Ascensão Infernal
6 Saudade
Notas iniciais

Eram aproximadamente nove horas da noite quando Claire parou o seu carro no estacionamento de um hotel em Waterville, no Maine, depois de ter dirigido por quase três dias, parando em alguns hotéis pelo caminho, para tomar banho e descansar um pouco.
Do veículo, ela ficou observando a janela de um dos quartos, onde via-se uma luz acesa através da cortina bege. Ela sabia que aquele era o quarto onde Sam estava, pois já havia conseguido aquela informação com Castiel, quando ligou para o anjo mais cedo e lhe pediu segredo sobre aquela visita surpresa.
Mas, por algum motivo, Claire hesitava em sair do carro e bater naquela porta. No fundo, ainda estava receosa por não saber como Sam ia reagir quando a visse ali. Será que ele ia concordar que ela se envolvesse naquela missão?
Depois de respirar fundo, Claire encarou o seu reflexo no retrovisor e disse para si mesma:
— Se pelo menos você tivesse ouvido o conselho do Max.
Mas, em seguida, ela sacudiu a cabeça levemente, afastando aquele pensamento e até rindo um pouco da sugestão do amigo.
Bater na porta do quarto de Sam, completamente nua, estava fora de cogitação, mas, com certeza, Claire saberia muito bem como lidar com o marido quando entrasse no quarto.
E, ao pensar desta forma, a morena sentiu-se mais segura e saiu do carro determinada. Como estava bem frio do lado de fora, ela estremeceu um pouco e fechou mais o casaco que vestia, a fim de se aquecer.
Em seguida, Claire caminhou em direção à varanda, subiu os degraus e parou diante do quarto 32. Respirou fundo mais uma vez, antes de fechar a mão e dar algumas batidas suaves na porta.
No interior do recinto, Sam parou de ler algo pelo notebook, que estava sobre uma escrivaninha, e levantou da cadeira. Caminhou até a porta e aproximou o rosto do olho mágico. Ao reconhecer quem era, ele ficou um tanto surpreso e confuso. Então afastou-se e pensou um pouco. Era muito estranho que Claire não tivesse lhe avisado que estava vindo. Por que ela não avisaria, afinal?
Sam sabia que só tinha um jeito de descobrir isso. Então, do outro lado, Claire ouviu o ruído da chave na fechadura. Em seguida, a maçaneta girou e a porta finalmente foi aberta.
Sam fitou a morena com um olhar interrogativo, mas também com um leve sorriso, e começou:
— Claire? O que você está fazendo aqui?
A morena sentiu o seu coração acelerar imediatamente ao rever o marido e ficou algum tempo completamente muda, perdida naquele sorriso, antes de finalmente conseguir se recompor um pouco e dizer algo:
— Eu posso explicar. Mas será que eu posso entrar primeiro? — e enquanto abraçava o próprio corpo para se aquecer, ela acrescentou: — Está congelando aqui fora.
Sam franziu o cenho um tanto hesitante diante de tanto mistério, mas, acabou dando passagem para Claire e assentindo:
— Claro. Entre.
A morena deu um passo a frente e cruzou a porta, mas parou de frente para Sam. Então, aproximou o rosto do dele, fechou os olhos e tocou os seus lábios com um beijo suave, o obrigando a fechar os olhos também e a sentir o mesmo arrepio que percorreu o corpo dela diante daquele contato íntimo. Em seguida, Claire se afastou e passou por Sam tranquilamente.
Um pouco zonzo, ele balbuciou:
— Oi para você também.
Assim que a morena adentrou o quarto, o frio que sentia passou completamente. Isso porque havia um aquecedor no canto de uma das paredes. O aparelho parecia velho e estava em péssimo estado, mas ainda funcionava bem.
Claire sentiu-se confortável o suficiente para tirar o casaco, e Sam observou os seus movimentos à medida que ela se livrava da peça.
Depois disso, enquanto a caçadora pendurava o casaco na cadeira de frente para a escrivaninha, o Winchester percorreu o corpo dela com um olhar mais atento. Ele não podia negar que estava com muita saudade de Claire, embora não entendesse por que ela tinha aparecido ali daquele jeito repentino.
Instantes depois, a caçadora virou-se na direção de Sam, que ainda a fitava de um jeito distraído e ligeiramente boquiaberto.
Claire não conseguiu conter um sorriso de satisfação diante daquilo, mas, por fim, perguntou:
— Você não vai fechar a porta?
Um pouco atrapalhado, Sam voltou a si, percebeu que a porta ainda estava aberta, deu um sorriso amarelo e a fechou prontamente. Em seguida, cruzou os braços contra o peito e recomeçou:
— Me corrija se eu estiver enganado, mas você não deveria estar no bunker? Ou pelo menos, a caminho de lá?
