Assassina De Aluguel
4 Capítulo 4 - Missão Vaticano
Notas iniciais
Fui acordada com batidas no vidro de meu carro. Tirei os fones e vi Marlon na janela. Baixei o vidro e falei:
-Entra.
Marlon fez a volta no carro e disse entrando:
- O avião ta te esperando.
- Valeu. Ainda bem que eu tenho você.
- É?
- Sim, você é meu melhor amigo lembra?
- Melhor amigo? Hum... Entendo
- O que foi? Você não gosta de mim?
- Amo...
- O quê? — perguntei apavorada
- Gosto... Gosto...
- Bom, vamos parar com esse papo. Tenho que ir agora.
Quando eu estava saindo do carro, Marlon me segurou e me beijou. Tentei me libertar dos seus braços, mas o que eu sentia por ele era mais forte. Segundos. Apenas segundos me fizeram pensar no que aconteceria com ele, se eu continuasse a gostar de Marlon. Afastei-me dele e disse:
- Não, eu não posso... Desculpa Marlon...
Sai do carro. Marlon veio atrás. Ele chegou ao meu lado e perguntou:
- Jullie, eu te conheço há três anos. Você sempre diz que seu trabalho é chato. Que você o faz por ter que fazer. Caramba, você sempre diz que vai me contar no que trabalha, mas no fim, você consegue me enrolar. Você não confia mim?
- Não é isso Marlon, mas não quero sua vida em risco. Tenta entender.
- Mas não dá. Eu quero, mas ta difícil. E que se dane a minha vida.
- Tá. Você ganhou, eu vou dizer. Mas vou contar quando eu chegar ao Vaticano.
- Serio? Não vai ser como da ultima vez, que você me trancou no banheiro do hotel, né?
- Não. Mas vamos, tenho que chegar rápido lá.
- Tá. Quer ajuda pra pegar as malas?
- Aham, elas tão no porta-malas.
(TRILHA: Avenged_Sevenfold_-_Beast_and_the_Harlot)
Marlon me deu um beijo na testa e foi ate o carro. Eu fiquei toda sem jeito. Peguei minhas coisas no carro e fomos para o pequeno avião. Ele guardou tudo e olhando pra mim, ligou a aeronave e foi em direção ao Vaticano. A viagem foi muito longa. Conversamos pouco. Depois do beijo, e da pequena conversa, a gente mudou um com o outro. Quando chegamos passei por muitos lugares, mas nada me chamava à atenção. A minha missão era chegar à Capela Sistina. Eu estava como uma turista, mas eu sabia falar italiano fluentemente, diferente que Marlon, que muitas vezes pedia para eu traduzir o que a gente conversava. Caminhei bastante, eu estava com uma mochila cheia de armas, e Marlon com a dele cheia de comida e água. Ao vermos uma capela, perguntei para uma mulher que passava:
- Ciao, vorrei dirmi dove si trova la Cappella Sistina. (Oi, gostaria que me falasse para onde fica a Capela Sistina.)
- Certo. È più avanti. La Cappella è aperta oggi. Padre Ismael era lì. (Claro. Fica mais a frente. A Capela esta aberta agora. O Padre Ismael estava lá.)
- Grazie! (Obrigado!)
(TRILHA: Original Soundtrack III — 04. Near no Theme).
A mulher continuou seu caminho. Eu e Marlon continuamos a caminhar. Demorou alguns minutos até vermos a Capela Sistina. Chegando à porta da Capela, percebi que tinha pessoas no confessionário. Tinha uma pequena placa, em varias línguas, mas estava escrita a mesma coisa "Padre Ismael, atendendo hoje, apenas a tarde". Fui para um canto da Capela, me agachei, e peguei minhas facas. Coloquei-as na cintura e disse para Marlon:
- Saia daqui.
- Não. Essa é a hora de você me contar a verdade, lembra?
- Não. Agora não.
- Você vai me enganar de novo?
