Notas iniciais
Oi, gente. Tô aqui e já vou começar me desculpando pela demora. Sorry. Não gosto de fazer isso, mas o meu bloqueio ainda persiste. Desde a última atualização, eu não consegui escrever um reles capítulo. Este e os três seguintes já estavam prontos, mas eu pensei seriamente em reescrevê-los porque quando fui revisar, achei um lixo. Espero sinceramente que seja apenas impressão minha. Mesmo com todas as dificuldades, bloqueios e macumbas, quero que vocês saibam que eu não vou desistir da fic. Posso encurtá-la, pode não ficar exatamente como eu almejo, posso demorar um pouco mais para atualizar, mas desistir, jamais. Aproveito para me desculpar também com as autoras que eu acompanho algumas fanfics. Tentei ler neste final de semana, mas não estava conseguindo me concentrar. Não sei se tem relação com esta fase do cão, mas começo a ler e meu cérebro viaja lá para Nárnia. Prometo que vou tentar ler tudinho esta semana. Bem, sobre o capítulo de hoje, teremos muitas explicações e informações importantes para os eventos futuros da fic. Espero que gostem.

Na sala principal do bunker, os passos de Mia eram ouvidos à medida que ela caminhava lentamente em volta da mesa. Com os braços cruzados contra o peito e uma expressão desconfiada no rosto, a caçadora revezava o olhar entre Dean e Natalie, enquanto Castiel, Bobby, Sam e Claire se entreolhavam, torcendo para que Mia dissesse alguma coisa logo e quebrasse aquele silêncio constrangedor.

Também sentindo-se desconfortável com o silêncio que ela mesma instaurou, Mia parou na cabeceira da mesa, apoiou as mãos na cadeira vazia e se dirigiu a Natalie e Dean:

— Quer dizer que vocês precisam de mais tempo?

Depois de trocar um olhar cúmplice com a loira, e no fundo se controlando para não rir, pois tendo em vista o que aconteceu em uma sala mais reservada do bunker, momentos antes, podia-se afirmar que os dois já tinham se entendido, e muito bem, Dean respondeu seriamente:

— Foi como eu disse, coelha. Em 24 horas, eu e a Natalie não vamos conseguir lavar nem metade da nossa roupa suja. Essas coisas demandam tempo, paciência, diálogo.

Neste momento, a loira resolveu se manifestar e disse cheia de si:

— Mas, o importante é que eu decidi ficar e ver no que isso vai dar. Afinal, o Sr. Awesome insistiu tanto, mas tanto, que eu me sentiria um monstro se não atendesse a sua súplica desesperada.

— Menos, Natalie. Menos. — reclamou Dean, embora, no fundo, tivesse gostado de ouvir a caçadora o chamando por aquele apelido de novo. Foi impossível não se lembrar de quando ela o chamou assim, pouco antes dos dois irem parar embaixo da mesa que havia na tal sala reservada. — Em outras palavras, — retomou, tentando parar de pensar naquela sessão de brincadeira, antes que cedesse a um impulso de levar Natalie para lá novamente, naquele mesmo instante, sem se dar ao trabalho de dar explicações a ninguém — nós estamos tentando recomeçar, com calma e aos poucos, e agradeceríamos muito se você não colocasse tanta... Pressão sobre nós. Pode ser?

Depois de pensar por alguns instantes, Mia sentou-se na cadeira, apoiou os braços sobre a mesa, observou os dois por mais algum tempo até que, por fim, deu o seu aval:

— Tudo bem, eu vou respeitar o tempo de vocês. Desde que os pombinhos não estejam me enrolando, é claro.

— Nós não estamos. — assegurou Natalie, olhando de soslaio para Dean, que sustentou o seu olhar por alguns instantes. — Agora, será que nós podemos mudar de assunto? — propôs na sequência, olhando para Mia.

— É uma ótima ideia. — apoiou Dean, voltando-se para a amiga de um jeito sério e interessado, bem como as demais pessoas na mesa.

Com tantos olhares sobre ela e entendendo o que isso significava, Mia ficou visivelmente tensa e apreensiva. Incomodada com a ideia de colocar as cartas na mesa sobre os meses conturbados que passou longe dali, perdida e sendo manipulada pelo Rei do Inferno.

A vergonha e a culpa a consumiam por dentro, fazendo a garota perder completamente o foco e desviar daqueles olhares.

