Notas iniciais
Oi, gente!!! Antes de mais nada, nada mesmo, estou postando este capítulo hoje porque fiquei negoçada enquanto o revisava e quis postar loguinho, maaaaas, de agora em diante, atualizarei a fic aos sábados, ok? Junto com minha outra fic, Trapaças do Destino, que eu humildemente recomendo que leiam também. Garanto que vocês vão se divertir kkkkkkkkkkk Well, o título é o nome de uma musiqueta muito diva e emblemática do Creedence Clearwater Revival, recomendo que a ouçam com atenção porque Bad Moon Rising é quase uma música tema de Ascensão Infernal. Well, eu amei este banner divônico! Thanks, Miss Queen! E agora, sem mais delongas, o capítulo...

Eu vejo a lua ruim nascendo

Eu vejo problemas pelo caminho

Eu vejo terremotos e relâmpagos

Eu vejo tempos ruins hoje

Não saia esta noite

Bem, é uma viagem para tirar a sua vida

Tem uma lua ruim a nascer

Bad Moon Rising – Creedence Clearwater Revival

Quando chegaram ao bar que Castiel tinha mencionado meia hora antes, Sam e Claire perceberam que o lugar ficava em uma encruzilhada, bem no limite da cidade.

Imediatamente, o casal deduziu que se havia um lugar em Waterville onde Crowley poderia estar era em um como aquele. Em um local estratégico e propício para a venda de pactos.

Crowley devia estar ali apenas supervisionando o trabalho dos demônios que ofereciam os tais acordos, já que como Rei do Inferno, ele não fazia mais aquele tipo de serviço, exceto em casos específicos.

Claro que tudo isso eram apenas suposições. Não havia qualquer prova de que o Rei do Inferno estava mesmo ali, muito menos Mia, já que tudo o que Castiel tinha visto foi um demônio entrando no bar. Mesmo assim, aquela era a pista mais quente que eles tinham até o momento e, por isso, não podiam desperdiçá-la.

O fato de o lugar estar protegido com sigilos enoquianos deixava bem claro que quem quer que os tivesse feito não queria anjos por perto. Isso era outro forte indício de que Crowley poderia estar no bar. O que Sam, Claire e Castiel achavam particularmente estranho, já que até então imaginavam que o demônio estivesse focado em romper o selo que faria o Inferno ascender.

Por outro lado, talvez aquilo fosse um disfarce, uma forma de despistá-los. Talvez Crowley nem estivesse mesmo ali, talvez estivesse mesmo focado no seu plano de dominar o mundo. Ou talvez ainda não soubesse como exatamente romperia o tal selo.

De qualquer forma, só havia um jeito de descobrir o que estava acontecendo naquele lugar. Os três precisavam entrar no bar.

Para isso, Castiel listou os lugares exatos onde tinha visto os sigilos enoquianos. Eles tinham sido feitos com um tipo de tinta que só ficava visível para anjos ou então se fossem iluminados por uma luz especial. Sam tinha uma lanterna no porta-malas que poderia funcionar. Ele costumava usá-la quando estava disfarçado de agente federal e procurava por manchas de sangue na cena de um crime envolvendo o sobrenatural.

Sendo assim, depois de sair do carro acompanhado por Claire, o caçador pegou a lanterna, dois sprays de tinta preta, armas e duas facas contra demônios no porta-malas.

Então os dois esconderam tudo aquilo como puderam embaixo da roupa e nos coldres presos em suas cinturas. Em seguida, deixaram o anjo para trás e caminharam abraçados na direção do bar, fingindo que estavam conversando e rindo de piadas não ditas.

Tudo fazia parte de um disfarce para não chamar a atenção de possíveis demônios que poderiam estar por perto. Mas, no fundo, Sam e Claire não sabiam se isso ia funcionar, pois seus rostos eram bem conhecidos entre demônios. Mesmo assim, eles iam fazer o melhor que pudessem para que aquilo desse certo.

Do banco detrás do carro, Castiel observava o casal se distanciando cada vez mais e se aproximando do bar, até que um homem saiu do lugar e olhou para eles. Automaticamente, Claire abaixou a cabeça enquanto ria de alguma coisa que Sam não havia dito. Ele, por sua vez, inclinou o rosto na direção da esposa e também riu da tal coisa que não havia falado. Até que por fim, o homem passou por eles, parou de olhar para o casal, entrou em uma picape no estacionamento e deu partida em seguida.

