Notas iniciais
Oi, gente!!! Estou chegando com um capítulo 100% Miastiel, mas que não é Miastiel e ao mesmo tempo eu acho que é. Oi? Well, é bem confuso mesmo... Só lendo para entender... Pequena ressalvinha, teremos algumas referências a fic anterior e também a Destino, ok? Enfim, não tenho muito o que dizer, só que eu ameiiiiiiiii e ao mesmo tempo sofriiiiiiiiiii escrevendo este paranauê. Eu só ia postar este capítulo no sábado, maaaaaaas, não aguentei. Me julguem. Lá vai...

Castiel permanecia imóvel e mudo no toalete feminino, olhando fixamente para Mia a poucos metros dele.

Enquanto isso, algumas mulheres batiam na porta e tentavam abrí-la, mas como não conseguiram, elas imaginaram que o lugar estava em manutenção e foram procurar outro toalete no estabelecimento.

Mia, por sua vez, achava aquela situação cada vez mais estranha. O que aquele sujeito queria com ela, afinal? E por que não dizia alguma coisa logo?

Cansada de esperar que ele se manifestasse à respeito, Mia caminhou resoluta na direção da porta e tentou passar por ele. Mas, cada vez que ela ia para um lado, Castiel se movia para o mesmo lado e ficava sempre em seu caminho.

Aquilo se repetiu algumas vezes, até que Mia parou, colocou as mãos na cintura, soltou um suspiro de impaciência e indagou:

— Você vai me convidar para dançar ou algo assim?

— Algo assim. — respondeu Castiel, finalmente conseguindo dizer alguma coisa, embora a sua expressão ainda denunciasse a confusão que sentia por dentro.

— Ah! Então você fala! Nossa! Ainda bem. Por um momento eu pensei que você fosse mudo. — zombou Mia, lhe lançando um sorriso amarelo.

Ouvir aquilo mexeu com o anjo de alguma forma. Isso porque Mia parecia muito distante quando disse aquelas coisas. Era como se ela não o reconhecesse.

Numa tentativa de trazê-la de volta para a realidade ou de pelo menos entender por que ela estava agindo daquele jeito tão frio, Castiel articulou com certa ingenuidade:

— Você sabe muito bem que eu não sou mudo.

— Eu sei? — indagou Mia, cada vez mais confusa em relação àquele estranho. — Quer saber? Não importa. O que importa é que eu quero sair daqui, então se você puder me dar licença, eu serei eternamente grata, coração. — disse, tentando encerrar aquela conversa e passar por Castiel mais uma vez.

Porém, novamente ele se posicionou na frente da garota, fazendo-a deter o passo. Em seguida, estreitou o olhar sobre Mia, franziu o cenho e confessou:

— Eu não entendo.

Depois de revirar os olhos e soltar mais um suspiro de impaciência, ela retrucou:

— Não entende o quê?

— Você parece diferente. — respondeu Castiel, olhando profundamente nos olhos de Mia, como se quisesse ver algo dentro dela, como se procurasse naquele olhar frio e indiferente, o olhar carinhoso e radiante que Mia costumava exibir quando olhava para ele. — Não só fisicamente, mas diferente de outra forma... — o anjo tentou explicar, porém como não encontrou as palavras certas, questionou: — Por que você está agindo como se não me conhecesse?

— Talvez porque eu não te conheço. — sugeriu a garota sem pestanejar, achando aquela pergunta muito óbvia.

— Conhece sim. Melhor do que ninguém, aliás. — afirmou Castiel, deixando Mia intrigada.

Por um momento, ela chegou a pensar que talvez o conhecesse. Tinha algo de familiar nele, afinal. Mas logo Mia se convenceu de que aquilo era só uma falsa impressão. E então ela respondeu:

— Acredite, eu não me esqueceria de um rosto como o seu.

Após um instante a observando e pensando sobre o que tinha ouvido, o anjo inclinou um pouco a cabeça e questionou:

— Por acaso isso foi uma cantada?

— Apenas uma constatação. — replicou Mia tranquilamente, mas como o estranho continuou olhando para ela, intrigado com algo subentendido naquela constatação, Mia confessou: — Qual é? Eu não cega. Você é uma gracinha.

Sem conseguir disfarçar certa alegria e alívio por ouvir aquilo, Castiel lembrou:

— Isso... Você costumava dizer isso. Que eu era uma gracinha. Mas era mais como um trocadilho por causa da minha...