Percebendo isso, Castiel, que estava sentado na cadeira próxima a cabeceira, colocou sua mão sobre a de Mia, fazendo-a olhar para ele automaticamente, e orientou de um jeito compreensivo:

— Nós temos uma ideia do que aconteceu, Mia. Das coisas que você foi obrigada a fazer. Das coisas que você, com certeza, não faria se tivesse tido escolha. Não precisa falar sobre isso, se você não quiser. Vamos nos concentrar no que o Crowley está planejando e em como nós vamos impedí-lo.

Ao ouvir tais palavras somadas ao olhar carinhoso do anjo, Mia foi relaxando consideravelmente. Logo, ela lhe lançou um leve sorriso de concordância, entrelaçou seus dedos nos dele, voltou-se para os Winchester, suas esposas e Bobby, e começou de fato:

— Atualmente, existe um controle de quais e quantos demônios saem do Inferno. Mas, se o Crowley quebrar o selo que a tradução da Tábua dos Anjos revelou, ou seja, libertar os anjos que caíram com Lúcifer, todos os portais, espalhados pelo mundo, irão se abrir. Será literalmente... O Inferno na Terra.

— Seria. — corrigiu Bobby firmemente. — Porque nós não vamos deixar isso acontecer. — assegurou, fazendo Claire o fitar com certa admiração, enquanto os outros assentiram em concordância, deixando claro que apesar das dificuldades, eles não desistiriam daquela luta.

Na sequência, Sam se dirigiu a Mia:

— Como o Crowley pretende libertar os anjos caídos? Eu quero dizer... Como ele vai conseguir abrir os portais, para começo de conversa?

Depois de se lembrar das inúmeras conversas que teve com o Rei do Inferno sobre o assunto, Mia relatou:

— Com um ritual. Para isso ele precisa de um eclipse, uma bruxa de um clã, teoricamente, extinto, e de... — após um instante de hesitação, sentindo a culpa consumí-la mais uma vez, a garota completou: — 666 pactos firmados entre pessoas e demônios de encruzilhada.

Um longo momento de silêncio dominou a sala principal, enquanto Sam, Dean, Claire, Natalie, Castiel e Bobby se entreolhavam. Apesar de não julgarem Mia pelas coisas que ela havia feito, eles podiam imaginar como a caçadora estava se sentindo com tudo aquilo e sabiam que ela tinha feito coisas bem... Graves, por assim dizer.

Depois de pigarrear e pensar bem nas palavras que usaria, Sam indagou com cautela:

— Você tem alguma noção de quantos pactos foram feitos?

Depois de engolir em seco, Mia desviou do olhar de todos e respondeu:

— Eu devo ter ajudado o Crowley a fechar pelo menos... Uns... 90 pactos. — e sentindo uma grande necessidade de se justificar de alguma forma, ela completou rapidamente: — Mas eu sei que ele tinha outros... Ajudantes, a maioria soldados do exército, porque eu não era um bom exemplo de eficiência nesta área e selar os pactos era uma prioridade para ele.

— Você conseguiu 90 pactos para aquele desgraçado e ainda acha que não foi uma ajudante eficiente? — questionou o Winchester mais velho, em tom de crítica e sem pensar direito no peso de tais palavras.

— Dean. — repreendeu Castiel, fitando o amigo duramente, enquanto Mia era invadida pela culpa novamente.

Depois de olhar na direção dela e perceber o que havia feito, Dean lamentou:

— Desculpe, Mia. Eu não quis...

— Tudo bem. — interrompeu ela. — Eu sei que não foram 90 pactos, mas 90 vidas. Vidas que serão ceifadas, daqui a dez anos, por minha culpa.

— Você não obrigou essas pessoas a venderem suas almas, Mia. — articulou Claire.

— Mas eu as conduzi para isso. Eu mostrei o caminho. — admitiu ela. — E acreditem, eu fui bem persuasiva quando necessário. Pior, eu... Gostava de fazer isso. — admitiu com nojo de si mesma, fazendo Castiel lhe lançar um olhar cheio de compaixão e segurar a sua mão com mais força.

— Não foi sua culpa. — afirmou o anjo, pela milésima vez desde que a garota tinha voltado para o bunker.

— Foi sim. — retrucou Mia com um olhar distante. Mas, depois de pensar um pouco e se dar conta de que não tinha como mudar o que havia feito, ela respirou fundo, olhou para Castiel e disse determinada: — Mas você está certo, anjo. Vamos nos concentrar no desgraçado do Crowley, em impedí-lo e quem sabe até em salvar essas almas de alguma forma.