Claire arqueou as sobrancelhas enquanto pensava sobre aquele questionamento. Em seguida, caminhou até a cama e respondeu evasivamente:
— Eu deveria sim, mas então, no meio do caminho, eu mudei de ideia.
— Por quê? — indagou Sam, estreitando o olhar sobre Claire com certa desconfiança.
Depois de se sentar na cama, de uma forma que ficasse de frente para Sam, a caçadora respondeu:
— Me deu saudade.
— Saudade? — repetiu o caçador, sem conseguir conter um sorriso, mas ainda assim desconfiado. — Sabe o que eu acho? — indagou instantes depois. — Que só por precaução, eu deveria fazer alguns testes em você. Água benta e faca de prata, para ser mais específico.
Claire não aguentou e riu diante do que ouviu, antes de assegurar:
— Sou eu, ok? — e após uma breve pausa, ela arqueou uma sobrancelha sugestivamente e insinuou: — Mas, se você quiser uma comprovação, existe outro teste que você pode fazer comigo para tirar essa dúvida. Eu tenho certeza que no final, você vai se convencer de que eu sou eu mesma.
Sam estreitou o olhar na direção de Claire e assentiu levemente com um meneio de cabeça, entendendo o que ela queria dizer. Em seguida, ele lhe lançou um sorriso torto, um olhar malicioso e disse:
— Você acabou de provar isso, Claire. Mas, mesmo assim, eu vou querer fazer esse teste mais tarde.
— Mais tarde? — repetiu a morena, enquanto retirava os coturnos que usava e mantinha o olhar fixo em Sam. — Por que não agora?
Apesar de ter se sentido muito tentado com aquela proposta, Sam procurou resistir e articulou:
— Porque você ainda não me disse o real motivo de ter vindo até aqui. Muito menos, por que não avisou que vinha.
— Eu não avisei porque queria fazer uma surpresa. — defendeu-se Claire, apoiando as mãos atrás de si, sobre o colchão.
— E como você soube que eu estava justamente neste hotel? — questionou Sam, sem abandonar a postura desconfiada.
— Eu perguntei para o Cas, ele contou e eu pedi que ele não comentasse com você. — explicou-se a morena.
— E tudo isso porque, de repente, você ficou morrendo de saudade de mim, certo? — recapitulou o caçador, pouco convencido daquilo.
Claire hesitou e fitou Sam com certa culpa, pois percebeu que agir daquele jeito estava o deixando desconfiado demais. Também percebeu que ele merecia que ela fosse honesta e que respeitasse a sua inteligência.
Além disso, Claire não queria que parecesse que ela estava o enganando de alguma forma, não parecia certo e, no fundo, não era necessário. Ela sabia muito bem que podia dizer qualquer coisa para Sam, mas, por outro lado, não precisava ser naquele momento.
Pensando desta forma, Claire decidiu esquecer, por ora, o que planejava quando chegou ali, e confidenciou de uma forma sincera:
— Eu estou morrendo de saudade de você.
Aquilo pareceu atingir Sam de imediato, o fazendo baixar a guarda. Não totalmente, já que quando a morena levantou da cama e começou a se aproximar dele, o caçador ergueu as mãos na altura do peito e pediu:
— Fique aí onde você está. É assim que você começa.
Claire riu, mas parou no meio do caminho. No entanto, sentindo aquela saudade crescer ainda mais em seu peito e se misturar com o desejo que sentia por Sam, ela começou a abrir os botões da camisa que vestia, revelando, pouco a pouco, uma camisete branca que usava por baixo.
Sam engoliu em seco e, fazendo um grande esforço para olhar para o rosto de Claire, pediu:
— E pode parar de tirar a roupa. Nós ainda estamos conversando.
Claire riu mais uma vez e se livrou da camisa. Em seguida, da camisete, fazendo Sam olhar inevitavelmente para o sutiã que ela vestia. Bem, não necessariamente para o sutiã em si, mas sim para os seios fartos que a peça sustentava.
Ele engoliu em seco mais uma vez e sentiu a sua pulsação acelerar subitamente. Parecia que o quarto tinha ficado mais quente de repente porque Sam sentia que suas mãos estavam suando demasiadamente. E ele tinha certeza que a culpa não era do aquecedor.
— Eu admito que estou escondendo o motivo de ter aparecido aqui desse jeito. — confessou Claire, enquanto retirava o cinto, sob o olhar atento de Sam. — Mas eu estou falando sério sobre a saudade. E eu acabei de perceber que ela é maior do que qualquer outra coisa que eu queira conversar com você. Aliás, essa tal coisa pode muito bem esperar. Mas a saudade não.
