Ascensão Infernal
19 Ligação
Notas iniciais
Sentada no parapeito de uma enorme janela, de uma sala mais reservada do bunker, com as costas bem apoiadas na parede lateral e as pernas flexionadas na frente do corpo, Mia fitava o horizonte através do vidro com um olhar distante e vazio.
O Sol começava a se pôr e a caçadora não fazia ideia de quanto tempo havia se passado desde que sentou ali. Tudo o que Mia sabia é que não estava nem um pouco animada para sair de lá e lidar com o que estava acontecendo à sua volta. Principalmente porque, aparentemente, não havia muito o que ela ou qualquer pessoa ali pudesse fazer.
Seus pensamentos vagavam entre o ocorrido naquela manhã e por um passado recente, no qual ela ouviu Crowley e um demônio do exército conversando sobre algo que agora começava a fazer sentido. Algo que, no fim das contas, podia explicar o que tinha acontecido com Claire mais cedo. O que vinha acontecendo com ela já há algum tempo, na verdade, considerando as inúmeras vezes que a filha de Bobby sentiu-se indisposta de alguma forma.
Mergulhada em tais pensamentos, Mia quase não ouviu o farfalhar de asas, que indicava que Castiel tinha se materializado na sala.
Segundos depois, finalmente despertando daquela espécie de transe, mas sem olhar diretamente para o anjo, Mia perguntou:
— Como ela está?
Castiel hesitou, procurando as palavras certas para definir o estado de Claire, e finalmente respondeu com pesar:
— Estável, mas ainda... Inconsciente.
Tudo na mesma então. Foi o que Mia pensou antes de perguntar algo pela segunda vez naquele dia:
— Você não pode mesmo acordá-la com o seu toque mágico?
— Eu já tentei, não funcionou. — lembrou o anjo. — Seja lá o que for que está acontecendo com a Claire... Eu não sei, mas é como se ela estivesse...
— Enfeitiçada? — sugeriu Mia, finalmente voltando o seu olhar na direção de Castiel. — Sob o efeito de algum tipo de... Bruxaria?
Imediatamente, ele franziu o cenho, deu alguns passos à frente, parando ao lado dela, e questionou intrigado:
— Você sabe alguma coisa sobre o que está acontecendo?
Após um breve instante em silêncio, Mia respondeu:
— Eu tenho uma teoria. — e antes que Castiel pudesse aprofundar o assunto, ela desceu do parapeito e concluiu: — E eu acho que é melhor contar para todos de uma vez.
Em seguida, a garota fez menção de se afastar, mas antes que conseguisse dar o primeiro passo, Castiel segurou em seu braço com cuidado, a fazendo olhar para ele. Então, querendo entender por que Mia estava tão tensa e misteriosa em relação àquele assunto, ele perguntou :
— Por que você está assim?
— Porque... — Mia começou a responder, mas parou por um instante, tentando conter um nó que surgiu em sua garganta diante da onda de preocupação que sentiu, antes de conseguir se recompor e concluir: — Porque é grave, Cas. Se eu estiver certa, o que está acontecendo com a Claire é muito grave.
Depois de assimilar tais palavras, Castiel soltou o braço de Mia devagar e a encarou por alguns instantes. Quando ela caminhou rumo à saída da sala, ele a seguiu prontamente. A preocupação estava estampada nos rostos de ambos.
XXX
Algum tempo depois, todos, exceto Claire que ainda estava desacordada em seu quarto, se reuniram na sala principal, em volta da mesa.
Castiel, que já havia adiantado para os outros que Mia tinha uma teoria sobre o que estava acontecendo, estava sentado em uma das cadeiras, enquanto ela permanecia em pé e com as mãos apoiadas na cadeira ao lado do anjo, pensando na melhor maneira de expor suas suspeitas.
Impaciente e muito preocupado com Claire, Bobby indagou:
— O que está acontecendo com a minha filha, Mia?
Igualmente aflito, Sam se mexeu um pouco na cadeira, lhe lançou o seu característico olhar de cachorrinho na chuva e pediu:
— Se você sabe de alguma coisa, de qualquer coisa, diga. Por favor.
A garota assentiu com um breve meneio de cabeça e abriu a boca para responder, mas as palavras simplesmente não saíram. No fundo, Mia não sabia como dizer aquilo. Não queria deixar Sam, Bobby e os outros ainda mais preocupados. No fundo, Mia queria estar enganada sobre a tal teoria.
