Assassinatos Na Mansão De Fiske Cahill
3 O dragão
Notas iniciais
Espero que gostem...
--- Mãe! --- chamou Jonah Wizard, mesmo sabendo que não obteria resposta alguma. Lágrimas escorriam pelo rosto do garoto --- Mãe... Vamos lá, mãe... Você não pode estar... --- ele ajoelhou-se ao lado de Cora, com os olhos ainda mais encharcados de lágrimas. Mas a mulher jazia no chão, sem demonstrar sinal de vida algum. Seu coração não pulsava. A respiração era totalmente inexistente. E os lábios... estavam tão roxos quanto os de Natalie.
Broderick, com os olhos arregalados, ajoelhou-se ao lado do filho. Fazia extremo esforço para segurar as lágrimas, pois não queria que todos o vissem chorando igual a um bebezinho. Isso o faria parecer fraco. Mas aquilo tudo estava doendo em sua alma. Mesmo que Cora fosse incrivelmente insuportável às vezes, ele a amava.
O restante das pessoas se entreolhava, todos extremamente assustados. Mais um assassinato. Já eram dois.
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Todos se recolheram para seus aposentos, sem dizer muita coisa. Estavam todos abalados demais. Ou pelo menos pareciam abalados, pois de uma coisa todos tinham certeza: alguém ali estava fingindo.
O corpo de Cora fora colocado na sala, coberto por um fino lençol. Ao contrário de Ian, Jonah preferiu evitar olhar para o corpo de sua mãe, subindo para seu quarto, onde chorou até suas lágrimas secarem.
Amy também fora para o quarto, onde ficara refletindo sobre os sinistros acontecimentos que vinham ocorrendo.
Depois de algumas horas ali, imersa em seus pensamentos, ela ouviu batidas na porta. Foi até lá abrir.
Dan encontrava-se parado em frente à porta.
--- Amy, preciso falar com você --- disse ele.
--- Entra ai --- disse Amy, dando espaço para que o irmão passasse.
--- Isso é muito sinistro! --- exclamou o garoto --- Não sei se você reparou, Amy, mas... --- ele baixou o tom de voz --- As mortes têm algo em comum...
--- Como assim? --- perguntou Amy meio confusa.
--- Não notou os lábios de Natalie? Estavam roxos, como se estivesse sido asfixiada.
--- Sim, e daí?
--- E daí que os de Cora encontravam-se do mesmo jeito depois que ela bebeu o suco e caiu dura no chão.
--- Tem razão --- os olhos de Amy se iluminaram --- Isso significa que o veneno que estava no batom, era o mesmo do que estava no suco de Cora... Ou pelo menos produz o mesmo efeito... E ainda há aquelas letras, o que será que elas significam?
--- Não faço ideia --- respondeu Dan --- Mas de uma coisa eu tenho certeza: O formato das letras simboliza o símbolo do clã da pessoa que morreu.
--- Sim, também reparei nisso.
--- No início, pensei que o “S” a letra inicial do nome de alguma pessoa da casa, o que me fez desconfiar de Sinead e dos Starling... Mas depois veio a morte de Cora... Aquele “O” no vidro de adoçante...
Amy assentiu pensativa.
--- Talvez isso não tenha nada a ver --- disse ela --- Refiro-me ao “O”... Ainda desconfio de Sinead, ou de algum dos Starling.
--- Mas Amy, será que seriam tão frios a esse ponto? --- perguntou Dan --- Sabe, a ponto de... matar...
--- Eles são Cahill. Não tem piedade --- ela baixou a cabeça --- E logo agora que pensei que viveríamos em paz...
Dan sentou-se na cama ao lado da irmã e, instintivamente, a abraçou. Assim ficaram durante alguns minutos, sem dizer nada, apenas sentindo o sol se por na janela atrás si. Até que ouviram um grito estridente.
--- O que foi isso? --- perguntou Amy com os olhos arregalados.
--- Veio de lá de baixo --- afirmou Dan abrindo a porta do quarto, estava tão assustado quanto à irmã. Aquele grito só poderia significar uma coisa. Mais uma vítima.
Os dois irmãos desceram rapidamente as escadas e correram para a cozinha, de onde tinha vindo o grito.
Todos estavam amontoados em cima de um corpo atirado no chão. O corpo de uma garota. Sinead.
--- Si... --- lamentou-se Ned, debruçado ao lado do corpo da irmã.
--- O que aconteceu, Ned? --- perguntou Ted, sem tomar consciência da situação devido a sua deficiência visual --- Sinto cheiro de... Veneno.
Ignorando a pergunta do irmão, Ned apanhou a seringa que se encontrava atirada ao lado do corpo de Sinead. Levou-a para perto de seu nariz e então concluiu:
--- Sim Ted, veneno.
--- Deixei-me ver essa seringa --- pediu Fiske.
Ned entregou o instrumento para o anfitrião, e este a cheirou de longe.
--- O cheiro é idêntico ao veneno que se encontrava no batom de Natalie e no suco de Cora --- afirmou.
Na ponta da seringa, havia o desenho de um pequeno dragão cuspindo fogo. As chamas que saiam da boca do animal contorciam-se no formato da letra “T”.
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