Ascensão Infernal
4 Plano B
Notas iniciais
Antes
Então, enquanto passava as mãos pelos cabelos de Natalie, Cole olhou na direção de Dean e falou em tom ameaçador:
— Me diga, qual é a melhor forma de se vingar de alguém? Pagando na mesma moeda, talvez?
Sentindo a raiva crescendo dentro de si, Dean tentou se soltar mais uma vez, enquanto Natalie engolia em seco.
Por fim, Cole arrematou:
— Você me tirou a pessoa que eu mais amava na vida, Dean. Então, sinto muito, mas eu não posso deixar a Natalie ir embora. Não agora que eu sei que apesar de separados, ela continua sendo importante para você. Você sabe o que significa, não sabe?
Sim, Dean sabia. Natalie também. Cole iria matá-la.
Agora
Desesperado e tentando pensar em uma forma de esclarecer as coisas entre ele e Cole, sem que isso causasse qualquer dano a sua ex-esposa, Dean propôs:
— Você não precisa machucar a Natalie. Isso é entre mim e você, Cole. Então por que você não esfria a cabeça, nós conversamos e resolvermos esse assunto como dois homens?
— Por que você não é um homem, Dean. Você é monstro. Um monstro que matou o meu pai. — articulou o outro ferozmente.
Após um silêncio aterrador, pensando no que Cole havia dito, o caçador olhou para a mão esquerda dele, onde via-se uma aliança, depois ergueu o olhar para encará-lo e recomeçou:
— Talvez eu seja. Mas você não precisa ser. — como tanto Natalie quanto Cole o fitaram com expressões interrogativas, Dean explicou melhor: — Você é casado, Cole. Tem uma família. Talvez filhos. Como você se sentiria se qualquer um deles pagasse pelos seus pecados?
O sequestrador ficou em silêncio e era visível que o questionamento levantado por Dean tinha mexido com ele. Mas, ao se lembrar da noite em que encontrou o seu pai morto, ensanguentado, deitado no meio da sala de sua antiga casa, quando Cole tinha apenas uns treze anos e, principalmente, ao se lembrar da figura de Dean aparecendo na sala com uma faca banhada em sangue e olhando para ele de um jeito inexpressivo, Cole retirou uma arma de um coldre na cintura, a apontou para Natalie, causando um sobressalto na loira, e desafiou:
— Eu não sei, Dean. Vamos fazer o seguinte. Eu mato a Natalie e então você me diz qual é a sensação de vê-la pagar pelo seu erro. Que tal?
— Espera! — gritou Dean, ainda mais nervoso, preocupado e com medo de que Cole simplesmente puxasse o gatilho. — Me diga como aconteceu. Como eu matei o seu pai, quando foi, onde foi... Talvez eu possa me explicar.
— Se explicar? — repetiu o rapaz, rindo sem humor enquanto se afastava de Natalie e dava alguns passos na direção do caçador. — Como exatamente você vai explicar por que matou o meu pai, Dean? E você acha mesmo que isso vai adiantar alguma coisa? Que eu vou te perdoar e deixar vocês dois saírem daqui como se nada tivesse acontecido?
Ao invés de responder aquelas perguntas, o Winchester apenas insistiu resoluto:
— Me diga como aconteceu, Cole. Me dê uma chance de me explicar, e se no fim, você ainda quiser prosseguir com isso, tudo bem.
Em seguida, Dean trocou um olhar cúmplice com Natalie, indicando que, na verdade, ele tinha um plano B, caso não conseguisse persuadir Cole a deixá-los ir embora dali ilesos.
Depois de pensar um pouco, Cole percebeu que ele queria ouvir o que Dean tinha a lhe dizer. Na verdade, ele esperou por isso a vida inteira, já que a motivação da morte de seu pai sempre o intrigou. Por que Dean tinha o matado a sangue frio, afinal?
Cole sempre quis saber isso e agora tinha a oportunidade de descobrir. Depois disso, ele decidiria o que fazer. Até lá, ter algumas respostas não iam lhe fazer mal, iam?