- Eu sou uma assassina de aluguel, e a minha missão é matar aquele padre. Então, caia fora daqui. Isso vai acabar em sangue.
- Não pode ser. Você mata? Jullie, você é uma ASSASSINA????? — ele começou a andar para os lados, com as mãos na cabeça: — não pode ser eu gostava da Paula e ela era lesbica. Depois da Luiza, ela era casada, e agora de você. E você é uma assassina. Ai meu Deus, por quê? Por quê?? Ai, Dio Mio.
- Quer calar a boca? — fiquei de pé e continuei: — Marlon, eu não mato qualquer pessoa, eu tenho missões, se eu não os matar, eu morro. Eu não tenho saída. Agora vá para o hotel, eu chego daqui a pouco.
Virei-me para ir para o lugar onde ficavam os concessionários, quando novamente Marlon me puxou e antes de me beijar disse:
- Nem se você fosse a pior pessoa do mundo vou te deixar. Tenta voltar para o hotel, ta?
- Tá.
Ele me beijou e saiu dali. (TRILHA: kyrie) Caminhei devagar ate o altar, fiz o sinal da cruz e entrei naquele lugar pequeno, me ajoelhei e disse (na minha língua):
- Padre eu pequei...
- Deus ira te perdoar minha filha. Quais foram os teus pecados??
- Eu matei muitas pessoas...
- Não importa minha filha, ele ira te perdoar.
- Padre, gostaria de ver seu rosto...
- Tudo bem.
O padreco então saiu do confessionário, assim como eu. Ficamos frente a frente. Eu estava com as mãos para trás, a esquerda segurava uma faca de dois gumes, e a direita uma Ponto 40. Então perguntei:
- Você é o Ismael Peticoviti?
- Sim. Quem é você?
- Sou Jullie, a filha do casal que você mandou matar a alguns anos, lembra?
- Jullie Steffans? — disse ele frio
- Você lembra-se de mim? Ual... Ainda lembra os gritos da minha mãe pedindo por piedade? Ou do meu pai por socorro? Ou do meu irmão, gritando por mim??? Você ainda lembra?? — gritei a ultima frase
- Como se fosse ontem. Lembro-me do que fizeram com a sua mãe...
- Filho da mãe...
- E de um pai também. Aquela era a minha missão.
- Estuprar a minha mãe? Que bela missão... Seu desgraço, cretino...
- Respeite, aqui é a casa do Senhor.
- Você disse que ele perdoa todos os tipos de pecados não é?
- Sim...
- Ainda bem!
Apenas com um golpe da minha faca, fiz com que a cabeça de Ismael ficasse a mais de 3 metros de seu corpo. Limpei minha faca em sua roupa e fui para a porta. Chegando à entrada fiz o sinal da cruz e fui embora. Caminhei muito ate chegar ao hotel. Entrei na quarto, e Marlon estava sentado na cama. A gente se olhou e ele perguntou:
- Como foi?
- Ele admitiu, ter matado a minha família. De ter usado a minha mãe... Ele, ele, disse...
Marlon me abraçou, e eu comecei a chorar de raiva. Marlon trancou a porta e disse:
- Olha, se você contar o que aconteceu, eu posso te ajudar.
- Isso, é preciso?
- Se quiser a minha ajuda...
Sentamos na cama. Marlon colocou seu braço em volta de meu corpo, e eu séria comecei a falar:
- Há alguns anos atrás, meus pais estavam em casa. Naquele dia não tinha aula. Eu e meu irmão estávamos olhando TV, quando minha mãe me chama para ajudar ela na trabalho de casa, ela era costureira. Fiquei alguns minutos ali, ate chegar o batalhão. Eles estavam todos de preto, seus olhos eu não conseguia ver. Eles chegaram atirando. Meus pais eles levaram para o 1º andar e eu e meu irmão para um carro. Separados. Ate hoje não sei se o Johnny esta vivo ou não. Com isso, a família do Brendon me criou, e me transformou no que eu sou agora. Eu matei mais de 60 pessoas ate hoje, e eu não sei por quê. Ele apenas fala algumas informações, e o resto é com a gente.
