Asas Malditas
16 Capítulo 16 - Traição
Notas iniciais
Peter estaciona na frente do portão da escola com a picape velha. Olho para ele antes de ir, ele sorri para mim:
— Boa sorte com Cam.
— Pode deixar.
Dei uma piscada para Peter e abri a porta, desci do carro e fechei. Andei até a o portão e o sinal tocou, arregalei os olhos olhando em volta e as pessoas começaram a se apressar, corri dentro do corredor passando entre os armários. Subi as escadas e entrei na terceira porta a direita que era na sala de ciências, dei uma olhada no vidro para ver se o professor estava. Não estava. Soltei um suspiro de alívio e girei a maçaneta e nem liguei para os que me encaravam. Sentei ao lado de Cam que estava com os pés em cima da mesa.
— Bom dia Anjo.
— Oi.
Respondi Cam com um ar ressecado ainda por causa daquela noite. Cam retirou os pés em cima da mesa quando o professor chegou.
— Bom dia alunos.
— Bom dia.
Repetimos em coro. O professor andou até a sua mesa no centro da sala e pegou sua pasta, ele olhou para ela e guardou.
— Bom, hoje cada um deverá resumir algo sobre você em um texto — Ele ajusta alguns papéis e passa nas fileiras com uma folha pautada — e entregue ao seu parceiro.
Quando todos estavam com a folha, o professor começou a marcar o tempo da entrega de quinze minutos. Cam estava com a folha vazia em quanto eu escrevia um pequeno texto sobre mim. Depois de alguns minutos terminei e entreguei a Cam. Ele olhou para o papel e começou a ler:
— "Minha banda favorita é The Beatles" — Ele fez uma cara esquisita de surpreso — "e gosto de livros sobre mistério, romance, ficção científica e muitos outros. E também gosto de animais".
Cam vira a página para ver se havia algo atrás mas não havia nada. Então ele olha para minha mesa e vê uma folha de caderno com algo escrito. Ele pega debaixo de meu braço que estava apoiado e começou a ler:
— "O que um rapaz deve ter..."
Tentava alcançar a folha que ele erguia mais para cima e que me empurrava com seu braço direto para a cadeira.
— Cam! Cam! Isso é meu!
Falo tentando sem nenhum sucesso pegar o papel.
— "Precisa ser atraente, misterioso, carinhoso, desafiador..." Hum!
Cam exclama me encarando quando eu consigo pegar o papel de sua mão. Guardo na minha mochila e fecho o zíper dela.
— E você? Não escreve nada? Digo suspirando nada surpresa esperando isso de Cam.
— Para que? Se eu já tenho o que eu quero.
Cam olha para mim fitando profundamente com seus olhos verdes brilhantes.
— Ou você acha que tem.
Retruquei fazendo Cam ficar surpreso. "É claro que eu já tenho, você que ainda não percebe...". Ouço algo dentro da minha cabeça, parecia algo como uma voz nela. Alguém se comunicando comigo por ela. Tentando falar comigo. "...Anjo". Levei um susto ao ouvir aquela voz de Cam quando me chama de "Anjo" sendo reconhecida. Dei um pequeno pulo na cadeira mas ninguém percebeu. Será que Cam conseguia mesmo ler meus pensamentos? Ou algo do tipo? "Não, não seja idiota" pensei. Acordei por causa do sinal para mudança de aula, comecei a arrumar minhas coisas quando Cam encostou em minha orelha.
— Te vejo na saída, Anjo.
Olhei para atrás mais Cam não estava mais lá. Só havia ficado o calor dele em minha pele ao tocar em minha orelha. Capítulo 11 Já estava no portão da escola esperando Penny para uma carona. Então resolvi mandar uma mensagem para ela se demorava ainda para deixarem ela sair da aula. Enquanto eu abria o bolso com o celular senti o ombro esquerdo de Cam esbarrar no meu fazendo em cambalear para frente.
— Olá Anjo.
— Oi Cam...
Respondi abrindo o zíper e pegando o celular. Comecei a digitar a mensagem para Penny quando Cam me interrompe:
— Quer ir ao fliperama? Depois no parque de diversão?
— Fliperama? Parque de diversão? — Desvio o olhar do celular encaro Cam que estava com as sobrancelhas erguidas — Acho que você seria a última pessoa com quem eu queria ir ao fliperama. Muito menos um parque de diversão.
