Ascensão Infernal
3 Confissões
Notas iniciais

Dean ouvia uma voz o chamando ao longe, ao mesmo tempo em que tudo parecia girar a sua volta. Uma dor contínua na cabeça era resultado da queda que ele sofreu, quando Cole Trenton lhe deu um soco e ele foi de encontro ao chão com impacto. Seu rosto também estava dolorido, por conta do mesmo soco.
Zonzo, o Winchester se mexeu sutilmente, mas não conseguiu se mover muito mais do que isso, já que algo, definitivamente, estava prendendo os seus movimentos.
— Dean? Acorda. Dean... — chamou uma voz familiar, invadindo a mente do caçador de lembranças, tanto boas como dolorosas. — Planeta Terra chamando Bela Adormecida. — prosseguiu a dona daquela voz, fazendo Dean abrir os olhos lentamente.
Aos poucos, ele foi abrindo mais os olhos e a sua visão foi se tornando mais nítida. Então, a primeira coisa que Dean viu foi que seus pés estavam amarrados com uma corda em uma cadeira, onde ele encontrava-se sentado. Ao tentar mexer as mãos, ele percebeu que outra corda amarrava seus punhos nos braços da mesma cadeira.
Em seguida, ele ergueu o olhar e fitou os pés de Natalie a cerca de um metro e meio dele. Os pés dela estavam protegidos por um par de coturnos marrom e também amarrados com uma corda na cadeira onde ela estava sentada.
Que legal! Cole Trenton havia colocado os dois frente a frente. Isso não ia ser nem um pouco constrangedor e doloroso.
Sabendo que não tinha outra saída, enchendo-se de coragem e tentando não pensar em tudo o que havia acontecido entre eles, o caçador ergueu mais o olhar e fitou o rosto de Natalie. Dean podia estar imaginando coisas, mas teve a nítida impressão de ver uma nuance de preocupação nos olhos verdes dela, que o fitavam de um jeito aflito e intenso.
No entanto, a preocupação foi rapidamente disfarçada, quando Natalie viu que Dean estava razoavelmente bem. Então ela soltou um suspiro, arqueou as sobrancelhas e refletiu com certa ironia:
— Aí está você. Dean Winchester, meu herói. — antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a loira questionou com escárnio: — Espera um pouco! Se você veio até aqui para me salvar, por que está preso em uma cadeira mesmo? Oh! Certo! Porque você foi idiota o suficiente para cair numa armadilha batida dessas... Francamente, eu pensei que você fosse mais esperto.
Em seguida, Natalie desviou do olhar dele e se concentrou em um ponto qualquer do chão. Ela não tinha imaginado que veria Dean de novo, nem que seria tão difícil estar em um mesmo ambiente que ele, depois do traumático rompimento. Se pelo menos o caçador falasse alguma coisa, poderia tornar aquele momento mais fácil. Mas, ao invés disso, Dean permanecia lá, calado e tão desconfortável quanto ela.
Irritada com o silêncio, Natalie voltou a encará-lo e despejou:
— O que foi? Por acaso o gato comeu a sua língua?
Sentindo que precisava dizer algo, Dean falou a primeira coisa que veio à sua cabeça:
— Você está bem?
Claro que ele se arrependeu imediatamente de fazer uma pergunta tão estúpida, mas Natalie não perdoou, soltou um riso nervoso e respondeu asperamente:
— Eu fui sequestrada, estou amarrada, morrendo de sede, louca por um X-Bacon e doida para coçar as minhas costas. Como você acha que eu estou, Dean?
Após um breve silêncio, a fitando constrangido, ele desviou o olhar e pediu:
— Desculpe.
Ao dizer esta palavra, ele se deu conta de que não sabia se estava se desculpando pela pergunta idiota ou se por ter magoado Natalie, quando rompeu com ela. Talvez fosse pelas duas coisas.