— Olha, eu entendo, ok? — interrompeu Mia, voltando a ficar impaciente diante daquela situação. — Você está em um bar, deve ter bebido horrores e com certeza está me confundindo com alguém. — argumentou, antes de passar as mãos pelos cabelos e fazer menção de que iria passar por ele de qualquer jeito.

No entanto, mais uma vez, Castiel impediu Mia de sair do toalete. Não só porque ele não queria perdê-la de vista, mas também porque notou algo em uma das suas mãos e, por isso, teve que perguntar:

— Onde está a sua aliança? — e olhando para o pescoço desnudo dela, acrescentou: — E o colar que eu te dei? Aquele com a junção dos nossos nomes.

Mia tentou conter um riso e desviou do olhar do sujeito. Convencida de que ele era um bêbado ou um maluco qualquer, ela disse meio sem jeito:

— Desculpe, mas eu não tenho ideia do que você está falando.

— Tem certeza que não... Mia? — desafiou Castiel, fazendo-a voltar a fitá-lo nos olhos, visivelmente surpresa e confusa por ouvir o seu nome na boca de alguém que não reconhecia.

— Como você sabe o meu nome? Quem... Quem é você? — perguntou ela por fim, dando um passo para trás, com uma expressão receosa e desconfiada.

Sem saber como dizer aquilo de uma forma mais sútil e convencido de que não tinha que hesitar em dizer a verdade de uma vez, o anjo respondeu de uma forma direta e firme:

— Eu sou o seu marido.

Houve um longo e constrangedor momento de silêncio durante o qual, Mia encarou o estranho na sua frente, se perguntando se realmente tinha entendido o que ele havia dito.

Castiel, por sua vez, a fitava com um olhar interrogativo e esperançoso, se perguntando se Mia tinha entendido o que ele havia falado e se finalmente iria parar de agir daquele jeito com ele. Mas, a reação de Mia o pegou totalmente desprevenido.

Isso porque ela simplesmente começou a rir. Primeiro de uma forma contida, mas logo se entregando de vez àquela vontade irresistível de rir da coisa mais absurda que ela já tinha ouvido em toda a sua vida. Mia gargalhou. Tentou se recompor, mas acabou rindo de novo. E de novo.

Castiel estreitou o olhar sobre ela, de um jeito sério e visivelmente magoado, antes de assegurar:

— Não é uma piada.

Isso só fez Mia rir ainda mais por longos instantes. Porém, percebendo que devia esclarecer as coisas de uma vez, se livrar daquele homem maluco e inconveniente, e sair daquele maldito toalete de uma vez por todas, ela fez um esforço e finalmente conseguiu conter o riso.

Em seguida, Mia ergueu as mãos na altura do peito e articulou:

— Desculpe, mas eu nunca fui casada. Aliás, eu posso te assegurar, com todas as letras, que eu nunca cometeria uma caretice dessas. Agora me deixe sair.

Quando Mia tentou passar por ele, Castiel se pôs na sua frente mais uma vez e retorquiu firmemente:

— Eu não posso. Não depois de tanto tempo procurando por você. Não depois de finalmente ter te encontrado. Eu ainda não acredito que você está mesmo aqui e...

De repente, o anjo parou de falar e ficou encarando a garota na sua frente. Apesar dela não dar qualquer indício de que o reconhecia, Castiel estava profundamente feliz por tê-la reencontrado. E aliviado por Mia não estar ferida.

Pensando em tudo isso e deixando-se levar pela saudade que sentia de Mia, ele deu um passo a frente e tocou o rosto dela com uma das mãos.

Em resposta, Mia teve um sobressalto e arregalou um pouco os olhos. Aquele sujeito estava indo longe demais, mas ela não podia negar que o toque dele lhe causou um certo frio no estômago e fez o seu coração acelerar sem explicação aparente.

No entanto, sentindo-se patética por isso, Mia voltou a si, afastou a mão de Castiel de uma forma abrupta, deu um passo para trás e esbravejou de um jeito raivoso:

— Ei! Não me toque!

Castiel a observou minuciosamente, como se mais uma vez quisesse ver algo dentro dela. Como se estivesse procurando pela Mia por quem se apaixonou, pela Mia que lhe mostrou que aquilo era possível, que ele podia amar e ser amado, mesmo sendo um anjo.

