Ascensão dos Semideuses Livres
9 Reencontro - ladytyrell
Notas iniciais
Rosalie
Chegamos no Acampamento Júpiter o dia estava amanhecendo. Helena pediu aos guardas que chamassem Rick e que não contasse a ninguém de sua chegada. Considerando o fato que estávamos sujos e completamente exaustos concordei plenamente com a atitude dela. Os pretores conversaram rapidamente, não pude entender der o que diziam, mas ouvi a palavra banho e soltei um suspiro de alívio. Seguimos-a até as casas de banho do acampamento, quando abri a porta quase perdi o fôlego. Eram construções baixas de pedra, divididas em salas, cada sala era coberta de azulejos e tinha uma grande piscina de águas termais, eram iluminadas por velas que exalavam um cheiro delicioso de lavanda. Helena e Gui escolheram uma sala decorada com azulejos azuis claros, com um querubim jorrando água pela boca no centro. Nai olhou para mim meio desconcertado e como não queria ficar sozinha o puxei pela mão até a sala ao lado. Esta tinha a mesma áurea agradável e o mesmo cheiro de pinheiro das outras, mas era decorada com azulejos rosa bebê e a fonte no meio era um sátiro colossal, segurando uma cornucópia por onde água escorria. Era simplesmente perfeita. Tirei a roupa jogando-a para um canto e entrei na piscina. A água estava maravilhosa, morna e aconchegante. Olhei para trás e vi que Nai ainda estava parado, me observando.
– Venha garoto, eu não mordo. — soltei uma risadinha deixando-o completamente vermelho, mas logo depois se juntou a mim.
Cerca de meia hora depois Helena entrou na sala carregando toalhas e algumas roupas, uma calça jeans e uma camiseta roxa que serviram perfeitamente em mim. Ela nos guiou por Nova Roma, passando por uma rua ladeada por cinco construções baixas e compridas, semelhantes a galpões, lembro vagamente de ter ouvido que eram Coortes, mas estava tão cansada que não prestei atenção nem na cidade, nem nas explicações dela. Paramos na porta de uma casa simples, baixa e de cores claras como as outras construções. A romana nos guiou até um quarto pouco mobilhado, apenas com uma cama de casal no centro e um guarda-roupa e uma escrivaninha lotada de papéis em um dos cantos. Ao lado da cama haviam dois colchões arrumados como camas, me joguei em um deles e adormeci instantaneamente.
**
Acordei com a claridade no meu rosto, olhei em volta e vi que que estava completamente sozinha. Não fazia ideia de que horas eram, mas isso pouco me importava. Ao ajeitar a blusa lembrei da mordida e decidi dar uma olhada. Néctar era uma coisa incrível: os buracos já tinham se fechado, mas a cicatriz ainda estava lá. Sai da casa para explorar a cidade, os romanos tinham feito um trabalho realmente maravilhoso ali. O acampamento era gigantesco, com uma larga avenida onde estavam as Coortes as casas dos pretores, um campo de batalhas com trincheiras, buracos de explosões, tudo para ser o mais realista o possível. O mais impressionante de tudo era a cidade, como se o centro de Roma no auto de sua glória estivesse sido transportado. Haviam cafés, lojas, padarias, apartamentos e casas, semideus andando por todos os lados em suas rotinas normais, alguns faunos...eles tinham até uma universidade! Sem contar com o grande Senado.
Sentei em um café para comer alguma coisa, deixando meus pensamentos voarem até Ignis. Será que ele já estava no Acampamento Júpiter a essa hora? A conversa de dois semideuses na mesa ao lado me chamou de volta para a realidade.
– Um monte de graecus invadiu nosso acampamento, dizem que os próprios pretores os trouxeram, e agora onde está Helena? Dando um voto de confiança para cada um deles — disse o primeiro
– Mas nenhum traidor passa pelos cães isso eu tenho certeza, soube também que ela está organizando um exército contra a tal OSL, enquanto parte sozinha pra uma missão secreta. — o outro respondeu.
– Sobre os cães, adoraria vê-los devorando algumas pessoas, e tenho um palpite sobre quem será o primeiro.
– Deixe eu adivinhar, aquele de cabelo branco e seu grupinho?- Santa Afrodite eles estão falando do Ig!