Então Claire abaixou o olhar, se concentrando em retirar o cinto, enquanto Sam a observava ainda mais atentamente, constatando que a morena estava sendo sincera e que seja lá o que for que ela queria conversar com ele, realmente podia esperar.
Depois de deixar o cinto cair no chão, Claire começou a abrir o botão da calça jeans, mas parou imediatamente, quando Sam deu dois passos à frente e segurou as suas mãos, fazendo-a estremecer com o seu toque firme e carinhoso, além de erguer o olhar em sua direção automaticamente.
— Eu também senti a sua falta. — confessou Sam por fim, com o olhar fixo no olhar dela.
Claire sorriu, sentindo o seu coração acelerar e o seu corpo ficar mais quente ao som daquelas palavras. O desejo aumentou. E aumentou ainda mais quando Sam afastou as mãos dela e abriu o botão da calça.
Ele desceu o zíper e Claire mordeu o lábio inferior, ansiosa. O acompanhou com o olhar quando Sam abaixou-se um pouco diante dela e levou a peça junto, deslizando-a pouco a pouco pelas suas pernas.
Claire sentiu o seu corpo inteiro se arrepiar e passou os pés pela peça, terminando de tirá-la. Em seguida, observou Sam se levantando, enquanto ele sustentava o seu olhar de uma forma contínua e firme.
As mãos dele envolveram a sua cintura e trouxeram o corpo de Claire para junto do seu, causando uma onda de calor em ambos. Instintivamente, ela passou os braços em volta do pescoço do caçador, fechou os olhos e o beijou, procurando por sua língua com certa urgência.
Sam correspondeu de imediato, enquanto suas mãos subiam pelas costas da esposa até alcançarem a sua nuca, que ele segurou com força à medida que explorava melhor a sua boca, aprofundava aquele beijo e o tornava simplesmente desconcertante.
Sem conseguir interrompê-lo, Claire desceu as mãos em direção à camisa de Sam e começou a abrir os botões às pressas. Logo a peça foi completamente aberta e, com a ajuda do caçador, foi retirada e jogada em algum lugar do chão do quarto.
Claire tentava conter um sorriso de felicidade à medida que Sam ora devorava a sua boca, ora distribuía beijos por todo o seu pescoço e ora a apertava contra o seu corpo tão viril e convidativo.
Ela o abraçou forte, sentindo o contato de pele com pele multiplicar o desejo e o calor luxurioso que os envolvia. O acompanhou, quando Sam deu alguns passos em direção a cama, fazendo-a se deitar ali, enquanto ele se posicionava sobre ela.
Então, o Winchester interrompeu o beijo por um instante e, com um sorriso maroto, admitiu:
— Eu gostei da surpresa.
Claire sorriu e, enquanto acariciava o rosto dele, deixou escapar:
— Imagine se eu tivesse vindo nua então.
— O quê? — replicou o Winchester, franzindo o cenho confuso, embora tivesse sentido um calor libertino ao imaginar tal situação.
— Esquece. — desconversou Claire, fechando os olhos e trazendo o rosto de Sam para junto do seu novamente.
E então eles se beijaram mais uma vez... Outras peças de roupa vieram ao chão... E seus corpos se envolveram mais e mais...
Algum tempo depois
Lentamente, Claire saiu de cima do corpo suado e quente de Sam e deixou-se cair no lado oposto da cama, se enrolando parcialmente com o lençol que também cobria o caçador da cintura para baixo.
Ofegante e com o coração acelerado, ela passou as mãos pelo rosto e pelos cabelos, tentando se recompor.
No mesmo estado em que a caçadora, Sam disse sem fôlego:
— Ok... Definitivamente... Você é você mesma...
Claire riu e deu um cutucão entre as costelas dele, fazendo Sam gemer em protesto, rir um pouco, erguer as mãos em sinal de rendição e dizer em sua defesa:
— Tudo bem, eu sabia que era você desde o começo, ok?
— Acho bom mesmo. — retorquiu ela, o olhando de soslaio.
Após um instante em silêncio, o Winchester respirou profundamente e admitiu:
— Mas embora eu soubesse disso no instante em que vi você pelo olho mágico, foi muito bom fazer esse... Teste.
— Foi mesmo. — concordou Claire, aproximando-se dele e se aconchegando em seus braços.
Então Sam ficou acariciando o braço que Claire passou em volta dele e ela suspirou profundamente, sentindo aquele toque sútil arrepiá-la aos poucos, a fazendo se aconchegar mais e mais nos braços dele.