No entanto, Castiel não conseguiu encontrar a sua Mia naquele olhar frio e raivoso. E então ele questionou com certa tristeza:

— O que aconteceu com você? O que ele fez com você?

— Ele? Ele quem? — rebateu a garota sem entender, mas antes que o anjo explicasse de quem estava falando, Mia ergueu as mãos na altura do peito e recomeçou: — Olha... Apenas me deixe sair, tudo bem? Eu não quero te machucar, você parece ser um cara legal. Esquisito e completamente perdido, mas legal e bonitinho. Seria uma pena que algo de ruim acontecesse com você, então não me provoque e saia da minha frente.

— Não. — relutou Castiel, nem um pouco disposto a perder Mia de novo, por mais que ele não a reconhecesse naquela nova Mia. — Nós precisamos conversar. Longe daqui. Eu preciso entender o que está acontecendo. — e após uma breve pausa, ele arriscou: — O que você me diz de tomar um café?

Sem conseguir conter uma nova onda de risos, Mia retorquiu:

— Café? Sério? Olhe a sua volta, coração. Nós estamos em um bar. As paredes cheiram a álcool e você me convida para um café? Sabe, se fosse um shot de tequila, eu poderia até pensar no seu caso, mas café?

— Você ama café. — revelou Castiel, numa tentativa de fazer Mia se lembrar daquele detalhe tão importante sobre a sua personalidade.

Depois de parar de rir, ela esclareceu com segurança:

— Eu odeio café. — e diante da expressão confusa do desconhecido, ela acrescentou: — Viu? Como eu disse, você me confundiu com alguém. Agora saia da minha frente.

Novamente, Mia tentou passar por Castiel. Porém, novamente ele se posicionou na sua frente, a impedindo. Mas desta vez, o anjo fez mais do que isso. Disposto a jogar com as armas que tinha e correr qualquer risco para que Mia parasse de agir daquele jeito indiferente e voltasse a ser a Mia que ele conhecia, Castiel segurou firmemente na cintura da garota com uma das mãos, enquanto a outra envolvia o seu rosto.

Surpresa, Mia tentou recuar, mas desistiu quando aquele sujeito incoveniente e abusado a segurou com mais força e a trouxe para junto do seu corpo. Então, por mais que não conseguisse admitir isso, ela se perdeu naquele olhar estranhamente familiar que a fitava cheio de esperança e de... Outra coisa.

Mia estava confusa e com raiva de si mesma, porque numa situação como aquela, ela já teria reagido. Já teria afastado qualquer um que ousasse uma aproximação como aquela. E no entanto, por algum motivo, ela não conseguia esboçar qualquer reação naquele momento. No fundo, estava curiosa e ansiosa sobre o que aquele desconhecido planejava fazer.

Mia engoliu em seco quando os dedos de Castiel percorreram a sua nuca carinhosamente. E não se afastou, quando ele inclinou o rosto em sua direção. Quando ele fechou os olhos, um alerta se acendeu em um lugar da mente de Mia, mas não era um alerta suficientemente forte para fazer com que ela afastasse Castiel de uma vez.

Ao invés disso, ela fechou os olhos, quando sentiu os lábios dele se encaixando suavemente nos seus. Não demonstrou qualquer resistência, quando ele aprofundou o beijo, envolvendo seus lábios e sua língua de uma forma carinhosa e intensa. Mia não podia negar que aquilo era bom, mas apesar disso, não conseguiu abandonar a postura tensa que dominava o seu corpo.

O que estava acontecendo ali, afinal? Quem era aquele homem e por que ele pensava que tinha o direito de beijá-la daquele jeito? E por que Mia tinha deixado ele fazer isso? E por que estava se arrepiando tanto com aquele beijo?

Aos poucos, aquele alerta foi voltando a ganhar força na mente de Mia e ela percebeu como estava sendo ridícula. Odiava se sentir vulnerável daquele jeito, manipulada, usada. Odiava sentir as suas pernas bambas e o seu coração acelerado. Odiava se sentir daquele jeito tão humano e fraco. Não podia se sentir assim. Mia tinha uma missão, um propósito e, por mais que também gostasse de se divertir às vezes, isso não incluía agarrar um homem qualquer no banheiro feminino de um bar. Muito menos um cara que dizia ser o seu marido. Aquilo era loucura. Aquilo tinha que acabar.

Pensando desta forma, Mia finalmente interrompeu o beijo e afastou o desconhecido abruptamente.

