Ascensão Infernal

25 Enquanto você dormia - Parte final


Notas iniciais
Oi, gente! Desculpe a demora eheheheh O capítulo já estava pronto há uns dias, mas eu estava aguardando hoje para postar, pois uma leitora muito especial e diva completa primaveras hoje... Parabéns, QueenOfVampires!!!! Tudo de bom para ocê, muié! Felicidades mil e aceite este singelo presentinho eheheheheh Eu revisei o capítulo meio pra lá de Bagdá, então se tiver alguma coisa errada, me avisem por favor. E happy halloween a todos!!!

Assim que alcançou o lado externo da caverna e deu alguns passos pela ilha rochosa e arenosa em certos pontos, Sawyer viu vários demônios — alguns do seu exército, outros não — caídos pelo chão do lugar, com marcas de sangue em diferentes pontos dos corpos que possuíram. Mortos.

Isso o deixou profundamente irritado, em alerta, o fez olhar tudo em volta com mais atenção e logo entender o que estava acontecendo ali.

Sawyer diria que era uma batalha entre anjos e demônios, se estes não estivessem perdendo feio para os primeiros. Na verdade, aquilo estava mais para um massacre de demônios que foram pegos de surpresa ao acreditarem que apenas Sam e Dean Winchester tinham vindo para a ilha.

Caminhando pela ilha e observando mais atentamente a cena, Sawyer reconheceu um humano entre os anjos que lutavam e venciam os demônios com certa facilidade. Um senhor de meia idade que usava um boné surrado e esfaqueava mais um demônio naquele momento.

Sawyer já tinha ouvido falar de Bobby Singer e sua misteriosa ressurreição. E o demônio não teve a menor dúvida de que estava diante dele. Principalmente quando os seus olhares se cruzaram em meio ao caos.

A forma como o caçador o encarou de volta, com um ódio palpável — provavelmente por conta do feitiço lançado em Claire Singer — fez Sawyer estreitar o olhar em sua direção e sibilar ameaçadoramente:

— Você devia estar morto.

Já que o líder do exército finalmente tinha saído da toca, não havia mais necessidade de ser discreto. Por isso, Bobby pegou sua arma carregada de balas confeccionadas com base na faca da Ruby e passou a atirar aleatoriamente em qualquer demônio que surgisse em seu caminho, ao mesmo tempo em que jogava água benta em outros e avançava na direção de Sawyer pouco a pouco.

Sem se intimidar com aquilo e dando mais uma olhada no campo de batalha em torno de si, o demônio invocou num tom baixo de voz, mas que podia ser ouvido pelos outros como ele:

— Hora de saírem das sombras, amigos. E matarem alguns anjos intrometidos.

Quase no mesmo instante, uma espécie de nuvem de fumaça vermelha se ergueu ao longe, no horizonte do mar, e começou a se aproximar a toda velocidade daquela parte do arquipélago.

Crowley só queria usar todo o peso do exército se fosse necessário. Mas Sawyer sabia que, dadas aquelas circunstâncias, era preciso aumentar o contingente imediatamente. Por isso ele não esperou mais. Por isso chamou todo o exército para a guerra que se orquestrava ali.

Bobby hesitou ao ver a nuvem densa e vermelha se dividindo em várias fumaças menores e se aproximando da ilha, mas logo retomou a caminhada rumo a Sawyer, matando mais um demônio que surgiu em sua frente.

O líder do exército, por sua vez, esperou o caçador com um discreto e paciente sorriso no rosto, enquanto decidia como iria matá-lo.

Por fim, acabou optando por algo clássico, já que não tinha muito tempo a perder ali. Sendo assim, ele ergueu a mão direita no ar e se preparou para quebrar o pescoço de Bobby Singer com um simples gesto.

Mas, no último instante, um farfalhar de asas foi ouvido e Castiel se materializou entre eles, fazendo o caçador deter o passo a sua frente e reclamar:

— Balls!

— Eu cuido dele — garantiu o anjo, segurando sua espada manchada pelo sangue de alguns demônios que matou até chegar ali. E tocando o ombro de Bobby com a outra mão, reiterou o plano: — Sam e Dean precisam de você. Vá!