— Bem que nós podíamos repetir a dose. — sugeriu ela de repente.
— Podíamos. — concordou Sam. Mas quando Claire ergueu a cabeça para olhá-lo de um jeito sugestivo, ele ressalvou: — Mas antes você vai me contar por que veio até aqui. Tirando a parte da saudade, é claro.
Claire respirou fundo e pensou por alguns segundos, antes de se convencer de que não podia mais adiar aquele momento. Pensando desta forma, ela se afastou um pouco, deitou de lado, levando Sam a fazer o mesmo para poder olhá-la nos olhos, e anunciou:
— Eu vou ser direta.
— Ótimo. — aprovou Sam, visivelmente interessado no que ela tinha a dizer.
Imediatamente, a morena abriu o jogo:
— Eu quero ajudar você e o Cas a encontrarem a Mia. E a recuperarem a Primeira Espada também. E eu sei que da última vez que me aproximei daquela arma, eu cometi um erro bem grave, mas eu não quero que isso se repita, Sam. Eu juro que não quero. Eu posso ajudar desta vez, eu quero ajudar. Mas só se você concordar com isso e confiar em mim, é claro.
Após pensar um pouco, Sam articulou:
— Eu confio em você, Claire. De olhos fechados. E se você quer nos ajudar em relação à Mia, tudo bem, eu não tenho que concordar ou discordar disso. Ela é sua amiga também e você é a minha parceira em tudo. Mas eu preciso deixar uma coisa bem clara: recuperar a Primeira Espada não é a prioridade.
— Mas se o Crowley está mesmo nessa cidade, pode ser uma oportunidade única de recuperá-la. — argumentou a morena.
— Eu repito. Recuperar a Primeira Espada não é a prioridade. Trazer a Mia de volta para o bunker é. — reforçou Sam de um jeito firme. E notando certa frustração na expressão da esposa, ele acrescentou: — Nós nem sabemos se vamos mesmo conseguir encontrar a Mia e livrá-la do Crowley. E se conseguirmos, qualquer outra coisa além disso será pura sorte. Eu só preciso que você entenda isso, Claire, e que não tenha ilusões. Eu não quero que você sofra, que fique desapontada no final desta missão, entendeu?
Depois de ponderar tudo o que ouviu e soltar um suspiro profundo, a caçadora assentiu com certa tristeza:
— Tudo bem, você está certo. Mas é que... Eu queria tanto, mais tanto mesmo, mandar aquele Exército de volta para o Inferno que... Droga, será que eu nunca vou conseguir isso? Será que eu nunca vou conseguir consertar as coisas e dormir em paz com a minha consciência?
Entendendo o lado da esposa, Sam a puxou sutilmente até ele, fazendo Claire voltar a se aconchegar em seu peito. E enquanto acariciava os cabelos dela, ele afirmou:
— Vai. Vai sim. Nós vamos conseguir, Claire, mas nós temos que ir com calma para não colocar a vida da Mia em um perigo ainda maior. Depois que ela estiver no bunker, sã e salva, nós vamos nos focar no Crowley e na Primeira Espada, ok? Mas até lá, eu sinto muito, mas você vai precisar ser paciente.
Após um instante, avaliando aquilo, a morena comprometeu-se:
— Eu vou ser. — e após outro momento de silêncio, uma pergunta voltou a atormentá-la e ela decidiu questionar: — Só por curiosidade, por que você não me chamou para fazer parte disso desde o começo, quando eu te liguei com aquela pista?
Sam pensou um pouco e respondeu:
— Eu não sei. Eu acho que pensei que você queria voltar para o bunker. Nada de importante.
Sentindo-se meio ridícula, por ter pensado em outras respostas para aquela pergunta, Claire riu de si mesma e deixou escapar:
— Talvez o Max tenha razão. Talvez eu seja a paranoica da relação agora.
— Como assim? — indagou Sam aos risos.
— Esquece. — desconversou Claire, e logo depois, recomeçou: — Ah... Eu sei que você e o Cas chegaram aqui há pouco tempo, mas vocês já conseguiram descobrir alguma coisa importante? Uma nova pista, talvez?
— Infelizmente, não. — respondeu Sam um tanto frustrado. — Eu passei o dia inteiro procurando por notícias que pudessem indicar atividades demoníacas nesta cidade e tudo o que descobri foi que houve uma grande incidência de tempestades elétricas nos últimos dias. Então eu e o Cas fomos em alguns estabelecimentos, conversamos com alguns moradores, mas tudo parece tranquilo demais. E isso é estranho e frustrante. Nós não sabemos por onde começar a procurar o Crowley e, consequentemente, a Mia.