Apesar de confuso e decepcionado com a interrupção, Castiel manteve certa proximidade e pediu ansioso:

— Me diga que você sentiu alguma coisa.

Mia o fitou com um olhar raivoso mais uma vez. No fundo, estava em conflito consigo mesma, mas também estava convencida de que não podia alimentar aquela loucura. Aquela não era ela. Mia não era uma mulherzinha que se deixava impressionar por um rostinho bonito e um beijo de tirar o fôlego. Aliás, aquilo não tinha sido um beijo de tirar o fôlego!

Então, erguendo o queixo de um jeito desafiador e olhando o estranho com desprezo, ela disse da maneira mais fria que conseguiu pronunciar essas palavras:

— Eu não senti nada.

Mas, ao invés do estranho ficar desapontado, Mia notou outra coisa na expressão dele. E por isso, ela se ouviu perguntando:

— O que foi?

— Você acabou de dizer a palavra proibida e não ficou vermelha. — constatou Castiel intrigado e decepcionado.

— Que palavra proibida? — não entendeu Mia, e em seguida se afastou mais um pouco, dando alguns passos para trás.

— É mais grave do que eu pensei. — disse o anjo, estreitando o olhar sobre ela e franzindo um pouco o cenho. — Onde ele está? E o que ele fez com você? — perguntou instantes depois, de um jeito inquisitivo.

Cada vez mais confusa e também impaciente, Mia replicou:

— Ele?

Sem mais rodeios, o anjo esclareceu:

— O Crowley.

Se Castiel tinha feito qualquer progresso em relação à Mia, naquele momento isso virou um completo retrocesso. Isso porque ao ouvir aquela resposta, o alerta na mente da garota se intensificou e ela se convenceu de que não podia, sob hipótese alguma, confiar naquele sujeito. Ele não era um maluco, no final das contas, ele era uma ameaça. Ele sabia quem Crowley era e, consequentemente, devia saber quem Mia era também.

— Você realmente me conhece, não é? — deduziu ela, dando mais alguns passos para trás

— É o que eu estou tentando te dizer. — assentiu Castiel, dando alguns passos a frente e parando diante dela. — Mia, ele fez alguma coisa com você. Você está diferente, mas ainda é você. Eu posso sentir. E nós podemos consertar isso, consertar o que o Crowley fez, mas primeiro nós temos que sair daqui. — orientou, enquanto tocava o rosto dela mais uma vez.

Depois de afastar a mão de Castiel e recuar um pouco, a garota esclareceu:

— Eu não vou a lugar algum com você.

Insatisfeito com aquela resposta, Castiel a seguiu com um olhar desapontado quando Mia passou por ele e caminhou até a porta. Em seguida, ela tentou girar a maçaneta, mas todo esforço que fazia era em vão, já que Castiel estava mantendo a porta emperrada daquele jeito com os seus poderes angelicais.

Então, enquanto se aproximava dela, ele perguntou:

— O que o Crowley fez com você? — e como Mia não se manifestou, nem sequer olhou em sua direção, ele a segurou pelo braço, a virou contra a porta e exigiu: — Responda. O que o Crowley fez com você?!

Com um movimento brusco, Mia se desvencilhou de Castiel e despejou:

— Ele me libertou, seu idiota! Me libertou de uma droga de faculdade, de uma vida medíocre, ele me libertou de tudo isso, ok? Agora me deixe sair daqui! Eu não vou pedir de novo!

Castiel ficou olhando para Mia sem saber se tinha entendido direito o que ela havia dito. Quando uma explicação lhe veio à cabeça, o anjo sentiu que precisava de uma confirmação. E então ele questionou:

— Quando você saiu da faculdade, Mia?

Depois de soltar um suspiro de irritação e até de incredulidade, já que não conseguia acreditar que aquele sujeito ia insistir naquele papo furado, Mia balbuciou:

— O quê?

— Apenas responda, por favor. — insistiu Castiel — Quando você saiu de lá e quando conheceu o Crowley?

Depois de passar as mãos pelos cabelos, um tanto nervosa, e sem saber ao certo por que estava alimentando aquele assunto, quando o que devia fazer era se livrar daquele sujeito de uma vez por todas, Mia respondeu impaciente:

— Sei lá... Há uns quatro meses, talvez. Por quê?

