AsVáriasCoisasQueNuncaPoderiamAcontecer
3 Colorless
Notas iniciais
Friedrich Nietzsche
-Liam? — perguntei abrindo os olhos e encarando — o. Ele sorria da cama ao lado e tinha um sorriso lindo.
- Bom dia! Estás melhor?
- Sim... — respondi vagamente e desviei o olhar. Não iria cchorar uma vez mais.
- Olha que não parece. — Ele trocou o sorriso por uma expressão de alguém claramente preocupado e veio sentar — se ao meu lado.
- I HATE MY LIFE!
- Não odeias nada!
- Como não? É tão... tão... triste!
- A vida não é triste. Tem horas tristes.
- A situação dos que ficam é sempre pior do que a dos que partem.
- Não sejas pessimista.
- E o que é? Ser pessimista?
- O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos.
- Seu tolo! Não sou nada! — Comecei a rir e a dar — lhe com a almofada.
- És sim!
- Cala a boca Sherlook!
Resultado: Acabamos os dois a rir no meio do chão.
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- Então Tita...
OH MY GOD! Quem pensa ele que é?
- Tita?
- Não é assim que o teu irmão te chama?
- Sim Styles! Mas tu não és ele.
- Mas posso chamar — te assim?
- Se eu disser que sim vais embora?
- Não! Sem chance!
- Ouve, esse nome faz — me parecer... hum... bem, uma gaiata. Se disseres TITA todos vão pensar que é uma gaiata ruiva com dois totós, um bibe e muitas sardas nas bochechas!
- E tu és mais cabelo solto, corpo desnudo e boca molhada.
- Idiota. Chama o que queiras!
- Não tentas resistir. Tu sabes que gostas de mim...
- Quê? Não gosto!
- Gostas sim.... A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe.
- Eu já disse que não gosto.
- Gostas. E nem sabes o quanto....
- Zero!
(O que é 0?
0 é nada.
Mas 0 é um número.
Então 0 é Algo.
Mas então Nada = 0 = Número = Algo
Resumindo Nada = Algo
E algo pode ser tudo!
Ou seja Nada = Tudo
Em resumo, 0 é igual a nada, que é algo que pode ser tudo.)
- Vou lançar — te um desafio. Três dias.
- Três dias?
- Três dia! Eu vou tentar conquistar — te. Mas não vale complicar. Se resistires eu paro.
- Sério?
- Sim, mas nessa altura já vais estar tão caidinha por mim, que não vais querer mais nada.
- Veremos!
Virei costas e subi até ao meu quarto para me vestir.
(http://www.polyvore.com/travel/set?id=52757949&lid=1681852)
Infelizmente a etiqueta de cor da blusa acabou caindo e eu tive de procurar alguém para me ajudar. E o Harry era a única pessoa em casa.
Bati à porta do quarto.
- Está aberta! — ouvi gritar lá de dentro.
- Olha, olha quem é ela! — ele gozou assim que me viu entrar.
Olhei para ele. Estava encharcado, acabadinho de sair do banho e apenas com uma toalha envolta na cintura.
- E então? Gostas do que vês ou nem por isso?
Adoro. Adónis deve estar a roer — se de inveja.
- Nem por isso. — apressei- me a responder.
- Aham! Mente para ver se eu acredito.
- Como queiras. De que cor é esta blusa?
- Realy?
- What?
- Não tens uma desculpa melhor'
- O quê?
- Vens até aqui só por isso? Essa é a rainhas das más desculpas.
- Diz logo!
- É amarela, mas isso já tu sabias.
- Não, não sabia.
- O quê?
- Eu não tenha a mesma percepção das cores que tu.
- Entendo. Desculpa. Não sabia que eras daltónica.
- E não sou. Bem sim, mas no grau máximo. Tenho visão acromática.
- O que é isso?
- Vejo tudo a preto e branco ou em tons de cinza.
- Porquê?
- Os nossos olhos têm cerca de 130 milhões de receptores de luz e cor, divididos em dois grandes grupos: os bastonetes, que são responsáveis pela visão acromática (em preto e branco), e os cones, responsáveis pela sensibilidade dos olhos à cor. Infelizmente, eu acabei nascendo sem os cones.
- Isso deve ser horrivel. Lamento.
- Um pouco, mas não tanto. Teria sido pior se fosse do dia para a noite.
- Mas... Como vês o mundo sem nenhuma cor?
- Olha à tua volta. Imagina tudo isso sem cor. A capa da revista, os móveis do teu quarto, a roupa que estás vestindo, o teu tom de pele! Se fosses completamente daltónicos, estarias vendo tudo em diferentes variações de cinza.
- Não pode ser assim tão mau. Há coisas piores...
- Bem... Podes pensar que a perda dessa capacidade não é tão importante, mas para mim pelo menos... COMPLICADO. Usamos cores para quase tudo: organizar a cidade, mostrar a nossa personalidade e facilitar a leitura de informações. A nossa visão está totamente adaptada a elas.
- Como fazes, estão?