Impaciente, Dean respirou fundo, soltou o ar com força, apoiou os braços sobre a mesa e inquiriu:
— Desembucha, coelha. O que diabos está acontecendo?
Natalie olhou para o marido de soslaio por um instante, preocupada, assim como ele e todos ali. Em seguida, fitou Mia que, por sua vez, se convenceu de que devia expor o que estava pensando de uma vez.
Sendo assim, ela se encheu de coragem e começou a explicar de fato:
— Todos aqui sabem que a mãe do Crowley era uma bruxa e que ele aprendeu alguns truques com ela, certo? — depois que todos assentiram, Mia prosseguiu: — Meu palpite é que... Ele esteja usando algum tipo de magia para atingir a Claire.
— Isso é impossível. — discordou Natalie. — Para fazer algo assim, o Crowley teria que entrar aqui e esconder um daqueles saquinhos de bruxaria em algum lugar. Mesmo que ele soubesse a localização do bunker, ele não conseguiria entrar aqui, muito menos sem que nós víssemos.
Depois de ponderar o que a loira disse, Castiel concordou:
— A Natalie está certa. Tem que haver outra explicação.
Depois de observar Sam e Bobby trocando um olhar preocupado, como se estivessem ponderando a sua teoria, Mia retomou:
— Vocês não entenderam. Eu não estou falando de magia negra, mas de algo pior do que isso.
Intrigado, Bobby estreitou o olhar na direção da garota e questionou:
— O que pode ser pior do que magia negra em termos de bruxaria?
Percebendo que ela estava escondendo alguma informação importante, Sam inquiriu:
— Mia.
Depois de olhar para cada pessoa em volta da mesa, a garota respirou fundo e expôs:
— Eu ouvi uma conversa do Crowley, há algumas semanas. Na época, eu não dei importância, ele não citou nenhum nome, e mesmo que tivesse citado não faria diferença para mim, já que eu não me lembrava da Claire ou de vocês. Mas agora... Agora eu sei que era dela que ele e um outro demônio estavam falando.
— O que eles falaram? — indagou Dean, tendo um pressentimento ruim sobre aquilo.
Prontamente e um tanto nervosa com aquela situação, Mia relatou:
— Eles mencionaram algo sobre uma humana que foi usada por Belial e Abaddon para libertar o exército de demônios, há uns dois anos. Ou seja, a Claire. Eles mencionaram também que Belial e Abaddon usaram um pouco de sangue dela no ritual e que, portanto, quando o exército foi libertado do Inferno, ela ficou ligada a eles. — sem saber se Castiel e os caçadores ali tinham entendido o que aquilo significava, Mia explicou: — Cada soldado do exército absorveu uma pequena parte do sangue de Abaddon, Belial e... Da Claire. Foi assim que eles escaparam, lembram? Os três sangues se misturaram e abriram um portal. — em seguida, enquanto todos recordavam aquela ocasião e começavam a entender aonde Mia queria chegar, ela prosseguiu: — Durante a conversa, o Crowley disse algo sobre um feitiço mais pesado do que qualquer outra coisa que ele já tinha feito, e que para isso ele precisaria de amostras do sangue desta humana regularmente. E que iria fazer isso para... Conter a situação. — ainda mais preocupada, Mia engoliu em seco e opinou: — Eu acho que o Crowley não gostou nem um pouco de vocês terem ido atrás de mim em Waterville, então ele quis distraí-los, coagí-los, usando a Claire para isso, já que foi depois daquela operação resgate fracassada que ela começou a se sentir mal. E agora que eu estou aqui, o meu palpite é que ele está jogando ainda mais sujo, para nos coagir de novo e quem sabe nos obrigar a desistir de tentar impedir a quebra do selo. E também para nos lembrar que... O meu resgate teve um preço. E que é a Claire quem vai ter que pagar por ele. — depois de soltar um suspiro nervoso, ela concluiu: — Resumindo, podem colocar a culpa em Mia Clarke.
— Não faça isso. — pediu Castiel, fitando a caçadora de um jeito firme. — Não é sua culpa.
Enquanto absorvia tudo o que tinha ouvido e tentava manter a calma, Sam balbuciou:
— O Cas está certo, Mia. Não faça isso com você. O único culpado nessa história é o Crowley.
— Além disso, se ele acha que nós vamos mesmo desistir, o desgraçado está muito enganado. — afirmou Bobby de um jeito determinado, tentando transformar a preocupação em relação à filha em algum tipo de motivação.