Sendo assim, Cole pegou uma cadeira que estava no canto do estábulo, voltou para o centro do lugar, a posicionou a uma distância segura de Dean, se sentou, apoiou os braços no encosto da cadeira e relatou:
— Janeiro de 2003. Você entrou na minha casa e lutou com o meu pai, que por acaso se chamava Edward. Eu acordei com o barulho, desci até a sala e o encontrei com a garganta cortada. Eu tentei socorrê-lo, mas o meu pai já estava morto. Então, eu ouvi alguns passos e quando ergui a cabeça, lá estava você. Voltando para a sala com uma faca suja com o sangue do meu pai. Você ficou me encarando como se dissesse "Sim, garoto, fui eu mesmo que fiz isso, desculpe." E naquela madrugada, eu jurei que aquilo não ficaria assim. Eu jurei que ia encontrar o assassino do meu pai e fazê-lo pagar caro por ter feito isso com ele. Então eu me preparei. Cresci, entrei na Marinha, virei fuzileiro naval, fiz dois passeios pelo Iraque, e enquanto isso, eu cacei você. Não foi difícil descobrir quem você era, já que você e o seu irmão foram presos algumas vezes e até viraram manchete em outras. Mas quando você foi declarado morto, eu confesso que quase surtei. Eu não conseguia aceitar a sua morte e então continuei investigando. Até há alguns meses, quando eu descobri que você estava bem vivo. E que tinha até se casado. E se separado. Mas, como eu acabei perdendo o seu rastro de novo, decidi mudar de estratégia e ir atrás da sua ex. E como você deve ter percebido, eu a encontrei. Numa cidade perto daqui, interrogando algumas pessoas, se fazendo passar por alguém do FBI, entrando em um cemitério de madrugada com uma pá nas costas, sal e querosene em mãos. Seja lá o que for que ela estava planejando, eu tive que interrompê-la. Então eu a trouxe para cá, a usei para atrair você, e aqui estamos nós.
— Então você estava caçando, quando ele te encontrou? — deduziu Dean, olhando na direção de Natalie e esquecendo-se completamente de Cole entre eles.
— Não, eu estava cavando meu próprio túmulo. É claro que eu estava caçando, seu idiota. — resmungou a loira, irritada diante da pergunta óbvia. Mas, em seguida, ela se acalmou e relatou: — Era um espírito vingativo. Ainda é porque quando eu estava prestes a queimar os ossos do desgraçado, o seu amiguinho aí acertou alguma coisa na minha cabeça e eu apaguei. Eu aposto que foi a minha pá, porque eu tinha deixado ela no chão enquanto temperava o defunto.
Indignado, Dean encarou Cole e esbravejou:
— Você acertou a cabeça da minha mulher com uma pá?!
— Ex! — corrigiu Natalie prontamente. — Ex-mulher. — reforçou.
— Não importa, Natalie! Ele te acertou com uma pá! Isso não se faz! — replicou Dean, e em seguida, indagou preocupado: — Você está sentindo alguma coisa? Está machucada? Com dor de cabeça? Quantos de mim você está vendo exatamente?
— Infelizmente, eu ainda estou vendo um. — respondeu a caçadora rispidamente.
Após assimilar o golpe implícito naquela resposta, Dean insistiu:
— É sério, Natalie. Ele te machucou?
Enquanto fuzilava o caçador com o olhar, a loira respondeu ressentida:
— Não mais do que você.
Antes que aquela discussão evoluísse, e tentando lembrá-los de que ainda estava ali, Cole interrompeu:
— Ei, ei! O que diabos é isso? Vocês querem que eu saia para deixá-los mais à vontade enquanto discutem a relação de novo? — nem Dean nem Natalie responderam, apenas desviaram do olhar um do outro, um tanto constrangidos. Então, olhando especificamente para o Winchester, Cole levantou da cadeira e prosseguiu: — Eu te dou uma chance de se explicar e é isso o que você faz? Começa esse papo maluco sobre caçar? E fica indignado porque eu acertei a sua ex com uma pá? Desculpe, amigo, mas foi você que matou o meu pai, para começo de conversa. Então o que é pior? — enquanto Dean tentava se acalmar, se concentrar e lembrar em quais circunstâncias aquela morte havia acontecido, Cole virou-se na direção de Natalie e questionou nervoso: — E que papo é esse de espírito vingativo? Você é maluca ou está tentando me distrair?
