Notas iniciais
Oi, gente! Estou aqui, chegando na humildade com mais um capítulo de AI, pero antes quero fazer uma confissão... Seguinte, passei por um bloqueio terrível esses dias e me deu um big desespero. Fiquei com medo de não retomar a inspiração, de não conseguir organizar minhas ideias e dos meus neurônios entrarem em pane de vez. Mas, graças a Deus, confabulei seriamente com os meus botões e entendi o motivo do meu bloqueio: estou sofrendo por ver Deanalie e Miastiel separados desse jeito. Sim, autoras também sofrem, sociedade. E foi só eu começar a mexer os meus pauzinhos para juntar esse povo de novo, que o bloqueio se foi. Amém. Bem, é óbvio que mais cedo ou mais tarde eu ia juntar esses casais, porém, à princípio, eu só ia fazer isso beeeeeeeeeeeeeem mais para a frente. E agora, estou planejando fazer isso mais cedo e, portanto, dando uma boa reformulada na história. Porém, como eu já tenho alguns capítulos prontos, as reconciliações ainda vão demorar um tiquin para acontecer. Só mais um pouquin de paciência comigo, tudo bem? Ah! Só lembrando aqui, quando a história começou, a Claire estava na estrada com um amigo caçador, envolvida em um trabalho, certo? Pois bem, neste capítulo vamos ver como a moçoila e o seu amigo Max estão no momento. Sobre o título do capítulo, ele está mais relacionado a Deanalie... Bem, ressalvas feitas, fiquem agora com mais um capítulo (que eu estou postando mais cedo porque fiquei muiiiiiiiiito feliz por este bloqueio maldito ter desapegado de mim). Lá vai...

Dean e Natalie tinham amarrado Cole Trenton em uma cadeira no centro do estábulo e, naquele momento, estavam em lados opostos do lugar. O caçador estava perto da porta, enquanto a loira estava sentada no degrau da escada, que levava a uma espécie de depósito no andar superior.

Dean olhava discretamente para Natalie, enquanto ela fugia o tempo todo do seu olhar inconveniente. Mas, em dado momento, seus olhares finalmente se encontraram e Natalie sentiu-se desconfortável com aquilo. Então, se levantando com um impulso e descendo os degraus apressada, ela anunciou:

— Bem, eu acho que esta é a minha deixa.

Ao vê-la caminhando na direção dele, mas olhando para o lado de fora, Dean se posicionou no meio da porta, obrigando a caçadora a deter o passo, e questionou:

— Espera aí, onde você pensa que vai?

A resposta de Natalie veio rápida:

— O seu amigo ali está bem preso e eu acho que você é perfeitamente capaz de lidar com essa situação sozinho, quando ele acordar do sono da beleza. Além disso, eu ainda tenho um espírito vingativo para despachar, então me deixe sair, Dean Winchester.

No entanto, quando a caçadora tentou passar, ele impediu a sua passagem e discordou de um jeito sério e firme:

— Não.

Depois de soltar um suspiro de irritação, a loira protestou:

— Isso não tem graça.

— Não é uma piada. — retorquiu o Winchester. — Você não vai a lugar nenhum até nós conversarmos.

— Conversarmos sobre o quê? — indagou a loira, alterando-se um pouco. — Sobre a sua tentativa patética de suicídio?

Dean ergueu as mãos na altura do peito e gesticulou em sua defesa:

— Olha, eu não estava tentando me matar, ok? Eu ia chamar o Cas, mas eu hesitei um pouco porque... Sei lá, mas eu ia chamá-lo. Eu juro. Mesmo porque eu não ia te deixar sozinha com o maluco do Cole.

— Então você ia chamar o Cas apenas por minha causa? — constatou Natalie surpresa e insatisfeita por ouvir aquilo.

— Não... Por mim também. — afirmou Dean, porém não transpareceu muita segurança.

Ele não queria morrer, claro que não queria, mas tinha que confessar que quando Cole apontou aquela arma em sua direção, por um instante, ele não se importou nenhum pouco com o seu destino. Mas no fim, Dean sabia que ia voltar a si e chamar Castiel. Ele não era nenhum maluco suicida, certo?

Natalie decidiu acreditar nas palavras do ex-marido. Era melhor do que a outra opção. Em seguida, ela cruzou os braços contra o peito e recomeçou:

— Ok, então sobre o que você quer conversar?

Após um instante de hesitação, Dean respondeu:

— Sobre nós.

