Ascensão Infernal
16 Recomeço
Notas iniciais
Eram aproximadamente dez horas da manhã, Mia tinha acabado de voltar para o quarto, depois de tomar um banho e vestir um roupão, e, neste momento, ela abria o guarda-roupa, a fim de procurar algo para vestir.
Castiel ainda estava na cama e riu quando uma generosa pilha de roupas mal dobradas e amassadas despencou sobre a caçadora e se amontoou aos seus pés.
Depois de respirar fundo e fechar os olhos por um instante, visivelmente irritada com o incidente, Mia se abaixou e começou a jogar as peças de volta no guarda-roupa, enquanto resmungava indignada:
— Quatro meses. Quase cinco! Eu passei um bom tempo fora e ninguém pensou em praticar uma boa ação? Em arrumar o meu guarda-roupa, por exemplo?
Ao se lembrar do período em que Mia esteve fora, Castiel desmanchou o sorriso e foi ficando cada vez mais sério. Triste, na verdade. Por mais que a garota finalmente tivesse voltado para ele, era impossível esquecer aqueles longos meses em que ela esteve longe. Ainda doía pensar nisso.
Sendo assim, o anjo resolveu explicar:
— Ninguém se sentia muito à vontade entrando neste quarto, Mia. Nem mesmo eu. Aliás, eu não entrava aqui desde que você... Você sabe... Foi embora.
Após refletir sobre o que tinha ouvido, a caçadora olhou na direção de Castiel e, sentindo-se culpada, lamentou:
— Desculpe, eu não devia ter dito isso, anjo. Eu só estava brincando.
— Eu sei, está tudo bem. — tranquilizou ele, antes de se levantar e se vestir em um piscar de olhos.
Ao presenciar a rápida mudança, de um anjo nu para um anjo vestido em questão de segundos, Mia observou a pilha de roupas amontoadas diante de si e protestou:
— Ah... Qual é? Isso não é justo!
Em seguida, enquanto ela continuava procurando algo para vestir e jogava outras peças dentro do guarda-roupa de qualquer jeito, Castiel se aproximou dizendo:
— Deixe eu te ajudar.
Antes que Mia entendesse o que Castiel quis dizer com aquilo, ela teve um leve sobressalto, já que todas as roupas simplesmente desapareceram diante dos seus olhos e as portas do guarda-roupa se fecharam na sequência.
Ao olhar para Castiel, ela entendeu prontamente que ele havia usado os seus poderes angelicais e sorriu agradecida, antes de se levantar.
— Vista isso. — o anjo orientou, lhe entregando uma calça e uma blusa que havia pegado antes de arrumar a bagunça. — Ou você prefere que eu mesmo vista em você? — propôs com um olhar sugestivo e um leve sorriso.
Depois de pegar as peças das mãos dele, Mia retribuiu o olhar com a mesma intensidade, sorriu de um jeito radiante, se aproximou de Castiel, lhe deu um beijo suave e carinhoso, e só então respondeu:
— Na verdade, eu prefiro que você me ajude a tirá-las mais tarde.
— Eu também prefiro. — concordou o anjo, sorrindo antes de receber outro beijo. Desta vez, mais demorado e envolvente.
Algum tempo depois, Mia finalmente se afastou dele, caminhou até a cama, tirou o roupão, revelando a lingerie que havia vestido no banheiro mesmo, logo depois do banho, e começou a vestir a calça.
Enquanto a observava fazendo isso, Castiel tentou manter o foco e recomeçou:
— Bem mais tarde, certo? Porque nós temos muito o que conversar, Mia. Não só nós dois, mas todos nós.
— Eu sei. — assentiu a garota, terminando de vestir a calça. — Eu sei que nós precisamos conversar, eu sei que eu tenho que me explicar, eu sei que vocês devem ter centenas de perguntas, eu sei que nós temos que impedir o Crowley de quebrar aquele maldito selo, eu sei de tudo isso, okay? Não se preocupe. — completou, antes de vestir a blusa. — Mas... Depois disso, eu quero matar a saudade de outros lugares do bunker. Com você, é claro. — disse, se reaproximando do anjo, passando os braços em volta do seu pescoço e lhe dando mais um beijo apaixonado. Momentos depois, ela se afastou um pouco e indagou: — Mas me conta. O que aconteceu por aqui na minha ausência? Alguma novidade?