— Não é papo, é verdade. — afirmou a loira, encarando o sujeito firmemente. — Isso vai ser meio chocante, mas o sobrenatural existe, ok? Quase tudo de maligno que você possa imaginar existe. E eu caço essas coisas. O idiota ali também. — revelou ela de uma forma bem direta, sem se importar muito em como Cole iria assimilar aquilo. E enquanto observava a expressão confusa e incrédula dele, ela arrematou: — Aliás, eu aposto que foi por isso que o Dean matou o seu pai. Ele devia ser um monstro.
— Não fale assim do meu pai! — gritou Cole transtornado, enquanto pegava a arma e voltava a apontá-la na direção da caçadora, que engoliu em seco e estremeceu um pouco.
— Ei! Cole! Deixe ela em paz! Eu me lembro! — gritou Dean, tentando desviar a atenção dele de Natalie, ao mesmo tempo em que contava a verdade, afinal, ele realmente tinha se lembrado de como tudo aquilo tinha acontecido. — Eu me lembro de como tudo aconteceu. Eu me lembro, ok? — reforçou, enquanto Cole hesitava entre ele e a loira.
Por fim, o sujeito abaixou a arma mais uma vez, olhou na direção do Winchester e indagou um pouco mais calmo:
— Lembra? Certo, então o que você tem a dizer em sua defesa, Dean Winchester?
Mesmo sabendo que o outro não ficaria satisfeito com aquela explicação, o caçador respondeu:
— Que a Natalie está certa. Infelizmente, o seu pai era um monstro, Cole. Eu não tive escolha. Ele estava machucando pessoas. Talvez fosse machucar até você.
— Já chega! — ordenou Cole, sem acreditar em uma palavra daquilo e voltando a apontar a arma na direção de Natalie.
— Meu nome é Dean Winchester e quando eu tinha quatro anos, um demônio entrou no quarto do meu irmão e sangrou em sua boca! — contou Dean, fazendo Cole hesitar mais uma vez. E quando ele voltou a encará-lo, confuso e mantendo a arma apontada para a loira, o Winchester prosseguiu: — Eu não sei o quanto você sabe sobre mim ou o quanto descobriu durante todos esses anos, mas esta é a minha história, Cole. A minha mãe tentou impedir que o demônio fizesse aquilo com o meu irmão e foi morta. Meu pai ficou transtornado e começou a caçar a coisa que a matou. Eu e o Sammy crescemos neste... Negócio. Caçando coisas sobrenaturais, enquanto tentávamos encontrar o desgraçado que arruinou as nossas vidas. Portanto, eu sei exatamente o que é querer se vingar. Mas se você quer saber, matar o tal demônio não nos trouxe paz. As coisas só se complicaram mais depois daquilo. Mesmo assim, o desgraçado teve o que merecia, então se você achar que eu mereço também, tudo bem, vai em frente e me mate. Mas deixe a Natalie fora disso, por favor.
Preocupada, a loira decidiu se pronunciar:
— O que você está fazendo, docinho? Tentando se matar?
Cole olhou para a caçadora por um instante, mas depois voltou a olhar para o Winchester. Aquela história envolvendo o sobrenatural estava muito mal contada, mas ele não podia negar que Dean parecia estar sendo sincero em alguns pontos. Além disso, enquanto levantava a biografia do assassino de seu pai, Cole tinha descoberto que a mãe de Dean havia morrido há muitos anos, em um incêndio na própria casa onde a família vivia em Lawrence. Havia descoberto que John Winchester havia morrido também, e que Sam e Dean viajavam bastante. Por isso tinha sido tão difícil rastreá-lo.
Por outro lado, era sobre monstros e demônios que Dean estava falando e Cole não podia aceitar aquilo. Por mais que Dean parecesse sincero, aquilo não fazia sentido. Não podia ser verdade.