— Ah, vai ser legal. Você não tem escolha mesmo. Ou você vai ou você vai. Cam sorri para mim com cara de que vai ter problema se eu não aceitar.
— Tá bom...
Então lembrei que Peter havia me avisado que Cam era perigo e já o tempo com que eu passo com ele na escola já é um risco. Imagina sair a noite com ele. Mas diversão não vai matar ninguém, vai...?
— Te busco as sete.
Cam da uma piscada e se dirige a sua moto. Perto das sete horas eu já estava vestida com uma calça jeans clara e uma blusa branca leve e também a bota preta. Coloquei o celular em um bolso de trás a direita e as chaves do bolso da esquerda. Abri a porta arrumando um rabo de cavalo quando percebi que esqueci de avisar Peter. Andei até seu quarto que estava com a porta aberta, notei que ele estava na frente de sua janela só com calça jeans e suas asas abertas iluminado o espaço.
— Oi.
Disse com a voz sumindo admirando a suas asas. Peter se vira para mim e no momento seguinte guarda as asas. Parecia que ele ficava mais relaxado com as asas abertas. Cheguei mais perto da onde ele estava e encostei na janela.
— Oi — Ele responde arrumando uma parte de meu cabelo colocando atrás da orelha — Está muito bonita, onde vai?
— Vou encontrar Cam.
A cara de Peter não apareceu ficar surpresa mas preocupada. Ele desvia o olhar e olha de novo na janela.
— Eu já disse para você tomar cuidado. Eu não quero que ele te machuque, Annie. Por que isso machuca a mim também!
Peter exclama para mim olhando profundamente em meus olhos com seu olho cinzento e escuro. Ele encosta sua testa na minha e suas mãos em meu rosto.
— Eu tomo cuidado...
— Eu não quero perder você. Por favor, não faça bobagens.
Solto um sorriso depois. E Peter estranha.
— Claro que não vou fazer bobagens, não desta vez. — Beijo rapidamente Peter antes que ele comece a falar sobre o Cam pode fazer comigo depois do que aconteceu naquela noite na praia — tenho que ir.
Saio do quarto e desço as escadas. Abro a porta e vejo Cam na moto com o capacete reserva na mão. A moto era grande e bem bonita, preta com retrovisores novinhos e rodas grandes. Pego o capacete da mão de Cam e coloco, sento atrás dele e seguro de leve a sua jaqueta de couro preta sem a intenção de abraça-lo para não ficar muito, íntimo.
— Calma Anjo, eu não mordo.
Cam solta uma risada e acelera obrigando ter que segura-ló com mais força. Ele estava quente e conseguia sentir seus músculos debaixo da jaqueta. Então chegamos em um estacionamento em frente ao um fliperama chamado Fliperama do Bo. Retirei o capacete e sai da moto pela direita dando um pulo. Coloquei o capacete pendurando onde estava o acelerador e arrumei o meu cabelo. Cam segura a minha cintura e diz:
— Vamos jogar.
Paramos na fila da bilheteria que estava na frente da porta do fliperama iluminando luzes coloridas dos jogos. Chegando a bilheteria, uma moça de trinta e pouco usando rabo de cavalo loira com olhos verdes atentos ao Cam que entregava o dinheiro, ela pega e entrega as entradas para os jogos. Andamos para dentro atravessando a multidão que se aglomerava em frente a porta. Atravessando todo tipo de pessoas, como os motoqueiros que ficavam no bar bebendo, os viciados que fazia fila para jogar os jogos e os apostadores que desafiavam uns aos outros nas mesas de pôquer e sinuca. Cam parou na última mesa se sinuca perto da porta de saída, ele pediu duas cocas zero e começou a arrumar a mesa.
— Sabe jogar sinuca?
Cam pergunta olhando para mim quanto passava o giz na ponta do taco.
— Mais ou menos...
Na verdade eu não sabia de nada, só um dia que fui com meu pai e os amigos dele ver um jogo de sinuca. Então Cam me deu o taco que tinha passado o giz e pegou outro, o taco que ele havia me dado era mais leve do que os outros que tinham.
— Tenta fazer aquela amarela cair no buraco.
Olhei para mesa que estava já com as bolas espalhadas. Percebi que a bola branca estava apontada diretamente a amarela que estava quase pronta para cair. Parecia tão fácil, mas para mim era possível eu errar. Coloquei a ponta do taco na bola branca, apontando em direção a amarela .