Sem esperar por um sinal de concordância, Castiel enviou o caçador para uma entrada alternativa da caverna, para que assim Bobby pudesse pegar os demônios que vigiavam os Winchester de surpresa e desprevenidos.

Bobby sentiu-se frustrado porque realmente queria matar Sawyer primeiro. Contudo, ele sabia que não teria muita chance contra aquele maldito. Somente a Colt poderia matá-lo. E Bobby não estava com a lendária arma naquele momento.

No fundo, o caçador havia se deixado levar por um momento de fraqueza, porque tudo o que ele queria era livrar a sua filha da ligação que ela tinha com o exército de demônios. Ligação que a mantinha presa aquele nocivo feitiço. Por isso ele não pensou direito. Mas agora precisava pensar e seguir com o planejado. Castiel estava certo afinal. Além disso, de um jeito ou de outro, Sawyer estava com os minutos contados.

Enquanto o caçador se preparava para adentrar a caverna e as fumaças vermelhas finalmente chegavam na ilha e se espalhavam por ela, Castiel se virou lentamente na direção de Sawyer e o encarou duramente.

O demônio, por sua vez, o mediu da cabeça aos pés sem se intimidar, depois o fitou de um jeito cínico e disse:

— Então, você é o famoso Castiel? O patético anjo de sobretudo apegado a essa raça igualmente patética. Em especial, a uma humana, pelo o que eu ouvi. Mia Clarke. Aquela bandida...

Sentindo o sangue ferver em seu receptáculo, Castiel deu um passo a frente, o suficiente para encostar a lâmina angelical no pescoço dele, mostrou seus verdadeiros olhos, num tom brilhante e meio azulado, e avisou seriamente:

— Não fale o nome dela.

— Por quê? — desafiou Sawyer, mostrando os seus olhos vermelhos por um instante também. — O que você vai fazer? Me matar? Desculpe, mas essa espada ridícula não é páreo para mim. Eu sou o demônio mais forte do exército. Exército que aliás está destroçando os seus coleguinhas nesse exato momento.

Dito isso, Castiel olhou para trás e seus olhos foram tomados pela batalha sangrenta que estava acontecendo ali. E ele detestava admitir, mas Sawyer estava certo, os anjos estavam perdendo. Eles tinham que cuidar dos demônios que já estavam na ilha antes, possuindo pessoas, e agora de demônios em sua forma de fumaça que se lançavam sobre eles sem piedade.

O placar havia virado. E não era a favor dos anjos.

O líder do exército aproveitou o momento de distração e empurrou o anjo com uma força descomunal, fazendo Castiel voar contra uma rocha a alguns metros e cair no chão em seguida.

Depois de se reerguer, o anjo fuzilou o demônio com um olhar mortal e revidou o golpe à altura, fazendo Sawyer ir de encontro a outra rocha.

XXX

Enquanto a batalha entre o bem e o mal acontecia lá fora, Bobby tinha entrado na caverna e, naquele momento, matava o último demônio que vigiava Sam e Dean até então.

Logo, eles estavam livres, mas ao se voltarem na direção de Brianna, perceberam que ela havia aproveitado a confusão para fugir. Ou tentar pelo menos.

Como tinham coisas mais urgentes para resolver lá fora, Bobby entregou uma arma para Sam, outra para Dean e os três saíram da caverna.

Em contrapartida, Crowley retornava a ilha com os Cães do Inferno e as 666 almas em uma espécie de maleta especial com símbolos demoníacos incrustados.

Ao ver aquela verdadeira guerra a sua volta, o Rei do Inferno balançou a cabeça negativamente e refletiu insatisfeito:

— E eu só saí por uns dez minutos. — Depois de revirar os olhos, ele ordenou aos Cães: — Acabem com tudo que não for como nós.

Ao chegar no interior da caverna, o Rei do Inferno não se importou muito com os demônios mortos ali. Eram apenas buchas de canhão, na verdade. Mas ao perceber que Brianna havia desaparecido, o seu semblante se fechou instantaneamente e ele sibilou nada satisfeito:

— Jura?

