Notas iniciais
*tosse* essa fic faz parte de um desafio da Hana (lj dela: hana-dix). Pescamos 17 palavras no dicionário. 8D Pessoa sem ter o que fazer é realmente um problema 8D

Assíduo = contínuo, freqüente, aplicado em algum exercício.


X X X


O loiro jogou a cabeça para trás, um gemido um pouco mais alto escapando seus lábios, quando acertei mais uma vez sua próstata. Sorri, sentindo seu corpo arquear, ele se desfazer na minha mão mesmo, e logo depois meu corpo pediu por alívio, e senti preencher o loiro. Desabei sobre ele, cansado e extasiado. Respirei, tentando normalizar minha respiração, saindo de dentro do loiro e deitando-me ao seu lado.


Senti ele se aninhar conta meu corpo e fechei meus olhos, já sabendo que, quando acordasse, ele já não estaria mais ali. Porque Saga era assim... Inconstante, livre. Nada parecia capaz de prendê-lo. Nada nem ninguém.


X X X


Abri os olhos, sorrindo amargamente. Como previsto, Saga não estava mais lá. Levantei-me, indo em direção ao banheiro, tomando um bom banho. Havia sido assim há uns meses... O baixista aparecia, íamos pra cama, depois ele sumia, e era como se nada tivesse acontecido. Os ensaios se seguiam normalmente. Suspirei, saindo do banho sem me enxugar direito, penas enrolando uma toalha na cintura e indo pra cozinha. E quase morri de susto quando cheguei lá.


- Saga?


O baixista se virou sorrindo, desviando o olhar da caneca de café.


- Eu... espero que não se importe.


Neguei com a cabeça, meio abobalhado ainda.


- Não, de forma alguma, é só que... deixa pra lá.


Contornei o balcão da cozinha onde o loiro estava apoiado, indo pegar uma caneca de café pra mim, e esperava que ele estivesse bem forte. Nunca, durante os dois meses de idas freqüentes ao meu apartamento, ele havia ficado. Me encostei na pia, bebericando o café, enquanto um silêncio estranho pairava sobre nós. Eu sentia o olhar dele sobre mim, aquele mesmo olhar de messes antes de tudo isso começar. Aquele olhar que poderia me engolir. Contornou o balcão, deixando sua caneca dentro da pia, parando do meu lado.


- Eu... já vou indo... vê se não se atrasa pro ensaio.


Assenti com a cabeça, e ele se afastou. A certeza de que ele havia ido se deu com o som da porta sendo fechada. Aquilo era estranho, atípico de Saga. Não costumava se demorar muito em qualquer lugar que fosse. Na vida de qualquer um. Acho que nós, da banda, havíamos sido premiados. Parecia ser a única coisa que o prendia por perto, e eu que não iria reclamar.


X X X


Respirei fundo, contendo a minha irritação. Já era a quinta vez que passávamos o mesmo trecho, que Saga errava pela quinta vez. O loiro fez sinal de pedir um tempo, e o vi saindo até uma ante-sala logo ao lado. Shou fez menção de segui-lo, mas eu fui mais rápido.


- Saga? Tudo bem?


Ele estava sentado no sofá, o olhar fixo em algum ponto do chão. Não havia acendido as luzes e eu também não o fiz, sabendo que ele não gostava de muita claridade. Como não recebi resposta, fui caminhando lentamente até sentar ao seu lado.


- Saga?


Ele suspirou, e eu me assustei. Ele não era do tipo que suspirava.


- Não, Tora. Não está tudo bem. Mas acho que... vai ficar. Eu espero que fique.


Sorri, incerto se aquilo era uma boa resposta ou não. Depois passei minha mão pelos seus cabelos claros, bagunçando-os.


- Sabe que se precisar de ajuda, eu estou aqui, não sabe? – ele afirmou com a cabeça, sorrindo. – Afinal eu sou... seu... amigo?


Ele riu, aquela risada limpa que eu tanto gostava.


- Com algumas vantagens a mais.


Baguncei seus cabelos mais uma vez, um aperto estranho se formando no meu peito.


X X X


- Você deveria conversar com ele, Tora.


Encarei Nao, uma sobrancelha erguida. Eu precisava falar com alguém, e ninguém mais indicado do que Nao. Não sei, mas ele me parecia ser o tipo de pessoa boa para dar conselhos. Então, nós nos encontrávamos num café próximo a casa dele, conversando.


- E eu ia dizer o quê, Nao?


- Ahn... o que você sente por ele?


Imediatamente engasguei com o café que ia começar a beber.


- Como assim, Nao?


Ele começou a rir do meu engasgo, depois prosseguiu.


- Tora, só existe um único motivo pra você estar se incomodando com... essa situação. Deixou de ser uma brincadeira pra você, simplesmente. E nem adianta protestar que não – ele disse quando eu fiz menção de interrompê-lo. -, eu tenho essa cara de distraído mas posso ser mais observador do que você pensa.


Suspirei, sentindo-me sem argumentos.


- Mas eu ainda não sei o que eu sinto por ele, Nao. Também não sei o que ele sente por mim.


Ele suspirou, uma leve irritação transparecendo.


- Isso é uma coisa que você mesmo tem que perceber, Tora. Como se não estivesse óbvio. E quanto ao Saga, eu diria que você se preocupa à toa. Tudo bem que Saga não é do tipo que se apegue fácil a alguma coisa. Então não é de se admirar que ele esteja tão confuso.


Franzi o cenho.


- Nao, você ta realmente me assustando. Da onde vem esse poder de observação?


Ele riu, ruborizando um pouco.


- É que na maior parte do tempo eu sou distraído, mas eu costumo prestar bastante atenção nas pessoas ao meu redor, sabe? É quase... um hábito.

Eu sorri de canto, sacana.