Mexida com aquele pedido discreto de desculpas, Natalie baixou um pouco a guarda, voltou a olhar para ele, respirou profundamente e recomeçou:
— O que você está fazendo aqui, Dean?
Fazia apenas alguns minutos que tinha reencontrado Natalie, mas, desde então, ela o chamava apenas pelo nome e aquilo causava certo desconforto em Dean. Por mais que aquele fosse o nome dele, o caçador tinha se habituado a ouvir a loira o chamando de “Sr. Awesome” e, por mais que não tivesse o direito, dadas as circunstâncias, Dean estava com saudade disso. Daria qualquer coisa para que Natalie o chamasse daquele jeito de novo. Mas sabia que não podia querer isso.
Como ele não respondeu a sua pergunta, já que estava perdido naqueles pensamentos, Natalie disfarçou a mágoa que sentia e reformulou:
— Eu pensei que você tivesse dito que não queria me ver nunca mais.
— Eu não disse isso. — retorquiu Dean rapidamente, finalmente acordando daquela espécie de transe. — O que eu disse é que eu não sou bom para você, Natalie, e que por isso nós não podíamos mais continuar juntos e, consequentemente, nos ver. — esclareceu. — Mas, apesar disso, eu não quero que você se machuque. Por isso eu vim. Porque eu não posso deixar ninguém te machucar por minha causa.
— Em primeiro lugar, você era sim bom para mim, Dean. — replicou ela, sem medir as palavras direito, e se arrependendo em seguida, por demonstrar fraqueza e por evidenciar que não tinha se conformado com o fim do relacionamento. — Até estragar tudo, é claro. — ressalvou, numa tentativa de se sentir melhor. — Em segundo lugar, você não precisava ter vindo, já que nós estamos separados há meses, e eu estava quase convencendo o psicopata do Cole de que me usar para atingir você não ia funcionar. Ele ia acabar percebendo isso e me deixar ir embora. Mas, você tinha que estragar tudo mais uma vez, não é?
— Você acha mesmo que esse sujeito ia te deixar ir embora assim? — duvidou Dean, e após uma pausa, respondeu a própria pergunta: — Eu não sei quem ele é, Natalie, mas ele estava falando bem sério no telefone. Se eu não viesse, ele ia te matar com certeza. — e olhando tudo em volta, questionou: — Por falar nisso, cadê o desgraçado?
— Eu morrendo ou não, isso não seria problema seu! — exclamou a loira, ignorando a última pergunta, porque também não fazia ideia de onde Cole havia se metido depois que amarrou Dean ali, e porque naquele momento estava mais preocupada em esclarecer certas coisas com o ex-marido. — Nós rompemos, eu não significo mais nada para você e, portanto, eu não sou problema seu, Dean Winchester! E pare de querer me salvar de tudo e de todos, ok?! Nem tudo que acontece comigo é sua culpa! E principalmente, eu não preciso da sua ajuda! — esbravejou alterada.
— Em primeiro lugar, você nunca foi um problema, Natalie! — esclareceu o caçador, alterando-se um pouco também. — E em segundo lugar, você acha mesmo que não significa mais nada para mim?!
— Bem, foi o que pareceu quando você simplesmente me enxotou da sua vida! — acusou a caçadora, visivelmente magoada.
Diante daquela acusação, Dean ficou um tanto desconcertado e a culpa o consumiu. Mesmo assim, ele se recompôs e tentou se explicar:
— Eu precisei te afastar porque você significa demais para mim, Natalie. Mas eu nunca tive a intenção de te magoar.
Lançando um sorriso sarcástico na direção dele, a loira ironizou:
— Nossa! Parabéns, você fez um ótimo trabalho!
Em seguida, ela respirou fundo, desviou o olhar do dele e tentou se acalmar. O silêncio reinava absoluto e incômodo, mas nenhum dos dois parecia ter algo mais a dizer. Talvez até tivessem, mas aquele não era o momento para discutir uma relação que nem existia mais, certo?
