Notas iniciais
«Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.»
Friedrich Nietzsche

\"\"

-Liam? — perguntei abrindo os olhos e encarando — o. Ele sorria da cama ao lado e tinha um sorriso lindo.

- Bom dia! Estás melhor?

- Sim... — respondi vagamente e desviei o olhar. Não iria cchorar uma vez mais.

- Olha que não parece. — Ele trocou o sorriso por uma expressão de alguém claramente preocupado e veio sentar — se ao meu lado.

- I HATE MY LIFE!

- Não odeias nada!

- Como não? É tão... tão... triste!

- A vida não é triste. Tem horas tristes.

- A situação dos que ficam é sempre pior do que a dos que partem.

- Não sejas pessimista.

- E o que é? Ser pessimista?

- O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos.

- Seu tolo! Não sou nada! — Comecei a rir e a dar — lhe com a almofada.

- És sim!

- Cala a boca Sherlook!

Resultado: Acabamos os dois a rir no meio do chão.

***************************************************************************************

- Então Tita...

OH MY GOD! Quem pensa ele que é?

- Tita?

- Não é assim que o teu irmão te chama?

- Sim Styles! Mas tu não és ele.

- Mas posso chamar — te assim?

- Se eu disser que sim vais embora?

- Não! Sem chance!

- Ouve, esse nome faz — me parecer... hum... bem, uma gaiata. Se disseres TITA todos vão pensar que é uma gaiata ruiva com dois totós, um bibe e muitas sardas nas bochechas!

- E tu és mais cabelo solto, corpo desnudo e boca molhada.

- Idiota. Chama o que queiras!

- Não tentas resistir. Tu sabes que gostas de mim...

- Quê? Não gosto!

- Gostas sim.... A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe.

- Eu já disse que não gosto.

- Gostas. E nem sabes o quanto....

- Zero!

(O que é 0?

0 é nada.

Mas 0 é um número.

Então 0 é Algo.

Mas então Nada = 0 = Número = Algo

Resumindo Nada = Algo

E algo pode ser tudo!

Ou seja Nada = Tudo

Em resumo, 0 é igual a nada, que é algo que pode ser tudo.)

- Vou lançar — te um desafio. Três dias.

- Três dias?

- Três dia! Eu vou tentar conquistar — te. Mas não vale complicar. Se resistires eu paro.

- Sério?

- Sim, mas nessa altura já vais estar tão caidinha por mim, que não vais querer mais nada.

- Veremos!

Virei costas e subi até ao meu quarto para me vestir.

(http://www.polyvore.com/travel/set?id=52757949&lid=1681852)

Infelizmente a etiqueta de cor da blusa acabou caindo e eu tive de procurar alguém para me ajudar. E o Harry era a única pessoa em casa.

Bati à porta do quarto.

- Está aberta! — ouvi gritar lá de dentro.

- Olha, olha quem é ela! — ele gozou assim que me viu entrar.

Olhei para ele. Estava encharcado, acabadinho de sair do banho e apenas com uma toalha envolta na cintura.

- E então? Gostas do que vês ou nem por isso?

Adoro. Adónis deve estar a roer — se de inveja.

- Nem por isso. — apressei- me a responder.

- Aham! Mente para ver se eu acredito.

- Como queiras. De que cor é esta blusa?

- Realy?

- What?

- Não tens uma desculpa melhor'

- O quê?

- Vens até aqui só por isso? Essa é a rainhas das más desculpas.

- Diz logo!

- É amarela, mas isso já tu sabias.

- Não, não sabia.

- O quê?

- Eu não tenha a mesma percepção das cores que tu.

- Entendo. Desculpa. Não sabia que eras daltónica.

- E não sou. Bem sim, mas no grau máximo. Tenho visão acromática.

- O que é isso?

- Vejo tudo a preto e branco ou em tons de cinza.

- Porquê?

- Os nossos olhos têm cerca de 130 milhões de receptores de luz e cor, divididos em dois grandes grupos: os bastonetes, que são responsáveis pela visão acromática (em preto e branco), e os cones, responsáveis pela sensibilidade dos olhos à cor. Infelizmente, eu acabei nascendo sem os cones.

- Isso deve ser horrivel. Lamento.

- Um pouco, mas não tanto. Teria sido pior se fosse do dia para a noite.

- Mas... Como vês o mundo sem nenhuma cor?

- Olha à tua volta. Imagina tudo isso sem cor. A capa da revista, os móveis do teu quarto, a roupa que estás vestindo, o teu tom de pele! Se fosses completamente daltónicos, estarias vendo tudo em diferentes variações de cinza.

- Não pode ser assim tão mau. Há coisas piores...

- Bem... Podes pensar que a perda dessa capacidade não é tão importante, mas para mim pelo menos... COMPLICADO. Usamos cores para quase tudo: organizar a cidade, mostrar a nossa personalidade e facilitar a leitura de informações. A nossa visão está totamente adaptada a elas.

- Como fazes, estão?

- Ao nasceres sem a capacidade de ver o verde, o amarelo ou o azul, crias um mundo adaptado às tuas necessidades. Objetos e construções têm mais formas e texturas, e usas os outros sentidos para interagir com o mundo e com as pessoas. Sem cores, vives num mundo cheio de formas geométricas.