Natalie riu sem humor, soltou um suspiro incrédulo e esclareceu duramente:

— Eu não sei se você reparou, mas não existe mais nós.

Um tanto confuso e desapontado com a forma fria que Natalie estava o tratando, Dean articulou:

— Mas você disse que... Você disse que sentiu a minha falta. Entre outras coisas. Eu também disse. Você não acha que nós temos que conversar sobre isso? Ou vamos deixar essas coisas simplesmente soltas no ar?

Natalie sentiu uma ponta de arrependimento por ter feito aquelas confissões momentos antes. Não queria ter se mostrado tão fraca, mas aquela tinha sido uma situação atípica. Ela e Dean estavam em perigo e, na hora, não lhe pareceu errado dizer como se sentia. No entanto, agora as coisas tinham se alinhado de novo e o perigo havia passado.

Por tudo isso, e enquanto Cole começava a acordar, a loira resolveu esclarecer:

— Foi só um momento de fraqueza, Dean. Eu não devia ter dito nada daquilo, mas eu pensei que nós fôssemos morrer. Você também deve ter pensado e por isso começou com aquela conversa. — e indicando a si mesma e também o caçador, ela continuou: — Mas olha para nós agora. Nós sobrevivemos. Portanto, as coisas não mudaram. Eu e você continuamos separados. Porque você quis assim, porque você não quis conversar na época, lembra? E agora... É um pouco tarde para isso. Então, se você puder me dar licença, eu tenho um caso para solucionar...

— Nós estamos no meio do nada, Natalie. — interrompeu Dean, tentando ganhar tempo, embora esta observação fosse verdadeira. — Eu não vi o seu carro lá fora, então como você pretende voltar para o cemitério de onde o Cole te arrastou?

— Eu me viro. — garantiu ela, embora no fundo não soubesse como iria fazer aquilo. Nem mesmo sabia onde estava exatamente.

— Eu posso te levar até lá, te dar uma carona. Só me diz onde é. — propôs Dean.

— Eu não preciso da sua ajuda. — dispensou a caçadora secamente. — E para ser bem honesta, eu não estou entendendo aonde você quer chegar com esse papo. Parece até que você se esqueceu de um pequeno detalhe. De uma decisão que você tomou, lembra? Pare de agir como se aquilo não tivesse acontecido, Dean, e não subestime a minha inteligência. Por favor.

Depois de assimilar aquelas palavras e sentir-se péssimo por relembrar aquilo, o Winchester respirou fundo e ficou em silêncio, fitando a loira na sua frente.

No fundo, ele também não sabia o que estava planejando com aquela conversa. Ou talvez soubesse, mas achava que não tinha o direito de expor aquilo em voz alta. Tudo o que ele sabia é que estava confuso, mas também com muita saudade de Natalie.

A verdade é que Dean não estava pronto para deixá-la ir embora da sua vida de novo. Precisava de mais algum tempo com ela. Precisava entender o que estava sentindo e querendo. Precisava ganhar tempo.

Além disso, ele estava preocupado com a caçadora. Queria se assegurar de que Natalie estava e continuaria bem. E, por isso, Dean retomou a conversa de onde havia parado:

— Antes você precisa passar em algum hotel, para tomar um banho, comer alguma coisa, se recompor. Depois disso, eu posso te levar a um hospital também. O Cole te acertou com uma pá, Natalie. Você pode estar com uma concussão e nem ter percebido isso. É melhor ver um médico para tirar a dúvida.

— Eu disse que não preciso da sua ajuda! Muito menos da sua preocupação! — reforçou a loira entredentes e profundamente irritada, já que odiava que Dean demonstrasse aquela preocupação naquela altura do campeonato, como se nada tivesse acontecido entre eles. — Eu não sou problema seu. Você me mandou embora do bunker e da sua vida, lembra?

Desta vez, essas palavras doeram mais em Dean. Principalmente porque era verdade. Mesmo assim, ele conseguiu assimilar aquilo e retorquiu:

— Eu não preciso que você me lembre isso o tempo todo, Natalie. Eu penso no que fiz todos os dias. E, por mais que você não acredite, eu sofro por causa disso. Todos os dias.

— Ótimo, então eu não sou a única. — replicou a caçadora com mágoa e raiva no olhar.

Neste momento, Cole resolveu interromper a conversa e reclamou:

— Ah não... Vocês estão discutindo a relação de novo. Por favor... Me matem logo, eu não aguento mais.