— Será que era um demônio? — sussurrou Claire seriamente.

— Eu não tenho ideia. — respondeu Sam.

Algum tempo depois, os dois já tinham coberto, com a tinta preta, a maioria dos sigilos enoquianos espalhados pela fachada do bar. Surpreendentemente, eram poucos e estavam em lugares estratégicos, como em um degrau que levava a entrada, perto da porta estilo bang bang, próximos de uma lixeira e embaixo de algumas janelas, por onde se via o interior do estabelecimento. Mas não era possível distinguir muita coisa, já que os vidros das janelas eram bem espessos, luzes coloridas piscavam o tempo todo no interior do bar, fumaças de cigarro comprometiam a visibilidade e pessoas se levantavam das mesas o tempo todo.

Do lado de fora, dava-se para ouvir um homem cantando uma música qualquer em um karaokê, mas não dava para ver onde exatamente ficava o palco. Vaias, palmas e assobios se misturavam à medida que o homem continuava a sua performance mediana.

Enquanto isso, Sam e Claire se revezavam naquela arriscada tarefa de cobrir os sigilos enoquianos, sem que ninguém os visse. Enquanto um fazia uma espécie de vigia e ficava em alerta, segurando a arma e a faca sob a roupa, o outro disfarçava o máximo possível, usava a luz da lanterna para descobrir a localização exata de determinado símbolo e o cobria com a tinta do spray. Os dois conversavam o tempo todo, sobre coisas aleatórias, e mantinham certa proximidade.

De repente, alguém empurrou a porta bang bang e saiu do bar. Rapidamente, Claire escondeu o spray no bolso da jaqueta, apoiou-se na parede e puxou Sam para perto de si, o beijando em seguida de uma forma bem calorosa. Apesar do sobressalto que sentiu, o Winchester entendeu o motivo daquele rompante apaixonado e correspondeu o beijo à altura, enquanto suas mãos seguravam na cintura de Claire com força, a empurrando mais um pouco contra a parede. O Winchester não podia negar que estava feliz por tê-la naquela missão.

Ao ver o casal ali, o homem, que tinha aproximadamente quarenta anos, era branco, tinha os cabelos curtos e bem escuros, e estava um pouco acima do peso normal para o seu porte físico, deu alguns passos na direção deles, parou no meio do caminho e os repreendeu sem muita paciência e com um dedo em riste:

— Ei! Se vocês querem entrar, façam isso logo! Ou então deem o fora do meu bar e procurem um quarto! Isso aqui não é motel!

Imediatamente, Sam e Claire interromperam o beijo, mas evitaram olhar diretamente para o homem, que ao que tudo indicava era dono daquele estabelecimento, mas também podia ser um demônio.

Para tirar a dúvida, Claire decidiu arriscar e olhou de soslaio para ele, enquanto dizia baixinho:

— Christo.

Apesar de certa escuridão naquela área entre o bar e o estacionamento, ela conseguiu ver com nitidez que os olhos do homem não sofreram qualquer alteração que indicasse possessão demoníaca.

Mesmo assim, ele pareceu estranhar aquilo e questionou:

— O que você disse?

Sem pensar duas vezes, Claire puxou Sam pela mão e, enquanto se afastava dali a passos largos, desconversou:

— Nada, só que nós vamos procurar um quarto. Obrigada pela dica.

Depois que os dois se afastaram dali e estavam quase chegando ao carro, onde Castiel estava, Sam repetiu em tom sugestivo:

— Nós vamos procurar um quarto? Você disse mesmo aquilo? — e quando ela lhe lançou um meio sorriso e deu de ombros, achando aquilo engraçado, o Winchester achou melhor manter o foco e indagou: — Você conseguiu cobrir o último sigilo?

— Sim. Bem a tempo. — respondeu Claire. — Inclusive, eu aposto que manchei a minha jaqueta com a tinta. — previu com certo desânimo.