- E se fossemos todos assim, como imaginas que seriam as coisas, num mundo desses?

- Para chamar a atenção dos clientes, as lojas teriam fachadas bem ousadas. Para transmitir informações, como o trajeto dos autocarros em grandes cidades, precisariamos de recorrer a formatos distintos. Para que o mundo da moda não caísse na total monotonia, os estilistas explorariam novas modelagens. Penteados e cortes de cabelo assimétricos serriam usados para nos diferenciarmos uns dos outros. A pintura não teria papel de destaque nas artes plásticas. Esculturas e instalações seriam a nossa principal forma de manifestação artística. Levaríamos mais tempo para realizar atividades simples, como escolher uma fruta. Um tomate maduro, por exemplo, teria de ser detectado pelo cheiro e consistência. Sem o recurso multicolorido das embalagens e rótulos, os publicitários teriam de se esforçar um bocado para vender esse ou aquele produto. Imagino que alguns usariam recursos fônicos para atrair o comprador... Outros fariam embalagens que lembrassem o conteúdo do produto. Leite, por exemplo, viria num pacote em forma de tetas de vaca. — Harry riu com a ideia. — Se só tivéssemos as células visuais conhecidas como bastonetes, seríamos melhor adaptados à escuridão. Isso porque elas são mais sensíveis à luz. No mundo em preto-e-branco, todos usariam óculos escuros. Como seriamos mais sensíveis à luz, seria preciso proteger os olhos em momentos de muita claridade. As lanternas também seriam úteis para driblar sombras que dificultam a visão. Aprendi que uma mesma cor terá um diferente tom de cinza dependendo da iluminação. Superfícies brilhantes produzem reflexos que tornam muito mais difícil ver o que está por trás delas. Para continuar atraindo quem passa pela rua, lojas teriam vitrines sem vidros.

- Tu realmente terias talento para ser escritora. É um génio.

- Obrigado! Mas não deixas de ser idiota. Bem, vou enfiar a blusa e descer. Já tomas — te o pequeno — almoço?

- Não. Mas se tu fosses uma querida podias...

- Ok, entendi.

- Thanks! Desço já.

***************************************************************************************

Não havia muito na cozinha para fazer um bom pequeno — almoço. Estes gajos precisam de ir às compras.

Peguei num saco de waffles e coloquei uns quantos de lado.

Comecei por colocar dois num prato e três noutro. (NOTA: Tianna lembra — te de ficares com o prato com 3.) Reguei ambos os pratos com chocolate derretido, adicionei uma boa bola de gelado de baunilha (o único sabor que havia em casa) e uma boa dose de chantili em cada prato. Seria mais uma sobremesa do que exactamente um pequeno almoço.

- Cheira a chocolate! — murmurou Harry, apróximando — se de mim.

- É... Cheira... Esperemos que também saiba.

- Delicioso! — elogiou colocando uma grande garfada na boca.

\"\"

- Vai lavar a louça.

- Porquê?

- Eu fiz o pequeno almoço.

- Parece — me justo.

Peguei nas minhas coisas e revi a minha redacção e sorri na última frase, a chave de ouro do meu texo: "Uma coisa não é forçosamente verdadeira lá porque um homem morreu por ela." Não tenho nada a declarar a não ser a minha genialidade.

Está na hora.

- Adeus!

- Onde vais doll?

- Escola.

- Queres boleia?

- Porque não? Vamos lá!

Harry conduzia razoávelmente bem, pelo que o caminho foi rápido.

Cheguei cedo às aulas e entreti — me um pouco à conversa, até a campainha tocar.

Inglês? SECANTE!

- Miss Tomlinson?

- Tianna. O meu nome é Tianna.

- Como a menina preferir. Porque não está fazendo nada? Isto por acaso parece um café?

- Deixe-me dizer-lhe que neste momento não fazer nada é a coisa mais difícil do mundo, a mais difícil e a mais intelectual.

Acho que ela não gostou muito da minha resposta.

Não, ela não gostou. Mandou — me fazer uma redacção sobre o tema: PHOTOSHOP! Ao acaso, acha que as minhas fotos são photoshop. A minha beleza é natural. Ouvi a Valerie e as amigas cochicharem algo. Não gosto nada de saber o que dizem de mim nas minhas costas. Faz com que eu fique convencida demais.

Comecei o texto.

"Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, basta uns retoquezinhos, aqui e ali. Nunca vi tanta mulher nua. Os sites da internet renovam semanalmente o seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata para tirar a roupa. Dá um bom dinheiro. E o namorado apoia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor para quê?Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar...blá blá blá."

****************************************************************************************

POV HARRY

Ela é muito inteligente; inteligente demais, para uma mulher. Falta-lhe o vago encanto da fraqueza. São os pés de barro que dão valor ao ouro da estátua. E os pés dela...pés mimosos...não são de argila. Passaram pelo fogo, e o fogo enrijece o que não consome.

Notas finais
COMENTÁRIOS! E eu coloco mais rápido.
Beijos!