– Sim, eles são bem esquisitos. Falando nisso o interrogatório dele e dos outros que chegaram ontem deve estar começando.
– Eu não perderia por nada!
Os dois romanos se levantaram e eu os segui até um pátio na base da colina dos templos, o local estava abarrotado de semideuses assistindo o “show”, por isso tive que empurrar muitos e usar um pouco de charme para outros abrirem caminho. Quando finalmente consegui ver o que estava acontecendo meu estômago decidiu dar uma volta em uma montanha russa nada agradável. Ig estava caminhando para ser interrogado, parou diante de Helena — que usava o manto roxo de pretora e estava ladeada pelos cachorros. Ela estava com olheiras profundas, mas mantinha uma expressão impassível. Listei mentalmente minhas conclusões. a) Ig e Myr estavam bem. b) eu estava morta de saudades dele. c) definitivamente não queria assistir caso ele fosse devorado.
Baseada nessa última conclusão abri caminho novamente pela multidão e subi a colina dos templos correndo. Só parei quando cheguei em frente a um par de portas rosa bebê, com desenhos de rosas, pombas e corações. Entrei no templo de Vênus e a primeira palavra que veio na minha mente foi clichê. O Templo era do mesmo tom das portas, com os mesmo arabescos e mais alguns casais em cenas que deixaria donzelas inocentes coradas, o altar e o piso eram de mármore e uma cesta de oferendas estava pousada no centro. Ele parecia convidativo para namorados, mas era triste e sem sentido para alguém sozinho. Sai e sentei na frente da construção para descansar.
Não fazia nem cinco minutos que eu estava sentada quando nossos olhos se encontraram, ele sorriu para mim e eu não pude segurar o sorriso de orelha a orelha que se formou no meu rosto. Toda a saudade reprimida transbordou no meu peito, fazendo com que eu corresse e pulasse em seus braços, selando nossos lábios com um beijo cheio de urgência. Ele arrastou sua boca até meu ouvido e sussurrou;
– Ros...senti sua falta meu amor
– Eu também...prometa que nunca mais vai me deixar desse jeito!
– Prometo
**
Depois de passar a tarde matando a saudade no templo — que pareceu bem mais aconchegante com Ig — decidimos que era hora de ir atrás dos nossos amigos e voltar para a realidade. Ele me contou o que tinha passado até aqui, contou que Dain estava bastante ferido, mas que logo ficaria bem. Em sua viagem eles descobriram onde o arco estava, então descemos a colina para falar com Helena. Ele não sabia a localização exata, mas estava muito próximo ao Acampamento Meio-Sangue, e saberíamos encontrar por causa dos monstros que guardavam o local. Bem animador.
Antes de procurar a pretora reunimos os outros semideuses, Nai corria de um lado para outro — ainda maravilhado com a cidade — Myr estava com Dain na enfermaria, fiquei aliviada em saber que ele estava praticamente curado do raio. Encontramos Helena, Rick e Gui discutindo estratégias de guerra — quando o ultimo viu Ig, lançou um olhar de ódio e começou a brincar com uma adaga.
– Os pombinhos resolveram fazer algo útil. — sorriu com desdém.
– Gui não provoca, viemos discutir a missão. — coloquei um pouco de charme na voz e ele se calou
– Então… o que vocês têm a dizer? — Helena tentou soar cordial.
– Sabemos onde está o arco. — Myr entrou na conversa, sem nem se esforçar para reprimir o ódio na voz.
Juntos, Myr, Dain e Ig, contaram o que descobriram e formularam um plano. Era basicamente o seguinte: o arco estava no mar, por isso Rick e alguns filhos de Hefesto que
sobreviveram a invasão iriam construir um submarino, deveríamos achar o arco e impedir que caísse nas mãos erradas. Sim, é um plano bastante falho e cheio de controvérsias, mas é tudo que temos.
– Rick em quanto tempo acha que consegue construir o submarino? — Dain perguntou
– Começando agora, amanhã de manhã está pronto. — o romano respondeu com um sorriso malicioso.
– Se é assim, devemos nos encontrar na praia ao nascer do sol. — Helena disse em um tom que não permitia discussões- Partimos amanhã.
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