- E se você quiser parar com isso tudo?
- Vou ser caçada ate a morte.
- Isso nunca.
- O que?
- Se eles quiserem matar você, terão que me matar primeiro.
- Marlon, não se meta nisso. Não quero que você acabe como eles...
- Hey, calma, sei como ajudar, sem ser visto.
- Como?
- Deixa pra mim...
De repente meu celular toca. Eu e Marlon nos olhamos. Coloquei a mão no bolso, e vendo que era Carlos, atendi dizendo:
- Oi?
- Oi? Só isso que você tem pra me dizer?
- Sim. Não tenho que dar explicação a você.
- Tudo bem, quando chegar, vamos ter uma conversa.
Desligamos. Marlon não entendendo nada pergunta:
- Quem era?
- O Carlos. Ele que me ajudou contra a Brendon, e que me abrigou.
- Você não deveria falar assim com ele.
- Ah, você ta do lado dele? — cruzei os braços
- Não. — disse ele sem jeito
Fiquei seria esperando a reação de Marlon. De repente ele começou a fazer cócegas, e eu comecei a rir sem parar. Ele parou e eu disse:
- Nunca me imaginei assim!
- Assim? Assim como?
- Feliz.
- Por mim, você sempre será feliz.
- Cala a boca.
- Serio eu to dizendo a verdade.
Comecei a rir. Marlon então pergunta:
- E agora, o que a gente vai fazer? Ou o que você vai fazer?
- Bom, eu vou voltar para a casa do Carlos, e ver o que ele quer me contar. Mas eu to achando que eu sei o que vai ser...
- Como assim Jullie?
- Eu ouvi o Miguel, a Débora e a Bruna falarem que o Carlos estava com medo de me contar uma coisa, que talvez eu não aceitasse.
- Tipo o que?
- Sei lá, acho que é o verdadeiro motivo do Brendon matar a minha família, ou...
- Ou?
- Ele ser alguma coisa minha. Tipo família, entende?
- Sei!
Marlon olha no relógio e diz:
- Caramba, já 21 horas. Que tal a gente dormir? Amanha de manha a gente vai embora, pode ser?
- Claro. Eu vou tomar um banho e já volto.
Antes de sair, eu dei um beijo nele e disse:
- Valeu.
Eu saio da cama, e fui ate a minha mala e peguei algumas roupas e fui para o banho. Alguns minutos depois, eu saio do banheiro secando meu cabelo e vi uma cama feita no chão, e Marlon deitado nela. Encostei-me na porta e pensei nele quando a gente tinha se conhecido. Aquele cara que dava em cima de todas as garotas. Eu era a amiga que ele nunca queria ficar ou namorar. Ele era o menino que todas sonhavam. No dia que a gente ficou pela primeira vez, eu tinha trancado ele dentro de um banheiro de hotel. Ele queria me seguir em uma missão. Ele conseguiu me derrubar e me beijar. Fiquei louca com ele. Então não falei com ele por 3 anos. Ele ainda estava acordado. Ele sentou na sua cama improvisada e disse coçando a cabeça:
- Olha só, tomara que não se importe, é que eu ronco, hehe...
- Há, há, há, eu to acostuma com coisas piores.
- Valeu... Hã, boa noite.
- Igualmente.
Eu larguei as toalhas na cadeira, e deitei ao lado de Marlon. Ele olhou pra mim, e mesmo sem entender, colocou o braço em volta do meu pescoço e perguntou:
- Por quê?
- Você me prometeu me fazer feliz, lembra?
- Claro.
Era tão bom me sentir segura. Aquela noite foi a primeira que me senti como uma mulher normal. Eu não sentia medo. Fechei os olhos e dormi.
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