— É assim que se fala, filha. — balbuciou Bobby, lançando um discreto sorriso para a caçadora. Mas, ao perceber que Claire estreitou o olhar na direção dele, o caçador brincou: — Não fique com ciúme, princesa. Se eu posso ter dois filhos, acho que posso ter duas filhas também, não?

Sam e Dean olharam para Bobby com certo respeito e gratidão, enquanto Claire e Mia sorriram levemente para ele. Já Natalie, ergueu a mão discretamente e se incluiu na conta:

— Três filhas, certo?

Imediatamente, Bobby sorriu para ela e concordou:

— Três, Natalie.

Depois que a loira sorriu agradecida e um tanto envergonhada por ter sido meio cara de pau, Sam concentrou-se em fazer uma rápida pesquisa, através do notebook sobre a mesa, e logo relatou:

— Certo, o próximo eclipse, que será solar, está previsto para daqui a três semanas e, de acordo com este site, vai coincidir exatamente com o solstício de verão.

— O dia mais longo do ano... Com o céu totalmente escuro. — sibilou Claire um tanto distraída. — Parece ser mesmo o dia perfeito para trazer o Inferno à Terra, não? — refletiu, mas em seguida, fez questão de salientar: — Supondo, é claro, que o Crowley fosse conseguir fazer isso. Mas ele não vai.

Após um momento de silêncio, foi a vez de Dean se manifestar:

— Sem querer ser pessimista, mas só recapitulando aqui... Nós temos três semanas para impedir o Crowley de abrir portais do Inferno por todo o mundo? — antes que alguém respondesse, ele emendou: — Quantos eles são, afinal? Dezenas? Centenas?

— Milhares. — respondeu Mia, deixando todos surpresos, exceto Castiel que, como anjo, tinha presenciado o surgimento do Inferno e sabia que havia milhares de portais para ele espalhados pelo mundo. — Cada encruzilhada, cada esquina, cada prédio abandonado, qualquer lugar pode ser um portal para o outro lado. — relatou ela, e depois de uma breve pausa, articulou: — Mas, a boa notícia é que para abrir todos os portais do Inferno, o Crowley precisa abrir um em especifico primeiro. O portal principal. Aquele que se aberto, irá libertar os anjos que caíram com Lúcifer, que é o rompimento do selo para a ascensão infernal, propriamente dita. Então, quando o último anjo cruzar a linha de chegada, haverá uma espécie de efeito dominó, que abrirá os demais portais. No entanto, se nós estivermos lá, no local certo, para impedir o Crowley de dar o pontapé inicial... Bye bye fim do mundo.

— E por acaso você sabe onde este portal fica? — indagou Bobby, depois de ponderar o que tinha ouvido.

— Não, eu acho que o Crowley não confiava tanto em mim assim para revelar a localização. Mas eu aposto que os Homens das Letras devem ter escrito algo sobre isso. Eu posso ajudar a pesquisar nos acervos. — sugeriu Mia.

— Eu posso ajudar também. — habilitou-se Castiel. — Na verdade, eu tenho alguns palpites que podem ajudar a estreitar a nossa busca.

— Sem querer ser pessimista de novo — anunciou Dean, chamando a atenção de todos para si — mas, mesmo que a gente descubra onde este portal fica, o Crowley ainda tem aquele maldito exército de demônios fortificados com enxofre, lembram?

Enquanto todos pensavam sobre a questão levantada pelo caçador, Mia voltou a se pronunciar:

— Sobre isso... Eu descobri uma coisa que pode nos ajudar a acabar com estes demônios de uma vez por todas.

Imediatamente, todos olharam para ela surpresos e Castiel indagou:

— Você o quê?

Com isso, Mia se voltou na direção dele e tentou se explicar:

— Desculpe, anjo, eu ia contar. Mas eu voltei ontem e, desde então, nós não saímos mais daquele quarto e não paramos de...

Sentindo que estava falando demais, Mia se calou imediatamente e fitou todos na mesa com certo constrangimento. Em seguida, olhou para Castiel de soslaio, constatando que ele também tinha ficado envergonhado por ela ter deixado aqueles detalhes íntimos escaparem assim.

Por sorte, Claire, que estava visivelmente interessada no que a garota tinha a contar, pigarreou para chamar a atenção de todos e lhe pediu:

— Prossiga, Mia.