XXX

Perto dali, Brianna corria sem rumo certo, desesperada para escapar de alguma forma, buscando em sua mente um feitiço simples que pudesse fazer para sair da ilha o mais rápido possível e se esconder nos confins do mundo, como estava antes de Crowley encontrá-la e arrastá-la para aquele pesadelo.

Entretanto, todas as saídas em que ela pensava não se mostravam viáveis, pois todas requeriam ingredientes especiais que ela não tinha à mão naquele momento.

Então, tudo o que Brianna fez foi continuar correndo pela ilha, desviando de alguns anjos e demônios pelo caminho. Eles estavam tão empenhados em duelarem uns com os outros que não notaram a sua presença.

Em dado momento, Brianna tropeçou em uma pedra e se desequilibrou um pouco. Logo se recompôs e voltou a correr. Não por muito tempo, já que na sequência Crowley surgiu em sua frente e o choque de seus corpos levou a bruxa ao chão.

Atordoada, ela ergueu o olhar na direção do demônio e ouviu o que ele disse na sequência com um sarcasmo palpável:

— Indo em algum lugar, querida?

E naquele momento, Brianna entendeu que estava tudo perdido. Crowley a obrigaria a finalizar o feitiço, o Inferno ascenderia e no fim ela seria punida por ter tentado fugir, por ter tentado escapar da sua parte naquele acordo insano.

Não havia amanhã para ela e, aparentemente, não haveria amanhã para o mundo também.

XXX

Castiel e Sawyer continuavam lutando, mas o demônio levava certa vantagem naquele momento. Com um único golpe, o líder do exército lançou o anjo a alguns metros dele. E antes que Castiel pudesse se levantar, Sawyer se jogou contra ele, o mantendo no chão.

Enquanto distribuía uma sequência de socos no rosto do anjo, ferindo o seu receptáculo consideravelmente, o demônio zombou com sadismo:

— Eu não posso negar que é divertido, mas eu acho que está na hora de acabar com isso. Você não concorda?

Sawyer se preparou para dar mais um golpe em Castiel, mas foi impedido quando ele segurou sua mão no ar e estreitou o olhar sobre algo que reluzia no bolso da sua jaqueta de couro.

Seguindo o olhar do anjo, o líder do exército sorriu de um jeito zombeteiro, mas foi surpreendido quando, com um movimento rápido, Castiel retirou o colar que pertencia a Mia dali, fechou a sua mão em torno do presente que deu à caçadora há tanto tempo e usou a mesma mão para desferir um golpe violento e certeiro no queixo de Sawyer, lançando o demônio a uma distância impensada.

Em seguida, Castiel se pôs de pé, guardou o colar pertencente a Mia no bolso do sobretudo bem ensanguentado àquela altura, segurou sua espada angelical com força e caminhou decidido na direção do líder do exército.

Sawyer ria enquanto se levantava meio trôpego, mas calou-se quando a espada de Castiel atravessou o seu corpo na altura do estômago.

Como aquilo não surtiu qualquer efeito, ele apenas esbravejou entredentes:

— Qual parte de essa espada ridícula não é páreo para mim você não entendeu, Castiel?!

Tranquilamente, o anjo rebateu:

— Eu sei que ela não pode te ferir, mas achei que seria divertido tentar. Por outro lado, você está certo, Sawyer, está na hora de acabar com isso. Com você, na verdade.

— E como exatamente você pretende fazer isso, anjinho idiota? — desafiou o demônio.

Quase no mesmo instante um tiro foi ouvido. Alto e célere. E Sawyer cambaleou um pouco antes de olhar para baixo e ver um filete de sangue manchando sua roupa na altura do coração.

Confuso, ele ergueu o olhar na direção de Castiel que prontamente esclareceu:

— Eu não disse que seria eu, mas respondendo a sua pergunta, com a Colt.

Enquanto o demônio cambaleava mais uma vez, Sam abaixou a lendária arma que havia pegado momentos antes embaixo de uma pedra protegida com um sigilo enoquiano contra demônios. Em seguida, ele olhou rapidamente para Dean e Bobby ao seu lado, os três tomados pela adrenalina do momento.

Castiel havia escondido a Colt assim que eles chegaram na ilha, para que ela ficasse a salvo dos demônios e fosse usada apenas no momento certo. E aquele tinha sido o momento certo.