— Deixe eu te ajudar — Cam se aproxima de mim arrumando meu cotovelo direito para cima melhorando a direção — Assim você não precisa encostar na mesa para a direção melhorar. E tem que se curvar assim.
Ele toca em minhas costas empurrado de leve para baixo fazendo me curvar. Puxei para dentro o taco e senti os dedos de Cam encostarem em minha mão direita e puxava ela para trás fazendo o taco ir para frente e para trás.
— Agora empurre a bola branca.
Empurrei a bola branca que empurrou a amarela e caiu direto no buraco. Olhei para a esquerda para Cam e nossos olhos se encontram, sorrio para ele e ele sorri para mim.
— Bom agora eu quero fazer uma aposta.
Disse em um ar brincalhão para Cam que andava ao redor da mesa com seu taco. Então ele parou e encostou no taco olhando para mim.
— Que tipo de aposta?
— Aposto você conseguir a bola azul — apontei para a bola azul do outro lado da mesa perto de Cam — entrar naquele buraco.
A bola azul estava perto do buraco mas o difícil era a bola branca chegar até lá. Como aquela vez que fiz a amarela cair, ela ficou parada perto daquele buraco onde estava a amarela.
— E meu prêmio?
Cam soltou um sorriso malicioso fitando meu olhos.
— Eu vou a qualquer brinquedo do parque — Fitei de volta — mas se você não conseguir, eu só vou naqueles que eu quiser.
— Justo, bem justo...
Cam faz cara de interessado e depois sorri. Ele anda até a bola branca e calcula olhando para a ponta do taco na bola branca em direção a azul. Com o taco, Cam empurra e puxa como fez comigo mas assim olhando de fora conseguia ver os músculos se contorcendo com o movimento. Sem perceber a bola branca havia batido na azul e a havia caído, arregalei os olhos com surpresa e pensando um "Ops" de querer mudar o prémio.
— Então, vamos?
Cam diz apoiando o taco na mesa e dando um último gole na coca zero. Suspirei e respondi:
— Claro.
Fiz um sorriso fraco e segui Cam até a porta de saída. Saindo pela saída, encontrei barracas de pipocas, algodão doce, maças carameladas, todo tipo de comida de parque. Olhei em volta e percebi as luzes dos brinquedos iluminando o espaço, como os pisca-pisca da roda gigante, os carrinhos bate-bate com o farol colorido e no fundo do parque uma mansão iluminada apenas com um poste de vela como aquele que tinha em Nárnia onde Lucia encontra no primeiro filme. Cam e eu páramos em uma fila de hot-dog antes de irmos nos brinquedos. Cutuquei no ombro direito de Cam fazendo ele virar o rosto para mim:
— Qual a gente vai primeiro?
— Na roda gigante.
Tentei achar a roda gigante que estava alguns metros de distância da barraca. Ela era grande com luzes coloridas de amarelo á azul. Andamos na fila até chegar na nossa vez, Cam pediu um hot-dog para ele e para mim.
— De novo, fila.
Disse para Cam que encarava a fila da roda gigante, comi alguns pedaços do meu hot-dog e dispensei jogando no lixo perto da entrada da roda gigante. Voltando na fila percebi que Lilly estava lá. Uma menina alta de cabelo escuro quase preto com batom forte vermelho usando uma blusa vermelha e uma saia estampada de caveiras preto e branca. Ela era da minha classe mas nunca quis falar com ela depois de uma briga que ela teve por causa que esbarrei derrubando bata frita com molho picante no vestido dela na festa de aniversário. Com isso ela vivia xingando de longe eu de bata gorda e Penny de molho vencido, ela não tinha criatividade para nomes muito menos xingamentos. Então Lilly encontra meus olhos encarando ela e vejo ela olhando de baixo para cima examinando minhas roupas, ela era extremamente invejosa. Mas eu não ligava mais para isso. Retornei a atenção na fila que diminuía a distância do portão até eu e Cam. Chegando na nossa vez entramos em um vagão a direita, sentei na esquerda e Cam a minha direita. Senti balançar o vagão e começou a girar a roda então me apoiei as mão no banco, senti as mão de Cam ao lado e retirei as mãos antes que ele percebe-se. A roda gigante girou até pararmos em cima, eu não sabia por que viemos na roda. Não tinha nada de mais...
