“Por favor.”

Eis-me aqui, chorando, pedindo, implorando e, ainda assim, faz-se de desentendido, de ignorante e finge que não ouve o meu grito desesperado. Ou melhor, ouve, mas de nada lhe importa. Afinal, por que deveria? Enquanto esse pedido por ajuda que escapa de meu ser for belo e agradável, você está mais do que satisfeito em manter-me do jeito que estou: aprisionado.

Mas parece não notar que não sou igual a você. Que não gosto de estar confinado entre quatro paredes diminutas, sem nada além de água e comida para me entreter. Sem espaço para me exercitar ou mesmo sem companheiros com quem conversar. Por isso ouça-me, eu lhe imploro! Perceba o chamado desesperado por ajuda contido em minha bela voz!

Pois, como diz o ditado: “Passarinho preso não canta, se lamenta.”

Relato de um canto engaiolado.