Logo depois, Sawyer olhou na direção dos três, depois voltou-se para Castiel e questionou incrédulo:

— E você acha mesmo que isso vai funcionar comigo?

Antes que os caçadores e o anjo pudessem ficar apreensivos com a possibilidade da Colt não matar o líder do exército, Sawyer foi tomado por uma dor lacerante e caiu de joelhos, expelindo uma espécie de fumaça vermelha enquanto começava a tossir.

Enquanto Sam, Dean e Bobby se aproximavam dele, Castiel respondeu retoricamente:

— Sim, eu acho que está funcionando.

Enquanto o líder do exército tossia compulsivamente, expelindo mais fumaça, só que desta vez enegrecida, morrendo aos poucos e em agonia, Sam finalmente se pronunciou:

— Desculpe por ter atirado pelas costas, mas é o que vermes como você merecem. — Indicando o ferimento no peito do demônio, ele esclareceu: — Esse tiro foi por todas as pessoas que você e o seu maldito exército feriram ou mataram. E esse — Sam engatilhou a Colt e apontou para a cabeça de Sawyer antes de concluir: — Esse é pela Claire e por todo o sofrimento que vocês causaram a ela. Adeus, Sawyer.

Mais um tiro. Mais uma vez certeiro. Na cabeça do demônio, mas também na cabeça do exército que prontamente sentiu a agonia de seu líder e perdeu força.

Sawyer caiu para trás, com os olhos vidrados e vazios. Seu corpo foi rapidamente iluminado por uma luz alaranjada até que tudo se apagou. O demônio estava morto. E o seu exército caminhava para o mesmo fim.

XXX

Pela entrada da caverna, Crowley viu as fumaças avermelhadas ao longe serem tomadas por feixes alaranjados e irem ao chão, se dissipando aos poucos. Os demônios que estavam possuindo pessoas também começaram a morrer. Um seguido do outro, como um efeito dominó desencadeado por Sawyer, já que todos os soldados estavam ligados a ele como um único organismo. Um organismo que morria rapidamente, deixando os anjos que lutavam até então um pouco confusos, mas sem dúvida, aliviados.

— Não... — murmurou Crowley, vendo o seu conveniente exército ser destruído rapidamente.

Revoltado com aquilo, mas sabendo que não podia perder tempo pois o eclipse finalmente estava completo, o Rei do Inferno voltou-se na direção de Brianna, jogou a maleta no centro do desenho no chão da caverna e ordenou:

— Rápido! Abra o portal! Agora!

Ferida e sem escolha, a bruxa se viu obrigada a acatar a ordem.

E quando Castiel voou e surgiu na entrada da caverna, a bruxa havia acabado de pronunciar a última palavra do ritual.

Enquanto isso...

Presa naquele maldito sonho, Mia andava de um lado para o outro do quarto, tentando encontrar uma maneira de se livrar daquela armadilha e acordar de uma vez.

Precisava acordar, precisava lutar para impedir a ascensão infernal mesmo que Castiel não quisesse que ela se envolvesse, mesmo que além de tê-la colocado para dormir daquele jeito, ele tivesse a amarrado na cama também.

— Pensa, Mia Clarke. Pensa — disse para si mesma, acelerando o passo e andando em círculos mais uma vez. — Como se sai de um pesadelo como esse? Como? Como se acorda quando você já tentou de tudo?

De repente, uma lembrança surgiu em sua mente e Mia se agarrou a ela no mesmo instante, detendo o passo em seguida.

Algo que ela ouviu Bobby contar certa vez. Algo sobre um caso envolvendo um djin. Sobre uma vítima que, ao perceber que estava presa em um sonho orquestrado pela criatura, tentou de tudo para acordar, mas só conseguiu isso quando... Se matou no tal sonho.

Depois de respirar fundo e soltar um suspiro exausto, Mia olhou para cima e praguejou:

— Sério, destino? Eu vou ter que morrer de novo? — E depois de avaliar outras possibilidades e perceber que não tinha nenhuma, ela deu de ombros e assentiu: — Tudo bem. Quem está na chuva é para se molhar, certo? Além disso, o que é morrer de mentirinha quando você já virou PHD nisso na vida real?