Ao pensar desta forma, Natalie sentiu uma ponta de tristeza em seu peito e olhou para o chão desolada. Ela estava tão magoada com Dean, que mesmo naquela situação de risco de vida, não pôde evitar e precisou dizer aquelas coisas para ele. Precisou acusá-lo, precisou culpá-lo, precisou dizer como se sentia. Precisou fazer tudo isso para que Dean percebesse o que tinha feito com ela.
E ao mesmo tempo, Natalie odiava-se por ter agido daquele jeito. Isso porque ela não queria que o caçador ficasse com pena dela ou que percebesse que ela ainda o amava. Natalie não queria que Dean deduzisse que ela estava sofrendo horrores desde que eles se separaram. Não queria que isso estivesse estampado na sua cara, como certamente estava.
Mas, pelo menos Dean também parecia bem acabado. Com certeza, estava sofrendo e se culpando pelo fim do casamento. Ótimo. Era exatamente o que Natalie queria, que aquele imbecil sofresse bastante e sentisse muito a falta dela. Que se arrependesse amargamente daquela decisão covarde e estúpida de abrir mão daquilo que eles tinham.
Ao lembrar do rompimento e do que sentiu naquele dia, Natalie sentiu uma onda de raiva e dor consumí-la por dentro. Mas se manteve firme e procurou não demonstrar qualquer emoção, em nome do seu orgulho, afinal, já tinha se exposto demais naquela breve e intensa discussão.
Dean, por sua vez, sentia-se cada vez mais desconfortável com aquele reencontro, com aquele silêncio e com a sua consciência porque ele sabia muito bem que tinha magoado Natalie.
E foi a sua consciência que o fez se perguntar se ele tinha mesmo tomado a decisão certa em romper com Natalie. As circunstâncias mostravam que não, já que mesmo com eles separados, Natalie estava em perigo. Por outro lado, ela estava em perigo por causa dele, por causa de um inimigo dele. O que provava que Dean realmente não era benéfico para a loira, certo?
Mas, Dean também pensava que talvez, se não tivesse terminado com Natalie, ele poderia tê-la protegido de Cole Trenton e evitado aquela situação na qual ela se encontrava. Afastá-la se mostrou completamente ineficiente e sem sentido, já que os inimigos sabiam que mesmo longe, Natalie Jones era muito importante para Dean Winchester.
Então, será que deixá-la foi mesmo a melhor alternativa? Tinha adiantado alguma coisa? Não teria sido melhor ter ficado ao lado dela e enfrentado as adversidades juntos? Não tinha sido isso que Dean havia lhe prometido quando se casou com ela? Então, o que tinha mudado?
Ao se perguntar isso, Dean encontrou a resposta imediatamente e a culpa o consumiu ainda mais. Natalie havia morrido. Era essa a resposta. E por causa dele. Talvez até no lugar dele, já que Dean desconfiava de que aquele demônio tinha sido enviado para matá-lo.
Por mais que Castiel tivesse a trazido de volta, por mais que Natalie tivesse superado, ela havia morrido, e isso tinha mudado alguma coisa para Dean, já que imaginar que algo assim pudesse acontecer algum dia era completamente diferente de ver isso acontecendo. Imaginar que Natalie pudesse se ferir ou... Morrer era diferente de vê-la morta em seus braços.
Confuso, Dean sacudiu a cabeça levemente, tentando afastar aqueles pensamentos. Mas não adiantou. Uma parte dele continuava dizendo que ele tinha tomado a decisão certa, enquanto a outra parte, que ganhava uma inexplicável força a cada instante, lhe dizia que ele estava completamente enganado e que terminar com Natalie não foi nem de longe a melhor escolha que ele fez na vida.
Durante os meses que passou longe dela, Dean sofreu, mas aprendeu a conter aquela voz em sua consciência, a ignorá-la. No entanto, bastou cinco minutos diante de Natalie para que essa voz ganhasse força e fizesse todas as suas convicções ruírem.