Automaticamente, Castiel se lembrou da atual situação de Dean e Natalie. Porém, sem saber se era uma boa ideia abordar este assunto no momento, nem mesmo se devia contar ou deixar que Dean fizesse isso, o anjo desconversou:
— Sem novidades.
Depois de estreitar o olhar sobre ele, Mia afirmou intrigada:
— Você está mentindo.
Um tanto nervoso, já que estava convencido de que era melhor deixar Dean ou mesmo Natalie conversarem com Mia em um momento oportuno, Castiel mentiu mais uma vez:
— Não, eu não estou.
Mia mordeu o lábio inferior enquanto observava o anjo atentamente e com uma desconfiança ainda maior. Para ela, estava bem claro que ele não estava sendo sincero. Castiel sabia de alguma coisa. Alguma coisa que tinha acontecido durante os meses em que ela passou longe dali. E Mia queria muito saber o que era.
Sendo assim, ela intimou:
— Me conte o que aconteceu ou... Pode esquecer o nosso tour romântico de mais tarde.
— Como se você fosse conseguir esquecer. — rebateu Castiel, embora no fundo, tivesse ficado com medo de que Mia seguisse com aquela ameaça.
Embora também não soubesse se conseguiria mesmo dispensar o anjo daquela forma, Mia estava tomada pela curiosidade e, por isso, resolveu manter-se firme.
Sendo assim, ela empurrou Castiel, lentamente, na direção da cama, o fazendo se sentar. Depois disso, se acomodou no seu colo, o deixando visivelmente desconcertado, e enquanto mexia na lapela do sobretudo e sustentava o olhar do anjo, indagou:
— Você quer arriscar?
Castiel, obviamente, não queria. Não podia. E, por isso, resolveu abrir o jogo de uma vez. Afinal, de um jeito ou de outro, Mia ia ficar sabendo mesmo. Talvez seria até melhor que fosse através dele, certo?
XXX
Dean e Natalie tinham acordado há algum tempo, tomado seus respectivos banhos e, quando estavam a caminho da cozinha, acabaram se encontrando em um dos corredores do bunker.
Então, os dois se entreolharam por alguns instantes e, em seguida, disfarçaram o cansaço que sentiam, já que mal tinham conseguido pegar no sono naquela noite, pensando um no outro e resistindo a vontade de ir atrás do outro.
Logo depois, enquanto retomava o percurso ao lado da loira, Dean resolveu iniciar uma conversa:
— Bom dia, Sunshine. Dormiu bem?
Sem querer dar o braço a torcer, Natalie mentiu do jeito mais convincente que conseguiu:
— Muito bem. Como uma pedra, eu diria. E você?
— Como um bebê. — Dean resolveu mentir também, afinal era orgulhoso demais para admitir que quase não havia dormido e que, durante vários momentos da noite, pensou em bater na porta de Natalie. Bem como ela, que também havia pensado em procurá-lo, mas, com muita força de vontade e teimosia, conseguiu resistir à tentação.
— Que bom. — disse a loira na sequência.
— Ótimo. — retrucou Dean logo depois, com um mau humor palpável.
— Awesome! — disseram ao mesmo tempo, chegando na cozinha e indo cada um para um lado.
Sam, que estava sentado à mesa com Claire e Bobby, os três tomando o café da manhã, encarou o irmão e a loira e deixou escapar:
— Nossa... Vocês dormiram bem? Estão com umas caras péssimas.
— E com olheiras. — notou Claire, enquanto eles se acomodavam em extremidades opostas da mesa.
— Bom dia para vocês também. — ironizou o Winchester mais velho, se servindo de um pouco de café.
Natalie preferiu não dizer nada, mas acabou soltando um suspiro de irritação e fazendo um bico, o que levou Bobby a opinar:
— E pelo visto, estão de mau humor também.