Dean e Natalie olharam na direção dele por um instante. Em seguida, sabendo que tinha que resolver aquela situação de uma vez por todas, o caçador fitou a loira e orientou:

— Espere aqui. Nós ainda precisamos conversar e por mais que você não queira a minha ajuda, eu insisto.

Então ele se afastou da porta e caminhou até Cole, enquanto Natalie o seguia com o olhar. Em seguida, ela olhou para o lado de fora. Depois voltou a olhar para Dean.

Enquanto isso, o caçador arrastou a cadeira, onde antes tinha ficado preso, e a posicionou diante de Cole. Sentou-se e sem mais rodeios, despejou:

— Antes que você pergunte, o anjo do Senhor que te colocou para dormir já foi embora. Sim, porque anjos realmente existem, caso você tenha ficado com alguma dúvida.

— Isso é loucura... — murmurou Cole, embora tivesse visto com seus próprios olhos o momento em que Castiel mostrou aquelas enormes asas. Não tinha sido sua imaginação nem um truque, disso ele tinha certeza. Mesmo assim, era difícil digerir aquilo.

— O mundo é uma loucura. — articulou Dean. — Anjos, demônios, monstros, fantasmas, maldições, viciados em Candy Crush... Tudo isso é loucura também. Mas, o fato de ser loucura, não significa que não seja real. Que não exista.

Cole ficou pensativo ao ouvir aquilo, travando uma luta interna consigo mesmo. O seu ceticismo em confronto com tudo o que ele tinha visto e ouvido desde que deu início àquele sequestro.

Cole se lembrou de Natalie no cemitério, cavando aquele túmulo e salgando os restos mortais desenterrados. Lembrou-se de Castiel aparecendo naquele estábulo, seguido pelo farfalhar de asas. Asas que ele pôde ver com muita nitidez, por sinal.

Ele também se lembrou da história que Dean contou para justificar o assassinato de seu pai. A história dele parecia loucura, mas devia ser mesmo a verdade. Aos poucos, Cole estava se convencendo disso.

A constatação de que ele passou anos de sua vida perseguindo alguém que talvez não fosse o vilão da história lhe causava uma sensação de frustração, mas também de alívio, pois pelo menos agora Cole tinha entendido o que havia acontecido naquela noite em que seu pai morreu, tinha conseguido as respostas que tanto buscou. Mesmo assim, era doloroso pensar que o seu pai era um monstro. De um jeito ou de outro, aquilo tudo era uma grande tragédia.

Deduzindo que Cole estava pensando naquelas coisas, Dean recomeçou:

— Olha, eu sinto muito sobre o seu pai. Mesmo. E sobre você ter crescido sem ele. Mas eu realmente não tive escolha. — e após uma pausa, com o olhar fixo nele, o Winchester acrescentou: — E apesar de ter acertado a Natalie com uma pá e tido a audácia de prendê-la neste lugar, você parece ser uma boa pessoa, Cole. E por isso eu estou disposto a esquecer tudo o que aconteceu esta noite. Eu estou disposto a colocar uma pedra neste assunto e te deixar ir embora. Sem ressentimentos. A questão é: você está disposto a fazer o mesmo?

A resposta demorou um pouco, mas finalmente veio direta e firme:

— Sim, eu estou.

Por um momento, Cole sentiu-se derrotado, mas em seguida entendeu que naquela história não havia vencedores ou perdedores. Tudo era uma grande droga, uma maldita história sobrenatural. E o melhor que ele tinha a fazer era aceitar isso de uma vez por todas e voltar para a sua esposa e para o seu filho. Queria ser para os dois aquilo que ele não teve quando era criança, por conta daquela tragédia envolvendo o seu pai. Queria recomeçar e esquecer de vez o passado. Era exatamente o que ele faria, se Dean Winchester o deixasse mesmo ir embora.

Cole sentia como se um peso tivesse saído dos seus ombros ao ponderar tudo aquilo e, por fim, se conformou com o que tinha acontecido ao seu pai. E ainda pensava nisso, quando Dean anunciou:

— Muito bem. Neste caso, eu vou confiar em você e te soltar. — no entanto, pegando a sua arma no coldre, arma que ele tinha recuperado depois que Castiel colocou Cole para dormir, Dean ressalvou: — Mas como o seguro morreu de velho, eu espero que você não se ofenda com isso. É só por precaução.