Foi o que ela fez em seguida:

— Aparentemente, o exército tem um ponto fraco. O seu líder. O nome dele é Sawyer. — diante das expressões interrogativas de todos na mesa, a garota explicou melhor: — Digamos que, se o exército fosse um corpo, com certeza, Sawyer seria a cabeça. Então... Cortando a cabeça...

— Duas nascerão em seu lugar? — arriscou Dean, um tanto empolgado ao se lembrar de uma série que estava acompanhando assiduamente.

Sam não aguentou e riu levemente diante do que ouviu, antes de esclarecer:

— É um exército de demônios, Dean, não a HYDRA.

— Eu entendi a referência. — disse Castiel, sorrindo com certa satisfação.

Incomodado com a perda de foco dos três, Bobby resmungou:

— Balls! Será que vocês podem deixar a garota prosseguir, idjits?

Imediatamente, Sam, Dean e Castiel ficaram sérios e se endireitaram nas respectivas cadeiras, permitindo assim que Mia retomasse:

— Como eu estava dizendo, Sawyer é a cabeça do exército. E cada demônio ali está ligado, sobrenaturalmente, a ele. Então, se nós matarmos o desgraçado, o exército inteiro morre.

Após refletir sobre o que tinha ouvido, Natalie questionou:

— Como nós não encontramos essa informação quando passamos meses e meses fazendo pesquisas e mais pesquisas nos acervos deste lugar?

Prontamente, Mia encontrou uma explicação:

— Os Homens das Letras não tinham como estudar o exército tão a fundo, afinal, aqueles demônios estavam enterrados nas profundezas do Inferno desde que o mundo é mundo praticamente. Tudo o que se sabia sobre eles eram especulações e fofocas arrancadas com muita tortura, durante alguns exorcismos catalogados pelos Homens das Letras. Mas, há umas duas semanas, eu ouvi Sawyer e Crowley conversando sobre isso. É informação confiável. Direto da fonte.

Após um longo momento de silêncio, durante o qual todos pensaram sobre o que haviam ouvido, Claire ponderou:

— O Crowley não tem interesse nenhum nos anjos caídos. Ele só vai libertá-los porque precisa, já que isso representa o rompimento do selo. Depois disso, eu aposto que ele vai usar os seus soldados para eliminar esses anjos. Então, se nós conseguirmos cortar a cabeça e destruir o exército, antes do Crowley ter a chance de abrir o portal principal...

— Ele vai ser obrigado a recuar. — deduziu Sam, completando o raciocínio da esposa. — Ele não vai se arriscar em libertar esses anjos assim, sem um plano de contingência. Mesmo que seja para expandir as fronteiras do Inferno, o Crowley sabe que é muito arriscado e que esses anjos poderiam se tornar um grande problema. Ele não é burro. O Crowley vai precisar rever tudo o que planejou nos últimos meses, esperar um novo eclipse...

— Mas ele não terá tempo para orquestrar um novo plano porque, sem aquele maldito exército por perto, nós finalmente poderemos resolver a situação dele de uma vez por todas. — argumentou Dean, sentindo o desejo de vingança se alastrar dentro de si, ao pensar na morte relâmpago de Natalie e em tudo o que o Rei do Inferno fez com cada pessoa em volta daquela mesa, principalmente com Mia.

Deduzindo o que o caçador estava sentindo, e compartilhando do mesmo desejo que ele, Natalie deixou-se levar por um impulso e segurou a mão de Dean sobre a mesa, antes de olhar em seus olhos e afirmar:

— É exatamente o que nós vamos fazer, Sr. Awesome. Resolver a situação dele. Definitivamente.

No mesmo instante, Dean olhou para a mão da loira sobre a sua e sentiu aquele desejo por vingança e justiça se fortalecer, bem como uma onda de confiança que o invadiu. E ele só conseguia pensar em como era bom ter Natalie ao seu lado, em como as coisas pareciam mais fáceis ao lado dela, em como era importante tê-la como parceira para o que desse e viesse.

Então, instintivamente, o caçador colocou a sua outra mão sobre a dela. Mas, ambos romperam o contato físico logo depois e se endireitaram nas cadeiras, ao perceberem que aquela demonstração de carinho e cumplicidade podia ser mal interpretada pelas pessoas ali — principalmente por Mia. Afinal, para todos os efeitos, os dois ainda estavam separados, tentando recomeçar, procurando se entender de novo. E isso demandava tempo. Muito tempo.