Sam se lembrou de quando Claire se apoiou na parede e o puxou para beijá-lo. Antes disso, ela tinha usado o spray em um sigilo enoquiano na mesma parede. Então, o Winchester olhou para as costas dela e, apesar da tonalidade marrom escura da jaqueta, ele conseguiu ver uma mancha no tecido e brincou:

— Você gostava muito dela?

Claire soltou um suspiro triste, mas achou melhor se conformar, afinal era só uma jaqueta. O importante é que ela e Sam tinham conseguido cobrir todos os sigilos e agora Castiel poderia entrar no bar. No entanto, antes de darem o próximo passo, os três precisavam esperar um pouco, já que o dono do lugar ficou visivelmente desconfiado quando viu Sam e Claire momentos antes. Então, para não levantar mais suspeitas, os dois entraram no carro, o caçador deu partida e começou a circular pela cidade, se afastando daquela encruzilhada, enquanto conversava com a esposa e o anjo sobre como eles dariam sequência àquela missão.

Castiel queria entrar de qualquer jeito e sem medir muito as consequências. Tudo o que ele queria era descobrir se Crowley estava mesmo ali com Mia e resgatá-la de uma vez. Tinha esperado muito tempo por isso. Mas, Sam e Claire o convenceram de que ele não podia simplesmente entrar pela porta da frente e acreditar que as coisas seriam fáceis assim. No mínimo, eles teriam que entrar pelos fundos e Castiel teria que dar uma boa olhada no interior do bar, para determinar quantos demônios estavam lá. Em outras palavras, os três deveriam estar preparados para enfrentarem resistência.

Meia hora depois...

Sam, Claire e Castiel voltaram para o bar, mas, para não levantarem suspeitas, deixaram o carro em uma rua paralela ao local. Em seguida, caminharam em silêncio na direção dos fundos do estabelecimento. O anjo percebeu que havia mais um sigilo enoquiano na porta que havia ali, desenhado com a tinta especial, e Claire, prontamente, o cobriu utilizando o spray.

Em seguida, os três olharam em volta para se certificarem de que não havia ninguém por perto. Se entreolharam apreensivos e, depois disso, Sam segurou e girou a maçaneta da porta que, surpreendentemente, estava aberta.

Castiel entrou na frente, enquanto o casal vinha logo atrás, segurando duas facas contra demônios e lanternas, que iluminavam pouco a pouco o que parecia ser um almoxarifado.

De repente, uma porta se abriu mais a frente e os três se esconderam atrás de uma enorme prateleira repleta de caixas com suprimentos do bar. Um homem entrou no almoxarifado e olhou tudo em volta com certa desconfiança. Ele sabia que tinha alguém ali. Podia sentir. E sabia muito bem o que tinha que fazer.

Na sequência, seus olhos ficaram pretos.

XXX

Enquanto isso, no lado oposto do bar, Mia, que estava em Waterville há cerca de uma semana, entornou uma garrafa de cerveja e tomou alguns goles, enquanto caminhava na direção da saída, seguida por uma demônio chamada Mandy. Esta possuía o corpo de uma mulher negra, de aproximadamente trinta anos, com os cabelos bem curtos e alguns piercings espalhados pelo rosto.

Sem muita paciência, Mia se aproximou do parapeito de uma espécie de varanda, que havia na frente do bar, sentou ali, ficou balançando os pés no ar, soltou um suspiro e começou:

— Tudo bem, eu estou ouvindo. O que você quer falar comigo? Ah! Mas, por favor, seja rápida porque eu ainda quero cantar esta noite e você está... Meio que me atrapalhando, sabe?

Insatisfeita por ouvir aquilo, já que aquela postura de Mia tinha tudo a ver com o assunto que queria tratar com ela, a demônio cruzou os braços contra o peito e retrucou com ironia:

— Eu fico feliz que você esteja se divertindo, Mia. Mas, pelo o que eu me lembro, não foi isso o que o Rei ordenou que você fizesse antes dele partir. Pelo o que eu me lembro, você tinha que conseguir alguns pactos. Centenas, na verdade. O engraçado é que desde que ele partiu, nenhum demônio foi invocado na encruzilhada, porque você não está fazendo o mínimo esforço para isso. Aliás, você não está fazendo esforço algum, não é?