— Você não entende? — indagou Mia, fitando primeiro o velho caçador e depois cada pessoa na mesa, antes de acrescentar: — Cada passo que nós darmos para tentar impedí-lo, a Claire vai pagar o preço.
— Não se nós conseguirmos quebrar essa bruxaria maldita que ele lançou em cima da minha princesinha! — esbravejou Bobby, fazendo todos olharem para ele. Em seguida, tentando manter a calma e o foco, o caçador expôs: — O que eu quero dizer é: olhem a sua volta. Deve haver algo aqui capaz de reverter esta situação e ajudar a minha filha.
— E se não houver? — perguntou Natalie com um olhar triste e distante. E, instantes depois, despejou um tanto afoita: — E se o único jeito de quebrar este feitiço for rompendo a ligação que a Claire tem com o exército? E se a única saída for destruí-lo de uma vez por todas? E se nós não conseguirmos destruí-lo? E se conseguirmos? Isso vai libertar a Claire pura e simplesmente ou... Trará consequências?
Percebendo que as questões levantadas pela esposa estavam deixando todos ainda mais apreensivos, Dean se inclinou na direção dela e disse em seu ouvido:
— Você não está ajudando, Baby.
Percebendo que Dean tinha razão, e que precisava ser um pouco mais otimista, Natalie voltou-se para todos na mesa e pediu um tanto sem graça:
— Desculpem. — em seguida, ela se levantou e anunciou: — Eu vou começar a pesquisar.
Depois que a loira deixou a sala principal, visivelmente atordoada por aquelas revelações, Mia despencou na cadeira, passou as mãos pelo rosto e lamentou desolada:
— O Crowley conseguiu o que queria. Nos distrair, nos atrasar, desviar a nossa atenção, usando a Claire para isso.
— Não. Tudo o que ele conseguiu foi nos deixar mais motivados. — afirmou Bobby, fazendo Mia e os outros o escutarem com atenção: — Se o único jeito for destruir o exército, então as coisas não mudaram. Nós já íamos fazer isso, só ganhamos mais uma razão para prosseguir com o plano inicial.
Após um longo momento de silêncio, durante o qual todos refletiram sobre aquela situação, Castiel questionou:
— Eu odeio dizer isso, mas e se houver mesmo consequências para a Claire? Como a Natalie falou?
Bobby abaixou um pouco a cabeça, enquanto procurava uma resposta para aquele impasse. Mas, antes que ele conseguisse dizer qualquer coisa, Sam disfarçou a profunda preocupação que sentia e falou resoluto:
— Então nós lidaremos com elas. Como sempre fazemos.
Apesar da determinação em sua voz, estava claro que o Winchester mais novo estava com medo, sofrendo por Claire e tentando, a todo custo, não deixar isso transparecer.
Sam tentava manter-se firme, quando na verdade, estava ruindo por dentro. Crowley havia atingido o seu ponto fraco e agora ele entendia como o irmão se sentiu, quando Natalie morreu por causa de uma ordem do Rei do Inferno.
Por mais que tentassem conciliar uma vida normal com a vida de caçadores, cedo ou tarde, de uma forma ou de outra, os inimigos estavam lá, tentando destruir as relações que eles construíram, tentando atingir suas famílias, a morte sempre à espreita.
— Sammy... — a voz de Dean fez o mais novo parar de pensar nessas coisas por um instante e olhar na direção dele. — Olha, cara, eu sinto muito. Mas eu prometo... Eu juro que nós vamos dar um jeito nisso. Tudo vai ficar bem. — assegurou, embora no fundo soubesse muito bem que as coisas não eram tão simples e que eles teriam muito trabalho pela frente. Mesmo assim, tentando manter-se otimista para que o irmão pudesse se espelhar nisso, Dean acrescentou: — Nós não vamos desistir. O Bobby está certo, o desgraçado do Crowley mexeu em um vespeiro e acabou de nos dar mais um motivo para lutar contra ele. Aquele son of a bitch está com os dias contados. Pode apostar.
Sam ficou em silêncio por alguns instantes, pensando em tudo aquilo e tentando reunir forças para continuar, para ser otimista, para lutar.
Por fim, ele assentiu com um meneio de cabeça, se levantou e avisou seriamente:
— Eu vou ver se a Claire já acordou. — mas, depois de dar alguns passos em direção à escada, ele virou-se na direção da mesa, fitou Mia e perguntou com uma preocupação palpável: — Ela vai acordar, certo? E... Ela não está sofrendo, está?