Em seguida, enquanto apontava a arma para Cole, Dean começou a soltar as cordas que o prendiam à cadeira. E instantes depois, ele finalmente terminou e o rapaz estava livre.

Cole se levantou devagar e Dean pôde notar que os olhos dele estavam com um brilho úmido e com certa vermelhidão.

Por fim, percebendo que aquele mal entendido tinha acabado e que Cole era só alguém que tinha sofrido um grande trauma e acreditado em uma causa perdida, Dean guardou a arma no coldre e estendeu a mão em sua direção, dizendo:

— Eu realmente sinto muito.

Cole observou aquele gesto por um bom tempo, antes de finalmente acreditar por completo na inocência de Dean e apertar a sua mão, enquanto seus olhos ficavam ainda mais vermelhos.

Em seguida, Cole soltou a mão dele, se recompôs e admitiu:

— Eu também. — e após um breve instante, desejou: — Boa sorte com a loira fujona.

Dean franziu o cenho um tanto confuso, depois olhou para trás, na direção da porta, e quando não encontrou Natalie ali, ele voltou-se para Cole e questionou:

— Onde ela foi?

— Eu não sei, ela simplesmente saiu enquanto você falava comigo. — relatou Cole.

— E você não me disse nada?! — indagou Dean um tanto nervoso, antes de caminhar na direção da saída do estábulo e olhar para a escuridão do lado de fora, procurando por Natalie. Mas não havia qualquer sinal dela.

— Eu ainda estava com raiva e confuso, por isso não te avisei. — admitiu Cole. — Além disso, pelo o que eu entendi, ela não queria conversar com você.

— Isso é problema meu! — esclareceu Dean, profundamente irritado. E se lembrando do que Natalie disse, sobre a caçada em que estava envolvida antes de tudo aquilo acontecer, ele voltou a olhar para Cole e arriscou: — Alguma chance de você me dizer onde fica o cemitério onde você a encontrou?

O rapaz ficou pensativo, avaliando aquele pedido. Será que devia contar?

XXX

Enquanto isso, Natalie seguia por uma estrada nos arredores daquela fazenda abandonada. Com um olhar vazio e um aperto em seu peito, ela parou de caminhar quando ouviu o barulho de um veículo se aproximando. Pelo som, dava para perceber que ele era de grande porte.

Então a loira, olhou para trás e avistou um caminhão se aproximando. Ela fez sinal para que ele parasse. Pediu uma carona, quando o motorista parou e a olhou pela janela.

Ao ver aquela mulher no meio do nada, o senhor, de aproximadamente cinquenta anos, se compadeceu e decidiu ajudá-la.

Logo, a porta da cabine se abriu e Natalie entrou. Ela perguntou que lugar era aquele, inventou uma desculpa qualquer para ter ido parar ali e disse para onde precisava ir. Instantes depois, o caminhão voltou a se locomover pela estrada.

XXX

Quando Dean chegou ao cemitério na cidade vizinha, horas depois, Natalie não estava mais lá. No entanto, o caçador tinha certeza de que ela havia passado no lugar. Isso porque ele viu sinais de fumaça e caminhou entre os inúmeros túmulos até encontrar um que estava aberto. O caixão também estava aberto e os restos mortais ainda queimavam, enquanto o Sol começava a se erguer no horizonte, tingindo o céu de nuances alaranjadas.

Dean ficou parado ali, sem saber o que fazer. A razão lhe dizia que era hora de seguir em frente e ir para Maine, encontrar o seu irmão e Castiel. Mas, o seu coração lhe dizia algo completamente diferente.

Logo ele decidiu que lado iria ouvir e começou a deixar o cemitério.

XXX

Em um lugar perto dali, Natalie seguia com o Camaro por uma estrada. A loira tinha encontrado o seu carro em uma rua paralela ao cemitério. Exatamente onde tinha o deixado, antes de Cole sequestrá-la e aquele pesadelo começar.

Por sorte, a rua era pouco movimentada e ninguém havia mexido no veículo. E apesar de tudo que tinha acontecido com ela, Natalie estava feliz por ter reencontrado o seu bebê são e salvo. Tanto que conversava com ele o tempo todo. Um pouco porque estava mesmo satisfeita por ter o encontrado, mas principalmente porque queria manter a sua cabeça bem ocupada.

Pensando nisso, Natalie também resolveu ligar o rádio e um rock antigo e clássico ecoou pelo Camaro. E assim, ela seguiu viagem. Ouvindo a música e conversando com o carro.