- Ao nasceres sem a capacidade de ver o verde, o amarelo ou o azul, crias um mundo adaptado às tuas necessidades. Objetos e construções têm mais formas e texturas, e usas os outros sentidos para interagir com o mundo e com as pessoas. Sem cores, vives num mundo cheio de formas geométricas.
- E se fossemos todos assim, como imaginas que seriam as coisas, num mundo desses?
- Para chamar a atenção dos clientes, as lojas teriam fachadas bem ousadas. Para transmitir informações, como o trajeto dos autocarros em grandes cidades, precisariamos de recorrer a formatos distintos. Para que o mundo da moda não caísse na total monotonia, os estilistas explorariam novas modelagens. Penteados e cortes de cabelo assimétricos serriam usados para nos diferenciarmos uns dos outros. A pintura não teria papel de destaque nas artes plásticas. Esculturas e instalações seriam a nossa principal forma de manifestação artística. Levaríamos mais tempo para realizar atividades simples, como escolher uma fruta. Um tomate maduro, por exemplo, teria de ser detectado pelo cheiro e consistência. Sem o recurso multicolorido das embalagens e rótulos, os publicitários teriam de se esforçar um bocado para vender esse ou aquele produto. Imagino que alguns usariam recursos fônicos para atrair o comprador... Outros fariam embalagens que lembrassem o conteúdo do produto. Leite, por exemplo, viria num pacote em forma de tetas de vaca. — Harry riu com a ideia. — Se só tivéssemos as células visuais conhecidas como bastonetes, seríamos melhor adaptados à escuridão. Isso porque elas são mais sensíveis à luz. No mundo em preto-e-branco, todos usariam óculos escuros. Como seriamos mais sensíveis à luz, seria preciso proteger os olhos em momentos de muita claridade. As lanternas também seriam úteis para driblar sombras que dificultam a visão. Aprendi que uma mesma cor terá um diferente tom de cinza dependendo da iluminação. Superfícies brilhantes produzem reflexos que tornam muito mais difícil ver o que está por trás delas. Para continuar atraindo quem passa pela rua, lojas teriam vitrines sem vidros.
- Tu realmente terias talento para ser escritora. É um génio.
- Obrigado! Mas não deixas de ser idiota. Bem, vou enfiar a blusa e descer. Já tomas — te o pequeno — almoço?
- Não. Mas se tu fosses uma querida podias...
- Ok, entendi.
- Thanks! Desço já.
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Não havia muito na cozinha para fazer um bom pequeno — almoço. Estes gajos precisam de ir às compras.
Peguei num saco de waffles e coloquei uns quantos de lado.
Comecei por colocar dois num prato e três noutro. (NOTA: Tianna lembra — te de ficares com o prato com 3.) Reguei ambos os pratos com chocolate derretido, adicionei uma boa bola de gelado de baunilha (o único sabor que havia em casa) e uma boa dose de chantili em cada prato. Seria mais uma sobremesa do que exactamente um pequeno almoço.
- Cheira a chocolate! — murmurou Harry, apróximando — se de mim.
- É... Cheira... Esperemos que também saiba.
- Delicioso! — elogiou colocando uma grande garfada na boca.
- Vai lavar a louça.
- Porquê?
- Eu fiz o pequeno almoço.
- Parece — me justo.
Peguei nas minhas coisas e revi a minha redacção e sorri na última frase, a chave de ouro do meu texo: "Uma coisa não é forçosamente verdadeira lá porque um homem morreu por ela." Não tenho nada a declarar a não ser a minha genialidade.
Está na hora.
- Adeus!
- Onde vais doll?
- Escola.
- Queres boleia?
- Porque não? Vamos lá!
Harry conduzia razoávelmente bem, pelo que o caminho foi rápido.
Cheguei cedo às aulas e entreti — me um pouco à conversa, até a campainha tocar.
Inglês? SECANTE!
- Miss Tomlinson?
- Tianna. O meu nome é Tianna.
- Como a menina preferir. Porque não está fazendo nada? Isto por acaso parece um café?
- Deixe-me dizer-lhe que neste momento não fazer nada é a coisa mais difícil do mundo, a mais difícil e a mais intelectual.
Acho que ela não gostou muito da minha resposta.
Não, ela não gostou. Mandou — me fazer uma redacção sobre o tema: PHOTOSHOP! Ao acaso, acha que as minhas fotos são photoshop. A minha beleza é natural. Ouvi a Valerie e as amigas cochicharem algo. Não gosto nada de saber o que dizem de mim nas minhas costas. Faz com que eu fique convencida demais.
Comecei o texto.
"Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, basta uns retoquezinhos, aqui e ali. Nunca vi tanta mulher nua. Os sites da internet renovam semanalmente o seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata para tirar a roupa. Dá um bom dinheiro. E o namorado apoia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor para quê?Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar...blá blá blá."
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POV HARRY
Ela é muito inteligente; inteligente demais, para uma mulher. Falta-lhe o vago encanto da fraqueza. São os pés de barro que dão valor ao ouro da estátua. E os pés dela...pés mimosos...não são de argila. Passaram pelo fogo, e o fogo enrijece o que não consome.
Notas finais
Beijos!
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