Irritado e sem muita paciência, Dean ergueu a xícara com o café, apoiou o braço na mesa e questionou:
— Certo, alguém tem mais algum comentário a fazer ou eu posso tomar o meu café em paz?
Antes que Claire, Bobby ou Sam dissessem qualquer coisa, Mia adentrou a cozinha a passos largos, seguida por Castiel, parou diante da mesa, colocou as mãos na cintura e anunciou:
— Eu tenho. — e depois de pegar a xícara das mãos de Dean, sem qualquer cerimônia, e tomar um gole do café, ela se voltou para ele e para Natalie e questionou visivelmente insatisfeita: — Que história é essa de que vocês dois estão separados?
— Obrigado, Cas. — disse Dean com sarcasmo, olhando o anjo por sobre o ombro da garota, enquanto Natalie sentia-se profundamente desconfortável com a abordagem daquele maldito assunto. — E que bom que os coelhos finalmente saíram da toca. — desconversou.
— Eu fiz uma pergunta. — insistiu Mia, cruzando os braços contra o peito.
— Eu sei, eu ouvi. — replicou o Winchester mais velho. — E aqui vai a minha resposta: não é da sua conta.
— Dean. — repreendeu Castiel duramente, achando que o amigo tinha sido muito ríspido com Mia.
— Precisava ser tão grosso com ela, seu brutamontes? — criticou Natalie que, embora não quisesse ver a sua vida sendo discutida ali e naquelas circunstâncias, também não achava justo descarregar mágoas e frustrações em cima de Mia, que sempre ficou ao lado dela e de Dean.
Instantes depois, arrependido da grosseria e mais calmo, Dean resolveu dizer:
— Tudo bem, Mia, me desculpe. E por favor, não me leva a mal, mas isso realmente não é problema seu, okay?
— Como não é problema meu? — redarguiu ela inconformada. — A Natalie morreu porque o desgraçado do Crowley mandou um filho da mãe atrás de vocês para me pressionar. Ela morreu porque eu não me rendi antes. E você a afastou porque se sentiu culpado com o que aconteceu. — expôs firmemente e, sentindo um nó surgir em sua garganta, completou com certa dificuldade: — A questão é que você não teve culpa, Dean. Porque a culpa foi toda minha. A culpa, quase sempre, é minha. Então me diga, como vocês dois estarem separados não é problema meu?
Compadecido com o que ouviu, bem como todos na mesa, Castiel colocou a mão sobre o ombro da garota e afirmou:
— Mia, nada disso foi sua culpa. — mas, ao perceber que falou a palavra proibida e que isso deixou a garota desconcertada, o anjo engoliu em seco e desconversou: — Desculpe, eu só estava tentando ajudar.
— O Cas está certo, Mia. — opinou Sam, tentando manter o foco da conversa. — Independente de qualquer coisa, não foi você que tomou esta decisão. Foi o Dean.
— É, porque ele foi um grande idiota na época. Só para constar. — deixou escapar Natalie, com um resquício de mágoa no olhar.
Imediatamente, Dean voltou-se na direção dela e, com um dedo em riste, se defendeu:
— Você sabe muito bem que eu já reconheci o meu erro. Aliás, eu já perdi as contas de quantas vezes tentei me desculpar por isso. Agora, eu não tenho culpa se você foi orgulhosa demais para me dar uma segunda chance.
Imediatamente, Mia encarou a loira e questionou com revolta:
— Espera, você se recusou a dar uma segunda chance a ele? Depois de tudo de bom que vocês tiveram e que, com certeza, ainda sentem um pelo outro, você simplesmente disse não, Natalie Jones?
Depois de hesitar diante do olhar recriminador da garota, e percebendo que Sam, Claire, Bobby e Castiel também não a apoiavam neste ponto, Natalie tomou um pouco de suco e, visivelmente incomodada, se esquivou do assunto:
— Sabe de uma coisa? Isso realmente não é problema seu. Desculpe.