Decidiu que pararia na próxima cidade, se hospedaria em alguma espelunca, tomaria um bom banho, trocaria de roupas e depois sairia para comer um X- Bacon e uma deliciosa torta de sobremesa. Natalie estava cheia de fome.

Em dado momento, o celular da caçadora começou a tocar no porta-luvas. Mas, ao pegar o aparelho e ler “Sr. Awesome” na tela, Natalie recusou a chamada imediatamente.

Antes de desligar o celular, para não correr o risco de ser importunada de novo, ela cogitou apagar aquele contato de uma vez. Mas, ao invés disso, achou que uma pequena vingancinha lhe faria muito bem. Então a loira apenas mudou o apelido contido na agenda para “Ex-marido idiota” e sorriu satisfeita com a troca.

XXX

Enquanto isso, em uma lanchonete longe dali, Claire e seu amigo Max estavam acomodados em uma das mesas do estabelecimento, tomando o café da manhã. Enquanto o caçador lia as últimas notícias pelo notebook da garota, procurando pistas que pudessem indicar outro caso, ela tomava alguns goles de café e, de vez em quando, olhava para o seu celular sobre a mesa.

— Liga logo para ele. — aconselhou o caçador, sem desviar a atenção da leitura, mas sabendo muito bem o que estava se passando na cabeça da morena.

— O quê? — sibilou Claire um tanto confusa.

Então, o rapaz abaixou a tela do computador, olhou para ela e respondeu:

— Para o Sam.

— Por que você acha que eu quero ligar para ele? — indagou ela, no fundo se fazendo de desentendida. Mas quando Max arqueou uma sobrancelha, Claire admitiu: — Tudo bem, eu quero ligar para ele, mas não sei se devo.

— Por que não? — quis entender o caçador.

Claire hesitou, enquanto pensava em uma resposta. Se mexeu no banco e se inclinou um pouco na direção do amigo, antes de retomar a conversa:

— Você não acha que se o Sam me quisesse em Maine, ele teria dito com todas as letras para eu encontrá-lo lá? Mas, ao invés disso, ele deu a entender que queria que eu voltasse para o bunker.

— Não, você deu a entender que você ia voltar para o bunker. Ele apenas concordou. — corrigiu Max, com um dedo em riste na direção dela.

— Ok, que seja. — assentiu Claire. — Mas então ele simplesmente aceitou isso? — insistiu ela. — O Sam sabe muito bem que encontrar a Mia também é uma prioridade para mim. Ela é minha amiga, eu me preocupo e quero que ela se livre do Crowley, tanto quanto ele.

— Tudo bem, então liga para o Sam e diga exatamente isso para ele. — recomendou Max. Porém, ao perceber certa hesitação na expressão da caçadora, ele questionou intrigado: — O que está acontecendo realmente, Claire? Você não está me contando tudo, está?

Depois de soltar um longo suspiro e encostar as costas no apoio do banco, a morena resolveu abrir o jogo:

— Eu acho que sei por que o Sam não me chamou para ir para Maine com ele. É pelo mesmo motivo pelo qual eu acho que também não devo ir.

— Que seria…? — incentivou Max.

Após uma breve pausa, a caçadora respondeu:

— Porque ir atrás da Mia significa correr o risco de esbarrar com o Crowley e, consequentemente, com a Primeira Espada. E da última vez que eu tive contato com aquela arma, eu... Não fiz o que devia fazer. Eu não mandei o exército de volta para o Inferno, como eu devia fazer. Então, este é o ponto. Eu acho que talvez o Sam não me queira nessa missão porque... Tem medo que eu repita o mesmo erro.

Um pouco zonzo por ter tentado acompanhar aquele confuso raciocínio, Max não se segurou e riu de tudo aquilo. Claire, por sua vez, o fuzilou com o olhar e indagou:

— Do que você está rindo?

Depois de se recompor, Max respondeu com outra pergunta:

— Tem certeza que o Sam é o paranoico da relação, Claire? — e enquanto ela pensava a respeito, se perguntando se o amigo tinha razão e se ela estava imaginando tudo aquilo, ele continuou: — Já passou pela sua cabeça que talvez o Sam só esteja tentando te proteger e por isso não te chamou para ir para o Maine? Ou que ele pensou que você simplesmente não se importaria se ele fosse sem você? Ou ainda, que talvez você esteja com receio de ir para lá, cometer o mesmo erro e por isso está inventando tudo isso? Para jogar a culpa nele, quando na verdade a pessoa que está com medo aqui é você?

