequer. Não nos falávamos há mais de um ano, então o meu treinador não esperava mesmo que eu o atendesse agora só porque ele queria, quando meu coração estava dilacerado. Eu não conseguia odiá-lo, mas Oliver também não era minha pessoa favorita no momento.
Eu não estava pronta.
Não estava pronta para as desculpas que ele sempre mandava. Não estava pronta para a voz igualmente mansa e autoritária, me dizendo que ficaria bem. E definitivamente, não estava pronta para que ele me dissuadisse de minhas ideias, o que tenho certeza que ele faria, logo que lesse a intenção em meus olhos, porque sim, eu tinha grandes planos. Planos que envolviam destruir tudo que ele chamava de casa e família.
Os meses seguintes foram de muita elaboração dos detalhes da minha escapada. Meu acesso à armas e computadores ainda estava totalmente bloqueado, mas eu conhecia demais aquele lugar, com todos os esconderijos e pontos cegos para deixar limitar por isso. Usei as madrugadas para modificar o software das câmeras, assim aos poucos as instalei por toda a ilha, de modo inacessível a ninguém que não tivesse o código, uma sequência intrincada de números guardado apenas na minha cabeça.
Precisaria de dinheiro, mas seria um problema fácil de resolver, já que logo que saísse de Nanda Parbat desviaria alguns milhões para contas em nomes de minhas identidades falsas. Então esbarrei no maior obstáculo: sair de Nanda Parbat. Não poderia colocar meus amigos em risco pedindo ajuda, assim como também não conseguiria incitar uma revolução, Cooper havia tentado e falhado. Teria de sair sem que desconfiassem até que eu conseguisse estar em outro continente.
A solução veio por acaso, como um presente em meu colo, numa manhã. Eu nunca havia desistido de pedir a Curtis que me deixasse ajudá-lo no que quer estivesse fazendo, apenas para me distrair, mas sempre recebia negativas preocupadas do meu amigo. Na verdade, eu só queria manter uma rotina, para que não desconfiassem eu armava algo. Mas antes de entrar na sala dele, ouvi sobre um avião que sairia com uma carga para Austrália no fim da tarde.
Era agora.
Eu teria apenas algumas horas, mas estava me preparando para esse momento há semanas, até minha mochila já estava pronta, e não saberia quando teria outra oportunidade dessas.
~
― Curtis, tem trabalho para mim hoje? ― Sentei na cadeira ao seu lado mais tarde naquele dia, girando nela, e logo observei sem surpresa alguma ele minimizar tudo que fazia para que eu não visse. ― O que tá rolando?
― Felicity... ― Seu tom condescendente até teria me irritado, se eu não estivesse ali para me despedir.
― Tudo bem, não quero que se meta em encrencas.
― Logo você vai conseguir seu lugar aqui de novo, minha amiga.
― Não, pode ficar com ele, meu lugar é nas ruas. ― Por sorte ele não entendeu o duplo sentido das minhas palavras. ― Aliás, do garoto medroso de anos atrás, fico orgulhosa que tenha conseguido chegar até aqui.
― Graças a você, que me arrastou junto enquanto conquistava seu lugar.
― Nah, você ficaria bem de todo jeito. ― Dispensei a ideia com um gesto de mão, tentando disfarçar o tom de despedida. ― Vou te deixar trabalhar e vou ver se Sara não quer chutar uns traseiros comigo.
― Ei, eu sei que já disse, e que não quer falar sobre, mas... ― Ele respirou fundo antes de continuar. ― Sinto muito pelo cara de Star City. ― Assenti e já ia saindo quando resolvi voltar. Eu não sabia quando ou se veria meu amigo de novo, então apenas o abracei forte, sussurrando um obrigada em seu ouvido.
~
― Amiga, tem uma bonitona que não tira os olhos de você. ― Cheguei perto de Sara que estava distraída escolhendo uma arma quase sussurrando em seu ouvido. Ela virou-se para direção que indiquei, abrindo um sorriso automático ao ver Nyssa. ― Cara, você tá muito apaixonada!
― O que quer, coisinha? ― rebateu para disfarçar que tinha ficado levemente constrangida ao meu comentário, mas era tão claro que quem visse. Ela e Nyssa tinham passado do patarmar peguetes para algo bem superior nos últimos anos.