Castiel teve a confirmação que precisava. Aquela resposta o fez, finalmente, entender o que tinha acontecido com Mia. Finalmente, Castiel entendeu o que Crowley havia feito com ela. Embora não entendesse exatamente como o Rei do Inferno havia conseguido apagar as memórias de Mia, estava mais do que claro que era isso que ele havia feito.

Ponderando tudo isso, Castiel deu um passo a frente, quase encurralando Mia contra a porta, e disse:

— Mia, essas coisas, a faculdade... Tudo isso aconteceu há quase três anos.

— Você é louco. — murmurou ela, sem acreditar em uma palavra daquilo.

— Você precisa se lembrar do que aconteceu neste período. — insistiu Castiel, enquanto ela o empurrava, tentando se desvencilhar daquela proximidade física e também daquela tentativa patética de jogá-la contra Crowley. — Você precisa se lembrar do que realmente aconteceu. De nós, do Sam, do Dean, de tudo. — prosseguiu Castiel, desesperado com a ideia de não conseguir fazer Mia recuperar as suas memórias.

Cansada de tudo aquilo, mas no fundo querendo entender quem era aquele sujeito de verdade e onde ele estava querendo chegar com aquela conversa sem sentido, Mia caminhou até o centro do toalete, virou-se na direção dele e recomeçou duramente:

— Eu vou perguntar de novo e desta vez eu quero um nome. Quem é você?

Era doloroso perceber que Mia realmente não se lembrava dele. Mesmo assim, o anjo fez um esforço para não demonstrar a dor e o vazio que sentiu ao ouvir aquilo e se apresentou:

— Castiel. Meu nome é Castiel.

Mia teve uma sensação estranha e mediu o sujeito da cabeça aos pés. Não podia negar que aquele nome lhe despertava algo. Como se ela já tivesse o ouvido antes. Como se significasse algo para ela.

Querendo entender o que estava sentindo, Mia prosseguiu com o interrogatório:

— E o que diabos é você, Castiel?

Sem hesitar, ele decidiu abrir o jogo:

— Eu sou um anjo.

— Um anjo? — repetiu Mia, sem acreditar naquilo.

No entanto, logo ela se lembrou onde tinha ouvido aquele nome. Tinha sido há alguns meses, em um bar, durante uma conversa com Crowley. O Rei do Inferno mencionou um anjo chamado Castiel. Um anjo que estava disposto a impedir os dois de quebraram o selo que faria o Inferno ascender. Um anjo que era uma ameaça, que queria atrapalhá-los, alguém em quem Mia não poderia confiar nunca. E com certeza, aquele anjo só estava dizendo aquelas coisas sobre Crowley ter apagado as memórias dela, para jogá-la contra ele. Era isso.

Convencida disso e completamente na defensiva, Mia questionou com escárnio:

— E você não podia continuar lá no Céu, Castiel? Tocando harpa em alguma nuvem, talvez? — antes que ele dissesse qualquer coisa, Mia prosseguiu: — Espera! Você disse que é meu marido, certo? E ao mesmo tempo é um anjo? Nossa! Uma coisa eu tenho que admitir, você é bem criativo!

Mia começou a rir de novo, de um jeito nervoso, e a andar de um lado para o outro, enquanto Castiel assegurava:

— Mia, eu não estou inventando isso. Eu entendo que você está confusa e que isso parece loucura, mas é verdade. E eu posso te mostrar isso. Nós podemos consertar o que o Crowley fez com você e então você vai se lembrar de tudo.

Neste momento, Castiel tentou uma reaproximação e fez menção de tocar Mia novamente, mas antes que ele conseguisse, ela recuou e gritou alterada:

— Não me toque! — e após uma breve pausa, ela disse de um jeito agressivo: — Sabe o que eu sei sobre anjos? Que vocês tem a péssima mania de se meterem onde não são chamados. Eu sei porque você está aqui, Castiel. Você está tentando me confundir com este papo maluco, porque no fundo o que você realmente quer é impedir o que eu e o Crowley estamos fazendo! A nova era que nós estamos construindo juntos.

Sem conseguir disfarçar a surpresa e certa decepção, Castiel uniu as sobrancelhas e perguntou:

— Você está ajudando o Crowley? — e depois de dar um passo a frente e parar diante dela, Castiel aconselhou aflito: — Mia, isso tem que parar. Você pode não se lembrar de quem ele é agora, mas quando você se lembrar disso e de tudo, a culpa vai te consumir. Eu te conheço, isso vai acabar com você. Por favor, me deixe te ajudar. Tudo o que nós temos que fazer é te tirar daqui e te levar para um lugar seguro, para o bunker.

