Notas iniciais
Oi, gente!!! Primeiramente, desculpem pela demora. Como eu disse no capítulo anterior, não vou desistir de AI, mas os capítulos podem demorar um tiquinho, okay? Segundamente, muiiiiiiiiiiiiiito obrigada a Lady Mackenzie pela linda, maravilhosa, lacrante e divosa recomendação que deixou a autora aqui negoçada de alegria!!! Capítulo dedicado a senhorita, viu? Muito obrigada mesmo! Terceiramente, muito obrigada a todos que continuam acompanhando a fic e pelos comentários no capítulo anterior. Fiquei muito happy em saber que vocês continuam por aqui, apesar do ritmo de postagens ter diminuído. Quartamente, este é um capítulo de transição, relativamente leve e que eu ameiiiiiiiiii escrever! Apertem os cintos e boa leitura!

— Senhores passageiros com destino a St. George, Bermudas, informamos que neste momento estamos sobrevoando Fort Lauderdale. Em breve, deixaremos o território norte americano para trás — informou uma voz feminina pelo alto-falante do avião.

— Grande coisa — resmungou Mia baixinho e um tanto ansiosa, sentada em uma poltrona na região central da aeronave que tinha capacidade para setenta passageiros e tripulação, mas que naquele momento só transportava cerca de quarenta e cinco pessoas, já contando com piloto, copiloto e três aeromoças.

Enquanto a mensagem era reproduzida em outros idiomas, Mia respirou fundo e observou o céu pela janelinha a uma poltrona de seu assento. Não dava para se ver muita coisa do lado de fora, apenas uma das asas do avião e que o dia estava ensolarado, com poucas nuvens no céu.

Mesmo assim, ela continuou percorrendo a imensidão azul com um olhar um tanto vazio, até que Bobby, sentado em uma poltrona do outro lado do corredor, mas próximo dela, pigarreou para chamar a atenção da garota e, assim que ela olhou em sua direção, tentou tranquilizá-la:

— Ele virá, Mia. Já deve estar a caminho.

Achando engraçado que Bobby Singer tivesse adivinhado o motivo da sua ansiedade e mal humor, Mia lhe lançou um leve sorriso e agradeceu:

— Obrigada. — Porém, quando o caçador começou a abrir a boca, ela arregalou os olhos, prevendo o que ele diria a seguir, e dispensou de um jeito afoito: — Não responda!

Deduzindo o porquê de Mia lhe pedir aquilo, Bobby franziu o cenho assustado com a capacidade que ela e Castiel tinham de ver segundas intenções em uma simples expressão — de nada — e se limitou a resmungar:

— Balls!

Sem conseguir conter um sorriso mais largo, Mia voltou a olhar pela janela e passou a girar em seu dedo a aliança que Castiel lhe deu para substituir a antiga.

Embora tivesse ficado um pouco desconfiada das intenções por trás do gesto e da conversa que tiveram em seu quarto naquela ocasião, Mia preferia acreditar que o anjo só estava preocupado — e com certa razão — com a ideia de um reencontro entre ela e Crowley, mas que tinha aceitado o fato de que ela não iria desistir de acompanhá-lo na missão.

Prova disso era que ela estava em um avião, indo para as Ilhas de Bermudas. Ou seja, Castiel tinha mesmo aceitado a sua decisão, mesmo que isso o deixasse receoso.

Pensando em tudo isso, Mia relaxou um pouco e passou a olhar para os assentos na parte da frente da aeronave. E ao ver Sam entregar um remédio — mais precisamente, um analgésico —, para Claire, com um copo de água, e depois regular o assento dela para que a caçadora ficasse mais confortável, Mia voltou-se para Bobby, percebeu que ele observava aquilo com uma expressão pesarosa e resolveu retribuir a gentileza de antes:

— Ela vai ficar bem. A Claire é forte e o feitiço que aquele infeliz fez está com os dias contados. Aliás, o Crowley está com os dias contados também.

O caçador apenas assentiu brevemente com um meneio de cabeça, fazendo Mia pensar um pouco e mudar de assunto na sequência, numa clara tentativa de animá-lo de outra forma:

— E a Jody? Como ela está?