— Aqui tem uma vista bem bonita, não é?
Cam disse olhando para mim com seus olhos verdes claros com as estrelas refletindo.
— Sim, é verdade.
Disse desviando o olhar para fora admirando o céu com as estrelas sem nuvem nenhuma com montanhas e árvores ao redor. Era melhor olhar para cima do que para baixo, sempre era melhor.
— Não estou falando desta vista...- Cam disse olhando para cima onde eu olhava — eu me referi a você.
Abaixei a cabeça e encarei Cam, não pude conter de soltar uma risada. Virei o rosto para outra direção sem ser ele. Apoiei a mão no banco de novo mas então senti a mão de Cam, retirei rapidamente a mão lembrando que ele também estava apoiado. Olhei para o rosto de Cam que nem havia percebido, senti de novo o balanço e a roda começou a se mover. Descemos do vagão se dizer nada, segui Cam que andava até uma outra fila no final do parque levava a mansão de madeira escura e velha. Olhando mais a cima saia trilhos de montanha russa atrás da casa, tentei ver o tamanho da fila que diminuía na frente e aumentava atrás.
— Você gosta de montanha-russa, Anjo?
— Mais ou menos...
Suspirei vendo os vagões andando nos trilhos saindo da casa e subindo e descendo. Andamos até o portão da monta-russa, passamos e entramos no último vagão, Cam desta vez ficou na esquerda e eu fiquei na direita perto da porta. Senti um calafrio na barriga com emoção e medo ao mesmo tempo. Segurei na barra que me apertou contra a minha barriga como se fosse o ''cinto de segurança'', olhei em volta que estávamos nos trilhos cercados pela entrada da mansão. Com retratos velhos, móveis empoeirados com planos no chão, velas acesas iluminando uma escada de mármore que levava ao segundo andar. Começou a subir os trilho e apertei mais forte a barra de segurança, minha respiração aumentou conseguindo olhar as subidas e descidas da montanha-russa. Fechei os olhos antes de cair. ''Se você cair, nós caímos juntos''. Abri os olhos e não senti mais no vagão, olhei para baixo e vi meus pés flutuarem em pleno céu. Senti o vento em meus braços e quase se estivesse flutuando, levantei a cabeça para cima e vi as estrelas. Infinitas e profundas. Brilhantes e pequenas. Senti a mão de Cam em meu ombro. Então abri os olhos de novo, na realidade, no vagão da monta-russa. Estavámos preste a cair de novo em um mais profundo ainda antes de pararmos, senti minha barriga se embrulhar e se contorcer antes de caírmos. Tirei as mãos da barra e segurei a mão de Cam que se apoiava no banco. Persenti Cam me encarar mais não conseguia abrir os olhos na caída, apenas abri quando chegamos na saída. Olhei a minha esquerda e vi que havia me aproximado demais de Cam com que segurasse seu braço direito.
— Esta tudo bem, Anjo?
— Acho que não.
Contei a verdade, estava cansada e assustada. Quase imóvel. Andei para a saída do parque o mais depressa que pude com Cam atrás de mim. Apoiei na moto e coloquei o capacete e segurei na cintura de Cam que acelerava para sair, coloquei a cabeça em suas costas e fechei os olho e deixar levar tudo aquilo da realidade embora.
Estava deitada na grama abaixo das sombras de árvores. Levantei das folhas secas e olhei em volta. Conseguia ver esculturas de anjos, templos e flores em cima de túmulos. Reconheci que estava em um cemitério a noite escura e silenciosa, o céu estava escuro com pequenas estrelas iluminando junto a lua. Então ouvi passos em minha direção e me escondi atrás de uma escultura, eles chegavam mais rápido e vi o rosto de Peter no meio da escuridão.
— Será que ela vai descobrir? Uma voz de uma mulher que não sabia de quem era.
— Temo que sim...
Peter estava com a voz rouca e parecia que acabara de gritar. A mulher apoiou a mão em seu ombro esquerdo:
— Eles vão te castigar irmão, como fizeram comigo.
— Eu não vou permitir que apaguem tudo o que eu sei, não... Não!
Peter grita se afastando a mulher e se apoiando em uma escultura de um anjo segurando uma espada para frente. Ele soluçava e apoiou as costas na escultura olhando para a escuridão do céu.