Depois de respirar fundo, tentando manter a calma, Mia terminou de tomar o café, bateu a xícara sobre a mesa, causando um sobressalto geral, olhou especificamente para Dean e Natalie e articulou duramente:
— Okay, eu só vou dizer isso uma vez, então me ouçam com atenção, crianças. Eu pirei e fiz coisas horríveis nos últimos meses. Coisas sobre as quais eu sempre vou me culpar. Então, eu agradeceria imensamente se vocês aliviassem pelo menos uma parte da culpa que eu sinto, parando com esta palhaçada e voltando de uma vez! — após uma breve pausa, encarando os dois, que estavam com os olhos um tanto arregalados diante de tanta fúria, Mia finalizou: — Vocês tem 24 horas para se entenderem. Ou então aguentem as consequências.
Em seguida, Mia se virou e deixou a cozinha para trás. Castiel a seguiu e tentou acalmá-la, enquanto Sam, Claire e Bobby observavam Dean e Natalie, que se entreolhavam um tanto confusos e ligeiramente assustados.
— O que será que ela quis dizer com aguentar as consequências? — perguntou-se o Winchester mais velho.
Claire, que até então tinha ficado em silêncio, resolveu se pronunciar:
— Eu acho que se vocês não voltarem por conta própria, a Mia vai usar o seu lado cupido até vocês não aguentarem mais e... Voltarem de qualquer jeito.
Ao ouvir isso, Natalie levantou rapidamente e, enquanto saía da cozinha apressada, disse:
— Esta é a minha deixa. Tchauzinho!
Dean a seguiu com o olhar, enquanto assimilava o que a cunhada havia dito, as coisas que Mia havia falado também e se via diante de um conflito interno. Ele sentia que precisava fazer alguma coisa, e logo, mas não tinha muita certeza se devia fazer.
Instantes depois, Bobby o encarou seriamente e aconselhou:
— Vai atrás dela, filho.
Após um segundo de hesitação, Dean finalmente se levantou e também deixou a cozinha. Alcançou Natalie em um dos corredores do bunker, segurou em seu braço, a fazendo parar e voltar-se na direção dele, e pediu:
— Espera.
— Eu tenho que ir, Dean. — esquivou-se a caçadora, tentando se soltar. — Você ouviu a Claire. A Mia não vai nos deixar em paz, enquanto... Enquanto... — incapaz de completar a frase, ela apenas disse: — Você sabe.
Depois de deixar o orgulho de lado e tomar uma importante decisão, Dean balbuciou:
— Não vai precisar chegar a este ponto. — mas, percebendo que a loira não estava entendendo nada, ele a puxou até uma pequena sala, dizendo: — Vem aqui.
Com medo de que o caçador forçasse uma situação, Natalie tentou se esquivar dele enquanto dizia:
— O quê? Não... Dean, não! — mas, como de nada adiantou e ele ainda trancou a porta depois que os dois entraram, Natalie recuou um pouco e ordenou impaciente: — Abre a porta. Isso não tem graça.
— Ei! Calma. — pediu Dean, erguendo as mãos na altura do peito. — Eu não vou te agarrar, eu só quero conversar, sem você ficar ameaçando ir embora a cada segundo.
— Nós já conversamos sobre tudo isso, lembra? — rebateu a caçadora ainda mais impaciente.
Enquanto se aproximava dela com cautela, Dean respondeu firmemente:
— Sim, eu lembro. Você falou, eu te ouvi, nós chegamos ao fundo do poço. Mas, agora é a hora de nós sairmos de lá, Naty. Você não acha?
Um tanto confusa com a postura do Winchester, a loira franziu o cenho e questionou:
— Do que você está falando?
Como resposta, Dean se encheu de coragem, se aproximou mais um pouco dela, segurou em seus ombros e, enquanto a fitava profundamente, desafiou:
— Olhe nos meus olhos e me diga que você não quer tentar de novo? Que não quer nos dar esta segunda chance?
Diante disso, Natalie começou a se fazer essas perguntas. Não superficialmente nem influenciada pelo orgulho, mas olhando sinceramente para aqueles olhos diante dela, para dentro de si mesma e se perguntando se aquilo era realmente o fim da linha ou se valia a pena tentar de novo.