— Não começa — resmungou o velho caçador, ainda com os olhos fixos na filha algumas poltronas à frente.

— Ei! Perguntar não ofende, idjit — protestou Mia, finalmente chamando a atenção de Bobby para si. No entanto, quando ele lhe lançou um olhar nada satisfeito com a brincadeira, ela engoliu em seco e decidiu recomeçar, assumindo uma postura mais séria: — Eu só queria saber se você falou com a Xerife sobre essa viagem e tudo o mais.

— Por que eu falaria? Para deixá-la preocupada? — rebateu Bobby.

— Ela tem o direito de saber que você está a caminho de uma missão arriscada como essa — opinou a garota. E depois de observar o caçador por alguns instantes e deduzir por que ele poupou Jody daquela forma, Mia soltou um suspiro de indignação e completou: — Vocês, homens, são tão engraçados. Sempre tentando proteger as mulheres, como se nós fôssemos meros cristais prestes a quebrar a qualquer momento.

Prontamente, Bobby se ajeitou na poltrona, de forma a ficar de frente para a caçadora, e retorquiu:

— Nós somos engraçados? É estranho ouvir isso de você, Mia, considerando que alguém não quis avisar o Kevin e a Chloe sobre nossa viagem ao Triângulo das Bermudas.

— É diferente — defendeu-se ela, mas ao perceber que aquilo não era suficiente, tentou explicar melhor: — Eles estão há meses fora dessa loucura toda, estão bem, felizes, estudando em Stanford, como sempre sonharam, e não tem por que saberem o que nós estamos prestes a fazer. Além disso, nós vamos voltar. Só iríamos preocupá-los à toa, se disséssemos qualquer coisa.

Aproveitando-se dos argumentos da garota, Bobby resolveu frisar:

— Este é o ponto, Mia. Nós vamos voltar, então eu não preciso preocupar a Jody, assim como você não quis preocupar aqueles dois. E você está certa, Kevin e Chloe estão melhor longe de tudo isso, bem como a Jody. Então, eu também estou certo e, portanto, pare de me encher com esse assunto.

Mia ainda abriu a boca para contra argumentar, porém, sem conseguir encontrar uma forma de fazer isso sem entrar em contradição consigo mesma, ela revirou os olhos, esticou o pescoço para ver os assentos logo à frente e, sentindo falta de duas pessoas, resolveu mudar de assunto:

— Cadê o Dean e a Naty?

Ao ouvir tal questionamento, Bobby arqueou as sobrancelhas — pois tinha uma leve suspeita sobre aquilo —, se endireitou na poltrona e achou melhor desconversar:

— Acredite, você não quer saber, filha.

Confusa, Mia franziu o cenho e estava pronta para perguntar o que o caçador quis dizer com aquilo, quando o avião sacudiu levemente e um aviso soou no autofalante:

— Senhores passageiros, por favor, permaneçam em seus assentos e mantenham os cintos devidamente afivelados. Estamos passando por uma leve turbulência.

Quando a aeronave sacudiu novamente — só que desta vez bem mais forte e de uma forma mais abrupta — Bobby resmungou com ironia:

— Leve?

Depois de afivelar o seu cinto, Mia indagou preocupada:

— Não é melhor alguém procurar o Dean e a Naty? Onde eles estão, afinal? — Porém, quando Bobby olhou para trás, na direção do toalete, a garota entendeu quase imediatamente por que ele desconversou antes. Então arregalou os olhos, se endireitou no assento e encerrou a questão, dizendo: — Tudo bem. Eles que se virem.

De repente, o avião voltou a sacudir violentamente, causando certo alvoroço e pânico entre os passageiros, que começaram a gritar desesperados, enquanto simplesmente ignoravam os pedidos de calma transmitidos pela tripulação através do autofalante.

Mesmo Bobby, Sam e Claire ficaram um pouco assustados com a situação, já que era impossível não se lembrar de que, àquela altura, a aeronave já estava sobrevoando o Triângulo das Bermudas, e havia um histórico preocupante sobre aquela região.

Quando as bagagens começaram a despencar sobre as poltronas e o corredor, e as luzes da aeronave oscilaram freneticamente, mais gritos de medo e desespero foram ouvidos.