A saudade o consumia junto com a culpa. As duas disputando para saber quem era a mais forte.
Por um momento, nos últimos quatro meses, Dean pensou que poderia esquecer Natalie, que poderia deixar de amá-la algum dia, mas agora tinha certeza que estava se enganando esse tempo todo, porque lá estava aquele bendito sentimento, mostrando que estava mais forte do que nunca e ganhando espaço e mais espaço em seu peito.
Dean sabia que aquilo era loucura. Ele não podia estar pensando numa reconciliação naquela altura do campeonato. Muito menos naquelas circunstâncias. Ele tinha que se concentrar em descobrir o que estava acontecendo ali, quem era Cole Trenton, o que ele queria e precisava garantir a segurança de Natalie, exigindo que o sujeito cumprisse a sua palavra e a deixasse ir.
Porém, apesar de saber o que precisava fazer, quando o Winchester abriu a boca para se pronunciar, o que saiu foi:
— Eu senti a sua falta.
Natalie, que até então mantinha o olhar fixo em um ponto qualquer do chão, ergueu a cabeça imediatamente ao ouvir aquilo e fitou Dean com certa confusão. No fundo, ela não sabia se tinha ouvido direito ou se estava delirando. Dean tinha mesmo dito aquilo? E a troco de quê?
Um tanto constrangido, Dean desviou do olhar da loira e ficou se perguntando por que falou aquilo. A troco de que ele disse aquilo mesmo?
Enquanto isso, Natalie pensava sobre o que tinha ouvido e observava Dean minuciosamente. Ela não podia negar que apesar da mágoa que sentia, havia gostado de ouvir aquela confissão. E por mais que estivesse com raiva dele, ouvir aquilo fez o seu coração acelerar.
Por fim, a caçadora se deu conta de que havia uma grande possibilidade dela não sair viva daquele lugar e, por isso, apenas por isso, se permitiu dizer:
— É, eu também. — porém, quando Dean a fitou com um olhar um tanto surpreso e esperançoso, a loira tentou preservar o seu orgulho intacto, ressalvando com desdém: — Mas só um pouco. Quase nada, na verdade.
Dean abaixou o olhar, sentindo que merecia aquele balde de água fria. Mas, conhecendo Natalie como conhecia e sabendo que ela só estava dizendo aquilo porque estava magoada e queria castigá-lo de alguma forma, ele não conseguiu evitar um discreto e torto sorriso, no qual ela não reparou.
Instantes depois, o caçador respirou fundo, voltou a olhar na direção dela e, de um jeito sério e sincero, fez uma nova confissão:
— Eu tentei te esquecer.
Natalie estreitou o olhar na direção do Winchester, surpresa com o rumo que aquela conversa estava tomando. O que estava acontecendo ali mesmo? Será que Dean também achava que iria morrer e por isso decidiu abrir o coração daquele jeito?
Tentando se manter firme, Natalie o fuzilou com o olhar, unindo as sobrancelhas enquanto pensava em como Dean Winchester era um abusado! Depois de tudo o que aconteceu e da forma como as coisas terminaram entre os dois, agora ele estava falando daquele jeito todo manso e dizendo coisas que faziam o coração dela acelerar? Com que direito ele brincava daquele jeito com ela?
Ao pensar na palavra brincava, a loira acabou se lembrando de outra: brincar. E, inevitavelmente, certas coisas passaram por sua mente. Coisas totalmente impróprias para alguém que queria o máximo de distância possível do seu ex. Sim, porque era isso que ela queria, não era?
Tentando se convencer disso, Natalie se endireitou na cadeira, lançou um olhar superior na direção do Winchester e estava pronta para responder, mandando ele ir para o inferno dançar rumba com o capeta, quando algo no olhar de Dean a fez hesitar. Fraquejar. Engolir em seco, olhar para dentro de si mesma e admitir baixinho:
— Eu também...