Ao ouvir tudo aquilo, Mia parou de balançar os pés imediatamente e estreitou o olhar na direção da demônio de uma forma intimidadora e impassível. Irritada, Mia se perguntava se Mandy estava se esquecendo de que estava falando com a sua futura líder.

Mas logo Mia entendeu que este era o ponto: os demônios não sabiam de todos os planos de Crowley em relação à ela. Tudo o que eles sabiam era que Mia era importante para quebrar o selo que faria o Inferno ascender e que, por isso, eles deviam respeitá-la.

O Rei do Inferno optou por não contar toda a verdade, pois não era ingênuo e sabia muito bem que boa parte dos demônios não ia concordar em serem governados por uma humana, por mais importante que Mia fosse para ele e para a causa.

Porém, com o selo quebrado e o Inferno na Terra, existia uma grande possibilidade dos demônios não se importarem nem um pouco com aquele mero detalhe. Mas, se mesmo assim, eles relutassem em aceitar Mia como a Princesa do Inferno, Crowley poderia transformá-la em um deles, e assim acabaria com qualquer tipo de resistência.

Percebendo que deveria ter medido melhor as palavras para falar com a protegida do chefe, Mandy estremeceu por um instante, desviou do olhar de Mia e perguntou um tanto sem jeito:

— Você não vai... Dizer alguma coisa?

— Vou. — anunciou Mia prontamente. E depois de descer do parapeito, caminhar com uma postura confiante e superior, e parar diante da demônio, ela a mediu da cabeça aos pés com um desprezo palpável e opinou sem qualquer cerimônia: — Você é muito chata.

— O quê? — sibilou Mandy, sem conseguir disfarçar a surpresa de ouvir aquilo e o quanto ficou ofendida.

— Chata mesmo. Um porre. — reforçou Mia, sem se importar com a reação dela. — E intrometida também porque seja lá o que for que eu combinei com o Crowley, isso é entre mim e o Crowley. Demônios de baixo calão como você não deveriam se meter em assuntos de gente grande.

— Mas... — tentou argumentar a demônio.

No entanto, Mia não lhe deu chance de prosseguir e questionou:

— Por falar nisso, como você acha que o Crowley vai reagir quando souber que você falou desse jeito comigo?

Mandy estremeceu. Não importava se Mia andava relapsa em relação aos pactos, ela ainda era a protegida do Rei do Inferno e Mandy tinha a impressão de que ele acreditaria em qualquer coisa que aquela garota falasse e que estava sempre disposto a lhe dar uma segunda chance, como de fato vinha fazendo.

— Você está me ameaçando. — deduziu a demônio.

Mia lhe lançou um sorriso sarcástico e replicou:

— Chata, intrometida, mas esperta.

Em seguida, Mia fechou o punho e deu um leve soco no ombro de Mandy. No entanto, tal gesto pareceu mexer com Mia de alguma forma e ela ficou pensativa, se perguntando por que tinha feito aquilo e por que teve uma sensação tão forte de déjà vu, como se já tivesse feito aquilo antes, mas com outras pessoas, em outras situações...

— Algum problema? — indagou Mandy, percebendo o quanto Mia tinha ficado distante e pensativa de repente.

No entanto, ao ouvir aquela pergunta, a garota voltou a si imediatamente, enterrou aquela sensação estranha em algum lugar da sua mente e retorquiu:

— Fora o fato de você existir, não. Tudo perfeito. — e sem dar qualquer chance de Mandy se pronunciar, Mia começou a se afastar, caminhando na direção da entrada do bar, e avisou: — Agora se você me der licença, eu vou viver um pouco. — no entanto, ao perceber que a demônio estava a seguindo, Mia parou antes da porta, girou nos calcanhares e perguntou sem muita paciência: — O que você está fazendo?

— Você sabe muito bem. — respondeu Mandy. — O Rei me pediu para ficar de olho em você. Para a sua própria segurança.

Mia pensou um pouco, cruzou os braços contra o peito e argumentou:

— Eu não preciso de cães de guarda. Posso muito bem me proteger sozinha.

Tentando deixar claro que não cabia a nenhuma das duas decidir aquilo, Mandy argumentou:

— São ordens do chefe. Se você não está satisfeita...