E quando as luzes apagaram de vez e a aeronave fez uma inclinação brusca para baixo, máscaras de oxigênio despencaram na frente dos passageiros apavorados, que imediatamente as colocaram nos rostos em meio a mais gritos e até orações em diferentes línguas.

Depois de colocar a sua máscara também, Bobby olhou para Mia e franziu o cenho intrigado com a aparente calma da garota. Isso porque, enquanto tudo em volta parecia caminhar para uma tragédia, ela mantinha os olhos fechados e segurava firmemente nos braços da cadeira, mas não parecia nervosa ou com medo, só um pouco desconfortável com o chocalhar do avião.

Quando o velho caçador abriu a boca para questionar aquela postura, o avião se estabilizou repentinamente, as luzes voltaram a acender e a misteriosa turbulência ficou para trás, ao mesmo tempo em que um bater de asas foi ouvido, fazendo Mia finalmente abrir os olhos e sorrir.

Enquanto os outros passageiros respiravam aliviados e tentavam se recuperar do susto, Mia se virou na direção da poltrona ao lado da sua janela, sorriu ao ver que Castiel tinha se materializado bem ali e brincou:

— Entrada triunfal, anjo.

— Eu imaginei que você fosse gostar — replicou ele, esboçando um leve sorriso enquanto Mia se aproximava mais um pouco.

Na sequência, a caçadora passou os braços em volta do pescoço do anjo, fechou os olhos novamente e uniu seus lábios aos dele com ímpeto, afastando toda e qualquer ansiedade que sentia até então, afinal não havia mais motivos para isso. Castiel finalmente estava ali. Com ela.

Percebendo que o casal tinha se empolgado com o beijo e perdido um pouco da compostura, Bobby pigarreou para chamar a atenção dos dois.

Imediatamente, Mia se desvencilhou um pouco do anjo, se recompôs e indagou:

— E então? Tudo certo?

Castiel — que tinha ido para a Ilha de Bermudas na frente de todos eles, a fim de levar as armas que precisariam para enfrentar Crowley e o exército de demônios, além de sondar o terreno — limitou-se a assentir com um breve meneio de cabeça.

No fundo, o anjo estava desconfortável com aquela situação, pois Mia estava crente de que os dois passariam por aquilo juntos, sendo que ele tinha um plano bem diferente. Um plano para poupá-la de um reencontro com o Rei do Inferno. Um plano para protegê-la.

Então, quando Mia sorriu satisfeita e o abraçou, Castiel não conseguiu esconder certa culpa ao trocar um olhar cúmplice com Bobby, que sabia de tudo. Mesmo assim, o anjo estava decidido a ir até o fim com o tal plano.

De repente, uma das aeromoças — que passava pelo corredor para verificar se todos os passageiros estavam bem e tranquilizar os mais abalados —, parou perto de Mia e Castiel e franziu o cenho, num claro sinal de que não estava reconhecendo o passageiro.

Então ela começou a dizer:

— Desculpe, senhor, mas...

Prontamente, Castiel esticou o braço e tocou a testa da comissária com as pontas dos dedos médio e indicador, deixando-a meio desnorteada por um breve instante.

Logo em seguida, a aeromoça piscou algumas vezes, sorriu de um jeito simpático, observou o casal mais uma vez, bem como Bobby no lado oposto do corredor, e perguntou:

— Todos estão bem?

— Perfeitamente bem — afirmou o anjo com uma expressão tranquila.

— Eu ficaria melhor com um café — insinuou Mia, sorrindo para ela.

— E eu com um uísque — emendou Bobby. Porém, imaginando que talvez a companhia aérea não servisse aquele tipo de bebida aos passageiros, sugeriu: — Mas se não for possível, eu aceito o que você tiver.

— Claro — assentiu a aeromoça. — E desculpem pelo incômodo da turbulência, mas não havia nenhuma previsão de que iria acontecer algo assim em nossa rota.

— Eu sei — tranquilizou Castiel, que havia sido o causador da tal turbulência.

— Com licença — encerrou a comissária, ainda um pouco desnorteada, antes de se afastar daquela parte do avião e deixar o trio para trás.

Logo depois, Mia entrelaçou o braço de Castiel com o seu, apoiou a cabeça em seu ombro, suspirou profundamente e voltou a observar a imensidão azul pela janelinha.