Mais do que isso, Natalie passou a se perguntar até quando aguentaria ficar longe de Dean, até quando sofreria daquele jeito, até quando sentiria aquela saudade que doía tanto e se um dia seria capaz de deixar de amar aquele idiota.
Aos poucos, Natalie foi encontrando todas essas respostas. No fundo, ela já sabia todas elas há muito tempo. Sempre soube. E era algo que não se podia mudar, por mais que ela quisesse.
Sentindo que estava conseguindo fazer a loira repensar a situação deles, Dean a fitou de um jeito profundo e recomeçou:
— Viu? É disso que eu estou falando. — mas, percebendo que ainda era cedo para comemorar, pois Natalie ainda estava um pouco hesitante, ele segurou em seu rosto e argumentou: — Olha, não precisa ser como a Mia acha que tem que ser. Ela tem boas intenções, mas está errada. Eu sei que precisa de muito mais do que 24 horas para consertar as coisas entre nós. Então... Fique, Natalie, e eu prometo que farei o possível para consertar tudo isso. Desde que você também queira tentar, é claro. — após um longo momento de silêncio, aguardando que a caçadora finalmente se manifestasse, Dean deduziu o que ela estava pensando e completou: — Eu sei que quebrei a confiança que você tinha em mim, mas... Droga, Natalie, me deixe consertar isso também. Aos poucos. Com calma.
Fazendo um grande esforço, a loira se desvencilhou de Dean, recuou um pouco, dando alguns passos para trás e perguntou um tanto desconfiada:
— Defina aos poucos e com calma.
Após pensar por um momento, Dean propôs:
— Nós podemos recomeçar do zero. Como se nada disso tivesse acontecido. Nós podemos nos conhecer de novo, sair, caçar, namorar de novo... Algo assim. Aos poucos e com calma, sem nos preocupar onde isso vai dar exatamente.
Tentando achar algum defeito no plano do caçador, e assim convencer a si mesma de que aquilo era uma péssima ideia, que não ia dar certo e que, portanto, não valia a pena tentar, Natalie retrucou:
— Espera aí. Então primeiro você me odeia, depois se apaixona por mim, casa comigo, pede o divórcio e agora quer me namorar de novo? Que diabos...
— Não coloque as coisas desse jeito, você sabe muito bem o que eu quero dizer. — protestou Dean de um jeito firme, frustrando aquela tentativa de Natalie de distorcer o que ele estava propondo e desviar do assunto. — Eu quero o nosso casamento de volta, mas eu sei que não vou conseguir isso do dia para a noite, então eu só estou dizendo para nós irmos com calma. Será um recomeço. — esclareceu, enquanto se aproximava da caçadora que, desta vez, não recuou. — Mais uma vez, apenas se você quiser isso, Natalie. Eu não vou te obrigar a ficar aqui. A escolha é sua. Mas se você ficar... — depois de parar de falar por alguns segundos, ele lhe estendeu a mão e decidiu arriscar de uma vez: — Muito prazer. Dean Winchester.
Longos instantes se passaram, enquanto Natalie observava a mão estendida do caçador e voltava a se perguntar se ela conseguiria esquecer Dean e se valia a pena tentar de novo. No fim, a caçadora chegou às mesmas respostas de antes. Não, ela não conseguiria esquecer Dean. E, sim, valia a pena tentar de novo.
Desta forma, sentindo um alívio genuíno por finalmente ter deixado o orgulho de lado e enxergado o óbvio, a loira apertou a mão dele e se apresentou também:
— Natalie Jones. — enquanto sentia os dedos de Dean apertando os seus, ela arqueou levemente uma sobrancelha e, para não perder o costume, debochou: — E, só para constar, você é um idiota.
— E você é uma insuportável. — retorquiu o caçador com o mesmo tom de deboche usado por ela. — Mas eu te amo. — deixou escapar, enquanto a encarava com um olhar distraído e um sorriso quase imperceptível.
— Cala a boca... — resmungou Natalie, rindo um pouco e soltando a mão dele. — Você não pode falar que ama alguém que acabou de conhecer. É contra as regras... Jerk.