Natalie sentiu raiva de si mesma em seguida. Teve vontade de se estapear, mas não podia, pois suas mãos estavam amarradas. Então se amaldiçoou mentalmente e relutou em voltar a encarar Dean, temendo que ele estivesse com um largo e satisfeito sorriso naquele rostinho lindo. Aliás, por que ele tinha que ser tão lindo? Mesmo meio abatido e naquele estábulo mal iluminado, dava para ver que Dean Winchester estava... Awesome. E isso só deixava Natalie com mais raiva.
— Eu não consegui. — a voz do caçador a fez parar de pensar naquilo e fitá-lo novamente. — Eu não consegui te esquecer, Natalie. Eu tento todos os dias, mas eu simplesmente não consigo.
Para certa surpresa da loira, Dean não estava sorrindo de uma forma irritante e sedutora, como seria do feitio dele sorrir. Nada na sua expressão indicava que ele estava se vangloriando das confissões que Natalie fez ou o que ele pretendia com as confissões que estava fazendo. Aliás, parecia que Dean nem sabia por que estava dizendo aquelas coisas.
E Natalie também não sabia por que tinha retribuído, quando tudo o que ela queria fazer era ignorá-lo e ignorar qualquer coisa que ele dissesse. Mas aquilo era tão difícil. Querer nem sempre é poder.
Então, depois de soltar um suspiro profundo, ela sustentou o olhar dele e confessou de uma forma mais implícita:
— Adivinha?
Antes que Dean pudesse assimilar aquilo e entender o que ele e Natalie estavam fazendo exatamente, uma voz masculina e grave ecoou atrás dele:
— Uau! Eu sabia!
Imediatamente, Natalie olhou por sobre o ombro de Dean e viu Cole empurrando a porta do estábulo e entrando no lugar. Ele trazia uma mochila no ombro, exibia um sorriso satisfeito no rosto e pelo olhar que lançou na direção dela, estava claro que tinha ouvido toda a conversa entre eles.
— Eu sabia que vocês ainda significavam algo para o outro. — recomeçou Cole, passando perto de Dean e lhe lançando um olhar torto. — Eu só não sabia que era algo tão forte assim. Por que vocês se separaram mesmo?
— Não é da sua conta. — resmungou Natalie, enquanto Dean seguia o estranho com o olhar e o via colocar a mochila sobre um degrau que levava ao andar de cima do estábulo, antes de se aproximar e parar entre ele e Natalie.
Em sua mente, o caçador tentava se lembrar daquele rosto, mas não conseguia. Dean não tinha ideia de onde conhecia aquele rapaz, mas por fim decidiu dizer o óbvio:
— Você deve ser o Cole.
O rapaz abriu os braços sutilmente, chamando a atenção para si mesmo, inclinou um pouco a cabeça e sorriu levemente, confirmando o que o outro havia dito. Em seguida, ele disse:
— E você é o famoso Dean Winchester.
— Famoso, é? Obrigado. — debochou o caçador.
— Você não faz ideia do quanto eu te procurei. — confidenciou Cole seriamente. — E agora, finalmente, depois de tantos anos de busca, você está aí, em carne e osso.
— Em carne, osso e simpatia. — debochou Dean novamente, piscando para Cole, afinal se ele fosse morrer naquele lugar, pelo menos morreria mantendo o senso de humor.
Sentindo que Dean estava abusando da sorte e que Cole não estava gostando nenhum pouco do tom de brincadeira dele, Natalie estreitou o olhar na direção do caçador, como se ordenasse que ele calasse a boca ou que pelo menos pegasse mais leve, afinal ele estava provocando o seu próprio sequestrador e aquilo, com certeza, não acabaria bem.