— Sim, pode deixar. — falou Mia rispidamente, a interrompendo mais uma vez. — Eu vou conversar com ele sobre isso e sobre a sua postura também. — e após uma pausa, observando a expressão da demônio, que parecia não ter gostado nem um pouco de ouvir aquilo, Mia completou com sarcasmo: — Não me leve a mal, Mandy, eu só não estou a fim de brincar de sombra hoje, ok? Além disso, o seu irmão está lá dentro, ele pode me proteger se for necessário. E claro, ao contrário de você, ele é bem agradável e sabe exatamente qual é o seu devido lugar. Então... Sei lá, tire a noite de folga, coloque mais alguns piercings ou algo assim, ok? Eu não quero ter que dizer para o Crowley que você me aborreceu na ausência dele. Seria catastrófico para você.

Dito isso, Mia deu as costas para Mandy, empurrou a porta bang bang e voltou para o bar. A demônio ficou parada naquela varanda, pensando em como aquela garota era petulante e em como adoraria tirar a noite de folga. Mas, Mandy sabia que não podia fazer isso. Ela não seguia ordens de Mia Clarke, mas sim do Rei do Inferno. E se ele tinha lhe dito para cuidar da segurança da sua protegida, era exatamente isso que ela faria.

No entanto, Mandy se convenceu de que, já que o seu irmão estava nos fundos do bar, ela podia ficar ali na entrada, vigiando o lugar.

XXX

Enquanto isso, no almoxarifado, o irmão de Mandy gritava enquanto Castiel mantinha a mão sobre a sua cabeça, fazendo uma luz alaranjada emanar de seus olhos e boca.

Sam e Claire observavam a cena com certa apreensão, torcendo para que aquilo acabasse logo e para que não chamasse a atenção de mais demônios ou de clientes do bar. Por sorte, alguém cantava no karaokê naquele momento e o volume alto do microfone abafava os gritos do demônio, que logo caiu morto no chão.

Então, Castiel olhou para Sam e Claire e os chamou:

— Vamos?

Os dois arregalaram os olhos e se entreolharam um tanto confusos. Ao perceber que o anjo estava caminhando na direção da porta que levava ao bar, Sam se apressou, parou na frente dele, ergueu as mãos na altura do peito e indagou:

— Como assim vamos? Pode ter mais demônios aí dentro, Cas. Nós precisamos de um plano.

O anjo pensou por um instante e em seguida articulou:

— Se tiver mais demônios, nós podemos cuidar deles. Este é o plano.

Um tanto surpresa por ouvir aquilo, Claire questionou:

— Você quer dizer matar demônios na frente de pessoas inocentes? Ou sermos mortos por demônios na frente de pessoas inocentes?

— Eu prefiro a primeira opção. — respondeu Castiel com certa ingenuidade.

Em seguida, ele tentou passar por Sam, mas o caçador se manteve no meio do caminho e alertou:

— Cas... Nós não podemos entrar lá assim. Aliás, você não acha que foi muito fácil até agora? Apenas um demônio vigiando os fundos do bar e meia dúzia de sigilos enoquianos na fachada. Isso está muito estranho. Pode ser uma armadilha.

— Só tem um jeito de saber. — insinuou o anjo com uma impaciência palpável.

Claire o fitou com certa compaixão e disse:

— Cas, olha... Eu entendo que você está preocupado com a Mia e que quer encontrá-la de qualquer jeito. Nós também queremos. Mas nós temos que pensar em um plano decente. Além disso, eu não quero que você se decepcione no final. E infelizmente, não há nada de concreto que prove que a Mia está ou esteve mesmo aqui. Então vamos com calma, ok?

Claire engoliu em seco ao perceber que disse a palavra proibida e que aquilo teve um efeito imediato no anjo, que desviou do olhar dela, visivelmente desconcertado.

Mas, antes que a caçadora dissesse qualquer coisa para reverter aquilo, alguém começou a cantar outra música no karaokê e recebeu muitos aplausos por causa da escolha. A música era Bad Moon Rising e a voz que a entoava com empolgação era muito familiar para os três.

Sam, Claire e Castiel se entreolharam, como se tivessem reconhecido aquela voz ao mesmo tempo.

— Mia. — balbuciou o anjo por fim e em seguida simplesmente desapareceu, deixando o farfalhar de asas para atrás.