Depois de se perguntar todas aquelas coisas, a morena se convenceu de que Max tinha razão. Ela estava inventando tudo aquilo para camuflar o medo que sentia de tomar a iniciativa e se envolver naquela missão, porque temia que desse tudo errado como aconteceu meses antes, quando ela perdeu a oportunidade de mandar o exército de volta para o seu lugar de origem.

Pensando em tudo isso, Claire estreitou o olhar na direção do amigo e brincou:

— Eu te odeio.

— Sempre às ordens. — replicou Max em tom divertido, e em seguida tomou um pouco de café, ergueu a tela do notebook e voltou a ler uma certa notícia.

Mas, algo ainda estava incomodando Claire e, por isso, ela recomeçou:

— Tudo bem, eu estou com medo. — Max voltou a sua atenção para a amiga mais uma vez, e ela continuou: — Eu estou com medo de ir para o Maine, mas ao mesmo tempo a vontade de ir e consertar as coisas é maior.

— Então? — incentivou o rapaz, querendo entender onde a morena queria chegar.

Depois de pensar nas melhores palavras, a caçadora tentou explicar:

— É que eu ainda acho que talvez o Sam não me queira por perto. Talvez para me proteger ou porque ele acha que eu não me importo que ele tenha ido sem mim, mas, eu não acho que ele vai soltar rojões quando me ver por lá.

— Só tem um jeito de saber. — insinuou Max. — Além disso, se ele fizer alguma oposição, você sabe muito bem como convencê-lo do contrário, Claire. Deixe o seu maridinho bem cansado e feliz e eu tenho certeza que ele vai concordar com qualquer coisa que você diga.

— Max! — repreendeu a morena, sentindo o seu rosto ruborizar de vergonha, ao mesmo tempo em que tentava conter um riso de concordância, afinal, era exatamente aquela estratégia que ela costumava usar quando queria convencer Sam de alguma coisa. — Fala baixo. Alguém pode ouvir. — acrescentou, olhando tudo em volta e percebendo que alguns clientes da lanchonete estavam olhando para a mesa deles e rindo discretamente.

— Que ouçam! — exclamou Max sem se importar, enquanto Claire se encolhia na cadeira e levava uma das mãos ao rosto. — Inclusive, eu acho que você devia descobrir onde o Sam vai estar hospedado, e bater na porta dele completamente nua. Como veio ao mundo! Duvido que ele resista.

Depois de arregalar os olhos, sentindo um constrangimento ainda maior, Claire anunciou:

­— Já chega, eu vou pedir a conta!

Em seguida, ela acenou para uma garçonete do lugar, que fez sinal para que a cliente aguardasse um instante, já que estava fechando a conta de outra mesa.

— Bem, eu vou para o Colorado, investigar um possível caso envolvendo vampiros. — recomeçou Max, depois de abaixar a tela do notebook, onde tinha lido uma notícia que indicava aquilo. — A questão é: e você? Você está a fim de caçar comigo de novo, vai voltar para o bunker ou vai fazer aquilo que realmente está querendo fazer?

Claire pensou por um instante e, dando um meio sorriso, respondeu:

— Terceira alternativa. Eu vou para o Maine. — e olhando com certo desdém para o celular sobre a mesa, ela completou: — Mas eu não vou ligar para o Sam, eu vou aparecer de surpresa.

— Eu aprovo. — concordou Max. — E não se esqueça... Completamente nua, hein? — reforçou em tom sugestivo.

— Cala a boca. — cortou a morena, sem conseguir conter um riso desta vez.

Notas finais
Será que a Claire está ficando paranoica, sociedade? E será que ela deve bater na porta do Sam como veio ao mundo? Oi? E o Dean? Será que ele vai atrás da loira fujona ou vai para onde Sam e Cas estão seguindo? Respostas nos próximos capítulos... E aí? Gostaram do desfecho do caso Cole? Eu gostei que tudo acabou razoavelmente bem e de forma civilizada. Amém. Abrindo um pequeno e singelo parêntese aqui, o próximo capítulo será totalmente Clammy e no seguinte... Teremos o fatídico, famigerado e aguardado reencontro Miastiel. Depois de tudo isso, voltarei a falar sobre Deanalie, ok? Agora é com ocês! Contem tudin, não escondam nadin. Reviews? Bjs!