- E suponho que esta seja uma das coisas que encantou o baterista do Gazette?


Ele me lançou um olhar nem um pouco amigável, corando adoravelmente enquanto eu apenas ria.


X X X


Por uma semana, ele não apareceu. Estranhei o fato, e confesso que fiquei até um pouco chateado. Eu já havia me acostumado em abrir a porta quase toda noite e encontrá-lo lá, sorrindo. Mas pelo menos eu tinha tirado aquela semana pra pensar nas coisas que Nao havia dito. Seria hipocrisia da minha parte dizer que eu não sentia algo por Saga. Eu não sabia exatamente o quê...


Havia também o temperamento de Saga em jogo. O loiro era bem temperamental, um espírito livre. Parecia quase impossível imaginá-lo num relacionamento, com um homem ou com uma mulher. Ou sei lá. É impossível dizer com certeza o que se passa na cabeça de outra pessoa, que dirá do baixista.


Ouvi batidas apressadas na porta, e fui abrir sem muita pressa. Nem bem abri a porta e alguém se jogou nos meus braços, tremendo. Após alguns segundos de susto, retribui o abraço, acariciando os fios loiros.


- Saga? Aconteceu alguma coisa?


Ele assentiu com a cabeça, ainda tremendo, me abraçando forte como nunca tinha feito antes. Puxei-o para dentro do apartamento, fechando a porta. Depois levei-o até o sofá, fazendo ele se sentar, desfazendo o abraço. Que logo depois senti falta. Ele me olhava, um olhar estranho que eu ainda não tinha visto em seus olhos.


- Eu... eu tava vindo pra cá... aí... um carro me ultrapassou e... quando chegou na esquina, acertou um motoqueiro em cheio. E... ele morreu.


Ergui as duas sobrancelhas, um tanto confuso. Sim, pessoas morriam, e ver um acidente desses bem na sua frente não deve ser nada agradável. Mas... eu não entendia esse abalo todo dele. Digo... não todo esse abalo.


- Eu vim pra cá pensando um monte de coisas... – ele continuou e eu apenas ouvi. – e pensando nas coisas que o Nao me disse...


- Ah. – eu sorri, o interrompendo – Não é bom ficar pensando nas coisas que o Nao diz por muito tempo. Acaba com a sua sanidade, palavra de experiência.


Ele sorriu, ainda nervoso.


- É, eu percebi. – mordeu o lábio, incerto, e meus olhos acompanharam o movimento. – Tora...


- Hm?


E no instante seguinte ele colava nossos lábios, sua língua pedindo passagem sem nenhuma delicadeza, suas mãos segurando meu rosto. E toda aquela... urgência me era desconhecida. Mas eu não iria reclamar de forma alguma. Mas eu sabia o que vinha depois disso. Iríamos para o meu quarto, transaríamos, depois ele sairia pela mesma porta que entrou, como se nada tivesse acontecido.


Me surpreendendo mais uma vez, ele cortou o beijo, me abraçando, sem malícias ou segundas intenções. Era como se ele estivesse buscando... segurança. E eu estava entrando em pânico. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele começou a falar, sem olhar pra mim.


- Sabe Tora... O cara que morreu não era assim tão mais velho que eu. Era quase da minha idade... Aí eu fiquei pensando... O que será que ele deixou pra trás? Digo... Olha pra mim... Eu tenho a minha música... e o que mais?


Suspirei, pego de surpresa pelas suas perguntas.


- Você tem quatro amigos que gostam muito de você e se importam muito com você.


Ele apertou mais abraço.


- Eu tenho você.


Fechei os olhos, tentando ignorar a felicidade estúpida que surgiu do nada no meu peito. Meus dedos afagavam suas costas e seus cabelos.


- Sim, Saga, você tem a mim.


- E você nunca me pediu nada em troca.


Franzi o cenho, sem entender direito o que ele queria dizer.


- Como assim, Saga?


Ele suspirou pesadamente, guardando alguns segundos de silêncio para organizar seus pensamentos.


- Eu venho, pego o que quero, e vou embora. E você não tem nada em troca.


Continuei sem entender o motivo daquilo.


- Saga, pode ser mais direto?


Ele se encolheu nos meus braços, olhando pra qualquer lugar menos pra mim.


- Eu estou confuso, não sei lidar com isso. Eu tenho medo de lidar com isso, de me arrepender depois... por isso que eu nunca me apego a algo... ou alguém.


Ele ficou em silêncio, e eu também. Aquelas palavras poderiam significar muita coisa, mas eu não queria me iludir. Eu, assim como ele e os outros seis bilhões de seres humanos na Terra, tenho medo de me machucar. De ir alto com um sonho despencar com a realidade.


- Você me ensina, Tora?


- O quê, Saga?


- Você me ensina... a lidar com os meus
sentimentos por você?


Minhas mãos se fecharam em sua camisa. Tive que usar todo o meu autocontrole para não começar a gargalhar de felicidade, ir até a sacada e gritar coisas incoerentes. Coisas essas que já começavam a fazer sentido pra mim. Sorri, me controlando. Mas eu precisava ter certeza primeiro.


- Tem certeza... de que você não está confuso, Saga? Encantado, talvez?


Ele sorriu, ainda encarando o carpete.


- Eu passei essa fase a um mês, Tora.


Eu ri, um calor muito bom se espalhando pelo meu corpo. Segurei seu queixo, fazendo com que ele finalmente olhasse pra mim.


- Você tem certeza do que ta me pedindo, Saga?


Ele não assentiu, nem disse uma única palavra. Apenas me beijou, calmo, e eu diria que até doce. E... eu sentia que poderia sair flutuando. Valia a pena tentar, se esforçar. Talvez não desse certo, talvez desse... eu estava disposto a tentar.


Fim

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