— O tempo está acabando... — disse a mulher se virado de costas — espero que não erre desta vez.
A imagem começou a se embaçar e a sumir misturando as cores só restando o céu azul escuro. Então notei o vento gelado passando em minha pele e senti o couro da moto de Cam em minha perna. Já estávamos na frente da minha casa quando Cam retirava o capacete desligava o motor. "Do que a mulher estava falando?" "Quem era ela?"
— Chegamos.
Sai dos meus pensamentos quando Cam ergueu sua mão para me ajudar sair da moto. Pulei da moto ignorando sua ajuda.
— Nossa, meus sentimentos.
Cam disse com a mão no coração com um sorriso bobo.
— Não estou muito de brincadeiras.
Retruquei com a cabeça cheia de perguntas. O sorriso de Cam havia sumido e me levou até a varanda da casa.
— Boa noite Cam... Virei o rosto falando para ele mais rapidamente senti o seu rosto perto do meu e seu lábios. Tropecei para atrás assustava e percebi o sorrido de bad boy que Cam tinha ultimamente nesses casos.
— Boa noite, Anjo.
Ouvi ele sussurrar antes de sair com sua moto em alta velocidade. Coloquei a chave na fechadura e abri a porta rangendo junto ao chão. A casa estava quente com as janelas fechadas e com a lareira soltando alguns pedaços de madeira queimado. Andei até o sofá e ouvi Peter descer as escadas, quase deitei no sofá em frente a lareira mas Peter me impediu oferendo me levar para cima. Minha visão estava embaçada, só conseguia ver os degraus e Peter me levando até a porta de meu quarto. Senti os lençóis me esquentarem ainda mais, as mãos de Peter trabalhavam me cobrindo e retirando minhas botas. Antes dele sair puxei seu braço e sussurrei:
— Pode ficar comigo?
Tentei abrir os olhos melhorando a visão sobre Peter que sorria e deitava ao meu lado se aconchegando e segurando em minha cintura. Coloquei a minha cabeça em cima de sua cabeça e me acolhi em seus braços, olhei em seus olhos cinzentos claros como sempre. Fechei aos poucos meus olhos sentindo apenas os braços de Peter me fazendo sentir segura. O que não era verdade.
A respiração de Peter esquentava alguns fios de cabelo em minha cabeça. Minha cabeça subia e descia seguindo seu peito com a sua respiração. O coração estava calmo mais com um batimento um pouco acelerado, por ansiedade, por medo...? Forcei meus olhos sonolentos se abrir conseguindo enxergar a lareira já apaga, a luz forte do sol atravessava a janela. Levantei minhas costas e meus braços sentiram um leve vento gelado deixando ir embora aquele calor dos braços de Peter. O cobertor começou a se mexer e Peter também havia levantado, seus lábios encostaram em meu ombro esquerdo fazendo em corar.
— Bom dia.
Ele encostou seu queixo e soltou um sorriso atraente com seus olhos cinzas fitando os meus olhos castanhos escuro. Antes de me levantar do sofá, Peter puxou meu braço esquerdo me jogando nele e beijando minha boca. Encostei a ponta do meu nariz em seu e dei um pequeno sorriso antes de subir. Na aula meu cansaço venceu os estudos me fazendo ir á praia com Penny. Entrei no mini cooper de Penny que sorria com seu Ray-Ban vermelho.
— Nós vamos paquerar surfistas de tanquinho...
Penny coloca os óculos na ponta do nariz e pisca para mim. Abro a porta e sento no banco de passageiro.
— Nós?
Falo para ela antes de colocar o meu Ray-Ban preto. Ouço Penny suspirar e girar a chave para ligar o motor. Ela aperta um botão deixa do o mini conversível.
— Certo, você tem o Cara do Lixo.
— Penny!
Tiro os olhos encarando Penny. Ela me olha no canto do óculos.
— Tá, você tem o Peter... Aliás você sabe o sobrenome dele?
Na verdade eu não sabia, se eu contasse a verdade a Penny ela iria surtar falando que era aquelas patricinhas que só alguém para ficar.
— Sei, é... — Penny para o carro no farol — Smith.
Vejo Penny segurar os lábios para não rir.
— PETER SMITH?! Ha-ha, você não sabe o sobrenome dele!