Sam e Claire olharam um para o outro, surpresos e preocupados. Aquilo ainda podia ser uma armadilha e talvez Castiel tivesse acabado de voar diretamente para ela. No entanto, o casal não podia ficar parado ali, não podia ignorar o que tinha ouvido, eles tinham que fazer alguma coisa e rápido.

Por tudo isso, Sam abriu a porta e Claire o seguiu, quando o caçador passou por ela.

XXX

Castiel tinha se materializado em um canto do bar onde, por sorte, ninguém o viu. Uma rápida passada de olhar por todo o lugar e ele teve certeza de que não havia nenhum demônio ali. O que era particularmente estranho. Porém, mais estranho ainda foi o que ele viu no palco, a alguns metros de onde estava.

Castiel ficou em choque. Não sabia o que pensar, o que fazer, muito menos o que estava sentindo naquele momento. Isso porque lá estava Mia. Depois de tantos meses sem qualquer notícia, o anjo finalmente tinha a encontrado.

No entanto, diferente do que ele imaginava, a garota não estava presa em um calabouço qualquer. Mia estava em um palco, cantando e dançando empolgada uma música que falava de tempos ruins se aproximando, de morte, catástrofes e do fim do mundo. Em uma mão, ela segurava o microfone. Na outra, uma garrafa de cerveja pela metade.

Fora tudo isso, outra coisa que chamou a atenção de Castiel foi a aparência geral de Mia, já que ela não estava nem um pouco debilitada ou algo do tipo, como ele imaginou que ela estaria. Ao invés disso, Mia estava radiante, feliz e... Diferente. Seus cabelos estavam mais claros, sua maquiagem mais forte, suas roupas mais ousadas. Ela vestia uma minissaia preta, botas de cano alto, uma blusinha azul bem colada ao corpo e uma jaqueta por cima do look. Mia estava bonita, mas, definitivamente... Diferente. Quase como outra pessoa.

A felicidade que Castiel sentia por finalmente ter encontrado Mia se misturava com a confusão que estava a sua cabeça naquele momento. Por que Mia estava agindo daquele jeito? O que tinha acontecido com ela? Aquilo era um disfarce ou algo do tipo? E por que ele não conseguia parar de olhar para ela?

De repente, Claire e Sam avistaram o anjo no canto do bar e se aproximaram. Com cautela, os dois mantinham uma das mãos nas facas contra demônios, que estavam meio escondidas sob suas roupas. O tempo todo, olhavam tudo em volta, mas aquilo estava estranhamente calmo demais para ser uma armadilha.

Sam e Claire já tinham visto Mia no palco e voltaram a olhar para ela, quando pararam ao lado do anjo.

— Não me levem a mal, — começou Sam — eu estou feliz em encontrar a Mia e ver que ela está bem, mas vocês não acham que ela está...

— Bem demais? — sugeriu Claire, fitando o marido por um instante.

Sam assentiu com um meneio de cabeça e, em seguida, ele e Claire olharam para o anjo, esperando que ele dissesse alguma coisa. Mas, Castiel permanecia calado e com o olhar fixo na garota que cantava, sorria e rodopiava no palco, sob olhares atentos dos clientes do bar, que batiam palmas, assobiavam e até cantavam junto com ela.

Mia estava se divertindo. Muito para quem tinha sido praticamente sequestrada pelo Rei do Inferno. E onde Crowley estava, afinal? Ele tinha deixado Mia sozinha naquele lugar? E livre daquele jeito? E por que foi tão fácil entrar naquele bar? Como se a segurança não fosse tão importante. Aliás, era como se Mia não precisasse de tanta proteção. Isso fazia algum sentido?

Aquela situação ficava cada vez mais estranha e uma pergunta atormentava Sam, Claire e Castiel naquele momento: o que diabos estava acontecendo com Mia?

No palco, ela continuava cantando, como se só isso importasse:

— I hear hurricanes blowing, I know the end is coming soon, I fear rivers over flowing, I hear the voice of rage and ruin. Don't go around tonight. Well, it's bound to take your life. There's a bad moon on the rise! (Eu ouço furacões soprando, eu sei que o fim está próximo, eu temo que os rios transbordem, eu ouço a voz da raiva e da ruína. Não saia esta noite. Bem, é uma viagem para tirar a sua vida. Há uma lua ruim nascendo!)