Enquanto Mia franzia o cenho, desconfiada por conta da breve cena que presenciou, Bobby recomeçou:

— Isso é lindo, pessoal. Mesmo. Mas como nós vamos matar esse tal Sawyer? Algo me diz que o cara deve ser duro de matar, não?

Preferindo não dar tanta importância para o que presenciou entre Dean e Natalie, Mia se focou no assunto principal e respondeu:

— O ideal seria usar a Primeira Espada no desgraçado. Mas eu não sei onde o Crowley a esconde. Então... Sei lá, nós podemos tentar a Colt.

— Tentar? — repetiu Dean, sem gostar do tom de incerteza na sugestão da amiga.

— É a nossa melhor chance. — afirmou Mia. — O Sawyer pode ser mais forte que os demônios comuns, mais forte que os soldados do seu exército, mas ainda assim é um demônio. E a Colt mata demônios, certo?

Após pensar por um instante, Castiel opinou:

— A Mia está certa. — e olhando especificamente para os Winchester, completou: — Vocês usaram a Colt para matar o Azazel, que era bem poderoso, e deu certo porque a arma funciona em demônios. Não importa o patamar deles.

Ao ouvir tudo isso, Dean se levantou da cadeira anunciando:

— Okay, então eu vou até Las Vegas tentar recuperá-la. — e quando todos arregalaram os olhos em sua direção, ele molhou os lábios rapidamente, arqueou as sobrancelhas e explicou: — Oh... Desculpem, eu não falei que perdi a Colt em uma partida de poker? — diante das expressões de pânico que todos esboçaram, Dean ergueu as mãos em sinal de rendição, sorriu e os tranquilizou dizendo: — É brincadeira.

Enquanto todos respiravam aliviados, o caçador pensou sobre a última palavra que disse e, lembrando de um outro sentido que ela possuía para ele e Natalie, olhou na direção da loira de um jeito sugestivo e carinhoso, quase sem perceber.

— Idiota. — xingou Natalie, desviando do olhar de Dean e tentando disfarçar que tal palavra também tinha mexido com ela.

— Você quer me ajudar a procurar, sua insuportável? — Dean perguntou em seguida, e quando a loira o fitou um tanto surpresa e constrangida com o convite, já que todos na mesa olharam para os dois, o caçador completou do jeito mais natural que pôde: — Eu realmente não lembro onde guardei aquela arma. Uma ajudinha viria muito a calhar.

Depois de hesitar por alguns instantes, Natalie se convenceu de que Dean não estava lhe pedindo nada de mais.

Sendo assim, ela se levantou rapidamente e assentiu:

— Claro, Cupcake. Vamos.

Assim que os dois deixaram a sala, todos na mesa se entreolharam, mas prefiram não fazer nenhum comentário. Ao invés disso, Sam voltou-se para Mia e recomeçou com certo cuidado:

— Mia, eu não quero te assustar, e realmente espero que a gente consiga resolver a situação do Crowley definitivamente, mas... Você sabe de muita coisa e, se o Crowley tiver oportunidade, ele não vai deixar isso barato.

— Eu sei, mas nós vamos impedí-lo antes, certo? — rebateu a garota prontamente. — Antes que ele possa pensar em vir atrás de mim? Antes que ele... Machuque algum de vocês para me atingir?

Antes que Sam respondesse, Castiel entrelaçou seus dedos aos de Mia com mais força, fazendo-a olhar em seus olhos e assegurou de um jeito determinado:

— Não se preocupe, Mia. Em breve, o Crowley não vai machucar mais ninguém.

Sentindo-se mais confiante, a garota fitou o anjo de um jeito carinhoso e lhe lançou um leve sorriso de concordância.

Enquanto isso, Sam voltou-se para Claire e viu que ela estava com o braço apoiado na mesa, a mão massageando a testa e os olhos fechados. Então, preocupado, ele se aproximou um pouco dela e indagou:

— Ei... O que foi?

Bobby, que também estava olhando para ela, emendou:

— Você está sentindo alguma coisa, filha?

Imediatamente, Mia e Castiel olharam na direção da caçadora que, sem querer preocupar ninguém, e achando que a súbita enxaqueca que sentiu não era nada de mais, fez um esforço para se recompor e respondeu:

— É só uma dor de cabeça. — e enquanto se levantava, avisou: — Eu vou tomar um analgésico e já vai passar.