― Faz tempo que não dou uns bons chutes na sua bunda. Estou com saudades.
― Correção, faz tempo que você não tenta dar uns chutes na minha maravilhosa bunda, é completamente diferente.
― Que nada! Deixo até você escolher a arma. ― Dei uns passos para trás e logo segurei o par de barras de metal que ela me jogou, pegando mais duas.
― Você parece mais animada ― comentou, começando a me atacar, e me defendendo habilmente usando minhas próprias barras. ― Vai fugir daqui, é? ― ela falou brincando, eu sei que foi brincadeira, mas não pude evitar quando todo o sangue esvaiu do meu rosto, e tive que me abaixar no último segundo para não ter o nariz quebrado por minha amiga.
― Tá doida? ― Voltei a golpeá-la. ― Você é uma das melhores daqui, treinar com os outros é meio que perda do meu tempo e talento ― comentei encenando arrogância.
― Você, elogiando? Não estou entendendo.
― Eu sou uma pessoal bem gentil, oras.
― Não, meu bem, você é esperta, inteligente, corajosa. Não gentil ― observou.
― Ah, que fofa! ― brinquei. ― Eu quase sinto falta de aprontar em Vegas com você. ― Minha amiga parou de repente, e por pouco eu não a acertava. ― O que foi, Sara? Eu quase arranco sua cabeça com esse bastão!
― Vem aqui! ― Ela largou as armas no chão, fez com que eu largasse as minhas e começou a me arrastar para fora. Nyssa fez menção de nos seguir, mas Sara apenas negou levemente com a cabeça, só parando de caminhar quando chegamos ao quarto dela, meu antigo quarto. ― Me diz que você não vai fazer a loucura de fugir de Nanda Parbat agora, Felicity!
― Eu... Eu não... ― gaguejei. ― De onde você tirou essa ideia?
― Curtis me disse que você estava estranha quando falou com ele mais cedo. Então me chega com todas essas referências a nossa viagem a Las Vegas e essa voz saudosa. Você não está pensando em fugir, ou está? ― ela repetiu a pergunta.
― Sara...
― Não, Fel! Isso é suicídio! ― quase gritou, parecendo para mim angustiada como nunca antes a vi. ― Ninguém nunca fugiu da Liga dos Assassinos, e se alguém tentou, morreu antes de conseguir!
― Sara. ― Segurei seus ombros. Eu deveria dizer que não ia fugir, acalmá-la sobre minhas intenções, mas eu não aguentava mais o peso de guardar aquilo só para mim. ― Eu vou sentir tanto sua falta. ― A abracei o mais forte que consegui. ― Eu não teria conseguido sem você.
― Não faz isso, por favor. ― Quando me afastei, meu coração partiu ao ver seus grandes olhos azuis marejados.
― Eu preciso, ok? Ra’s, Talia e toda essa maldita seita vai pagar pelo que...
― Então você não vai apenas fugir, planeja ir contra a maior sociedade secreta de assassinos? ― Apesar de não estar mais gritando, ela ainda soava desesperada. ― Não lembra como acabou para Cooper?
― Eu vou ficar bem. ― Passei a mão em seu rosto, limpando a lágrima solitária que escorreu. Eu não sei como eu mesma resisti a não chorar.
― Então eu vou com você ― falou resoluta. ― Me dá dois segundos que arrumo minha mala, e...
― Não, você não vai. ― Segurei seus braços para não se afastar de mim e fazer o que disse. ― Jamais te pediria que...
― Você não pediu.
― Mesmo assim. Você está bem aqui, com Nyssa, com o respeito e com a vida que conseguiu. Você não vai abandonar isso por uma cruzada que é apenas minha.
― Você é uma irmã, Fel, salvou minha vida, eu não vou te deixar sozinha com toda essa centena de assassinos seguindo você.
― Confia mais em mim, Sara! Posso enganar eles pelo tempo que precisar, já tenho tudo pensado, planos em andamento, eu vou mesmo ficar bem. Mas só se você ficar bem e me prometer não fazer nenhuma besteira para me impedir.