Como se tivesse lido os pensamentos dele, Dean articulou:
— O que você acha que a Natalie estava fazendo naquele cemitério? — e enquanto Cole pensava a respeito, ele mesmo respondeu: — Ela estava despachando um espírito sim. Porque, infelizmente, o mal existe, Cole. Ele está em toda parte, nas mais diferentes formas, sempre pronto para te comer vivo. Um demônio matou a minha mãe, a Natalie estava caçando um fantasma e sim o seu pai era um monstro. Desculpe, mas ele era sim. — quando o rapaz o fuzilou com o olhar e apontou a arma em sua direção, fazendo Natalie ficar tensa e preocupada com o caçador, Dean hesitou por alguns instantes. Mas logo depois, disposto a esclarecer tudo de uma vez por todas, continuou: — Eu não sei exatamente o que ele era, mas o seu pai estava matando pessoas, cara. Ele era um monstro comedor de fígados. Então, eu o rastreei, o encontrei e tive que matá-lo antes que mais pessoas se machucassem. Inclusive você porque, não importava se ele era o seu pai, em algum momento, aquele lado maligno dele ia falar mais alto. Embora você não acredite, eu te salvei, Cole. Te salvei, fazendo um trabalho que eu odeio e que a maioria das pessoas não entende, mas que é o meu trabalho e, portanto, eu não vou pedir desculpas por isso. Sinto muito pela sua perda, mas aquele não era mais o seu pai. É só o que eu posso te dizer.
Com uma expressão raivosa, Cole deu um passo na direção do caçador e redarguiu entredentes:
— Você tem razão, eu não acredito em você!
— Mas é verdade! — afirmou Natalie, tentando chamar a atenção de Cole para que ele parasse de aprontar aquela maldita arma na direção do seu marido. Ex-marido, na verdade.
Não adiantou e Cole se aproximou mais de Dean, enquanto retirava a trava de segurança da arma.
Sem se intimidar e mantendo-se firme em seus argumentos, o Winchester recomeçou:
— Você disse que foi fuzileiro naval e que lutou no Iraque, certo? Me corrija se eu estiver enganado, mas você deve ter recebido um bom treinamento sobre como interrogar o inimigo. E, por isso, eu aposto que sabe exatamente quando alguém está mentindo. — Cole ficou em silêncio, demonstrando que Dean tinha acertado aquele palpite. — Então, olhe nos meus olhos e me diga se eu estou mentindo para você. — intimou, enquanto encarava o outro seriamente, sem desviar nem por um instante do seu olhar.
Cole não sabia o que pensar. Dean não parecia estar falando a verdade, Dean estava falando a verdade. Cole sabia disso, podia sentir e perceber a segurança com que ele tinha dito tudo aquilo e pela forma como o olhava. Mas, aquela era uma verdade que não fazia o menor sentido. Era maluquice. Além disso, Cole havia visto Dean em sua casa, segurando aquela faca ensanguentada, o seu pai caído no chão, morto.
Transtornado, Cole deu mais um passo a frente e encostou a arma na testa de Dean. Não importava se ele estava dizendo mesmo a verdade, Cole havia esperado muito por aquele momento. Precisava se vingar. Devia aquilo ao seu pai e, simplesmente, não podia acreditar que o seu pai era um monstro. Não podia conceber a ideia de que monstros existiam, embora a forma como Dean contou aquelas coisas tivesse mexido com ele e com suas crenças. Mas talvez Dean fosse um outro tipo de mentiroso. Um tipo mais habilidoso que sabia muito bem como dissimular os fatos e que Cole não sabia identificar quando estava mentindo ou não.
De qualquer forma, pelo menos Cole estava disposto a deixar Natalie em paz. Dean tinha razão, aquilo era entre eles dois. Então, depois que acabasse com o Winchester, Cole deixaria a loira ir embora. A deixaria em alguma estrada qualquer e não olharia para trás. Então voltaria para a sua casa, para a sua família e recomeçaria a sua vida com o sentimento de vingança saciado. Mas será que isso lhe traria paz?