Sabia que Penny não ia cair nessa, além do mais acho que Smith nunca iria ser o sobrenome de Peter. O mini parou perto de alguns quiosques e Penny saltou para o porta malas. Tirou o guarda-sol amarelo, duas cadeiras coloridas e sua bolsa de praia. Ajudo com alguns refrigerantes levando também as cangas e toalhas. A praia estava quase vazia com a areia branca e quente. Arrumamos um pedaço perto do mar e colocamos o guarda-sol e as duas cadeiras com as cangas esticadas a frente, tirei minha roupa de saída de praia e Penny também. Sentei na cadeira sentindo o spray de protetor de Penny em meus braços.
— Falando em namorados...- Penny disse passando nos ombros o protetor — o meu vizinho de armário me chamou para sair um dia desse. Ele se chama Jules.
Tiro o óculos e ajudo ela passar o protetor nas costas.
— E quando vai ser?
— Hoje de noite, pode ser que ele venha ver a gente aqui na praia!
Penny salta da cadeira fazendo o spray espirrar para qualquer lugar menos em suas costas. Ela pega sua bolsa e pega o celular com um papel no dedo. E tento ouvir chegando mais perto:
— Alô!
— Oi Penny!
A voz de Jules parecia que estava no carro.
— Quer dar uma passadinha aqui na praia...?
— Pode ser! Já estou indo aí!
Ele desliga o telefone com Penny mando um beijo por telefone. Então ela coloca de volta o celular toda feliz e olha para mim.
— Hihi... Parece que eu já escolhi meu surfista.
— Ele surfa?
Pergunto espirrando de novo o spray de protetor protegendo os olhos. Sinto Penny suspirar e apoiar os cotovelos nos joelhos.
— Ele diz que sim...!
Alguns poucos minutos Penny grita por Jules que carregava uma prancha azul-marinho. Ele era alto um pouco moreno com cabelo castanho e olhos escuros. Dou uma cotovelada em Penny que me da uma piscada de "relaxa". Ele deixa a prancha ao lado de Penny se senta nela.
— Você deve ser a Annie... Certo?
— Sim, muito prazer.
Dou sorriso e iria cumprimentar mais Penny nos impediu para pegar um refrigerante. Bebemos os refrigerantes e Jules foi dar um mergulho com Penny. Eu não quis pois estava na fase de pele sensível. Um raio de sol e pimentão, automaticamente. Olho em volta e percebo a moto de Cam parada perto dos outros carros no estacionamento. Estranho por ser coincidência ou eles estava aprontando algo. De repente sinto dedos em meus olhos tampando minha visão e ouço sussurrar:
— Quem é?
— Cam.
Ele retira os olhos e me da uma bala de chocolate. Sorrio para ele e franzindo a testa para a bala.
— O que é isso?
— Seu prêmio por acertar.
Cam se apoia os joelhos na areia ao meu lado direito. Seus olhos escuros pretos me impediam de ver seus olhos verdes. Ele usava um boné dos Dorger's azul com uma bermuda branca sem camisa. Consiga notar que havia tomado sol no corpo, estava mais moreno do ontem.
— Parece que sua amiga esta se divertindo.
Cam diz retirando os óculos para ver o mar revelando os olhos verdes. Olho para o mar também e respondo:
— Sim, esse tal de Jules que ela esta se derretendo.
Quando pronunciei o nome de Jules, Cam havia encarado Jules por um tempo e se levantou dizendo que tinha que resolver algo. Achei estranho e não sabia por que ele havia agido daquela maneira.
(...)
O vento assoprava fortemente meu cabelo com aroma de chuva. Nuvens escuras rodeavam o céu azul, o cheiro de maré se afastava quando Penny acelerava para a casa. Chegamos em frente a minha casa já chovendo com pingos fortes afastando o brilho do sol e o céu azul tornando-se escuro e cinzento. Recolhi minha toalha e meu óculos, antes de sair Penny perguntou:
— De quem é aquela moto?
— De Cam.
Encarei a moto de Cam em frente a minha garagem com o capacete pendurado no acelerador. Desci do carro me protegendo da chuva com a toalha, corri até a varanda e bati na porta, deparei com Cam que falava com Peter apoiado ao sofá. Ele me encarou junto a Peter que parecia surpreso.
— Por que você esta aqui?
Falei encarando Cam que andava em minha direção.
— Preciso ir.