Pensando assim, Mia olhou tudo em volta à procura de algo que pudesse feri-la mortalmente. Logo, correu até o criado-mudo e abriu uma gaveta, decidida a pegar uma arma que, no mundo real, tinha guardado ali quando chegou no hotel. Entretanto, tudo o que a caçadora encontrou foi uma gaveta vazia.

Depois de respirar fundo e irritada com a manipulação angelical envolvida naquele cenário, ela abriu as duas gavetas restantes e constatou que elas também estavam vazias.

Ao se lembrar de uma faca que trazia na mala, correu até o canto do quarto. Porém, a bagagem havia simplesmente desaparecido.

Furiosa, Mia praguejou mais uma vez:

— Odeio anjos.

Disposta a não desistir do seu plano suicida, a garota estreitou o olhar na direção da cabeceira da cama. Mais precisamente em algumas hastes que ornavam a estrutura.

E então outra ideia surgiu em sua mente. Se conseguisse arrancar uma daquelas hastes, talvez ela pudesse desferir um golpe certeiro em si mesma.

No estômago? Não... Tinha que ser no coração. Tinha que ser infalível, fatal.

Determinada, Mia deu um passo na direção da cama, mas parou assim que um farfalhar de asas ecoou pelo recinto e um leve vento balançou os seus cabelos.

Embora estivesse com muita raiva de Castiel, ela não conseguiu conter a felicidade que a invadiu e sorriu, antes de se virar e dizer:

— Eu sabia que você ia voltar atrás, anjo, e... — Mia parou de falar imediatamente ao perceber que não era Castiel que estava ali no seu sonho, mas sim alguém que ela não via há algum tempo. — Hannah? — indagou surpresa. Mas depois de observá-la por alguns instantes e pensar um pouco, uniu os pontos rapidamente e refletiu visivelmente desapontada: — Claro. Eu devia ter imaginado que você estava de conluio com ele.

— Não é pessoal, Mia. Eu juro — defendeu-se a anjo.

— Eu sei. Nunca é — balbuciou a caçadora com certa inércia. — Mas então por que você está aqui? Aposto que não é para me acordar — recomeçou, depois de olhar para trás e ver que a cama também havia desaparecido daquele sonho, deixando-a sem opções para se matar.

— Eu vim impedir que você prossiga com essa... Ideia insana. E te pedir um pouco de paciência — respondeu Hannah.

— Paciência?! — repetiu Mia, rindo sem humor. — Aquele anjo estúpido me prende dentro da minha própria cabeça, enquanto o mundo está indo para o buraco, e você quer que eu tenha paciência? Que eu aceite isso de braços cruzados? — gesticulou, nervosa.

Tentando acalmá-la, Hannah articulou:

— Eu sei que é difícil, eu mesma não concordo totalmente com Castiel, mas ele teve os seus motivos para te colocar aqui, nessa situação.

Inconformada, Mia retorquiu firmemente:

— E eu tenho os meus motivos para sair daqui. Então você tem duas escolhas, Hannah. Facilitar as coisas, me acordando de uma vez, ou complicar as coisas e assistir enquanto eu prossigo com essa... Ideia insana.

Após hesitar por um momento, a anjo respondeu:

— Sinto muito, mas eu não posso te acordar, Mia. Eu estou cumprindo ordens. E sobre o seu plano, caso não tenha percebido, você não tem com o que se ferir nesse lugar.

Ao dar uma olhada em volta, a garota percebeu que os outros móveis haviam desaparecido e que agora o quarto estava revestido por paredes brancas e acolchoadas.

Sentindo uma raiva profunda por Hannah ter manipulado aquele sonho mais uma vez, Mia fechou a cara e pensou um pouco.

Logo, uma opção surgiu em sua mente. Então ela sorriu enigmaticamente e insinuou:

— Não significa que eu não posso morrer de outra forma. Sempre há um jeito para isso. Tipo... Uma morte natural talvez...

Intrigada, Hannah franziu o cenho e tentou persuadi-la:

— Eu não sei o que você está planejando exatamente, mas não vai funcionar.

Sem acreditar naquilo e mais determinada do que nunca, Mia desafiou:

— Se não vai funcionar, você não tem com o que se preocupar, não é mesmo?