Instantes depois, Mia terminou de cantar, entregou o microfone para um funcionário do bar e desceu do palco, sorrindo e sendo aplaudida pelos clientes. Castiel a seguiu com o olhar e a viu entornar a garrafa de cerveja, que segurava até então. Depois de terminar a bebida, Mia colocou a garrafa vazia sobre uma mesa e começou a caminhar na direção de um corredor, no extremo oposto do bar.

Sam voltou-se para o anjo, mas antes que ele falasse qualquer coisa, Castiel desapareceu mais uma vez. Atônitos, o Winchester e a esposa se entreolharam e depois observaram tudo em volta. Aparentemente, ninguém tinha percebido a saída triunfal do anjo, mas ele tinha que parar com aquilo, já que estava abusando da própria sorte.

O casal deduziu que se houvesse demônios ali, Castiel teria, no mínimo, dito alguma coisa. Mesmo assim, eles permaneceram em alerta. Especialmente, quando uma mulher negra, com alguns piercings no rosto, entrou no bar, percorreu o lugar com os olhos e parou justamente nos caçadores.

XXX

Mia seguia por um corredor em direção ao toalete feminino e, ao chegar lá, empurrou a porta e entrou, enquanto duas mulheres saiam de lá, conversando entre si.

Sorridente, ao perceber que o lugar estava milagrosamente vazio, Mia caminhou até a pia, tirou um pequeno estojo da bolsa que trazia a tiracolo, se inclinou na direção do espelho e começou a retocar o batom vermelho em seus lábios.

Enquanto isso, Castiel se materializou do lado de fora e olhou tudo em volta. Ao perceber que algumas mulheres estavam caminhando naquela direção, um tanto distraídas e, definitivamente, bêbadas, ele abriu a porta rapidamente, entrou e, usando seus poderes de anjo, fez a porta emperrar.

Ao ver algo pela sua visão periférica, Mia afastou o batom dos lábios e olhou na direção da entrada. Surpresa, ela encarou o estranho, que a fitava de volta como se tivesse visto um fantasma.

Então Mia franziu o cenho e o examinou da cabeça aos pés, antes de voltar-se para o espelho e dizer tranquilamente:

— Gostei do sobretudo. Mas você entrou no banheiro errado, coração. O masculino fica no final do corredor.

Castiel não respondeu. Não sabia o que dizer ou fazer. Não entendia por que Mia estava agindo como se não o conhecesse. Não entendia o que havia de diferente nela, mas com certeza havia algo. Ele estava feliz por reencontrá-la, tinha vontade de caminhar até ela e beijá-la e... Até tirar as suas roupas, mas não conseguia se mexer. Era como se o seu receptáculo tivesse congelado de repente. Será que Mia estava agindo daquele jeito por medo? Será que Crowley estava a ameaçando de alguma forma? O que estava acontecendo, afinal?

Percebendo que o estranho permanecia imóvel como uma estátua, Mia voltou a olhar para ele, enquanto guardava o batom no estojo, e este na bolsa. Em seguida, ela estreitou o olhar na direção de Castiel e o mediu mais uma vez. Até que ele era bem bonitinho, mas por que estava olhando para ela daquele jeito? Mia não entendia e estava começando a ficar incomodada com aquilo.

— Algum problema? — indagou ela por fim.

Mais uma vez, Castiel não conseguiu dizer uma palavra.

Notas finais
Não me matem por ter terminado o capítulo aí kkkkkkkkkkkkk Sorry, mas o bichinho já estava gigante pela própria natureza e a conversa fatídica e tão aguardada entre Miastiel merece um capítulo todinho. Portanto, no próximo capítulo, continuarei justamente daí. Por enquanto, o Cas vai permanecer mudinho, como se o gato tivesse comido a língua do coitado. Oi? Well, eu amei escrever este capítulo, amei Clammy na missão, amei Castiel querendo encontrar a Mia de qualquer jeito, amei a Mia dando um chega pra lá na demônio Mandy, amei tudin. Espero que tenham curtido também. Well, well, well, agora é com ocês! Reviews? Bjs e inté sábado... PS: Bad moon rising com legenda: https://www.youtube.com/watch?v=GiMwugG6rr4