Cam puxa a maçaneta da porta atrás de mim e seu olhar encontra ao meu. Ele revira os olhos lá para fora e fecha a porta. Volto o olhar para dentro e vejo Peter colocando uma jaqueta de couro por cima da blusa branca.
— Preciso trabalhar.
— Trabalhar?
Arregalei os olhos encarando Peter que se aproximava da porta. Segurei a maçaneta antes dele conseguir segurar.
— Sim, dinheiro não cai do céu.
— Mais outras coisas sim.
Antes de Peter sair pela porta ele me da um beijo, sinto ainda o quentinho em meus lábios. Imaginando aonde ele iria ''trabalhar'' se era mesmo que ele iria. Minha atenção foi arrancada por um pedaço de papel que estava perto onde Cam e Peter conversavam, estava dobrado e era um simples papel. Cheguei mais perto do local e peguei o papel com um número escrito de telefone. Peguei o celular que estava no meu bolso direito de trás, disquei o número no meu celular e levei a orelha direita.
— Alô?
— Alô, quem é?
— Jules, quem fala?
— Oi Jules, é a Annie amiga da Penny.
Ouço Jules se afastar do telefone e conversar com alguém de fora. Depois ouvir ele colocar de volta ao ouvido.
— Annie! Como conseguiu meu telefone...?
Noto que Jules parecia ter desconfiado de ter ligado sem mesmo saber quem era.
— Com Penny, na verdade eu achei que havia caído de seu bolso quando ela entrou aqui em casa. Preciso desligar...
Antes de ele falar mais algo desligo a chamada rapidamente. Olho de novo no papel me perguntando ''por que estava bem onde Cam e Peter conversavam?'' '' E no dia em que Cam saíra da praia com uma desculpa esfarrapada quando soube de Jules?'' Liguei para Penny:
— Penny, posso ir com você e Jules no cinema?
— Claro! Te busco daqui a 5 minutos.
Desligo e subo rapidamente para o quarto, visto uma blusa laranja escura com uma saia verde escuro e uma sapatilha branca. Vou ao banheiro e arrumo o cabelo e escovo os dentes. Ouço a buzina do mini cooper de Penny lá de baixo, pego a primeira bolsa que estava em minha frente e coloco um pouco de dinheiro meu celular e o papel com o número de Jules. Abro a porta, tranco a porta com dois giros para ter certeza. Atravesso com rapidez para não me molhar ainda com a garoa. Sento ajeitando a saia no banco, olho para Penny que sorri para mim:
— Hora do show!
(...)
Na frente do cinema Penny ligava para Jules antes de comprar os ingressos. Vejo ele chegar com uma calça jeans escuro e uma blusa de uma banda chama AC/DC preta e branca, ele usava tênis all star preto. — Olá meninas. Seu sorriso estava meio desconfiado quando lançou um olhar para mim depois do telefonema. Penny pulou e deu um abraço em Jules, ele recebe segurando sua cintura e andamos até a fila da bilheteria. Compramos três ingressos para um filme de terror que Jules fala que Penny iria sair correndo no meio do filme. Sentamos nas últimas cadeiras a esquerda da última fileira. Jules ficou na ponta com Penny que estava ao meu ledo esquerdo. No meio do filme ouvia pessoas gritando e levando sustos, outras já xingando por tanto barulho. Estava acostumada com isso por que eu e Penny íamos muito ver filmes de terror e suspense. A última vez vimos atividade paranormal marcados pelo mal, um bando de crianças não paravam de gritar. No fim da sessão flagro Penny segurando o braço direito de Jules encolhida no banco.
— Vamos sair daqui.
Ouço Penny sussurrar entre os dentes. Saímos por onde entramos na porta da esquerda, jogamos os resto da pipoca e refrigerante que Jules tinha comprado.
— Vou no banheiro.
Falo para Penny que se despedia de Jules e andava para o carro.
— Te espero no carro.
Passo na multidão que entrada e saia do cinema. Empurro a porta de vai e vem do banheiro e entro. Estava vazio e com uma das lâmpadas queimadas, sinto que alguém estava atrás de mim. Olho rapidamente para atrás mais a sombra da pessoa some.
Volto para olhar para o espelho mais não tinha ninguém no banheiro. E então sinto um puxão de alguém com um pano com cheiro de algo forte. Uma droga. E apago.
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