― Me deixa ir com você, por favor ― apelou uma última vez.
― Não, me desculpe ― continuei a negar, mesmo quase cedendo aos seus pedidos. Ter uma amiga comigo ia fazer tudo ser mais fácil, mais interessante até, mas jamais a colocaria em risco desse modo. ― Você também é uma irmã. ― A abracei novamente.
― Eu vou ficar aqui, mas você vai ligar se precisar, ok? Para qualquer coisa, eu te encontro em qualquer lugar do mundo, vou quando me chamar, só assim te deixo ir agora. Promete? ― Ela fez uma cara de brava ao meu silêncio. ― Promete, Felicity! ― Recebi um tapa nada gentil em meu braço.
― Eu prometo. Ai. ― Acariciei o lugar da pancada.
― Eu te odeio, garota estúpida!
E ali foi, nosso último abraço. Não pensei que ia doer tanto me despedir dela, mas eu tinha um plano maior. Talvez no final, até livraria Sara também da servidão à Liga, seria bom para todas nós. Pelo menos isso era o que eu repetia para mim mesma.
~
O avião sairia em quarenta minutos, e pelas minhas contas eu teria dez para estar dentro dele sem que ninguém me descobrisse lá. Concluí que o caminho mais seguro seria pelo quarto de Oliver. Era próximo ao local de fuga, estava desocupado e com uma varanda enorme para descer sem ser vista.
Por mais que eu já estivesse ali na Liga há quase sete anos e ele fosse meu parceiro metade desse tempo, era apenas a segunda vez que entrava ali. Os pelos do meu braço arrepiaram no instante que coloquei os pés para dentro, lembranças de todo aquele trauma e pesadelos com Cooper me preenchendo. Mas haviam recordações boas também, conforto, abraços, carinho de Oliver, e foram essas recordações que encheram meus olhos de lágrimas.
O quarto transmitia bem a personalidade Oliver. Era escuro, misterioso, mas tinha um toque aconchegante quando você observava além da superfície. Deixei a mochila aos meus pés e sentei na beira do colchão.
― Me desculpe, Oliver. ― Me permiti chorar a primeira vez desde que havia voltado. ― Me desculpe por não atender seus telefonemas e ir embora sem te dar a despedida que você merece. Eu estou com tanta raiva agora, mas... ― Enxuguei as lágrimas, pegando o travesseiro e o abraçando. Era o cheio dele ali, mesmo todo esse tempo distante. ― Obrigada por tudo, por me tornar a pessoa que eu precisava ser. Estou viva por sua causa, e talvez sobreviva a isso por tudo que você me ensinou, mas eu não quero te envolver ainda e arriscar sua vida, ou te ouvir me mandar não arriscar a minha. Eu preciso fazer, Oliver. ― Devolvi o travesseiro ao lugar, alisando o tecido por alguns minutos, deixando minhas lágrimas por ele, Ray, Sara e Curtis rolarem livremente.
― Que fofa! ― Saltei de susto, ficando em pé e chutando minha mochila de fuga para baixo da cama e entrando em posição de ataque, limpando o rosto. ― Chorando na cama do namorado? ― Era Talia, o que me fez rolar olhos encenando um desdém para disfarçar como fiquei aflita sobre não conseguir sair a tempo.
― Faça o favor de balançar o chocalho antes de rastejar para dentro do quarto dos outros, Talia. ― Ela franziu os lábios numa linha de irritação.
― O que faz no quarto de Oliver? ― me questionou sem hesitar.
― Poderia fazer a mesma pergunta a você ― devolvi não me deixando abater.
― Me tira uma dúvida, bonequinha... ― Quando percebi a intenção dela de se aproximar, tomei a dianteira, a afastando da possibilidade de encontrar a bolsa. ― Seu noivinho sabia que você tinha essa coisa com Oliver? ― Respirei fundo.
Não a deixe te atingir, Felicity!
― Você não vai me irritar hoje, Talia.
― Vamos lá, te criei melhor que isso, garota! Grite, brigue, chute coisas, diga como somos injustos e destruímos sua chance de amor! ― Ah, eu queria fazer essas coisas, como queria! Mas isso não me ajudaria em nada, então soltei uma risada sarcástica, chegando perto demais dela. ― Você realmente está de bom humor hoje. Oliver está voltando?