Depois de comprimir os lábios com força, tentando conter um nó em sua garganta, a garota respondeu com pesar:
— Eu não sei como o feitiço funciona, Sam. Eu sinto muito.
Após pensar por um instante, o Winchester mais novo fez um esforço para manter-se firme e replicou:
— Não sinta. Você ajudou demais, Mia. Obrigado.
Depois que ela assentiu com certo desânimo, afinal não achava que tinha ajudado muito dando apenas más notícias, Castiel tentou animar o amigo dizendo:
— A Claire vai ficar bem. Ela é forte. Vai conseguir passar por isso.
— Sim, ela vai. — murmurou Sam, tentando se convencer disso antes de deixar a sala.
Então, um novo silêncio se instalou no lugar. Um silêncio aterrador que se misturava com a apreensão que todos sentiam naquele momento. Que se misturava com a preocupação, com a raiva, com a tristeza.
Mas, em dado momento e disposto a lutar até o fim, Bobby respirou fundo, reuniu forças e orientou de um jeito firme:
— Mia, Cas... Continuem procurando a localização do portal principal para o Inferno. Nós temos que saber aonde o Crowley vai estar daqui a duas semanas. Dean, você, a Natalie e eu vamos nos concentrar em uma forma de ajudar a Claire. — e depois que eles assentiram, concluiu: — Faltam duas semanas para o eclipse. Duas semanas para o Crowley tentar quebrar o selo e fazer o Inferno na Terra. Nós não vamos baixar a guarda até lá e não vamos ficar chorando pelos cantos. Nós vamos nos preparar e ajudar a minha filha a se manter firme porque... Daqui a duas semanas, nós vamos deter aquele idjit dos infernos e seus soldados imundos. De uma vez por todas.
XXX
Hesitante, Sam abriu a porta do quarto com cuidado e olhou na direção da cama, onde tinha acomodado Claire quando a encontrou desmaiada no chão, no começo do dia. Porém, ao perceber que a cama estava vazia, o caçador adentrou o recinto, olhando tudo em volta com certa ansiedade, e quando viu a esposa em pé, procurando algo dentro do guarda-roupa, sentiu o seu coração disparar no mesmo instante, e murmurou surpreso e aliviado ao mesmo tempo:
— Claire...
Isso fez com que a caçadora olhasse na direção dele imediatamente. Então, enquanto Sam caminhava na direção dela a passos largos, a morena lhe lançou um meio sorriso, indicou o pijama que vestia e perguntou tranquilamente:
— Ei, por acaso foi você que vestiu isso em mim? Eu não me lembro... — surpreendida por um abraço caloroso do marido, Claire parou de falar no mesmo instante e exclamou surpresa: — Uau! Isso sim é o que eu chamo de abraço apertado. — e quando os braços do Winchester se estreitaram ainda mais em volta do seu corpo, ela fez um esforço para conseguir respirar e avisou com a voz embargada: — Amor... Você está me sufocando.
Sam finalmente diminuiu a pressão do abraço e se afastou alguns centímetros, a fim de fitar Claire nos olhos. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele segurou seu rosto entre as mãos, fechou os olhos e uniu seus lábios aos dela com um beijo urgente. Um beijo que traduzia toda a tensão daquele dia e o alívio que Sam estava sentindo agora. Um alívio que não era pleno, porque ele sabia muito bem que aquilo estava longe de acabar.
Quando ele finalmente interrompeu o beijo e apoiou a testa na dela, ainda de olhos fechados, Claire murmurou sem fôlego:
— O que aconteceu...?
Essa pergunta fez o caçador abrir os olhos, se afastar um pouco e articular com uma indignação crescente:
— O que aconteceu? Claire você desmaiou e passou horas inconsciente. Nem o Cas conseguiu ajudar. Por um momento, eu pensei que tivesse perdido você. Na verdade, eu ainda estou com essa sensação de que vou te perder a qualquer momento.
— Ei... — sibilou a caçadora, dando um passo na direção dele e tocando o seu rosto, antes de dizer: — Eu estou aqui. Se acalme.
— Me acalmar? — rebateu Sam ainda mais indignado. O alívio pela esposa ter acordado dando lugar a certa raiva diante da tranquilidade dela. — Por acaso você ouviu o que eu disse? Você...
— Sim, eu desmaiei. — ela falou, o interrompendo. — Eu ouvi e agora que você falou... Sim, eu me lembro. Mas não foi nada demais, Sam. Foi só uma disposição sem...