Dito isso, Mia respirou fundo, fechou os olhos, se concentrou e prendeu a respiração.

— Isso é ridículo — desaprovou Hannah, mas no fundo estava com medo que aquilo desse certo.

— Ninguém pediu a sua opinião — resmungou Mia. Em seguida, abriu os olhos e constatou frustrada: — Droga... Você me fez respirar. — E depois de estreitar o olhar na direção dela, pediu sem paciência: — Dá para ficar quieta, por favor? Eu estou tentando morrer aqui! — Depois de pensar sobre o que havia dito, Mia prosseguiu: — Ou quase isso. Na verdade, eu tenho certeza que não vou morrer. Espero. Se bem que com a minha sorte, eu não devia arriscar mas... Enfim. O que vai acontecer é que quando eu estiver nas últimas, meu instinto de sobrevivência me fará acordar prontamente. Anjo nenhum vai conseguir me manter dormindo, se eu estiver à beira da morte. Portanto, um, dois... Três. Aí vou eu.

Mia respirou fundo mais uma vez, novamente prendeu a respiração e fechou os olhos com força, disposta a ir até o fim.

Não demorou muito para que seus pulmões clamassem por ar, mas ela fez um esforço e se manteve firme. Contudo, não sabia por quanto tempo iria aguentar. A ausência de oxigênio doía e atordoava. Era torturante.

— Mia, pare com isso — pediu Hannah, vendo que a garota estava ficando cada vez mais vermelha. — Mia? — insistiu preocupada, se aproximando. — Mia! Respire! — ordenou aflita, a sacudindo pelos ombros.

Sentindo-se sufocada, a garota abriu os olhos, puxou o ar com força e sentou-se na cama com um sobressalto.

Feliz e aliviada por ter conseguido acordar, ela encontrou o olhar de Hannah que, prontamente, afastou as mãos dos seus ombros e refletiu impressionada:

— Você e Castiel são mesmo perfeitos um para o outro. Dois teimosos...

Mia engoliu em seco, e sentindo toda a mágoa por Castiel se intensificar dentro de si, replicou:

— Eu só concordo com a segunda parte.

Hannah ia contra argumentar e pedir novamente que a garota tivesse um pouco de paciência com ele, quando um tremor abrupto e forte foi sentido pelo quarto, derrubando o abajur que estava sobre o criado-mudo e fazendo os vidros da janela tremerem por um instante.

Atônita e desconfiada do que aquilo podia significar, Mia pediu:

— Por favor, me diga que é apenas um terremoto comum.

Tão confusa quanto ela, Hannah não conseguiu esconder a preocupação quando mais um tremor, mais forte e demorado, foi novamente sentido.

As duas tiveram certeza que não era o quarto tremendo sozinho, tampouco o hotel. Era aquela ilha. Ou melhor, todo aquele arquipélago.

Querendo descobrir a origem daquilo, e ao mesmo tempo, temendo descobrir, Mia levantou da cama com um salto e correu até a janela, seguida por Hannah.

E então a caçadora viu uma semota ilha ao longe. Uma ilha que ela não tinha dado a menor importância quando chegou ali, mas que agora parecia ser o epicentro de tudo aquilo.

Pássaros saíam em revoada de lá, visivelmente assustados com alguma coisa, e uma nuvem de poeira começou a se erguer no ar, ao mesmo tempo em que algumas rochas rolavam pelas encostas, quando mais um tremor sacudiu tudo em volta.

Isso derrubou mais coisas pelo quarto, como alguns quadros nas paredes e enfeites sobre uma cômoda. Mas não foi o suficiente para desviar os olhos de Mia da janela.

— Oh não. — murmurou ela, tocando o vidro com as mãos e chegando a uma terrível conclusão. — Está acontecendo, não é? — perguntou sem esperar que Hannah, tão atônita quanto ela, se manifestasse naquele momento. E depois de engolir em seco, Mia mesmo respondeu: — A ascensão infernal... Está acontecendo. Crowley conseguiu.

Notas finais
Eita? E agora? Quem poderá nos ajudar? A ascensão infernal está acontecendo, people!!! Corram para as colinas e inté o próximo capítulo kkkkkkkk Bjs! Reviews?