Ao ouvir aquelas coisas, Claire pôde sentir toda a frustração de Sam consumí-la também. Então, depois de se aproximar dele e enquanto acariciava o seu rosto, ela tentou não só animar o caçador, mas também a si mesma, dizendo:
— Nós vamos encontrá-la, Sam. Se o Crowley quer ficar com a Primeira Espada, que ele fique. Por enquanto. Mas a Mia é nossa amiga, parte da família e nós não vamos desistir dela. Você está certo, ela é a prioridade agora.
Em resposta, Sam tocou o rosto de Claire suavemente, lhe lançou um leve sorriso de concordância e depois envolveu os seus lábios com um beijo carinhoso.
Foi então que um farfalhar de asas ecoou pelo quarto e Castiel se materializou aos pés da cama, fazendo o casal se afastar imediatamente, enquanto ele anunciava com a sua voz caracteristicamente grave:
— Sam, eu tenho uma pista.
— Cas! — exclamou o Winchester, surpreso e constrangido diante daquela situação, se mexendo rapidamente e se enrolando mais com o lençol. — Ei... Oi! O que você está fazendo aqui?
Claire arregalou os olhos diante do sobressalto que sentiu e, igualmente constrangida, ela se cobriu mais com o lençol e deixou apenas uma parte do seu rosto visível. Apenas os olhos.
Só então Castiel percebeu que Sam tinha companhia e também ficou muito constrangido com aquele flagra. Tanto que ele não sabia se olhava para o caçador, para Claire ao seu lado, ou para as peças de roupas espalhadas pelo chão.
Por fim, ele acabou cumprimentando a filha de Bobby de uma forma contida:
— Oi, Claire.
— Oi. — balbuciou ela, sentindo o seu rosto ruborizar e acenando brevemente na direção do anjo.
— Me desculpe. — lamentou ele, olhando primeiramente para ela e depois para Sam. — Eu devia ter imaginado que a Claire tinha chegado e que vocês estariam sem roupa.
Ainda mais envergonhada, Claire se cobriu totalmente com o lençol, enquanto Sam pedia ao anjo:
— Cas, será que você pode se virar? Por favor?
Castiel acatou o pedido imediatamente e deu as costas para o casal. Então, depois de pigarrear, ele relatou:
— Eu vi um demônio na cidade e o segui. Ele entrou em um bar, não muito longe daqui. Mas o lugar está protegido com alguns sigilos e eu não consigo entrar. Então...
— Ok. — interrompeu Sam, entendendo onde o anjo queria chegar. — Eu e a Claire precisamos... Precisamos nos vestir primeiro, mas depois nós vamos com você até este bar, ok? Só nos espere lá fora, por favor. — orientou o caçador.
— Tudo bem. — assentiu o anjo. — E me desculpem mais uma vez. — reforçou antes do ruído de asas ecoar pelo quarto mais uma vez, fazendo com que Sam e Claire ficassem sozinhos de novo.
Aos poucos, a caçadora afastou o lençol do rosto e olhou para o Winchester. E então, ela disse temerosa:
— Você sabe que se ele tivesse aparecido cinco minutos antes...
— Sim, eu sei. — interrompeu Sam, sentindo um calafrio ao imaginar um flagrante pior do que aquele que tinha acontecido.
Depois de balançar a cabeça negativamente, tentando afastar aquele pensamento, Claire anunciou:
— Eu preciso de um banho.
— Eu também. — disse Sam.
— Mas é melhor nós tomarmos banho separados. — opinou a morena. — Afinal...
O Winchester riu ao entender o temor da esposa, mas discordou do que ela estava pensando:
— O Cas não vai aparecer no banheiro, Claire. Não se preocupe. — e após um instante, acrescentou: — Mas você está certa. É melhor assim, nós íamos acabar... Você sabe. E agora que o Cas conseguiu esta pista, é melhor nos apressarmos.
Claire assentiu com um meneio de cabeça, se inclinou para pegar a camisa de Sam no chão, a vestiu rapidamente, levantou e caminhou até o banheiro, enquanto o caçador a acompanhava com o olhar.
Quando Claire fechou a porta atrás de si, Sam ficou pensando no que Castiel havia contado e começou a se fazer uma série de perguntas.
Será que Crowley estava naquele bar onde o tal demônio entrou? E Mia? Onde ela estava? O que tinha acontecido com a garota depois que ela se rendeu ao Rei do Inferno? O que Crowley tinha feito com ela? Eles iam encontrá-la? E o mais importante, iam conseguir resgatar Mia?
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