Cole ficou pensando sobre isso, enquanto segurava a arma contra a testa do caçador. Não podia negar que os argumentos de Dean tinham levantado uma série de dúvidas nele. Por outro lado, Cole desconfiava que ele tinha dito aquilo apenas para se safar. Sim, era isso. Tinha que ser isso. Dean estava mentindo. Dean era um assassino. Um monstro. Não havia mais no que pensar ou o que questionar. Dean Winchester tinha matado o seu pai. Era um fato. Ponto final.
— Eu espero que você tenha um plano B. — pronunciou Natalie, completamente tensa, enquanto olhava para Dean apreensiva.
Sim, ele tinha um plano. Antes de ir até aquele fim de mundo, Dean havia prometido para Sam e Castiel que se não conseguisse resolver aquele problema sozinho, ele chamaria o anjo. Tinha sido quase uma condição para que os dois deixassem Dean se arriscar daquele jeito.
No entanto, por algum motivo, o Winchester hesitou. Não tinha certeza se queria, ou mesmo se merecia, a ajuda de Castiel.
Nos últimos meses, Dean não conseguiu proteger Mia do Rei do Infeno, viu Natalie morrer em seus braços e depois a magoou profundamente. E a verdade é que o caçador se culpava muito por tudo isso. Além do mais, para todos os efeitos, ele tinha tirado um pai de um filho. Então, por mais que o pai de Cole fosse um monstro, talvez o rapaz merecesse mesmo ter a sua vingança.
Desesperada e pressentindo que o pior estava prestes a acontecer, Natalie chamou aos berros:
— Cas! Cas! Castiel! Apareça, anjinho! Depressa!
Cole olhou na direção da loira com certa confusão. E mais confuso ele ficou quando um barulho de asas batendo ecoou pelo estábulo e algo se materializou no espaço entre ele e Natalie. Algo não, alguém.
Chocado, assustado e deixando-se levar por um instinto, Cole apontou a arma na direção do intruso, que trajava um sobretudo bege, e disparou contra o seu peito. Uma, duas, três vezes. Mas, surpreendentemente, as balas pareciam não ter feito sequer cócegas no sujeito, que o fitava com uma expressão séria e firme.
Ainda mais chocado, Cole atirou novamente e logo tinha descarregado a arma por completo contra Castiel, que apenas olhou para baixo e viu os rasgos provocados pelos projeteis em sua roupa, mas nenhuma delas tinha penetrado o seu receptáculo.
Enquanto Dean e Natalie assistiam a cena com certa apreensão, Cole deu alguns passos para trás enquanto Castiel se aproximava dele de uma forma um tanto intimidadora.
— Quem é você?! — questionou Cole alterado e ainda mais confuso. — O que diabos é você?! — gritou.
— Castiel. Eu sou um anjo do Senhor. — respondeu, antes de uma espécie de relâmpago iluminar o lugar e duas enormes asas negras ficarem visíveis em suas costas.
Quando o relâmpago se extinguiu, Cole estava ainda mais chocado. Um tanto trêmulo, ele procurou por outra arma em seu coldre. Porém, antes que conseguisse pegá-la, o anjo se aproximou mais um pouco dele e encostou o dedo indicador em sua testa.
Automaticamente, Cole fechou os olhos e caiu no chão desacordado.
Então, Castiel olhou para Dean e, quando este percebeu, as cordas que o prendiam haviam se soltado rapidamente, o libertando por completo. Em seguida, o anjo olhou na direção de Natalie e também a libertou.
Enquanto se levantava da cadeira, a loira indagou nervosa, mas no fundo agradecida:
— Por que você demorou tanto?
— Eu estava na estrada com o Sam. Por falar nisso, ele deve ter ficado meio confuso porque eu não tive tempo de explicar para onde estava vindo — respondeu Castiel. — É bom te ver, Natalie.
— Obrigada. É bom te ver também, Cas. Apesar das circunstâncias. — retribuiu ela, enquanto se recompunha.