— Chega! — cortou o Winchester abruptamente. — Pare de fazer pouco caso do que está acontecendo! Pare de fazer pouco caso de você! Claire, você tem se sentindo indisposta há semanas, tem passado mal com frequência e se feito de forte, mas... Desta vez, você conseguiu me assustar para valer, então... Pare. — tentando manter a calma, afinal a última coisa que queria era se desentender com Claire naquele momento, Sam respirou fundo e perguntou mais calmo: — O que aconteceu? O que você sentiu?
Sem entender por que o marido estava tão preocupado com aquilo, Claire argumentou:
— Isso importa? Eu estou bem agora.
— O que você sentiu? — insistiu Sam, a fitando seriamente.
Depois de respirar fundo, Claire achou melhor responder de uma vez:
— Tudo bem. Eu fiquei um pouco tonta e tive uma enxaqueca, então... Eu não sei, eu acho que perdi o ar e apaguei.
— Filho da mãe. — xingou Sam, caminhando em círculos pelo quarto.
— O quê? — estranhou a caçadora, franzindo o cenho.
Sam parou no meio do quarto, olhou na direção dela e, lembrando-se da conversa de momentos antes na sala principal, tentou explicar, mas acabou despejando tudo de um jeito afoito:
— É o Crowley. Ele está fazendo isso com você. Ele tem uma parte do seu sangue por causa do exército de demônios. Abaddon e Belial fizeram um corte na sua mão, lembra? Eles usaram o seu sangue naquele ritual. Então cada soldado absorveu uma parte e... O Crowley... Ele...
— Sam... Espera. — pediu Claire, sentindo-se zonza com tantas informações sem nexo. — Do que você está falando? Eu não estou entendendo...
Percebendo que não estava se expressando muito bem, o Winchester procurou se acalmar novamente e depois caminhou até Claire dizendo:
— É uma longa história, okay? E eu vou explicar tudo, mas não agora. — e depois de segurar na mão dela e começar a conduzí-la na direção da porta, continuou: — Vem comigo. O Bobby e os outros estão preocupados também. Eles precisam ver que você acordou.
Enquanto o seguia, Claire deixou escapar:
— Por acaso eles também vão me abraçar como se eu tivesse voltado da morte ou algo assim?
Irritado com a piada, Sam deteve o passo, voltou-se para a esposa e a repreendeu:
— Pare de brincar com isso.
Arrependida, confusa e um tanto nervosa, Claire tentou se defender:
— Eu não estou brincando, mas... — depois de hesitar por um instante e finalmente sentindo uma ponta de medo em relação ao que devia estar acontecendo com ela, Claire confessou com a voz embargada: — Droga... Você está me assustando.
Sentindo-se culpado por ter perdido a calma e por não ter medido as palavras, quando tentou contar o que estava acontecendo para ela, Sam a abraçou novamente e foi prontamente correspondido. Depois, ele acariciou os cabelos da caçadora e lamentou:
— Me desculpe. Eu acho que estou assustado também. Mais do que você, provavelmente. E eu odeio me sentir assim, Claire. Eu odeio o que está acontecendo, mas eu juro que vou dar um jeito nisso. Você vai ficar bem. Tudo vai ficar bem.
Depois de alguns instantes abraçada a ele, a morena procurou pelo rosto de Sam, lhe deu um selinho carinhoso e, embora não estivesse entendendo nada, assentiu com um meneio de cabeça, esperando que ele explicasse tudo no momento certo.
Em seguida, Sam abriu a porta do quarto, mas antes que pudesse dar um passo para fora do recinto, deu de cara com Bobby, que foi até ali atraído por falas exaltadas que pôde ouvir do andar inferior do bunker.
— Eu não acredito que você estava discutindo com ela, idjit. — criticou o velho caçador, lançando um olhar repreensivo para o Winchester.
Antes que ele pudesse se defender, Claire antecipou-se em esclarecer:
— Nós não estávamos discutindo, apenas conversando...
No entanto, antes que ela pudesse continuar, Bobby adentrou o quarto e a abraçou, tão forte quanto Sam havia feito momentos antes. Isso fez um alerta se acender dentro de Claire, a deixando ainda mais apreensiva. Definitivamente, tinha alguma coisa errada com ela. E pelo visto, era grave.
Sentindo seus olhos arderam, ficarem marejados e sua garganta um tanto seca, Claire olhou para Sam por sobre o ombro de Bobby e questionou aflita:
— O que está acontecendo comigo?
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