Enquanto isso, o anjo e Bobby se entreolharam mais uma vez. E só romperam o contato visual quando Dean saiu do toalete e passou por aquela parte do corredor, caminhando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido.

Instantes depois, o caçador sentou-se em sua poltrona perto de Sam e Claire, que ainda se recuperavam do susto causado pela turbulência.

Ao ver o irmão tão calmo e com uma expressão visivelmente feliz, Sam franziu o cenho, estranhando aquilo, e questionou:

— Cadê a Natalie?

Dean demorou alguns instantes para despertar de uma espécie de transe em que se encontrava, até que finalmente olhou na direção do irmão e respondeu simplesmente:

— Toalete.

Imediatamente, Claire matou a charada, conteve um sorriso malicioso, desviou o olhar e se concentrou apenas em ouvir a conversa, enquanto observava o céu pela janela.

— E vocês estão bem? — questionou o Winchester mais novo ainda mais intrigado, pois ao contrário da esposa, não estava entendendo nada.

— Ótimos — assegurou o mais velho. — Por quê?

Indignado e ainda mais confuso, Sam expôs:

— Porque houve uma turbulência agora há pouco, Dean. E eu confesso que... Por um momento, achei que o avião fosse cair.

Com uma tranquilidade absurda, que não combinava com a sua fobia de viajar de avião, o Winchester mais velho pensou um pouco, se lembrou de quem viu ao lado de Mia quando passou pelo corredor, instantes atrás, e supôs:

— Deve ter sido o Cas. Ele já está a bordo.

Prontamente, Sam olhou para trás e constatou que o anjo realmente estava na aeronave. Mas, apesar da turbulência poder ser explicada pela chegada de Castiel, algo ainda o intrigava. A postura de Dean. Isso porque ele parecia calmo demais. Mais do que isso, Dean parecia feliz.

Então, lembrando-se da forte turbulência que acometeu a aeronave momentos antes, Sam resolveu insistir:

— Tudo bem, mas você e a Natalie não sentiram nada?

— Uhh... Nós sentimos muitas coisas, mas como eu sou um cavalheiro, acho melhor não entrar em detalhes, Sammy. Desculpe — insinuou o mais velho.

Com isso, Sam finalmente entendeu por que o irmão e a cunhada tinham sumido de repente, finalmente deduziu o que eles estavam fazendo esse tempo todo e não conseguiu esconder certo constrangimento, quando parou de olhar para o irmão e explicou:

— Eu estou falando do avião, Dean. Ele sacudiu bastante.

Depois de pensar um pouco, olhar tudo em volta e perceber que havia malas pelo chão e alguns passageiros ainda assustados e se recompondo, Dean se endireitou no banco e replicou surpreso:

— Sacudiu, foi? Nem percebi.

Sam limitou-se a balançar a cabeça negativamente, ainda mais constrangido. Não sabia se ficava feliz pelo irmão ter vencido o medo de avião ou se procurava um lugar para se esconder, já que se sentia meio idiota por não ter matado a charada antes. Com certeza, ainda estava desnorteado devido a turbulência preocupado com Claire.

Em seguida, Natalie aproximou-se e sentou ao lado do marido, que lhe lançou um olhar malicioso e sibilou:

— Ei... Você voltou.

— Já estava com saudade, Sr. Awesome? — questionou a loira, com uma voz manhosa enquanto passava os braços em volta do pescoço do caçador.

— Você não faz ideia do quanto, Baby — respondeu Dean, antes de unir seus lábios aos dela e colocar a mão em sua perna.

Sam achou melhor ignorar tal cena e pegou um dos fones que Claire pretendia colocar nos ouvidos.

A morena sorriu, achando engraçado que o marido tivesse ficado tão constrangido com aquilo e encaixou um dos fones em seu ouvido, enquanto ele se apossava do outro.

Em seguida, Claire lhe deu um selinho carinhoso, entrelaçou sua mão com a dele, apoiou a cabeça em seu ombro e se concentrou em uma música do Coldplay que um pequeno aparelho de som, acoplado a poltrona da frente, começou a reproduzir.