Então o anjo voltou-se na direção de Dean e questionou:
— Por que você não me chamou antes?
Antes que Dean pensasse no que responder, Natalie se aproximou com passos largos e opinou:
— É uma ótima pergunta.
Então a loira parou perto do caçador, cruzou os braços contra o peito e ficou aguardando uma explicação.
Sentindo-se desconfortável diante dos olhares inquisitivos de Natalie e Castiel, e no fundo se perguntando onde ele estava com a cabeça para ter deixado a situação chegar naquele ponto, Dean apenas balbuciou sem muita certeza:
— Eu ia chamar.
Castiel percebeu que o amigo não estava sendo totalmente sincero e abriu a boca para contra argumentar, mas Natalie foi mais rápida e retrucou visivelmente nervosa:
— Quando exatamente?! Antes ou depois de uma bala acertar o seu lindo rostinho? Porque se fosse depois disso, sinto muito, mas você estaria meio incapacitado de falar, seu idiota!
Dean a fitou um tanto assustado com aquele tom agressivo, mas foi algo que Natalie disse no meio daquela bronca que o fez indagar com um interesse inevitável:
— Você disse lindo rostinho?
Depois de engolir em seco e desviar do olhar dele, a caçadora desconversou:
— Eu não quis dizer isso. Não do jeito que você pode estar pensando. Eu só estava sendo sarcástica, afinal, o seu rostinho nem é tão lindo assim. E eu também disse idiota. Seu idiota, na verdade, para dar mais ênfase à sua idiotice.
Dean não pode evitar e olhou para Natalie de um jeito carinhoso e com certa saudade, enquanto ela se xingava mentalmente por ter se atrapalhado tanto naquela resposta e Castiel olhava ora para um, ora para o outro, tentando entender o que exatamente estava acontecendo entre os dois. Havia um clima, sim havia. E ao mesmo tempo havia uma certa tensão no ar. Dor, mágoa e raiva também. Mas ainda havia amor, era perceptível.
Então, sentindo que estava sobrando ali, Castiel perguntou:
— Vocês ainda vão precisar de mim?
— Não, Cas. Está tudo bem. Nós assumimos daqui. Obrigado. — respondeu Dean, ainda com o olhar fixo em Natalie, que arqueou uma sobrancelha diante daquele olhar insistente e inapropriado.
— Sendo assim, boa sorte. — desejou o anjo, antes de bater as asas e simplesmente desaparecer dali tão rápido quanto chegou.
Assim que o barulho do bater de asas cessou, Natalie notou algo na expressão de Dean e questionou:
— Para quem acabou de tentar se matar, você parece muito feliz. Posso saber por que você está sorrindo?
Após pensar um pouco sobre aquela pergunta e conter o leve sorriso, Dean respondeu com certa tranquilidade:
— É que agora que o pior já passou, eu me dei conta de que estou muito feliz por ter te reencontrado, Naty.
Sentindo uma mágoa profunda e certa raiva, a loira retrucou friamente:
— Não me chame assim. Meu nome é Natalie. E não fique feliz demais porque isso está longe de ser um reencontro romântico.
Pego de surpreso, Dean gaguejou:
— Mas eu... Eu pensei que...
— Não importa o que você pensou, Dean. — interrompeu ela de uma forma seca e ressentida. — Vamos resolver o seu problema com o Cole e depois cada um vai para o seu lado, ok? Nada mudou. Nós estamos separados e é bom que continue assim. Afinal, foi a sua decisão, não foi?
Então Natalie caminhou até a cadeira onde antes estava amarrada, enquanto o caçador observava os seus movimentos, pensava em tudo o que ela havia dito e em tudo o que havia acontecido ali e com eles.
Em seguida, a loira pegou a corda e Dean entendeu que deveria colocar Cole naquela cadeira para que ele fosse devidamente amarrado. Mesmo assim, o Winchester demorou alguns instantes para fazer isso, já que estava absorto em certos pensamentos e se fazendo uma série de perguntas. A principal delas era: ele queria Natalie de volta?
Dean sabia muito bem qual era a resposta.
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