— Então... Eu posso beijar essa pessoa que acabei de conhecer? — questionou Dean sem se intimidar com a crítica, já que no fundo, ele sabia muito bem que a loira tinha ficado mexida com o que ele havia dito.
— Muito menos isso, engraçadinho. — cortou a caçadora, enquanto o Winchester se apoiava em uma mesa perto dos dois. — É contra as regras também. — esclareceu, antes de se posicionar ao lado dele e de costas para a tal mesa.
Depois de dar de ombros, Dean falou cheio de si:
— Tudo bem. Quem perde é você.
Após rir um pouco e observá-lo por alguns instantes, Natalie recomeçou de um jeito mais sério:
— Olha, se nós vamos mesmo fazer isso, eu preciso deixar uma coisa bem clara. — e quando percebeu que tinha toda a atenção dele, ela impôs: — Nada de apressar as coisas. Brincar nem pensar, entendeu?
— Por mim, tudo bem. — acatou Dean, fingindo indiferença.
— Sério? — indagou Natalie, estreitando o olhar na direção dele com certa incredulidade. No fundo, um pouco decepcionada por Dean ter aceitado aquela condição tão rápido.
— Sério, Baby. — reafirmou ele, se divertindo internamente com aquele jogo. — Foi como eu disse, é um recomeço. Sem segundas intenções por enquanto. Afinal, algo assim seria contra as regras, certo?
— Totalmente. — assentiu a loira, alimentando aquele jogo e começando a se divertir também.
Um longo momento de silêncio se passou, enquanto os dois se encaravam de um jeito constante, mútuo, inquestionavelmente apaixonado e cheio de saudade.
Até que Dean não conseguiu mais resistir e se moveu na direção de Natalie, se posicionando diante dela, apoiando as mãos na mesa, em volta do seu corpo trêmulo, e insinuando enquanto olhava para a sua boca:
— Quer saber?
— Que se danem as regras. — adivinhou a loira, passando os braços em volta do pescoço do caçador imediatamente e permitindo que ele a beijasse por fim. Mais do que isso, correspondendo à altura e de bom grado.
Então, os dois deixaram-se levar de vez pelo forte sentimento que tinham um pelo o outro, pela imensa saudade que sentiam e pelo desejo urgente de ficarem juntos, depois de toda aquela turbulência que quase os separou de vez.
Instantes depois, Natalie envolveu a nuca de Dean com carinho e volúpia, aprofundando mais o beijo, já desconcertante, enquanto ele a segurou pela cintura, tirou os pés da loira do chão e a fez sentar-se sobre a mesa com um movimento ágil e firme.
Instintivamente, a caçadora entrelaçou as pernas em volta da cintura de Dean e o abraçou calorosamente, enquanto suas bocas continuavam se explorando ardentemente e as mãos do caçador se emaranhavam nos cabelos da loira e em seu rosto.
Em dado momento, ao perceber que Dean tentava abrir os botões de sua blusa, Natalie interrompeu o beijo e questionou ofegante:
— Espera... Depois disso, nós vamos recomeçar do zero mesmo, certo? Sem segundas intenções desta vez? Aos poucos, com calma e sem violar as regras de novo? Certo... Sr. Awesome?
Atordoado pelo desejo que se multiplicou em seu corpo ao finalmente ouvir Natalie chamá-lo por aquele apelido de novo, e disposto a dizer qualquer coisa para não estragar aquele momento e o que estava prestes a acontecer, Dean respondeu:
— Sim, com certeza. Tudo o que você quiser, Baby.
Natalie sorriu satisfeita e então permitiu que ele retomasse o que havia começado, abrindo os botões de sua blusa e jogando a peça no chão logo depois.
Em seguida, foi a vez da loira ajudar Dean a se livrar da jaqueta e da camisa. Às pressas. Ambos afoitos e guiados por um desejo que crescia e os envolvia a cada instante, deixando seus corpos cada vez mais quentes e com vontade de brincar.
Talvez com medo de quebrar a mesa, os dois foram parar debaixo dela. Aos beijos e abraços. Intensos e calorosos, enquanto outras peças de roupas eram retiradas de qualquer jeito e se espalhavam pelo chão.
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