Ao mesmo tempo, ela tentava ignorar a sensação de agulhas começando a espetar o seu corpo e uma forte enxaqueca, que não tinha passado com o analgésico que tomou antes da turbulência.

Em dado momento, a morena segurou a mão de Sam com mais força, fechou os olhos e permaneceu quieta o restante da viagem, lutando para não se entregar a verdadeira tortura do feitiço ao qual estava presa.

Horas depois

Depois de deixarem o Aeroporto Internacional L. F. Wade para trás, Castiel, Mia, Bobby, os Winchester e suas esposas seguiram para a capital Hamilton e se hospedaram em um hotel simples, porém mil vezes melhor do que as espeluncas onde caçadores costumam ficar.

Em um dos quartos, e visivelmente impaciente, Mia andava de um lado para o outro, fazendo com que seus coturnos causassem um barulho constante e incômodo no assoalho de madeira.

Castiel, que estava em pé e próximo de uma enorme janela com vista para uma região montanhosa do arquipélago, observava a caçadora sem saber ao certo o que dizer para tranquilizá-la.

Por fim, quem acabou rompendo o silêncio foi Mia ao questionar:

— Quanto tempo mesmo para o famigerado eclipse?

— Vinte e quatro horas, cinquenta minutos e... Trinta e sete segundos — informou o anjo, embora tivesse certeza que a caçadora sabia aquela resposta, pelo menos no que dizia respeito às horas, já que nos últimos dias, eles praticamente só falaram sobre aquele eclipse e a sua importância para os planos de Crowley.

Ainda mais ansiosa, Mia colocou as mãos na cintura, continuou andando em círculos e exclamou:

— E o que eu vou ficar fazendo até lá?

Após pensar por um instante, Castiel olhou para a mala da caçadora próxima da cama e sugeriu:

— Por que você não começa organizando as suas coisas no guarda-roupa?

Enquanto balançava a cabeça negativamente, Mia replicou:

— Nem pensar. Eu tenho um péssimo histórico com guarda-roupas. Eles não gostam de mim. É melhor deixar as minhas coisas onde elas estão. — E depois de um momento em silêncio, pensou alto: — Deve ter alguma coisa que eu possa fazer... Que nós podemos fazer, sei lá. Se eu ficar parada, o tempo simplesmente não vai passar. Será uma verdadeira tortura!

— Está tudo sob controle, Mia. Você não precisa ficar assim tão aflita — articulou o anjo, numa clara tentativa de acalmá-la. — Agora só nos resta esperar.

Impaciente, mas sabendo que Castiel tinha razão, Mia respirou fundo, se aproximou dele, parou na sua frente e pediu:

— Então me distraia.

Pego de surpresa, mas no fundo imaginando o que Mia queria dizer com aquilo, o anjo gaguejou um pouco ao se fazer de desentendido:

— Como... Como assim?

Em resposta, Mia sorriu maliciosamente, passou os braços em volta do pescoço de Castiel e replicou:

— Não se faça de difícil, anjinho. Você sabe muito bem.

Sim, Castiel sabia. Porém, por não estar sendo totalmente sincero com Mia, ele não se sentia confortável com a ideia de fazer nada com ela naquele momento. Parecia errado.

Por isso, e embora tivesse muita vontade de ceder pura e simplesmente aos encantos de Mia, o anjo se manteve firme quando ela começou a aproximar o rosto do seu e desconversou com certa cautela:

— Você não acha que devia descansar um pouco?

Prontamente, Mia recuou o suficiente para fitá-lo nos olhos, franziu o cenho e sibilou confusa:

— Oi?

Sentindo-se ainda mais desconfortável com a situação, Castiel tentou consertar:

— Digo... Você não está cansada da viagem?

Depois de estreitar o olhar na direção do anjo, o analisando minuciosamente por alguns instantes, Mia preferiu acreditar que Castiel só estava fazendo certo charme, voltou a se aproximar dele, sorriu e respondeu sugestivamente:

— Para você, nunca.

Então, antes que o anjo pudesse pensar em uma forma de contornar aquilo, a caçadora uniu seus lábios aos dele, agarrou as lapelas do sobretudo e começou a puxá-lo na direção da cama, enquanto o beijava de um jeito mais envolvente, não lhe dando outra escolha a não ser corresponder à altura.