Como resposta, Dean apenas deu de ombros, voltou a olhar para Cole e recomeçou:
— É o seguinte, meu chapa, você vai me desculpar, mas eu não me lembro de você não. Então me diz logo de onde você me conhece, o que quer comigo e vamos resolver isso da melhor forma possível, ok? Mas antes, solta a Natalie. Trato é trato. Você queria que eu viesse, muito bem, eu estou aqui. Mas a Natalie não tem nada a ver com isso, portanto, deixe ela ir de uma vez.
— Calma, Dean. — pediu Cole com um sorriso cínico. — Até parece que você está com pressa de ver a Natalie longe daqui. Eu pensei que você estivesse no mínimo feliz por revê-la e que a conversa estava interessante. Pelo o que eu entendi, você sentiu falta da Natalie, não foi isso?
Um tanto constrangido, Dean deu um sorriso amarelo e olhou para baixo por um instante, enquanto Natalie também se sentia desconfortável com aquela situação. Em seguida, o caçador voltou a fitar Cole e zombou:
— Qual é? A sua mãe não te ensinou que é feio ouvir a conversa dos outros?
Após um longo momento de silêncio, encarando Dean firmemente, o rapaz confidenciou:
— Minha mãe morreu quando eu era um bebê.
— Sinto muito. — lamentou Dean, e apesar da situação tensa e nada amigável ali, ele foi sincero, já que tinha convivido muito pouco com Mary e tinha presenciado a tristeza de Sam por nem sequer se lembrar da própria mãe. — Mas e o seu pai? — recomeçou o caçador. — Ele não te ensinou boas maneiras?
Cole sentiu o seu sangue ferver nas veias ao ouvir aquele sujeito mencionando o seu pai. Dean Winchester nem sequer se lembrava do que tinha feito, nem sequer imaginava por que estava ali. Então caberia a Cole refrescar a memória daquele assassino frio:
— Meu pai foi um bom homem e um excelente pai. Até você tirá-lo de mim, é claro.
Sem saber se tinha entendido direito, Natalie olhou para Dean, esperando que ele explicasse o que Cole havia acabado de dizer. No entanto, o caçador parecia tão confuso quanto ela.
— Como é? — indagou Dean por fim, franzindo o cenho.
— Isso mesmo que você ouviu. — confirmou o rapaz com a voz firme e um olhar raivoso. — Você matou o meu pai, Dean. Eu mesmo encontrei o corpo e te vi. Mas, por algum motivo, você me poupou. Desde então, eu venho procurando por você. Para me vingar e fazer justiça ao meu pai.
Dean e Natalie se entreolharam e ambos deduziram o que tinha acontecido. Só havia um motivo para Dean ter matado o pai de Cole: ele era um monstro. Mas como explicar isso para alguém que não sabia da existência do sobrenatural?
Enquanto Dean pensava sobre isso e tentava se lembrar exatamente quem e o que era o pai de Cole, o rapaz se aproximou de Natalie, parou atrás da cadeira dela e colocou as mãos nos ombros da caçadora, que teve um leve sobressalto.
Dean, por sua vez, ficou completamente tenso e, mesmo sabendo que seria em vão, tentou se soltar. Mas tudo o que conseguiu foi ferir os braços ao forçar as cordas que o prendiam para cima.
— Fica longe dela! — ordenou Dean transtornado.
No entanto, o que Cole fez foi se aproximar mais da loira, inclinando-se um pouco em sua direção. Então, enquanto passava as mãos pelos cabelos dela, ele olhou na direção de Dean e falou em tom ameaçador:
— Me diga, qual é a melhor forma de se vingar de alguém? Pagando na mesma moeda, talvez?
Sentindo a raiva crescendo dentro de si, Dean tentou se soltar mais uma vez, enquanto Natalie engolia em seco.
Por fim, Cole arrematou:
— Você me tirou a pessoa que eu mais amava na vida, Dean. Então, sinto muito, mas eu não posso deixar a Natalie ir embora. Não agora que eu sei que apesar de separados, ela continua sendo importante para você. Você sabe o que significa, não sabe?
Sim, Dean sabia. Natalie também. Cole iria matá-la.
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