— Eu vou com você. — habilitou-se Sam, fazendo menção de se levantar.

No entanto, Claire colocou a mão sobre o ombro dele e dispensou:

— Não precisa.

— Eu faço questão. — insistiu o Winchester, não dando outra escolha para Claire, a não ser se conformar com o seu excesso de zelo.

Por fim, os dois começaram a se afastar e Mia, Castiel e Bobby os seguiram com olhares preocupados.

Mia, além de preocupada, ficou pensativa depois que o casal finalmente desapareceu do seu alcance de visão. Isso porque um pressentimento ruim a invadiu aos poucos, fazendo-a se perguntar se Claire estava só com uma dor de cabeça mesmo ou... Se alguma coisa mais grave estava acontecendo com ela. Ou prestes a acontecer.

XXX

Enquanto isso, Natalie, que estava com Dean numa sala do bunker, onde ficavam as armas e munições, subiu em uma escada, pegou uma caixa de madeira em uma prateleira de um enorme armário, a abriu, viu que a Colt estava dentro e ironizou:

— Nossa, Sr. Awesome. Realmente... Foi bem difícil de encontrá-la.

Depois de fechar a caixa com cuidado e olhar para baixo, a loira percebeu que Dean estava olhando fixamente para as suas pernas, que estavam à mostra por causa de um short jeans que ela usava.

Então, depois de pigarrear para chamar a atenção dele, a caçadora riu sem humor e disse:

— Você é inacreditável, sabia? E muito tarado...

Depois de disfarçar a tal secada, olhando para o lado e coçando a nuca por um instante, Dean estendeu a mão e Natalie lhe entregou a caixa, que ele prontamente colocou em uma mesa atrás de si. Em seguida, antes que a loira começasse a descer a escada, o caçador a segurou pela cintura e a trouxe para o chão. Ou melhor, para perto do seu corpo, com um movimento preciso e firme.

Natalie sentiu o seu rosto corar diante da súbita proximidade e fitou o Winchester nos olhos por um tempo irrelevante, enquanto mantinha as mãos agarradas aos braços dele, apesar dos seus pés já estarem bem firmes no chão.

— Não começa. — pediu ela, assim que conseguiu recuperar o ar.

— O que eu estou fazendo, Baby? — rebateu Dean, fazendo-se de desentendido, com um leve e cretino sorriso nos lábios, enquanto olhava ora para os olhos, ora para a boca da caçadora.

Depois de estreitar o olhar na direção dele e inclinar um pouco a cabeça, Natalie insinuou:

— Você sabe muito bem. Nós estamos recomeçando, lembra? Portanto, nada de brincadeiras por enquanto.

— Mas nós brincamos embaixo daquela mesa... Lembra? — recordou o Winchester, sentindo um calor libertino se espalhar por seu corpo ao pensar no que tinha acontecido naquela manhã.

Natalie ficou visivelmente desconcertada ao ouvir aquilo, mas conseguiu se recompor e então articulou:

— Foi uma exceção. Nós combinamos que depois... Daquilo, íamos levar este recomeço à sério. Com calma, aos poucos e sem segundas intenções, lembra?

Depois de trazer Natalie para mais perto de si, a fazendo ficar um tanto tensa, o caçador passou uma mão em volta da nuca dela, a deixando arrepiada e desconcertada de novo, e só então respondeu de um jeito sedutor:

— Lembro, mas... O que você acha da gente abrir uma nova exceção agora mesmo, hum? Depois, aí sim, nós podemos recomeçar do zero. Com calma, aos poucos e sem segundas intenções. — Natalie ia tentar se esquivar, mas então Dean a envolveu de um jeito mais caloroso em seus braços, aproximando ainda mais os seus rostos, e intimou: — O que você me diz, Baby?

Após um breve conflito interno, ponderando os prós e os contras de ceder àquela proposta indecorosa, mas muito interessante, Natalie desistiu de tentar resistir ao que realmente queria. Então, ela passou os braços em volta do pescoço do caçador e, enquanto inclinava o rosto na direção do dele, murmurou em concordância:

— Sr. Awesome...

Logo, seus lábios encontraram os de Dean em um beijo apaixonado e intenso. Repleto de calor, desejo e sentimento. E logo os dois abriram a nova exceção ali mesmo...

Notas finais
Aceitável?