No entanto, quando os dois caíram sobre a cama e Mia tentou arrancar o sobretudo do anjo de qualquer jeito, Castiel fez um esforço para se desvencilhar dela, inverteu as posições, ficando sobre a caçadora, se afastou um pouco, interrompendo o beijo, e articulou:

— Mia, eu vou entender se você estiver cansada. Foram algumas horas de voo até aqui e nos últimos dias, você não dormiu direito.

Voltando a ficar confusa, a garota se sentou na cama, encarou o anjo por alguns segundos e, visivelmente constrangida, deduziu:

— Você não quer.

Sentindo-se culpado, Castiel franziu o cenho e tentou se explicar:

— Não é que eu não queira, mas... Eu só acho que...

Ao perceber que o anjo não conseguia concluir o raciocínio, Mia acabou enxergando a postura dele de outro jeito e supôs:

— Você também está ansioso, não é? — E antes que Castiel confirmasse ou não, ela acrescentou: — Eu entendo, anjo, mas por isso mesmo eu pensei que seria bom relaxar um pouco... Tipo... Juntos. Ainda mais se tudo der errado e o mundo acabar nas próximas vinte e quatro horas.

— O mundo não vai acabar, Mia — assegurou Castiel, embora no fundo soubesse que não tinha como garantir isso. No fundo, só estava tentando manter o otimismo e tranquilizá-la. — Vai dar tudo certo e nós teremos muito tempo para... Relaxar depois — completou, enquanto acariciava o rosto da caçadora.

Depois de pensar um pouco, Mia esboçou um sorriso discreto de concordância, segurou e beijou a mão de Castiel rapidamente, levantou da cama em um pulo e avisou animada:

— Neste caso, eu vou tomar o meu banho de uma hora e depois nós podemos ficar na cama, só pensando na morte da bezerra e tentando não pirar até o eclipse. — Ao chegar na porta do toalete, Mia se deteve na soleira, olhou para Castiel, sorriu e assegurou: — Ah! E não se preocupe, anjinho. Eu prometo que vou me comportar até lá.

De um jeito mais contido, Castiel retribuiu o sorriso e observou a garota adentrar o toalete e fechar a porta em seguida.

Uma hora depois, quando Mia finalmente saiu do banheiro e vestiu uma camisola na frente do anjo — que preferiu não olhar muito para não cair em tentação —, os dois deitaram na cama e se aconchegaram nos braços um do outro, se abraçando de um jeito terno e carinhoso.

Embora tivesse prometido que iria se comportar, Mia acabou não resistindo e roubou alguns beijos e carícias de Castiel, antes de aceitar que o clima realmente não estava propício para nada e se dar por vencida.

Então, ela respirou profundamente e fechou os olhos, praticamente se obrigando a desligar os pensamentos e dormir um pouco. Em dado momento, finalmente conseguiu adormecer.

Castiel, por sua vez, permaneceu em alerta, ansioso e rezando para que Mia fosse capaz de entender o que ele estava prestes a fazer para protegê-la de Crowley e a perdoá-lo por isso algum dia.

Notas finais
Eitchaaaaaaaa!!!! Gostaram? Sim? Não? Talvez? Como eu disse lá em cima, eu amei escrever este capítulo. O povo finalmente voando para a Ilha de Bermudas com direito a turbulência e brincadeira de Deanalie... Viram que eu citei Kevin e Chloe? Ainda não sei como e quando, mas quero muito trazer esses dois para uma participaçãozinha básica por aqui. Well, o próximo capítulo deve sair até o dia 10/10. Farei o possível, mas será um capítulo bem trabalhoso e um divisor de águas, então muita calma nessa hora. Anyway, teremos tretas, tretas, tretas sem fim nele. Só para adiantar, quem aí está com saudade do Crowley? Pois é. Ele vai aparecer no próximo capítulo e não estará sozinho... Bem, por hoje fico por aqui, chuchus! Não se esqueçam das minhas reviews, hein? Se eu demorar um tiquinho para respondê-las é por pura falta de tempo, mas não vou deixar ninguém no vácuo, então comentem sem medo de serem happyyyyyyyyyyyyyy Beijos e inté!