Assassins
1 Monte Carlo || 2018
Notas iniciais
Monte Carlo — Mônaco
Janeiro de 2018
Sorri quando percebi que apenas meu pequeno ato de tirar a saída de banho havia atraído uma dezena de olhares sobre mim. O provocante e decotado maiô vermelho destacava-se em minha pele clara, deixando mais dela mostra do que realmente deveria. Seu corpo é sua mais importante arma, era o que Talia vivia repetindo. Eu discordava, meu cérebro era minha principal munição, mas durante esses anos, não posso negar que o usei em alguns trabalhos. Para provocar e, como estava fazendo agora, distrair.
― A morena procura alguma coisa? ― A voz chamou minha atenção de dentro da jacuzzi que ficava dentro da piscina. ― Uma companhia, quem sabe? ― Sorri de volta para o homem na faixa dos cinquenta anos, cabeça raspada e sorriso sacana. Ele não era nem de longe bonito, mas era bem quem eu queria que me notasse.
― Não está ocupado o bastante? ― o questionei, olhando as duas loiras siliconadas que ocupavam a jacuzzi ao seu lado. ― O bar parece mais livre. ― Apontei com o polegar para trás de mim.
― Saiam, saiam! ― Ele expulsou as duas, que saíram desgostosas. ― Agora não mais. Venha. ― Assenti e entrei na água, sentando ao seu lado na pequena banheira.
Droga! Eu esperava que ele me acompanhasse até o bar. Correr de pés molhados ia me atrasar alguns segundos. Mas não adiantava contestar, eu estava ali em uma missão.
― Não vai me deixar ver seus olhos? ― Neguei com a cabeça, erguendo uma sobrancelha atrás dos óculos de sol.
― Pelo jeito que me olhava, e como ‘tá apertando minha bunda, você não quer saber mesmo dos meus olhos, quer, senhor...
― Hunt ― se apresentou orgulhoso.
― Hunt, tipo, Adam Hunt? Acho que conheço você! ― fingi animação, quando na verdade queria lhe dar um soco bem dado para tirar logo mão nojenta das minhas pernas nuas, mão que ele estava perigosamente aproximando da minha intimidade. ― Você não é aquele magnata acusado de roubo e fraude, mas que conseguiu escapar porque todos as testemunhas morreram misteriosamente? ― Observei com diversão seu olhar chocado.
― Quem é você, garota?
― Você paga uma fortuna anual para a “empresa” que eu trabalhava para manter tudo em ordem. ― Lhe dei uma piscadela amistosa, fazendo sinal de aspas com os dedos. Ele abriu a boca parecendo entender aos poucos o que eu havia dito. ― 3, 2, 1...
― Você é da Liga dos Assassinos? ― Seus olhos assumiram um medo que eu já conhecia bem, de tanto ver em muitos rostos todos esses anos, enquanto já olhava ao redor em busca do segurança, o estranho Drakon, outro que eu já havia abatido minutos antes de fazer meu desfile particular na beira da piscina.
― Era, passado, bye bye. Você não estava me escutando? ― questionei chateada, estalando os dedos na cara dele para que voltasse a atenção para mim. ― A coisa é, estou tentando passar um recado aqui para meu ex chefe, não é nada pessoal. Você fornece muito dinheiro para as ações da Liga, quero cortar isso.
― Se não é pessoal, podemos conversar. Eu tenho muitos recursos, e...
― Ok, você tornou um pouco pessoal quando tentou colocar a mão dentro da minha calcinha. Tome isso como uma lição de vida, Adam.
Fiquei em pé rapidamente, posicionando minhas mãos ao lado da cabeça dele e torcendo bruscamente, ouvindo o pescoço quebrar no segundo seguinte. Aquela era uma das últimas técnicas que aprendi, meu treinador insistiu que eu soubesse, disse que era bem útil quando não se tinha onde esconder uma arma. E acabou sendo.
Enquanto o corpo caía morto de volta à água, saltei para fora, correndo na beira da piscina de volta para dentro do hotel, um verdadeiro alvoroço se formando nas minhas costas, um ou outro tiro sendo disparado.
Consultei o relógio que ficava na parede de entrada. Pelos meus cálculos, eu tinha dois minutos para estar na praia e sair dali antes que...
― Parada, mãos onde eu possa ver! ― O barulho da arma sendo destravada logo atrás de mim fez conjunto ao som das botas freando a corrida e a voz tão familiar que me fez rir, mesmo não estando nem de longe feliz. ― Não se vire, deite-se no chão devagar.
― Você sempre teve fascínio pela minha bunda, não é, Oliver? ― Mantive minhas mãos erguidas, mas desobedeci sua ordem quando comecei a me virar lentamente para ficar frente a frente com ele, lhe dando meu melhor sorriso. ― É estranho te ver com roupas depois da última vez que nos vimos. Como vai o papai Ra’s?
Oliver sempre fora um homem excepcionalmente bonito, mas o uniforme da Liga não fazia jus ao seu modelito apaisana de verão. A camiseta cinza que deixava seus músculos à mostra, mais a calça jeans justa, quase o deixava como uma pessoa comum, não o assassino com algumas dezenas de mortes nas costas.
― Felicity... ― Meu nome saiu dos lábios dele como uma ameaça, o cano da Glock apontado diretamente para minha cabeça, os olhos azuis cintilando alguma emoção que não consegui identificar.
― Sabe de uma coisa? Não achei que chegaria aqui tão rápido quando Curtis conseguisse me encontrar nas câmeras. Nota mental: nunca mais subestimar Oliver Queen.
― Felicity, eu não sei que jogo acha que está fazendo, mas apenas pare. Eu já te achei e não quero te machucar, mas você sabe que, se for preciso, eu vou. ― Minha gargalhada pareceu enfurecer Oliver, que até o momento tentava ao máximo manter a calma.
― Só eu acho fofo o fato de vocês acharem que me encontraram? Eu criei o sistema de segurança de vocês, acha mesmo que eu, logo eu, seria pega por ele? ― Tirei os óculos e a peruca morena da cabeça, deixando meus cabelos loiros livres. ― Me poupe, Ollie, você já foi mais inteligente. Nota mental: pode voltar a subestimar Oliver Queen à vontade! ― eu estava tagarelando apenas com o objetivo de distraí-lo do meu próximo movimento, quando quebrei um galho de uma das plantas que ficavam ali pelo corredor, apontando em sua direção.
― Um galho? Esse é seu grande plano para fugir da minha mira, bonequinha? ― grunhi. Esse apelido não!
― Não é só um galho. Acho que foi você que me ensinou que, dependendo das mãos do arqueiro, qualquer galho vira...
―...uma flecha ― ele completou quando avancei em sua direção e o atingi com minha arma improvisada no ombro, um pouco acima da clavícula, fazendo-o soltar um grito de dor e cair de joelhos no chão, largando a pistola, sua camiseta sendo manchada de sangue.
― Eu fico com isso. ― Peguei sua arma do chão e apontei para ele. ― Até ficaria e colocaria o assunto em dia com você, mas minha carona está indo. ― Corri, q quando já estava quase saindo da vista dele, resolvi parar. Ra’s merecia saber que eu havia abatido seu melhor homem, e que muito mais estava por vir. ― Só uma última coisinha: diga ao Ra’s que hoje é o início do fim da Liga!
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