― Apenas agora finalmente tenho a ciência de que eu não sou seu problema. Ele é.
― Quem, meu pai? Ele não se importa com você como acha, querida.
― Não esse Ra’s Al Ghul, o próximo. ― Ela começou a rir como se se divertisse com minha afirmativa e abriu a boca para falar, mas continuei antes que ela o fizesse. ― Você tem raiva porque nunca foi sequer uma opção para ele. Oliver escolheu Laurel, e mesmo quando sua irmã se foi, ainda assim não quis nada além de sexo com você. Aposto que seu pai ficaria bem feliz em casar uma das filhas restantes com o herdeiro, mas acredito que Nyssa preferiria colocar fogo em Nanda Parbat e você... Ele não te quis.
Eu quase via os olhos castanhos dela ficando vermelhos de raiva, suas narinas inflavam com sua respiração pesada, mas eu já estava indo mesmo, não perderia aquela última oportunidade.
― Então eu apareci por aqui. ― Abri os braços em um gesto genérico, andando pelo quarto, deixando tudo vir a tona. ― Você não perdia uma oportunidade de atormentá-lo com nossa proximidade, me fez pegá-los transando, me jogou naquela missão dos infernos com o Bertinelli, fez Ra’s o mandar para a Rússia e... E matou Ray. Tudo porque na sua cabeça maluca, ele tem sentimentos por mim!
― Você não quer se meter comigo, menina!
― Realmente, não quero. ― Dei de ombros. ― Por que eu perderia tempo com uma mulherzinha amargurada porque não consegue a herança ou o homem que quer, e que vai morrer sozinha afolgada no próprio veneno?!
Meu corpo foi lançado para trás quando ela me deu um tapa na cara. Eu sentia o local arder e já começar a ficar vermelho, mas não lhe daria o prazer de expressar nada além do meu ódio por ela, então avancei em sua direção segurando sua roupa e pressionando contra a parede.
― Não encosta a mão em mim! ― gritei.
― E você vai o quê? Me bater? ― Riu com desprezo. ― Só porque lhe ensinei idiomas e etiqueta, não quer dizer que eu não possa quebrar seu pescocinho como de uma galinha magra. Tá a fim de uma boa briga, bonequinha? ― Oh, como eu estava! Mas infelizmente, não tinha tempo.
― Não agora. ― A soltei. ― Mas guarda essas palavras, Talia Al Ghul: o próximo embate entre nós só acaba com uma morta. E, confia em mim, não vai ser eu.
― É o que veremos. ― Ela apenas se virou e foi embora. A deixei com a pseudo-vitória de conseguir a última palavra, mas apressada demais para conseguir sair dali.
Quando o avião decolou, suspirei aliviada entre as caixas que me escondiam.
Depois de sair sem ser notada na Austrália, ainda peguei uns voos pela Europa, se o caso improvável acontecesse de estar sendo seguida, até chegar no destino final: Star City. Me esconderia no último lugar que me procurariam, nem Talia me acharia louca o bastante para voltar lá depois de tudo de aconteceu. E ainda mais por ter descoberto que os papeis que Ray me fez assinar no dia que ele morreu, eram nada mais, nada menos que a transferência de toda Palmer Tech para meu nome.
E a noiva que sumiu logo após a morte ainda era a principal suspeita. Se meus planos corressem bem, eu tentaria limpar meu nome, mas se não, eu não precisaria me preocupar com isso quando tudo acabasse. Mas ainda teria que ter cuidados redobrados para não aparecer a vista da polícia, o que não seria um problema com treinamento da Liga para nos tornarmos fantasmas.
Meu apartamento nem tinha mobília ainda, e vários computadores já estavam ligados me mostrando o verdadeiro alvoroço que eu tinha provocado na ilha de Nanda Parbat, mas eles que se fodam, eu estava praticamente os desafiando a me acharem. Ainda tinha muito trabalho a fazer, o plano que eu tinha em mente nada era além de um rascunho, mas o levaria até o final, e depois do réveillon desse ano, eu começaria a derrubada da Liga dos Assassinos.
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