Em seguida, ele tentou segurar a garota pelas mãos, mas Mia se afastou e esbravejou:

— Eu disse para você não me tocar! Que inferno! E quer saber? Eu estou cansada desta conversa! Eu vou sair daqui agora mesmo! Para o seu próprio bem, não tente me impedir!

Então, Mia passou por Castiel e caminhou apressada na direção da porta. Tentou abrí-la a todo custo, porém sem sucesso. Foi quando ela sentiu a mão dele em seu ombro e teve um sobressalto.

Logo Mia se recuperou daquilo e sem pensar duas vezes, girou nos calcanhares e colocou a mão sobre a dele. O fitou com um ódio profundo, mas também com certa confusão. Mia sabia exatamente o que tinha que fazer para sair dali.

Castiel era um anjo e Mia sabia exatamente como ferir anjos. Então, sem pensar duas vezes, ela deixou o seu poder ganhar força dentro de si e logo o colocou para fora.

Instantes depois, sentindo um grande desconforto, Castiel tentou afastar a mão do ombro de Mia, mas não conseguiu. E quando ela tocou o rosto dele com a outra mão, o anjo caiu de joelhos e abafou um grito de dor.

— Mia... Não... — murmurou ele com a voz fraca e um olhar sofrido na direção dela.

A garota sabia muito bem que com a força e a concentração certas, poderia matar um anjo. No entanto, algo no olhar de Castiel a fez hesitar. Mia se deu conta de que não queria ferí-lo de verdade. Só queria que ele parasse de dizer aquelas coisas e de confundí-la daquele jeito.

Mia não podia acreditar em nada daquilo, mas sabia que uma parte dela tinha fraquejado. Uma parte dela tinha gostado da sensação que aqueles olhos lhe causavam. Uma parte dela não queria machucar Castiel. Porque simplesmente não podia.

Por que aquele sobretudo lhe parecia tão familiar?

Como se tivesse lido os pensamentos dela, Castiel orientou com a voz quase inaudível:

— Você precisa acreditar em mim. Mas se não conseguir... Descubra a verdade por si só.

Ao ouvir aquilo, Mia se convenceu de que Castiel estava tentando confundí-la mais uma vez. E o pior, ela estava se deixando confundir. Ela estava sendo fraca e sentimental. E ela não podia deixar isso acontecer.

Então, se ela não conseguia matá-lo, pelo menos ia silenciá-lo temporariamente.

Pensando desta forma, Mia se concentrou e continuou usando os seus poderes contra Castiel, o fazendo gritar por alguns instantes. Aos poucos, ele foi se calando até que o seu olhar se tornou estático e vazio. Por fim, os olhos do anjo se fecharam e Mia o observou caindo aos seus pés.

Atordoada e confusa, mas sentindo que precisava sair dali o mais rápido possível, procurar Crowley e contar o que havia acontecido, ela deixou o anjo caído no chão sem qualquer remorso, voltou-se para a porta, finalmente conseguiu abrí-la e deixou o toalete para trás.

Notas finais
Castiel está DESMAIADO! OMG Pobre Cas... Abandonado, largado, DESMAIADO, deixado em um chão qualquer, de um toalete qualquer, de um bar qualquer... Pobrezinho. Mia Malvada! Well, gostaram? Sofreram? Acharam legal? Mais ou menos? Ahhhhhhhhhh foi sofrido, mas rolou até um beijinho, vai... Pena que a Mia não sentiu... Nada. Será? Tô achando que mesmo Dark, ela ficou um tiquin mexida sim. Será que o suficiente para seguir o conselho do anjinho e descobrir a verdade por si só? Bem, quando eu escrevi este capítulo, eu ainda não tinha decidido juntar os casais mais rapidinho. Poréééééém, na próxima vez que Miastiel se topar por aí... Quem sabe as coisas melhorem um tiquin? Sobre o próximo capítulo, veremos o Cas acordando do sono da beleza, teremos o desfecho desta missão resgate, que deu totalmente errado... E teremos... TCHAN TCHAN TCHAN TCHAAAAAAAAAAAAAN Deanalie. Pronto, falei. Inté lá, meu povo e minha pova! Reviews? Bjs!